Colaboração de Pedro Mendes
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terça-feira, 1 de setembro de 2015
domingo, 12 de julho de 2015
Um negro sobrevivente do nazismo.
Curiosidades em Guerra
Depois disso, ele se tornou um cidadão americano, e graças aos benefícios dos veteranos de guerra ingressou na Universidade de Illinois, onde estudou jornalismo iniciando uma carreira à qual dedicou mais de quatro décadas vindo a se aposentar quando era diretor da famosa revista Ebony, destinada a leitores afro-americanos.
XXVI - Um alemão negro em pleno nazismo
"Mamãe, eu não sou ariano?" - perguntou o pequeno Hans, um pretinho de oito anos, a sua mãe Berta depois que foi proibido de brincar com as outras crianças na escola
Hans Jürgen Massaquoi nasceu em 19 de janeiro de 1926 em Hamburgo, filho de mãe alemã e pai liberiano. Tinha seis anos quando Hitler chegou ao poder. O pai de Hans era filho do cônsul da Libéria na Alemanha. Sua mãe, Berta, era uma enfermeira alemã de classe média baixa. O rico filho do diplomata africano encaprichou-se pela bela jovem ao vê-la em uma festa, e dessa relação nasceu o pequeno Hans.
Hans Massaquoi com a insígnia nazista
Seu pai nunca se preocupou muito por ele e nunca lhe deu muita atenção, já que nessa época era um estudante universitário em Dublin. Mas seu refinado avô, o primeiro diplomata africano na Europa, o acolheu em seu palacete de Hamburgo junto a seus tios e primos africanos. O patriarca se orgulhava de ter um neto alemão que falava o idioma local com perfeição.
"Eu associava a pele negra com superioridade, porque nossos serventes eram brancos" - dizia Hanz.
Seu avô paterno quando era Momulu IV rei dos Vai,
uma etnia liberiana
Seu destino mudou drasticamente quando o Führer assumiu o poder e expulsou os diplomatas africanos da Alemanha. Todo o clã Massaquoi regressou a seu país, Libéria, mas Berta, a mãe de Hans decidiu ficar em sua pátria, porque o menino era doente e temia que viajando à África poderia morrer já que naquela época - e até hoje em dia- era um continente assolado pela malária. Praticamente sozinha, retomou seu trabalho de enfermeira e mudou-se com seu filho a uma zona operária de Hamburgo.
"Eu, que tinha aprendido a ver vantagens em meus traços raciais, de repente me vi obrigado a considerá-los um inconveniente".
No início, nem ele nem sua mãe consideraram como uma ameaça à ascensão do nazismo. Era algo que não os preocupava, afinal eles eram alemães.
"Assim como toda criança, eu estava fascinado pela parafernália nazista. Os uniformes, as bandeiras e os desfiles me deixavam encantado. Para mim, para meus colegas, Hitler estava envolvido nessa auréola divina que lhe protegia de qualquer crítica".
As coisas foram mudando pouco a pouco. Primeiro foram os letreiros nos balanços que proibiam as crianças não-arianas de brincar. Depois, um misterioso e contínuo desaparecimento de seus professores que eram judeus. Depois sua mãe foi despedida de seu trabalho "por ter concebido o filho de um africano".
"Uma vez que as absurdas leis raciais entraram em vigor, ficou claro que minha vida ia se tornar muito difícil. Mas o amor e a proteção de minha mãe me deram a sustentação necessária".
Em seu livro autobiográfico, Hans conta com detalhes as tentativas que fez para ser considerado um alemão a mais. A cada vez que era recusado reagia negando o evidente, e esta situação lhe levaria ao absurdo de querer fazer parte das Hitlerjugend, a Juventude Hitletista, uma mistura de "boy scouts" e organização paramilitar.
junto com sua mãe
No dia que descobriu que lhe negaram a entrada exclusivamente por sua cor de pele, Hans abriu os olhos e começou a entender do que se tratava o nazismo.
A partir daquele momento eliminou a necessidade de ser aceito pelos nazistas e libertou-se da dependência de Hitler como onipotente figura paternal dos jovens.
Ao começar a guerra, apesar de ser "indigno de usar o uniforme alemão", esteve a ponto de se alistar no exército. Só não foi para a frente de batalha por sua falta de importância, o que aumentou seus problemas emocionais, já que sendo um homem jovem e sadio se envergonhava por não estar combatendo junto a seus compatriotas.
