Mostrando postagens com marcador Caso Petrolão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caso Petrolão. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O tempo é o senhor da razão

por Sandro Vaia.


Os senhores da razão.
No tempo em que Fernando Collor de Mello começava a perder a penugem de “caçador de marajás” e o país ia percebendo o que escondia atrás daquela máscara de gladiador olímpico, ele saía a correr aos domingos dando entrevistas coletivas imaginárias através dos dizeres estampados em suas camisetas.


A frase acima era uma espécie de recado aos que o atacavam e pediam o seu impeachment. Algo assim como “vocês vão ver como eu estava certo”.

Uma forma de comunicação indireta e quase esquizoide, tentando atrair alguma simpatia dos poucos remanescentes que ainda acreditavam no homem e na lenda que ele criou sobre si mesmo.

Definitivamente, ele não era o homem que matou o facínora; aproximava-se mais do vulto do próprio facínora. Com a imagem inteiramente destruída desde que as peripécias de sua criminosa parceria com Paulo César Farias foram desvendadas por seu irmão Pedro, numa bombástica entrevista à revista Veja, Collor se tornou um morto vivo esperando apenas o momento de ser despejado do Palácio do Planalto.



A agonia de Collor teve uma certa espetaculosidade: eram as fontes do jardim da Casa da Dinda, era a Operação Uruguai (as famosas “sobras de campanha” de um empréstimo imaginário no Uruguai), era o apelo para que todos se vestissem de verde e amarelo para apoiá-lo (um desastre), eram boatos quentes e frios, até o dia em que ele finalmente foi visto pelas costas, marchando a passos largos rumo ao helicóptero que o levou para longe do poder.

Inglório final para a primeira eleição direta depois de 20 anos de ditadura militar.



Ruía o falso “caçador de marajás” depois de uma campanha política construída sobre um pedestal de barro, que transformou um político provinciano das Alagoas, com estreitas ligações com retrógrados usineiros de açúcar, em ícone da transformação e da modernização do país.

A construção da narrativa do “modernizador” e do “caçador de marajás”, reforçada na campanha por golpes baixos pessoais e morais dirigidos ao adversário, o sindicalista Lula da Silva, assentou-se na cuidadosa elaboração de um personagem fictício, que perseguia “marajás” e criticava duramente a indústria automobilística nacional, acusando-a de produzir “carroças “em vez de automóveis.

Em função da sôfrega demanda por moralização e modernização com que o País sonhava depois de 20 anos de atraso e estagnação, o eleitorado engoliu a pílula dourada e comprou gato por lebre. Ao dar-se conta do erro, escorraçou o gato e deu por encerrado esse trágico equívoco da história política do País.



O que acontece? Acontece que o tempo é o senhor da razão.

Parecia que, em 1989, o Brasil se separava irremediavelmente em dois blocos: Collor e suas fantasias e todos aqueles que, sedentos de ética, encheram as ruas pedindo seu impeachment.

Os caras pintadas, fortemente estimulados pelo PT e liderados por Lindberg Farias, que mais tarde seria eleito senador, invadiram a rua em busca de “ética na política”.

Collor foi posto para fora, os “éticos” chegaram ao poder, e depois deu-se tudo aquilo que as pessoas estão cansadas de saber.



Collor, derrubado por um Fiat Elba, foi absolvido pelo STF, que não encontrou nenhum dos crimes pelos quais foi afastado do poder, foi eleito senador por Alagoas, a garagem da Casa da Dinda encheu-se de Lamborghinis, Porsches e Ferraris, e agora ele é um protagonista de primeira linha da Operação Lava Jato.

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, disse que Lula deu a Collor “ascendência” na BR Distribuidora, Cerveró diz que Dilma entregou ao “caçador de marajás” várias diretorias da empresa, e os caminhos do Bem e do Mal cruzaram-se na porta do cofre saqueado da maior empresa estatal brasileira.

O tempo é ou não é o senhor da razão?



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Como não saber de nada?

Editorial de O ESTADÃO


Como não saber de nada?
Da enxurrada de novas revelações sobre o petrolão e similares, salta aos olhos uma questão politicamente delicada, mas cada vez mais incontornável: alguém pode acreditar de boa-fé que um escândalo dessas proporções possa ter ocorrido, se não com a participação direta e explícita, pelo menos com o tácito beneplácito ou o conhecimento do fato por parte das mais altas autoridades da República, a começar por quem chefia o Estado e o governo?

