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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ceiça: hoje o dia é todo seu. Parabéns.

Autoria de Antonio Luis


Ceiça
Quando sua face de alma matutina
escancara um sorriso, um só, qualquer,
alguém deslumbra: eu amo essa menina
alguém revela: eu quero essa mulher...
E assim vai: entre a estrela e o vagalume,
você navega a sua imensidão,
quem só lhe olha vê somente um lume,
quem lhe descobre vê a constelação.



Postado originalmente em 06NOV2007

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A luta continua ou ...

Por Antonio Luis Almada (*).

A luta continua ou Não vamos nos dispersar
Com a aprovação, mesmo que "capenga", do projeto Ficha-Limpa, nós, brasileiros (politicamente conscientes), provamos que, unidos, podemos evitar que façam de nosso país uma casa de mãe Joana.

Vamos esquecer caras-pintadas, estudantes e sindicalistas, e vamos pensar em nós, que não estamos no bolso do PT e trabalhamos, pagamos todos (e os mais) os absurdos impostos e agora demos uma prova de que, unidos, podemos brecar a sanha de um bando de picaretas que pensam que o país pertence a quem se movimenta nos altos escalões da vida pública.



Que tal manter a mobilização e diversificar as reivindicações? Começando pelo voto obrigatório, o que não existe em nenhuma democracia que se respeita. Os espertos têm medo do verdadeiro eleitor, o policitamente correto, aquele não deixaria de votar para ir à praia, jogar seu dominó ou curtir seu lazer, e é esse eleitor que não vota em espertalhões ou políticos medíocres, compradores de voto.



Mais adiante, pode-se acabar com todos os absurdos privilégios nas áreas do Legislativo e do Judiciário. Por que um juiz, um desembargador ou um deputado pode gozar férias duas vezes por ano? E ainda terem 15 salários por ano, com o dinheiro público? Por que eles podem matar ou roubar e ter foro privilegiado, ou mesmo ter como "punição" a aposentadoria compulsória, sem perder um centavo de seus salários? São trabalhadores como todos nós, iguais perante a lei, que não podem sair por aí atirando e atropelando (veja casos do Ceará, Paraná e Bahia) sem que nada aconteça perante a lei e a sociedade.



Quem paga o aluguel ou a prestação da casa própria do trabalhador? Quem paga suas viagens e sua gasolina para ir ao trabalho? E suas correspondências postadas nos Correios? E seus telefonemas? Pois, nós pagamos os (as) nossos (as) e os (as) deles, isto é, sustentamos, com nossos mini-salários, centenas de parasitas de super-salários e outras benesses inexplicáveis, sem que Brasília seja o fim do mundo ou uma cidade perdida no meio do cerrado.



Se prestarmos bem atenção, nosso Código Penal, vetusto e obsoleto, é responsável por grandes absurdos que inclusive estimulam a criminalidade, porque promove a perspectiva da impunidade e da frouxidão na aplicação da lei. Por que não passa sua reforma, assim como a política e a tributária? E que tal não mais ter de trabalhar 148 dias por ano somente para pagar impostos, que dificilmente voltam para a sociedade em caráter de benefício.



Pois é, o espaço é restrito para citar todas as mazelas ao alcance de nosso raio de ação. E com os políticos que temos, não podemos esperar que nada disso se resolva se não tomarmos a dianteira, em benefício não somente do país, mas de nossos filhos e netos.

Podemos nos antecipar, antes que tomem nosso Brasil de assalto e nos transformem em cidadãos de terceira categoria.



(*) Antônio Luís Almada é jornalista baiano.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Que presidente nós queremos?

Por Antonio Luís Almada (*).

Que presidente nós queremos?
Depois que vi matéria de página no Wall Street Journal considerando o Brasil não potência do futuro, mas de tomorrow, confesso que senti medo. Meu primeiro questionamento foi: que quadro político temos para sustentar esse status quo e alavancar tamanho desenvolvimento com o equilíbrio e a visão que devem ter o administrador de uma grande potência? Com o quadro atual neste ano de eleição, entre pessimista e esperançoso vendo meu passe ao time dos realistas.

O que esperar de Dilma e Serra?


Imagem via Dia de Fúria

Imagino Dilma, aplicando o projeto de poder do PT, envergando um cáqui, charuto na boca, boininha a la Che, transbordando a ira dos seus olhos embrutecidos sobre a nação que pensa, escudada no bando paramilitar do MST e nos milhões de pelegos - de imprensa e de sindicatos - que o PT coonestou desde o início do atual governo.

Imagino também Serra, aplicando o projeto elitista e colaboracionista (!) do PSDB, entregando na bandeja as maiores fontes de riqueza de nosso país, desempregando milhões de trabalhadores e sustentando, por obra e graça de uma promessa de campanha, essa aberração de esmola que representa o Bolsa Família.

Que país temos hoje? Pode-se dizer que avançamos no social apenas porque a ascensão das classes C e D provocou um pico de consumo jamais visto no Brasil? A miséria veste Prada? Como escolher entre morrer na fila dos hospitais, de assalto a caminho de casa, ou de indignação grave ao ver diariamente as imbecilidades de um presidente que nada preside, nada sabe, nada viu e ainda troca figurinhas com o que há de mais espúrio na política nacional e mundial?!

Até quando vamos esperar pelas reformas que fariam do Brasil uma nação realmente desenvolvida? Por um presidente que realmente trabalhe e tenha a coragem de peitar esse desonrado Congresso nacional e promover as mudanças necessárias para manter a paridade entre o econômico e o social? Foice e martelo, bico de tucano e outros emblemas inúteis já nada representam na política mundial.

Capitalismo, comunismo, socialismo, todos os sistemas fracassaram simplesmente pela falta de homens, da estirpe de Mandela, por exemplo.

Mas parece que o quadro já está definido, as escolhas estão postas. Serão as que nós precisamos? Que presidente nós queremos?

(*) Antônio Luís Almada é jornalista. Publica seus artigos no jornal A Tarde/Ba e neste blog.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sabores da Dadá: propaganda enganosa?

Caros leitores, o texto abaixo é do cidadão baiano, jornalista, e apreciador das coisas da Boa Terra, Antonio Luis Almada. De meu tem apenas o título e a decepção sofrida, pois também fazia parte desse grupo.

Sabores da Dadá: propaganda enganosa?
Dadá, querida (não lhe conheço, mas admiro sua trajetória), a matéria de página do jornal A Tarde, neste 7 de janeiro, prometendo as maravilhas de petiscos e atendimento em seu restaurante da Pituba, não foi bem o que encontramos na noite do mesmo dia, quando me incluía na turma que festejava o aniversário de uma amiga.

E aí, uma água de coco?
- não tem!

Então, um suco de frutas, ou de uma fruta apenas?
- também não tem!

Bem, e uma cerveja sem álcool?
- nem pensar!

E que tal uma água tônica?
- acabou!

Bem, sai um tira-gosto de acarajé com abará?
- a baiana não veio!

