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segunda-feira, 14 de março de 2016

O Brasil Vai MUDAR!

Por Aristóteles Moreira.
Recebido por e-mail


O Brasil Vai MUDAR! 
Amigos, Amigas,

Eu nunca votei em Lula, nem em Dilma e muito menos no PT. Alguns amigos sim votaram, e eu os perdoo. Sim porque a intenção deles era eleger alguém confiável, alguém que ao menos, se não pudesse realizar muito, pudesse dar o exemplo. 

As consequências estão aí, o único termo que posso usar é: NEFASTAS! 

Arte de SPONHOLZ


Porque nunca votei neles? Em Lula, porque meus pais nos educaram, a mim e a meus irmãos, às vezes com carinho, às vezes com castigo, que a única forma de progredir na vida era através dos estudos. E assim conseguiram formar três engenheiros, uma bióloga, uma farmacêutica e um técnico. Um salto para quem tinha o primário. 

Não votei em Dilma porque era a continuidade de Lula, porque era nítido que não teria capacidade de governar o país, porque me transmitia falsidade e, finalmente, porque era petista. 

Arte de NANI


E nunca votei no PT porque não conheço nenhum sindicalista trabalhador. Sabemos que a destruição que essa gente promoveu no país, está jogando na pobreza, não os ricos ou a classe média e sim os mais humildes e suas esperanças. Destruíram a economia, as indústrias, a Petrobrás, os Fundos de Pensão, não concluíram nenhuma obra importante de infraestrutura, promoveram a inflação, e finalmente, através de suas cartilhas indecentes, tentam destruir a família. 

Por qualquer cálculo, por mais simplista que seja, se chegará a absurdos bilhões de reais entre roubos e desperdícios. Sim, é gente perdulária! Para eles não há relação entre esforço e o valor do dinheiro! Mas, bilhões é pouco, considerando as perdas do PIB, chegaremos à casa dos trilhões de reais. 

Arte de PAIXÃO


Uma coisa me intriga. Como grandes empresários, com seus Conselhos de Administração e Consultivo, se deixaram liderar por um sujeito, que não consigo encontrar adjetivo para nomeá-lo, além disso, financiando sistematicamente campanhas para grupos de políticos incompetentes e desonestos, que exigiam subornos? 

Considerando ainda que esta gente se articulava com estas republiquetas bolivarianas e promoviam encontros doutrinários no tal Foro de São Paulo. Como é possível que estes grandes empresários arrodeados de homens de conhecimento, nas várias atividades humanas, se uniram para levar a cabo tamanho descalabro? 

Sinceramente, não encontro uma resposta plausível. Entretanto, tenham certeza, o Brasil vai MUDAR! 

Arte de PELICANO


E mais, o Lava Jato atravessará fronteiras. Não no aspecto midiático, como já está sendo, mas influenciará o continente e além-mar, promovendo uma mudança significativa nos sistemas de controle policial internacional, nos ministérios públicos e finalmente haverá uma mudança de atitude na ÉTICA. 

O Lava Jato estabelecerá um novo PARADIGMA na Gestão Pública, na Gestão Privada, na relação Público-Privado, na classe política, na classe trabalhadora e na cidadania em todos seus extratos sociais. 

Parabéns a Polícia Federal, Parabéns ao Ministério Público, Parabéns ao exemplar Magistrado, Excelentíssimo Juiz Sergio Moro! 



Não me surpreende a conduta deste homem porque, tendo pais educadores, sua formação só poderia resultar em competência, integridade, respeito e justiça.

Estes homens, exemplos de servidores públicos, que enfrentam este grande desafio, são nossa fonte de inspiração para que nossa Nação deixe de acreditar no velho chavão, repetido incansavelmente, que o Brasil nunca mudará, pois sempre foi assim. 

Mudaremos sim, e amanhã, 13 de março de 2016, o Brasil iniciará sua libertação deste trágico acontecimento que foi Lula, Dilma e o PT. E que feliz coincidência, 13 também foi o dia da promulgação da lei que abolia a escravatura no Brasil, 13 de maio de 1888. 



Amanhã caminharemos unidos, pacificamente, de mãos dadas, pelas ruas de todo o Brasil, formando uma grande mancha verde, azul e amarela, como a nossa bandeira, com a confiança de encerrar um ciclo de terror e vergonha e iniciar um novo ciclo, com esperança e otimismo, de ORDEM E PROGRESSO! 