Arte de SPONHOLZ


Assim não surpreende que, nos últimos dias, tenham se avolumado as referências de envolvimento direto ou indireto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escândalo do petrolão e, agora, seja a presidente Dilma Rousseff que apareça no noticiário – que é mais policial que político.

Em matéria de escândalos, Lula está escolado. Haja vista o mensalão, que o tempo se encarregou de rebaixar a astro de grandeza secundária numa constelação de atentados muito mais brilhantes à moralidade pública.

Arte de MARCO AURELIO


Na verdade, pode-se dizer que faz parte do charme populista do ex-presidente seu estilo blasé no trato daquilo que a esquerda, por convicção ideológica, e ele próprio, por conveniência, chamam depreciativamente de “moralidade burguesa”. De resto, o ex-presidente parece não se importar com a máxima que recomenda considerar sempre com desconfiança quem faz fortuna material na vida pública.

Dilma Rousseff é caso diferente. Ela tinha razão quando afirmava que não havia objetivamente nada a “embaçar” sua reputação. Mas agora o noticiário registra, a partir de informações constantes da delação premiada do notório Nestor Cerveró, “que Fernando Collor de Mello disse que havia falado com a presidente da República, Dilma Rousseff, a qual teria dito que estavam à disposição de Fernando Collor de Mello a presidência e todas as diretorias da BR Distribuidora”.

Arte de SPONHOLZ


Essa garantia que o senador alagoano teria afirmado ter recebido de Dilma é coerente com a anterior determinação do antecessor dela, Lula, de abrir as portas da BR Distribuidora a Collor “em troca de apoio político à base governista no Congresso Nacional”.

domingo, 6 de dezembro de 2015

As razões do impeachment

Por Ruy Fabiano


As razões do impeachment
O dito bíblico, proferido por Jesus Cristo – até algum tempo atrás, fonte de inspiração dos prelados da CNBB -, “dize-me com quem andas e te direi quem és”, liquida o discurso de auto-absolvição feito por Dilma Roussef, na sequência imediata do anúncio de encaminhamento do processo de impeachment.

O fato é que, honesta ou não – e há controvérsias, já que honestidade não se resume a não surripiar dinheiro -, a presidente cercou-se de gente investigada pela polícia ou já sentenciada pela justiça, a começar pelo seu líder no Senado, Delcídio do Amaral.


Arte de AROEIRA


Lula, então, enquadra-se até a medula na sentença divina. Não apenas seus amigos mais próximos estão neste momento vendo o sol nascer quadrado em Curitiba, como tem ao menos um de seus filhos, Luís Cláudio, correndo o risco de lhes fazer companhia. Ele próprio já foi chamado a dar explicações à polícia.

Aos que acham que não há nada que incrimine a presidente, basta lembrar que suas campanhas – a de 2010 e a de 2014- foram, segundo delação premiada de alguns poderosos empreiteiros, financiadas com dinheiro roubado da Petrobras.


Arte de NICOLIELO


A lei, confirmando-se tal delinquência – e os sinais são eloquentes, o que explica a permanência na prisão daqueles empresários -, condena o candidato, soubesse ele ou não do que ocorria. Há numerosos precedentes na justiça eleitoral de governadores e prefeitos que perderam o mandato porque suas respectivas campanhas exibiram irregularidades.

A lei é implacável: o candidato é o responsável por sua campanha. O TSE, neste momento, investiga essas denúncias, que, confirmadas, podem oferecer saída ainda mais radical e sumária para a crise política, banindo de uma só vez presidente e vice.


Arte de FRED


Mas os delitos que envolvem a presidente não se esgotam aí. O pedido de impeachment, que se atém às pedaladas fiscais e atos administrativos, é até generoso, ao passar ao largo do escândalo da Petrobrás, do qual ela não pode ser excluída. Era, afinal, desde o início das denúncias, peça-chave da história.

Era, em 2003, quando tudo começou, ministra de Minas e Energia, a cujo comando está submetida a Petrobrás. E, como se não bastasse, presidia o Conselho de Administração, sem cujo aval nenhuma operação de grande porte, como a aquisição de uma refinaria arruinada, a de Pasadena, no Texas, jamais poderia ter sido adquirida.


