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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vamos partir para a ignorância?

Por Marli Gonçalves.



Vamos partir para a ignorância?
Inacreditável. Estamos mesmo conseguindo andar para trás a passos largos – passos não, saltos, e saltos ornamentais provando que precisamos mais do que muito urgentemente fazer nada mais nada menos do que superar. Parar com isso, com essa animosidade toda. Não, não estamos divididos, pelo menos não em apenas dois pedaços como querem fazer parecer. Há uma infinidade de opções.

Não vamos partir para a ignorância.

De repente o ator conhecido, ultimamente mais por ser petista, burro e destemperado, do que como ator, cospe – sim, cospe no casal que o afrontou em um restaurante de São Paulo. Cospe no homem. Cospe na mulher. (Ele agora vai sentir com quantos cuspes se desfaz uma carreira).



O casal sem noção afrontou o ator petista, burro e destemperado, falando um monte de asneiras e bobagens, acusando o zézinho de ladrão, já que dali discussão civilizada sobre política não sairia mesmo. Vomitaram clichês, mas ainda bem que apenas em gritos, por insuportável sua quantidade.

Aí, o zezinho, o ator petista burro e destemperado, vai para casa e corre para o computador para escrever e contar para seus amiguinhos o quanto estava orgulhoso de ter cuspido no casal. Um grupo bate palminhas. O outro quer queimá-lo em praça pública, esquecendo apenas que ele é apenas um ator petista burro e destemperado. 



Sem qualquer importância.

Nem muita personalidade teve o ato, já que o projétil salivar já havia sido emitido por um outro “bravo combatente” há poucos dias na cara do imbecilnaro. Imbecilnaro esse que ousou evocar e pronunciar o nome do cão dos infernos em seus segundos de votação.

Quequiéisso?

Acho preocupante e considero um comportamento inadmissível ver amigos, inclusive jornalistas, rosnando e babando contra veículos de comunicação grandes, os poucos que estão sobrando, e propondo que no lugar se busque a informação para beber só nos poços alternativos – maioria, água que se diz pura, mas na verdade já vem contaminada com enormes equívocos históricos. Ou de origem e financiamento.



É desonestidade intelectual e uma inusitada sordidez de ataque. Sabem que não é o que dizem, que não tem golpe nenhum, que erraram, que o país está parado, que a maioria os quer ver pelas costas seja por causa de pedaladas, dos pontapés, fora só uma, fora uma e o outro, os dois, desde que saiam da frente, nos deixem superar. 

Transformam-se em chacotas, fantasmas dos líderes que já foram. E eles não têm altivez para ao menos tentar solução, não semear a discórdia, parar de incentivar o confronto, e muito menos patrocinar os escrachos que vêm sendo feitos pela molecada, tão naturais e espontâneos que até assessoria de imprensa têm.



Uma coisinha, um cisco, vira uma tese sociológica e acadêmica chaaata, muito chata, de como forças conservadoras através de uma matéria com o perfil de uma sortuda estão operando para que as mulheres brasileiras todas regridam em suas conquistas e voltem a ser apenas belas, recatadas, e do lar. Coitada da mulher sortuda que parece saída de uma cândida fotonovela – se bem que com essa ela já toma o primeiro tranco para perceber o que vai vir daí por diante, o rojão grosso que terá de segurar.

Precisaria de uma mágica, um milagre para mudar os nossos políticos tentando fazê-los lordes – difícil. Penso nisso quando lembro que vi o espancador Pedro Paulo jogado na fogueira da ciclovia de pluma levada por Netuno. Atento ao marketing de quem ainda pensa(va) em ser candidato ousou, mexendo na aliancinha no dedo – balbuciar que “talvez” houvesse algum problema com a obra, e chamando de “incidente” aquela tragédia. Tragédia cuja imagem que restou – os dois corpos das vítimas jogados na areia da praia, e ao lado uma normal partida de futebol – essa sim, levada ao mundo essa imagem informou mais sobre como estamos do que as mais vigorosas teses intelectuais.