E esse bolo, Negão da Dadá?
- ah, hoje não servimos.

Como última aposta no cardápio, pedimos um prato de carne desfiada com pirão de banana, que chegou cerca de dua horas após o pedido e retornou quase intacto, dada a quantidade de sal que veio na carne.

Intacto também retornou o drinque Roska  de Umbu, que virou água na primeira golada.

Pô, Dadá, sacanagem sua, mas o garçom que nos serviu está desculpado. Quanto a seu gerente, deve ganhar bem para apenas sorrir...

Antônio Luís Almada

* e a Música ao Vivo? não era dia?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Post nº 5.000.

Exatamente isso. Este é o post de nº 5.000 e é gratificante afirmar que nessas 5.000 postagens, este blog sempre procurou identificar a autoria de um texto ou matéria, e sua respectiva fonte, citando o nome e o link do site ou blog de origem.

E já que este post é tão especial, nada mais justo que seja um artigo do jornalista baiano Antonio Luís Almada que assim retorna 'a nossa equipe de colaboradores, ele que desde o nascedouro do Pilórdia escreve, inicialmente sob o pseudônimo Andres Viriato e posteriormente com o seu próprio nome. Obrigado Almada. Obrigado a voces, pilordianos. Mas vamos ao que interessa, ao artigo.


2012 vem aí
Como vai ser 2010 meu coração brasieiro já está cansado de saber, daí estar agora preocupado com 2014. Não, não é por causa da Copa do Mundo no Brasil, mas pela expectativa de saber qual sobrevivente pós 2012 será ungido à presidência da República.

E não me perguntem se sou dos que acreditam no fim do mundo ou em funestas previsões semelhantes, apenas estou usando minhas defesas mentais, firme em acreditar que não será pertinente, às portas da mudança de ano, desejar feliz Dilma Roussef a todos vocês.

Nem mesmo o pré-sal, o biocombustível, tanta Amazônia e nossas invejáveis reservas de tudo que é ouro renovam minha esperança de fitar com ufanismo a pátria amada idolatrada.

Já tenho como certo e indiscutível que o problema do Brasil é um só: o brasileiro. E que esse problema não se resolve com o voto, como não vai se resolver com nenhum Araguaia ou secessão parecida. Sou eu, é você, é o cara e, também, toda a diretoria do Esporte Clube Bahia.

Estou brincando? Juntando alhos com bugalhos, como vêm fazendo há dezenas de anos o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e a maioria de nossos homens públicos? Há 38 anos como jornalista, tenho lido e repetido matérias, leads e manchetes semelhantes, a ponto de ninguém mais se indignar com o que se tornou "café pequeno" na vida política de nosso país.

Não vejo mais luz no fim do túnel simplesmente porque é praticamente impossível uma varredura impiedosa na vida pública, espécie de solução final para assepssia moral, e porque o voto é viciado, encomendado e inútil.

Daí, estou torcendo por 2012, pelo "meu" 2012, pois cada um imagina suas tsunamis, terremotos e maremotos de acordo com seus cinzéis e cavaletes mentais.Tanto que estou muito animado para comprar jornais numa banca sem vendedor, viajar num ônibus sem cobrador e contrair crédito sem apresentar CPF ou carteira de identidade.

Tenho certeza de que meus filhos, meus netos e meus sobreviventes não vão continuar pagando a conta. Nem se preocupar com os noticiários do dia-a-dia, porque, acreditem, político brasileiro é tão nocivo ao cérebro e ao coração quanto o cigarro que ainda fumo.

E aí, podem acreditar, o pós-2012 vai tirar todos nós da merda.

Antônio Luís Almada é jornalista.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pilórdia, ano III

nota do editor
Aviso aos internautas
:
Não sou o responsável pelas palavras abaixo,
então como diria o filósofo:
"me inclua fora dessa".



Do colaborador Antonio Luis Almada

Somente este blog é capaz de abalar minha condição de ergófobo e fazer-me voltar aos teclados. E hoje o faço com especial disposição, porque agosto, além do mês do cachorro louco (Brasília está em festa), é também do aniversário deste blog e de seu criador, o visionário Antônio Mendes.
Não sei o que ele acha da idéia, mas gostaria de ver pelo menos uma tira com manifestações de seus milhares de leitores e colaboradores.
A relação do Mendes com o Pilórdia é monogâmica e talvez por sua fidelidade consiga, sozinho, sustentar uma revista com tanta qualidade, juntando a democracia para com os colaboradores com o bom gosto de suas inserções - suas, dele, do Mendes.
É mulher do padre quem não soprar uma velinha...
Nota do Editor
Agradeço as palavras do jornalista Antonio Luis Almada, colaborador e amigo - aliás, amigo em primeiro lugar senão não entrava nessa enrascada que o coloquei ao, tentando melhorar a qualidade do blog, "solicitar" seus textos, e ele prontamente o aceitar .
Mas deixo registrado que nesses dois anos completados e iniciando o 3º , ele participou desde o nascedouro quando então escrevia sob o pseudônimo Andres Viriato (xiii, entreguei o ouro) , aliás quem quiser rever seu primeiro artigo, no longínquo 26 de junho de 2007, quando o blog ainda não se chamava Pilórdia e respondia pela alcunha de jornalleco - detonando "furos alheios" , ainda experimental, clique aqui .
E quem conosco também está desde os primórdios, é o também amigo André Carvalho, escrivinhador de talento - reveja seu primeiro artigo aqui também no Jornalleco, em 25 de julho de 2007.
Lineu Barretto, é o nosso 3º colaborador por antiguidade mas primeiro correspondente no exterior (Espanha, na velha Europa) , iniciou sua trajetória pilordiana em 01 de janeiro desse ano, e Adonis Mello, nosso mais recente articulista, nos manda suas impressões do novo mundo, lá da terra do Tio Sam.
Encerrando, pois já "falei" demais quero agradecer a todos, colaboradores, internautas que tornaram amigos e também colaboradores e os apenas leitores que se dão ao trabalho de passar por essas páginas. O meu muito obrigado.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Artigo > Antonio Luis Almada


Texto do jornalista Antonio Luis Almada, especialmente para o Pilórdia.