Massaquoi tinha uma teoria para explicar por que ele evitou a deportação para campos de concentração.
" Ao contrário dos judeus, os negros eram tao poucos em números que eles foram relegados ao status de baixa prioridade para serem exterminados".
Massaquoi tinha uma teoria para explicar por que ele evitou a deportação para campos de concentração.
" Ao contrário dos judeus, os negros eram tao poucos em números que eles foram relegados ao status de baixa prioridade para serem exterminados".
Enquanto trabalhava em uma fábrica de munição, Hans observou como a maquinaria de guerra alemã começou a vir abaixo. Em 1943, os aliados, com a Operação Gomorra, bombardearam intensamente Hamburgo durante dez dias, até deixar a cidade em escombros, onde morreram mais de 40 mil pessoas.
Hamburgo destruída após a Operação Gomorra
em julho de 1943
Hans estava tão deprimido que não fazia diferença morrer nas mãos da Gestapo ou do bombardeio aliado. De toda forma, a presença da Gestapo incomodou-o por muito tempo ainda e teve que conviver sob a constante ameaça de sua presença e interrogatórios.
Desprezado por todos, era considerado um cidadão de segunda classe, a tal ponto que em um dia uma multidão quis linchá-lo achando que era um piloto aliado.
O fim da guerra com a tomada de Hamburgo pelos britânicos significou também uma nova vida para Hans. Pela primeira vez em sua vida não sentia medo. O medo de ser humilhado, ridiculizado, degradado, a ver-se privado de sua dignidade.
Hans servindo na Guerra da Coréia para os EUA
Após o colapso da Alemanha no final da guerra, ele tocou saxofone em clubes que atendiam à Marinha Mercante americana e trabalhou como tradutor para as forças de ocupação britânicas.
Posteriormente, ele deixou a Alemanha, primeiro para a Libéria, terra de seu pai, antes de se mudar para Chicago com um visto de estudante para freqüentar uma escola de mecânicos de aviação. Ele foi convocado para o Exército dos EUA em 1951 e serviu por dois anos aos EUA durante a Guerra da Coréia.
Posteriormente, ele deixou a Alemanha, primeiro para a Libéria, terra de seu pai, antes de se mudar para Chicago com um visto de estudante para freqüentar uma escola de mecânicos de aviação. Ele foi convocado para o Exército dos EUA em 1951 e serviu por dois anos aos EUA durante a Guerra da Coréia.
Depois disso, ele se tornou um cidadão americano, e graças aos benefícios dos veteranos de guerra ingressou na Universidade de Illinois, onde estudou jornalismo iniciando uma carreira à qual dedicou mais de quatro décadas vindo a se aposentar quando era diretor da famosa revista Ebony, destinada a leitores afro-americanos.
Hanz ao lado da atriz Veronica Ferres
que faz o papel de sua mãe no filme para a TV
Neger, Neger, Schornsteinfeger (2006)
baseado em sua biografia.
Ao final e apesar de tudo há de se considerar que o destino resultou bastante benevolente com Hans Massaquoi. Olhando para o passado e recordando o horror também sofrido por outras inocentes etnias, ele pelo menos sobreviveu para contar a sua história.
Hans Massaquoi veio a falecer em 19 de janeiro de 2013 quando completou 87 anos.
Fonte Metamorfose Digital / Los Angeles Times
*Postado primeiramente em 15/11/2009 [509]
Hans Massaquoi veio a falecer em 19 de janeiro de 2013 quando completou 87 anos.
Fonte Metamorfose Digital / Los Angeles Times
*Postado primeiramente em 15/11/2009 [509]
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Não vale mais dizer: "eu não sei" !
Por Elio Gaspari, em sua coluna na FOLHA.
A carta do eu-não-sabia saiu do baralho
Com a inevitável lembrança do Holocausto, acabaram as comemorações dos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Numa trapaça do tempo, fica a impressão de que, em 1945, confrontado com a barbárie, o mundo reagiu com repulsa geral.
Noutra, em 2015 acredita-se que hoje coisas daquele tipo são inimagináveis. Infelizmente, as duas suposições são falsas. Milhares de judeus que saíram dos campos de concentração foram recebidos como intrusos quando tentaram voltar às suas casas na Europa Oriental.
