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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Os imbecis de Umberto Eco

Esse texto do jornalista SANDRO VAIA  foi publicado em 26FEV. Em respeito e como homenagem republico.


Por Sandro Vaia.
Blog do Noblat


Os imbecis de Umberto Eco
Em memória de Umberto Eco, vamos lembrar aqui uma reflexão recente do mestre da semiótica que, em seus estudos, como o marcante “Apocalípticos e Integrados”, deu um verniz de nobreza às manifestações da cultura de massas, como as histórias em quadrinhos ou o cinema.

Numa cerimônia realizada em 2015 na Universidade de Turim, onde ensinava, Eco foi impiedoso com as consequências do uso indiscriminado das mídias sociais para discussões supostamente edificantes:

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”.

Arte de PAIXÃO


Esta semana tivemos o exemplo mais sólido do que pode acontecer quando a miséria intelectual do debate político brasileiro se mistura ao direito de fala concedido aos milhões de imbecis. Só podia dar no que deu: um espetáculo de degradação e desinformação de fazer corar, como se dizia antigamente, um frade de pedra.

Vamos passar por cima e desconsiderar, para efeitos de discussão do uso desqualificado das redes sociais, dos mexericos da Candinha que envolveram a vida privada de políticos de relevo, com discussão sórdida de detalhes que só interessam aos envolvidos e que não trouxeram a mínima evidência do uso de dinheiro público.




Baixarias à parte, houve um outro tema que não envolvia alcova, mas que demonstra, de maneira chocante, a superficialidade e a desinformação que pautam grande parte da opinião pública assim dita “engajada” numa guerra de palavras de ordem e slogans sem pé nem cabeça em torno de um assunto de grande interesse para o País: a exploração dos campos de petróleo das províncias do pré-sal, que os dois últimos presidentes chamaram de “bilhete premiado”.

Até as rochas submersas sabem que os governos petistas se agarraram a essa descoberta como se ela fosse a lâmpada de Aladim da redenção nacional. Fizeram de tudo com o pré-sal: tiraram fotos com as mãos sujas de óleo (ah, se fosse só de óleo…), gastaram por conta, resolveram os problema de educação até o fim dos tempos, e só não dançaram fantasiados de barril de petróleo na Praça dos Três Poderes porque Shigeaki Ueki, o “japonesinho do Geisel”, já tinha prometido fazer isso antes.



No meio dessa euforia, o governo criou um marco regulatório substituindo o sistema de concessão pelo de partilha, e sacou da algibeira uma decisão insensata, que foi a de OBRIGAR a Petrobrás a comandar a operação de todos os campos, com uma participação mínima de 30%.

A Petrobrás, que atualmente deve 5 vezes mais do que vale, não tem, neste momento, condições de cumprir a OBRIGAÇÃO. Portanto, sem dinheiro para cumprir o que manda a lei, a Petrobrás não pode licitar campos porque não tem dinheiro para investir neles. Obviamente, a exploração dos campos, prejudicada além de tudo pela queda brutal dos preços do óleo cru, diminuiu de ritmo.



O projeto de lei de José Serra, aprovado no Senado, OBRIGA a Petrobras a ceder os campos? Não, ele só a DESOBRIGA de participar e comandar a operação de todos e com um mínimo OBRIGATÓRIO de 30%. Se União acha que a empresa tem condições de entrar com 30%, tudo bem. A decisão é da União. A lei aprovada pelo Senado não prejudica em nada a Petrobras. Pelo contrário: lhe dá mais alternativas para uma escolha racional, que mais interesse à empresa naquele momento.

As redes sociais, povoadas de imbecis ideológicos, desenterrou dos seus baús de memórias afetivas slogans velhos e bichados como “entreguistas” e condenou a união de bárbaros pela “entrega” do pré-sal aos “agentes do imperialismo”.

Pode haver coisa mais enferrujada do que essa? Os “patriotas” do arco da velha preferem ficar sem petróleo nenhum do que abrir mão de seus mitos ideológicos.

Não existe maneira mais fácil de identificar os imbecis de Umberto Eco.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A marca da corrupção em 2006


A lama que vem hoje à tona e suja as mãos do governo mostra que Lula e Dilma têm muitas contas a pagar com o Brasil. Esta imagem é de 21 de abril de 2006. Sorrindo, o ministro de Minas e Energia de Dilma no primeiro mandato, Edison Lobão. O presidente da Petrobras era José Sergio Gabriell (2005 a 2012), o recluso cujo endereço é agora reclamado pela Justiça. Ele é testemunha de defesa do pessoal que lava tudo a jato. Que turma. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República).