O Velho e o PT
Entre as histórias que ouvi quando criança, a que mais me levou à reflexão foi o Velho e o Jumento. Lembram-se? O Velho ia caminhando pela estrada de barro, montado em seu jumento, e o filho, adolescente, a pé, acompanhando. O primeiro a passar, bradou:
"Que injustiça! Um velho maltratando uma pobre criança, fazendo-a caminhar enquanto ele vai confortavelmente em seu jumento"!
Indignado e sentido, o Velho colocou a criança na garupa, até que passa outro cidadão, e brada: "Que maldade! Duas pessoas sobrecarregando um pobre jumento, que certamente não vai resistir a tanto peso".
Mais uma vez sentido, o velho apeou, deixou o jovem montado e continuou a pé o percurso, até o próximo passante:
Que crueldade com o pobre velho! Uma criança forte, podendo muito bem caminhar, deixa um pobre velho andar sob este sol escaldante".
Sem mais saber o que fazer, o Velho retou-se, carregou o jumento nas costas e caminharam os três, até que os próximos passantes morreram de rir e zombaram impiedosamente de ambos.
No início era assim: Lula, o Velho, cavalgando o PT, o Jumento (aqui apenas o substantivo), único partido de então (antes de chegar ao poder) de oposição cerrada, monopolista da honestidade e da seriedade política, com admiráveis propostas de uma democracia social plena e combatividade irretocável em favor dos direitos dos trabalhadores e das classes menos favorecidas.
O adolescente, os acólitos, os sindicalistas, os que apostavam todo o cacife na vitória da longa caminhada.
Hoje, no final, a história fica assim: os adolescentes todos montados e o Velho, praticamente apeado, carregando o jumento lotado nas costas.
Em resumo: o Jumento, hoje, não sobrevive sem o Velho, e está prestes a experimentar os últimos suspiros, porque o Velho, num futuro bem próximo, terá de seguir seu caminho, talvez sem volta.
Contestem gregos e troianos, mas o PT, hoje, é Lula e nada mais. Não há um só nome de expressão no PT que possa sustentar sua linhagem política com o afastamento do velho chefe. Aliás, a bem da verdade, como se lê e ouve nas linhas e bocas de analistas e blogueiros, Lula já não é mais aquele petista de sete costados, já entregou a sanha e a saga petistas em favor de um projeto de poder, dele próprio, através de um continuísmo pelo qual ele aplica hoje todos os conchavos e imoralidades, bem em desacordo com o catecismo petista.
E o adolescente? Não há um sequer que sobreviva politicamente no aparelho em que se transformou grande parte do Estado brasileiro, mas uma verdade é certa: eles sairão da caminhada com abundantes recursos para adquirir quantos jumentos quiserem para improváveis novas caminhadas. O problema é adquirir um novo raça-pura no mercado brasileiro.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Artigo > Antonio Luis Almada

charge de Santiago grafar



Texto do jornalista Antonio Luis Almada, especialmente para este blog

Jornalistas, graças a quem?
Agora que meu diploma de jornalista, que já valia pouco, não vale mais nada, já estou me preparando para ser chamado de “coleguinha” (termo usado pela classe, mais depreciativo que “identificativo”) por gregos e troianos. Para mim, nenhuma novidade, já que comecei minha carreira, ainda na Faculdade, com grandes nomes do jornalismo baiano, aprendi quase tudo com eles, e nenhum deles de anel e diploma.
Não vejo razão, portanto, para espernear ou sentir-se na rua do abandono. No mundo das letras e das artes, a política também conta. Quantos professores assim são chamados sem nunca terem dado uma aula? Quantos vestem o fardão das academias sem terem produzido qualquer opúsculo digno de leitura? São compositores, escritores, literatos canários-de-uma-só-muda, que por qualquer bobagem produzida entram no acervo de incautos mecenas.
Para ser jornalista, o cidadão precisa de três atributos básicos: saber escrever – e bem -, ter uma cultura geral sólida e atualizada, e por fim falar uma língua estrangeira. Vamos percorrer as Faculdades de Jornalismo baianas e tentar encontrar essas peças promissoras? Convivi, ultimamente, com alguns formandos de Jornalismo, que buscavam orientação para trabalhos de classe, e foi uma decepção só.
A grade curricular desses cursos está mais para Artes Culinárias do que para Jornalismo. Aproveitei e fiz três perguntas triviais, do dia-a-dia da imprensa, a cada um deles, e nenhum soube responder, porque não se estuda Economia, Direito ou Artes nesses novos cursos.
Você é recém-formado e não sabe o que é um superávit primário, não sabe a diferença entre rapto e seqüestro ou o que caracterizava o estilo de Picasso. Que repórter poderá ser numa cobertura mais difícil?
É problema de cada órgão de comunicação admitir ou não candidatos sem diploma. Uma entrevista, ou um teste simples, pode avaliar o potencial de cada um. O resto, caso o candidato seja portador das três virtudes que cito acima... O resto? Bem, dê-me esse candidato que, em cinco dias úteis, ensino-lhe toda a técnica de jornalismo – reportagem e redação – e ele estará apto a “ir para o campo”. Quanto ao pulo do gato, ele aprenderá com a vivência na profissão. E aí estará o jornalista, graças a ele mesmo, porque essas Faculdades...
Claro, se as Faculdades de Jornalismo que por aí proliferam realmente fornecessem as ferramentas básicas, seria ideal somente contratar formandos e formados para exercerem a nobre profissão. Mas como não é assim, não vejo por que a exigência do diploma. Aos estudantes e formandos de Jornalismo, pelo menos na Bahia, eu proponho que meditem sobre a frase derradeira do famoso Quincas Berro D’Água: “Cada um que cuide do seu enterro! Impossível não há”.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Lulíadas a pleno vapor!

charge de tiago recchia,
para a charge on line
Texto de Antonio Luiz Almada (*)


Eles que se cuidem!
Meu pai não era louro nem tinha olhos azuis, mas eu sou um produto em crise. Já não posso ver, nos jornais nacionais de rede, um banqueiro europeu ou norteamericano dando entrevista, que tasco para minha mãe, que me faz sala nessa hora, com seus 85 e avançado Alzheimer:
aquele é o Anticristo!
Como duvidar, se foi sentenciado pelo home daqui para o homem de lá, com manchetes na imprensa mundial?
Então, mergulhei no fundo da questão: jamais tivemos um presidente louro, nem de olhos azuis, daí nossa felicidade tropical e incontestável vitória na luta contra a corrupção e as marolinhas.
Claro, numa crise dessas a vitória é gradual, configura-se após batalhas e mais batalhas e começa no meio do cotidiano. Por exemplo, acabo de denunciar um condômino do prédio onde moro, que anunciou sua pretensão de candidatar-se a síndico. E por quê? É louro e tem os olhos verdes.
Essa raça tem que procurar o seu lugar! Imagine o Gabão, o Sudão ou a Somália povoados por louros de olhos azuis? Teríamos um continente africano miseravelmente corrupto, com uma minoria abastada de bônus e “subprimes”, e um mercado financeiro exportando recessão e tsunamis para todo o planeta.
E estou de olho, pois se Evo Morales ou Hugo Chavez resolverem pintar os cabelos, acaju que seja, vou iniciar daqui um movimento pró-moreninho-indinho-crioulinho, e que eles vão cheirar e mastigar em outro lugar.
Depois do sábio pronunciamento de nosso mestre maior foi que passei a entender o porquê da justeza de nosso mercado financeiro, da lisura de nossos políticos e da grandeza de nosso Judiciário.
Imagine um Sarney, um Maluf, um Collor, um Luís Estevão, um Lalau, e milhares mais, todos louros e de olhos azuis? Como justificar nossos votos e solidificar nossa certeza de que estamos no caminho certo e nada nos deterá na Rodada de Doha, justamente no Qatar, país de pele negra e cabelos crespos?
É por isso que - perdão, católicos! – não acredito que Jesus Cristo tenha sido louro e de olhos azuis. A maioria dos antropólogos e pesquisadores já disseram que ele tinha um pé na cozinha, como o nosso ex-presidente FHC.
Quanto ao Lulinha paz e amor – ou o Lulão, terror dos gringos - ele bem sabe que tanto nas fronteiras mexicanas quanto nos aeroportos da Europa, jogam duro com nossos morenos porque seriam uma ameaça ao emprego de louros e arianos nos mercados europeus e norteamericanos. O presidente está certo, eles que se cuidem!

