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domingo, 13 de março de 2016

A história de A Marselhesa

Curiosidades em Guerra


XLIX - A Marselhesa



Em virtude dos tristes acontecimentos no ano que passou, o hino nacional francês praticamente se transformou no hino do mundo inteiro. Além de ser tocado e repetido em vários países, pessoas das mais diversas nacionalidades estão unindo suas vozes às dos franceses nesses momentos de dor e perplexidade.

No entanto, além de ser muito bonito e conhecido, você sabe o que La Marseillaise representa e por que ele vem sendo cantado com tanto fervor? De acordo com a BBC, o hino foi composto pelo capitão do exército francês Claude Joseph Rouget de Lisle em 1792, depois que tropas da Prússia e Áustria invadiram a França com o propósito de reprimir a Revolução Francesa.




Chant de guerre
Originalmente, o hino recebeu o nome de Chant de guerre pour l'armée du Rhin (ou Canto de Guerra para o Exército do Reno) e foi criado para instigar os soldados franceses a lutar em defesa de seu país. Entoada pelas tropas que chegavam a Paris vindas de Marseilles — foi daí que a composição ganhou o apelido de La Marseillaise —, a música foi adotada como hino nacional da França em 1795.

No entanto, apesar da popularidade da música entre os franceses, Napoleão Bonaparte destituiu a composição enquanto esteve no poder e, mais tarde, durante a Restauração Francesa, La Marseillaise continuou guardado na gaveta. Isso até que, na época da Terceira República Francesa — período que durou de 1870 a 1940 —, o canto de guerra voltou a se tornar hino nacional.




Canto do povo
De acordo com David Walker, professor emérito de francês na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, nem todos os franceses curtem a letra militar do hino. Esse era o caso de Valery Giscard d'Estaing, que foi presidente da França entre 1974 e 1981 e achava que a música era belicosa demais. Inclusive há quem critique a composição, dizendo que o trecho "que um sangue impuro banhe o nosso solo" pode remeter ao racismo.

Por outro lado, a verdade é que pouca gente dá atenção às minúcias da letra, e La Marseillaise, em vez de ser considerado como um chamado à batalha, é tido como um poderoso canto de desafio e resistência. Ao contrário de muitos hinos que existem pelo mundo, o francês não é uma música sobre a aristocracia, mas sim sobre os cidadãos, sobre o povo.



Além disso, sua composição é arrebatadora e apaixonada, e a música foi entoada com impetuosidade durante vários momentos importantes da história da França. Sendo assim, nada melhor do que cantar La Marseillaise para despertar, mais uma vez, o sentimento de solidariedade e coragem face ao perigo — e não só no povo francês, mas em todo o mundo.

