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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Síndrome do WhatsApp

Por Marlon Strecker.
Publicada no FOLHA.UOL  em 03FEV2015
Crônicas
Síndrome do WhatsApp
Hoje apelei para uma profissional de enorme competência, a Lili. Comecei de novo um tratamento de fisioterapia. Em dezembro, a médica já tinha me receitado também uma injeção de anti-inflamatório, além de bolsas de água quente e exercícios. Mas os exercícios só comecei agora, porque piorei.

Estou com várias tendinites de novo, além de dor nas costas. Não vou pôr a culpa no excesso de trabalho nem em ninguém. O problema sou eu mesma. Passei as férias lendo os três grossos volumes da biografia do Getúlio, escrita pelo Lira Neto (Companhia das Letras). Ótima, aliás. Só que li metade na cama e a outra metade na esteira de praia. Deitada.




O resto do tempo, quando não estava dormindo, cozinhando ou lavando louça, passei lendo notícias no iPad, checando o Instagram e trocando mensagens por SMS, WhatsApp e e-mail, entre outras atividades no celular. Alguém pode imaginar a posição do meu pescoço?

A Lili me contou que hoje mesmo atendeu um rapaz de 18 anos com uma baita hérnia de disco no pescoço. O rapaz é alto, mas o agravante, segundo ela, é o tempo que ele passa checando o WhatsApp. Síndrome de WhatsApp, me disse com a maior naturalidade.

Escrevo WhatsApp e na imaginação ouço vozes pronunciando What's Up! Mas melhor seria dizer Whats Down! Para baixo! É para o celular que a gente dobra o pescoço. É com o celular que a gente também tensiona o indicador, ou o polegar, ou ambos: para digitar. A propósito, também estou com tendinite na mão direita.


Arte de ALPINO


Voltei ao trabalho e passo o dia inteiro em frente a um computador enorme, lindíssimo. Pescoço projetado para a frente do corpo, esse é um dos meus vícios posturais. Outro problema é que a mega tela do computador, descobri hoje, mais de dois anos depois de comprá-lo, é que é grande demais para mim. Eu, que sou pequena, tenho de levantar a cabeça para enxergá-la direito, e com isso tensiono o pescoço.

A alternativa seria levantar a altura da cadeira, mas aí os meus pés não alcançariam o chão e detesto aqueles apoios de pé. Sinto que fico engessada. Quem acredita que um mobiliário "padrão" serve para quem é pequeno ou para quem é grande? Quantos serão os "normais"?


Outra alternativa para o meu caso, pensei agora, seria abaixar a altura da mesa, mas aí eu não poderia dividi-la com outras pessoas, como faço hoje.

O custo de passamos mais tempo conectados não é só de eletricidade, telefonia, troca de equipamentos com obsolescência programada, atualizações de softwares etc. O custo é de saúde física.




Mas tem três coisas que eu adoro no WhatsApp. 

  • Funciona. Até em circunstâncias em que o SMS não funciona (não me pergunte por que o SMS anda tão ruim); 
  • Ele não tem publicidade! Que delícia não ser interrompida por mensagens que não estou interessada em receber 
  • É uma forma de comunicação mais barata que SMS e telefonia.

Mas sou do tipo que entende o WhatsApp como instrumento de comunicação um a um. Não gosto de receber no WhatsApp mensagens que não foram escritas especificamente para mim.

Minha filha é diferente. Acho que meu assistente também, porque os dois vivem com o celular sem som, mas sempre tremendo em cima da mesa por conta do grande número de mensagens que recebem. Não gosto disso porque me interrompe o fluxo do raciocínio, da memória, do trabalho. Distrai. Tira a concentração e a produtividade. É chato, viu?

Marion Strecker é jornalista e cofundadora do UOL.

domingo, 8 de novembro de 2015

Chegando a hora da terceira idade

Por Ricardo Mioto
FOLHA SP

Envelhecer até a fase da dependência é efeito colateral do avanço da medicina

O médico Atul Gawande cita o romancista Philip Roth: "A velhice não é uma batalha; a velhice é um massacre."

Autor de "Mortais", recém-lançado no Brasil pela Objetiva, o cirurgião defende que o aumento da expectativa de vida promovido pela medicina tem um efeito colateral.

