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terça-feira, 29 de março de 2016

Cidadania também é escolha

Por David Coimbra.


Mande em mim
Você consegue se imaginar pedindo para alguém:

"Me oprima! Me submeta! Mande em mim!"?

Consegue?

É o que imploram os que defendem a volta da ditadura.

Porque uma ditadura nada mais é do que uma pessoa decidindo tudo por você, a não ser que você seja o ditador. Como duvido que aquelas senhoras que andam com faixas clamando por intervenção militar tenham força e influência suficientes para se alçar ao poder, elas não vão mandar em ninguém – vão obedecer.

Essa ânsia de servidão parece ilógica.

Não é.

Faz parte do jogo de forças entre os valores da liberdade e os da segurança. No Brasil de hoje, as pessoas se sentem inseguras. Elas olham para os lados e não veem ninguém capaz de protegê-las. É como se estivessem boiando no espaço, sem ter onde se apoiar.

É uma desagradável sensação de excesso de liberdade, algo bem próximo do desespero.

Então, as pessoas procuram proteção. Alguns a encontram naquela igreja que faz promessas concretas: aumento de salário, emprego novo, amor verdadeiro. Outros a encontram naquele candidato que é macho alfa, fala alto e está sempre brandindo o punho fechado: Bolsonaro, Trump... E há os radicais, os que preferem viver sob uma ditadura a enfrentar as contradições da democracia.

Ser livre dá trabalho.

O equilíbrio entre a segurança e a liberdade é uma construção sofisticada. Os brasileiros, desacostumados com a democracia, acham que, com democracia, tudo pode. A democracia lhes garante direitos, nunca os obriga a deveres.

Mas não é assim.

Democracia é o cumprimento da lei.

E a lei existe para regular a liberdade.

Liberdade total seria pegar o que você tivesse vontade de pegar, seria eliminar quem o incomodasse, seria fazer o que você bem entendesse, quando quisesse, como quisesse.

Aí seria impossível viver em sociedade. Foi para poder viver na companhia de outras pessoas que o homem inventou a lei.

Só que a lei também é suscetível a interpretações, e dança ora para o lado da segurança, ora para o lado da liberdade.

O juiz Sergio Moro, maior personagem da República nos últimos dois anos, defende uma Justiça que prioriza a segurança da sociedade em detrimento de certas liberdades individuais. É uma necessidade que vem sentindo o brasileiro desamparado. É uma tendência do país.

No entanto, o mesmo Sergio Moro defende uma Justiça que permite ao cidadão a liberdade de conhecer as informações públicas das pessoas públicas. Moro é a favor de tornar público tudo que é de interesse público.

Curiosamente, aqueles que defendem uma Justiça mais tolerante, mais centrada no indivíduo e, em tese, uma Justiça que dê mais valor à liberdade, defendem também a não publicação de certas informações de interesse público. Mesmo jornalistas, que vivem da publicação de fatos a respeito de pessoas públicas, posicionaram-se contra a divulgação, por exemplo, de detalhes de processos contra agentes públicos.

Tomando esse caso específico, o fascinante é que os dois lados, os que são contra a divulgação e os que são a favor, usam o mesmo argumento: eles estão ao lado da democracia.

Talvez ambos estejam certos. Existem diferentes tipos de democracia. Qual é a que queremos para nós?

Ainda não sabemos.

Ainda não sabemos quem somos.

Ainda temos de nos transformar em quem nós queremos ser.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Quem faz um país é o povo!

Por Décio Tadeu Orlandi.
Recebido por WhatsApp
Quem faz um país é o povo!
Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital da tão primeiro-mundista Suécia, e notei que havia entre muitas catracas comuns uma de passagem livre. Questionei a vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto, e ela me explicou que era destinada às pessoas que por qualquer motivo não tivessem dinheiro para a passagem. 

Arte de RICO


Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!): e se a pessoa tiver dinheiro mas simplesmente quiser burlar a lei?

Aqueles olhos suecos e azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora 

– Mas por que ela faria isso?, me perguntou. 

Não lhe respondi. Comprei o bilhete, passei pela catraca e atrás de mim uma multidão que também havia pago por seus bilhetes. A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira – e envergonhada.