Aristoteles Moreira 
Um cidadão brasileiro


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A divisão do Brasil e as eleições

Por David Coimbra

Crônicas



A divisão do Brasil e as eleições
Uma eleição para a presidência da República não deveria despertar tantas paixões. Desperta porque o Brasil está torto administrativa e filosoficamente.

O resultado da eleição demonstra isso. A divisão do Brasil em dois demonstra isso. Essa divisão não é ruim. Nem boa. É natural. É impossível que um país desse tamanho não tenha profundas diferenças entre suas regiões.

Um seringueiro do Acre tem necessidades e pleitos diferentes de um pequeno agricultor da Serra gaúcha. O sertão de Minas é diferente do litoral catarinense.

Isso não quer dizer que um seja melhor do que outro. Nem quer dizer que o país deveria ser dividido em vários países. Quer dizer, apenas, que as diferenças precisam ser respeitadas. O Brasil não respeita as diferenças das suas diversas populações. Donde, a justa revolta de quem se vê suplantado no voto por uma pequena maioria.

As manifestações preconceituosas contra os nordestinos, os xingamentos, os insultos, tudo aquilo é bobagem. É irrelevante. Eu, aqui, quando escrevo algo com que você concorda, você me chama de gênio. Quando escrevo algo do que você discorda, você me chama de imbecil. Não posso me enfatuar quando sou chamado de gênio, nem me deprimir quando sou chamado de imbecil. Tenho de compreender que as pessoa se aferram às suas opiniões e que as defendem de todas as formas, mesmo formas que, volta e meia, não são as mais sensatas. Tenho de compreender que, neste mundo de redes sociais, todos estão expostos à sua própria tolice. Antes, só os jornalistas escancaravam sua própria tolice. Agora, ser tolo está ao alcance de todos.

Um Brasil que realmente fosse uma federação atenuaria muitos desses conflitos. O país deveria dar autonomia e liberdade para estados e municípios resolverem seus próprios problemas.

Vou dar argumentos técnicos, não políticos: os municípios arrecadam impostos, mandam dinheiro para o governo central, que devolve parte para os municípios, sobretudo em forma de programas, que é a maneira como se administra o Brasil. Não tem lógica. É burocrático, ineficiente e facilita a corrupção. Nesse caminho de ida a Brasília e retorno para o município, muito dinheiro se esvai.

Você sabe quantos programas para municípios existem no governo federal? 229. Duzentos e vinte e nove.

Entre esses, programas como o “Arca de Letras”, “Cultura Afro-Brasileira”, “Artesanato Brasileiro”, “Feira do Peixe”, “Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil”, “Brasil Quilombola” e até um com designação muitíssimo apropriada, “Olho Vivo no Dinheiro”.

Olho vivo no dinheiro, de fato. Todos esses programas necessitam de quem os administre, mais seus assessores, secretárias, sedes, carros, material de escritório etc. São estruturas dispendiosas e muito suscetíveis à corrupção.

Então, o Brasil funciona assim: um prefeito identifica que, na sua cidade, é preciso asfaltar determinada rua. Ele vai a Brasília, ou manda um deputado aliado ir a Brasília para pedir recursos. Esses recursos, se aprovados, são enviados através de um desses programas. Só que, não raro, para que os recursos sejam liberados, o deputado se compromete a apoiar determinada demanda do governo no Congresso.

Está criada a espiral da corrupção.

Agora vou contar como funciona num país em que a federação existe de fato, em que cada estado e município tem autonomia e independência, sem que se descaracterize a união: os Estados Unidos, país tão grande e complexo quanto o Brasil.

Vamos pegar duas áreas fundamentais para o cidadão: educação e segurança pública.

Nos Estados Unidos, a educação e a segurança são municipais. A polícia de cada cidade conhece os bairros, os moradores e os seus problemas. Os moradores da cidade também conhecem os policiais, e sabem como trabalham.

Na educação, os, digamos, primeiro e segundo graus são públicos e gratuitos. As escolas públicas são ótimas, até melhores do que as privadas. Já as universidades são todas pagas, inclusive as públicas. Mas os pais não pagam as faculdades dos filhos: os filhos pagam depois de formados e só depois de já estarem empregados, com uma espécie de crédito educativo que se estende por boa parte da vida, como uma prestação de casa própria. Só que todos, ricos ou pobres, chegam às universidades com condições iguais, porque a educação básica e fundamental é excelente.

A escola do meu filho é totalmente gratuita, inclusive o material, os cadernos, lápis de cor, canetas. Pela refeição, pagamos 3 dólares por dia. Se não tivéssemos condições de pagar isso, mandaríamos uma carta para a escola e a alimentação seria gratuita. Os alunos também têm direito a assistência médica gratuita, até os 18 anos.

