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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A memória é sua eternidade

Por Fabíola Simões.

Esse texto circula na web há anos, mas não perde sua essência.

O que a memória ama, fica eterno
Quando eu era pequeno, não entendia o choro solto de minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro.

O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis.
Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.

O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano.

É que a memória é contrária ao tempo.
Nós temos pressa, mas é preciso aprender que a memória obedece ao próprio compasso e traz de volta o que realmente importou, eternizando momentos.

Crianças têm o tempo a seu favor e a memória muito recente. Para elas, um filme é só uma animação; uma música, só uma melodia. Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.

Diante do tempo envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente se despede.
Porém, para a memória ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis.
Nossos filhos são nossas crianças, os amigos estão perto, nossos pais ainda são nossos heróis.

A frase do título é de Adélia Prado: “O que a memória ama, fica eterno”.
Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente.

Quando nos damos conta, nossos baús secretos_ porque a memória é dada a segredos _ estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.

Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você _ foi a trilha sonora de um amor, embalou os sonhos de uma época ou selou uma amizade verdadeira _ e mesmo que os anos tenham se passado, alguma parte de você se perde no tempo e lembra alguém, um momento ou uma história.

Ao reencontrar Amigos da juventude, do Colégio ,nos esquecemos que somos adultos e voltamos a nos comportar como meninos cheios de inocência, amor e coragem.

Do mesmo modo, perto de nossos pais, seremos sempre “As Crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos.
Para eles, a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das histórias contadas ao cair da noite… serão sempre recentes, pois têm vocação de eternidade.

Por isso é tão difícil despedir-se de um Amor ou alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas.

Dizem que o tempo cura tudo, mas talvez ele só tire a dor do centro das atenções. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na ferida.
Mas aquilo que amamos tem disposição para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando.

Somos a soma de nossos afetos, e aquilo que nos tocou pode ser facilmente reativado por novos gatilhos _ uma canção cala nossos sentidos; um cheiro nos paralisa lembrando alguém; um sabor nos remete à infância.

Assim também permanecemos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex amores, amigos, irmãos.
E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram."

domingo, 8 de maio de 2016

O tempo do obscurantismo

Por Aninha Franco.
Charges de SPONHOLZ
Trilhas: o tempo do obscurantismo
Nos últimos dias têm sido publicados textos interessantíssimos sobre esse tempo de 13 anos, quatro meses e 7 dias, que arrasou o pensamento brasileiro. Como pensar serve pra tudo, pra fazer política, pra criar arte, pra humanizar a sociedade, pra crescer, pra gerar emprego, pra votar, pra conter a violência, a carência de Pensamento naufragou o País. Nesta semana, a USP perdeu 40 posições no ranking das melhores universidades do mundo, a presidiária Suzane Richthofen, que matou a mãe por motivo torpe, saiu da prisão para festejar o Dia das Mães, a presidenta Dilma Rousseff declarou, publicamente, que os índios brasileiros morreram por falta de assistência técnica e alguns senadores da República afirmaram, repetidamente, que o impeachment conduzido pelo STF é um golpe. Por mais que essas coisas sejam consideradas normais, elas não são.



Como é possível ignorar que aqueles deputados que votaram pró e contra impeachment são o legislativo brasileiro que recebe bilhões em emendas parlamentares para fazer o Brasil? Como é possível esquecer que nos últimos treze anos, quatro meses e sete dias, o líder petista Lula da Silva, “pensador” do País atual, promoveu, repetidas vezes, a ideia de que não é preciso estudar para chegar ao poder? Por mais que essas coisas sejam consideradas normais, elas não são num país que respeite o Pensamento, princípio da sanidade pessoal e social.



Num Brasil que pense, se um de nós dissesse um terço do que a presidenta Dilma Rousseff disse, publicamente, nos últimos anos, estaria internado num manicômio. Num Brasil que pense, se um de nós recebesse a quantidade de dinheiro que Lula da Silva recebeu para fazer palestras, a Polícia e o Ministério da Fazenda já teriam nos prendido. Num País que pense, o desmonte da Petrobras, o desemprego de 11 milhões de brasileiros, o fomento da venda de milhares de carros a pessoas que não têm renda para consumir gasolina são indefensáveis. Num País que pense, um governo que usou dinheiro público para reformar a obra irretocável de Machado de Assis, tornando-a acessível à qualidade inferior de sua educação, não usaria o marketing de Pátria Educadora. Num País que pense, não se assistiria, sem reação, uma obra sob Domínio Público ser desvirtuada pelo governo incumbido de defendê-la.



Num País que pense, um governo não disseminaria a ideia de que um de seus mais importantes pensadores - Monteiro Lobato - é racista, nem proporia o aumento da ignorância espetacular da Região, uma das maiores do Planeta, excluindo a história da Grécia e de Roma dos seus currículos escolares. 

Num País que pense, um governo não investiria bilhões em estádios de futebol em áreas que nem times no esporte têm, condenando ao apodrecimento por falta de manutenção sua mais importante Biblioteca. 