*Décio Tadeu Orlandi, bacharel em Letras pela USP e mestre em Literatura pela UFG.


domingo, 20 de setembro de 2015

As vantagens do transporte público sobre o individual


Que as cidades estão entupidas de carros todos sabemos, mas você consegue imaginar como seria o mesmo espaço ocupado apenas com as pessoas que lá transitam sem os automóveis?

Foi o que fez os que participam da iniciativa internacional Soluções Sustentáveis  fotografando o espaço onde viajam 200 pessoas em carros, posteriormente fotografando em separado as mesmas 200 pessoas em um ônibus, num metrô de superfície, em bicicletas e a pé.




Na primeira imagem vemos 200 pessoas em 177 carros em uma rua de Seatle, EUA. E na segunda, as mesmas pessoas sentadas na rua nos dá uma ideia da quantidade de espaço que o tráfego diário de carros ocupa em relação aos poucos usuários. 

Mas o golpe final vem quando vemos essas mesmas pessoas ocupando três ônibus, em bicicletas ou num metrô de superfície.



É definitivamente uma boa maneira de aumentar nossa consciência da utilidade do transporte público.

Temos apenas que melhorá-lo.

Fonte Fogonazos

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Lava Jato muda a Justiça e a advocacia

Por Joaquim Falcão para a FOLHA SP

recebido por e-mail
Lava Jato muda a Justiça e a advocacia
A Justiça penal não será a mesma depois do mensalão e da Operação Lava Jato. Tanto a prática de juízes, delegados, procuradores e advogados como nas doutrinas e tribunais. 

Tudo começa a mudar. Que mudanças são essas?

Mudança geracional. Juízes, procuradores, delegados são mais jovens. Fizeram concurso mais cedo. Vivem na liberdade de imprensa, na decadência dos partidos e na indignante apropriação privada dos bens públicos. E não têm passado a proteger ou a temer. 

Arte de ELVIS


Dão mais prioridade aos fatos que às doutrinas. Mais pragmatismo e menos bacharelismo. Mais a evidência dos autos – documentos, e-mails, planilhas, testemunhos, registros – do que a lições de manuais estrangeiros ou relacionamento de advogados com tribunais. 

Erram aqui e acolá. Às vezes, extrapolam, mas passaram por duro aprendizado institucional com Banestado, Castelo de Areia, Furacão e outras operações. Atentos, buscam evitar nulidades processuais. O juiz, e não mais os advogados, conduz o processo.

Arte de SPONHOLZ

 
Usam de múltiplas estratégias. Jurídica, política e comunicativa. Valorizam a força das imagens, que entram, via internet, televisão, lares e ruas, nos autos e tribunais. São informados e cosmopolitas. Organizam cooperação internacional com Suíça, Holanda e Estados Unidos. É difícil para a tradicional advocacia individual enfrentar essa complexa articulação entre instituições. Usam com desenvoltura a tecnologia. Extraem inteligência de "big data" (análise de grandes volumes de informação). Aplicam-se em finanças e contabilidade. 

As consequências para a advocacia são várias. Plantar nulidades para colher prescrição – o juiz não seria competente, a defesa foi cerceada, o delegado extrapolou poder investigatório etc. – é estratégia agora arriscada. Tribunais superiores não suportam mais serem "engavetadores" de casos que chegam quase prescritos. Diminuem-se diante do olhar da opinião pública. 

Arte de DACOSTA


Apostar que juízes, procuradores e delegados agem com arbítrio, ferem direitos fundamentais dos réus, sem clara e fundamentada evidência, é protesto que se dissolve no ar. 

Algumas defesas tentam politizar o julgamento. Juízes, delegados e procuradores agiriam a serviço do governo ou dos políticos envolvidos. Colocam suas fichas que no Supremo Tribunal Federal tudo se resolveria politicamente. É tentativa possível. Nunca deixará de ser. Mas hoje o sucesso é menos provável. 

Arte de AROEIRA


O invisível ministro Teori Zavascki não dá mostras de vergar. Até agora não se conseguiu colocar Curitiba contra Brasília. Nem vice-versa. 

Neste cenário, como em todos os países, a defesa preferencial dos réus tem sido a minimizadora de riscos. Contabilizar perdas e danos. Por isso aceitam a delação. Amortecem as condenações individuais dos executivos, oferecendo o apoio empresarial às famílias. Fazem acordo de leniência. Pagam alguns bilhões via Controladoria Geral da União. Vendem ou remodelam as empresas. Assim o país se encontra com nova Justiça e advocacia penal no Estado democrático de Direito. 

