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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Johil Camdeab e as ações do governo Dilma


“Em um momento de aperto fiscal e incerteza sobre cortes no Orçamento federal, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou na manhã deste sábado, 13, que o combate ao zika vírus é uma prioridade nacional e que não faltarão recursos para ações de prevenção, informação e tratamento dos atingidos.” 


“O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu, neste sábado, 13, a aprovação no Congresso Nacional do projeto que recria a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para fortalecer o combate ao mosquito Aedes aegypti. “Temos que ter uma conscientização de que, neste momento que o Brasil vive, a aprovação desse tributo é muito importante. Nós não teremos outra forma de produzir recursos para desenvolver atividades como esta. Na opinião dele, a volta do imposto do cheque é a melhor alternativa para tirar o Brasil da crise.” (Estadão). 




“A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (13) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo objeto de “grande injustiça”. Ela defendeu seu antecessor durante o mutirão de combate a focos do mosquito Aedes aegypti, vetor da zika, dengue e chikungunya, na zona oeste do Rio de Janeiro. “Acho que o presidente Lula está sendo objeto de grande injustiça. Respeito muito a história do presidente Lula. Tenho certeza de que esse é um processo que será superado, porque acredito que o país, a América Latina e o mundo precisam de uma liderança com as características do presidente Lula”, afirmou Dilma.” (MSN Agência Brasil).



“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está consultando advogados de peso para incorporarem a equipe de defesa no caso do sítio de Atibaia (SP), segundo a colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo. A ideia é formar um grupo sênior, com profissionais acostumados a fazer o enfrentamento midiático e político de casos de grande repercussão, além da parte jurídica. (MSN).” 


“Mas Lula, crivado de investigações, não tem nada a lhe oferecer. Mal consegue reunir argumentos para fazer sua própria defesa. Dilma e Lula, que não se viam desde 4 de janeiro, trocaram um abraço de afogados. Afora os devotos do PT e os satélites da legenda, não parece haver muita gente disposta a acudir Lula. Em relação a Dilma, nem o PT exibe a mesma disposição para ajudar. Os especialistas ensinam que a primeira coisa a fazer com os afogados é forçá-los a respirar lentamente. Porém, não havendo ninguém por perto, recomenda-se aos afogados que respirem o mais depressa que puderem.” (Josias de Souza).


“A presidente usava um boné e uma camiseta
 com a inscrição 
“Zika zero”.



“A declaração de que o Brasil está uma bagunça é de Alberto Ramos, chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, em evento em NY. Questões fiscais não são de curto prazo, diz Ramos em evento organizado pela Brazilian American Chamber of Commerce. Goldman Sachs estima contração de 3% do Brasil em 2016. Brasil tem uma crise feia e longa à frente, disse Maria Claudia de Castro, profissional-sênior de investimentos em dívida do Oppenheimer Funds no mesmo evento. País não está respondendo à recessão no tempo adequado, disse diretora-sênior da Fitch, Shelly Shetty, no evento.” (Bloomberg).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Curtas de Lauro Jardim

Curtas de Lauro Jardim.
O Globo


A pira olímpica
O que fazer com a pira olímpica? Essa é uma pergunta ainda sem resposta para a Rio-2016. Tradicionalmente, a pira olímpica é acesa no estádio olímpico e lá permanece até o final dos Jogos.

John Stillwell | AP Photo


Só que no Rio de Janeiro a abertura das Olimpíadas será no Maracanã e não no estádio Olímpico, o Engenhão, onde, aliás, a Federação Internacional de Atletismo prefere que a pira fique.

Há uma ala que defende o Maracanã como pouso da pira; outra prefere o Engenhão. E há uma terceira que imagina a pira num lugar de importância histórica da cidade.

Por essa solução, ela seria acesa no Maracanã e levada ao local.

Por enquanto, problemas técnicos (ou seja, como levar a pira sem apagá-la) impedem essa terceira via, hoje vista com muita simpatia pela cúpula da Rio-2016.




Nos últimos doze meses, 1,2 milhão de brasileiros (de um total de 40 milhões) cortaram seus planos de saúde , de acordo com dados das seguradoras.

