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domingo, 17 de abril de 2016
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
E os recursos públicos continuam escoando pelo ralo...
Por André Borges para o ESTADO SP
A ferrovia parou no meio do caminho
Após consumir R$ 3 bi, a obra da Ferrovia Oeste-Leste, que revolucionaria a logística do Nordeste, é paralisada por falta de dinheiro
Vista de longe, a ponte de concreto erguida sobre a BR-030, no sertão baiano, é um retrato convincente de que as obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) finalmente decolaram e que o projeto bilionário, capaz de revolucionar o mapa logístico de todo o Nordeste, agora vai para a frente. Ilusão de ótica. Basta se aproximar um pouco mais do concreto armado e subir até a sua base para que a realidade se imponha. O traçado da ferrovia que desde junho de 2013 deveria estar forrado por brita, dormentes e trilhos, até hoje não passa de um estirão de terra batida. E por mais esforço que se faça, não é possível ver o dia em que trens e cargas finalmente passarão por ali.
Problemas estruturais atrasam o mercado de PPPs no Brasil,
diz a Moody's
O marasmo que toma conta das obras da Fiol, projeto de 1.527 km de extensão que já consumiu R$ 3 bilhões dos cofres públicos, é o reflexo imediato da situação crítica em que se encontra a Valec, estatal responsável pelas obras ferroviárias.
A Valec acumula nada menos que R$ 600 milhões em dívidas com dezenas de fornecedores e prestadores de serviço, segundo apurou o Estado. Na prática, para quitar esse débito e assumir uma postura financeiramente responsável, a empresa teria que paralisar todas as suas atividades – para não gerar ainda mais dívidas – e adiantar todos os recursos que tem para receber até o fim deste ano.
Para não travar de vez, a estatal decidiu tomar duas medidas emergenciais. A primeira foi pedir às construtoras que atuam nos lotes da ferrovia para que trabalhem, basicamente, na manutenção das obras que executaram até agora, como os serviços de terraplenagem, para que os trabalhos já entregues não se deteriorem com o tempo.
A segunda decisão foi ainda mais drástica: a Valec suspendeu todas as entregas de trilhos que já tinha adquirido de fabricantes da China e Espanha. O material que chegaria este ano não tem mais data certa para desembarcar no País.
Essas informações foram confirmadas pelo presidente da Valec, Mário Rodrigues Júnior. “Dadas as condições atuais, realmente a nossa prioridade hoje é garantir que nenhum lote seja paralisado e que os serviços prontos não se percam”, disse.
Demissão. Sem receber pelos serviços, não restou outra alternativa às empreiteiras senão a demissão em massa. Um ano atrás, os lotes da Fiol eram ocupados por 5,6 mil trabalhadores. Hoje, esse número caiu pela metade, com apenas 2,9 mil funcionários.
Do total de 147 mil toneladas de trilhos que a estatal comprou fora do País, 71,4 mil chegaram a ser entregues e estão estocadas em canteiros de obra ao longo do traçado da ferrovia baiana. A fabricação e a entrega de uma segunda remessa de 75,6 mil toneladas, porém, foram imediatamente paralisadas, a pedido da estatal, até que o calvário financeiro tenha fim.
Para as construtoras, a orientação é priorizar serviços como drenagem de trechos onde a base para receber os trilhos já esteja concluída. Outra medida é cuidar da proteção vegetal de taludes e aterro já executados, além de conclusão de pontes e outras passagens que estejam com mais de 90% de execução física. “Esse é o cenário que temos, só nos resta trabalhar com ele”, diz Mário Rodrigues.
Com atraso sobre atraso, a Fiol se converte em um projeto sem começo, meio ou fim, para o total desespero dos produtores de soja, milho e algodão do oeste baiano, onde está uma das principais províncias agrícolas do País e que, há anos, espera uma solução de transporte para escoar sua produção.
Os primeiros 500 km da ferrovia baiana, que começariam em Figueirópolis (TO), ponto de ligação com a Ferrovia Norte-Sul, e avançariam até Barreiras (BA), não tem um metro sequer de execução até hoje, por causa de discussões intermináveis sobre seu o traçado. O trecho central da Fiol – os 500 km que ligam Barreiras a Caetité – estão hoje com 42% de execução física, mas ainda há lotes que praticamente não foram iniciados. A terceira parte de 500 km, que avança até Ilhéus, está com 67% de execução geral. É onde se concentram os esforços de manutenção para que o desperdício do dinheiro público não seja ainda maior. O fim dessa linha, porém, está apontado para um porto que ainda não existe.