JOAQUIM FALCÃO, 71, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educação pela Universidade de Genebra, é professor da FGV Direito Rio 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cidadania, Japão e Brasil

Por Martha de Medeiros
Publicado no ZERO HORA em 14SET2014

Charges de Tiago Recchia

O galão d’água

Reproduzo o relato que minha filha recebeu pelo whatsapp de uma garota brasileira que mora no Japão: Ontem veio um homem aqui e deixou um galão d’água na frente da minha porta. Disse que durante a madrugada eles fariam uma vistoria nos encanamentos de água do bairro e por isso estavam passando para avisar, deixar o galão e pedir desculpas por terem que desligar o registro de água por algumas horas. 




Eu disse para ele que não precisava deixar a água, afinal, estaríamos dormindo nesse horário, mas ele respondeu: Você paga suas contas todos os meses e nós temos obrigação de não deixar você sem água nem por um minuto. E ainda disse: Se precisar de mais, pode pedir. E assim seguiu a distribuir nas outras casas. Durante a madrugada, olhei pela janela e havia um grupo trabalhando nas ruas em silêncio. Hoje vieram novamente, casa por casa, só para agradecer. 

Pois é. Não é assim que deveria ser tudo na vida? Decência, responsabilidade e educação: por que é tão raro, tão complicado? A simplicidade da cena: um galão d’água deixado de porta em porta para o caso de os moradores terem alguma eventual necessidade às duas horas da manhã, às três horas da manhã. 



Não é caridade, e sim direito do cidadão que paga taxas e impostos. Eu não deveria me comover com isso, mas me comovo, porque a gente cumpre com os compromissos como qualquer japonês, qualquer sueco, qualquer canadense, mas onde está a contrapartida? 

Acho que isso explica nossa desesperança de que uma eleição mude alguma coisa. Já não acreditamos que um candidato consiga não se deixar corromper pelo poder, que possa governar sem dever favores para outros partidos, que solucione as mazelas do povo em detrimento das negociatas de gabinete. Política passou a ter um sentido desvirtuado. 

Ninguém obriga um homem ou uma mulher a se candidatar a um cargo público. Se ele se oferece para a missão de governar, deveria fazer isso unicamente por seu espírito altruísta. Mas soa como piada. Altruísmo na política brasileira? Tem graça.



Um galão d’água na porta. Um serviço de atendimento ao consumidor que funcione de forma fácil. Um policial em cada esquina. Nota fiscal entregue em todas as transações comerciais. Lixeiras por toda parte. Ruas bem sinalizadas. Transporte farto, barato e que cumpra horários. Hospitais com vagas dia e noite. Escolas eficientes. Confiança em vez de burocracia. Sinceridade em vez de enrolação. Agilidade em vez de empurrar com a barriga. Se todo mundo concorda que é assim que tem que ser, por que não acontece, quem emperra? 

Não é só culpa de quem governa, mas dos governados também. Viciados em retórica, seduzidos por vantagens exclusivas e não coletivas, sempre nos perguntando “como posso faturar com essa situação?”, não permitimos que o Brasil se moralize e avance. 

Galão d’água na porta de casa? Só com um troquinho por fora, meu irmão.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Que povo é esse?

Por Maria Lucia Victor Barbosa 

No meu primeiro livro, O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto A Ética da Malandragem, editado por Jorge Zahar, escrevi…

Os postes
É necessário que o candidato em seus discursos aborde problemas cotidianos e use uma retórica exaltada, eivada de ideologia cabocla de justiça social, pois é necessário ressaltar a diferença entre ricos e pobres e clamar por vingança contra os que no momento ou no passado não conseguiram satisfazer as aspirações populares”.

Focando na figura de Lula da Silva compreende-se que foi graças a tais artimanhas que ele, na quarta tentativa, chegou lá. De um lado agradou a maioria composta pela pobreza. De outro, convenceu aos que depois chamou de “zelite”, que não ia mexer no mercado ou desagradar banqueiros, empreiteiros, grandes empresários. Aquela linguagem revolucionária de esquerda era só de brincadeirinha.