Nós já partimos para a ignorância. Quando a humanidade se acostuma com trevas, ficamos nos abalroando no escuro. Pisando uns nos calos dos outros. Chutando bem abaixo da linha do Equador.

Ignorancia

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Quem faz um país é o povo!

Por Décio Tadeu Orlandi.
Recebido por WhatsApp
Quem faz um país é o povo!
Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital da tão primeiro-mundista Suécia, e notei que havia entre muitas catracas comuns uma de passagem livre. Questionei a vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto, e ela me explicou que era destinada às pessoas que por qualquer motivo não tivessem dinheiro para a passagem. 

Arte de RICO


Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!): e se a pessoa tiver dinheiro mas simplesmente quiser burlar a lei?

Aqueles olhos suecos e azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora 

– Mas por que ela faria isso?, me perguntou. 

Não lhe respondi. Comprei o bilhete, passei pela catraca e atrás de mim uma multidão que também havia pago por seus bilhetes. A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira – e envergonhada.

*Décio Tadeu Orlandi, bacharel em Letras pela USP e mestre em Literatura pela UFG.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A ironia.

Na literatura a Ironia é um recurso utilizado pelo autor que aborda assuntos polêmicos trazendo divertimento com desvio dos sentidos, implicando o que realmente pretende denunciar. Nem sempre os conteúdos irônicos são percebidos pelo leitor, pois fica subentendido o sentido do texto que só poderá servir de reflexão para o leitor se este tiver conhecimento de mundo relacionado ao mesmo. 




Além da escrita, a ironia também pode se apresentar de outras formas, como na forma oral em que há a discrepância naquilo que é dito e a real intenção que fica subentendida, quando um locutor diz uma coisa mas pretende expressar outra, ou então quando um significado literal é contrário para atingir o efeito desejado.



Contudo, nem sempre é fácil compreender quando há ironia, pois tudo depende de como ela é expressada e entendida. Nos dias de hoje onde grande parte da interação entre as pessoas acontece via redes sociais, blogs, serviços de mensagens instantâneas fica ainda mais difícil, pois muitas vezes não há uma “entonação” naquilo que é escrito.



Tirinhas e charges costumam se valer bastante dos princípios irônico e sarcástico, elucidando muitas vezes questões de cunho social, político e econômico de uma forma bem ácida e com uma boa dose de inteligência e humor.

 
 


Fonte Minilua

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ser assassinado só não basta...

Por David Coimbra.


Seja assassinado corretamente
Os Titãs estavam errados. Pobrezas são mais diferentes do que riquezas. Ser pobre na Alemanha é uma coisa. Vá ser pobre no interior da Síria, quero ver se você é macho.

No Brasil, o pobre tem sua quota de sofrimento, como sói acontecer com pobres, mas pelo menos ela vem cercada por uma aragem de santidade. O pobre, no Brasil, é pobrezinho, fica em geral entre a vítima e o herói. É por isso que Mujica, por levar uma vida simples, sem ambições materiais, gera tanta louvação entre brasileiros.

Arte de PELICANO


As pessoas se encantam: oh, ele anda de Fusca. Ei! Eu não tenho carro, não tenho relógio, nunca tive máquina fotográfica, meu celular, foi o Juninho quem me deu, praticamente não compro roupa, mas quem diz que, por essa razão, posso ser presidente do Uruguai?

Não, eu não teria capacidade para ser presidente do Uruguai, nem de nada além. Aí está uma coisa que nunca serei: um presidente. Fico triste. Queria ser um presidente.

O Mujica, sim, ele foi presidente, e parece ter sido bom. Então, é por isso que admiro o Mujica, não por ele andar de Fusca. Qualquer David pode andar de Fusca, mas você terá de ser um Mujica para ser presidente.