Quando Heda Margolius, ex-prisioneira de Auschwitz, regressou a Praga, sua vizinha perguntou-lhe: "Por que você voltou?".
Em Cracóvia houve um pogrom em agosto de 1945. Nos 18 meses posteriores ao fim da guerra, mataram-se mais judeus na Polônia, Hungria e Tchecoslováquia do que nos 10 anos anteriores ao início do conflito.
O mundo só começou a encarar o Holocausto a partir dos anos 60, depois que o primeiro-ministro israelense David Ben Gurion, numa centelha de genialidade, mandou que Adolf Eichmann, capturado em Buenos Aires, fosse levado para um julgamento público em Tel Aviv.
O gerente da Solução Final foi enforcado em 1962.
A segunda trapaça do tempo é a de que aquilo foi coisa de outra época. O ódio e a violência racial e religiosa continuam aí, expostos no cotidiano do século 21. O Estado Islâmico, que se assenhoreou de parte do território do Iraque e da Síria, tem os ingredientes da superioridade nazista, com uma diferença: ele mata muçulmanos xiitas, judeus e cristãos.
Faz isso ostensivamente e coloca filmes na rede. Um deles, "Clanging of the Swords 4" ("O barulho das espadas"), com pouco mais de uma hora de duração. Coisa de profissionais, produzida há um ano. Barra pesadíssima.
Os nazistas não propagavam o que faziam. Pelas suas leis e pelos seus discursos, podia-se supor, mas não se podia ver. O Estado Islâmico usa a selvageria como instrumento de propaganda. Algo como coproduções de Heinrich Himmler, comandante da Solução Final e de Joseph Goebbels, marqueteiro do regime.
Na década de 30 havia quem tivesse uma ponta de compreensão para com os nazistas. Afinal, opunham-se aos comunistas. Hoje esse engano pode ser alimentado, em ponto menor, pela oposição do Estado Islâmico aos Estados Unidos e Israel.
Se há uma diferença entre 2015 e 1945, ela está do fato de que agora saiu do baralho a carta do eu-não-sabia(*). Só não sabe quem não quer, porque os fatos estão aí, mostrados pelo próprio Estado Islâmico.
(*) Viu Lulla? Viu Dilma?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Camarotização: sinônimo chique de segregação
BRASIL NO EXTERIOR
Por Juan Arías.
Publicado no El País em 17JAN2015
Por Juan Arías.
Publicado no El País em 17JAN2015
Camarotização: por que o brasileiro gosta tanto de segregar o espaço?
Camarotização. A gourmetização do espaço. A palavra ganhou força na última semana depois de aparecer no tema da redação do vestibular da USP, o mais concorrido do país, mas já faz tempo que o camarote faz sucesso ao prometer fazer do cidadão um ser diferenciado – para usar uma palavra cara ao público adepto.
De comícios políticos à farra do Carnaval, quem está no camarote não quer ser qualquer um. Em Salvador, no maior carnaval do mundo, participa quem paga - e caro- para ter direito a uma camiseta estampada com diversos logos dos patrocinadores. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, para ter acesso ao espaços exclusivos no Carnaval é preciso desembolsar até mais de 1.000 reais. A promessa é viver a festa rodeado de celebridades rodeadas de jornalistas. Os famosos mais trendy, porém, ficam em um cercadinho ao qual quase ninguém tem acesso. É a camarotização do camarote.
O Carnaval foi um start, mas não está sozinho no movimento de camarotização do país. Um dos lugares que lideram o ranking dos mais camarotizados do Brasil também está na Bahia: Trancoso. Há 20 anos era uma praia de pescadores, semideserta, só alcançada por aventureiros (inclusive os endinheirados tradicionais) e hippies. Agora, nas palavras da jornalista e consultora de moda Gloria Kalil, no Réveillon, virou uma espécie de “Cannes tropical”.
“Daqui a pouco, os moradores e antigos frequentadores só vão poder entrar no pedaço se estiverem com um vestido de marca, uma maquiagem de palco e um crachá que os autoriza a circular como no melhor estilo Festival de Cannes em dia de premiação final”, disse Kalil, em sua coluna.
