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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Karina Rabinovitz, nossos parabéns!







talvez aos 50, me torne
a andarilha errante que não
fui aos 20, solta
como a menina descalça, com seu
violão de brinquedo, perambulando
pela rodoviária de Itaberaba, descobrindo
vias cobertas de pó, descansando
sob sombras de ipês
roxos, jogando
totó nos bares de beira
de estrada, fazendo gol
com os bonecos sem cabeça,
vermelhos desbotados, grudando
os olhos nas nuvens. talvez
aos 50 eu faça aquele número 
de trapézio que sonho
desde os 16 e segure
com as mãos bem firmes, os pulsos
do vento, pra depois aprender a reviravolta 
das cambalhotas e então me soltar sem
lembrar se tem 
rede ou não. sim, 
aos 50 talvez 
eu encha envelopes de depósito 
de cheques, com pipoca e corra 
pela rua jogando 
essas pequenas flores brancas 
de milho pelo chão, como pistas de algum 
caminho até lugares 
inseguros, onde eu possa
chorar à vontade
sob o sol das duas
da tarde, sem me preocupar
em seguir ou voltar. aos 50
talvez sim eu vire
a surfista com o sol tatuado
no corpo todo, que sempre quis 
ser e leia ondas, enquanto
visito o vácuo com braços
pássaros e me exibo
de cabeça pra baixo, num floater 
sem platéia, jogando 
os sacos de areia da matraca
do meu pensamento, pra fora,
em cada aéreo coreografado
com as espumas. talvez
aos 50, quando voltar
a ler este poema, eu seja
tudo isso mais
(era) uma vez.

domingo, 20 de dezembro de 2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Karina Rabinovitz, um poema




Rearrumação
[Karina Rabinovitz]

Minha geladeira,
resolvi colocar embaixo da amendoeira
do quintal do vizinho,
só pra mudar as coisas de lugar.

minha cama,
pus na beira do mar,
e meu sofá,
arrastei pra praça,
onde sento e como pipoca
e vejo tudo o que passa.

meu armário, pintei de roxo
e deixei a porta bem aberta,
ele já não guarda mais nada,
liberta.
deixou de ser gaiola.

minha vitrola, 
que se entrosa bem com o meu pufe,
está  ao lado dele agora,
tocando músicas no meio da avenida,
por entre os carros.

joguei, além, muitas coisas fora:
roupas, papéis, talheres, divã. 

esta manhã,
acordei cansada de tudo como está,
e resolvi simplesmente,
mudar as coisas de lugar.

sábado, 27 de junho de 2015

Karina Rabinovitz, um poema

Parabéns querido amigo, Ito Rabinovitz!




Eco Daltônico
(Karina Rabinovitz)

verde
é a cor que meu pai
não vê.


inconformada,
passei a infância atrás dele
com uma caixa de lápis de cor,
jogando verde pra ver
se colhia maduro.


amadureci reconhecendo
que as árvores de meu pai 
são cinzas
e que sua bandeira do Brasil
é da cor de um pano de chão.


foram muitos anos até compreender
meu pai e seu amor sem a cor
verde.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Karina Rabinovitz



Céu de amarelinha
(Karina Rabinovitz)

há uma menina em minha memória,
pra sempre na varanda, 
só de calcinha,
puxando com o rodo,
a chuva para dentro de casa.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Em Salvador, Aurea Abensur lança seu 1º livro.



]

Esta é uma família de poetisas, já conhecia a veia poética de Karina Rabinovitz - aqui , aqui e aqui -  e  agora é a vez de Aurea Abensur, sua mãe.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dia de Poesia!




pra celebrar mais um fim e mais um início


o peixe tinha molho de manga e alcaparras,
só pra lembrar:
a vida são essas farras!
entre doce_salgado,
leve_pesado
amanhã_passado

e no meio do furacão de tudo,
entre manga e alcaparras,
sua risada. suas asas.
só pra lembrar:
a vida são essas pausas...
 

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hoje é Dia de Poesia!



Meu Primeiro


ele vinha pra dentro
e elas [ondas] por cima
de mim.
cheiro de jasmim
beira de praia
deitada
sem saia. nua.
pra que ele fosse o primeiro [o mar]
e descobrisse a lua,
o universo inteiro
de dentro de mim,
cheio de jasmim.

lambidas de sal,
um entra-e-sai...
carrossel, céu
azul luminoso,
sussurros.
areia molhada. gozo.

em meu ventre,
um filho dele vai chegar.
filho meu...
com o mar.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dia de Poesia!


Redemoinho meio azul



para desenfileirar os dias,
passei sábado na frente da sexta.
e como não sou besta, nem nada,
depois da sexta deixei outro sábado...
para desorganizar o horário,
depois do pôr-do-sol,
a tarde girou ao contrário,
até amanhecer [sem noite] e ser tarde de novo.
o povo, que seguia hipnotizado
pelo meio dos dias,
sacudiu a vida!
nova medida
de tempo espaço.
meio azul, redemoinho.
desenfileirar o passo.
reinventar caminho

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dia de Poesia!




Conselho



Não adianta, moça,
ficar assim tão cabisbaixa,
cultivar pensamentos tão esquisitos,
cada hora uma dor
e uma culpa e um medo;
a vida são mesmos esses conflitos.

Deixe o ego e o drama de lado,
não estacione nas caretas.


O mundo é dos elefantes
e das borboletas.




[Karina Rabinovitz]