Letra e tradução


Allons enfants de la Patrie,Avante, filhos da Pátria,
Le jour de gloire est arrivé!O dia da Glória chegou!
Contre nous de la tyrannie,Contra nós a tirania,
L'étendard sanglant est levé, (bis)O estandarte ensanguentado se ergueu.(bis)
Entendez-vous dans les campagnesOuvis nos campos
Mugir ces féroces soldats?Rugir esses ferozes soldados?
Ils viennent jusque dans vos brasVêm eles até os vossos braços
Égorger vos fils, vos compagnes!Degolar vossos filhos, vossas mulheres!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchons, marchons!Marchemos, marchemos!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchez, marchez!Marchai, marchai!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Que veut cette horde d'esclaves,O que quer essa horda de escravos,
De traîtres, de rois conjurés?De traidores, de reis conjurados?
Pour qui ces ignobles entraves,Para quem (são) esses ignóbeis entraves,
Ces fers dès longtemps préparés? (bis)Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis)
Français, pour nous, ah! quel outrageFranceses, para nós, ah! que ultraje
Quels transports il doit exciter!Que comoção deve suscitar!
C'est nous qu'on ose méditerÉ a nós que ousam considerar
De rendre à l'antique esclavage!Fazer retornar à antiga escravidão!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchons, marchons!Marchemos, marchemos!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchez, marchez!Marchai, marchai!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Quoi! des cohortes étrangèresO quê! Tais multidões estrangeiras
Feraient la loi dans nos foyers!Fariam a lei em nossos lares!
Quoi! ces phalanges mercenairesO quê! Essas falanges mercenárias
Terrasseraient nos fiers guerriers! (bis)Arrasariam os nossos nobres guerreiros! (bis)
Grand Dieu! par des mains enchaînéesGrande Deus! Por mãos acorrentadas
Nos fronts sous le joug se ploieraientNossas frontes sob o jugo se curvariam
De vils despotes deviendraientE déspotas vis tornar-se-iam
Les maîtres de nos destinées!Os mestres dos nossos destinos!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchons, marchons!Marchemos, marchemos!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchez, marchez!Marchai, marchai!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Tremblez, tyrans et vous perfidesTremei, tiranos! e vós pérfidos,
L'opprobre de tous les partis,O opróbrio de todos os partidos,
Tremblez! vos projets parricidesTremei! vossos projectos parricidas
Vont enfin recevoir leurs prix ! (bis)Vão finalmente receber seu preço!(bis)
Tout est soldat pour vous combattre,Somos todos soldados para vos combater.
S'ils tombent, nos jeunes héros,Se tombarem os nossos jovens heróis,
La terre en produit de nouveaux,A terra novos produzirá,
Contre vous tout prêts à se battre !Contra vós, todos prestes a lutarem!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchons, marchons!Marchemos, marchemos!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchez, marchez!Marchai, marchai!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Français, en guerriers magnanimes,Franceses, guerreiros magnânicos,
Portez ou retenez vos coups!Levai ou retende os vossos tiros!
Épargnez ces tristes victimes,Poupai essas tristes vítimas,
À regret s'armant contre nous. (bis)A contragosto armando-se contra nós. (bis)
Mais ces despotes sanguinaires,Mas esses déspotas sanguinários,
Mais ces complices de Bouillé,Mas esses cúmplices de Bouillé,
Tous ces tigres qui, sans pitié,Todos os tigres que, sem piedade,
Déchirent le sein de leur mère !Rasgam o seio de suas mães!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchons, marchons!Marchemos, marchemos!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchez, marchez!Marchai, marchai!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Amour sacré de la Patrie,Amor Sagrado pela Pátria
Conduis, soutiens nos bras vengeursConduz, sustém nossos braços vingativos.
Liberté, Liberté chérie,Liberdade, liberdade querida,
Combats avec tes défenseurs ! (bis)Combate com os teus defensores!(bis)
Sous nos drapeaux que la victoireDebaixo as nossas bandeiras, que a vitória
Accoure à tes mâles accents,Chegue logo às tuas vozes viris!
Que tes ennemis expirantsQue teus inimigos agonizantes
Voient ton triomphe et notre gloire !Vejam teu triunfo e nossa glória.
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchons, marchons!Marchemos, marchemos!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchez, marchez!Marchai, marchai!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
(Couplet des enfants)(Verso das crianças)
Nous entrerons dans la carrière,Entraremos na carreira (militar),
Quand nos aînés n'y seront plus,Quando nossos anciãos não mais lá estiverem.
Nous y trouverons leur poussièreLá encontraremos suas cinzas
Et la trace de leurs vertus(bis)E o resquício das suas virtudes(bis)
Bien moins jaloux de leur survivreBem menos desejosos de lhes sobreviver
Que de partager leur cercueil,Que de partilhar seus caixões,
Nous aurons le sublime orgueilTeremos o sublime orgulho
De les venger ou de les suivre.De vingá-los ou de segui-los.
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchons, marchons!Marchemos, marchemos!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!
Aux armes, citoyens,Às armas, cidadãos,
Formez vos bataillons,Formai vossos batalhões,
Marchez, marchez!Marchai, marchai!
Qu'un sang impurQue um sangue impuro
Abreuve nos sillons!Banhe o nosso solo!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Um Cruzador chamado Bahia

Curiosidades em Guerra

XLVIII Um Cruzador chamado BAHIA


Cruzador é um tipo de navio de guerra que se encarregue de tarefas de exploração numa esquadra.



