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terça-feira, 15 de novembro de 2016

É a RÉ...Pública, estúpido!

Por Josias de Souza

Temer soou na TV como refém da banda podre
A Presidência da República oferece àquele que a ocupa uma tribuna vitaminada. Algo que Theodore Roosevelt chamou de bully pulpit (púlpito formidável). De um bom presidente, espera-se que aproveite o palanque privilegiado para irradiar confiança e bons exemplos. Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, exibida na noite passada, Michel Temer fez o oposto. Soou como um refém da banda podre da política. Deixou no ar a impressão de que seu apoio à Lava Jato é lorota. Alguma coisa nas palavras Temer dizia que seu governo pode não acabar bem.

Arte de LUSCAR


Instado a afirmar o que pensa sobre a proposta de anistiar os políticos do crime de caixa dois, Temer subiu no muro. “Esta é uma decisão do Congresso.” E desceu do lado errado: “Eu não posso interferir nisso.” Convidado a se manifestar sobre projetos que saltam das gavetas em reação à Lava Jato, como a lei sobre abuso de autoridade, prioridade do multiinvestigado Renan Calheiros, Temer disse não acreditar que propostas do gênero atrapalhem as investigações.

Arte de SPONHOLZ


Temer perdeu uma oportunidade para se vacinar contra o contágio dos micróbios do petrolão. Bastaria que aproveitasse o púlpito para brindar os telespectadores com uma declaração assim: “Esclareço que o presidente da República também participa do processo legislativo. A Constituição me faculta o poder do veto. Assim, aviso aos apoiadores do governo: não aprovem nada que afronte a ética ou comprometa o trabalho da Procuradoria e do Judiciário. Para que os brasileiros durmam tranquilos, informo: se aprovarem, eu vetarei.

Arte de BRUM


Noutro ponto da conversa, o entrevistado foi questionado sobre a situação de Lula, réu em três ações penais. Ao discorrer sobre a hipótese de prisão do ex-presidente, Temer insinuou que o melhor seria evitar. “O que espero, e acho que seria útil ao país, é que, se houver acusações contra o ex-presidente Lula, que elas sejam processadas com naturalidade. Aí você me pergunta: ‘Se Lula for preso causa problema para o país?’ Acho que causa. Haverá movimentos sociais. E toda vez que você tem um movimento de contestação a uma decisão do Judiciário, pode criar uma instabilidade.” Ai, ai, ai…

Arte de BENETT


Sempre que uma determinada decisão judicial irrita a cúpula do crime organizado, os chefões da bandidagem ordenam, de dentro das cadeias, que seus asseclas promovam manifestações como queima de ônibus e ataques a policiais. Nem por isso o Estado tem o direito de acovardar-se. Mal comparando, o caso de Lula segue a mesma lógica. O que deve nortear a sentença é o conteúdo dos autos.

Arte de SID


Se o pajé do PT cometeu crimes, deve ser condenado. Dependendo da dosagem da pena, sua hospedagem compulsória no xadrez estará condicionada apenas à confirmação da sentença num julgamento de segunda instância. A plateia que retardou o sono para assistir à entrevista merecia ouvir do constitucionalista Michel Temer que não há movimento social ou instabilidade política que justifique o aviltamento do princípio segundo o qual todos são iguais perante a lei.

Arte de NANI


No tempo em que era o segundo de Dilma Rousseff, Temer se queixava de ser tratado como “vice decorativo”. Era como se a ex-rainha do PT o considerasse como um figurante —do tipo que aparece entre os mendigos, feirantes e o enorme elenco de etcéteras mencionados no final da relação dos papeis numa peça shakespeariana. Mesmo quando foi guindado à condição de articulador político do governo, Temer não deixou de ser o ‘etc.’ do enredo. Compunha o fundo contra o qual se cumpria o destina trágico da rainha.