Em Jequié
As obras da ferrovia baiana começaram em 2010 e a previsão era concluí-la em junho de 2013. De R$ 4,2 bilhões, a obra já chega a R$ 5 bilhões e não se sabe mais onde é que seu custo vai parar. Para completar, o governo tratou de deixar o empreendimento de fora de seu novo pacote de concessão ferroviária, ou seja, não há interesse de atrair capital privado para construir a ferrovia, tampouco há dinheiro público para executá-la.
Ignorada pelos planejamentos logísticos do Palácio do Planalto, o empreendimento aguarda uma solução. Na BR-030, a ponte de concreto espera pelos serviços de manutenção.
terça-feira, 12 de maio de 2015
Salvador diz NÃO ao PT
Por Vitor Hugo Soares.
Transcrito do Blog do Noblat
Lula na TV, samba de Gonzaguinha, e marqueteiro baiano
Transcrito do Blog do Noblat
Lula na TV, samba de Gonzaguinha, e marqueteiro baiano
Sabe-se, desde a primeira hora, que a ausência de Dilma no programa do PT, foi sugerida por Lula, que virou "âncora" do fracasso
“Ô muié/Traga a panela/Pr'eu bater no fundo dela
Com o cabo da cuié/Pois senão não tem feijão
Ora vamo fazer um arrasta-pé /(Não é?)
Eu já vivi muito tempo/ E vou viver muito mais
Já vi coisa nessa vida/De fazer cair pra trás
O mandado é quem faz tudo/O mandador é quem desfaz
O mandado não tem nada/ O mandador tem é demais (qual é)”
(Versos do samba “Pá-nela”, composição de Gonzaguinha, sucesso na interpretação de Roberto Ribeiro)
Foi tiro e queda, do jeito que se diz lá no meu sertão, à beira do Rio São Francisco: Lembrei logo da letra do samba do saudoso e visionário filho de Luiz Gonzaga, quando o pernambucano líder maior e fundador do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva - ex-presidente da República e campeão de antigas pesquisas de popularidade - pronunciou as primeiras palavras no programa político de seu partido no rádio e na TV, e o protesto começou.
As panelas e as buzinas começaram a zoar como jamais se havia escutado e visto antes em Salvador - propagandeado "paraíso petista" implantado há anos à beira da Baia de Todos os Santos. Impressionante. Mesmo tendo vivido e presenciado tantas voltas e reviravoltas da vida e da política do País, era difícil acreditar no que estava acontecendo na terceira maior capital do Brasil, na noite de terça-feira, 5 , para não esquecer. "O lugar onde devo ter nascido em outra encarnação", segundo o próprio Lula. Tirada espiritualista de palanque em comício eleitoral no Farol da Barra, tempo não muito distante, quando Antonio Carlos Magalhães era ainda quem mandava na Bahia.
Nos 10 minutos do panelaço desta semana, a capital que sediará, com pompas e circunstâncias já anunciadas, no mês de junho, o congresso nacional do partido no poder com Dilma Rousseff (a presidente que se esconde até das comemorações dos 70 anos da vitória das forças aliadas contra o nazismo na II Guerra Mundial), virou de pernas para o ar. O "santuário" político e eleitoral de Lula, herdado por Dilma nas duas últimas disputas presidências, parecia outra vez tomada pelo espírito indomável que deu a Salvador, a fama histórica de "cidadela de oposição".
Nos 10 minutos do panelaço desta semana, a capital que sediará, com pompas e circunstâncias já anunciadas, no mês de junho, o congresso nacional do partido no poder com Dilma Rousseff (a presidente que se esconde até das comemorações dos 70 anos da vitória das forças aliadas contra o nazismo na II Guerra Mundial), virou de pernas para o ar. O "santuário" político e eleitoral de Lula, herdado por Dilma nas duas últimas disputas presidências, parecia outra vez tomada pelo espírito indomável que deu a Salvador, a fama histórica de "cidadela de oposição".