Arte de Angeli

No poder Lula deu migalhas aos pobres e agiu como “coronel”, daqueles do “voto de cabresto”. Aos ricos proporcionou lucros inimagináveis e eles, agradecidos, sustentaram suas campanhas e a de seus companheiros. A classe média, onde entre outras categorias se inserem artistas, intelectuais, universitários, profissionais liberais que costumam ostentar ser de esquerda, Lula provocou aquele embasbacar pueril que faz a alegria dos demagogos.

Lula fez da presidência da República seu palanque de politicagem no qual achincalhou a língua pátria e se deliciou ao utilizar pesada retórica onde não faltaram palavrões, impropriedades e estultices.

Arte de JCosta

Louvado pela obra de ficção descrita pelo marketing como o Brasil transformado em paraíso reinou absoluto sem nenhuma oposição, quer partidária, quer institucional.

O saldo do seu longo período é a herança maldita que se sente no caos econômico, na corrupção presente em escândalos que permearam seus oito anos de governo, mais os quase quatro de Rousseff em que ele foi o presidente de fato.

O último e mais estrepitoso escândalo está sendo escancarado pelo detento, Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobrás, o companheiro Paulinho. Na tentativa de diminuir sua pena, Paulo Roberto está mostrando que se roubou não em milhões, mas em bilhões e dá nome aos poderosos que se locupletaram, sobretudo, aos companheiros do PT e aos amigões do PMDB e do PP.

Arte de Clayton

Lula e Rousseff durante anos não viram nada, não souberam de nada e se alguma coisa houve a culpa foi dos Estados Unidos, de Fernando Henrique e da crise internacional.

Mantém ainda Lula o mesmo poder? Seu primeiro poste, a criatura Rousseff, é um retumbante fracasso e tem conduzido o Brasil à bancarrota. Seu segundo poste, Fernando Haddad, eleito por Lula prefeito de São Paulo, tem uma das piores avaliações entre os prefeitos de todo o país. O terceiro poste, o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, amarga o último lugar na campanha ao governo de São Paulo.

Arte de Fausto


O teste das urnas, que inclui outros candidatos do PT Brasil afora mostrará se Lula continua poderoso ou não. Para alegria dos petistas pesquisas do momento estão dando esperança ao PT, que estava sentindo medo. O chamado escândalo do pretrolão que fez empalidecer o mensalão não sensibilizou o povo. Inflação acelerada junto com inadimplência, indústria afundando, piora no emprego, o Brasil entrando em recessão, nada disto é notado pelos eleitores que continuam otimistas.

Se os brasileiros não ligam mais para seu bolso, que como dizem é a parte mais sensível do corpo, seria difícil imaginar a maioria assistindo ou entendendo a recente entrevista concedida por Rousseff ao Bom Dia Brasil. Naquela ocasião a governanta esbanjou prepotência, cinismo e total ignorância de dados do seu próprio governo e do panorama internacional.




A última da governanta se deu na ONU, dia 23, antes de seu discurso de autoelogio feito na abertura do evento. Não se sabe se por inspiração de Lula da Silva, que sempre defendeu a pior escória mundial ou se por instrução do chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia, Rousseff se posicionou contra os Estados Unidos e aliados, e a favor do Estado Islâmico. Uma aberração diplomática capaz de matar de vergonha os brasileiros que têm informações e senso das medidas.

De fato, com bem disse uma autoridade israelense, somos um anão diplomático. Afinal, apoiamos terroristas fanáticos cujas ações contra os que consideram infiéis são a degola, a crucificação, o enforcamento, o estupro, a flagelação e o apedrejamento de mulheres. A governanta certamente ignora que pelas leis do IE é uma infiel e, que por isso, merece perder literalmente a cabeça ou no mínimo ser obrigada a usar burca.



Diante de tantos descalabros e ao ver o poste Rousseff subindo nas pesquisas, a pergunta a se fazer não é mais que país é esse, mas que povo é esse, que não se envergonha da incompetência e da corrupção internas e da repulsiva política externa. A resposta estará contida no teste de poder de Lula quando as urnas mostrarem os resultados.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O Brasil que desistiu de nós

Por Stephen Kanitz.
Transcrito de seu blog.
Publicado em 20AGO2014


O Brasil que desistiu de nós

Tenho absoluta certeza que aqueles que vivem DO Brasil jamais vão desistir. Nunca. 

Tenho certeza que aqueles que recebem benesses, salários, empregos vitalícios, aposentadorias sem recursos previamente aportados, subsídios, verbas publicitárias do governo, concessões monopolistas de vários tipos e empréstimos do BNDES subsidiados, jamais irão desistir daquilo que sugam dos que vivem PARA o Brasil. 