Trancoso/BA
O Brasil sempre foi avesso e segregado. Apesar de ter a ideologia da mistura, na verdade sempre foi o pior dos apartheids
A camarotização, neste caso na política - com seus cercadinhos em cerimônias oficiais e comemorações -, também horroriza Andrea Matarazzo (PSDB), vereador que carrega o sobrenome de uma família da alta sociedade paulistana. “Getúlio Vargas fazia sucesso porque andava no meio do povo”, conta ele. “O Lula, idem”, diz. “E eu adoraria ser o Lula”.
Mas, afinal, de festas a eventos públicos, por que o Brasil gosta tanto de segregar o espaço? Para Rosana Pinheiro-Machado, antropóloga e professora da Universidade de Oxford, a aversão à mistura é o resultado de anos de desigualdade social no país. "O que está por trás [da camarotização] é o desejo de distinção em uma sociedade colonizada como a nossa e marcada por uma grande estratificação social", diz.
"O Brasil sempre foi avesso e segregado. Apesar de ter a ideologia da mistura, na verdade sempre foi o pior dos apartheids", diz a antropóloga brasileira.
Para ela, o acesso das camadas mais pobres da população ao que antes era exclusivo dos mais ricos potencializou a camarotização.
"No Brasil pós-Lula, as pessoas das camadas mais populares estão acessando o que antes era exclusivo aos brancos de elite", conta. "Isso faz com que o racismo e a discriminação saiam do armário." Por outro lado, "é também um fenômeno de todas as classes. O cara mais rico de uma comunidade quer camarote também. Afinal, o modelo hegemônico de distinção é persuasivo, se espalha."
É nos aeroportos que esse desconforto com o acesso fica explícito, diz Pinheiro-Machado. Antes, andava de avião quem tinha muito dinheiro. Com a ascensão da classe média, os aeroportos estão mais cheios, e os mais ricos tiveram que se misturar aos mais pobres. As companhias aéreas logo correram para tentar reverter isso: "As companhias aéreas brasileiras, que nos últimos anos só tinham a classe econômica, agora voltam a ter assentos 'diferenciados', mais caros e com mais espaço", diz a professora.
"O conforto, na verdade, é apenas uma desculpa apara agradar o passageiro rico que não quer ter o desprazer de sentar ao lado de sua empregada doméstica", explica. "É uma forma sutil de segregação."
Arte de ALPINO
A fuga dessa segregação no avião se reflete em um dado econômico do país: o Brasil está em segundo no ranking das maiores frotas de jatinhos e helicópteros particulares do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Para usar um termo popular nos camarotes - se é que podemos usar as palavras popular e camarote na mesma frase -, o que "agrega valor", além de camarotizar, é exibir o ato, com ou sem pau de selfie. Cesar Giobbi, colunista social há décadas, culpa as redes sociais pelo exibicionismo adotado pela elite. “A indiscrição surgiu com a comunicação exacerbada”, diz.
Para Giobbi, a camarotização é o primeiro indício de que o lugar está decadente. Primeiro, um lugar como Trancoso se populariza, então é preciso camarotizá-lo para não perder o elã diferenciador, mas aí ele já perdeu a graça para a primeira elite que o frequentava como exclusivo.
“Quando chega nesse auge, em que o absurdo passa a ser incorporado, o lugar perde a graça”, diz. “Sapato de salto Louboutin no Quadrado não precisa. Tudo tem lugar e hora”, conta. Em tempo: “Quadrado” é o apelido usado pelos habitués de Trancoso, os de antes da camarotização, porque o local foi habitado inicialmente em torno de um gramado quadrado.
Arte de SPONHOLZ
Mas se há um movimento que camarotiza os lugares, também há o contrário a ele: a pipocação. No Carnaval, quando você está fora do cordão ou do camarote, você está 'na pipoca'.
E no embate camarotização x pipocação, às vezes os da pipoca parecem se divertir mais. Na corrida de São Silvestre, que ocorre há mais três décadas no último dia do ano em São Paulo, pode-se pagar pela inscrição – 135 reais – ou correr na pipoca. Os pró-segregação reclamam da “bagunça” e dizem: “paguei 135 reais e é essa zona”, irritados. Enquanto isso, a maioria – inscrita ou não – se diverte. Fantasiados, eles vão ao longo trajeto de 15 quilômetros desfrutando da sensação de correr na Avenida Paulista – e não é fugindo da polícia em alguma manifestação – e de se sentir parte da cidade.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
A proximidade de Auschwitz
Por Alberto Dines.