Suportamos tudo isso porque somos um País que não pensa, um País que foi induzido a não pensar nos últimos 13 anos, 4 meses e 7 dias, mas eu espero que a partir de quinta-feira, volte-se a fomentar o Pensamento porque Pensar serve pra tudo, inclusive para resistir ao ataque mortal do obscurantismo.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vamos partir para a ignorância?

Por Marli Gonçalves.



Vamos partir para a ignorância?
Inacreditável. Estamos mesmo conseguindo andar para trás a passos largos – passos não, saltos, e saltos ornamentais provando que precisamos mais do que muito urgentemente fazer nada mais nada menos do que superar. Parar com isso, com essa animosidade toda. Não, não estamos divididos, pelo menos não em apenas dois pedaços como querem fazer parecer. Há uma infinidade de opções.

Não vamos partir para a ignorância.

De repente o ator conhecido, ultimamente mais por ser petista, burro e destemperado, do que como ator, cospe – sim, cospe no casal que o afrontou em um restaurante de São Paulo. Cospe no homem. Cospe na mulher. (Ele agora vai sentir com quantos cuspes se desfaz uma carreira).



O casal sem noção afrontou o ator petista, burro e destemperado, falando um monte de asneiras e bobagens, acusando o zézinho de ladrão, já que dali discussão civilizada sobre política não sairia mesmo. Vomitaram clichês, mas ainda bem que apenas em gritos, por insuportável sua quantidade.

Aí, o zezinho, o ator petista burro e destemperado, vai para casa e corre para o computador para escrever e contar para seus amiguinhos o quanto estava orgulhoso de ter cuspido no casal. Um grupo bate palminhas. O outro quer queimá-lo em praça pública, esquecendo apenas que ele é apenas um ator petista burro e destemperado. 



Sem qualquer importância.

Nem muita personalidade teve o ato, já que o projétil salivar já havia sido emitido por um outro “bravo combatente” há poucos dias na cara do imbecilnaro. Imbecilnaro esse que ousou evocar e pronunciar o nome do cão dos infernos em seus segundos de votação.

Quequiéisso?

Acho preocupante e considero um comportamento inadmissível ver amigos, inclusive jornalistas, rosnando e babando contra veículos de comunicação grandes, os poucos que estão sobrando, e propondo que no lugar se busque a informação para beber só nos poços alternativos – maioria, água que se diz pura, mas na verdade já vem contaminada com enormes equívocos históricos. Ou de origem e financiamento.



É desonestidade intelectual e uma inusitada sordidez de ataque. Sabem que não é o que dizem, que não tem golpe nenhum, que erraram, que o país está parado, que a maioria os quer ver pelas costas seja por causa de pedaladas, dos pontapés, fora só uma, fora uma e o outro, os dois, desde que saiam da frente, nos deixem superar. 

Transformam-se em chacotas, fantasmas dos líderes que já foram. E eles não têm altivez para ao menos tentar solução, não semear a discórdia, parar de incentivar o confronto, e muito menos patrocinar os escrachos que vêm sendo feitos pela molecada, tão naturais e espontâneos que até assessoria de imprensa têm.



Uma coisinha, um cisco, vira uma tese sociológica e acadêmica chaaata, muito chata, de como forças conservadoras através de uma matéria com o perfil de uma sortuda estão operando para que as mulheres brasileiras todas regridam em suas conquistas e voltem a ser apenas belas, recatadas, e do lar. Coitada da mulher sortuda que parece saída de uma cândida fotonovela – se bem que com essa ela já toma o primeiro tranco para perceber o que vai vir daí por diante, o rojão grosso que terá de segurar.

Precisaria de uma mágica, um milagre para mudar os nossos políticos tentando fazê-los lordes – difícil. Penso nisso quando lembro que vi o espancador Pedro Paulo jogado na fogueira da ciclovia de pluma levada por Netuno. Atento ao marketing de quem ainda pensa(va) em ser candidato ousou, mexendo na aliancinha no dedo – balbuciar que “talvez” houvesse algum problema com a obra, e chamando de “incidente” aquela tragédia. Tragédia cuja imagem que restou – os dois corpos das vítimas jogados na areia da praia, e ao lado uma normal partida de futebol – essa sim, levada ao mundo essa imagem informou mais sobre como estamos do que as mais vigorosas teses intelectuais.



Nós já partimos para a ignorância. Quando a humanidade se acostuma com trevas, ficamos nos abalroando no escuro. Pisando uns nos calos dos outros. Chutando bem abaixo da linha do Equador.

Ignorancia

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Cães anti-terror

Por Marcelo Bernardes
Folha SP 27MAR

Polícia de NY faz formatura de “Michael Jordans dos cães”
Na quarta-feira (23), coincidentemente um dia após os ataques terroristas em Bruxelas, na Bélgica, a Polícia de Nova York organizou num colégio do bairro do Queens, subúrbio da cidade, a “formatura” dos novos integrantes de seu programa anti-terror. Paulie, Randy e Ford, todos com dois anos de idade, foram alguns dos oito cães labradores empossados no esquadrão “Vapor Wake” (no rastro do vapor). A revista The New Yorker chama essa turminha de “os Michael Jordans dos cães”.