Em conversas privadas, Nelson Barbosa vem acenando com a possibilidade de a CPMF que o governo quer ressuscitar ter alíquotas decrescentes, ano após ano, como, aliás, sugeriram os bancos.

O governo de Minas Gerais vê com bons olhos a volta da operação da Samarco ainda este ano. O que o motiva é, sobretudo, a arrecadação de impostos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Para não dizer que não falei das flores

Por Benjamin Steinbruch.

Para não dizer que não falei das flores
O Banco Central, liderado pelo seu presidente, Alexandre Tombini, tomou uma decisão acertada ao se recusar a aumentar, no fim de janeiro, a taxa básica de juros, que já é bastante elevada no país, 14,25% ao ano.

Não havia nenhuma lógica em aumentar a taxa naquele momento. Nem por razões internas nem por causa do cenário global. O mundo todo trabalha com juro zero e até negativo, como é o caso do Japão, e persiste uma tendência claramente deflacionista na economia, com o petróleo e as commodities industriais em níveis de preços assustadoramente baixos.


Arte de PAIXÃO


Internamente, a inflação ainda preocupa, mas nem os mais fanáticos monetaristas acreditam que ela seja provocada por excesso de demanda que justifique uma alta dos juros. A economia brasileira está em recessão profunda -o PIB deve ter caído 3,7% no ano passado-, o desemprego aumenta para níveis muito preocupantes, passando de 10% em grandes centros urbanos, a indústria amargou perda de produção de 8,3% no ano passado e até a atividade no setor de serviços está em queda.




Apesar desse cenário que torna inadmissível a alta dos juros, Tombini foi massacrado por analistas do mercado financeiro, que tiveram frustrada sua expectativa de uma elevação de 0,25 ponto percentual na Selic.

Segundo as críticas, Tombini teria quebrado uma tradição do Banco Central ao divulgar uma nota na véspera da decisão alertando para o fato de que "todas as informações econômicas relevantes até a reunião do Copom seriam consideradas na decisão do colegiado".


Arte de PELICANO


Para os críticos, Tombini teria cometido um grave erro ao contrariar o mercado, porque colocou em jogo sua credibilidade. Isso não faz sentido. Ele colocaria em jogo sua credibilidade e independência se, num momento como este, cedesse à pressão do mercado e elevasse a taxa de juros, a despeito das informações sobre a continuidade da recessão brasileira e das previsões de agravamento da crise mundial no segundo semestre.




Mais do que isso, o Banco Central do Brasil seria motivo de chacota mundial. No início do ano, não custa lembrar, o economista-chefe para a América Latina da Standard & Poor's, Joaquín A. Cottani, sugeriu em artigo que o BC cortasse a taxa Selic pela metade, para 7,5%, medida que, segundo ele, poderia reduzir o deficit fiscal de 9,5% para 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) durante o curso de dois anos.


Arte de OLIVEIRA


Tombini ficou incomodado com a reação contrária de analistas do mercado e com a falta de apoio de setores que tradicionalmente defendem a queda dos juros. As críticas foram cruéis ao levantar suspeitas de que ele cedera a pressões da presidente Dilma Rousseff, com quem havia se reunido dias antes. "Ninguém me mandou flores", brincou o presidente do BC.

O fato é que os dados da semana passada sobre a economia mundial indicaram que Alexandre Tombini e os diretores do Banco Central acertaram em cheio na decisão de não aumentar os juros em janeiro. Deveriam agora começar a baixá-los.




Tomo emprestado, nesta Terça-Feira Gorda, versos nada carnavalescos de Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". E, pra não dizer que não falei das flores, Tombini e a diretoria do Banco Central deveriam receber um caminhão de rosas vermelhas, com um bilhete: "Que não seja por falta de flores!".

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Bolsa perde US$ 1 trilhão em valor de mercado

Fonte O Financista

Bolsa perde US$ 1 trilhão em valor de mercado durante governo Dilma
Somadas, todas as empresas brasileiras de capital aberto valem menos que a Apple

O mau humor do mercado em relação à presidente Dilma Rousseff ganhou mais um número: US$ 1 trilhão. Isso é quanto as 300 empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) se desvalorizaram, durante seu governo, segundo a consultoria Economática. A petista assumiu o primeiro mandato em 1º de janeiro de 2011. Poucos meses depois, em abril, a bolsa chegou ao seu maior nível, com as companhias totalizando US$ 1,531 trilhão.