Arte de Amarildo


Tenho certeza que artistas plásticos e atores jamais vão desistir das verbais culturais da Petrobras. 

Que empresários amigos dos reis jamais irão desistir dos juros do BNDES, que os recipientes jamais vão desistir do Bolsa Família, que absolutamente ninguém vai desistir de um emprego público, pelo contrário. 

Tenho certeza que ninguém vai desistir da sua aposentadoria pública paga com as contribuições atuais dos mais jovens, que no fundo é um enorme estelionato federal, e nossos filhos jamais vão se aposentar por causa disto.

Arte de Duke


Tenho certeza que jornais e revistas jamais irão desistir da publicidade oficial, 20% do total. Que funcionários de estatais jamais vão desistir de ter um dono omisso e ausente, que economistas jamais vão desistir de um estado forte e intervencionista a la Minsky e Keynes que garantem sua importância e poder para muitos mais anos. 

Só que todos estes estão se esquecendo daqueles que vivem PARA o Brasil, aqueles que pagam a conta. 

Que são os empreendedores, os engenheiros, os contadores, os inovadores, os inventores, os criadores, os programadores, os orçamentistas, os auditores, os advogados, os médicos, as enfermeiras, os psicólogos, os arquitetos, os operadores logísticos, os ferramenteiros, os desenhistas, enfim.




Você já ouviu algum jornalista, escritor, artista, poeta, sociólogo, assistente social, político, funcionário público nos defender em público, nos ajudar o mínimo que seja ou perceber que estamos com problemas para pagar os que vivem DO Brasil? 

Quando Dilma, Lula, Marina e Eduardo Campos, conclamam seus correligionários a não desistir DO Brasil, eles não estão se referindo a nós. Aliás, petistas, socialistas, nacionais socialistas como o PSDB, nunca se referem a nós em termos positivos.

Arte de Thiago Lucas


Somos o câncer da sociedade, somos aqueles imbuídos de “espíritos animais de preservação da espécie”, somos a ganância em pessoa, somos os eternos egoístas. 

E, acreditem ou não, são justamente aqueles que vivem DO Brasil! E que são elogiados diariamente pela nossa imprensa! Como os altruístas, os solidários, os progressistas, os que distribuem o que ganham, da gente obviamente, pelo seu amor à humanidade e pelo social. 

E o pior, que de tanto repetirem a mesma coisa, acreditam.

Arte de ?


E nós que vivemos PARA o Brasil fomos “desistidos” há muito tempo pela elite intelectual. 

E ainda acham que nós somos os “contra governo”, que nós somos patologicamente pessimistas com relação ao Brasil, que não vemos o belo futuro que um governo intervencionista pode nos oferecer, dizendo o que devemos e o que não podemos fazer. 

Não minha gente, é justamente o contrário. 

São aqueles que vivem DO Brasil que desistiram de ser produtivos, proativos, responsáveis e honestos com o futuro deste país. 

Todo dia vejo pessoas que vivem PARA o Brasil desistindo da pior forma, mudando de país, recusando serem os neo-escravos daqueles que vivem DO Brasil. 

Algo para se pensar. 


sábado, 2 de agosto de 2014

Uma boa ideia na limpeza urbana

Paulínia, no interior de São Paulo, é a primeira cidade brasileira com lixeiras subterrâneas, que foram instaladas em 2011, pela empresa portuguesa Sotkon.

São recipientes de aço inoxidável, colocados na superfície sobre contentores/containers subterrâneos, ou seja, no subsolo das calçadas, e podem comportar até três metros cúbicos de resíduos, o equivalente a três mil litros.

O sistema é dividido em quatro caixas, uma para cada material reciclável. Assim, o lixo descartado pelo morador em um dos recipientes será direcionado ao coletor subterrâneo, até que o caminhão passe para recolher.




Com o mecanismo subterrâneo, o lixo não é acumulado nas ruas, evitando o entupimento de bueiros em dias de chuva e enchentes, e deixando o município mais limpo.

As lixeiras especiais também impedem a ação de vândalos e animais, que espalham os resíduos, reduzindo as pestes urbanas, como ratos e baratas, e odores indesejáveis.