Arte de CAU GOMEZ


E o foi, por um preço várias vezes superior ao que vale – e sem qualquer utilidade para o país. Sabe-se, porém, que, embora inútil para o país, gerou recursos para os envolvidos, na casa dos milhões de dólares, alimentando a campanha de Lula, em 2006.

Neste momento, o Ministério Público colhe a delação premiada de Nestor Cerveró, que então dirigia a área internacional da Petrobrás, responsável pela aquisição daquele ferro-velho.

Pelo que já vazou, Cerveró nega declarações anteriores de Dilma, de que não tinha informações suficientes e teria decidido mal-informada (o que, diga-se, não a absolve, do ponto de vista penal ou administrativo).


Arte de LAILSON


Disse mesmo que, por essa razão – não ter sido suficientemente informada -, teria depois tirado Cerveró do cargo, omitindo o fato de que, na sequência, ela mesma o recolocou em diretoria de igual quilate: a financeira, da BR Distribuidora.

Dilma não cometeu os delitos de Eduardo Cunha. Mas esteve no centro de delitos bem maiores, que a levaram à presidência da República, enquanto Cunha chegou apenas à da Câmara. Cunha mentiu para os integrantes da CPI da Petrobrás; Dilma mentiu para todo o país, reiteradamente, na campanha do ano passado.





Arte de SIMANCA


Cunha está prestes a ser cassado pelo delito moral de mentir. Os demais delitos – a origem suspeita dos recursos nas contas da Suíça – não são o objeto do julgamento de seus pares. Eles serão posteriormente julgados pelo STF e poderão levá-lo à cadeia. Mas o delito que lhe pode suprimir o mandato é o da mentira. E Dilma também mentiu.

Há, entre muitas outras, uma gravação no Youtube em que ela, candidata, declara ao repórter do SBT que não cogitava de maneira alguma em recriar a CPMF – e ela é enfática na afirmação -, argumentando que “não seria correto”.


E por que agora não só é correto, como “indispensável”? Pelo viés da mentira, não ficaria pedra sobre pedra. Lula, quanto a isto, é, não apenas seu criador, mas seu mestre, virtuose na matéria.

A deflagração do processo de impeachment ensejou, da parte do PT e aliados, uma tentativa de reação ideológica, absolutamente descabida. Não está em pauta, de modo algum – e essa é apenas mais uma mentira -, um confronto de ideários, mas uma reação veemente da sociedade a um projeto criminoso de poder. A Era PT varreu os cofres da República.

Tudo o que, em tese, possa ter proporcionado (e aí há também controvérsias) ascensão social a setores da população já foi perdido. Desemprego, inflação, depressão econômica não apenas devolveram à pobreza os que eventualmente ascenderam à classe média, como ameaça liquidar os que nela já estavam.

Arte de PAIXÃO


O PT não merece o título de partido progressista, que se auto concedeu. Trata-se de força regressista, que impôs graves retrocessos ao país, que levará gerações para recompor-se e reencontrar-se com a autoestima.

Só isso já justifica o impeachment, que, no entanto, ainda terá como pano de fundo os camburões da operação Lava Jato.


domingo, 23 de agosto de 2015

As panelas de Antonio Prata

Por Samuel Pessoa para a FOLHA SP

Charges de JOÃO MONTANARO


As panelas de Antonio Prata
No caderno "Cotidiano" desta Folha do domingo passado, o cronista Antonio Prata argumentou que é ótimo batermos panela contra mensalão e petrolão. Mas estranha que não batamos panelas para a compra de votos da emenda constitucional da reeleição, nem contra o "trensalão" do metrô de São Paulo ou ainda o mensalão tucano de Minas Gerais.


Prata assume posição simpática e supostamente neutra. É contra os malfeitos de ambos os lados. Mas a aparente neutralidade de Prata revela desonestidade intelectual.

O caso do mensalão foi transitado em julgado. No petrolão, há farto conjunto probatório: dezenas de prisões provisórias, delações, julgamentos de primeira instância com prisões já decretadas, centenas de milhões de reais recuperados, dezenas de bilhões de reais de prejuízo já lançados em balanço na Petrobras. Compará-lo com a compra de votos para emenda da reeleição ou ao mensalão mineiro e ao trensalão paulista é truque retórico inaceitável em um debate aberto e franco sobre esses temas.