Desde então, apesar de alguns soluços, a Bovespa entrou em queda livre. Na última sexta-feira (18), em meio à expectativa de que o país perderia seu segundo selo de bom pagador (o chamado grau de investimento), a bolsa fechou com forte queda de 2,65%. Com isso, o valor total das companhias caiu para apenas US$ 515 bilhões.

Para se ter uma ideia do que isso representa, as 300 companhias da bolsa brasileira não valem, juntas, a Apple, a badalada empresa fundada por Steve Jobs e criadora de aparelhos como o iPhone e o iPad. Hoje, seu valor de mercado é de US$ 656 bilhões. De acordo com a Economática, o preço da bolsa brasileira é o mais baixo desde dezembro de 2005, quando valia US$ 447 bilhões.



De acordo com a Economática, parte dessa desvalorização brasileira deve-se à disparada do dólar. Nos 54 meses analisados pela consultoria, a moeda americana subiu 134%. Isso cria outro embaraço: a bolsa brasileira está muito próxima de ficar menor que a do México. Com 121 companhias listadas, a bolsa mexicana vale US$ 497 bilhões. Ou seja: o Brasil está apenas 3,4% acima.

Dilma Rousseff leva o país para o buraco

Por Alex Campos.

O primeiro governo Dilma foi marcado por poucas ideias boas.

E o segundo governo Dilma já está marcado por muitas ideias ruins.

Por isso, depois de desperdiçar as ideias boas e experimentar as ideias ruins, sobrou aquilo que é capaz de unir direita e esquerda e de confraternizar boçais e soberanos: mais impostos, outros impostos e aumentos de impostos.



Já subiram o IPI dos computadores e a CSLL dos bancos, seguradoras e cartões de crédito.

O apetite agora está em cima da volta da CPMF, que nem de longe é o pior dos impostos.

O problema da CPMF é ser mais um dos 70 impostos que fazem pesar a nossa carga tributária e o nosso carma tributário.

O fato é que o Congresso não parece a fim de colaborar.

Até ministros e petistas reconhecem as dificuldades de se ressuscitar um tributo-tapa-buraco.

Arte de HUBERT


E é mesmo improvável que deputados e senadores trabalhem a favor de uma administração pública sem rumo político, sem apoio popular, sem agenda econômica, sem proposta de reconciliação e sem liderança nacional confiável.

Enfim, o governo tem muitas certezas na direção de muitos fracassos.

É hora de experimentar alguma dúvida visando algum sucesso.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Por Alex Campos para o JB


Em troca da CPMF, Dilma corta as unhas
Só faltou os ministros Levy e Barbosa anunciarem o seguinte: em vez de cortar gastos, a presidente vai cortar as "unhas" em troca da CPMF e vai cortar os "cabelos" em troca de mais impostos.

Foi prometida agora uma economia de 26 bilhões de reais.

Arte de PAIXÃO


O problema é que não dá pra confiar num governo até hoje incapaz de um pequeno gesto com grande simbolismo - que seria reconhecer seus erros e se desculpar por eles.

O principal não veio!

Eram esperadas medidas objetivas para reduzir os abusos, excessos e exageros, que formam o tripé oficial do desequilíbrio nas contas públicas.

Na prática, o pacote da Dilma só empurra com a barriga: empurra a conta pra cima dos contribuintes, empurra a responsabilidade pra cima do Congresso e empurra a suposta solução pra cima do imponderável, do improvável ou do impossível.

Não há mais como ampliar os limites da arrecadação, sem fixar limites para as despesas. 

Se era para acabar em impostos, mais impostos e 'mais e mais impostos', não precisava a Dilma ter chamado o Levy.

Bastava manter a submissão do Mantega.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Dilma Rousseff parece uma biruta, literalmente

Editorial de O ESTADÃO em 01SET


A biruta
A presidente Dilma Rousseff não sabe o que quer. Como uma biruta, vai para o lado que o vento sopra. Toma decisões de dia e recua delas à noite, quer porque se mostram inexequíveis, quer porque tendem a aprofundar seu isolamento político, ou quer simplesmente porque são estapafúrdias, fruto de sua já proverbial incompetência. A desastrada tentativa de restabelecimento da CPMF é apenas o último de uma imensa série de zigue-zagues de Dilma, incapaz de transmitir o mínimo de segurança e firmeza que se exige de quem ocupa a Presidência da República, especialmente em tempos de crise.