Desenvolvido em parceria entre a organização AMK9, que oferece serviços de treinamento de cachorros à polícia, com a universidade veterinária de Auburn, no estado do Alabama, há quase uma década, o vapor wake é um método que ensina cães a farejarem – em tempo real – o cheiro deixado por partículas de explosivos até dez minutos depois da passagem de um suspeito pelo local investigado.

A pessoa que carrega bombas grudadas ao corpo ou em malas ou mochilas pode ser “escaneada” por esses cachorros até no meio de multidões, sem causar qualquer confusão promovida por perseguições em locais abertos.Policiais de NY com um labrador treinado pelo método Vapor Wake. 

(Foto: Divulgação)

Cães superam homens e máquinas especializadas. O nariz de um cachorro tem 220 milhões de sensores para detectar um cheiro específico, contra 5 milhões nos de seres humanos. Cães chegam a dar dez fungadas por segundo, levando rapidamente o cheiro ao epitélio olfatório. Os receptores no interior da cavidade nasal dos cães são até 100 vezes mais densos que os dos seres humanos e podem diferenciar uma vasta quantidade de moléculas.

Treiná-los não é fácil ou barato. Bill Branton, o chefe da Polícia de Nova York, explicou durante a formatura canina que o investimento desses oito labradores custou cerca de meio milhão de dólares, bancados pelo governo federal. O treinamento de cada cachorro dura até 15 meses e custa US$ 49 mil por cabeça peluda. Todo ano, cada um dos cães é novamente submetido a um rápido treinamento para aprender novas táticas.

Contando com os oito formandos dessa semana, o esquadrão Vapor Wake tem apenas 130 cães treinados sob este método nos Estados Unidos e distribuídos por entre vários estados. Desde janeiro, a AMK9 lida com um pedido extra de mais 36 cães treinados pelo método.

Em Nova York, a Polícia conta com o auxílio de uma força canina de 100, muitos desses cães treinados por métodos mais tradicionais de detectar explosivos, ou seja, o pacote sob suspeita tem que estar parado para o cheiro ser detectado por eles. Até onde se sabe, não existe competição entre o grupo de elite canina com os farejadores mais básicos da cidade.

Link

domingo, 27 de março de 2016

Carros conectados e a cibersegurança: um risco crescente

Por Tom Srail

Carros conectados e a cibersegurança: um risco crescente
Os fabricantes de automóveis estão preocupados em garantir uma maior segurança aos passageiros e prevenir o potencial de ataques cibernéticos dos carros "conectados.

Segundo um relatório divulgado em maio pelo BI Inteligence, em 2020, 75% dos carros lançados mundialmente irão permitir que as pessoas compartilhem músicas, procurem por filmes, acompanhem em tempo real o trânsito e as condições climáticas, e ofereçam ao motorista diversas opções de suporte como, por exemplo, o auto estacionamento.



Os pesquisadores americanos dizem que o mercado de carros conectados irá crescer anualmente cerca de 45% pelos próximos cinco anos, um incremento 10% maior que o do próprio mercado de automóveis. Segundo o BI Intelligence, dos 92 milhões de carros previstos para serem entregues em 2020, três quartos devem oferecer hardwares de conexão com a Internet.

No entanto, conforme a conexão com a Internet tornar-se mais comum nos módulos de controle dos veículos e do lançamento de um número maior de dispositivos usados em automóveis, o risco com a segurança e privacidade das informações também aumentará.



Recentes estudos da Universidade da Califórnia e da Universidade de Washington revelam que quase todos os sistemas de controle em um carro moderno podem ser comprometidos e controlados remotamente. Isso porque a maioria dos sistemas de segurança foi desenvolvida antes do surgimento das opções de conectividade existentes atualmente.

Hoje, um mercado diversificado de aplicativos de “entretenimento tecnológico” está sendo projetado especificamente para carros como, por exemplo, diagnósticos digitais, serviço de monitoramento para novos motoristas, sistemas de navegação e outros serviços pensados para toda essa nova linha de carros conectados. 



Segundo a consultoria McKinsey, as vendas desses automóveis devem crescer para $220 bilhões em 2020, bem acima dos $39 bilhões gerados em 2014. 

s carros novos já sairão das fábricas com pontos de acesso wireless, sistemas de telemática, conectividade via Wi-Fi e Bluetooth, além de sistemas de scanner. À medida que os aplicativos de smartphones forem integrados aos carros, como, por exemplo, o CarPlay da Apple, oportunidades para as ações dos hackers também crescerão exponencialmente.

No entanto, poucos questionam que a rápida expansão da tecnologia de conecção dos carros já ultrapassou a capacidade dos fabricantes de automóveis em proteger os consumidores contra os ciberataques. 