Outro dia, nos chamaram para falar da reforma da escola. Era uma reunião com todos os pais. Foi apresentado o orçamento já aprovado para a reforma: 98 milhões de dólares, cerca de 250 milhões de reais, bancados pelo imposto municipal.

Esse dinheiro não foi para Washington para voltar como um programa. Foi arrecadado pelo município, investido no município e será fiscalizado pela sociedade civil, pelo cidadão, pelos pais que viram para onde vai o dinheiro, como será gasto e quando.

Os programas do governo federal brasileiro parecem lindos e bem intencionados, mas são apenas instrumentos de poder do reizinho de Brasília, são mecanismos burocráticos, que aumentam os gastos públicos e facilitam a corrupção, para não dizer que a estimulam.

 O programa tem de ser eventual, para resolver problemas de escassez ou pobreza que, aí sim, requerem intervenção federal e distribuição de imposto. A União não tem de deixar de arrecadas: tem de arrecadar menos.

Todo esse sistema é terrível para o país, mas é muito caro ao governo central, porque dá poder, dá instrumentos de barganha política, de distribuição de cargos e favores. Isso é fruto do paternalismo criado lá na ditadura Vargas, que se estende filosoficamente (e administrativamente, e materialmente) até hoje no Brasil.

O Brasil não precisa de salvadores da pátria, os pobres não precisam de heróis ou de defensores, nem de um governo benevolente. Não, não, quando alguém disser que é defensor dos pobres, fuja dele. É um demagogo que só fará mal ao país. O cidadão brasileiro precisa, sim, de um Estado que proteja os mais fracos e permita que todos tenham as mesmas chances. Precisa que a independência, a iniciativa pessoal e a criatividade sejam incentivadas. Precisa de bom senso.

Extraído do livro A Graça de falar do PT & Outras histórias

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Nuvens e cinzas sobre o país, as eleições vem aí

Porandubas de  Gaudêncio Torquato
Migalhas
Charges de NEWTON SILVA

Nuvens e cinzas sobre o país
O Brasil atravessará tempos sombrios. A economia não dará sinais de recuperação tão cedo. A projeção é a de que o adensamento da crise ainda está por vir. As observações convergem para os meados do 1º semestre de 2016. Nesse momento, o cenário poderá exibir este quadro : desemprego em alta, ultrapassando a casa dos 10% ; inflação, idem ; contingentes da classe C descendo para o andar da classe D ; manifestações voltando às ruas em início do processo eleitoral ; governo tenta imprimir agenda positiva ; empresariado sob inteiro desânimo. Vejamos, quais, os principais tipos de nuvens e cinzas que cobrirão o país.



Autoestima em baixa
A autoestima dos brasileiros diminui sob o impacto das grandes necessidades. O sentimento de perda de posições e ganhos atingirá estratos da base e do meio da pirâmide. Esse sentimento criará ondas de pessimismo, que poderão atingir as bases da harmonia social. O desalento é a mãe do pessimismo. O brasileiro pessimista é um ponto fora da curva.

Violência
O mapa da violência, na esteira das grandes necessidades, deverá se ampliar, particularmente na esfera de assaltos e roubos nos espaços das concentrações populares. O combate à violência, por seu lado, se desenvolverá com os braços enfraquecidos dos Estados, às voltas com falta de recursos, obsolescência de equipamentos e estruturas policiais.



Vazio
A crise começa a bater forte no ânimo social. Espraia-se um imenso vazio, a denotar desânimo, inutilidade, falta de rumo, confusão, sentimento de perda. Amostra do desvanecimento moral.

Agitação periférica
As margens tendem a dar respostas mais tempestivas aos momentos. Tensas e sob a pressão de demandas crescentes, tendem a entrar em ebulição diante de situações caóticas, como deterioração dos serviços públicos - paralisações dos transportes urbanos, filas em estabelecimentos hospitalares, escolas desaparelhadas, etc. Cenas de quebra-quebra e devastação de espaços públicos poderão se inserir na paisagem.



As pedras do meio do lago
As classes médias abrirão suas tubas de ressonância sob as demandas e pressões que também as atingirão. O encarecimento da vida com o aperto econômico também impactarão a classe média-média, que deverá usar seu tradicional instrumento : a expressão. A classe média-média age como a pedra jogada no meio do lago : cria marolas e estas rolam até as margens. A campanha eleitoral de 2016 se dará sob o barulho da orquestra tocada no meio da sociedade.