Não surpreende que esteja disseminada a sensação de que o governo petista é uma nau sem rumo. Às vezes bastam apenas algumas horas para que a presidente tresande, e aquilo que era líquido e certo se transforme em um retumbante nada. Exemplos não faltam.

No começo do ano, quando já estava claro que teria de mexer em benefícios sociais para conseguir fechar a conta, Dilma informou que pretendia endurecer a concessão do seguro-desemprego. Diante da gritaria das centrais sindicais e até de ministros petistas de raiz, Dilma achou melhor recuar, desfigurando uma das primeiras medidas do ajuste fiscal.



Na mesma toada, a presidente havia decidido recentemente adiar para dezembro o pagamento do 13.º salário dos aposentados, cuja primeira parcela há nove anos vinha sendo paga em agosto; poucos dias depois, ela voltou atrás e mandou pagar a parcela de uma só vez, em setembro. Incapaz de definir prioridades, Dilma não se viu em condições de enfrentar a chiadeira dos aposentados.

Há casos dignos de antologia, como o “recuo do recuo” em relação ao sigilo eterno de documentos oficiais – primeiro ela defendeu o fim do sigilo; depois, voltou atrás; em seguida, tornou a defender. Também é inesquecível sua defesa apaixonada de uma mirabolante Constituinte exclusiva para a reforma política, ideia rapidamente abandonada – para o bem do País, é bom que se diga.



A indefinição crônica de Dilma contamina suas decisões, das pequenas às grandes. Como esquecer que a presidente levou inacreditáveis oito meses e meio para indicar um ministro do Supremo Tribunal Federal? Como não notar que as regras para as concessões e privatizações mudam conforme as idiossincrasias de Dilma, gerando insegurança jurídica e desinteresse das empresas?

Dentre todas as lambanças, porém, a da CPMF é particularmente grave porque denota o desespero de uma governante diante do estrago que sua administração fez nas contas nacionais e também sua inaptidão para interpretar um cenário político totalmente avesso a iniciativas como essa. Como o governo não consegue cortar gastos para reequilibrar suas finanças, Dilma resolveu avançar ainda mais no bolso dos brasileiros, tungando-lhes um naco de cada transferência de dinheiro – uma óbvia aberração tributária, com a qual o País espera nunca mais ter de conviver.

Arte de DALCIO


Bem ao estilo dilmista, a ideia vazou antes da hora e, ao chegar ao conhecimento do distinto público, gerou as esperadas reações de repúdio por parte de empresários, políticos e contribuintes em geral. Bastaram três dias para que alertassem a presidente do óbvio: que a recriação da CPMF seria a pá de cal política em seu já cambaleante governo.

Nesse meio tempo, porém, Dilma – num grau de alheamento da realidade difícil de ser superado – acreditou que, mesmo tendo apenas um mísero dígito de popularidade, conseguiria convencer os governadores e o Congresso a dividir com ela o ônus do novo imposto, cuja única serventia era cobrir o rombo criado pelos delírios estatistas do lulopetismo.

Arte de RONALDO

Ao ser informada pelo vice-presidente Michel Temer de que a CPMF não passaria de jeito nenhum no Congresso, coisa que até os faxineiros do Planalto já intuíam, Dilma mandou dizer que desistiu do imposto. E anunciou o primeiro orçamento deficitário da história do Brasil. Parecia pirraça. Do episódio, restou a constatação, a esta altura já óbvia, de que a principal habilidade da presidente é piorar o que já está muito ruim.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Levy saiu do prazo de garantia

Por Elio Gaspari.
Folha em 02SET



Levy saiu do prazo de garantia
O Joaquim Levy "mãos de tesoura" não existe mais. Havia algo de fantasia na figura do banqueiro sorridente e severo que daria um novo rumo ao desastre econômico produzido pela doutora Dilma. Ele parecia o tal porque todo ministro da Fazenda que entra é o imperador Napoleão chegando a Moscou. Quando as coisas dão errado, a menos que vá embora porque não aguenta mais, sai como o general Bonaparte, ferrado, voltando para Paris.