O Ministério Público e a Polícia Federal são instituições do Estado brasileiro que gozam de independência funcional, com corpo de servidores públicos recrutados por meio de concursos competitivos.

Será que Antonio Prata acredita que somente candidatos tucanos conseguem ser aprovados nos concursos públicos para o Ministério Público ou a Polícia Federal?

Se Antonio Prata acredita que há conspiração do Ministério Público e da Polícia Federal contra o Partido dos Trabalhadores, a atitude honesta é elaborar os motivos desse tratamento assimétrico e quais são as evidências dessa conspiração.




Lembremos que recentemente a Procuradoria-Geral da União pediu o arquivamento do inquérito que apura o envolvimento do senador pelo PSDB de Minas Gerais Antonio Anastasia pelo suposto recebimento de valores quando era governador daquele Estado. Nada foi encontrado pela Polícia Federal contra o senador.

Vale lembrar também do caso de Eduardo Jorge Caldas Pereira, secretário-geral da Presidência da República de Fernando Henrique Cardoso, que foi ao longo de anos minuciosamente investigado pelo diligente procurador do Ministério Público Luiz Francisco de Sousa, em razão da aquisição de um apartamento na orla marítima da cidade do Rio de Janeiro, teoricamente incompatível com sua renda.



Nada foi encontrado contra Eduardo Jorge. Absolvição em todas as instâncias.

Não sei qual é a narrativa de Antonio Prata para o caso de Eduardo Jorge. Talvez Luiz Francisco seja tucano e não tenha feito seu trabalho corretamente.

Tratar os desiguais como iguais, escondendo a enorme distância que há entre o conjunto probatório dos casos petistas e os supostos escândalos tucanos, é enorme desonestidade intelectual. A coisa transborda quando Antonio Prata se nega a explorar a consequência lógica de suas premissas e esconde do texto as razões e as evidências que sustentam a suposta conspiração.



Adicionalmente, dois motivos justificam maior pressão da opinião pública sobre o PT. Primeiro o fato de o partido estar à frente do Executivo nacional por quase 13 anos. Enormes responsabilidades, principalmente em nosso presidencialismo com presidente forte.

Segundo, por ter feito toda a sua trajetória oposicionista com um discurso violento, intolerante, tendo como uma de suas principais bandeiras a ética na política, a famosa "UDN de macacão" de Brizola.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Manifestações no STF


Fonte Migalhas

Lavanderia Brasil
Em sessão ontem, os ministros da 2ª turma do STF não se furtaram de demonstrar o estarrecimento diante do caso investigado na operação Lava Jato.

Cármen Lúcia - "Há uma vastíssima legislação brasileira de mecanismos de controle [da corrupção] ; é impressionante como se supera isso. O Brasil é onde mais se tem órgãos, mecanismos de controle e legislação e mesmo assim a sociedade brasileira tem diante de si um fenômeno que supera tudo isso."

Gilmar Mendes - "Todos nós que vivenciamos a dura realidade do julgamento do mensalão, a AP 470, não nos cansávamos de dizer que estávamos diante do maior fenômeno de corrupção já verificado no país. E agora estamos a ver quão modesto foi aquele episódio diante da envergadura deste assim chamado Petrolão. Isso é um escárnio com a população. Se tivéssemos que retomar um julgamento como o do mensalão, talvez tivéssemos que enviar para o Juizado de pequenas causas, diante da dimensão desse novo."

Arte de CASSO


Celso de Mello - "Este processo de Habeas Corpus, ainda que de sumária cognição, parece revelar um dado absolutamente impressionante e profundamente preocupante : o de que a corrupção impregnou-se no tecido e na intimidade de alguns partidos e instituições estatais, transformando-se em método de ação governamental e de conduta administrativa, degradando por isso mesmo, em consequência de atos tão ignóbeis, a própria dignidade da política, fazendo-a descer ao plano subalterno da delinquência institucional. 

Em 1954 foi publicada manchete de Carlos Lacerda, de teor gravíssimo, enfatizando que somos 'um povo honrado governado por ladrões'. Honestamente espero que essa situação denunciada pelo ilustre tribuno parlamentar e jornalista não esteja se repetindo no presente momento histórico e no contexto relativo às recentes administrações Federais. Espero que a frase de Lacerda não esteja a refletir a realidade presente."