Sistema simples, econômico e seguro
O sistema surgiu no ano de 1995, na Espanha e a inovação se espalhou rapidamente pelo mundo, pela simplicidade, contribuição com a preservação do meio ambiente e economia.

A perspectiva é de reduzir os custos de coleta em até 30%, com menor utilização de mão de obra, deslocamento de veículo e energia. Além disto, os coletores subterrâneos são higiênicos e seguros.

Para a retirada do lixo, uma pequena grua hidráulica automática é colocada no teto da caixa subterrânea, que é suspensa até a superfície e presa ao caminhão tradicional, onde o resíduo é despejado.

Fonte: vídeo por e-mail. Texto da AGIR

terça-feira, 24 de junho de 2014

Copa e comportamento

Por Divaldo Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião em 19JUN2014

Copa e comportamento
Vive a nacionalidade brasileira um momento de extraordinária significação: ser conhecido praticamente em todo o mundo, naquilo que tem de melhor, excluindo os tradicionais comentários sobre a “alegria e festas, as mulatas, o samba e o football.”

Sponholz


A COPA proporcionou a mais de um bilhão e quinhentos milhões de pessoas que não conhecem o Brasil ou recebem notícias, distorcidas umas, lamentáveis outras, de corrupção, de crime, de desrespeito aos direitos democráticos, fenômeno, aliás, que acontece em todos os países, em uns mais do que noutros, a ocasião de apresentarmos desde a sua abertura o que temos de melhor, considerando-se sermos a sétima economia do mundo.

Há problemas governamentais, escassez de escolas e de hospitais, desemprego e violência, sem dúvida, mas também existem milhões de cidadãos honrados, de jovens dignos que disputam nas universidades e institutos de tecnologia um lugar ao Sol, de idosos veneráveis e de crianças geniais, de estudiosos dos problemas humanos e de lutadores que anelam por uma sociedade feliz.

Se houve motivos para que muitos cidadãos não concordassem com a realização da COPA em nosso território, em face de mais urgentes necessidades, aliás, urgentíssimas, não seria através do desrespeito na abertura do Evento à Sra. Presidente, eleita pela maioria dos cidadãos, especialmente através de agressões covardes e chulas, daqueles mesmo que estando contra, lá se encontravam.

Aroeira


Os jornais do mundo, que também gostam do escândalo, falaram sobre a COPA, sim, mas deram destaques às vaias, às badernas nas ruas, demonstrando o primarismo em que muitos brasileiros ainda nos encontramos.

Não será por esse processo que se construirá um povo digno, uma sociedade feliz, mas sim, através do voto, que logo mais seremos convocados a exercer como direito soberano de liberdade, elegendo pessoas dignas, que nos não comprem com um par de sandálias japonesas, nem com os cargos oferecidos nas planilhas governamentais...

terça-feira, 27 de maio de 2014

E este é país da Copa dos bilhões...

 Fantástico percorre hospitais do Brasil
e encontra UTI sem médicos

O Fantástico deste domingo mostrou o resultado de um estudo inédito para entender o que há de errado na saúde brasileira. Pela primeira vez, o Tribunal de Contas da União examinou a qualidade do atendimento em 116 hospitais públicos, os mais procurados pela população em todo o país.
O resultado é assustador.
Arte de Guto Cassiano

É assim que a saúde pública tem tratado seus pacientes.

Eu estou com dor, desde cedo.
Estou aqui desde 9h30 da manhã e até agora nada”,
 disse uma paciente.

Faltam enfermeiros e médicos.

“Como é que não tem pediatra num hospital desses,
 para atender uma criança no hospital, desmaiando?”,
 questiona outra paciente.

Não tem médico na UTI.
 São vários plantões em que não há medico na UTI”.

Faltam equipamentos para exames.
 E faltam remédios.
Ivan Cabral


Fantástico: E quando não tem o antibiótico, como faz?
Médico: Você conhece o "seguro senhor do Bonfim"?

A gente amarra uma fita do lado e vai.

Os repórteres do Fantástico foram aos hospitais para conferir o resultado de um relatório recente do Tribunal de Contas da União sobre a saúde brasileira e confirmaram:
falta quase tudo na rede pública
e sobra desorganização.


(...) Esta é uma situação comum em Cuiabá
e em vários outros pontos do Brasil.
Muitos pacientes só conseguem
tratamentos por força de liminares...