(*) Antônio Luis Almada é jornalista.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Bobagem, sexo é vida.


Escrito por Antonio Luis Almada (*), especialmente para este blog.


Bobagem, sexo é vida.
- Vocês querem camisinha? - poderia ter mercado o Presidente Lula, do alto de seu camarote no sambódromo carioca, despachando preservativos para a multidão. Na Quarta de Cinzas veio a resposta da Igreja Católica, pelos cardeais de São Paulo e de Salvador, nas entrelinhas de sempre, mas sem perder a veemência dos santos homens.
Ser rigorosamente contra qualquer método anticonceptivo é cláusula pétrea do dogma romano, que apregoa o sexo exclusivamente como meio de reprodução, abalroando fundamentos científicos e/ou filosóficos mundo afora. Em outras palavras, os casais legalmente formados sob os altares católicos, também mundo afora, não poderão desistir de aumentar a prole enquanto o fogo arder, sob pena de praticarem o libidinoso sexo para fins pervertidos.
Pode? Imagine Donas Marias nas periferias das cidades, na mais longínqua zona rural ou nos tórridos infernos africanos, com a prole já além da conta, tendo de entender de ovulação, ciclo menstrual e regras de fecundação, para praticarem o sexo livre sem risco de trazerem mais filhos para este mundo.
E como na maioria das mulheres o ciclo menstrual é irregular, a perigosa tabela sempre falha, e tome-lhe mais filho! Cresce a mortalidade infantil, o índice de marginalidade entre jovens, a fome, as DST, mas... tome-lhe mais filho!!!
Enquanto não pular da Arca de Noé, a Igreja Católica vai continuar perdendo espaço e adeptos em todo o mundo. Hoje, famílias numerosas, para manterem uma vida socialmente digna, precisam inicialmente de um respaldo financeiro que contemple assistência total a todos os seus membros, coisa que nem o Estado nem a Igreja oferece, principalmente em países do chamado terceiro bloco. Não é uma regra absoluta, mas quase isso.
Sou dos que acreditam que a evolução do homem somente ocorre pelo aperfeiçoamento de seus elementos - corpo e alma - e esta só se dá pela saturação, ou, em outras palavras, pela realização de todos os seus desejos.
A perversão maior está em negar essa satisfação ao próprio corpo, um "pecado" contra a própria Natureza, daí a busca furtiva do prazer sob o manto da escuridão, como ocorre no seio da própria Igreja.
Quando o sexo tornar-se banal e desnecessário, lá pelos últimos andares de sua escada evolutiva, o homem saberá aplicar sua energia criadora não liberando-a pelos órgãos sexuais, mas transformando-a em energia consciente e purificando-se pela subida de Kundallini, quando ele estará pronto para assumir a estatura de um Cristo.

(*) Antônio Luís Almada é jornalista.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Abaixo a indignação!


Escrito por Antonio Luis Almada (*), especialmente para este blog..


Abaixo a indignação!
Desde que aposentei meu título de eleitor tive duas recaídas de esperança: no discurso de despedida do ex-senador Jefferon Peres e na entrevista que o senador Jarbas Vasconcelos acaba de conceder às páginas amarelas de Veja.
Tanto faz PMDB quanto qualquer outro partido, a entrevista foi uma espécie de carta-circular, com o agravante de que o PMDB atual representa uma traição cretina ao velho MDB que o senador ajudou a criar como principal peça de resistência no tabuleiro político armado pela ditadura militar.
Quando peso a estatura dos que hoje comandam a principal casa política do país, que é o Congresso Nacional, e quando ouço as bobagens infantis de nosso Presidente, e mais, quando admito a possibilidade de eleição de Dona Dilma, jogo a toalha e aposento também meu poder de indignar-me, porque aos 60 já não é aconselhável submeter o próprio coração a artilharia tão pesada.
Tive duas grandes esperanças como cidadão-eleitor brasileiro: na eleição de Tancredo Neves, que ruiu sob implacável circunstância, e na primeira eleição de Lula.
Hoje, já admito que vai ficar para meus filhos, ou netos, ver a esperança concretizar-se na figura de um Presidente que limpe toda essa sujeira da vida pública e se porte e administre realmente como um estadista. Em suma, que mereça um país tão encantador e promissor como é o Brasil.
Inútil, a essa altura, enumerar a ficha-corrida de cada um, porque a corrupção já se institucionalizou na vida pública nacional.
E por falar em Brasil, a Folha On-line acaba de publicar que os bancos aqui instalados registraram, de 2007 para cá, o maior lucro de todos os tempos.
O Santander, cujo presidente também preside a Febraban, registrou o maior lucro entre todas as filiais espalhadas por meio mundo. "Só espero que não me chamem de sacana", disse o prócer da Febraban ao rebater uma entrevista dura do presidente da Fiesp contra o maquiavelismo dos banqueiros.
Contra 44% de crescimento dos bancos, as empresas privadas, que realmente produzem para o país, tiveram um crescimento de apenas 9%.

Vou me indignar com isso? Claro que não! Mesmo sabendo que os banqueiros enriquecem sem produzir sequer um biscoito, qualquer financista esperto e pilantra faria o mesmo, porque é o país que permite e estimula essa ladroagem. Quem é o sacana, então, nessa história?
(*) Antonio Luis Almada é jornalista baiano.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Bahia, um novo ano

imagem - link acima

Artigo do jornalista Antonio Luis Almada, especialmente para o Pilórdia.