Publicado no jornal El País em 31JAN2015
A proximidade de Auschwitz
O trabalho liberta — proclama em alemão o portão de ferro do campo de extermínio nazista de Auschwitz, em território polonês. A sentença é intrinsicamente totalitária: trabalho-escravo não liberta. O que nos torna efetivamente livres é a liberdade, este conjunto de presunções, sensações e certezas de que temos o direito de escolher em todas as esferas e dimensões - espacial, temporal, física, jurídica, psicológica e espiritual.
Lajos Erdelyi, de 87 anos, posa com um desenho feito por um amigo do campo de extermínio em Budapeste, 13 de janeiro de 2015. Erdelyi foi enviado a Auschwitz-Birkenau em maio de 1944 e mais tarde foi levado para outro campo. Quando foi libertado pesava menos de 30 quilos, tentou chegar em sua casa caminhando mas desmaiou, e foi levado a um hospital por um agricultor. LASZLO BALOGH (REUTERS)
A tocante cerimônia da última terça-feira para rememorar os setenta anos da desativação da mais famosa fábrica de horrores dos últimos 500, talvez seja a última que contará com a presença de sobreviventes. A efeméride do 80º aniversário (em 2025) dificilmente terá testemunhas e testemunhos vivos.
Não apenas por isso Auschwitz ganhou relevância no noticiário destinado a uma humanidade cada vez mais distraída e desnorteada. Auschwitz reapareceu empurrada pelo sangue derramado nos massacres de Paris.
Também as chacinas de Paris não concernem apenas aos jornalistas-desenhistas do Charlie Hebdo, aos policiais que cuidavam da sua segurança ou aos judeus religiosos que estavam no empório kosherna véspera do descanso sabático. O equívoco de sepultá-los no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, não dá o direito de remeter aquelas brutalidades para o remoto e absurdo Oriente Médio.
Cartoon de Wolinsky
Havia dois judeus na redação do semanário (o desenhista George Wolinsky e a psicanalista Elsa Chayat), enterrados como os companheiros na França laica, democrática, que foi às ruas solidárias com os dezessete compatriotas assassinados e para manifestar-se contra a intolerância religiosa.
Auschwitz não concerne apenas aos judeus, nas suas câmaras de gás foram exterminados ciganos, eslavos, católicos, protestantes, comunistas, anarquistas e homossexuais. O objetivo da cúpula nazista era a Solução Final da Questão Judaica como primeiro passo para implantar uma Europa unificada pelo terror totalitário. Nem todos os sobreviventes que compareceram à cerimonia em Auschwitz vieram de Israel, alguns estão nas Américas (Brasil inclusive), África do Sul, Austrália.
Eva Fahidi, de 90 anos, posa com uma foto de sua família, assassinada no campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, em Budapeste, 12 de janeiro de 2015. Fahidi tinha 18 anos em 1944, quando ela e sua família foram levados de Debrecen para Auschwitz-Birkenau. LASZLO BALOGH (REUTERS)
O périplo ganhou inesperada escala e proximidade – Buenos Aires – com a morte do promotor Alberto Nisman, que acusava formalmente a presidente Cristina Kirchner e o seu chanceler, Hector Timerman, de negociarem com o governo iraniano ações que culminariam com a atenuação das penas e castigos dos responsáveis pela explosão do carro-bomba em frente ao prédio da AMIA, Associação Mutual Israelita Argentina, que matou 85 cidadãos argentinos.
A chacina de 1994 perpetrada, segundo sentença da justiça argentina, por agentes do Hizbullah e da Guarda Revolucionária iraniana, visavam a segunda maior comunidade judaica das Américas. A fuga para Israel de Damian Pachter, o jornalista que primeiro anunciou o assassinato de Alberto Nisman e desde então seguido por agentes e ameaçado de morte, não deve nos transferir para outras paragens. Com dupla nacionalidade e apenas a roupa do corpo fez uma escolha pragmática e imediatista.
by Whatsapp
Israel não deve ser o único refúgio para os judeus perseguidos e injustiçados do resto do mundo. A atabalhoada e patética atuação da presidente Cristina Kirchner ora apontando para um suicídio ora para assassinato nos dias seguintes à descoberta do corpo de Nisman criaram profundo mal-estar na comunidade judaica.