Arte de SAMUCA


Agora que pode exercer em sua plenitude o papel de protagonista, Temer prefere morrer atropelado como um transeunte a entrar na briga do lado certo. Os supostos protagonistas de 2018 o tratam como uma espécie de interlúdio. Sua missão seria divertir o público enquanto o elenco principal troca de roupa. Mas Temer acha que tem potencial para ser a melhor coisa do espetáculo: “Qual é meu sonho? O povo olhar pra mim e dizer: ‘Esse sujeito aí colocou o Brasil nos trilhos. Não transformou na segunda economia do mundo, mas colocou nos trilhos’.”

Arte de PAIXÃO


A palavra do presidente é o seu atestado. Ou a plateia confia no que Temer diz ou se desespera. A suspeita de que as boas intenções de Temer não passam de um disfarce de alguém que não tem condições de se dissociar da banda podre leva ao ceticismo terminal. No desespero, um pedaço minoritário da sociedade acreditou que o país estivesse de volta aos trilhos. Houve mesmo quem enxergasse uma luz no fim do túnel. Mas entrevistas como a da noite passada revelam que talvez seja a luz da locomotiva da Lava Jato vindo na contramão.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lulla versus a Lei

Por Josias de Souza

Lula enfrenta o adversário mais desafiador: a lei
Lula deixou a Presidência como recordista de popularidade, com uma aliada na sua poltrona e convencido de que retornaria ao cargo máximo da República. Hoje, Lula coleciona taxas de rejeição acima dos 50%, acaba de assistir à deposição de sua pupila e enfrenta o medo de parar na cadeia. Lula ganhou uma nova qualificação. O procurador Deltan Dellagnol, coordenador da força-tarefa de Curitiba, enganchou no título de ex-presidente a designação de “comandante máximo de corrupção na Lava Jato.”

A denúncia inaugural enviada ao juiz Sérgio Moro injeta o tríplex do Guarujá e o aluguel de contêiners pela OAS no contexto geral da corrupção, caracterizando Lula como ''general'' da bandalheira. E ainda há muito por vir. Lula é acusado ou suspeito —em Curitiba e alhures— de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de inflência, obstrução da Justiça e formação de quadrilha. Traduzindo-se o pesadelo do linguajar do Código Penal para o português das ruas, Lula foi reduzido à condição de um reles suspeito de se beneficiar de dinheiro sujo.

No final de janeiro, em entrevista a um grupo de repórteres-companheiros, Lula jactou-se: “Não sou investigado!” Crivado de suspeitas já àquela altura, permitiu-se um instante de autocongratulação: “Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu.” Decorridos oito meses, o personagem é réu em Brasília e denunciado em Curitiba.

Lula lutou para fugir de Sérgio Moro. Sua penúltima tentativa resultou numa bronca do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Ao negar novo pedido da defesa do ex-presidente para suspender inquéritos que correm contra ele em Curitiba, Teori anotou que a peça não passava de mais uma das inúmeras tentativas de “embaraçar as investigações.”

O morubixaba do PT tem motivos para temer Sérgio Moro. Sem alarde, o juiz encostou a Lava Jato na jugular de Lula. Primeiro, avalizou a inclusão do tríplex 164-A, que a OAS reservara para a família Silva no célebre prédio do Guarujá, no rol de imóveis investigados na Operação Triplo X.

Na sequência, Moro liberou a Polícia Federal para abrir, na mega-investigação do assalto à Petrobras, um inquérito específico sobre o sítio de Atibaia, cuja utilização foi terceirizada a Lula —livre de ônus e sem prazo— por dois sócios do primogênito Fábio Luiz da Silva, o Lulinha.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Dilma culpa muitos por impedimento, menos ela

Por Josias de Souza.