Salvador, Bahia, 2009 d.C
Enquanto palestinos e israelenses começaram 2009 contando seus mortos numa guerra declarada, em Salvador o IML (Instituto Médico Legal) faturou, em apenas cinco dias, 50 cadáveres, numa guerra silenciosa que os bandidos vêm vencendo desde que o atual governo assumiu o Estado da Bahia.
Se a proporção do crescimento da violência mantiver seu ritmo (2.189 homicídios em 2008, contra 1.665 em 2007), o governo baiano vai continuar permitindo uma marca funesta nunca antes alcançada na Grande Salvador.
Seria parcial e tendencioso afirmar que o Estado parou nos últimos dois anos, mas será correto afirmar que pouco, muito pouco se fez por seu crescimento nas principais áreas do desenvolvimento, principalmente a da infraestrutura.
O que está aí, na indústria e na agricultura, vem funcionando bem em razão da solidificação alcançada antes do atual governo, mas a falta de ações concretas do Estado não permitiram o crescimento necessário.
Em Salvador, o turismo e a cultura, dois itens emblemáticos e inerentes ao desenvolvimento da cidade, estancaram de maneira crucial. O Centro Histórico, nosso maior patrimônio cultural e turístico, jaz à míngua; o turismo náutico, que seria uma importante fonte de atração, não deu um passo, enquanto em regiões como a Chapada Damantina, importante fonte do turismo ecológico, nada se realizou que atraisse turistas de todas as partes do mundo, como já aconteceu.
O governador Jaques Wagner já disse que este seria um ano de gestão, ou interpretando aqui, que estava decidido a começar a trabalhar. Se ele conseguir atrair para a Bahia, em obras e investimentos, metade do que Pernambuco, por exemplo, atraiu nos últimos dois anos, em estradas, indústrias, área portuária - para citar essas três - já será de bom tamanho, comparando-se com o que está aí. Porque este é um governo sem marca e sem graça, como urubu magro desossado por sedento predador.

Não era admirador nem partidário dos governos do então PFL, partido pelo qual jamais depositaria um centavo de crédito. Mas as coisas funcionavam "por fora", mesmo que, "por dentro", as maiores fatias fossem repartidas com a famosa "panelinha" à qual os petistas sempre se referiram.
E agora, pela segunda vez, a esquerda está perdendo a chance de mostrar que também sabe governar. E o que é pior: a "panelinha" sindical petista não fede nem cheira.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Reformas? Prá que reformas?

Charge de Benett. Subtraído do solda.


Texto do jornalista Antonio Luis Almada (*).
Quem aposta nas reformas?
Vem aí mais um novo ano e as propostas de reforma na vida pública brasileira permanecem no limbo. A reforma política, anunciada há décadas, não sai porque, se efetivada em modelo civilizado, manda para o inferno a maioria de nossos imprestáveis políticos.
Dela constaria, por exemplo, o voto distrital misto, que forçaria o deputado a fazer o que ele menos gosta, que é trabalhar pela comunidade que o elegeu, além do fim da obrigatoriedade do voto, que instituiria o voto democrático, do livre arbítrio, e fulminaria os currais eleitorais, principalmente no interior do país. Isso sem falar nos abomináveis partidos nanicos, criados e alimentados por pilantras em busca de vitrines e negociatas de gabinete.
Mas para compensar, o valoroso Congresso Nacional está aprovando uma enxurrada de mais 7.343 vereadores para as Câmaras Municipais de todo o país. Nada não, um acréscimo de R$ bilhões no orçamento público, ou, melhor falando, 80% do que o governo federal gasta com o Bolsa-Família. Para que serve um vereador neste país?
Já a reforma tributária, é tanto quanto indesejada por governadores e prefeitos, e um dos gargalos está no ICMS, que os Estados produtores querem "na fonte", e os mais pobres querem "no destino".
Os prefeitos chiam que vai haver perda no FPM, que é o fundo da sobrevivência da maioria deles, principalmente em municípios emancipados nas coxas, por obra e graça dos carreiristas de plantão. Não fosse a crise, que ainda vai tirar biscoito de boca de criança, e não haveria reajuste no Imposto de Renda. Foi modesto, mas pelo menos, foi.
A verdade é que pequenos e médios empresários, realmente os que criam empregos no país, continuam com a dura corda do fisco no pescoço, porque o governo não abre mão de arrecadar e o Presidente Lula obedece fielmente ao ex Fernando Henrique quando se trata de modelo da política econômica.
Se um cidadão bem informado ler os textos já propostos para essas duas reformas, verá que estamos a anos luz de um sistema verdadeiramente democrático. Enquanto nos países com sistemas políticos já sedimentados o Estado existe para servir ao cidadão, criar-lhe facilidades para que exerça suas prerrogativas e desfrute com justiça dos benefícios que o país pode lhe propiciar, no Brasil o cidadão é sempre o alvo secundário, transformado em elemento de terceira classe por uma burra e perversa democracia. Até prova em contrário, todos somos um perigo para a intocabilidade do Estado.
A principal reforma, porém, continua à espera de um presidente "macho", inteligente e bom de briga: a reforma da educação. Se eles pensam que instituir sistemas de cotas, para pobres e negros, vai levar a qualquer aprimoramento da política educacional, vão cair do cavalo mais adiante, quando a evasão escolar, ou o desemprego de profissionais desqualificados, vai mostrar, na ponta do lápis, o prejuízo financeiro e cultural para o país e para a sociedade em geral.
Pior é que não vejo ninguém à frente que pense em apertar o botão da modernidade na base sócio-política nacional. Eles só pensam em economia.
(*) Antonio Luis Almada publicou neste blog 39 artigos sob o pseudônimo de Andres Viriato.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Boa sorte, cavaleiro!


por Antonio Luis Almada

Boa sorte, cavaleiro
Depois que títulos e manchetes da imprensa mundial deram mais destaque à cor de sua pele do que a seu ideário político, Barack Obama segue formando um gabinete onde brotarão as principais decisões do país mais poderoso do mundo. Ponto para a imprensa? Sim, cumpriu seu "abecê" jornalístico. Ponto para Obama? Não, porque no underground da sedimentada "democracia preta e branca" dos Estados Unidos, o universalismo “colorido” de Obama pode ameaçar queimar o filme.
Não duvido de que, a partir de janeiro próximo, projéteis de todos os calibres, políticos e balísticos, poderão tentar criar obstáculos à caminhada do novo presidente, em nome da mitificação da sociedade mais "avançada" do planeta, onde o nazismo da Klu Klux Kan e afins permanece vivo e atuante. Lincoln e, mais recentemente, Kennedy, também eram universalistas e pregavam a igualdade entre os povos.
Aí, diriam meus dois leitores deste blog, que eu também fui maculado pelo surto de Cassandra, mas meu raciocínio - e meus temores- se movimenta dentro exclusivamente do contexto histórico. E se nada disso acontecer e Obama for menos o visionário espiritualista e mais o cavaleiro da luz que abriu as primeiras portas para a tão decantada Era de Aquarius? Aí, os quatro cavaleiros do Apocalipse desmentem a simbologia bíblica e passam a ser Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Justiça, e o Armagedon uma batalha de confetes, tão ao gosto de Euterpe.
Conotações à parte, uma vitória de Obama à frente do governo norte-americano será um grande passo para instaurar uma "democracia racial" em todo o mundo. Já uma derrota, em qualquer circunstância, será o tiro pela culatra, e aí não será a imprensa, mas o povo americano a destacar a cor da pele no contraponto do fracasso. Não apostaria contra Obama, mesmo empunhando um royal straight flush e com o cacife abastado. E mesmo com o tombo que levei no engodo do PT por aqui, ainda aposto na Esperança.
A ciência, e agora a economia, já provou que o planeta é um corpo e os países suas células. Em todo corpo, as células trabalham para o conjunto, e se uma adoece, todas as outras sentirão o baque, e o corpo fica enfraquecido. A globalização começa a mostrar essa realidade agora, com a quebradeira da economia mundial. Portanto, enquanto um só país-célula no corpo-planeta estiver enfraquecido, o corpo continuará doente. E nenhum de nós será plenamente feliz. Boa sorte, Obama.