Em fevereiro de 2015, o senador americano Edward Markey escreveu um artigo sobre o tema. No texto, o senador detalha que encontrou montadoras que não tinham conhecimento e não conseguiam identificar a escala atual do problema, simplesmente porque não mantinham ou compartilhavam registros de possíveis invasões.

Além disso, verificou-se que quase todos os fabricantes de equipamentos originais (OEM), fornecedores de componentes para carros conectados, eram incapazes de responder aos ataques em tempo real, embora alguns tivessem sistemas de bordo que possibilitavam o registro das informações sobre as violações para uma recuperação posterior.



A conclusão do artigo foi que todas as empresas envolvidas com a indústria automobilística terão que desenvolver, rapidamente, a capacidade de se defender contra-ataques cibernéticos.

A maioria dos especialistas em segurança acredita que a dimensão dos riscos emergentes só será plenamente compreendida quando descobrirmos a motivação dos ciberterroristas. O que os criminosos têm a ganhar?



Infelizmente, parece haver muitas razões para se conectar a um carro ligado, algumas das quais se estendem além da motivação financeira usual para ataques a computadores e smartphones pessoais. Entre as razões já levantadas estão:
  • Lucro ou ganho financeiro
  • Roubo de propriedade, incluindo do próprio automóvel
  • Conquistar uma vantagem comercial, como, por exemplo, desativar o modelo auto-maker da empresa rival para causar dano de marca
  • Espionagem industrial, ou roubo de propriedade intelectual dos softwares
  • Crime organizado, terrorismo e vingança pessoal
  • Engano ou neutralização do software e/ou hardware de restrições
  • Violação de privacidade, como rastreamento ou perseguição de pessoas
  • Causar danos a um motorista, passageiro, pedestre ou pessoas que estão na estrada
  • Danos de infraestrutura: desabilitar e/ou controlar uma frota de carros como forma de interromper ou mesmo parar o transporte de uma cidade inteira


Qualquer incidente pode afetar as metas financeiras de empresas, o aumento de indenizações por responsabilidade civil, ou ainda impactar negativamente o valor da marca de uma montadora ou de fornecedores de componentes eletrônicos. Por estas razões, alguns setores da indústria automobilística dos Estados Unidos estão considerando os recursos possíveis para medir o risco e construir estratégias adequadas de defesa à ciberataques.

Uma extensa reengenharia de arquitetura de sistemas para o suporte cibersegurança - incluindo o desenvolvimento de hardwares e softwares específicos – serão exigidos de diversos controles automotivos. Será necessário também um trabalho adicional para melhorar a proteção dos dados e a integridade dos controles que protegem o acesso a esses sistemas.



A teoria mais abrangente da indústria de design de sistemas de segurança tem que assumir que violações de segurança cibernética irão ocorrer e soluções operacionais de forma padrão devem fornecer proteção contra a intrusão, além de um monitoramento constante de comportamentos suspeitos, enquanto o carro estiver em operação.

A implantação de tal extensa tecnologia terá custos significativos para a indústria automobilística e pode levar uma década para que seja implementada integralmente. Mas os custos de não se construir sistemas de cibersegurança robustos para a nova era carros conectados serão mesuradas em despesas legais, responsabilidades civis para com os clientes, além, é claro, de perda de reputação corporativa das empresas envolvidas.

Claramente, carros conectados irão requerer soluções inteligentes. 


* Tom Srail é líder regional paras as indústrias de Tecnologia, Media e Telecomunicações da Willis Towers Watson. O executivo tem mais de 20 anos de experiência nos setores de seguros e tecnologia. É responsável também por supervisionar o Centros de Excelência em Tecnologia, Media e Telecomunicações da empresa em São Francisco, Nova York e Dallas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O tríplex e a biografia do Lulla

Por Sérgio Malbergier.

Só volta ao poder limpa biografia de Lula
O cerco da Justiça está se fechando As armas serão sacadas. O lulismo, o petismo e o governismo mobilizam as tropas que restam, seus advogados, seus movimentos sociais, seus sindicatos e seus escassos simpatizantes para a guerra final.

As investigações da Lava Jato e do Ministério Público paulista sobre o triplex no Guarujá que, tudo indica, um dia seria de Lula são a maior ameaça ao ex-presidente que um dia teve mais de 80% de aprovação popular e hoje dificilmente anda pelas ruas sem a devida proteção.

Arte de SPONHOLZ


Ao contrário dos outros escândalos de corrupção que marcam o currículo de Lula, desta vez as acusações envolvem sua pessoa e família diretamente, um triplex no litoral do qual seria usufrutuário e o acabamento de luxo provido por uma empresa enterrada até a cabeça no maior escândalo de corrupção do país.

Antes mesmo da Lava Jato focar a operação de ontem no célebre edifício Solaris, a força tarefa já havia encontrado uma teia de relações perigosas e obscuras em torno do prédio no Guarujá que envolve a construtora OAS, líderes petistas, uma cooperativa sindical ligada ao partido e um emaranhado de empresas offshores panamenhas.