O Bahia como o Rio Grande do Sul eram os navios líderes da classe de cruzadores construídos para o Brasil pelo estaleiro Vickers Armstrong, na Inglaterra. Foi lançado ao mar em 1909, chegando ao Brasil em 1910 e denominado Bahia. Era considerado um orgulho para a Marinha do Brasil.


Seis meses após ter sido comissionado, em maio de 1910, seus tripulantes, juntamente com os do Minas Gerais e do São Paulo, entraram em motim, iniciando a Revolta da Chibata que veio a abolir o uso de açoitamento como forma de punição na Marinha.

 Cruzador Bahia nos anos 20


Durante a Primeira Guerra Mundial, o Bahia e seu navio-irmão, o Rio Grande do Sul, foram designados para a Divisão Naval em Operações de Guerra, principal contribuição da Marinha do Brasil naquele conflito. Sediada em Serra Leoa e no Senegal, a esquadra escoltou comboios por uma região fortemente patrulhada por U-Boots, esses dois cruzadores tinham a bordo hidro-aviões preparados para o combate aero-naval, bem como para as operações de minagem e torpedeamento, sendo caças - bombardeiros.

Em meados da década de 1920, o Bahia foi amplamente modernizado; recebeu três novas turbinas Brown–Curtis e seis novas caldeiras aquatubulares Thornycroft e, no processo, acabou sendo convertido de um navio a carvão para um movido a óleo. As alterações causaram uma significante mudança estética, passando a ter três chaminés no lugar de duas. O armamento também foi modificado; foram adicionadas três metralhadoras Madsen de 20,1 mm, uma metralhadora Hotchkiss de 7 mm, e quatro tubos de torpedo de 533 mm. Na década de 1930 serviu ao lado das forças do governo durante diversas revoltas.

Cruzador Bahia após reformas

Na Segunda Guerra Mundial o Bahia foi utilizado novamente como escolta de comboios na campanha do atlântico, navegando mais de 100.000 milhas náuticas no decorrer de quase um ano. O Bahia participou efetivamente liderando inúmeros comboios de navios mercantes aliados, sempre andava na frente fazendo movimentos de zigue zague, chegando a manter contato direto com U-Boats alemães.

Já no final da guerra apos um extenso período de patrulha, o Bahia recebera o que seria sua ultima missão na guerra antes de retornar para o Rio de Janeiro. O Cruzador partiu do porto de Recife para substituir o Contratorpedeiro Bauru na Estação 13, que ficava a 500 milhas do penedo de São Pedro e São Paulo.



Chegando na Estação apos pouco mais de 2 dias de navegação, os oficiais americanos a bordo começaram seu trabalho de controle de aeronaves. 

Era 4 de julho de 1945, durante os preparativos para um exercício com as metralhadoras antiaéreas Oerlikon de 20 mm, o cruzador Bahia parou momentaneamente para lançar ao mar um alvo flutuante para exercício de tiro, mas às 09:10h, foi atingido por uma violenta explosão provocada por um disparo acidental, que acertou as cargas de profundidade na popa.


Na catástrofe, perderam a vida o seu comandante, Capitão-de-Fragata Garcia D’Ávila Pires de Albuquerque e mais 339 dos 372 homens que estavam a bordo, inclusive 4 marinheiros norte americanos. Em 8 de julho, foram salvos apenas 36 tripulantes pelo navio mercante inglês S/S “Balfe“. 


A versão oficial narrando o motivo da explosão: uma metralhadora estava com sistema de retranca desarmada, que impede que seja disparado para dentro do navio em caso de combate contra aeronaves.

U-530


Outra versão, extraoficial, é que teria sofrido um ataque certeiro de um possível torpedo lançado do U-530 que mais tarde se rendeu na Argentina. Essa possibilidade pode ser verdadeira por conta do sistema de retranca da metralhadora não ser um equipamento fácil de ser destravado, necessitaria de no minimo três homens, e não teria nenhuma vantagem para o artilheiro.