Antônio Luís Almada é jornalista.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ainda, a crise.

Por Andres Viriato.
bisama01@yahoo.com.br
A crise e os novos tempos
Apenas dizer que Karl Max tinha razão, quando se analisa o terremoto que abala o sistema financeiro mundial, não é suficiente para sair do vulgo e penetrar as profundidades da questão. O que sei é que, se dessa crise atual não sair uma nova ordem político-econômica, com vigência na sociedade mundial, vou apostar que numa próxima crise não teremos um terremoto somente, mas uma enxurrada de meteoros incomensuráveis, bem ao estilo de Impacto Profundo. Como disse Einstein ao lhe perguntarem como seria uma terceira guerra mundial: "A terceira, não sei, mas a quarta será a pau e pedra".
Alguém tinha de fazer a trapalhada para comprovar a falibilidade do sistema. O inesperado, porém, é que esse alguém foi nada mais, nada menos, que a comunidade-mor do capitalismo internacional e da democracia inviolável e ufanista. Lembra-me aquele conto em que "o pobre ficou rico, e o rico, ridículo", que cai como uma luva sobre a sociedade antes considerada a mais rica e sólida do planeta. Um passo histórico para o estabelecimento de um sistema seguro para todos, igual e universalista, em futuro próximo.
Aposto que, na próxima "encarnação" da sociedade global, o sistema financeiro será apenas um viés de um sistema econômico sólido, regulamentado e fiscalizado pelo Estado, com leis equivalentes para o corpo planeta Terra. Não como no comunismo, com o Estado monopolizando todas as operações de mercado, produção e comércio, mas atento à movimentação do dinheiro como elemento de propulsão do sistema produtivo, jamais da especulação financeira, que cria o regime cruel em que, enquanto o papel gira nos balcões das bolsas, as máquinas esfriam os motores nos campos e nas indústrias.
Não há dúvida de que o dragão de toda essa dèbacle foi a especulação e a ganância, que alimentam o super-lucro fácil, sem produzir um palito de fósforo, o que gera, por via indireta, a fome, a pobreza e a desigualdade entre os países. E a trapalhada no mercado imobiliário foi o mal necessário, para mostrar que, no ramo especulativo, as pilastras são frágeis e, ruindo, leva todo o templo de roldão. E no templo, com os dogmas globalizados, estamos todos nós.
A globalização vigente, que vejo como o estado bruto e incipiente de um sistema geral, único e universal, teve que começar pela economia, onde a queda é maior e a necessidade dos ajustes exige crescer em sabedoria e igualitarismo. E aí será para valer: se um de nós cair, cairemos todos. Portanto, as regras serão claras e invioláveis. Quando o capital tornar-se apenas um agente bendito da produção, da ciência, da tecnologia e da formação dos homens, aí, sim, a riqueza será de todos os habitantes deste planeta. Cada qual com sua cultura, sua educação seus costumes, mas todos com casa, comida e roupa lavada.
Andres Viriato é jornalista.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

E o 2º turno vem aí...

Escrito por Andres Viriato.

Anime-se, caro eleitor!
Depois de elegermos Leo Kret (meu preconceito é cultural. Nossa experiência de eleger Jecas Tatus e morde-línguas é desastrosa), entramos na campanha do segundo turno, para tristeza do eleitor exigente e perigo à nossa encantadora Salvador.
Qual dos dois será melhor para Salvador? João Henrique, com sua imaturidade política e inapetência administrativa, atendendo às ambições carreiristas de Geddel Vieira Lima, ou Walter Pinheiro, sem qualquer experiência de administração pública e, ainda por cima, do PT do governador Jaques Wagner, que já demonstrou que não deveria ter saído da política sindical, tudo o que sabe fazer bem feito?
Em verdade, essa disputa pela Prefeitura do Salvador significa um primeiro turno das eleições para governador, em 2010. Os competidores reais, Geddel e Wagner, sabem que abocanhar o cetro do Thomé de Souza é meio caminho andado para se apossar do Palácio de Ondina daqui a dois anos. E nos, baianos eleitores, onde ficamos?
Imagine mais quatro anos para Wagner, um governador de pouco trabalho e curta visão, que até agora só fez perder para Pernambuco os principais investimentos destinados ao Nordeste, e mandou os índices da segurança pública para a estratosfera?
E com Geddel, um clone mal-feito de ACM, debutante de coronel oligárquico, de passado nada confiável?
Não me admira mais, desde o primeiro ano do primeiro governo Lula, a postura do PT, que até à justiça recorreu contra o candidato João, tentando impedi-lo de usar a imagem de Lula na campanha. Ora, ora, o PMDB de João é o partido mais forte de apoio ao governo federal, e sem ele Lula sabe que não governa. Então, na hora do "vosso reino", nada para o Jonga?
Além do mais, para que tanta briga, se, apesar dos seus índices de aprovação, está praticamente provado que Lula, sozinho, é imbatível, mas seu apoio não conta tanto para o eleitor?! Caso assim fosse, a desastrada Marta Suplicy não estaria descendo a ladeira em São Paulo, e por aqui, o número de vereadores eleitos pelo PT - quatro - foi insignificante, principalmente ante a figura de Lula, coladinha em faixas e santinhos, durante a campanha.
Até o dia 25, véspera da eleição, Wagner e Geddel ainda terão muito que aparecer nos programas eleitorais. Muito pior para o governador, que vestiu a camisa demais para o cargo que ocupa, e uma derrota pode ser um pinico cheio para suas pretensões em 2010 - reeleição ou disputar indicação para a Presidência com a Sra. Roussef.
Como já mostrou que não é tão esperto, politicamente, quanto Geddel, pode dar 10 para 1 na bolsa de apostas da Rua Chile.
É GOLPE - Declarações do ministro Tarso Genro: "nossa prioridade para 2009 é aprovar a reforma política".
Fala-se até em nova Assembléia Nacional Constituinte, mas que só poderia ser feita por um novo Congresso. O cano de escape é fazer uma revisão da atual Constituição, tudo dentro da lei, o que não significa que seria legítimo. Anotem: vai pintar na área uma proposta de reeleição. Para mim, golpe sujo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Comentando o 1º turno, em Salvador.

Escrito por Andrés Viriato, especialmente para este blog.