Em segundos, a silenciosa rua em que moro (eu também) no bairro de classe média do Itaigara (e imediações), onde é possível ouvir um inseto voando - mesmo nos dias de maior zoada do furdunço do carnaval baiano – foi tomada por um barulho ensurdecedor. Taque, Taque, Taque, nas janelas e sacadas dos prédios. Fon, Fon, Fon, nas ruas e avenidas adjacentes. E na cidade quase inteira, uma incrível sintonia de sinais luminosos tremelicando nas casas e nos edifícios, apesar da contenção dos gastos com energia elétrica, para tentar driblar a escorcha das contas de luz. Até aqui, uma das marcas mais gritantes do conto eleitoral no segundo governo da mandatária petista.
Arte de Miguel
Um espetáculo de indignação política e social de uma cidade estimulante de ver. Mas difícil de acreditar e entender (mesmo para calejados jornalistas e analistas políticos) "na capital mais lulista e dilmista do Brasil", no dizer de boca cheia dos petistas locais.
Ainda mais, quando o intenso e incessante bater de panelas e buzinaço nas ruas, durante todo o tempo do programa na TV, vinham acompanhados de gritos e palavras de ordem impensáveis até bem pouco tempo. Pelo menos antes do processo do Mensalão e da Operação Lava Jato, que começaram a penetrar e expor os intestinos corruptos e corruptores do poder atual no país: "Fora PT", "Fora Dilma", "Fora Lula". "Pega Ladrão", "Mentiroso".
Arte de SPONHOLZ
Fiquemos por aqui, porque outras palavras de ordem gritadas e gravadas nas principais zonas da capital baiana, além Itaigara (Pituba, Stiep, Rio Vermelho, Barra, Brotas, Centro, Cidade Baixa...) são impróprias para menores. Mas os vídeos foram mostrados depois em noticiários de TV, sites dos jornais, blogs e, principalmente, postados fartamente nas redes sociais.
Mas foi um panelaço do tamanho do Brasil, e o mundo inteiro ficaria sabendo disso quando o fato virou notícia, logo em seguida, no Jornal Nacional, e pegou também a estrada internacional. É verdade, tudo bem!.
Acontece que em Salvador, um protesto desta envergadura contra Lula, o Governo Dilma e o PT, é algo praticamente inédito. E, seguramente, o alto comando estadual petista, a começar pelo governador Rui Costa, vai pensar nisso, antes da magna reunião nacional do PT, marcada para acontecer em breve na cidade.
Arte de GIANCARLO
Por enquanto, segue a caça aos bodes para jogar a culpa pelo fiasco monumental do programa do Partido dos Trabalhadores. Sabe-se, desde a primeira hora, que a ausência de Dilma no programa do PT, foi sugerida por Lula, que virou "âncora" do fracasso, ao lado do presidente nacional do partido, Rui Falcão. Este recebeu gritos de "mentiroso" no panelaço soteropolitano, quando anunciou na TV que os petistas, comprovadamente com culpa no cartório do Lava Jato, serão expulsos do partido.
"Sabe de nada, inocente!", diria o compadre Washington na Bahia.
Diz-se, também, agora aos quatro ventos: por motivos "de contenção de despesas, diante da crise geral", o tradicional responsável pela propaganda nacional do PT (João Santana) foi substituído por Maurício Carvalho: um marqueteiro de Salvador, notório propagandista com pouco senso de realidade e '"ego do tamanho de um bonde'', como dizem os soteropolitanos. O tipo ideal para ser o bode da vez dos que mandam e realmente decidem no PT. A conferir.
domingo, 8 de março de 2015
A frase do Petrolão, dita por um vice governador
15 de março
Farol da Barra às 15:00
Salvador/BA
"Eu estou cagando e andando para esses cornos"
[João Leão - vice governador da Bahia,
ao ser questionado sobre seu nome
fazer parte da Lista de Janot /
Operação lava Jato]
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Mensalão baiano - Ouça o aúdio
O esquema milionário montado pelo Partido dos Trabalhadores para desviar recursos de programas sociais para campanhas eleitorais de petistas na Bahia vai ser investigado por uma força tarefa do Ministério Público.
Procuradores e promotores vão reabrir o caso que tem como alvo o Instituto Brasil, uma ONG criada por petistas para camuflar a atuação do grupo criminoso. Na edição de VEJA desta semana, a presidente do instituto, Dalva Sele Paiva, revela que a entidade foi usada para fazer caixa dois para o partido por quase uma década.
Áudio: senador Walter Pinheiro
responsabiliza PT por caixa 2 baiano
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