As investigações do Ministério Público de São Paulo estão ainda mais avançadas. Testemunhas disseram que a reforma do triplex custou mais de R$ 700 mil, foi paga pela OAS e incluía itens luxuosos e exclusivos, como elevador privativo. A obra foi supervisionada por dona Marisa Letícia, esposa de Lula, o filho do casal Fabio e o próprio presidente da OAS. O zelador disse que Lula também esteve por lá olhando o apartamento. Vizinhos até reclamaram de retenção dos elevadores durante as vistas da família real petista.

Arte de THIAGO LUCAS


Em entrevista ao "Jornal Nacional", o advogado de Lula negou que o ex-presidente ou parentes sejam donos do triplex. Perguntando então por que o apartamento teria sido reformado pela OAS e por que a reforma teria sido supervisionada pela ex-primeira-dama, ele respondeu: "Eu não tenho a menor ideia porque houve uma reforma e quem fez esta reforma." Diante dos fatos, é uma resposta inaceitável para a opinião pública, que mina o ex-presidente e sua defesa.

Arte de BENETT


Na verdade, faz tempo que Lula, o PT e o governo Dilma não têm respostas. Por isso estão sendo abandonados por quem leva os fatos em consideração.

Interlocutores ligados a Dilma ouvidos pela Folha já admitem a hipótese de que as investigações acabem liquidando Lula politicamente _o que para Dilma poderia até ser um alento.

Arte de SPONHOLZ


Cada vez mais emparedado, Lula só pensa na volta ao poder nos braços do povo na eleição de 2018. É o único caminho para sua redenção. Sua definitiva absolvição. E vê no governo da sua pupila os meios para seus fins.

Ele vai colocar seu bloco na rua, mesmo gerando mais instabilidade política e turbulência econômica, agravando as crises gêmeas. Já está pressionando Dilma a gastar dinheiro que o país não tem para "reanimar" a economia neste ano eleitoral pois sabe que uma derrota bruta do PT nas eleições municipais será o início do fim eleitoral da era petista.

Arte de MIGUEL


A luta pela sobrevivência política de Lula será dura e cara. Adivinhe quem vai pagar essa conta.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A história se repete

Por Josef Barat.


Depois da farsa, a tragédia
O que acontece quando um governo populista quer agradar o povo, sem preocupação com a origem e limitações dos recursos disponíveis? Certamente um desastre, pois, em algum momento, as contas não fecham. O desastre é ainda maior quando oferece mimos às grandes empresas. A postura de agradar, tanto um povo carente, quanto os empresários amigos - para preservar o poder -, acaba por desagradar a todos. Ou seja, torna-se obsoleta a velha e recorrente estratégia de "subir no caminhão" e falar o que agrada aos os peões e depois, na "sala da diretoria", falar o que os patrões querem ouvir, pois não há mais o que oferecer para ficar bem com todos. Tal estratégia, como sempre, é boa enquanto mantém partidos populistas no poder e, na hora de fechar as contas, dá o argumento que liberais malvados querem tirar o que progressistas bonzinhos oferecem ao povo.

Arte de MIGUEL


Esta é a triste sina de uma América Latina, tão distante de Deus e do mundo adulto. E tão incapaz de assumir a culpa por seus próprios desastres. Ao invés de aproveitar seus ciclos de bonança com a exportação de grãos, minérios e petróleo para investir e modernizar suas infraestruturas e indústrias, prefere queimar os recursos obtidos com estímulos ao consumo e um assistencialismo que não incorpora efetivamente as pessoas à educação moderna e ao processo produtivo. Nenhuma economia se sustenta, em prazo mais longo, com base na ignorância, exacerbação do consumo e baixos níveis de investimento. Tentativas de breves ciclos de ajustes e correção de distorções nas contas públicas, são sempre seguidos de longos ciclos de irresponsabilidade fiscal e devastação de fundamentos econômicos básicos. O velho fetiche de estimular o crescimento pelo aumento do consumo e "pouquinho" de inflação torna-se incontrolável e todos acabam sofrendo com a conjugação de inflação alta e crescimento baixo.

Arte de DUKE


A Nova Matriz Econômica do primeiro governo Dilma foi uma tentativa de dar sobrevida a algo que já se mostrava inviável no segundo governo Lula. Um breve retrospecto ajuda a entender. Após um período de estabilidade da moeda, aumento do poder de compra, previsibilidade e confiança nos negócios, equilíbrio fiscal e ordenamento das contas públicas - proporcionado pelo Plano Real e mantido no primeiro governo Lula - seguiu-se um movimento oposto, que desagregou todo o esforço anterior. 

... Inflação e desemprego de dois dígitos acompanhados de recessão prolongada e declínio do PIB, são ingredientes que conduzem a graves crises políticas e ao desmonte das instituições de Estado. A História do Brasil mostra isso...