Fontes

domingo, 6 de dezembro de 2015

O Zoo que sobreviveu ao cerco de Leningrado

Curiosidades em Guerra

XLVII O Zoológico de Leningrado 


Em setembro de 1941 as tropas alemãs cercaram a cidade de Leningrado (agora São Petersburgo) e iniciaram o cerco que durou até janeiro de 1944.

Além do simbolismo de tomar o berço da revolução, Hitler considerava Leningrado vital devido a sua fábrica de tanques e veículos blindados além, claro, de seu porto.

Acesso ao jardim zoológico. Cartão postal. 1920.


Dada a defesa feroz dos soviéticos e a impossibilidade de a ocupar pela força, Hitler decidiu conquistá-la pela fome.

A população foi submetida a luta mais incrível pela sobrevivência, onde a escassez dos alimentos levou os sitiados a acabar com a população de pombos, gatos, cães e até mesmo atos de canibalismo foram cometidos. 

Os poucos suprimentos que conseguiam chegar à cidade o faziam pelo congelado Lago Ladoga mas eram insuficientes para uma população de 3.000.000 de habitantes. Quando a cidade foi libertada, havia mais de um milhão de mortos.

Mas, mesmo naquele lugar de morte e desolação, havia um lugar para escapar da barbárie, o Zoológico de Leningrado.



Antes de começar o cerco, e do avanço das tropas alemãs, cerca de 80 animais - quase metade do zoológico foram evacuados para outras cidades -  panteras negras, tigres, ursos polares, antas e um rinoceronte mas não puderam transferir a todos. 

Logicamente, os animais sofreram a escassez de alimentos muito antes da população. Só a dedicação dos próprios trabalhadores do zoo conseguiram salvar a vida de muitos deles. 

Eles procuravam alimentos recolhendo ervas, raízes, castanhas, bolotas, etc. Couves e nabos eram  plantadas dentro do próprio zoo. Para os carnívoros, eles cobriram as peles de cães e gatos com uma mistura de ervas e miudezas. Jaulas e paredes haviam sido destruídas pelos bombardeios mas os funcionários voluntários curaram-nos com o pouco que tinham, e eles dormiam dentro do complexo e apesar da escassez de comida que havia na cidade, não houve tentativas de se invadir as instalações do jardim zoológico.





Apesar de todos os sacrifícios dos cuidadores, incluindo a sua própria vida, alguns animais morreram de bombardeios ou dos incêndios subsequentes, além de fome e ainda outros tiveram que ser abatidos por escaparem do zoo já que podiam tornar-se uma ameaça para a população. 

Mas a maioria sobreviveu ao cerco e à guerra. 

Belle e Yevdokia. 1943


Um caso exemplar foi do  hipopótamo Belle que devido a inexistência naqueles dias de água corrente e, portanto, com a piscina vazia, era muito difícil manter sua pele molhada o que provocava rachaduras sangrentas e dolorosas em seu corpo. Então, Evdokia Ivanovna, sua tratadora, ia todos os dias ao rio Neva com um barril de 50 litros para recolher a água. Ele esquentava a água e, depois de molhar a pele, esfregava com óleo de cânfora. 

Se Belle, antes da guerra se alimentava de 40 kg de ração diária esta passou a ser de 6 kg por dia de uma mistura feita com ervas, legumes e serragem. Graças a Evdokia, Belle conseguiu superar todas as adversidades e morreu de velhice em 1951.



Para a população, o Zoo de Leningrado tornou-se um símbolo de força e paz. Na verdade, dos quase 900 dias do cerco alemão, ele permaneceu fechado somente no inverno de 1941, quando bombardeios foram mais intensos. Trabalhadores do jardim zoológico foram homenageados por seus esforços e dedicação para mantê-lo aberto e darem à cidade uma aparência de vida e certa tranquilidade.

domingo, 29 de novembro de 2015

Fotografias raras da Guerra do Paraguai

Curiosidades em Guerra

XLVI - A Guerra do Paraguai
-  fotografias raras -

Oficial brasileiro passando em revista as tropas


145 anos atrás terminava o mais sangrento conflito armado da história da América Latina, a Guerra do Paraguai mobilizou centenas de milhares de brasileiros, paraguaios, argentinos e uruguaios. Este episódio, ainda pouquíssimo detalhado nos livros de História, decorreu numa drástica mudança no cenário econômico da chamada Região Platina. 