Do blog de Ruth de Aquino

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

XÔ CORRUPÇÃO!

Transcrito do sempre ótimo Besta Fubana

Charges de Roque Sponholz

Ratos têm mesmo de ir para a cadeia

“Quem organizou essa merda?”

A frase, dita por Lula, muito irritado com o naufrágio do comício na Cinelândia, no Rio, na defesa da exploração da camada do pré-sal e da Petrobras.

E acabou atingindo Rui Falcão, presidente nacional do PT e Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, licenciado do cargo, encarregados de reunir sindicatos, militância do partido, organizações sociais e estudantis e que conseguiram arrebanhar pouco mais de 600 pessoas.No geral, foram levadas em ônibus fretados e com direito a R$ 100 de ajuda de custo.




A fúria nacionalista de Lula foi apenas uma tentativa de fogo de encontro para encobrir os escândalos da Petrobras, que ameaçam crescer mais com a delação premiada de Paulo Roberto Costa.

É por isso que eu fico completamente emputiferado e sempre desconfio de tudo que é publicado na grande mídia reacionária. Esta porra deste tal de PIG – Partido da Imprensa Golpista, num tem vergonha mesmo.



Me dei ao trabalho de examinar várias fotos do evento acontecido na última segunda-feira no Rio de Janeiro, além de consultar uns 13 observadores fubânicos que estiveram presentes ao monumental acontecimento. E gastei um tempo enorme contando a quantidade de pessoas que apareciam em cada foto. Na foto que tinha menos gente, apareceram 37 cabeças. A que tinha mais, eu contei 613 cabeças.

De modo que esta informação de que o grande “ato apartidário” tinha “pouco mais de 600 pessoas” é uma deslavada mentira. 613 é um número bem maior do que 600.

E ainda tem um detalhe que merece ser destacado: funcionários da Petrobras, concursados e sem cargos comissionados, foram impedidos, pelos chefes da empresa, de jogar das janelas do prédio uma chuva de papel. E o que continham estes papéis? Imagens de algemas encimadas pela frase “Pega ladrão“. Esta proibição empanou demais o brilho do impressivo ajuntamento vermêio. Uma tremenda duma sacanagem dos chefes petralheiros. Quer dizer, dos chefes petroleiros.



Durante o histórico comício, Lula fez um vigoroso discurso, um pronunciamento brilhante que, entre outras enérgicas e patrióticas afirmações, continha esta que eu destaco agora pra vocês:

“Se houve erros, tem que investigar. 
Se for culpado, tem que ir para a cadeia”.

Concordem comigo: num tá linda está frase? Precisa um cabra ser muito macho, muito honesto, muito ético, muito honrado e muito peitudo pra dizer isto em público.

Aliás, a propósito de Rui Falcão, maldosamente citado na notícia aí de cima, vejam ele na foto abaixo, atrás de Lula, chegando ao local do comício, estampando um sorriso tão belo quanto sua careca:


Vocês podem olhar e conferir: a multidão é tão grande e compacta que os dois mal conseguem andar no meio do povo, constituído tanto pela militância voluntária quanto pelos cartazistas profissionais – que eram a grande maioria -, que receberam a merecida gratificação de 100 reais por cabeça. Só nesta foto aí em cima eu contei pra mais de 13 militantes ao redor deles.

Francamente, eu fico revoltado com esta injusta e caluniosa campanha midiática contra Lula e contra o partido do qual ele é proprietário.

Fecho a postagem repetindo a frase do maior istadista que eztepaiz já teve, desde o seu descobrimento: 

“Se for culpado, tem que ir para a cadeia”

Estes ratos (todos com cara de tucano) que depenaram a Petrobras e roeram o sagrado pano da nossa bandeira devem mesmo ir pra cadeia.


Campanha XÔ CORRUPÇÃO - 2002
Criação de Duda Mendonça



terça-feira, 22 de outubro de 2013

O leilão ... na visão dos chargistas

FRANK
 

ZEDASSILVA
 

AROEIRA
 

CLAYTON
 

JOTAPÊ
 


PAIXÃO
 

SINFRONIO
 

LUTE
 

PELICANO
 

AMORIM
 

MARCO AURELIO

charge online

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As perdas avassaladoras da Petrobrás

O Estado de S.Paulo - 07 de agosto de 2012
 
As perdas avassaladoras da Petrobrás
O surpreendente prejuízo de R$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre é a síntese do custo que está sendo imposto à Petrobrás e, sobretudo, a seus acionistas e ao País por um modelo de gestão que a levou à estagnação em duas áreas essenciais - a de exploração e produção e a de refino e abastecimento.
 