Dilma culpa muitos por impedimento, menos ela
Às vésperas de sofrer nova derrota no Senado, Dilma Rousseff discursou para uma plateia companheira em Curitiba, nesta segunda-feira (8). A certa altura, perguntou a si mesma quem são os responsáveis pelo “golpe” sem tanques de que se julga vítima. Expressando-se na língua confusa que costuma utilizar, muito parecida com o português, a presidente afastada disse o seguinte:

Em primeiro lugar, parte da mídia oligopolista. Em segundo lugar, mas não necessariamente nessa ordem, mas com uma certa simultaneidade, uma parte da oposição ao meu governo —a parte, vamos dizer assim, mais programática da oposição ao meu governo, que foi sendo substituída pela parte mais, diríamos assim, mais fisiológica, mais complexa, mas nem por isso menos ávida. É essa parte da oposição que representa hoje o governo provisório e interino, com a participação da outra: partes do PMDB, obviamente o ex-vice-presidente, atual presidente interino, e também o presidente afastado da Câmara Federal, senhor Eduardo Cunha. E toda uma parte do capital especulativo e financeiro. Acredito que outros segmentos podem ter sido atraídos. Mas esse é o núcleo duro.

Arte de MARIANO


Numa tradução livre do dilmês, o repórter suspeita que madame tenha desejado declarar que a culpa é de três setores da sociedade: a imprensa, a oposição que se juntou ao PMDB e a oligarquia financeira. Quer dizer: Dilma responsabiliza muita gente pelo seu fracasso, menos ela. Ou quebraram todos os espelhos do Palácio da Alvorada ou Dilma ficou cega. Uma pena.

Se tivesse olhado para o espelho pelo menos três vezes por dia, Dilma teria testemunhado o ocaso de uma presidente ruinosa. Despreparada, pressunçosa e dissimulada, transformou sua incapacidade pessoal num desastre histórico — um dos piores que o Brasil já viveu.

Arte de SPONHOLZ


Dilma fez sumir os brasileiros humildes que enchiam os aeroportos e divertiam Lula por deixar a “elite incomodada”. As companhias aéreas estão no chão. A conta de luz barata tornou-se pesadelo. O setor elétrico entrou em curto-circuito. Os juros de um dígito, que eram feitos de saliva, revelaram-se uma mágica fugaz. O investment grade que as agências de avaliação de risco deram ao Brasil, virou lixo. O “pleno emprego” deu lugar a quase 12 milhões de desempregados. O pré-sal não levou o Brasil à OPEP, mas à roubalheira da Lava Jato. E a ‘Pátria Educadora’ não passava de um slogan de marketing criado com verba do caixa dois.

Dilma não gosta de reconhecer os próprios erros. Para ela, quem deve uma autocrítica ao país é o PT. A legenda precisa explicar por que aderiu aos métodos dos cleptopartidos. Seria ótimo. Mas a diversão só ficaria completa se madame explicasse, com seu quase-português, por que diabos abandonou a noção de responsabilidade fiscal para tocar o país na base do vai ou racha. Rachou. O caso de Dilma não é de impeachment. Madame está prestes a ser mandada mais cedo para casa porque cometeu suicídio político.

domingo, 14 de agosto de 2016

Cadê a faixa que estava aqui...?

Por Josias de Souza.


Sumiram 4.500 itens do patrimônio da Presidência da República, aponta TCU

Auditoria do Tribunal de Contas da União constatou o sumiço de 4.500 itens do patrimônio da Presidência da República. Entre as peças cujo paradeiro é ignorado estão obras de arte, utensílios domésticos, objetos de decoração, material de escritório, computadores e até —espanto!, pasmo!!, estupefação!!!— a faixa presidencial. A novidade foi noticiada pelo repórter Robson Bonin, de Veja.



Relatório do TCU estima em R$ 5,8 milhões o prejuízo ao erário. “Há clara negligência da Secretaria de Administração da Presidência da República na guarda dos bens patrimoniais”, anota o documento. A auditoria foi deflagrada em março, como um subproduto da Lava Jato. Deu-se nas pegadas da descoberta de um cofre em que Lula guardava numa agência bancária de São Paulo presentes que recebera ao longo de seus oito anos como presidente.

Pela lei, presentes dados por chefes de Estado estrangeiros devem ser incorporados ao patrimônio da União. Sob Lula e Dilma Rousseff, constataram os auditores, essa regra foi ignorada. O morubixaba do PT foi brindado com 568 presentes. Encontraram-se no Planalto os registros de apenas nove peças. Sua afilhada política recebeu 163 presentes. Apenas seis foram incorporados ao patrimônio da União.