Arte de AROEIRA

Levy saiu do prazo de garantia. Não é mais o que seria, mas, na verdade, nunca chegou a sê-lo. Resta saber qual o prazo que lhe resta para sair do prazo de validade. Guido Mantega, seu antecessor, nunca teve certificado de garantia ou de validade e tornou-se o primeiro caso de ministro apreendido, publicamente dispensado em setembro para deixar o cargo em janeiro.

Levy sempre foi um estranho no "bunker" dos comissários. O que ninguém esperava é que fritassem a gestão da economia com episódios vulgares. O senador Renan Calheiros, genericamente abençoado pelo Planalto, propôs cobrar o atendimento no SUS. Dois dias depois, desistiu. O ministro Nelson Barbosa soltou a ideia do retorno da CPMF. Durou dois dias e o recuo se deu enquanto Levy defendia a medida numa palestra em Campos de Jordão. Nesse episódio encapsula-se algo maior. Faltou alguém que lhe mandasse ao menos um tuíte: "Saltamos da CPMF".

Arte de EDCARLOS


Coisas desse tipo só acontecem quando outras coisas já aconteceram. Mandar ao Congresso um Orçamento prevendo um deficit de R$ 30,5 bilhões sem dizer mais nada é uma cenografia irresponsável. O que o governo chama de uma peça realista e transparente significa apenas que parou de mentir.

Se um presidente e seu ministro da Fazenda caminham na mesma direção, as coisas podem funcionar. Isso sucedeu com Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, ou com FHC e Pedro Malan. Dilma e Guido Mantega mostraram que essa regra é falível, pois formaram uma inédita dupla de fracasso. Quando caminham em direções diferentes, não há a menor chance de dar certo.

Arte de BENETT


Levy já se deu conta de que se meteu numa encrenca. Tendo perdido a garantia, fica diante do risco de uma característica dos ministros com validade vencida. Quando ela caduca, a iniciativa de ir embora sai das suas mãos. Transformado em lenço de papel, acaba voltando para casa e seu sucessor é homenageado pela Fiesp, com direito a um jantar no Alvorada com os empresários habituais.

Entre esses dois momentos, todos os ministros vivem num dilema. Percebem que chegou a hora de ir embora, mas temem que isso piore a situação do país, o que nem sempre é verdade. A maioria fica e pioram os dois.

Arte de SID


Assim como Dilma nunca se associou à Operação Lava Jato ("não respeito delator") ela nunca se associou a Levy. De certa maneira, nem ele a ela. Contudo, adotou o mantra roussefiano da "crise transitória". Isso não quer dizer nada, pois tudo é transitório, inclusive os dois e até mesmo a rainha Elizabeth 2ª.

As pedaladas retóricas em que se meteram Dilma e Levy colocam o país diante de um retorno ao pesadelo que foi a Década Perdida. Não se sabe direito quando ela começou, mas terminou em 1993 quando o presidente Itamar Franco botou Fernando Henrique Cardoso no ministério da Fazenda e os dois andaram juntos.


sábado, 29 de agosto de 2015

A volta da CPMF é uma "ideia de jerico"

Por Helio Gurovitz.


A volta da CPMF é uma "ideia de jerico"
A extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), em 2007, foi a primeira derrota de relevo do governo petista. Numa atitude digna de aplauso, o Congresso Nacional, um poder até aquele momento subserviente ao Planalto, devolveu à sociedade cerca de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) que o tributo retirava. O aumento de impostos, saída canônica adotada por governos de qualquer orientação ideológica e partidária para equilibrar suas contas, foi também condenado de forma inequívoca pela primeira vez desde a redemocratização.