Esse modelo provocou a drástica redução de sua lucratividade, a ponto de a levar a registrar, de abril a junho, seu primeiro resultado negativo em 13 anos, mesmo com a receita líquida tendo alcançado R$ 68,05 bilhões, 11,5% mais do que a do segundo trimestre de 2011. Fatores conjunturais, como a valorização do dólar em relação ao real e a defasagem dos preços dos combustíveis no mercado interno, agravaram problemas que se acumularam ao longo da administração petista da empresa.
 
A área de exploração e produção registrou, no segundo trimestre, lucro líquido de R$ 10,67 bilhões, um resultado expressivo em valor, mas que, comparado com o de 2011, se revela frustrante. O aumento foi de apenas 0,7%. Nos últimos três anos, quando o PIB brasileiro cresceu mais de 10%, a produção da Petrobrás manteve-se praticamente estagnada, o que levou a diretoria da empresa a anunciar um plano de emergência para recuperar sua eficiência nessa área.
 
Evidência da baixa eficiência da empresa é a constatação de que muitos poços perfurados pela estatal na área do pré-sal - a grande promessa anunciada pelo governo do PT - estavam secos. Quando se anunciam os investimentos em novos poços, os valores não são contabilizados como despesas. No momento em que se constata que esses poços estão secos, porém, os valores precisam ser lançados nessa rubrica. Foi o que aconteceu no segundo trimestre, quando essas despesas somaram R$ 2,73 bilhões, R$ 2,1 bilhões mais do que os gastos com esse item no primeiro trimestre.
 
São particularmente ruins os resultados na área de abastecimento. A política comercial da empresa, imposta pelo governo do PT, não repassa integralmente ou retarda ao máximo o repasse dos preços internacionais para o mercado interno. Apesar da alta da cotação do petróleo e dos derivados que o País importa em volumes crescentes, o preço da gasolina cobrado pela Petrobrás em suas refinarias teve apenas dois aumentos desde novembro (de 10% e de 7,83%). Essa política já provocara prejuízo de R$ 2,28 bilhões na área de Abastecimento no segundo trimestre do ano passado; neste ano, as perdas subiram para R$ 7,03 bilhões.
 
Como sua produção, a capacidade de refino da Petrobrás está estagnada há anos. O governo Lula aproveitou essa situação para fazer grandes anúncios de investimentos na expansão da capacidade da empresa e utilizar de maneira política esses anúncios, agradando a governadores de alguns Estados e, em particular, o parceiro internacional preferido dos petistas, o caudilho venezuelano Hugo Chávez. Os resultados dessa exploração político-ideológica da empresa são desastrosos, operacional e financeiramente.
 
Como mostrou reportagem do Estado (5/8), 18 meses depois do lançamento de sua pedra fundamental pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua coberto de mato o terreno, no Ceará, onde deverá ser construída a refinaria Premium 2, anunciada como prioritária pela Petrobrás e com capacidade prevista para processar 300 mil barris/dia.
Outra refinaria que simboliza a política lulista para a área energética e para a América Latina, a de Abreu e Lima, em Pernambuco, nasceu de uma pretensa parceria entre a Petrobrás e a venezuelana PDVSA. Até agora, porém, a obra não recebeu nem um centavo sequer do parceiro estrangeiro, está com as obras muito atrasadas - prevista para funcionar em 2011, só ficará pronta em 2014 - e já custa praticamente o quádruplo do valor orçado no início e o triplo do valor internacional médio de um empreendimento similar.
 
Em mensagem aos acionistas, a presidente da empresa, Graça Foster, disse que a Petrobrás tem histórico, reservas e pessoal para a levar "a patamares de excelência" que lhe assegurem rentabilidade. De fato, tem. Mas precisa ter também uma diretoria capaz de, resistindo a pressões políticas do governo, restaurar a eficiência perdida.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

28.10, acontecerá o maior FACTÓIDE que o Brasil já viu!

Nunca antes na história dessepaiz  existiu ou existirá um FACTÓIDE dessa grandeza, pois segundo o site de claudio humberto , para este "grandioso" acontecimento serão usados 4 navios e 6 helicópteros da Marinha pelo cabo eleitoral/presiMente na visita ao “campo petrolífero” de Tupi, para discursos em defesa do pré-sal e para insinuar que o candidato do PSDB, José Serra, ameaça “privatizar a Petrobras”.

Por razões de segurança, como o campo de Tupi fica em alto mar, a 155 milhas da costa, haverá um navio a cada 50 milhas, e cada um deles terá um helicóptero, para eventual emergência.


Um dos navios mobilizados no factóide de Lula servirá de heliporto alternativo e também como base de reabastecimento de helicópteros.