Messianismo nas margens
Por descrédito e desconfiança, os contingentes massivos das margens podem avolumar eventuais perfis messiânicos que, em anos eleitorais, costumam se apresentar aos eleitores. Esse é o lado perigoso da crise na perspectiva eleitoral. As massas tendem a correr atrás de salvadores da pátria, bombeiros de plantão, imitadores de São Jorge com a espada para atacar o dragão da maldade. Felizmente, um ou outro messiânico que se vê por aqui e alhures estão com os costados abertos pelas lâminas da operação Lava Jato.



Os limpos
O perfil mais limpo, menos poluído, tende a ser contraponto às figuras messiânicas. O asséptico é, geralmente, um perfil que vem de fora da política tradicional, tem meia idade, não é carcomido pelos escândalos e, em suas veias, ainda corre sangue puro. Inovadores, bons administradores, são os tipos que podem elevar a campanha eleitoral de 2016.

O dominó
A imagem é conhecida. A primeira pedra do dominó, colocada em pé, derruba a segunda, que derruba a terceira, que derruba a quarta e assim por diante. Pode ser que, por algum desvio de rota (não estão emparelhadas), uma pedra deixe de cair, segurando as seguintes em pé. Regra geral, porém, boa parte das pedras do dominó tende a cair em 2016. E a primeira pedra é a Federal. As outras são das esferas estaduais e municipais. Leitura : a crise econômica que assola o país baterá nas pedrinhas municipais. A conferir.



Perfil ideal
Um empresário bem sucedido, na faixa entre 40 e 50 anos, com trajetória iniciante na vida política ; com alta visibilidade social, graças ao trabalho consistente em defesa da sustentabilidade e ajuda a grupos carentes nas frentes da educação e saúde ; pessoa bem sucedida, simples, simpática, conhecedora do país ; exemplo de cidadania ativa, vida sem máculas, considerado um exemplo de decência. Um perfil inovador. Alguém conhece um brasileiro nato com estas qualidades e características ? Seria esse o meu candidato para presidente da República em 2018.



Empresários, mulheres e jovens
A campanha de 2016 será uma das mais promissoras para empresários, mulheres e jovens. Parcelas ponderáveis do pequeno e médio empresariado estão desanimadas com seus negócios. Milhares de empresas abertas nos últimos tempos, principalmente micro e pequenos empreendimentos, fecham as portas. As mulheres, por sua vez, tendem a ganhar relevância na batalha dos gêneros. Subirão no ranking da participação política. Por último, os jovens se aproveitarão do esgotamento do ciclo da velha política para ingressar na área. Serão três segmentos com boa inserção no campo político em 2016.



PT contra Cunha
Os três deputados do PT na Comissão de Ética prometem endossar parecer do deputado Fausto Pinato no sentido de acolhimento ao processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Este, por sua vez, tende a não ficar esperando o pior. Deve avançar na questão do pedido de impeachment da presidente Dilma. Este consultor acha que a situação da presidente melhorou "algumas gotas", mas ainda há muito líquido no frasco.



Prisão de Bumlai
A prisão do empresário José Carlos Bumlai, ocorrida ontem por ocasião da abertura da 21ª fase da operação Lava Jato, traz as seguintes indicações : 1. O entorno de Lula começa a ser ocupado ; 2. Os filhos de Lula podem ser detidos para averiguações ; 3. A presidente Dilma sente mais um impacto de bomba nos arredores do Planalto ; 4. Lula deve ter aumentado sua indignação ; 5. Veremos, nos próximos dias, aumento de tensões nas cercanias do lulopetismo.



Nordeste na oposição ?
O Sul é açoitado por chuvas torrenciais. O Sudeste, na região de MG, é castigado pela lama que destrói santuários e sítios de vida marinha e florestal. O Nordeste continua vivendo a tragédia das secas, uma das maiores dos últimos 50 anos. O Nordeste é uma região historicamente governista. Pois bem, está virando oposicionista. Por todos os espaços do país, escorre a lama ética.


Alckmin com mais chances
Analistas começam a projetar cenários de força : Geraldo Alckmin terá mais condições do que Aécio de ser o candidato tucano à presidência em 2018 ; José Serra tem grandes chances de sair do PSDB e ingressar no PMDB ; Marina deve ser, sim, a candidata da Rede Sustentabilidade à presidência ; Ciro Gomes deve postular a candidatura pelo PDT ; Lula só sairá como candidato pelo PT se efetivamente o partido não conseguir chegar ao consenso em torno de nome que não seja ele. A campanha de 2016 baterá recorde em número de candidatos. Parcerias serão escassas. Todos com desconfiança de todos.