Uma sequência de desentendimentos diplomáticos desencadeou na mobilização conjunta de Brasil, Argentina e Uruguai contra as forças paraguaias. Sob o comando do intitulado Ditador Perpétuo, Solano López, a então muitíssimo próspera República do Paraguai lutou até o último suspiro, no que resultou no massacre de quase toda população economicamente ativa do país. 

Dom Pedro II em trajes de campanha

Francisco Solano Lopez,
 ditador paraguaio


A Guerra do Paraguai (1864-1870) teve consequências sérias para os dois lados combatentes, e entre os milhares de mortos, o mais radical resultado foi a conversão do Paraguai de uma pioneira república autossuficiente em uma nação dependente de seus vizinhos. Entre outros efeitos, também podemos destacar o fortalecimento do exército brasileiro e do pensamento abolicionista, dois pontos que influenciaram no processo que iria desencadear na Proclamação da República do Brasil em 1889. 

General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior
 durante a Guerra do Paraguai 
Artilharia uruguaia na Batalha do Boqueirão, 
e ao fundo tropas da tríplice aliança indo para o combate,1866.


A bandeira do Brasil Imperial tremula na cidade paraguaia de Humaitá, 
ao fundo podemos ver mastros de navios de guerra
ancorados no Rio Paraguai,1868.
Oficiais brasileiros posando para fotografias (1865; 1868).


Oficiais brasileiros nos momentos finais da Guerra do Paraguai,
 entre eles está o Conde d´Eu (com a mão na cintura), 
1870.

Prisioneiros paraguaios


As fotos acima são do acervo da Biblioteca Nacional do Brasil.

domingo, 22 de novembro de 2015

O Morte Branca

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XLV SIMO HÄYHÄ, o Morte Branca

Mal sabia o mundo, mas no dia 01 de dezembro de 1905 na pacata cidade de Rautjärvi, no interior da Finlândia, nascia Simo Häyhä, o homem que viria a se tornar uma das maiores lendas do século XX, o maior soldado dos tempos modernos, um homem capaz de lutar sozinho contra um exército e exterminar seus inimigos sem que eles jamais soubessem de onde vinha o tiro, esse era Simo Häyhä, também conhecido como “O Morte Branca",  o mais eficiente franco-atirador da história.



Trabalhando em temperaturas que iam dos −20º aos −40º  e usando uma camuflagem totalmente branca, Häyhä é creditado em mais de 500 mortes confirmadas de soldados soviéticos. Uma contagem diária de baixas era feita no campo de batalha de Kollaa, e os relatórios não-oficiais finlandeses estimam em 542 o número de mortes atribuído a ele.

Häyhä usou uma variante do rifle soviético Mosin-Nagant, pois se adequava a sua baixa estatura. Para não se expor em seus esconderijos, ele preferia usar miras comuns ao invés das telescópicas, pois com esta última o atirador deve erguer um pouco a cabeça, além de haver o risco da lente refletir a luz do sol. 



Outra tática usada por Häyhä era compactar a neve à sua frente para que o tiro não a soprasse, revelando sua posição. Ele também colocava neve na boca, escondendo assim quaisquer sinais que sua respiração pudesse provocar.

Além das mortes como franco atirador, Simo Häyhä foi creditado também por abater mais de duzentos soldados inimigos com uma metralhadora Suomi M-31 SMG, elevando assim sua marca para 705 mortes. Este fato, no entanto, nunca foi comprovado. A marca de mais de 500 mortes foi alcançada num período de 100 dias, com Häyhä atingindo o número recorde de 5 por dia, praticamente uma morte a cada hora do curto dia de inverno.