NOTA DO EDITOR
Os demais ministros da 2ª Turma - Dias Toffoli e Teori Zavascki - não se pronunciaram com a devida contundência... Teori, talvez, por ser o relator e Toffoli, alguém saberia o por quê?_________________

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Será que Lulla construiu seu triplex com recursos escusos?

Fonte  VEJA

Utilizada pelo doleiro Alberto Youssef para lavar dinheiro, a empresa GFD repassou 3,7 milhões de reais entre 2009 e 2013 à corretora de valores mobiliários Planner - que repassou praticamente a mesma quantia (3,2 milhões de reais) à construtora OAS em 2010, durante a finalização das obras do Edifício Solaris, no Guarujá, litoral paulista, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui um tríplex. 



As informações são do jornal O Globo. Segundo a reportagem, o Ministério Público Federal suspeita que parte dos valores repassados por Youssef tenha sido usada para concluir a obra, iniciada pela Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), que realizou diversas operações financeiras com a Planner.

Os repasses da GFD para a Planner constam nos primeiros documentos analisados pela Polícia Federal depois da quebra de sigilo fiscal das empresas de Youssef, um dos principais delatores do petrolão. Já os acordos financeiros entre a Planner e a OAS aparecem em documentos do processo que investiga irregularidades na Bancoop, que tramita na 5ª Vara Criminal de São Paulo, aos quais o jornal teve acesso.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Conheça a origem do Lava-Jato!

Se agredecemos a  ROBERTO JEFFERSON por ter salvo o Brasil de bem ao entregar o MENSALÃO e, que, com isso, impediu que fôssemos governados por José Dirceu...


... também devemos agradecer a HERMES MAGNUS que escancarou o PETROLÃO à Polícia federal  e ao Ministério Público! 

Assista acima o vídeo da BAND!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Os momentos de fraqueza do PT

Fonte  O Antagonista


Num "momento de fraqueza", o ex-presidente da Sete Brasil, João Carlos Ferraz, embolsou 1.985.834,55 dólares em propina dos estaleiros contratados para fazer as sondas do pré-sal.

A confissão está numa carta enviada aos sócios da companhia.

João Carlos Ferraz não foi o único executivo da Sete Brasil a ter "momentos de fraqueza". A companhia baseou-se nos depoimentos de Pedro Barusco para estimar que as propinas das sondas do pré-sal somaram 224 milhões de dólares.



O PT, num "momento de fraqueza", recebeu dois terços do total - cerca de 150 milhões de dólares.

Lula, num "momento de fraqueza", e Dilma Rousseff, noutro "momento de fraqueza", determinaram que as sondas do pré-sal deveriam ter elevado conteúdo nacional.

150 milhões de dólares em propinas representam, sob qualquer ponto de vista, um elevado conteúdo nacional.

domingo, 7 de junho de 2015

Um aniversário que não nos alegra

Por  Miguel Reale Jr.
Estadão em 06JUN2015.
Artigo recebido por e-mail


Triste aniversário
Em 6 de junho de 2005, dez anos atrás exatamente, a Folha de S.Paulo publicava entrevista do deputado Roberto Jefferson, então presidente do PTB, em que denunciava a existência do mensalão. Dizia o deputado ser o número elevado de cargos do PT a fonte geradora do mensalão, pois o “PT tem participação muito maior que a dos outros partidos da base. Tem 20% da base e 80% dos cargos”. Ao final da entrevista, explicava a razão de ser do mensalão, uma mesada de R$ 30 mil paga a deputados do PL, do PP e do PTB, pois era “mais barato pagar o exército mercenário do que dividir o poder. É mais fácil alugar um deputado do que discutir um projeto de governo. É por isso. Quem é pago não pensa”. O deputado ponderava que em 22 anos de mandato nunca vira isso acontecer no Congresso Nacional, sendo que em função desse mensalão se contaminou a base parlamentar.



Jefferson avisou ministros e o próprio presidente do que ocorria, mas só se estancou essa corrupção com a CPI dos Correios. O presidente Lula, nestes dez anos, a cada instante falou coisa diferente sobre o mensalão, indo das desculpas à negação geral do fato, mesmo após o trânsito em julgado da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal.



