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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A decepção dos programas eleitorais

Por Francisco Petros e José Marcio Mendonça 

Primeiras leituras: a decepção dos programas eleitorais
Pela primeira amostra ontem, em dois tempos na televisão e em dois tempos no rádio, o eleitor que estiver dependendo do que candidatos e partidos apresentam no horário eleitoral obrigatório para decidir em quem votar, vai ficar numa enrascada.

Obviamente descontando-se os partidos com menos recursos, tecnicamente os programas são de alta qualidade, de imagens, de tomadas, de cena, de “de direção” de atores, de tentar fazer que suas análises de promessas tenham algum cunho de “cinema verdade”.

Mas só fica, de fato, a maquiagem. O conteúdo...

Benett


Não é propriamente um programa político, está mais para um bom comercial. Não é à toa que os números preliminares de audiência, levantados pelos medidores eletrônicos ligados em tempo real, já registraram perda de telespectadores pelas principais televisões no horário dos políticos.

Segundo registrado pelo colunista Lauro Jardim, no portal da revista “Veja”, às 12h59, imediatamente antes do início da propaganda obrigatória, Globo, Record e SBT marcavam 8, 7 e 5 pontos, respectivamente, de acordo com dados prévios do Ibope para a Grande São Paulo. Entre as 13h e as 13h50, quando o horário eleitoral terminou, a Globo e Record passaram a marcar 5 pontos cada, o SBT 3 pontos, a Band 2 pontos e a Cultura apenas 1 ponto.

Em comparação com a audiência que as TVs abertas registraram na Grande São Paulo ontem (segunda-feira), no mesmo horário, tem-se o seguinte quadro: a Globo caiu 52%; a Record perdeu 30%; o SBT caiu 47%; e a Band, 40%.

Normalmente os primeiros programas despertam mais atenção, por curiosidade. A tendência é cair mais ainda daqui para frente.

Amarildo


Um detalhe curioso: Lula foi quase um “dono” do programa do PT no rádio. Na televisão, sua exposição foi mais discreta. Chegou-se a aventar a possibilidade de o ex-presidente funcionar como uma espécie de “âncora” do programa de Dilma na tevê. Ontem cumpriu este papel apenas no rádio.

Mais interessante ainda: na tevê, Lula reconheceu que há insatisfação com o governo Dilma (coisa que ela mostrou que não admite, como na sabatina da Globo) e prometeu que a presidente fará um governo melhor no segundo mandato.

Se somarmos a isto o fato de todos os candidatos prometerem mudanças, pode acontecer no Brasil algo inusitado em uma eleição em todo o mundo: uma disputa com três candidatos de oposição e nenhum francamente governista.

http://www.infomoney.com.br/blogs/politica-e-economia-na-real/post/3528212/primeiras-leituras-decepcao-dos-programas-eleitorais







quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A morte de Eduardo Campos e o cenário eleitoral

Por Francisco Petros

A morte de Eduardo Campos e o cenário eleitoral
A morte de Eduardo Campos é, tragicamente, o mais importante fato político da atual campanha eleitoral.
A morte de Eduardo Campos é, tragicamente, o mais importante fato político da atual campanha eleitoral. Dentre os principais candidatos certamente Eduardo Campos era a "novidade" da eleição presidencial. Não propriamente em função de sua trajetória política, nascida em meio de uma das mais importantes oligarquias políticas do Nordeste, a do governador Miguel Arraes – que morreu também nesta mesma data.

Homenagem de Roque Sponholz


 Eduardo Campos, jovem político da geração pós-64, procurava ocupar um espaço político entre o denominado lulismo e o eixo direito da política brasileira, ilustrado pelo mineiro Aécio Neves. Sua vinculação com a ex-candidata à presidência Marina Silva, muito embora se revestisse de ausência de identidade política entre ambos, poderia assumir a feição de uma espécie de "terceira via" na atual corrida eleitoral. Até a ocorrência deste triste episódio, a probabilidade de Campos ampliar a densidade de votos era baixa. Estava evidente que as eleições caminhavam para uma polarização entre o discurso político "burocrático-empresarial" de Aécio Neves e a "plataforma social" de Dilma Rousseff, embora esta última não encarne o lulismo na sua essência.