Um helicóptero será usado apenas para transportar 14 jornalistas. Afinal, o factóide será produzido para que eles o documentem.

A comitiva de Lula, incluindo seguranças, seguirá em outro helicóptero. Há tensão no comando da Marinha: oficiais temem que algo dê errado (será que conhecem a Lei de Murphy?).

O governo não divulgou o custo da mobilização de quatro navios e seis helicópteros, incluindo combustíveis e diárias, no factoide em alto mar.


Imaginem o custo dessa brincadeira. Chuvas torrenciais serão bem vindas.

sábado, 5 de setembro de 2009

Josias de Souza > Lula, e o pré-sal... de novo!

charge do The Economist


Por Josias de Souza
Lula é um presidente monotemático. No momento, as sondas de sua retórica encontram-se enfiadas nas profundezas.

Ele dorme com o pré-sal, acorda com a Petrobras, toma óleo no café, mastiga o modelo de partilha no almoço e janta a oposição.

O presidente se repete com límpido impudor. Não tem escrúpulos de usar, mil vezes, a mesma metáfora.

O pré-sal, Lula repisa à exaustão, é um “bilhete premiado”, o “passaporte para o futuro”, a “segunda independência do Brasil”.

Na noite de domingo, véspera do feriado de 7 de Setembro, Lula invadirá os lares brasileiros numa cadeia de rádio e TV.

Gravou o pronunciamento nesta sexta (4). Aborda três temas. Num trecho, Lula venta pré-sal. Noutro, chove pré-sal. Mais adiante, relampeja pré-sal.

Uma coisa muito repetida costuma perder a solenidade. É precisamente o que deseja Lula: transformar o pré-sal num assunto de mesa de botequim.

A massificação é tão intensa que, em dado momento, mesmo o brasileiro mais humilde vê-se compelido a exclamar:

“Ah, o pré-sal! Que maraviha! O país está salvo! A nação se redime! O Brasil será outro Brasil!”

O óleo só jorrará em escala comercial depois de 2015, quiça 2020. Mas o trololó ininterrupto de Lula acomoda o futuro a um palmo do nariz.

Sem discurso próprio, a oposição é escrava da agenda de Lula. Corre atrás do lero-lero do presidente como cachorro raivoso que persegue o automóvel.

Os rivais de Lula, por incompetentes, descem à crônica política como cães que ladram enquanto a caravana passa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sardemberg > Sob as asas do governo

ilustração web


Por Carlos Alberto Sardemberg.




Sob as asas do governo
Lá pelas tantas, na cerimônia de lançamento do modelo do pré-sal, a ministra Dilma Rousseff comentou: "Passou a época em que achávamos ótimo, maravilhoso, comprar plataformas e navios no exterior."

Dado o discurso nacionalista do governo Lula, está aí a acusação de entreguista à administração FHC do passado e ao PSDB de hoje, principal adversário em 2010.

Não se trata, porém, de postura meramente eleitoreira. É política efetiva do governo Lula estimular a produção industrial nacional, em especial no setor ligado ao petróleo. É uma escolha de política econômica, com seus prós e contras.

O eleitoreiro no caso é acusar de entreguista outras escolhas possíveis, como a de comprar plataformas onde sejam mais baratas e estejam disponíveis mais rapidamente. Assim, tirando a campanha eleitoral do assunto, o que temos?

Se a opção do governo brasileiro for a de acelerar a produção de petróleo e reduzir os custos de exploração, então deveria determinar à Petrobras que encomendasse seus equipamentos em licitações internacionais, sem exigências de componente nacional.

A maior parte das encomendas acabaria destinada a produtores no exterior, pela simples razão de que fabricantes na Coreia, China, Cingapura, por exemplo, são mais eficientes. Como mais eficientes? Têm mais escala, mais acesso a tecnologia, trabalham em ambiente de negócio mais favorável, com carga tributária bem menor e mais simples que a nossa e amplo acesso a financiamento mais barato.

No debate sobre o pré-sal, representantes locais da indústria naval e de equipamentos apontaram exatamente esse ponto, o pesado custo Brasil, que reduz a competitividade das empresas aqui instaladas.

Eis o dilema: comprar aqui será mais caro e mais demorado; mas comprar lá fora significa perder uma oportunidade de desenvolver uma importante indústria local.

Que fazer? Um caminho óbvio — e que de resto beneficiaria toda a economia, e não apenas o setor petrolífero — é reduzir o custo Brasil. Só que o governo Lula está fazendo o contrário.