Nestes dez anos, a política tornou-se caso de polícia, com prisões, condenações, algemas, delações, fuga e extradição, monitoramento por tornozeleiras eletrônicas. É consequência de se assumir o governo não para cumprir primacialmente um projeto de país, mas para usufruir o poder, ocupando todos os cargos disponíveis e criando novos para acomodar apaniguados. O poder deixa de ser meio para ser fim em si mesmo, preservado por via de corrupção e de larga distribuição de propina, com descontrole fiscal e mentiras deslavadas para iludir o povo visando a ganhar eleições.


http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/destino-dos-reus-mensalao/

Imaginava que a persecução penal aos líderes do PT no processo do mensalão refrearia a ganância, mas se montava, por trás, o petrolão. Instalou-se, então, clima de irresponsabilidade absoluta na administração, imperando a desordem bem própria da mentalidade de tirar o máximo proveito do poder.

Essa irresponsabilidade contaminou o campo delicado das finanças públicas, pois o governo federal - objetivando melhorar suas contas e criar um superávit fictício - contraiu empréstimos com as instituições financeiras públicas para pagamento do Bolsa Família, do programa Minha Casa Minha Vida, do seguro-desemprego, deixando de registrar como passivo essa despesa sem pagar por longo prazo.



O Relatório de Inspeção, para se ter ideia da grandeza dos empréstimos, indica ter o Departamento de Supervisão Bancária informado que ao final de agosto último a Caixa Econômica Federal registrou em seu ativo R$ 1.740,5 milhões em valores a receber do governo federal, de pagamentos relativos a programas sociais (Bolsa Família, abono salarial e seguro-desemprego). E esses empréstimos foram contraídos com bancos públicos sem satisfação da dívida anteriormente assumida, efetivando estes mútuos no último ano do governo em afronta, em tese, ao descrito nos artigos 359 A e 359 C do Código Penal.

Em vez de o governo conter gastos, reduzir ministérios, eliminar cargos em comissão na administração direta e especialmente indireta, atacar a corrupção, ter transparência, valeu-se dos empréstimos contraídos com bancos dos quais a União é controladora, sem registrá-los como despesa, para vender gato por lebre, fazendo crer ao Legislativo, ao Tribunal de Contas, ao País que as contas públicas estavam sob controle e garantindo o crescimento econômico em 2015 com contenção da inflação. Essas deslavadas mentiras levaram a ganhar a eleição e agora à estagnação, à forte restrição do crédito, ao fim das desonerações, ao aumento dos preços, à redução das verbas da educação e da saúde.



Houve pedaladas em 2013, 2014 e neste ano também, mas nada proíbe que se instaure processo por crime comum contra a presidente por ações ocorridas no mandato passado se não estranhas às suas funções (artigo 86, § 4, da Constituição), sendo essas ações exatamente próprias funções presidenciais.

Além de a lei, a doutrina e a jurisprudência indicarem como responsável pelos crimes contra as finanças públicas o chefe do Executivo, cabe lembrar que a presidente da República, economista por formação, sempre demonstrou, enfaticamente, coordenar as decisões no campo das finanças.




Ademais, um dos maiores responsáveis pelas operações de crédito, o secretário do Tesouro Nacional, mantinha reuniões quase diárias com a presidente da República, cuja fama de rigorosa controladora da administração era e é famosa em Brasília, tanto que em tom de blague se diz ser fácil saber o nome dos 39 ministros: Dilma, Dilma... Evidentemente a presidente não pode alegar que medida de tamanha importância e tal valor tenha sido tomada sem seu conhecimento e sua anuência, pois cabe mesmo à presidente da República, de acordo com o artigo 85 da Constituição, a fixação de metas, a afetação dos recursos, a escolha dos procedimentos.




Assim, um dos caminhos para estabelecer a responsabilidade pela irresponsabilidade na condução das finanças públicas, que hoje todos sofrem, é o pedido de instauração de ação penal ou, no mínimo, de investigação criminal. Enviada acusação ao Supremo Tribunal, cabe a este consultar a Câmara dos Deputados se autoriza o processo. Autorizado, a presidente é afastada por 180 dias. O efeito é o mesmo do impeachment, sem ter de passar pela decisão monocrática do presidente da Câmara, que já arquivou, de plano, 30 pedidos de afastamento da presidente.

O caminho escolhido exige serenidade, visando a apurar a responsabilidade criminal da presidente por fatos cuja gravidade independe de qualquer viés político, pois já reconhecidos pelo Tribunal de Contas. Rodrigo Janot agora estuda a questão.