A sábia decisão de enterrar o promotor em lugar de honra do cemitério, perto do monumento em homenagem às 85 vítimas do atentado contra a AMIA e não na ala dos suicidas, evita que uma questão forense de capital importância seja decidida apressadamente no âmbito religioso-funerário.
O que agora começa a transparecer é o dramático e inexplicável atraso das forças políticas portenhas — sobretudo o ambíguo peronismo — em extirpar todos as ramificações e ramais deixados pela ditadura militar.
Anestesiados pela folia que se aproxima e por mazelas que proliferam esquecemos com frequência que Auschwitz ressuscita cada vez que vacila a democracia.
sábado, 18 de outubro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Dilma: "Eu tenho muitos negros no 2º escalão"
Fonte Implicante
Mesmo em se tratando de Dilma, campeã de momentos lamentáveis, certamente o vídeo a seguir bate alguns recordes. Em primeiro lugar, ao desnudar a falácia de Dilma – e do PT – quanto à defesa de cotas e demais políticas inclusivas, já que, no governo, NÃO HÁ UM ÚNICO NEGRO NO PRIMEIRO ESCALÃO.
Agora, a caminho de um segundo turno provavelmente contra uma mulher negra, Dilma tenta novamente tirar a pauta da cartola e… Bom, comete isso:
terça-feira, 29 de julho de 2014
Você é gordofóbico?
Por Ruth Manus.
Racista, machista e homofóbico jamais. Mas gordofóbico tudo bem?
Publicado no Estadão em 23JUL2014
http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus/gordofobico-tudo-be/
Agradeço todos os dias por viver num meio no qual convivo com pessoas que, em sua grande maioria, não emitem nem toleram comentários racistas, homofóbicos, machistas ou discriminatórios em geral, nas suas mais diversas e infelizes formas.
Felizmente, vivemos numa sociedade que suporta cada vez menos a ignorância e a pobreza de espírito.
No entanto, me canso de ver essas mesmas pessoas, supostamente tão sensatas, dizendo, sem qualquer pudor, culpa ou constrangimento algo desnecessário e agressivo sobre “aquele gordo” ou “uma gorda aí”.
Me parece haver uma espécie de “zona franca” na qual as pessoas resolveram que falar de forma discriminatória de gente que está acima do peso ideal, teoricamente não tem problema, não é discriminação, não é errado.
Frequentemente, a justificativa é que “hoje em dia, só é gordo quem quer”. Mentira. Todos sabemos o quão mentiroso isso é. Se fosse assim, com certeza não veríamos o Ministério da Saúde divulgar que quase 50% da população brasileira está acima do peso.
Obviamente, não estou afirmando que o sobrepeso e a obesidade devam ser encarados como fatos imutáveis ou que não haja necessidade de combatê-los. Claro que não. Questões de saúde devem ser prioridade para qualquer pessoa. O que estou falando é que o excesso de peso alheio não dá a ninguém a prerrogativa de julgá-lo. Só isso.
Edika
A pessoa que está acima do peso com frequência é vista como preguiçosa, descuidada, como alguém que poderia estar magro e esbelto e optou por não estar. Interessante que muitas das pessoas que falam “daquele gordo” estão entre aquelas que há anos afirmam que vão perder 2 quilinhos para o verão e nunca o fazem. “Mas na hora que eu quiser eu perco”. Bullshit. Você quer perder e não perde.
Fazer dieta nunca é fácil. Renunciar à cervejinha, ao chocolatinho, ao pãozinho francês, à carne vermelha é duro. Correr na esteira também. Mas mais difícil do que isso é lutar contra um metabolismo lento, uma tireóide desobediente, uma genética desfavorável, um pós-gravidez cruel, uma menopausa avassaladora. E ainda pior é ter que conviver com os olhares tortos, as risadas por detrás das mãos, os comentários que se finge não perceber por instinto de sobrevivência.
E se a pessoa que está acima do peso for mulher, pior ainda. Com a persistente ideia de mulher objeto, uma mulher gorda é vista como sinônimo de inutilidade. Afinal, “para que serve uma mulher gorda?”. Só para zoar na balada com seus “bróder”, né? Credo.
Constata-se o óbvio: gordura não é escolha. E alguns lutam mais contra isso, outros menos.
E daí? O que você tem a ver com isso?