O segundão começa hoje
Para o eleitor que só se movimenta nas urnas a partir das porcentagens das pesquisas eleitorais, a derrota de ACM Neto foi uma grande surpresa. Como o foi para o jornalista Alexandre Garcia, tido como o mais importante comentarista político do país, que, apesar de não morar em Salvador nem respirar os ares políticos pós-ACM (o avô, Sr. Hilton 50) disse ainda que Geddel Vieira Lima e o governador Jaques Wagner agora disputavam o legado político do carlismo. Por que os resultados apontam João Henrique e Walter Pinheiro para o segundo turno?
Vamos por parte. Mesmo com as pesquisas do Ibope, cujos antecedentes na Bahia não apontam para tanta credibilidade, dando ACM Neto (ele foi o olho do furacão para os demais marqueteiros) sempre à frente, o acompanhamento técnico dos índices era feito, em silêncio e em segredo, apenas pelos marqueteiros e coordenadores de campanha. E eles sabiam que, mesmo com a frente, também apurada pelo Datafolha, o “menino” não crescia, estagnando entre 25 e 30 por cento, e o pior: seu índice de rejeição era o mais alto entre os cinco candidatos, e nesses dois lances é que mora o perigo para qualquer candidato em eleições majoritárias.
Enquanto isso, Pinheiro crescia a cada pesquisa, usando corretamente a estratégia de tirar Imbassahy de sua frente, enviando-lhe sucessivos torpedos (pesados mesmo), certo de que seria o principal herdeiro com a migração da maior parte de seus votos, tanto no primeiro quanto no segundo turno. E foi justamente o que aconteceu.
Astuto e com a “máquina” à disposição, Geddel levou o “garotão” a polemizar com Pinheiro, que ele sabia ser o principal adversário para um provável segundo turno contra Neto. O prefeito gravou em obras como as da Centenário e outras feitas em sua administração.
Nos últimos dez dias da campanha, o cenário parecia delineado a partir das seguintes evidências: a campanha de Neto perdeu fôlego, ele próprio parecia cansado e suas propostas não empolgavam; Imbassahy, já despencado, apenas preenchia seu irrecusável espaço, parecendo confortado com declarações recentes de Pinheiro ao jornal A Tarde: “Imbassahy é um técnico de nível e capaz de ocupar qualquer Secretaria de Estado” (anotem e verão); Pinheiro somente crescia, com baixa rejeição, e João Henrique tornou-se um candidato politicamente agressivo, ao gosto de seu guru.
Vale aqui perguntar: por que Imbassahy despencou?
Primeiro, porque fica quase impossível dissociar Imbassahy do carlismo, e a nível de puro-sangue. Tudo que Imbassahy foi na vida pública deve ao velho ACM. Imbassahy nunca foi político, nem de tribuna nem de articulação, e suas gestões à frente da Prefeitura foram mais patrocinadas por recursos do Estado e trazidos de Brasília por ACM e sua bancada.
Segundo, porque sua campanha foi pobre, a ponto de despedir o marqueteiro Duda Mendonça e desempregar meia dúzia de auxiliares. Aí, tornou-se repetitivo, uma campanha insossa. E finalmente, porque sempre esteve só, seu partido o entregou às feras e nem mesmo o maior nome regional do PSDB, Jutahy Magalhães, deu as caras para um simples pronunciamento de apoio “E o pobre seguiu só”, como disse Castro Alves no poema Ahasvherus e o gênio.
O que pode acontecer agora? Os programas políticos foram fracos e os marqueteiros devem ter percebido isso e mudar a estratégia. A maioria dos votos de Neto deve migrar para João, enquanto entre os eleitores (4%) de Hilton há os que assumem a dissidência com o PT e os que querem ver pelas costas o ministro Geddel.
Entre os eleitores de Imbassahy, a maioria migra para Pinheiro, mas tudo isso pode ser apenas teoria, porque não sabemos o que virá nos programas do horário político no rádio e na tevê, que serão agora o principal termômetro da temperatura política.
O certo é que o inquieto Geddel vai partir para a briga, porque sua sobrevivência política só aponta para dois caminhos: a Prefeitura, em 2012, ou o governo do Estado, em 2010. A não ser que Lula estique a perigosa corda e o indique para vice do PT à Presidência, em 2010. Afinal, é um nordestino, mas a fila é imensa na frente de Geddel.
Ainda sobre as declarações de Alexandre Garcia, de um possível legado do carlismo, certamente ele desconhece a nova realidade política por essas bandas. Aliás, nessa campanha, o próprio Neto preferiu distância de seu verdadeiro – e ocultado- paradigma político: seu avô.
O que é mesmo o carlismo? A forma oligárquica de fazer política? A habilidade de saber enriquecer na vida pública? A conduta ditatorial, tirana e humilhante ante todos os seus subservientes comandados? Pelo que sabemos do governador, não é bem seu estilo. Quanto a Geddel, quem confiaria nele?

Andres Viriato é jornalista.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Esperança é pouco.

Por Antonio Luis Almada, para este blog.

Esperança é pouco
Depois do festival de ufanismo de nossa imprensa com as escassas medalhas que ganhamos na China, surgem agora o júbilo e o orgulho, travestidos também de um certo ufanismo, com os resultados de pesquisa mundial que aponta os jovens brasileiros como os de melhores perspectivas de felicidade futura, em todo o mundo, para os próximos cinco anos.
Felicidade, o vocábulo foi este. Como somos mesmo provincianos e individualmente subdesenvolvidos, e exultamos quando falam, bem ou mal, do Brazil, engolimos mais essa.
Felicidade para o futuro se traduz apenas como esperança hoje, o que significa ansiar por um futuro que anule e substitua um presente adverso. Em outras palavras, o jovem comum brasileiro - a maioria - vive um presente que rejeita e, igualmente ao jogador contumaz que projeta sua felicidade na certeza de que um dia ganhará na loteria, transforma sua esperança no combustível que alimenta as perspectivas de uma felicidade provável no futuro.
Deduzo, numa visão sócio-política, que é justamente a esperança de que o presente se evapore e que a realidade do país mude repentinamente - porque cinco anos é curtíssimo prazo para mudanças em velhos processos - que faz otimistas nossos jovens.
Isso é bom ou ruim? Péssimo! Se você precisa de esperança para projetar sua felicidade sobre o futuro é porque não vive nem desfruta do essencial, que é o presente, única realidade inalterável ao alcance de qualquer mortal. E o presente não lhes permite o desfrute, apenas o sonho.
Claro, a esperança é (ainda) necessária para confortar, mesmo na ilusão, a mente buscadora, mas se de um lado revigora sonhos, de outro desaba lonas circenses e aparatos arquitetônicos.
A esperança "doméstica" é até necessária. Como João não teria esperança de casar-se com a Maria de seus sonhos, ou de passar no próximo vestibular, por exemplo? Mesmo sujeito ao "meu mundo caiu" ou a "aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer". Mas se o jovem brasileiro - o comum, a maioria, repito - vivesse sua plena cidadania, assistido por todos os direitos que lhe pertencem mas que lhe são vilipendiados pelo Estado, não precisaria de esperanças, porque seu futuro de fé brotaria normalmente à proporção que fosse cumprindo os deveres inerentes à sua condição de jovem, "futuro do país".
Esperança em quê? Em não ver mais um bando de canalhas corruptos fazer de seu país o paraíso da gatunagem impune? Em poder circular livremente pelas ruas de seu bairro e não ser vítima de assalto, sequestro, estupro, ou não morrer "de graça" nas garras da violência já institucionalizada? Em não ver um hospital ou uma escola em sua cidade, porque os recursos a eles destinados foram sugados pelo vagabundo a quem chamam de gestor ou homem público? Em não morrer na rua por falta de atendimento médico?
Está hoje (8 de setembro) na imprensa: foram desviados quase R$16 bilhões, em todo o país, que o governo federal destinou para a construção de estradas, obras de saneamento e, a maior parte, cerca de R$8 bilhões, para as áreas de saúde e educação.
Na Bahia, foram desviados R$238 milhões, também do governo federal, para obras principalmente nas áreas de saúde e educação. São números da CGU, insofismáveis. Esperança só é muito pouco.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ferro no peito deles!