Arte de CLAYTON


Note-se que esta desagregação comprometeu, inclusive, um processo continuado de melhoria na distribuição da renda, por causa da inflação. Afetou, também, a credibilidade internacional, devido aos rebaixamentos nas avaliações de risco. Desnecessário acrescentar a óbvia deterioração do ambiente político, resultante da estratégia de poder baseada no princípio do "eu pago, eu mando". Tanto a inevitável explosão de sucessivos escândalos de corrupção, como a radicalização irresponsável do projeto de dominação do poder, desfigurou todo o comedimento e a antiga sabedoria de contornar crises políticas.

Inflação e desemprego de dois dígitos acompanhados de recessão prolongada e declínio do PIB, são ingredientes que conduzem a graves crises políticas e ao desmonte das instituições de Estado. A História do Brasil mostra isso desde a crise de 1929-32, passando pelas de 1954-56, 1960-62, 1980-82, 1990-92. Com exceção da de 1929 e, em parte, da de 1982 - pelo forte impacto do fator externo - são recorrentes o abandono de cuidados com ajuste fiscal, ordenamento das contas públicas e controle da inflação, além da falência de modelos baseados no fetiche do desenvolvimento a qualquer preço e/ou exacerbação do consumo. 

Arte de ELVIS


Como existe aquele outro fetiche de que a História se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa, é bom atentar para o fato que, ao contrário, no Brasil as tragédias se repetem monotonamente como decorrência de farsas. A repetição resulta tanto de erros trágicos do próprio fazer, como da escassez de prudência, bom senso e comedimento. Erros e húbris sempre dissimulados pela farsa e o burlesco, como convém ao exuberante e irresponsável ambiente tropical...

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Josef Barat - Economista, Consultor de entidades públicas e privadas. Coordenador do Núcleo de Estudos Urbanos da Associação Comercial de São Paulo

domingo, 24 de janeiro de 2016

Jair Bolsonaro seria um bom presidente?

Por Nivaldo Cordeiro.

Homens para os novos tempos
Observo com interesse as primárias das eleições norte-americanas. Ventos novidadeiros sopram de lá. Qualquer que seja o candidato escolhido pelo Partido Republicano terá grandes chances de se eleger sobre o moribundo, medíocre e canhoto governo de Obama e seu Partido Democrata. Obama sairá desmoralizado da Casa Branca.

Entre os republicanos, o candidato por quem mais nutro simpatia é Donald Trump. Este, embora quase grosseiro nas suas falas diretas, é exemplo das qualidades que mais se preza nos nascidos na América do Norte: afirmativo, conservador em costumes, liberal em economia, contra qualquer iniciativa de governo mundial, defensor ardoroso de suas fronteiras e da supremacia americana. A população de todo o mundo, submetida há mais de um século de propaganda esquerdista, agora despertou. Na América também. Esquerdismo é engodo pernicioso.




O fenômeno se repete na Europa, cuja questão dos refugiados precipitou o despertar do eleitorado. Nenhuma pessoa sensata pode ser a favor da política migratória da socialdemocracia e dos demais partidos à esquerda. A experiência da União Europeia, enquanto experimento de um governo mundial, naufraga dia a dia e os eleitores estão preferindo a plataforma conservadora e a volta das bandeiras nacionalistas. A direita ganha em toda parte. Os pontos programáticos são praticamente os mesmos do Partido Republicano.

Entre nós, o político que mais se aproxima dessa nova onda mundial é o deputado Jair Bolsonaro. Se ele não se deixar cooptar pelas práticas políticas tradicionais e mantiver o bom nome e a lisura é questão de tempo que seja feito presidente da República. Será o desespero da esquerda no poder, que há décadas luta para não permitir o ressurgimento da direita e sempre satanizou quem apareceu eleitoralmente viável. Bolsonaro, enquanto grande brasileiro, tem as qualidades necessárias para exercer a primeira magistratura.


É claro que a eleição eventual de Donald Trump e mesmo de Marie Le Pen pode pavimentar o caminho da chegada da direita ao poder em nosso país. Hoje ela se encontra sem apoios internacionais e enfrentando o onipresente discurso esquerdista do politicamente correto. Isso mudará radicalmente com a simples chegada do Partido Republicano ao poder, assim como da chefe política francesa.

Quando alguém começa ou acaba um texto ou um discurso falando mal de Jair Bolsonaro e da “direita” ou é um engajado esquerdista ou um maria-vai-com-as-outras. Reinado Azevedo se enquadra na primeira definição, ele que vitupera tanto contra o deputado carioca. Reinaldo é tucano assumido e, enquanto tal, tem ojeriza à simples ideia de os conservadores voltarem ao poder. Vimos bem o que Fernando Henrique Cardoso fez nas últimas eleições, orientando os candidatos de seu partido a repudiar o discurso conservador. Perderam tudo. Reinaldo reza pela cartilha da socialdemocracia.


É quase um gesto de salvação nacional demonstrar respeito e apoio por nomes como o de Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado enquanto possíveis candidatos à Presidência da República. Certamente é um gesto de coragem, pois tem-se que enfrentar o discurso da malta esquerdista onipresente nos meios de comunicação. A desordem toma conta da nação, as incertezas econômicas se acumulam, os valores estão se desmilinguindo (para usar o termo caro a FHC). Está chegando a hora do basta. Será em breve.