Homenagem de Amarildo


A morte de Eduardo Campos assumirá uma feição importantíssima, a despeito de seu fraco desempenho nas pesquisas eleitorais até agora. Marina Silva deverá ser a candidata do PSB à presidência e, com isso, transformará a corrida eleitoral atual num debate muito mais aceso a respeito do desenvolvimento e da política. A candidata Marina Silva contará com a herança de cerca de 20% dos votos da eleição de 2010, bem como esgarçará os votos à esquerda e à direita do eleitorado brasileiro. Para Marina Silva, o desenvolvimento é uma questão ideológica e pode ser calcada em novas bases, dentre as quais, envolvendo o tema da sustentabilidade social e ambiental. Daí decorre, em contraposição à sua moderna visão política, a alusão de "sonhática" à candidata, termo este que carrega uma perspectiva de transformação e, paradoxalmente, de empecilho ao desenvolvimento econômico e à finança. Portanto, não se deve subestimar o efeito dramático e imenso que a morte de Eduardo Campos tem sobre a atual política brasileira.

Homenagem de Samuca


É difícil projetar a significação, digamos, "numérica" da troca de Campos por Marina. As pesquisas informarão rapidamente estes efeitos. Vale alertar que não dá para simplesmente verificar as pesquisas antigas e projetar o futuro. O evento dramático da morte de Campos trará elementos novos ao imaginário popular e, com certeza, afetarão a substância do voto (aspecto qualitativo) e não apenas o percentual (aspecto quantitativo). 

Arrisco-me a afirmar que a polarização eleitoral pode se alterar. Marina tem todos os ingredientes para assumir a feição oposicionista ao governo. Note-se que os votos de Marina não serão um legado perfeito de Campos. Os votos de Marina serão extraídos, como já dissemos, à direita e à esquerda do candidato pernambucano, ou seja, será vista como mais oposicionista que Aécio Neves e mais "social" que Dilma. Trata-se de um novo total de votos. O eleitor deverá se acomodar em novas bases e à luz de novos fatos.

Homenagem de Sinovaldo


A política é construída racionalmente e emocionalmente, mas é decidida nos detalhes. Quem imaginaria que a escolha de Marina Silva em ir para o PSB poderia desembocar neste destino? Não fosse a "Rede" inviabilizada pela Justiça Eleitoral, não seria Marina a candidata com enormes chances de mudar o cenário eleitoral. Tudo pode mudar.

Há também o cenário de uma vitória de Dilma Rousseff ganhar a eleição em primeiro turno. As pesquisas indicarão a situação atual, mas isto será decidido muito mais em função do comportamento político de Marina Silva face aos novos fatos que pelos cálculos aritméticos dos institutos de pesquisas.

Homenagem de Frank


A pergunta adicional e relevante que surgirá, logo à frente, será em torno programa econômico de Marina Silva. Sabe-se que este tem um caráter evidente de conservadorismo, em função do perfil dos economistas que a assessoram (Eduardo Gianetti da Fonseca e André Lara Resende), bem como elementos que apontam para o futuro, notadamente nas questões de vanguarda como no caso da ecologia, da matriz enérgica e dos programas sociais.

O comportamento das elites perante o novo marco desta eleição será igualmente importante. Eduardo Campos estava inquieto com o apoio financeiro à sua campanha. Marina Silva, por conta da tragédia que se desfralda, pode ter mais apoio. A palavra está com o eleitor que recebe esta notícia como um novo ponto de partida no inquietante jogo eleitoral do Brasil de hoje.

Vamos continuar refletindo sobre estas questões e informaremos os nossos eleitores a respeito de nossas percepções.

Francisco Petros é economista, pós-graduado em Finanças. É Bacharel em Direito. Foi Presidente da APIMEC-SP (Associação Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais).

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Brasil, nessa última semana de novembro

Por Francisco Petros e José Marcio Mendonça
Nessa última semana de novembro
Nesta última semana de novembro, reuniram-se mais alguns fatos e atos que demonstram que o Brasil persiste a arranhar as melhores expectativas que dele podem se formar. Do ponto de vista econômico teremos a reunião do COPOM do BC que deve aumentar o custo do dinheiro e retornar à marcante taxa de juros básica de dois dígitos. Deste fato extrai-se a constatação do fracasso em relação à política monetária como instrumento efetivo a conter a inflação.


 O Governo persiste na estratégia de informar o público de que a meta em relação à variação dos preços está sendo cumprida, mas o que de fato se faz é abandonar o centro da meta de inflação e operar na "periferia do alvo" o que mexe não somente com as expectativas de curto prazo, mas, sobretudo com as de médio prazo. Esquecem os planejadores de Brasília que este discurso e estratégia acabam por elevar a resistência do tal do mercado em reduzir as taxas de juros. Tão simples de entender e o governo não entende.