Arte de LUSCAR


Diante da situação dramática das contas do governo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, fez ontem uma proposta que só pode ser qualificada como "ideia de jerico": restaurar o tributo de 0,38% sobre as transações bancárias e financeiras. Há outras propostas em tramitação no Congresso para aumentar a contribuição sobre o lucro das empresas, elevar a arrecadação do PIS/Cofins e a criar novos impostos sobre dívidas com a receita federal. A pauta-bomba no Congresso promete dezenas de bilhões de reais novas despesas podem ser criadas – e as receitas terão de vir de algum lugar. Naturalmente, nossos políticos recorrem à velha saída, aumentar impostos para arrecadar mais (a CMPF traria, pelas contas do governo, mais R$ 80 bilhões anuais).

Arte de PAIXÃO


O desequilíbrio nas contas públicas precisa ser resolvido, não há dúvida. Criar novos impostos, porém, é a solução fácil e errada para o problema. É preciso encarar a colossal máquina que drena todo ano quase 40% de tudo o que produzimos e devolve em troca serviços de péssima qualidade. Os americanos criaram uma expressão para representar essa necessidade de domar o Leviatã estatal: “starve the beast”, matar o animal de fome. É disso que precisamos.

Nos Estados Unidos, candidatos que falam em aumentar impostos são execrados – há até um compromisso de não criar mais taxas, formulado por Grover Norquist, que todo republicano tem de subscrever se quiser ter alguma chance no partido. Por aqui, a população parece não se dar conta do dinheiro que sai do seu bolso para sustentar um governo que, quando não é corrupto, acaba sendo simplesmente inepto para prover os serviços básicos de educação, saúde, segurança e Justiça.

Arte de MARIANO


A crise econômica deverá se estender por pelo menos mais dois anos. A inflação ainda não cedeu aos movimentos do Banco Central e consome os recursos que todos temos no bolso. O crescimento econômico está, segundo as previsões do mercado, prejudicado pelo menos até 2018, graças à incompetência do governo petista para manter ordem nas contas públicas, no primeiro mandato do governo da presidente DIlma Rousseff.

É evidente que a solução canônica, o aumento de impostos, jamais funcionou. Só contribui para manter nossa economia patinando em seus eternos voos de galinha – nunca decola e sempre desaba. Que tal, então, já que vivemos uma crise política sem precedente, tentar uma solução diferente desta vez? Que tal menos impostos? Menos estatais? Menos funcionários públicos? Menos gigantismo? Menos obras faraônicas? O Brasil nunca teve um governo liberal de verdade – quem chama o PSDB de “neoliberal” só esquece que houve um enorme salto na carga tributária durante o governo Fernando Henrique. Que tal fazer uma tentativa?

Arte de SPONHOLZ


Será que precisaremos de um Tea Party aqui também para deixar claro a quem respira os ares secos de Brasília – que parecem extrair oxigênio do cérebro de quem lá respira – o ponto a que a situação chegou? Será que o governo não entende o recado dos centenas de milhares de pessoas que foram às ruas este ano? Senhora presidente, senhores ministros, senhores congressistas, no nosso bolso não está sobrando dinheiro, não. Nós queremos que vocês devolvam um pedaço do que já tiram de lá – não que tirem mais. Será tão difícil assim de entender?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

CPMF - A volta dos que não foram!


Maioria, para isso ?
Como se sabe, um dos argumentos para motivar os eleitores a votarem em Dilma era de que ela teria maioria no Congresso. Argumento forte, porque reconhecidamente o fisiologismo impera em nosso Legislativo. E se o governante, aparentemente (alguém põe a mão no fogo ?), já tem maioria, tanto melhor.

Ocorre, no entanto, que ter maioria não significa ter salvo-conduto para perpetração de toda sorte de patacoadas. Todavia, pelas últimas declarações dadas pelo atual presidente e por sua sucessora, não parece que isso esteja bem claro. De fato, as notícias de que se pretende ressuscitar a CPMF demonstram um desapego com a realidade, coisa de quem se acha onipotente.


Renato

Falecida em boa hora, do tipo daquelas que sem pudor algum falamos que "já vai tarde", a CPMF era uma nefasta contribuição criada pelo simplismo tributário tupiniquim. Resumindo, faz-se das instituições financeiras uma coletoria, e morde-se de tudo quanto é lado.

O consumidor, coitado, não percebe que é ele, no fim, que fica prejudicado, pois toda a CPMF que o empresário paga, nas idas e vindas com os fornecedores, enfia no preço do produto, e ele [consumidor], na ponta, paga duas vezes (no custo do produto, e quando desembolsa o valor da compra).