Arte de ANGELI


No Brasil, a pobreza tem certa beleza, o que até rende rima. Ao rico está reservada profunda antipatia, mas quem diz que o rico se importa com isso? Ele não está nem aí. Ele está no Caribe.

Agora, a classe média, sim. A classe média, no Brasil, é um caso diferente das outras classes médias. Porque, no Brasil, a classe média tem os ônus das outras classes médias, sem usufruir dos bônus. Em todos os países do mundo, é a classe média quem sustenta a economia, paga os impostos, consome e produz. Você mede a justiça social de um país pelo tamanho da sua classe média. No Brasil, também. Mas, no Brasil, a classe média, chamada com desdém de “pequena burguesia”, é desprezada. Intelectuais do governo, como aquela professora da USP, proclamam: “Eu odeio a classe média!”, e um ex-presidente da República ri à grande ao ouvir isso.

Arte de ?


A classe média paga impostos para a educação, a saúde e a segurança, e também escolas particulares, planos de saúde e vigilância privada. A classe média gasta em dobro, mas não deve reclamar, porque, supostamente, ela está se sacrificando em nome da felicidade dos pobres. É o que o governo alega. O governo é dos pobres, os pobres agora rodam em carros melhores do que o Fusca do Mujica, viajam de avião e fazem faculdade. Os pobres brasileiros são felizes. E a classe média, se não está contente, é egoísta.

A classe média não aprende a se resignar nem quando morre. Outro dia, um médico foi esfaqueado na Lagoa Rodrigo de Freitas porque um sujeito precisava da bicicleta que ele pedalava. Um latrocínio na Lagoa, à luz do sol, equivale a um na Times Square, na Fontana di Trevi, no Portão de Brandemburgo ou no pátio do Palácio de Buckingham. Como reagiriam os Estados Unidos, a Itália, a Alemanha e a Inglaterra se isso ocorresse? Com escândalo, obviamente. Seria um absurdo impensável. Manchetes. Revolta. Afinal, se não existe segurança num lugar turístico desses, imagine no Harlem, na Suburra, no Mitte ou em Stratford? Um assassinato como o da Lagoa, em outros países, traumatizaria a população não pela vítima, mas pelo local em que ocorreu.


Arte de NEWTON SILVA


No Brasil, não. No Brasil, os intelectuais gritaram: “Por que não falam tanto assim dos mortos pobres dos morros?”

É preciso ter cuidado, neste nosso país de paladinos intelectuais. No Brasil, você tem de ser assassinado na classe social certa.

domingo, 28 de junho de 2015

Segredos para uma boa vida

Por dr. Joston Miguel - geriatra.

Sugestão de Carlos Michelli


Conselho aos da minha geração.
Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos! De que adianta, é assim mesmo. Isso é um processo natural. É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia. Essa lei diz que: “A energia de um corpo tende a se degenerar e com isso a desordem do sistema aumenta”. Portanto, tudo que foi composto será decomposto, tudo que foi construído será destruído, tudo foi feito para acabar.




Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós. Com o tempo, os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam. Sendo assim, relaxe e aproveite. Parafraseando Freud: “A morte é o alvo de tudo que vive”. Se você deixar o seu carro no alto de uma montanha, daqui a 10 anos ele estará todo carcomido. O mesmo acontece a nós. O conselho é: Viva. Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez. Como disse um dos meus amigos a sua esposa: “me use, estou acabando!”. Hilário, porém realista.




Ficar velho e cheio de rugas é natural. Não queira ser jovem novamente, você já foi. Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige. Já viveu essa fase, reconcilie-se com a sua situação e permita que o passado se torne passado. Esse é o pré-requisito da felicidade. 

 “O passado é lenha calcinada.
 O futuro é o tempo que nos resta:
 finito, porém incerto” 

 como já dizia Cícero.