Provavelmente a maior parte de nós conseguirá avançar, despistando doenças pelo caminho, até uma situação de perda de autonomia e de dependência, fruto da inevitável decadência física e – infelizmente– mental.



Isso é inédito na história da humanidade. Estima-se que a expectativa de vida no Império Romano era de 28 anos. Até outro dia, nós simplesmente morríamos antes de começaremos a – não há outra palavra – incomodar.

Gawande conta várias histórias de famílias que tentaram cuidar dos seus velhos em casa. Um idoso tem problemas de audição, então sem querer eleva o volume da TV a níveis insuportáveis. Outro tem incontinência urinária, mas se recusa a usar fralda – porque sente que isso afeta sua dignidade, o que não deixa de ser compreensível.

Pode ser que ele não queira tomar seus medicamentos. Pode ser que não queira comer. Ele precisa ser acompanhado a várias visitas médicas e exames em horário comercial. Ele já não tem controle motor, está sempre perto de se acidentar. O banho vira uma luta. Demanda atenção 24 horas. Com frequência, tudo isso ocorre ao mesmo tempo.




Surge então uma situação emocional muito desagradável. O filho se sente culpado por estar, nas palavras de Gawande, ressentido por ter se tornado "assistente/motorista/secretario/cozinheiro/empregado". Sabe que ama o idoso em questão, mas vê que essa rotina toda inviabiliza sua vida pessoal e profissional.

O idoso, do outro lado, que percebe que está dando trabalho. Talvez enxergue a própria decadência física, fique deprimido com ela.

Para piorar a situação dos velhos, Gawande aponta que mudanças na sociedade reduziram os incentivos para os mais novos cuidarem deles.



Em primeiro lugar, a menor quantidade de filhos reduz a quantidade de braços disponíveis para se revezarem nos cuidados – pense que nunca houve tantos filhos únicos.

Mas, mais do que isso, há uma transição econômica. Em sociedades rurais do passado, o filho que se sacrificava para cuidar do pai poderia esperar a propriedade como recompensa. Paciência pragmática também é paciência.

"O desenvolvimento econômico global mudou dramaticamente as oportunidades para os jovens", diz Gawande. Empregos estão em todo lugar, exigem mudança de cidade. Procura-se promoções. Passar horas levando o pai ao médico é perder chances profissionais, em vez de garantir uma posição no testamento.




Uma solução é encaminhar o idoso para uma casa de repouso, o que representaria um alívio para ambas as partes. Mas elas também têm diversos problemas, diz o médico.

Passar os últimos dias em um asilo significa viver entre desconhecidos, justamente em uma fase da vida em que não estamos muito dispostos a novas aventuras.

Além disso, é difícil para o funcionário desses locais atender as particularidades de cada paciente. Exceto em locais muito sofisticados (e talvez caros), é inevitável certa padronização de alimentação, horários, atividades.

São rotinas anônimas, que retiram a individualidade de quem talvez um dia tenha sido proeminentes, decididas. Certa teimosia ou rabugice seja talvez apenas uma última tentativa de expressar isso.

Mesmo médicos não gostam muito de lidar com idosos – poucos buscam a geriatria.



"O velhinho é surdo. Não enxerga bem. Pode estar com a memória prejudicada. Ele não tem uma queixa principal – tem 15 queixas. Como você vai lidar com todas elas? Você se sente sobrecarregado", afirma um geriatra a Gawande.

Para piorar, certa solidão é comum nesses lugares. Escreve Drauzio Varella: "Se você só tem filhos homens, não tem mãe nem irmãs, reza para morrer antes de sua esposa. Caso contrário, meu amigo, é provável que seus últimos dias sejam passados com estranhos. Não me interprete mal, filho homem. Você irá visitá-los quase todos os dias, no almoço. Perguntará se estão bem, se as dores melhoraram, mas infelizmente precisará voltar para o escritório."

Um tanto assustador.

Mortais
R$ 24,90
AUTOR: ATUL GAWANDE
EDITORA: OBJETIVA

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Eu tinha um cachorro preto, seu nome era depressão

Pilordianos, recebi este vídeo acompanhado do texto/desabafo do jornalista da BANDNEWS Ricardo Boechat e resolvi compartilhar com vocês devido ao seu conteúdo e que pode vir a servir de alerta a algum de vocês e/ou a pessoas de seu relacionamento.