Quem viver verá.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Síndrome do WhatsApp

Por Marlon Strecker.
Publicada no FOLHA.UOL  em 03FEV2015
Crônicas
Síndrome do WhatsApp
Hoje apelei para uma profissional de enorme competência, a Lili. Comecei de novo um tratamento de fisioterapia. Em dezembro, a médica já tinha me receitado também uma injeção de anti-inflamatório, além de bolsas de água quente e exercícios. Mas os exercícios só comecei agora, porque piorei.

Estou com várias tendinites de novo, além de dor nas costas. Não vou pôr a culpa no excesso de trabalho nem em ninguém. O problema sou eu mesma. Passei as férias lendo os três grossos volumes da biografia do Getúlio, escrita pelo Lira Neto (Companhia das Letras). Ótima, aliás. Só que li metade na cama e a outra metade na esteira de praia. Deitada.




O resto do tempo, quando não estava dormindo, cozinhando ou lavando louça, passei lendo notícias no iPad, checando o Instagram e trocando mensagens por SMS, WhatsApp e e-mail, entre outras atividades no celular. Alguém pode imaginar a posição do meu pescoço?

A Lili me contou que hoje mesmo atendeu um rapaz de 18 anos com uma baita hérnia de disco no pescoço. O rapaz é alto, mas o agravante, segundo ela, é o tempo que ele passa checando o WhatsApp. Síndrome de WhatsApp, me disse com a maior naturalidade.

Escrevo WhatsApp e na imaginação ouço vozes pronunciando What's Up! Mas melhor seria dizer Whats Down! Para baixo! É para o celular que a gente dobra o pescoço. É com o celular que a gente também tensiona o indicador, ou o polegar, ou ambos: para digitar. A propósito, também estou com tendinite na mão direita.


Arte de ALPINO


Voltei ao trabalho e passo o dia inteiro em frente a um computador enorme, lindíssimo. Pescoço projetado para a frente do corpo, esse é um dos meus vícios posturais. Outro problema é que a mega tela do computador, descobri hoje, mais de dois anos depois de comprá-lo, é que é grande demais para mim. Eu, que sou pequena, tenho de levantar a cabeça para enxergá-la direito, e com isso tensiono o pescoço.

A alternativa seria levantar a altura da cadeira, mas aí os meus pés não alcançariam o chão e detesto aqueles apoios de pé. Sinto que fico engessada. Quem acredita que um mobiliário "padrão" serve para quem é pequeno ou para quem é grande? Quantos serão os "normais"?


Outra alternativa para o meu caso, pensei agora, seria abaixar a altura da mesa, mas aí eu não poderia dividi-la com outras pessoas, como faço hoje.

O custo de passamos mais tempo conectados não é só de eletricidade, telefonia, troca de equipamentos com obsolescência programada, atualizações de softwares etc. O custo é de saúde física.




Mas tem três coisas que eu adoro no WhatsApp. 

  • Funciona. Até em circunstâncias em que o SMS não funciona (não me pergunte por que o SMS anda tão ruim); 
  • Ele não tem publicidade! Que delícia não ser interrompida por mensagens que não estou interessada em receber 
  • É uma forma de comunicação mais barata que SMS e telefonia.

Mas sou do tipo que entende o WhatsApp como instrumento de comunicação um a um. Não gosto de receber no WhatsApp mensagens que não foram escritas especificamente para mim.

Minha filha é diferente. Acho que meu assistente também, porque os dois vivem com o celular sem som, mas sempre tremendo em cima da mesa por conta do grande número de mensagens que recebem. Não gosto disso porque me interrompe o fluxo do raciocínio, da memória, do trabalho. Distrai. Tira a concentração e a produtividade. É chato, viu?

Marion Strecker é jornalista e cofundadora do UOL.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Saúde no Brasil, retrospectiva e perspectivas

Por Rosana Chiavassa.

Retrospectiva e perspectivas do setor de Saúde
A ‘vida’ dos consumidores com os planos de saúde nunca foi fácil. Na década de 1990 os contratos eram extremamente leoninos, com glosas hoje inadmissíveis, como AIDS, doenças infectocontagiosas, doenças crônicas, limites de dias de internação no ano, rescisão unilateral. O perfil dos consumidores também era muito diverso: 90% dos contratos eram individuais ou familiares e representavam 20 milhões de brasileiros.

Surge então a judicialização da saúde, à mercê do CDC, aprimorada com a lei 9.656/98, com a ANS, pelo Estatuto do Idoso e “zilhões” de novos tratamentos.

Arte de DUKE


Como sabemos que uma lei não muda um comportamento social, o sistema continua colapsado, com variantes, obviamente. Na verdade, o que muda um comportamento social é a discussão de uma necessidade emergente naquela Sociedade. Ocorre que, diante da absoluta falta de estrutura, seja das Operadoras, seja da saúde pública, hoje constatamos um caos mais difícil de ser solucionado, pois falamos de mudança de comportamento.