Abra a mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha, da vasta cabeleira e do alto desempenho, pra não se tornar caricatura de si mesmo. Fazendo isso ganhará qualidade de vida. Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado. Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora. A flor da idade ficou no pó da estrada. Então, para que se preocupar?! Guarda os bisturis e toca a vida.




Você sabe quem enche os consultórios dos cirurgiões plásticos? Os bonitos. Você nunca me verá por lá. Para o bonito, cada ruga que aparece é uma tragédia, para o feio ela é até bem vinda, quem sabe pode melhorar, ele ainda alimenta uma esperança. Os feios são mais felizes, mais despreocupados com a beleza, na verdade ela nunca lhes fez falta, utilizaram-se de outros atributos e recursos. Inclusive tem uns que melhoram na medida em que envelhecem. Para que se preocupar com as rugas, você demorou tanto para tê-las! Suas memórias estão salvas nelas. Não seja obcecado pelas aparências, livre-se das coisas superficiais. O negócio é zombar do corpo disforme e dos membros enfraquecidos.

Essa resistência em aceitar as leis da natureza acaba espalhando sofrimento por todos os cantos. Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna, as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos, as loucas alegrias e os desenfreados prazeres. Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e condena à ruína sua própria alma. Discreto, sem barulho ou alarde, aceite as imposições da natureza e viva a sua fase. Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu. Se não viveu na fase devida, o melhor a fazer é esquecer.




A causa do sofrimento está no apego, está em querer que dure o que não foi feito para durar. É viver uma fase que não é mais sua. Tente controlar essas emoções destrutivas e os impulsos mais sombrios. Isso pode sufocar a vida e esvaziá-la de sentido. Não dê ouvidos a isso, temos a tentação de enfrentar crises sem o menor fundamento. Sua mente estará sempre em conflito se ela se sentir insegura. A vida é o que importa. Concentre-se nisso. A sabedoria consiste em aceitar nossos limites.

Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero. Faça o que pode ser feito com o que está disponível. Quer um conselho? Esqueça. Para o seu bem, esqueça o que passou. Tem tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está. Coisas do passado não te pertencem mais. Se você tem esposa e filhos, experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos, faça a festa, celebre a vida, agora você tem mais tempo, aproveite essa disponibilidade e desfrute. Aceitando ou não, o processo vai continuar. Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora. Nada nos pertence.




Tive um aluno com 60 anos de idade que nunca havia saído de Belo Horizonte. Não posso dizer que, pelo fato de conhecer grande parte do Brasil, sou mais feliz que ele. Muito pelo contrário, parecia exatamente o oposto. O que importa é o que está dentro de nós, a velha máxima continua atual como nunca: “quem tem muito dentro precisa ter pouco fora”.

Esse é o segredo de uma boa vida.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Elis Regina poderia ter sido presa

Por David Coimbra.

Crônicas


Elis Regina poderia ter sido presa
Estava ouvindo o João Bosco. As músicas dele em parceria com o Aldir Blanc têm uma brasilidade que está em extinção. Ninguém mais escreveria, hoje em dia:

“Genésio,  a mulher do vizinho
 sustenta aquele vagabundo.”

“E o meu café, cadê? 
Não tem, vai pão com pão.”

“Costurou na boca do sapo um resto de angu, 
a sobra do prato que o pato deixou.”

E tem aquela da mulher que vive para atazanar o marido e, numa manhã, depois de sonhar à noite com ele, mandou que jogasse no burro. Ele jogou e acertou no milhar.

Uma das mais lindas, que era cantada também por Elis Regina, hoje seria impossível. É Gol Anulado. A letra diz assim:

“Quando você gritou Mengo!
No segundo gol do Zico
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar.
Três anos vivendo juntos
E eu sempre disse contente:
Minha preta é uma rainha
Porque não teme o batente
Se garante na cozinha
E ainda é Vasco doente.”