Texto de Antonio Luís Almada.

Ferro no peito deles!
Mal começaram as Olimpíadas e a gloriosa imprensa nacional coloriu seu provincianismo ufanista fazendo meio estardalhaço pela conquista de uma medalha... de bronze. Isso depois de China, EUA e Coréia do Sul já terem iniciado a conquista do ouro, o que seria incomum se assim não fosse. Hoje, quando escrevo este artigo, 15 de agosto, 21 países já conquistaram medalhas de ouro, prata e bronze, entre eles Azerbajão, Tailândia e Eslováquia, enquanto o Brasil conquistou heroicamente quatro medalhas de bronze.
A questão não é o ouro, a prata ou o bronze, mas o ferro social que levamos de quatro em quatro anos. Não é à toa que nossa melhor marca em olimpíada ainda é o atletismo, modalidade em que os africanos, cujo nível social não se distancia muito do nosso, também são bons. Ora, direis, temos também o voleibol, mas não é lá muita coisa para uma competição com a diversidade esportiva como são as Olimpíadas.
Pode reparar que desde que a Olimpíada saiu da Grécia e virou plural, porque antes era apenas um torneio de atletismo, somente os países ditos de Primeiro Mundo, desenvolvidos, chegam ao pódio com maior frequência. Uma sociedade centrada em valores universalmente intocáveis e corretos prepara seus jovens para todos os caminhos, e o esporte é um deles.
A China, com sua ditadura mas também com sua disciplina, sua cultura e seu crescimento atual, preparou-se orgulhosamente para essas Olimpíadas. Desde 2001, sete anos antes, portanto, criou centenas de centros de formação de adolescentes, arrebanhando 370 mil deles e formando-os nas modalidades afins. Enquanto isso, logo após perder a chance da medalha de bronze ante o adversário francês, o judoca paulista Eduardo chorava diante das câmeras lamentando não ter conseguido mudar de faixa porque não teve R$1 mil para pagar pela nova graduação.
Somos o país da economia e da Amazônia, e só. Fico embevecido - de terror! - quando nossos babacas televisivos vibram com a conquista de "mais uma medalha", ou, melhor, mais um bronze, contentando-se com raros terceiros lugares e fazendo não menos ruidosa festança quando chegamos em quarto ou quinto. E, como acontece de quatro em quatro anos, apontam sempre nossos perdedores como "uma promessa" para os próximos jogos, promessa nunca paga, infelizmente.
Não vou muito longe. Visitem uma escola pública na Bahia e verão que, muito mal, se houver, lá estará uma quadra esburacada, sem traves, sem redes e sem garrafões. Piscinas? Nem sonhar. Pistas de atletismo? Onde e como ter acesso à equitação, ao remo, à esgrima, ao tiro ao alvo, ao handibol? E as escolas particulares, ficam muito à frente?
Resumo em uma só palavra a causa de nossos fracassos não somente nos esportes, mas também em áreas como ciências e tecnologia: educação. Continuamos a ter os governantes que merecemos porque somos nós que os elegemos, não há muito do que reclamar.

Antônio Luís Almada é jornalista.


quinta-feira, 17 de julho de 2008

A união dos párias.

Escrito por Antonio Luiís Almada.
A união dos páriasQuem arriscar opinar que motoqueiros, prostitutas e taxistas são três das classes mais unidas deste país, vai quebrar a cara. De uns anos para cá, quem assume essa liderança são os bandidos de paletó e gravata, não importa de qual categoria - banqueiros, financistas, empresários, políticos, juristas e companhia agregada. Já reparou que eles nunca falam? Na união do pecado com o crime, o confessionário sempre permanece vazio. Imagine se eles desfiassem pelo menos um fiapo do novelo, que estrago o ventilador faria na vida pública nacional!? .
Nesse campo, a união desfaz a forca. Parece ser uma simbiose perfeita, e comensalista, para tipificar a imoralidade que reina no país da bandidagem. A política e a justiça brasileiras vão nos passando a sensação de que hoje, à primeira vista, todos os cidadãos são suspeitos e maléficos ao país. E eles, os gatunos de terno, estão unidos, são praticamente uma família sem laços consaguíneos mas leais e fiéis na rapinagem, todos contra o povo e a nação já enlameada.
E o pior é que as ações da Polícia Federal já não passam de espetáculos circenses, algumas vezes vaiados por vozes poderosas que mais parecem emanar de incubados cúmplices. Quando mais se esperam providências reais da justiça, o malandro escapa praticamente ileso, até que estoure o próximo escândalo e o dele caia no rol do esquecimento.
Qual a diferença entre um bandido de chinelo e um bandido de paletó e gravata? Nenhuma, ambos são bandidos, armas diferentes. A bala que sai de um AR-15 é tão letal quanto o vômito que sai da barriga de uma criança faminta e sem escola, porque teve os recursos necessários à sua formação como gente decente desviados por vagabundos da elite nacional.
Se o país contabilizar o que já perdeu com todas as operações já realizadas pela PF desde que o PT assumiu o poder, da Dra. Georgina, por exemplo, à operação Satiagraha, imagine quantas escolas, hospitais, estradas, saneamento e tudo mais poderia mudar em muito o triste cenário social dos brasileiros!
Somos um país de inúmeros caminhos, mas nos movimentamos apenas por dois atalhos: a economia e o Bolsa Família. O resto, o básico, está todos os dias nos noticiários como pontos negativos de nosso dia-a-dia, principalmente a saúde e a segurança.
Estamos vendo, no Brasil, a reedição das famílias mafiosas italianas, que atuavam ferozmente, e principalmente, nas áreas do contrabando e do tráfico de entorpecentes. Aqui, as famílias verde-e-amarelas preferem o filão oficial com suas ramificações, principalmente saúde e construção civil. Mas com uma grande diferença: as famílias italianas quebravam o pau, e as nossas são unidas, sempre e até o próximo crime

Antônio Luís Almada é jornalista.