Miguel


Haja ridicularia. Como se não bastasse, querem ainda fazer crer que a arrecadação era e será destinada à saúde. Sei. Quanto a isso, não vale nem perder tempo em argumentação.

Mas o fato é que, quando a CMPF caiu, o governo tomou imediatas medidas para compensar, elevando a contribuição dos bancos sobre o lucro líquido e aumentando as alíquotas do IOF nas operações de compra de moeda estrangeira, na contratação de seguros e nos empréstimos a pessoas físicas.


Amarildo

Desde então, a arrecadação tributária vem batendo recordes. Dessa forma, esse ensaio, que certamente será baldado, de se recriar a CPMF (venha com o nome que vier) é na verdade uma tentativa da próxima presidente de se evitar o ajuste fiscal que, consoante ressabido, ela terá de fazer.

Ou seja, cortar gastos, algo que pode eventualmente tisnar sua até agora incólume popularidade. Governar, entretanto, é isso, fazer escolhas.


JBosco

E a presidente Dilma faria boa escolha se ao invés de entrar nessa luta estulta pela volta da CPMF dirigisse suas baterias - com sua propalada maioria - para que seja feita uma reforma tributária responsável e que traduza a modernidade de nossa economia.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Xô, CPMF!

Por Ralph J. Hofmann
Transcrito do Prosa e Política


Visceral

Num país como o Brasil qualquer papo de aumentar colocar ou recolocar um imposto deveria ter uma resposta visceral. Não!!

Quando foi proposto o CPMF todos sabiam que era mais uma taxa que seria recolhida ao tesouro e seria usada da forma que aprouvesse aos burocratas, inclusive se destinaria a inchar a burocracia.
Quando o CPMF foi extinto ninguém soube citar em sua defesa um só argumento de peso quanto a ter sido usado para a saúde. Os números eram tão pífios que citá-los poderia submeter o defensor da contribuição ao ridículo. Ficaram gaguejando, levantando nuvens de poeira, mas perderam.

Lute

A insistência em trazer este imposto à tona nos leva a pensar que as malandragens perpetradas com este dinheiro devem ser ainda maiores do que achávamos, pois a arrecadação do governo neste período sem CPMF teve acréscimos que mais do que compensariam sua perda.

Num país em que a arrecadação a cada ano quebra recordes em termos percentuais, falar em qualquer tipo novo de arrecadação deveria ser falar da corda na casa do enforcado. E tem mais, muito pouca gente não usa conta bancária hoje. Todos têm ao menos um cartão de débito.

Sinceramente este é um país incompreensível! Por que os governadores que estão repondo o CPMF ainda estão andando com suas duas pernas? Por que os estudantes estão passivos? Por que os sindicatos estão passivos?

Ivan Cabral

É porque este é o país onde nada é o que parece. Se tivesse classe média conforme (diz)  Lula, esta classe média estaria defendendo seus vencimentos contra os impostos confiscatórios.

Vamos fazer uma proposta. Volta o CPMF, no mesmo valor original, e os governos, estadual e federal abrem mão de 1/3 do IPI e 1/3 do ICMS. Em compensação os governos municipais recebem o direito de instituir um imposto no valor de 1/10 do ICMS e 1/10 do IPI. Mas ficariam obrigados a gastar em saúde e medicina.

E fica combinado que quem pedir a CPMF ou o imposto que seja sem alguma concessão polpuda ao contribuinte poderá ser fuzilado ou enforcado sem direito a julgamento, assim como era feito com os antigos salteadores de estrada.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Traição

O presidente em exercício do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante Junior, criticou hoje duramente a postura do PSDB no Senado, cujo líder, senador Arthur Virgilio (AM), admitiu em entrevista que pode negociar com o governo para ressuscitar a CPMF, rejeitada na véspera pelo partido.
"A Nação se sente traída por esse tipo de postura, porque dorme com uma realidade em que a oposição demonstra força - e isso é bom para o fortalecimento da democracia -, mas no dia seguinte essa mesma oposição, que fora vitoriosa, reconhece que não deveria ser vitoriosa", afirmou Ophir.