PMDB do Rio sem chances
Chega-se a falar que o candidato do PMDB, em 2018, pode ser Eduardo Paes. Difícil. Primeiro, o cariocas formam um clube que não fala com outros grupos. Agrega gente autossuficiente. Segundo, o PMDB carioca só enxerga seus membros. Tem chance zero de postular cargos nacionais. Cabral e Paes formam uma dupla não muito simpática aos "estrangeiros" não cariocas. Nem apareceram no evento do PMDB, em Brasília, promovido pela Fundação Ulysses Guimarães. Foram objeto de repúdio nas conversas.



E Marta, hein ?
Marta Suplicy, a senadora que acaba de entrar no PMDB, firma-se como candidata do partido à prefeitura de SP. Tem muitos votos nas margens, mas não tem densidade nas classes médias. De onde saiu. Marta, para grande parcela de paulistanos, tem carimbo de petista. Difícil de convencer que abandou jeitão petista de ser.

LINK 

domingo, 19 de julho de 2015

Um paralelo entre a Argentina e o Brasil

Por Amilton Aquino
Publicado na Revista Amálgama em 01AGO2014

A incrível decadência argentina e  suas lições para o Brasil
Existe uma piada que diz que o melhor negócio do mundo é comprar um argentino pelo que ele realmente vale e revendê-lo pelo que ele acha que vale. O pano de fundo desta piada é o orgulho argentino, conhecido em todo o mundo. É este mesmo orgulho que está na raiz da rivalidade entre Brasil e Argentina, algo que transcende o futebol.

Basta imaginar que até o início dos anos 50 a Argentina era a sexta maior economia do mundo, com uma população escolarizada, recursos naturais abundantes e uma indústria pungente que disputava de igual para igual até mesmo em setores de alta tecnologia, como o automotivo. E não se tratavam de apenas filiais estrangeiras. A Argentina tinha sua própria marca de automóveis (SIAM), além de várias outras de eletrodomésticos. A riqueza argentina era tamanha que o país, em 1920, chegou a ter reservas em ouro superiores ao decadente império britânico e ao emergente novo império norte-americano. Era praticamente um “europeu” latino americano. Não por acaso, o país tornou-se o destino preferido de milhões de refugiados das duas guerras mundiais, inclusive de carrascos nazistas acolhidos por Perón. 




Meio século depois, a Argentina não passa de mais um problemático país latino-americano, com as conhecidas mazelas que afligem o continente, como favelas, violência crescente, inflação galopante, analfabetismo, doenças epidêmicas entre outros. A decadência da Argentina é tão evidente que o país virou um case internacional, citado como exemplo raro de país que “involuiu” nas últimas décadas.

Uma rápida comparação com o Brasil dá uma ideia da decadência dos nossos hermanos. A economia, que até o final dos anos 40 era maior que a nossa, hoje é menor que a economia do estado de São Paulo. Agora imagine-se na pele de um argentino que viveu este apogeu, ver o país hoje em mais uma moratória, com uma inflação de 40%, e dependente da economia brasileira.

Peron e Evita, em 1951


Mas afinal, o que causou toda esta decadência? Como a Argentina conseguiu empobrecer justamente no momento em que tantos países antes miseráveis ascenderam econômica e socialmente, a ponto de alguns integrarem hoje o clube dos ricos?

A Argentina é vítima do que Hayek chamou de “caminho da servidão”, um processo lento e gradual de coletivização, aumento do intervencionismo estatal e polarização da sociedade.

O início de tal processo tem uma data: 04/06/1946, dia da chegada de Perón ao poder. O simpatizante de Hitler e Mussolini iniciou uma tradição populista na Argentina que dura até os dias de hoje. A exemplo de Getúlio Vargas no Brasil, que instituiu os direitos trabalhistas inspirados na Carta del Lavoro de Mussolini e se tornou o “pai dos pobres”, Perón dividiu a Argentina entre seus apoiadores (o bem, o povão, os “trabalhadores”) e seus adversários (o mal, os “exploradores capitalistas”, a velha “elite colonial” ).



E como sempre acontece nestes casos, os discursos inflamados do “pai dos pobres” conquistaram os eleitores da base da pirâmide. Começou então uma simbiose entre a nova elite governante trabalhista/socializante, que precisa dos votos da massa para continuar oferecendo-lhes novas “conquistas”, e a massa, que descobre o poder do voto e passa a endeusar seus ídolos.