Uma história com sabor de aipim frito na manteiga. Durante três anos, a ilustríssima dizia para ele que era vascaína, mas, quando Zico meteu o segundo gol num Flamengo e Vasco, ela não se aguentou e extravasou sua paixão rubro-negra. Não duvido que o vascaíno da música preferisse ser traído por outro homem do que por outro time.


Essa poesia hoje causaria indignação, revolta e, não duvido, processo. As redes sociais se ergueriam em fúria, apontando João Bosco, Aldir Blanc e Elis Regina como incentivadores da violência contra a mulher. O Ministério Público puxaria da bainha a espada da Justiça. Depoimentos comoventes de mulheres espancadas seriam espalhados pelo Whats, fazendo muita gente chorar e balbuciar, com a voz embargada:

– Essa é a nossa luta, e a nossa luta não é engraçada…

De fato, luta-se muito, Brasil afora, e lutas não são engraçadas. Que fazer? Não há outro jeito, a não ser rir menos.

sábado, 20 de junho de 2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

O grupo em prol do indivíduo

Texto recebido via whatsApp

Desconheço a autoria

"Neymar saiu do Brasil como a estrela maior do nosso futebol. Aqui todos jogavam pra ele, era reverenciado e titular absoluto. Ao chegar no Barcelona, percebeu que a grande estrela era Messi. Na Espanha, o time não jogaria pra ele. Passou a elogiar Messi e deixar claro que estava em Barcelona para ajudar e fortalecer o reinado de Messi. No princípio da temporada, ficou vários jogos no banco de reservas e foi substituído muitas vezes.

Arte de Bruno Hamizagic


Neymar era apenas uma peça de luxo num tabuleiro de xadrez onde só havia lugar para um rei. Revelou humildade e passou a jogar como coadjuvante num time de estrelas. Soarez seguiu o exemplo de Neymar, tanto um como o outro ganharam o respeito e a amizade de Messi e de todo o time. Os dois entenderam que ajudar Messi a continuar rei, estavam fortalecendo o time, acabando com vaidades perniciosas. Foram campeões de tudo que disputaram, se tornaram o trio de atacantes com maior número de gols na história (do Barcelona).

Essas atitudes deixam exemplos úteis. Não há nenhum problema em reconhecer que há alguém com um talento igual ou maior que o nosso. Ao trabalharmos juntos somos vencedores de qualquer forma. Quem quer ser grande deve aprender a ser pequeno, servir, e respeitar a grandeza dos outros. Para ser campeão, é preciso abandonar o orgulho, vaidades, cultivar amizades, respeito, e visar o bem de todos. Não importa quem está crescendo! O crescimento do colega acaba sendo o crescimento de todos. É preciso festejar e alegrar-se com a vitória dos outros. Ninguém joga sozinho! Num mundo em que muita gente quer ser rei, sempre haverá divisão, mágoa e derrota."

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Caminhando 48 km para não pagar US$100...


... foi a multa aplicada por um Juiz em Ohio nos Estados Unidos a uma jovem que havia pego um taxi para uma corrida nessa distância e, ao chegar ao destino, recusou-se a pagar o preço da corrida. 

A caminhada da jovem foi monitorada por uma tornozeleira eletrônica
 (Foto: Reprodução/YouTube/NEWS NewsChannel5)

Durante o julgamento, o juiz Michael Cicconetti ofereceu duas opções para a mulher. Ela teve de escolher entre ficar presa por 30 dias ou fazer a caminhada de 30 milhas/48 km, distância equivalente ao percurso feito pelo táxi.

Na última sexta-feira (29), Victoria começou a cumprir a sentença.



Além da caminhada, a jovem vai cumprir três dias de serviço comunitário além de pagar o valor da corrida ao taxista.