Alguém te julga porque você ainda não foi consultar um psicólogo para cuidar dos seus traumas de infância? Ou porque ainda não foi no dermatologista ver aquela pinta que pode ser câncer de pele? Será que você não tem problemas até mais graves do que muita “gente gorda”, mas que apenas não são tão evidentes?
Será que não tem muita “gente gorda” mais saudável e bem resolvida do que você? Será que não tem gente acima do peso com uma auto estima bem maior do que a sua? Mais seguro, mais bem disposto, mais feliz?
O fato é, com que direito as pessoas decidiram condenar os quilos alheios? E, pior, por que elas resolveram achar que chamar alguém de gordo, com ar pejorativo ou hostil não é algo grave? Não é tão asqueroso quanto discriminação por cor, orientação sexual ou gênero?
Pois é. O peso alheio não te diz respeito. O que diz respeito a todos nós é aquela ideia antiga, antiquada, talvez um pouco demodée, de respeitar os outros, ainda que sem patente alta ou bigode grosso. Se não por vontade ou generosidade, talvez por decência. Será que soa tão estranho assim?
sexta-feira, 25 de julho de 2014
O Brasil e o sistema de cotas
Esse texto do jurista Ives Gandra Martins circula na internet desde 2012 mas continua atual.
Não Sou:
- Nem Negro, Nem Homossexual, Nem Índio, Nem Assaltante, Nem Guerrilheiro, Nem Invasor de Terras. Como faço para viver no Brasil nos dias atuais? Na verdade eu sou branco, honesto, professor, advogado, contribuinte, eleitor, hétero... E tudo isso para quê?
Meu Nome é: Ives Gandra da Silva Martins*
Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.
Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna).
Pelicano
Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso. Assim, menos de 450 mil índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela - passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.
Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.
Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria do Governo!
Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', simplesmente porque esse cumpre a lei..
Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.
E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema?
Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e privilégios, deste governo.
(*Ives Gandra da Silva Martins, é um renomado professor emérito das Universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército Brasileiro e Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
Para os que desconhecem o Inciso IV, do art. 3°, da Constituição Federal a que se refere o Dr. Ives Granda, eis sua íntegra:
"Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Racismo na escola
Deu no Migalhas
O Estado de São Paulo foi condenado, no último dia 10, a indenizar em R$ 20.400,00 uma família que sofreu danos morais em razão de atividade proposta pela escola do filho, com conteúdo considerado racista.
Em 2002, a professora do segundo ano da escola estadual Francisco de Assis, passou atividade baseada em texto chamado "Uma família colorida", escrito por uma ex-aluna do colégio.
Na redação, cada personagem da história era representado por uma cor: o pai era azul, a mãe era vermelha e os filhos, rosa. Até que um homem mau, que era preto, aparecia e tentava roubar as crianças.
Depois da atividade, o garoto, que é negro e na época tinha sete anos, passou a apresentar problemas de relacionamento e de queda na produtividade escolar e, segundo laudos técnicos, desenvolveu um quadro de fobia em relação ao ambiente, tendo que ser transferido.
A decisão, que é da 5ª vara da Fazenda Pública de São Paulo, diz que a linguagem e o conteúdo utilizados nos textos são polêmicos, de mau gosto e deveriam ter sido evitados. A sentença diz ainda que houve dano moral por conta da situação de discriminação e preconceito a que o casal e seu filho foram expostos.
O valor fixado corresponde à indenização de 20 salários mínimos para a criança e 10 salários mínimos para cada um dos pais.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Brasil: um país misturado!
Do prof. José Roberto Pinto de Góes, da UERJ, em artigo publicado hoje (quinta, 25) em O Globo e reproduzido no blog de Orlando Tambosi
Um país misturado
Um país misturado
O Supremo Tribunal Federal está julgando a constitucionalidade do sistema de cotas raciais adotado pela Universidade de Brasília. A decisão que vier a tomar pode pôr fim à tentativa de governos e ONGs de levar o Estado brasileiro a classificar racialmente os cidadãos, ou incorporar de vez leis raciais ao nosso ordenamento jurídico.
O sistema de cotas raciais da UnB sempre foi escandaloso — até para os padrões racialistas, que são muito elásticos. Na sua primeira versão, o candidato às vagas para a “raça negra” devia anexar uma fotografia à declaração de ser negro. Uma comissão julgava o caso. Aí veio o supremo ridículo, no vestibular de 2007: a comissão certificou a negritude de Alan e recusou a de Alex, irmãos gêmeos idênticos.