Rico


Para ver a reportagem completa, clique 


“Minha tia tem deficiência,
nem ela que tem prioridade não está sendo atendida”,
conta uma estudante.

De acordo com o estudo do TCU, na maioria dos hospitais,
as emergências estão sempre superlotadas, sempre.


Uma médica, de folga, 

veio acompanhar um tio doente,
 quando viu a situação, decidiu trabalhar.


Médica: Está faltando médico. 
E familiar me ajudando a fazer o procedimento.
Familiar me ajudando como um técnico auxiliar de enfermagem
 porque não tinha ninguém para me ajudar.
Fantástico: Como senhora se sente?
Médica: Desesperada pelos pacientes, porque eles são os que mais sofrem.



A falta de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem é um problema crônico. Em 81% dos hospitais visitados pelo TCU, os administradores reconheceram que há menos profissionais do que seria necessário para atender a todos os pacientes que procuram atendimento.


UTI sem médicos
A UTI do maior hospital de Cuiabá chega a funcionar sem médicos.
Vamos repetir:
uma unidade de tratamento intensivo funciona sem médicos.


São vários plantões em que não há medico na UTI.
 É como estar num avião sem piloto”, disse.


Amarildo


O pediatra apresentou um atestado médico para não trabalhar
 e não havia substituto para cuidar da criança.

“Eu chorei mesmo, 
me ajoelhei nos pés dele chorando,
 pedindo ajuda. 
‘Ajuda uma mãe que está angustiada,
porque meu filho está morrendo ali fora
e vocês não querem me ajudar’”,
desabafa a mãe de Ismael.




Segundo o Tribunal de Contas da União,
na maioria dos estados,
 há menos leitos do que seria necessário.
E para piorar,
 entre janeiro de 2011 e agosto do ano passado,
a rede pública de saúde perdeu 11.576 leitos,
são doze leitos fechados por dia,
 ou um a cada duas horas! 


Médico: Aqui tinha como ser mais dois leitos, aí serve de depósito.
Fantástico: Por que, cara? Por que isso?
Médico: Porque não tem funcionário. 

Não tem funcionário, não tem cabo, não tem monitor, 
só tem o espaço físico mas não tem o leito em si de UTI. 
Não tem técnico de enfermagem suficiente para tomar conta.
 Aqui seria outro também. 
Outro leito. Outro espaço.
Fantástico: E não funciona?
Médico: Não.



Quando o hospital não tem condições 
de operar todos que precisam,
 os pacientes se acumulam nas salas e nos corredores, 
à espera de uma vaga.
Homens e mulheres dividem o mesmo espaço.


Fantástico: Quanto tempo tem que o senhor está aqui?
Paciente: Está com 11 dias.
Fantástico: Onze dias? No corredor?
Paciente: No corredor.



Ivan Cabral

Falta equipamentos no maior hospital de Salvador
Fantástico: E qual exame ele tá precisando?
Homem: Ressonância magnética
Fantástico: Ele tem o quê?
Mulher: Hemorragia cerebral.


Em 85% dos hospitais visitados pelo TCU,
os administradores disseram que a estrutura física das unidades não era adequada.
 E em 77% dos hospitais falta algum tipo de equipamento.
 Em 23%, eles não foram instalados e muitas vezes ficam encaixotados no corredor, como no hospital Clériston Andrade, em Feira de Santana, na Bahia.

A secretaria estadual de saúde da Bahia diz que começou o processo de licitação da sala, mas ainda não tem previsão de quando o aparelho novo vai começar a funcionar.


Sinfrônio


“Nós temos dois pacientes internados com endocardite grave
 e não temos nenhum antibiótico
de escolha pra tratar esse tipo de infecção”.


O Conselho Federal de Medicina diz que para salvar os pacientes,
 o principal é melhorar muito a administração da saúde pública.


“Mais saúde depende de maior financiamento, melhor gestão administrativa, mais capacitados médicos e um bom sistema nacional de controle e avaliação.

Infelizmente, 
a vontade política ainda não foi suficiente
 para a implementação desses parâmetros 
fundamentais à mais saúde”,
 disse o vice-presidente do CFM, Carlos Vital.


Arte de Guto Cassiano


O TCU enviou o relatório ao Ministério da Saúde
 e a vários outros órgãos públicos. 

150 milhões de brasileiros dependem
exclusivamente do SUS para cuidar da saúde.