A conquista da hegemonia da opinião publica passa a moldar também os políticos. Com medo se colocarem “contra os pobres”, até mesmo políticos da antiga aristocracia migraram para a base do governo peronista. Aos poucos, a oposição foi minguando, ao mesmo tempo em que a Argentina transformava-se numa república sindicalista.

"Os peronistas são pessoas que se fazem passar
 por peronistas para levar vantagens".


E mais uma vez, como sempre acontece, no começo tudo é festa. Aumento do salário mínimo acima da inflação, aumento do crédito, crescimento recorde, nacionalização de multinacionais, grandes obras, políticas de transferência de renda e tudo o mais que já nos é bem familiar.

Mas todo crescimento artificial tem um preço. A fatura vem com o tempo, e com ela os efeitos negativos decorrentes do intervencionismo governamental. Ao final do primeiro mandato de Perón, a Argentina já dava claros sinais de crise, com as exportações caindo pela metade, reservas se esvaindo e aproximando a balança comercial de um déficit histórico, uma vez que até então o país tinha sempre grandes superávits. Apesar de todos estes sinais, o caudilho conseguiu mudar a legislação que lhe deu mais cinco anos de mandato.



O segundo mandato foi ainda pior, abrindo espaço para o primeiro de uma sequencia de golpes militares só interrompido nos anos 70 com um breve período de redemocratização onde, novamente, o peronismo voltou ao poder. Em pouco mais de um ano de governo, Perón multiplicou a inflação, que chegou a 74% em 1974. Dois anos depois, chegaria à casa dos 954% !

Para completar a tragédia, Perón morreu em pleno mandato, o que o elevou ainda mais à categoria de mito. Sua terceira mulher, “Isabelita”, assumiu então o governo e continuou seu projeto populista, afundando ainda mais a economia argentina.





Como de praxe na América Latina, os militares estão sempre prontos para um novo golpe. Foi o que aconteceu em 1976 na Argentina, quando teve início um dos regimes mais truculentos da história do continente.

A esta altura, além de Perón e Evita, a segunda esposa que quase vira santa, a Argentina já tinha um novo mito para cultuar: Che Guevara. Agora, além dos adversários peronistas, os desastrados militares tinham também como novos inimigos os diversos movimentos de esquerda que se organizavam em toda a América Latina e que tentavam chegar ao poder pela via armada. 



Paralelamente, a exemplo do que aconteceu no Brasil e em todo mundo, o marxismo cultural passou a dominar os meios acadêmicos e culturais, avançando gradativamente por todas as demais áreas estratégicas para a construção da “nova mentalidade” gramisciana.

No campo econômico, o segundo período militar argentino herdou a época do choque do petróleo que culminou com o aumento expressivo dos juros em 1982, os quais elevaram substancialmente as dívidas dos países do terceiro mundo. A nova redemocratização veio em 1983 com Raul Alfonsín que, a exemplo de Sarney no Brasil, fracassou redondamente no combate à inflação.

A nova esperança surgia na figura populista de um novo peronista, Carlos Menem, em 1989. Os tempos agora eram outros. Não havia mais espaço para novas “conquistas trabalhistas” como no passado. A grave crise dos anos 90 levou Menem a ser pragmático, aderindo ao Consenso de Washington, a odiada “cartilha neoliberal”.


Suas raízes populistas peronistas, no entanto, não lhe permitiram executar bem as dez recomendações do Consenso de Washington. Apesar disso, Menem passou a ser apontado pelos esquerdistas como o maior exemplo de fracasso das políticas “neoliberais”. O seu principal erro foi ignorar a diretriz 5, que recomendava o câmbio flutuante. Ao invés disso, ele dolarizou a economia, instituindo a paridade entre o peso e o dólar. Como previsto por diversos economistas, ao longo dos anos a situação foi se agravando paulatinamente, a ponto de o país quebrar duas vezes em um intervalo de quatro anos.

Em meio a mais profunda crise, que culminou com mais uma moratória em 2002, eis que surge um novo salvador da pátria, também peronista: Néstor Kirchner. Assim como no Brasil, quando Lula assumiu justamente no início do ciclo de maior crescimento do capitalismo desde o final da II Guerra Mundial, Kirchner contou com o aumento expressivo das receitas decorrentes do aumento dos preços dos seus principais produtos de exportação.


O presidente surfou na onda da globalização chinesa, esquecendo, no entanto, de fazer reformas estruturais para tornar o crescimento sustentável nos próximos anos. Terminado o período do boom de crescimento global, as mazelas da economia argentina começaram a reaparecer. O governo dos Kirchner, que começou com um calote da dívida externa, vai terminar da mesma forma – novo calote, mais inflação galopante.