Com o forte aumento das despesas públicas, em todos os itens, e dado o compromisso de manter as contas equilibradas, só resta uma saída: arrecadar mais impostos. A carga tributária, que já é, de longe, a maior entre os países emergentes, vai aumentar ainda mais. Os impostos que encarecem as contratações de trabalhadores formais, que já estão entre os maiores do mundo, continuarão assim ou subirão ainda mais.

Também não há chance de simplificar o sistema tributário, um dos piores do mundo, e que impõe custos administrativos para todas as empresas. Além disso, a manutenção de um nível elevado de gastos impede o governo de abater dívida mais rapidamente.

Endividamento público elevado exige juros mais altos — o que impede o BC de levar mais longe a derrubada da taxa básica.

Tudo considerado, a política macro do governo não se equilibra. Se o objetivo é desenvolver a indústria nacional, então seria preciso melhorar o ambiente de negócios, o que exige conter o gasto público de modo a permitir menos impostos e menos juros.

O governo pretende sair desse córner criando regimes especiais para certas indústrias. Alguns setores, como o de petróleo, podem ser beneficiados com menos impostos e receber financiamento com juros subsidiados. Isso significa aumentar o dinheiro público entregue para certas empresas, o que necessariamente deverá ser compensado com aumento de impostos para outros setores e para a população.

E aqui caímos no velho dirigismo. O governo de plantão escolhe quem tem direito a benefícios e dinheiro barato, o que leva a duas consequências: o controle político da economia — ganha quem está mais perto do poder, não quem é mais competente — e a criação de empresas ineficientes, que só sobrevivem à sombra do governo.

Já aconteceu antes e custou caro para o contribuinte. Mas é o projeto de Lula: controlar movimentos sociais, com as bolsas; sindicatos, com dinheiro e emprego para os sindicalistas, e empresários, com dinheiro e encomendas.

O resultado é uma ineficiência geral e uma redução da capacidade de crescimento da economia brasileira. E assim corremos o risco de voltar à época em que quem quiser equipamentos eficientes terá de comprar lá fora, não por achar "maravilhoso", mas porque serão melhores e mais baratos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As Eleições e o Pré-Sal



charge de lute

Por Ricardo Noblat

Pré-Sal - sociedade à margem
A natureza da política é a coerção e a impostura, segundo o escritor inglês George Orwell em um dos textos reunidos no livro "Dentro da Baleia e outros ensaios" (Companhia de Letras). Um bom exemplo do que ele diz está em curso com o envio para o Congresso dos projetos do Pré-sal.
O governo levou 14 meses para prepará-los. E agora pressiona o Congresso para aprová-los em 90 dias. Aqui a coerção.

Aqui a impostura: o governo quer evitar uma longa discussão no Congresso para que ela não se estenda ao ano eleitoral de 2010 e não seja contaminada por ele. Na verdade, o governo quer o Pré-sal como um dos trunfos da campanha eleitoral de sua candidata a presidente, Dilma Rousseff.
Não basta que Dilma represente a continuidade do governo bem avaliado de Lula. Ela precisa despertar esperanças, jogar para frente. Tem algo mais para frente - e põe para frente nisso - do que o Pré-sal - a extração de petróleo e gás a grande distância da costa brasileira, a profundidades abissais e a longuíssimo prazo?
O governo pretende que o Congresso aprove às pressas o que ele teve tempo suficiente para amadurecer. A sociedade ficará à margem da discussão.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Governo quer criar estatal para o Pré-Sal

charge de Myrria.
Tirada do drops

Direto da Redação.Terra

Governo decide criar estatal para administrar pré-sal
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou nesta segunda-feira que o governo decidiu criar uma estatal para cuidar diretamente dos investimentos do petróleo na camada pré-sal.
De acordo com o ministro, que participou da segunda reunião ministerial do ano, também há decisão política de substituir o atual sistema de concessão de blocos pelo sistema de partilha de produção.
Pela nova regra, a ser aplicada exclusivamente na região do pré-sal, a União ficaria com determinado percentual da produção, ao passo que caberia às empresas exploradoras o restante do insumo recolhido.
A parte que caberá à União, será destinada a um fundo social, garantirá investimento para os setores sociais, como educação e saúde.
"Em princípio, estamos contemplando a manutenção do sistema de concessão nos contratos que já foram realizados. Porém, para toda a região do pré-sal e muitas regiões estratégicas, nós estamos imaginando criar um sistema de partilha (de produção)", observou o ministro, que participa desde 18 de julho de 2008 do grupo interministerial que avalia a criação de um novo marco regulatório para o pré-sal.
"Criamos um fundo social que se destinará à manutenção de educação, saúde e questões de natureza social, será um fundo trabalhista", completou.
Para saber mais, clique aqui