Ricardo Boechat fez um longo desabafo na manhã desta quinta-feira (27) e revelou ter sofrido um "surto depressivo agudo" pouco antes de entrar no programa que apresenta na rádio Bandnews FM, na semana retrasada. O jornalista ficou por cerca de 15 dias distante de suas atividades.

Segundo Boechat, "eu simplesmente sofri um colapso, um apagão no estúdio", e "nenhum texto era compreensível".

Após o ocorrido, o âncora do "Jornal da Band" diz que foi com a sua mulher ao médico e lá recebeu o diagnóstico de "depressão", que o "estado de pânico, a balbúrdia mental, a insegurança, eram sintomas clássicos de surto depressivo".

Boechat finaliza o desabafo afirmando que "a depressão não escolhe vítimas por seu grau de instrução ou situação econômica. Castiga sem piedade e da mesma forma pobres e ricos, anônimos e famosos."

O Pilórdia sugere que leiam o artigo completo antes de assistirem ao vídeo abaixo, para isso, cliquem AQUI


domingo, 28 de junho de 2015

Segredos para uma boa vida

Por dr. Joston Miguel - geriatra.

Sugestão de Carlos Michelli


Conselho aos da minha geração.
Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos! De que adianta, é assim mesmo. Isso é um processo natural. É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia. Essa lei diz que: “A energia de um corpo tende a se degenerar e com isso a desordem do sistema aumenta”. Portanto, tudo que foi composto será decomposto, tudo que foi construído será destruído, tudo foi feito para acabar.




Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós. Com o tempo, os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam. Sendo assim, relaxe e aproveite. Parafraseando Freud: “A morte é o alvo de tudo que vive”. Se você deixar o seu carro no alto de uma montanha, daqui a 10 anos ele estará todo carcomido. O mesmo acontece a nós. O conselho é: Viva. Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez. Como disse um dos meus amigos a sua esposa: “me use, estou acabando!”. Hilário, porém realista.




Ficar velho e cheio de rugas é natural. Não queira ser jovem novamente, você já foi. Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige. Já viveu essa fase, reconcilie-se com a sua situação e permita que o passado se torne passado. Esse é o pré-requisito da felicidade. 

 “O passado é lenha calcinada.
 O futuro é o tempo que nos resta:
 finito, porém incerto” 

 como já dizia Cícero.

Abra a mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha, da vasta cabeleira e do alto desempenho, pra não se tornar caricatura de si mesmo. Fazendo isso ganhará qualidade de vida. Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado. Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora. A flor da idade ficou no pó da estrada. Então, para que se preocupar?! Guarda os bisturis e toca a vida.




Você sabe quem enche os consultórios dos cirurgiões plásticos? Os bonitos. Você nunca me verá por lá. Para o bonito, cada ruga que aparece é uma tragédia, para o feio ela é até bem vinda, quem sabe pode melhorar, ele ainda alimenta uma esperança. Os feios são mais felizes, mais despreocupados com a beleza, na verdade ela nunca lhes fez falta, utilizaram-se de outros atributos e recursos. Inclusive tem uns que melhoram na medida em que envelhecem. Para que se preocupar com as rugas, você demorou tanto para tê-las! Suas memórias estão salvas nelas. Não seja obcecado pelas aparências, livre-se das coisas superficiais. O negócio é zombar do corpo disforme e dos membros enfraquecidos.

Essa resistência em aceitar as leis da natureza acaba espalhando sofrimento por todos os cantos. Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna, as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos, as loucas alegrias e os desenfreados prazeres. Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e condena à ruína sua própria alma. Discreto, sem barulho ou alarde, aceite as imposições da natureza e viva a sua fase. Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu. Se não viveu na fase devida, o melhor a fazer é esquecer.




A causa do sofrimento está no apego, está em querer que dure o que não foi feito para durar. É viver uma fase que não é mais sua. Tente controlar essas emoções destrutivas e os impulsos mais sombrios. Isso pode sufocar a vida e esvaziá-la de sentido. Não dê ouvidos a isso, temos a tentação de enfrentar crises sem o menor fundamento. Sua mente estará sempre em conflito se ela se sentir insegura. A vida é o que importa. Concentre-se nisso. A sabedoria consiste em aceitar nossos limites.

Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero. Faça o que pode ser feito com o que está disponível. Quer um conselho? Esqueça. Para o seu bem, esqueça o que passou. Tem tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está. Coisas do passado não te pertencem mais. Se você tem esposa e filhos, experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos, faça a festa, celebre a vida, agora você tem mais tempo, aproveite essa disponibilidade e desfrute. Aceitando ou não, o processo vai continuar. Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora. Nada nos pertence.




Tive um aluno com 60 anos de idade que nunca havia saído de Belo Horizonte. Não posso dizer que, pelo fato de conhecer grande parte do Brasil, sou mais feliz que ele. Muito pelo contrário, parecia exatamente o oposto. O que importa é o que está dentro de nós, a velha máxima continua atual como nunca: “quem tem muito dentro precisa ter pouco fora”.

Esse é o segredo de uma boa vida.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sobrevivendo a uma viagem de avião

Por Stephen Kanitz.
Transcrito de seu blog

Cuidados antes de viajar de avião
Já perdi dois amigos que faleceram logo após uma longa viagem de avião, do que já se batizou de “síndrome da classe econômica”. 

Nos Estados Unidos somente nas nove maiores companhias há 350 mortes a bordo por ano e 14.000 emergências médicas, muitas das quais irão resultar em mortes na semana seguinte. Isto é muito maior do que o número de mortes por acidentes aéreos noticiados com tanto alarde pela imprensa sensacionalista.




Medaire, uma empresa que dispõe de médicos para atender pilotos de 60 companhias aéreas com as informações médicas que precisam em emergência, recebeu 19.000 pedidos de emergência e 94 passageiros morreram a bordo em 2010. 62% dos médicos respondem que já tiveram que ajudar um passageiro numa viagem de avião que fizeram. 

Ou seja, andar de avião é muito mais perigoso do que se pensa, e as mortes não são causadas por quedas de avião. Um dos problemas escondidos e dos mais graves é a trombose. 25% das pessoas com trombose declaram ter viajado de avião recentemente. 

As chances de você desenvolver um coágulo na veia, é de 1 em 6000 viagens. Voe 60 vezes num avião e sua chance pessoal passa a ser 1 em 100. Acima dos 55 anos de idade esta estatística piora.

Calcula-se que todo ano ocorrem 20 milhões de tromboses, de todos os tipos, que resultam em 2000 a 3000 mortes por ano. Em 2012 as mortes por acidentes aéreos foram de somente 798, ou seja, o verdadeiro risco de viajar é outro.

Se você tiver mais do que 55 anos, a estatística é maior. Dados da http://www.airhealth.org/

Portanto, como evitar um coágulo por voo:

1. Uso de meias elásticas, compressão 15 a 20 mmhg. Pesquisas mostram que 5% das pessoas que não usam meias elásticas desenvolvem coágulos, melhor não tê-los.

2. As meias devem ser usadas um dia antes da viagem, e obviamente durante a viagem.

Eu uso da Sigvaris, vendida no Brasil on line. http://www.sigvaris.com.br/pt-br/tabela-de-medidas-sigvarisVocê tem que medir a sua perna e determinar seu tamanho.

3. A meia deve ser usada também três dias depois da viagem, outro detalhe importante.

4. Voe diurno se você tem mais de 55 anos, especialmente se o voo durar mais que 8 horas ou 5.000 km de distância, o coágulo é muito menos provável nestas condições. 

Viajar é exaustivo, estressante e seu sistema imune se deprime e fica menos resistente.

E fica menos resistente justamente quando você estará em contato direto com mais de 3.000 pessoas do mundo inteiro, 10% com resfriado espalhando germes pelo ar. 

Tanto é que seu risco de pegar resfriado aumenta 100 vezes numa viagem.

O dia da viagem é para ficar em casa descansando e não trabalhando deixando tudo em ordem no último minuto.

5. Lave as mãos constantemente no aeroporto, leve álcool gel, não toque nos olhos, não beije a sua esposa, cumprimente como os indianos não como os europeus.