A história se repete. A Argentina não aprende com os próprios erros, tornando-se cada vez mais refém da mentalidade populista que asfixia a economia e produz políticos mais interessados no poder do que realmente resolver os profundos problemas do país. Qualquer semelhança com nosso cenário não é mera coincidência.

domingo, 5 de julho de 2015

Esquadrões de Honra, latino-americanos.

Curiosidades em Guerra

XXV - Esquadrões de Honra

Durante a Segunda Guerra Mundial, pilotos de muitos países latino-americanos se ofereceram como voluntários. 

Entre eles, estavam os Aguilas Aztecas, do México, os Senta a Púa, do Brasil, e Firmes Volamos, da Argentina, três valentes esquadrões que participaram em batalhas no Atlântico Norte, nas Filipinas e no Norte da Itália, enfrentando os camicases, participando do Dia D e colaborando com a reconquista do Continente Europeu. 



  • Aguilas Aztecas ou Squadron 201 é uma unidade de combate aéreo mexicana que participou da Segunda Guerra Mundial como um anexo do Grupo 58 da Força Aérea EUA. em combate pela libertação da ilha Luzon , Filipinas , durante o verão de 1945. O 201 Squadron serviu com distinção em observações, bombardeado e atacado de posições japonesas , veículos do comboio e posições de artilharia em Filipinas e Formosa .

  • Senta a Pua   é o símbolo e grito de guerra do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, tendo suas origens na Segunda Guerra Mundial.


  • Firmes Volamos ou Esquadrão 164 esquadrão fez parte da Royal Air Force e era um esquadrão de caça durante a Segunda Guerra Mundial composta por voluntários argentinos .


History Channel - Documentário - 1H 26 min 

Através de entrevistas com os protagonistas, com especialistas em aviação e historiadores, conheça as experiências dos pilotos latino-americanos nesta guerra e especialmente nas missões aéreas que realizaram.

Fontes youtube / wiki

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um jeito de ser

Por David Coimbra.
Publicado em seu blog em 01MAI2015

A calçada de plástico
Há exatos 20 anos, em maio de 1995, acompanhei uma delegação de empresários catarinenses em missão pela bela Itália. Era uma viagem de trabalho, mas acabou sendo das mais prazerosas que fiz na vida. Um dia, conto mais a respeito. Por ora, quero falar de um episódio ocorrido numa cidade industrial do norte da Bota. Não lembro que cidade era. Lembro que os empresários italianos apresentavam aos brasileiros uma máquina de reciclar plástico. O plástico velho entrava por uma ponta e saía por outra transformado em calçadas novas. Isso mesmo: lajotas de plástico furadinho, que seriam encaixadas no chão a fim de serem usadas como calçadas baratas e de fácil instalação.

Os italianos mostravam-nos com orgulho uma das calçadas montadas. Caminhamos sobre ela. Então, me agachei, enfiei o indicador no orifício de uma das placas e a levantei.

– Elas não ficam presas? – perguntei.
– Não. É assim mesmo – respondeu um dos italianos.

Balancei a cabeça:
– Não vai dar certo no Brasil.

Eles se espantaram:
– Por quê?
– Porque a turma vai arrancar isso e levar embora.

Os italianos ficaram embasbacados. Queriam saber por que catzo os brasileiros fariam uma coisa dessas com a calçada em que eles próprios pisavam. Ninguém soube explicar muito bem, mas os brasileiros concordaram comigo, disseram “é, no Brasil não vai funcionar”, e o negócio não foi fechado.

Bem.



Você sabe por que no Brasil esse tipo de iniciativa não funciona? Sabe por que orelhões são depredados e tampas de lixeira roubadas? Por que as pessoas sujam as ruas? Por que picham os monumentos?

Porque, para elas, nada daquilo a elas pertence. Para os brasileiros, tudo que é público pertence a uma entidade chamada vagamente de “eles”.

Eles” ninguém explica o que seja, mas é o Estado. Os brasileiros sentem-se fora do Estado, abaixo dele. Por isso, culpam o Estado por todas as suas vicissitudes. Afinal, aquela entidade superior teria poder para resolver os problemas. Não os resolve porque não quer.



Na França, Luís XIV, o Rei Sol, dizia: “O Estado sou eu”. E era mesmo. Mas, dois Luíses depois, os franceses fizeram a revolução, separaram o corpo do rei de sua cabeça e disseram: “O Estado é nosso”. Hoje, esse é um dos maiores dramas franceses. Como o Estado é deles, eles exigem o usufruto do Estado, e sangram o Estado, e o Estado não aguenta mais.