Arte de NOVAES


A primeira mudança ocorrida na Sociedade é que os cidadãos aprenderam, de uma forma certa ou não, que para serem atendidos basta ir ao Pronto Socorro. Reflexo da perda do médico de família. Resultado? Atendimentos emergenciais lotados sem real necessidade e comprometendo, inclusive, o atendimento dos casos verdadeiramente graves. Na verdade, o que deveria ensejar a busca de uma consulta médica (de difícil marcação, ressalve-se) acarretou lotação hospitalar.

Arte de DUKE


Mas, não é só isso. Esses atendimentos geram custos totalmente desnecessários às Operadoras, pois exames são pedidos, tratamentos desnecessários são dados e assim por diante. Inexiste, em qualquer País do mundo, um coeficiente leito/paciente que suporte essa busca desenfreada aos hospitais por conta de gripes, dores de cabeça e etc.

É fato que no Brasil temos Operadoras com três milhões de associados e que deveriam ter (pela OMS) disponibilidade de 4 leitos para cada 1.000 associados. Imaginem: 12 mil leitos. Piada! Isso não existe. Imaginem então quando se procura um Hospital por qualquer coisa. E essa realidade não é alterada com a edição de uma Lei. Será necessária uma ampla campanha de esclarecimento.

Arte de DUKE



…O século XXI ficará marcado como o século dos medicamentos. Mais e mais descobertas. Mais e mais curas. Mais e mais esperanças. E, com isso, mais e mais pedidos desses tratamentos…

A segunda causa desse colapso mescla a maior longevidade do brasileiro com a evolução da medicina. É óbvio que a rápida, crescente e cara evolução da Medicina contribuiu em muito para a maior longevidade de nossos cidadãos, mas não podemos esquecer que junto a isso temos melhores condições básicas, como o atendimento multidisciplinar dos programas médicos envolvendo o cuidado de tudo que não é grave, mas é necessário cuidar: higiene, alimentação, vida mais saudável.

Arte de JARBAS


Ocorre que como o Brasil oferece direito universal à saúde e a indústria da medicina internacional cada vez oferece mais e mais ‘milagres’ de oferta de ‘prolongamento de vida digna ou não’, os médicos e cidadãos querem o mais moderno, o mais novo, independentemente de comprovação, inclusive. Não se recrimina essa busca desenfreada à vida. É da natureza do ser humano.

Arte de CÍCERO


O século XXI ficará marcado como o século dos medicamentos. Mais e mais descobertas. Mais e mais curas. Mais e mais esperanças. E, com isso, mais e mais pedidos desses tratamentos. É direito do paciente. Mas, temos medicamentos que custam até R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), seis doses. Essa conta tem que ser paga pelas Operadoras e, obviamente, vai acabar no colo do Consumidor.

É por isso que, na pesquisa divulgada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) feita pelo Datafolha, a negativa de fornecimento de medicamentos aparece como o primeiro lugar de reclamação e insatisfação dos Consumidores, seguida dos incessantes aumentos das mensalidades.

Arte de DUKE

A terceira causa desse colapso decorre, obviamente, da crise econômica. Infelizmente, muitas pessoas estão perdendo seus planos de saúde, seja por conta do desemprego ou de corte de custos familiares / empresariais. E essa realidade está migrando essas pessoas aos SUS, que já detecta aumento de atendimentos em 5% neste ano que passou. Essa realidade não mudará enquanto o Brasil não retomar o curso da economia.

A quarta causa desse colapso decorre do fechamento de venda de contratos individuais ou familiares. Incrível! Os consumidores levaram décadas para formarem direitos básicos, como aumentos regulamentados, tratamentos dados, rescisões proibidas.
O tiro saiu pela culatra.

Arte de GILMAR

Justamente por conta dessas garantias, as Operadoras deixaram de vender esses contratos, lançando no mercado novos modelos que podiam ser rescindidos, ter aumentos e com auxílio da ANS, na elaboração do Rol de Procedimentos, negar os tratamentos mais modernos.

Incrível que só a ANS (boazinha) não percebe isso. Como precursora da área no Direito, sinto-me cansada de remar, remar e voltar aos problemas básicos. Não foi à toa que a 4ª maior Operadora do Brasil quebrou. E pior, quebrou tendo a ANS no controle de suas contas desde 2009.

Arte de BIER


Algo está errado. Os consumidores, os médicos e Operadoras, todos estão insatisfeitos. Quem falta aqui que está silencioso sem reclamar? Quem mais está ganhando, os hospitais, clínicas, laboratórios e indústria farmacêutica.

É curioso. Hospitais passam a ter filiais ou franquias, tal qual lojas de departamentos (estas fechando). Clínicas e Laboratórios lotados, inclusive os dos Hospitais. Indústrias farmacêuticas rindo à toa. Pena que elas não conseguiram pegar as pílulas de São Carlos. Ainda.

Arte de SON SALVADOR


Rosana Chiavassa é advogada especializada em Direito na área da Saúde do escritório Chiavassa Advogadas Associadas.