6. Não retire os seus sapatos numa viagem longa, apesar de ser mais confortável. 

Você não quer seus pés inchando, o que reduz a força de circulação do sangue, o que propicia a formação de coágulos. Num voo diurno não se tira sapatos. 

7. Exercícios. Movimente seus pés de 15 em 15 minutos.

8. Beba 1 litro de água a cada três horas, ou melhor ainda um copo de água eletrolítica como Gatorade, por hora.

Ninguém faria isto em terra, mas o ar condicionado dos aviões é de lascar, e a trombose tem como início o stress no seu sistema linfático e venoso. 

Água ajuda, mas as aeromoças sequer tem este volume de água para todos os passageiros. 

Lembre-se que você estará respirando 8% menos oxigênio que normalmente.

O ar não é puro e sim reciclado, passou pelo pulmão de um passageiro com gripe 12 minutos antes. 

Uso de máscara seria aconselhável, não fosse que ninguém quer parecer paranoico. 

One study “showed that the peak date of the U.S. influenza season was delayed 13 days after the terrorist attacks of Sept. 11, 2001, consistent with a greatly reduced number of flights during that period.”

E os serviços de segurança proíbem você de levar água na bolsa. Portanto tem uma logística a mais, comprar água depois da segurança.

9. Não beba álcool, nem no avião, nem antes. 

10. Se você fuma, pare de fumar dois dias antes e resista até dois dias depois.

11. Se você tem mais de 65 anos, considere ir de classe executiva. Economizar pode sair caro.

12. Escolha os pratos com menos risco de contaminação bacteriana, maionese, patês, pratos prontos, nem pensar. Nada de molho, tudo bem cozido, pratos simples como macarrão.

13. Provavelmente você não fará metade do que pedi, lembre-se que seu sistema imune estará trabalhando acima do normal. 

Uma das formas de garantir que seu corpo irá lidar com este stress é dormir ao chegar no seu destino.

Não faça turismo no primeiro dia, ou dois se você tiver mais que 55 anos, seu sistema imune agradece.

Se você tem histórico de problemas cardíacos, veias, hipertensão, edema, está no período de cinco anos após um câncer, seu cuidado deve ser redobrado. 

Algo para se pensar.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O Brasil da Copa dos bilhões é o lanterninha na saúde mundial

BRASIL NO EXTERIOR

 Uma pesquisa divulgada pela agência de notícias Bloomberg no dia 19 de agosto do ano passado colocou o Brasil na última posição entre os sistemas de saúde do mundo inteiro.




O levantamento considerou apenas as nações com populações maiores que 5 milhões, com o PIB per capita superior a 5.000 dólares e expectativa de vida maior que 70 anos.
Assim, 48 países foram classificados em critérios de expectativa de vida e custo per capita dos tratamentos de saúde. Diante disto, o Brasil ficou na última posição da lista atrás de países como Romênia, Peru e República Dominicana.

De acordo com o documento, os brasileiros possuem uma baixa expectativa média de vida atualmente, em 73,4 anos. Apenas o Irã, a Argélia e a República Dominicana possuem valores piores que os brasileiros, no entanto, nenhum deles ficou abaixo dos 73 anos.

Outro fator relevante que prejudicou a posição brasileira foi o alto custo per capita pago para a se obter qualquer tratamento. Atualmente, uma pessoa gasta em média por ano mais de 1.200 dólares (R$ 2.900) com os cuidados da saúde na Brasil. Em Cuba, que está 20 posições à frente dos brasileiros no índice total, o mesmo custo é pouco maior que US$ 600 (1.400 reais).

O relatório foi feito com base em dados oficiais do Banco Mundial, FMI (Fundo Monetário Internacional) e a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Hong Kong, Cingapura, Japão e Israel são respectivamente os quatro primeiros colocados. Apesar da crise financeira europeia, a Espanha e a Itália vêm em seguida na quinta e na sexta colocação.

terça-feira, 27 de maio de 2014

E este é país da Copa dos bilhões...