Fonte RedeTV.uol

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um jeito de ser

Por David Coimbra.
Publicado em seu blog em 01MAI2015

A calçada de plástico
Há exatos 20 anos, em maio de 1995, acompanhei uma delegação de empresários catarinenses em missão pela bela Itália. Era uma viagem de trabalho, mas acabou sendo das mais prazerosas que fiz na vida. Um dia, conto mais a respeito. Por ora, quero falar de um episódio ocorrido numa cidade industrial do norte da Bota. Não lembro que cidade era. Lembro que os empresários italianos apresentavam aos brasileiros uma máquina de reciclar plástico. O plástico velho entrava por uma ponta e saía por outra transformado em calçadas novas. Isso mesmo: lajotas de plástico furadinho, que seriam encaixadas no chão a fim de serem usadas como calçadas baratas e de fácil instalação.

Os italianos mostravam-nos com orgulho uma das calçadas montadas. Caminhamos sobre ela. Então, me agachei, enfiei o indicador no orifício de uma das placas e a levantei.

– Elas não ficam presas? – perguntei.
– Não. É assim mesmo – respondeu um dos italianos.

Balancei a cabeça:
– Não vai dar certo no Brasil.

Eles se espantaram:
– Por quê?
– Porque a turma vai arrancar isso e levar embora.

Os italianos ficaram embasbacados. Queriam saber por que catzo os brasileiros fariam uma coisa dessas com a calçada em que eles próprios pisavam. Ninguém soube explicar muito bem, mas os brasileiros concordaram comigo, disseram “é, no Brasil não vai funcionar”, e o negócio não foi fechado.

Bem.



Você sabe por que no Brasil esse tipo de iniciativa não funciona? Sabe por que orelhões são depredados e tampas de lixeira roubadas? Por que as pessoas sujam as ruas? Por que picham os monumentos?

Porque, para elas, nada daquilo a elas pertence. Para os brasileiros, tudo que é público pertence a uma entidade chamada vagamente de “eles”.

Eles” ninguém explica o que seja, mas é o Estado. Os brasileiros sentem-se fora do Estado, abaixo dele. Por isso, culpam o Estado por todas as suas vicissitudes. Afinal, aquela entidade superior teria poder para resolver os problemas. Não os resolve porque não quer.



Na França, Luís XIV, o Rei Sol, dizia: “O Estado sou eu”. E era mesmo. Mas, dois Luíses depois, os franceses fizeram a revolução, separaram o corpo do rei de sua cabeça e disseram: “O Estado é nosso”. Hoje, esse é um dos maiores dramas franceses. Como o Estado é deles, eles exigem o usufruto do Estado, e sangram o Estado, e o Estado não aguenta mais.

Na Rússia, o Estado também era do czar. Mas os bolcheviques fizeram sua revolução e avisaram ao povo: “Agora, vocês são do Estado”.




Nos Estados Unidos, os pioneiros chegaram à Costa Atlântica e decidiram começar tudo de novo, juntos e em harmonia, sem ninguém acima deles. Assim, todos concordam em cumprir o acordo social, que é o seguinte: todos têm de cumprir a lei.

Seria o ideal, mas os americanos do Sul trouxeram homens negros da África e os escravizaram. Como a proclamada terra da liberdade suportaria a contradição da escravidão? Não suportou. Dilacerou-se na maior guerra civil do planeta, em que morreram mais de 600 mil pessoas. Os negros foram postos abaixo do Estado, e é assim que ainda percebem a realidade. Os negros americanos não se sentem parte do Estado. Exatamente como nós, brasileiros. Mas a melhor fórmula é a dos velhos colonos ingleses. É dizer: “O Estado somos Nós

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Brasil, um país cínico?

Por David Coimbra, em sua página on line.

Charges de HEITOR

Um pouco de roubo
Uns estão lá para roubar, outros roubam para estar lá. Tudo bem, não me importo de ser um pouco roubado. É preciso algum cinismo para viver como brasileiro. Temos, nós, brasileiros, coisas estranhas, como cartórios, por exemplo.