Do lado dos juros ativos dos bancos, o custo de empréstimos e financiamentos, o fracasso do governo é ainda mais retumbante. Nada conseguiu em relação à redução do spread bancário (lembram-se ?) e sequer foi capaz de chegar a um diagnóstico sobre o assunto. Esqueceu-se o assunto, assim como foi esquecido o PIB de 4,5% neste ano. Seria piada se não fosse interesse de nosso país. Mas, a Presidente da República e ministra da Fazenda Dilma Rousseff tem a sorte de fazer com que a letargia nacional não se torne motivo de maior desemprego.
Somado a este fato as políticas ditas "sociais", bem como o alargamento da base de apoio dos políticos por meio de práticas (tristemente) históricas, a enganação nacional persiste. Afinal, quem se importa - no sentido de agir politicamente - com o maior déficit de conta corrente da história, o processo estrutural de desindustrialização, o atraso cambial, a compressão das tarifas públicas, etc. ? A sociedade brasileira aceita a "cristalização" de uma situação que joga o país no atraso, mas é bom que se saiba que há custos. Estes virão.

Privatização dos aeroportos
Faltaram os fogos de artifício para o governo completar a sua alegria em relação ao resultado do leilão que privatizou a concessão dos aeroportos de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Foi um sucesso mesmo, temos de concordar com a Presidente da República. Não é apenas uma questão de ágio. É uma questão de acreditarmos que o cidadão vai ter algo melhor quando embarcar e desembarcar nestes aeroportos.
De resto, teremos de verificar que o acordar do governo é tardio. Sequer a Copa do Mundo e as Olimpíadas serão atendidas com certa dignidade. O governo está descobrindo a roda. Que bom. Mais um pouco quem sabe consegue colocar um trem a vapor entre o Rio e São Paulo.

Olimpíadas e Copa do Mundo
Já se sabe que os nossos representantes não são afeitos a uma tarefa republicana mais nobre : a de fiscalizar. Fosse diferente os cidadãos (aqueles que votam) já teriam mais informações sobre a Petrobras, a CEF, o BB e o BNDES (este um cliente de carteirinha da Fazenda e que gosta de investir no setor de carnes e nas ações de Eike Batista). Cabe perguntar uma coisa a mais : há alguma atividade fiscalizadora no Congresso Nacional em relação aos gastos com o convescote futebolístico do ano que vem e das olimpíadas em 2016 ? Será que confiamos plenamente na capacidade divina do deputado comunista Aldo Rebelo ? Ou na sinceridade de propósito e nas informações do jovial presidente da CBF José Maria Marin e em seu colega do COB Carlos Arthur Nuzman ? Bem, temos a comissão do Ronaldo, não é mesmo ? Quantos votos ele recebeu nas últimas eleições ?

Ainda sobre Genoíno e Dirceu
Sérgio Buarque de Holanda, no seu Raízes do Brasil, dizia que a democracia no Brasil é um lamentável mal entendido. Vejamos se a cena não é a completa representação do que é o Brasil democrático.




Cena 1 : Os principais presos pelos escândalos do mensalão entram na cadeia fazendo discursos patrióticos e levantando as mãos com os punhos fechados como se estivéssemos a caminho da revolução liderados, surpresa!, pelos criminosos que assaltaram os dinheiros públicos.

Cena 2 : De outro lado, muitos políticos, ao invés de fazerem juras ao povo que os elegeram, fazem caravanas para se solidarizarem com os presidiários. Ao chegarem à Penitenciária com o sugestivo nome de "Papuda", encontram as famílias dos outros presidiários acampadas à espera da oportunidade de vê-los. A fila de visitas dos criminosos políticos anda rápida. A dos outros começa na madrugada. A Papuda virou centro de interesse político do Planalto Central.

Sabe-se que José Genoíno está doente. Triste sina. Todavia, seu tratamento é VIP : advogado caro à disposição, hospital imediatamente provido e, de lá, prisão domiciliar. Difícil crer que a vida do presidiário, digamos, "comum", seja tão abonada. Há mais : o líder petista deve arrancar uma bela aposentadoria de R$ 26 mil/mês do Legislativo. (A coluna lembra ao deputado que ele não pode cumular este salário vitalício com o auxílio-reclusão. A lei não permite).
José Dirceu tem pendores para ser executivo, comanda a cela e, segundo os jornais, mandou Delúbio Soares lavar a cela. A coisa parece séria. Tudo parece caminhar bem, não fosse o prejuízo deixado lá fora para os cofres públicos. Recomenda-se que José Dirceu tenha uma secretária para receber os seus colegas políticos. Dali poderá ligar para o Planalto, quem sabe ?! Pode ajudar muito na solução dos problemas carcerários do Brasil.