 Fantástico percorre hospitais do Brasil
e encontra UTI sem médicos

O Fantástico deste domingo mostrou o resultado de um estudo inédito para entender o que há de errado na saúde brasileira. Pela primeira vez, o Tribunal de Contas da União examinou a qualidade do atendimento em 116 hospitais públicos, os mais procurados pela população em todo o país.
O resultado é assustador.
Arte de Guto Cassiano

É assim que a saúde pública tem tratado seus pacientes.

Eu estou com dor, desde cedo.
Estou aqui desde 9h30 da manhã e até agora nada”,
 disse uma paciente.

Faltam enfermeiros e médicos.

“Como é que não tem pediatra num hospital desses,
 para atender uma criança no hospital, desmaiando?”,
 questiona outra paciente.

Não tem médico na UTI.
 São vários plantões em que não há medico na UTI”.

Faltam equipamentos para exames.
 E faltam remédios.
Ivan Cabral


Fantástico: E quando não tem o antibiótico, como faz?
Médico: Você conhece o "seguro senhor do Bonfim"?

A gente amarra uma fita do lado e vai.

Os repórteres do Fantástico foram aos hospitais para conferir o resultado de um relatório recente do Tribunal de Contas da União sobre a saúde brasileira e confirmaram:
falta quase tudo na rede pública
e sobra desorganização.


(...) Esta é uma situação comum em Cuiabá
e em vários outros pontos do Brasil.
Muitos pacientes só conseguem
tratamentos por força de liminares...

Rico


Para ver a reportagem completa, clique 


“Minha tia tem deficiência,
nem ela que tem prioridade não está sendo atendida”,
conta uma estudante.

De acordo com o estudo do TCU, na maioria dos hospitais,
as emergências estão sempre superlotadas, sempre.


Uma médica, de folga, 

veio acompanhar um tio doente,
 quando viu a situação, decidiu trabalhar.


Médica: Está faltando médico. 
E familiar me ajudando a fazer o procedimento.
Familiar me ajudando como um técnico auxiliar de enfermagem
 porque não tinha ninguém para me ajudar.
Fantástico: Como senhora se sente?
Médica: Desesperada pelos pacientes, porque eles são os que mais sofrem.



A falta de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem é um problema crônico. Em 81% dos hospitais visitados pelo TCU, os administradores reconheceram que há menos profissionais do que seria necessário para atender a todos os pacientes que procuram atendimento.


UTI sem médicos
A UTI do maior hospital de Cuiabá chega a funcionar sem médicos.
Vamos repetir:
uma unidade de tratamento intensivo funciona sem médicos.


São vários plantões em que não há medico na UTI.
 É como estar num avião sem piloto”, disse.


Amarildo


O pediatra apresentou um atestado médico para não trabalhar
 e não havia substituto para cuidar da criança.

“Eu chorei mesmo, 
me ajoelhei nos pés dele chorando,
 pedindo ajuda. 
‘Ajuda uma mãe que está angustiada,
porque meu filho está morrendo ali fora
e vocês não querem me ajudar’”,
desabafa a mãe de Ismael.




Segundo o Tribunal de Contas da União,
na maioria dos estados,
 há menos leitos do que seria necessário.
E para piorar,
 entre janeiro de 2011 e agosto do ano passado,
a rede pública de saúde perdeu 11.576 leitos,
são doze leitos fechados por dia,
 ou um a cada duas horas! 


Médico: Aqui tinha como ser mais dois leitos, aí serve de depósito.
Fantástico: Por que, cara? Por que isso?
Médico: Porque não tem funcionário. 

Não tem funcionário, não tem cabo, não tem monitor, 
só tem o espaço físico mas não tem o leito em si de UTI. 
Não tem técnico de enfermagem suficiente para tomar conta.
 Aqui seria outro também. 
Outro leito. Outro espaço.
Fantástico: E não funciona?
Médico: Não.



Quando o hospital não tem condições 
de operar todos que precisam,
 os pacientes se acumulam nas salas e nos corredores, 
à espera de uma vaga.
Homens e mulheres dividem o mesmo espaço.


Fantástico: Quanto tempo tem que o senhor está aqui?
Paciente: Está com 11 dias.
Fantástico: Onze dias? No corredor?
Paciente: No corredor.



Ivan Cabral

Falta equipamentos no maior hospital de Salvador
Fantástico: E qual exame ele tá precisando?
Homem: Ressonância magnética
Fantástico: Ele tem o quê?
Mulher: Hemorragia cerebral.