O cartório é o nosso cinismo remunerado. Todo mundo sabe que o cartório não garante a veracidade de nada, mas os cartórios são sempre solicitados e estão sempre lotados. As pessoas pagam por aqueles carimbos e saem de lá não com a sensação de que estão com um documento oficial nas mãos, mas com o alívio de ter cumprido uma dispensável e inútil exigência burocrática.



No sistema anglo-saxão, não existem cartórios. Aqui, nos Estados Unidos, a despeito do cartapácio de documentos que já assinei, precisei num único dia de um notário, e o encontrei atrás do balcão de um banco privado. Como os bancos estão sempre vazios, porque todo mundo usa a internet, saí de lá em quatro minutos. Como tinha conta naquela agência, o trabalho do notário foi gratuito.

Nos países anglo-saxões, eles acreditam na sua palavra. Não tem burocracia e a fiscalização é frouxa. Mas, se você mente, a punição é dura. E certa.



Ao mesmo tempo, assim como há escassa vigilância oficial, qualquer cidadão pode (e exige) vigiar. Vou contar um caso que me deixou perplexo. Foi o tal escândalo dos e-mails da Hillary Clinton. Vi na TV e li nos jornais que ela estava em apuros porque, quando era secretária de Estado, usou seu e-mail privado para se comunicar com os assessores. Fiquei desconcertado. Mas qual é o problema? Entendi só no dia seguinte, quando um articulista do NY Times explicou que a História e o povo americano têm o direito de conhecer o conteúdo das conversas oficiais dos servidores públicos. Isso quase inviabilizou a candidatura de Hillary, imagine.



Dias atrás, havia eleições municipais aqui (por aqui sempre há algum tipo de eleição). Bem. Um americano me perguntou como são as eleições no Brasil. Fiz um resumo e, quando falei do sistema eletrônico de apuração, ele se espantou:

– Como assim? Vocês não veem o voto?

Contei que só 23 pessoas, fechadas em uma sala de Brasília, acompanham a soma digital dos votos. Ele não entendeu nada. Comentou, encantado:

– Como vocês confiam nas suas autoridades…

Não é uma contradição? Nós, que exigimos cartório até para comprar carro usado, somos desprendidos na eleição do presidente do país.



E aí também entra o nosso cinismo: nós fingimos que o processo é confiável para não nos incomodarmos.

Em tempo: não estou dizendo que houve fraude na eleição. Mas sei que, se houvesse, seria difícil de verificar.

O mesmo se dá com as nossas lides administrativas. Lula disse a Mujica, referindo-se ao mensalão:

– É a única forma de governar o Brasil.

Do que falava Lula, ao fim e ao cabo? Do cinismo.

O que foi Mujica, ao ressalvar que seu amigo Lula não é corrupto como Collor, e que processos como o mensalão estão entranhados no Brasil? Cínico.



No fim de semana, o presidente da UTC revelou que sua empresa doou R$ 7,5 milhões ao PT por medo de represálias do governo. Na prática, um tipo de espoliação. Alguma surpresa? Todo mundo sabe do relacionamento espúrio que sempre houve entre empreiteiras e governantes no Brasil. Hoje, os brasileiros se revoltam com isso. Porém, há três anos, quando Dilma pressionou a AG para que o contrato de reforma do Beira-Rio fosse assinado, o Rio Grande se ergueu em aplauso à presidente. Lembro exatamente da bazófia de Dilma na época, em uma ligação para os dirigentes da empresa:

– É o meu Estado, é o meu clube. Vocês não vão sair de lá. Antes, eu vou tirá-los.



Opa! Um presidente se intrometendo no relacionamento de duas empresas privadas? Fazendo ameaças? Com que direito? Com que poder? E os gaúchos sorriam, orgulhosos com essa prova clara de relacionamento promíscuo entre um alto funcionário público e uma empreiteira. Cinismo. Só com cinismo, para se viver como brasileiro. Podem me roubar um pouquinho.