O exército soviético fez várias tentativas para se livrar dele, incluindo contra-ataques com franco atiradores e assaltos de artilharia, até que em 6 de março de 1940 Häyhä foi atingido por um tiro na mandíbula durante combate corpo-a-corpo. Com o impacto, o projétil girou e atravessou-lhe o crânio. Ele foi resgatado por soldados aliados, que disseram "faltar metade de sua cabeça". 

Ficou inconsciente até 13 de março, um dia após a assinatura do tratado de paz que pôs fim ao conflito. Pouco depois, Häyhä foi promovido de cabo a primeiro-tenente pelo marechal-de-campo Carl Gustaf Emil Mannerheim. Nenhum outro soldado jamais conseguiu uma escalada de posto tão rápida na história militar da Finlândia.



Häyhä levou vários anos para se recuperar do ferimento. A bala, provavelmente explosiva, havia quebrado sua mandíbula e arrebentado sua bochecha esquerda. Apesar de tudo, ele se recuperou totalmente, tornando-se caçador de alce e criador de cachorros após a Segunda Guerra Mundial.

Em 1998, ao ser perguntado sobre como conseguiu se tornar uma atirador tão bom, ele respondeu, "prática". Questionado se tinha remorsos por ter matado tantas pessoas, ele disse, "fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível".



Simo Häyhä morreu em 2002, com quase cem anos por causas naturais. Ele disse que jamais se arrependeu do que fez, dizia que apenas cumpriu as ordens e protegeu seu país da melhor maneira possível. Esse era Simo Häyhä, o Morte Branca, o maior soldado que o mundo viu, um homem lendário .

Fontes

domingo, 15 de novembro de 2015

Meninas ack ack

Curiosidades em Guerra

XLIV - Meninas Ack Ack 


Ack Ack Girls eram membros do Serviço Territorial Auxiliar (ATS) que ajudou a operar armas antiaéreas na defesa da Grã-Bretanha de bombardeios alemães durante a Segunda Guerra Mundial. 



De 1941 em diante todas as mulheres britânicas solteiras com idade de 20 a 30 eram obrigadas a aderir a um dos serviços auxiliares, que incluíram o ATS. 

Um dos papéis da ATS mais perigosos e emocionantes estava a de ser selecionada para o serviço 'Ack Ack' - equipar as armas antiaéreas assim chamadas por seu som característico que distinguiam-se das demais armas quando eram  disparadas. 



A idéia de usar as mulheres em grupos de arma foi proposto pela primeira vez pelo engenheira britânica Caroline Haslett e foi aprovado pelo primeiro-ministro Winston Churchill. A própria filha de Churchill, Mary Soames, foi um das primeiras voluntárias Ack Ack tendo servido em um local de arma em Hyde Park, em Londres.

Como uma proclamação real proibiu as mulheres de operar armas mortais, as Meninas ACK ACK trabalharam como parte de esquadrões formados por ambos os sexos, onde os homens carregavam e disparavam as armas com o apoio das mulheres.

operando  spotter


Os três papéis principais das mulheres eram:
  • Spotters que usaram binóculos para encontrar aviões inimigos,
  • equipes que calculavam a distância até o alvo, e 
  • Operadores de Predictors que trabalhavam com um teodolito para calcular o tamanho necessário do comprimento do fusível certificando-se se explodiu na altura certa.
 operando um Predictor


As mulheres estavam sujeitas ao mesmo treinamento intensivo que os homens e tiveram que passar por testes rigorosos em termos de exercícios, audição, visão e controle dos nervos, a fim de serem aceitas. Isso foi essencial para suportar as duras condições nas plataformas de armas e de continuar a tarefa, enquanto bombas caíam ao redor deles. 

Quando os alemães dispararam as V1-bombas-voadoras também chamadas de buzzbomb ou bombas de zumbido contra a Grã-Bretanha, 369 Meninas Ack Ack foram mortas em apenas 3 meses. 

Memorial às Meninas Ack Ack


O seu sacrifício e dedicação provou ser inestimável para o esforço de guerra, bem como proporcionar um impulso à moral civil com o som das armas Ack Ack tornando-se um símbolo bem reconhecido da resistência britânica.