Em 85% dos hospitais visitados pelo TCU,
os administradores disseram que a estrutura física das unidades não era adequada.
 E em 77% dos hospitais falta algum tipo de equipamento.
 Em 23%, eles não foram instalados e muitas vezes ficam encaixotados no corredor, como no hospital Clériston Andrade, em Feira de Santana, na Bahia.

A secretaria estadual de saúde da Bahia diz que começou o processo de licitação da sala, mas ainda não tem previsão de quando o aparelho novo vai começar a funcionar.


Sinfrônio


“Nós temos dois pacientes internados com endocardite grave
 e não temos nenhum antibiótico
de escolha pra tratar esse tipo de infecção”.


O Conselho Federal de Medicina diz que para salvar os pacientes,
 o principal é melhorar muito a administração da saúde pública.


“Mais saúde depende de maior financiamento, melhor gestão administrativa, mais capacitados médicos e um bom sistema nacional de controle e avaliação.

Infelizmente, 
a vontade política ainda não foi suficiente
 para a implementação desses parâmetros 
fundamentais à mais saúde”,
 disse o vice-presidente do CFM, Carlos Vital.


Arte de Guto Cassiano


O TCU enviou o relatório ao Ministério da Saúde
 e a vários outros órgãos públicos. 

150 milhões de brasileiros dependem
exclusivamente do SUS para cuidar da saúde.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Racionamento de Vacinas

Por José Casado. Publicado em O GLOBO em 22ABR2014

Racionamento de Vacinas
O Brasil conseguiu erradicar doenças como a varíola e a poliomielite com programas de vacinação realizados com êxito durante 40 anos.

Os bons resultados em planejamento, organização, método e continuidade garantiram ao Programa Nacional de Imunização um status de anomalia no caótico sistema brasileiro de saúde pública. Exemplo: a prevenção contra sarampo, difteria, tétano e coqueluche alcançou 98% da população exposta.

Amarildo
 


Agora, a desorganização que prevalece na rede de serviços públicos e drena recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) ameaça contaminar o programa de prevenção a doenças transmissíveis. O país enfrenta um racionamento inédito e dissimulado na distribuição de vacinas e soros a todos os estados.

Sete semanas atrás o Ministério da Saúde jogou a toalha: o governo “tem conseguido atender a distribuição de alguns (produtos) imunobiológicos com regularidade” — confessou a Secretaria de Vigilância em mensagem (Comunicado 59/2014) aos coordenadores estaduais do programa de imunização.
 
Duke
 


O governo federal centraliza o planejamento, organiza a produção, compra e distribui vacinas e soros. Os estados fazem a partilha aos municípios, que se encarregam da vacinação nos postos de saúde. Na emergência, adotou-se um sistema de cotas. Cidades médias que recebiam oito mil doses de vacina dupla para adultos, por exemplo, estão limitadas a 1.600 doses mensais.

Falhas nas compras e no planejamento de produção, nos últimos 24 meses, levaram ao desabastecimento de 16 tipos de imunizantes. Há casos como o do imunizante do sarampo, caxumba, rubéola e catapora, com possibilidade de recomposição de estoques a partir de maio. E outros, como antidifteria e antitetânica, com suprimento incerto para os próximos meses.
 


Sem estoques, o governo pediu ajuda à Organização Pan-Americana de Saúde. A Opas aceitou socorrer o Brasil, sem prazos garantidos. Diante da pressão crescente de estados e municípios, que há décadas mantêm uma rotina de vacinação em massa, o Ministério da Saúde adotou dois tipos de resposta-padrão: numa avisa que haverá distribuição “de forma gradativa” quando receber os produtos; em outra, prevê atender à procura “de forma fracionada”. Ou seja, o governo Dilma Rousseff ainda não sabe quando o racionamento de vacinas e soros vai acabar.
 
Cabalau


Existe um problema adicional: a Copa. O ministério não preparou uma campanha de esclarecimento e de vacinação contra a febre amarela para turistas nacionais e estrangeiros durante os jogos, embora há um ano tenha decidido (Portaria 1.498) que essa vacina é necessária a quem planeja viajar por 80% do território nacional durante o Mundial.