A exigência da fotografia caiu, mas a comissão ainda existe e é secreta, clandestina. Não é incrível? Um grupo anônimo, sem delegação alguma da sociedade, se arvora o direito de dizer a mim, a você, a qualquer brasileiro, o que somos e a que raça pertencemos. A UnB criou um tribunal racial e a figura jurídica do estelionato racial.
Audiências públicas foram realizadas no início deste mês. O STF ouviu 28 pessoas favoráveis às cotas raciais e 12 contrárias. Mas as intervenções foram pautadas pela serenidade, educação e respeito, como convém à dignidade daquela Corte.
Os maus modos começaram depois, na imprensa e na internet. Tem sido sempre assim: a militância racialista não discute — porque não quer ouvir argumentos diferentes dos seus — e se contenta e se compraz em desqualificar o “inimigo”, que só pode estar mal intencionado, ser contra a inclusão social, os pobres, os negros e tudo de justo e razoável que pode haver nesse mundo.
O alvo da vez é o senador Demóstenes Torres, crítico das leis raciais. Na qualidade de presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ele fez uso da palavra e, entre outras coisas, afirmou que os brasileiros não padecem de uma espécie de pecado original, caracterizado pelo estupro das escravas por seus proprietários (obviamente todos brancos, nessa versão). Desde então, tem sido amplamente caluniado, como se tivesse negado a natureza intrinsecamente má da escravidão e o poder dos senhores de violentar suas escravas.
O senador não disse nada disso. No que disse, tem razão. A miscigenação do povo brasileiro tem pouco a ver com estupro de escravas. Não se trata de negar ou diminuir a dor experimentada por muitas mulheres que se viram cara a cara com o mal, representado pelo desejo sexual despótico do proprietário.
Mas a nossa miscigenação, tão larga, tão ampla, se fez, sobretudo, entre a população pobre e livre — geralmente bem maior do que a população escrava. Todas as fontes até hoje estudadas o indicam. Se alguém tem provas em contrário, que apresente. Até lá, não há por que duvidar que somos mestiços filhos do desejo, do amor e do cuidado de nossas famílias.
Por que os racialistas insistem em criar o Mito do Estupro Original? É simples: porque precisam associar a idéia de negro (na qual incluem os pardos) à de vítima. A vitimização da “raça negra” é peça central na ideologia racialista: sem ela não há cotas, não há reparação, não há leis raciais.
Além disso, não se conformam com a nossa miscigenação. Tudo seria muito mais fácil se o Brasil fosse um país bicolor, pretos de um lado, brancos de outro. Não é. Então, faz-se necessário desqualificar a nossa mistura e inventar um passado pecaminoso para ela.
Moral da história: não se pode querer leis raciais para o Brasil sem levar na alma certo incômodo com Brasil tal como ele é: misturado, racialmente indistinto e surdo a apelos raciais.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Lou Jing, e o racismo na China!
Ela é atraente, efervescente e tem uma voz de anjo. Mas não foram estas as qualidades que fizeram de Lou Jing a mais famosa concorrente de um programa de televisão sobre os talentos da China, nem o objeto de um debate nacional no país mais populoso do mundo. O motivo por que estão falando de Lou Jing é porque ela é negra.
A menina, fruto de uma relação extraconjugal de uma chinesa e um afro-americano que não chegou a conhecer, está lutando para ganhar a aceitação de uma sociedade profundamente conservadora. Alguns diriam até profundamente racista.
Decorre um intenso debate nacional, num tom violento sobretudo nas milhares de mensagens publicadas nas mais populares salas de chat online, sobre o significado essencial de ser chinês e a maioria dos críticos está de acordo num ponto: essa mulher negra não pode ser considerada uma “verdadeira” chinesa.
Dragon TV inicialmente tinha dúvidas sobre se deveria incluir Lou jing entre as concorrentes, mas então percebeu que sua presença seria ótimo para atrair publicidade para o show. Mas poucos executivos podiam esperar a fúria contida em muitos dos blogs e posts que acompanharam essa odisséia.
Lembro que a internet é o único lugar na China, onde o público pode manifestar opiniões com liberdade - embora eles sejam rapidamente cortado por um exército de censores estatais dispersos no território nacional.
Assista vídeo do you tube,
clicando aqui
Fontes shanghaidaily / boingboing
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