2 min 23 seg
Assistam este vídeo de Margareth Tatcher
 falando sobre a boa governança.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

PT posa de exterminador do PT em texto oficial

Por Josias de Souza.
Transcrito de seu blog.


PT posa de exterminador do PT em texto oficial
Sendo o mais narcisista, o PT tornou-se o mais pretensioso dos partidos pretensiosos. E o mais cômico. O narcisismo petista dispensa a autoanálise. Contenta-se com as avaliações do espelho, que reflete suas perversões com cândida cumplicidade. A comédia nem precisaria da verbalização da piada para se realizar. Mas às vezes o PT faz questão de enfatizar suas características até o limite do ridículo. Num texto veiculado em seu portal na internet, o partido evoluiu do engraçado para o hilário.


Arte de AROEIRA

Começa assim: “Desde que assumiu o governo, em 2003, o Partido dos Trabalhadores tem investido fortemente no combate à corrupção. Entre as medidas adotadas estão o crescente fortalecimento e autonomia do Ministério Público e da Polícia Federal.” Esse suposto esforço revelou-se premonitório. Resultou na passagem da cúpula mensaleira do PT pela penitenciária da Papuda.

Arte de QUINHO


O miolo do texto do PT traz considerações como essa: “Operação Lava Jato expõe números impressionantes da atuação dos órgãos competentes. Em um ano de apuração, 103 pessoas foram denunciadas pelo MPF; 485 pessoas e empresas estão sendo investigadas; R$ 182 milhões de reais já foram repatriados; e R$ 500 milhões de reais devem ser devolvidos aos cofres públicos.”

Na avaliação do PT, a petrorroubalheira aparece graças às providências que o partido adotou nos governos Lula e Dilma. O orçamento da PF “passou de R$ 1,8 bilhão, no primeiro ano do mandato do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, para R$ 4,7 bilhões, em 2013”, anota o texto do PT, citando dados colecionados pelo Instituto Lula.

Arte de QUINHO


Com intuito de acabar com o engavetamento desenfreado de processos, o Ministério Público também ganhou autonomia do governo federal”, escreveu o partido noutro trecho. Como se sabe, a Procuradoria da República extrai seus poderes das páginas da Constituição de 88, não da generosidade do governo. Mas, tomado ao pé da letra, o PT considera-se responsável pela ruína moral do PT.

Elevada à última potência do risível, essa insuspeitada cruzada moralizadora do PT fez do tesoureiro petista João Vaccari Neto réu na Operação Lava Jato. Devolveu José Dirceu e Antonio Palocci à condição de investigados. Dizimou as pretensões do aliado PP. Enrolou caciques do sócio PMDB. E levou à alça de mira dos investigadores o próprio PT, suspeito de ter lavado propinas na Justiça Eleitoral.

Arte de NEWTON SILVA


Assim, a leitura convencional da estratégia do PT é que o partido vem se esforçando com extraordinário afinco para livrar o país dele mesmo. E está obtendo um êxito fabuloso. Aos pouquinhos, a plateia compreende por que o PT só faz autocrítica a favor. O partido se deu conta de que um minuto longe do espelho arruinaria sua imagem. Por isso, vive o seu drama numa sucessão de poses. Afinal, a pose é o ofício do narcisista.

domingo, 29 de março de 2015

O criminoso sempre volta ao local do crime


Nas revistas desta semana:


- PALOCCI tem participação ativa no esquema Petrolão - leia na REVISTA ISTO É clicando aqui

Arte de CLAYTON



- o criminoso sempre volta ao local do crime! Duvidam? leiam esta reportagem da REVISTA ÉPOCA


quarta-feira, 25 de março de 2015

São uns energúmenos!

Por Joaquim Ferreira dos Santos.

A palavra certa para o descalabro
É uma pena que, assim como os cofres públicos, a língua nacional também tenha sido roubada de expressões tão ferozes e necessárias.

Foi-se o verão sem que ninguém ouvisse durante seus três meses uma única cigarra gritando o fim do dia. Da mesma maneira estão passando esses investigados do Petrolão, sem que ninguém lhes grite nos ouvidos as palavras certas, também desaparecidas junto com a voz das cigarras.

São uns energúmenos!