O país não tem registro de casos de febre amarela urbana, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mas em dezembro o Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis classificou mais de 3.100 cidades como “áreas com recomendação de vacina”. Incluiu no mapa cinco das 12 cidades-sede dos jogos: Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá e Manaus. Ninguém avisou os torcedores — e faltam apenas sete semanas para a abertura da Copa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O fim dos planos de saúde individuais?

Por Maria Ines Dolci, em seu blog

Patinho feio
Depois da Amil, que parou de vender planos de saúde para pessoa física em junho último, foi a vez de a Golden Cross desistir deste segmento de mercado. Seus 160 mil clientes passam a ser atendidos pela Unimed Rio.

Isso configura uma tendência fortíssima, porque Sul América, Bradesco e Porto Seguro também desistiram de atender planos individuais.

As empresas alegam dois motivos para o desinteresse por esse tipo de contrato: reajustes fixados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e custos que não se diluem por um grupo maior de vidas, como nos planos coletivos por adesão e empresariais.

Newton Silva
 

Como ficam os brasileiros que não têm emprego formal – e que, portanto, não dispõem deste benefício cada vez mais oferecido pelos empregadores – e que só encontram planos pessoa física com preços elevados? São obrigados a participar de ‘falsos coletivos’, ou seja, de grupos de associações e categorias profissionais às quais não estejam, verdadeiramente, vinculados.

Mais difícil ainda é a situação de aposentados que não têm direito a permanecer nos planos das empresas para as quais trabalharam, porque o empregador bancava 100% do benefício.

Nas grandes cidades, os preços dos planos para os idosos costumam superar R$ 1 mil mensais, o que, na maioria das vezes, consome toda a aposentadoria recebida do INSS.

Eles têm de recorrer, então, ao atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), que não tem prazos máximos para atendimento, como os exigidos dos planos privados. Isso significa, muitas vezes, esperar meses, em determinadas regiões, por um simples exame de sangue ou consulta a especialista.
 


Hoje, em torno de 50 milhões de brasileiros têm planos de saúde. O SUS é responsável exclusivo, portanto, pelo atendimento de 150 milhões de pessoas.

O aumento da longevidade e a redução do número de filhos por família estão modificando a pirâmide etária do Brasil. Estima-se que haverá mais de 30 milhões de idosos em 2020. Que tipo de assistência médica eles receberão?

Governos e operadoras de planos de saúde terão de encontrar uma solução que preserve o atendimento a milhões de brasileiros que não contam com planos de saúde empresariais. Para dificultar isso, não há fórmulas prontas nem simples no mundo, como demonstra o caso dos Estados Unidos, nação mais rica do planeta, no qual ainda não há cobertura pública de saúde para todos os habitantes.
 
 


Mas saúde não é brincadeira. Tente imaginar qualquer cenário de boa qualidade de vida sem acesso rápido a médicos, clínicas, hospitais e laboratórios? Como desfrutar das novas tecnologias da medicina, que avançam para a maior compreensão do funcionamento do cérebro, combate a doenças degenerativas e aumento do percentual de cura de vários tipos de câncer, se ainda se morre, em nosso país, nas intermináveis filas dos hospitais?

Talvez o dilema dos planos de saúde individuais só seja solucionado por uma parceria público-privada, que reúna empresas e governos. Ou com outra forma de estímulos a operadoras que continuem atendendo à pessoa física.

O que não pode ocorrer é o simples desaparecimento desta modalidade de contrato, com perdas irreparáveis para os cidadãos.

Sem contar que o SUS mal dá conta da demanda de hoje, quanto mais de atender mais alguns milhões de pessoas, se estas não tiverem, mesmo, condições de contratar planos particulares individuais e familiares.
 
IOTTI


Para os 160 mil clientes da Golden Cross, que agora têm carteirinha da Unimed Rio, o pior quadro, virar ‘sem-plano’, felizmente não se concretizou. Mas cabe à ANS e ao Ministério da Saúde atenção e debate redobrados, porque a sinalização é preocupante.

Planos individuais, hoje, estão se tornando o ‘patinho feio’ do mercado. Algo tem de ser feito já, com bom senso e discussão qualificada, antes que o problema assuma proporções de crise grave.