Na Rússia, o Estado também era do czar. Mas os bolcheviques fizeram sua revolução e avisaram ao povo: “Agora, vocês são do Estado”.




Nos Estados Unidos, os pioneiros chegaram à Costa Atlântica e decidiram começar tudo de novo, juntos e em harmonia, sem ninguém acima deles. Assim, todos concordam em cumprir o acordo social, que é o seguinte: todos têm de cumprir a lei.

Seria o ideal, mas os americanos do Sul trouxeram homens negros da África e os escravizaram. Como a proclamada terra da liberdade suportaria a contradição da escravidão? Não suportou. Dilacerou-se na maior guerra civil do planeta, em que morreram mais de 600 mil pessoas. Os negros foram postos abaixo do Estado, e é assim que ainda percebem a realidade. Os negros americanos não se sentem parte do Estado. Exatamente como nós, brasileiros. Mas a melhor fórmula é a dos velhos colonos ingleses. É dizer: “O Estado somos Nós

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O dia em que uma cinta-liga substituiu a Bandeira do Brasil !

Em 1825, após extensas negociações diplomáticas, D. Pedro I obteve o reconhecimento de nossa independência pela Inglaterra e Portugal. 

Desde janeiro de 1822  havia sido criado o Corpo de Estrangeiros como uma divisão do Exército Brasileiro constituído inicialmente de imigrantes suiços de Nova Friburgo e de estrangeiros de passagem ou morando no Rio de Janeiro. E com a normal desconfiança inspiradas nas nossas forças militares formadas por portugueses e, após a nossa independência, o Imperador decidiu reforçar essa Brigada.




Contratou-se mercenários alemães que foram recrutados pelo major Georg Anton von Schäffer na Europa, em sua maioria desempregados com o fim das guerras napoleônicas.

Eles foram instalados no quartel do Campo de Santana e na velha fortaleza da Praia Vermelha.

O fato daria uma importância extraordinária ao desfile cívico daquele ano, no Campo de Santana, a ser aberto pela tropa dos temidos mercenários alemães, designados como Batalhão dos Caçadores.

Além de truculentos, esses soldados era insubordinados e bagunceiros, dando mais prejuízo que segurança ao País. O mais esculhambado deles era justamente o comandante do quartel da Praia Vermelha, Major Edward Von Ewald.

Amigo pessoal de D. Pedro I, era seu cúmplice nas esbórnias noturnas que promoviam nas tavernas da cidade. Bebedor e falastrão, Von Ewald se apaixonara por uma famosa e rica prostituta - Gertrudes - que morava numa luxuosa chácara na Praia de Botafogo.




De início, Gertrudes delicadamente o repeliu e então Ewald resolveu demonstrar seu poder e autoridade: passou a organizar desfiles das tropas alemães diante da casa dela. Seduzida por tal devoção, a prostituta cedeu aos desejos do Major - certos autores identificam aí a origem da expressão "topou a parada", que passou a ser usada primeiramente em tom de galhofa e depois se integrou ao nosso vocabulário popular. Mas para se tornar amante regular de Ewald, a rameira exigiu uma outra prova de amor...

No dia do desfile da Independência - 12 de outubro (*) - , todas as autoridades e milhares de pessoas assistiam à tropa dos alemães entrar garbosa no Campo de Santana, trajando seu uniforme de gala, quando ocorreu a estupefação geral. 

No lugar do pavilhão nacional, a bandeira do Brasil ostentada pelo batalhão, pendia um apetrecho nada cívico: as cintas-ligas de Gertrudes, ali colocadas por Von Ewald como prova de amor a sua exigente meretriz.



Após o desfile, D. Pedro I mandou prender o Major Von Ewald, rebaixou-o de posto e o sentenciou a uma surra de vara (costume da época). O alemão chegou a fugir, mas logo foi recapturado. Poucos dias depois, o imperador o perdoou e tudo voltou a ser como antes, inclusive as bacanais e porres da dupla. E não podemos esquecer que o imperador mantinha com dinheiro público duas amantes: a Marquesa de Santos e sua irmã, a Baronesa de Sorocaba. Não seria ele quem iria querer moralizar coisíssima nenhuma.


(*) Naquela época o desfile cívico de comemoração da Independência não era realizado em 7 de setembro, mas em 12 de outubro - data da Aclamação do Imperador.