Arte de GILX


Chegou a hora, diante do despautério generalizado que envergonha a nação, de deixar de lado o bom gosto literário. As novas normas dos manuais de redação estabelecem limites para o palavrório jornalístico. Fazem muito bem. Mas quem leu o noticiário recente percebeu. É impossível manter a elegância vernacular numa hora dessas. Urge rever o uso das palavras gordas de outrora, aqueles vitupérios que nos vêm de imediato, na fluidez incontrolável do inconsciente coletivo, e, infelizmente, ninguém mais pronuncia.

Sem essa de corrupção e malfeitos! Isso que estamos vendo é um descalabro!

Não é um clube de empreiteiros! Trata-se de um valhacouto de bandidos!

Arte de SPONHOLZ


Uma das ordens que envolvem o fazer da escrita é a necessidade de, antes de ela sair de casa, antes de se publicar a coisa, passar um pente fino. Pentear a cabeleira do vocabulário, da gramática, da ordem geral das concordâncias, para que tudo brilhe glostoramente arrumado e não assuste o leitor. Compreende-se o pente Flamengo no estilo. É da índole humana querer posar na moda, up to date, o topete cheio de metáforas e brylcreem sintático. Todos sorriem, abraçados às borboletas nos parágrafos, para a glória do selfie literário.

Há uma obsessão generalizada de parecer moderno e, assim como se faz com o corpo, desidratar as palavras, obrigá-las a uma dieta a que só sobreviverão as magricelas, as anoréxicas de no máximo três sílabas. São as palavras-manequins. Ficam bem na foto, secas, joãocabralinas, mas na vida real ninguém quer comê-las, perdão, ninguém quer pronunciá-las, pois não dão prazer, digo, não expressam a verdade sobre o mundo que ora se nos apresenta. O Brasil está cercado de estróinas por todos os lados.

Arte de NICOLIELO


Eu compreendo Danton Jobim, Prudente de Moraes Neto e Pompeu de Souza, os bravos jornalistas que no final dos anos 1940 promoveram, diretamente da redação do “Diário Carioca”, um enxugamento disciplinatório das expressões que naquele momento pareciam patuscas. Eles precisavam dar padrão comum ao texto, torná-lo menos adjetivoso, literoso e cabeludo. Ordenavam ao copidesque, e na bancada do jornal estava Graciliano Ramos, que ceifasse coisas como “ladrão contumaz!”. Fizeram-no muito bem.

Olhando em volta, porém, a sensação hoje é que o dicionário em voga não verbaliza mais o pasmo civil diante do despundonor vigente. É preciso encher a boca de novo e trazer de volta aquelas palavras-desabafos, as mais gordurosas e descabeladas, inclusive, como pedia o poeta, as entupidas de todos os barbarismos universais. Dar-se-ia preferência às polissílabas proparoxítonas. Elas têm o volume sonoro de um paralelepípedo. Pesam, machucam. Servem mais ao que se quer diante do quadro político nacional: atirá-las com raiva no quengo de quem merece.

Arte de NEWTON SILVA


Os acusados de desviar milhões de reais não são apenas formadores de quadrilha, como quer a acusação fria da justiça. Trata-se de uma súcia de ladravazes contumazes! — e é assim, botando-se os bofes dos vocábulos para fora, que a choldra pútrida de patifes merece ser nomeada.

Esses desabafos antigos tinham uma sonoridade aviltante. Ninguém precisava conhecer o seu significado exato para sentir que pocilga cheirava mal e que nela todos seus frequentadores, os porcos que agora se locupletam das riquezas nacionais, deviam chafurdar na lama de suas vilanias. O vernáculo doía-lhes no lombo e na sua eloquência não deixava qualquer dúvida. Um covil de canalhas.

Arte de GENILDO


Essas palavras vinham ainda com um ponto de exclamação embutido, um sinal prenhe de indignação e urgência contra o escárnio — mas lá se foi também a interjeição, coitada!, uma bengala que reforçava a repulsa da sociedade a essa ignomínia atroz.

É uma pena, um verdadeiro acinte, que, assim como os cofres públicos, a língua nacional também tenha sido roubada de expressões tão ferozes e necessárias. Além dos rigores da lei, deveriam ser impostas palavras definitivas, como salafrário e sicário, a todos esses desavergonhados do momento — e a sede nacional por justiça teria ainda o gosto dessas pesadas condenações do vocabulário.

Isso é um achincalhe! Bando de sacripantas!

Fonte: Jornal O Globo