Arte de ZOP

Diante desse quadro, o TCU decidiu ampliar a busca. Ao final, relacionou as 4.500 peças não encontradas. Entre os objetos que sumiram, 391 deveriam estar no Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes da República. Outras 114 peças desapareceram da Granja do Torto, utilizada como casa de campo pelos inquilinos do Planalto. Afora a faixa presidencial, há na lista computadores, equipamentos de segurança, peças da prataria, tapetes persas, porcelana chinesa, pinturas de artistas brasileiros… Era só o que faltava!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O strip-tease de João Santana

Por Josias de Souza.

Defesa de Santana é um strip-tease ao contrário
O depoimento prestado por João Santana a Sérgio Moro teve a aparência de um strip-tease ao contrário. O marqueteiro do PT entrou na sala de audiências nu. E passou a se vestir com o maior despudor na frente do juiz da Lava Jato. Santana já havia ensaiado a cena com seus advogados. “Bota mais!”, orientaram os defensores. “Bota mais!”

Arte de CAZO


Coube à força-tarefa da Lava Jato despir Santana. Seu umbigo veio à luz quando os investigadores farejaram a conta secreta que mantinha na Suíça. Seguiu-se um desnudamento progressivo, em camadas. De repente, o mago do marketing estava —horror, frisson!— com as vergonhas totalmente expostas.

Pelado involuntário, Santana foi recolhido à carceragem de Curitiba antes que tivesse tempo de se preparar para a nudez. Os US$ 7,5 milhões roubados da Petrobras que os investigadores encontraram entesourados em sua conta suíça dificultaram-lhe os movimentos. Sem jogo de corpo, Santana rogou a Moro que não o filmasse. Foi atendido.

Arte de PATER


O juiz concordou em gravar apenas o áudio do interrogatório. “É preciso rasgar o véu de hipocrisia que cobre as relações políticas e eleitoras no Brasil e no mundo”, disse Santana a alturas tantas, pousando a metáfora como um eufemismo sobre sua reputação em frangalhos. Há “caixa dois” em 98% das campanhas eleitorais, declarou.

Faltando-lhe melhor ideia, Santana encontrou em Duda Mendonça uma estratégia prêt-à-porter, pronta para usar. Pilhado recebendo verbas no exterior de Marcos ‘Mensalão’ Valério, Duda também fez do caixa dois sua armadura. Para Santana, não se deve abandonar uma desculpa esfarrapada só porque saiu de moda.

Arte de SAMUCA


O marqueteiro do petrolão encurtou um pouco a bainha, alargou nos ombros, folgou na cintura, colocou uns babados de renda… Pronto! A desculpa está nova em folha. A corrupção, a lavagem de dinheiro, a evasão de divisas, a sonegação de impostos… tudo isso vira um mero “deslize” de caixa dois.

O diabo é que João Santana teve a má sorte de ser arrastado para o centro do palco num instante em que o país está de saco cheio de truques. Sérgio Moro e a plateia notaram que o modelito recauchutado por Santana, com mais de dez anos de uso, já não orna com os novos tempos.

Arte de  SID


“O que eu não entendo e não me conformo é com o fato de eu e minha mulher estarmos sendo acusados, injustamente, de corrupção, formação de organização criminosa e de lavagem de dinheiro”, queixou-se Santana a Moro. “De estarmos sendo tratados como criminosos perigosos. E de estarmos servindo, involuntariamente, aos interesses dos que sempre tentaram ligar o marketing político a atividades obscuras e antiéticas.”

Suprema ironia: na propaganda eleitoral das campanhas presidenciais do PT, Santana esgrimiu a tese segundo a qual a lama escorre na República porque Lula e Dilma soltaram as rédeas da PF e vitaminaram a Procuradoria. Agora, queixa-se das injustiças da vida. A despeito dos seus esforços, continua nu em cena.


segunda-feira, 18 de abril de 2016

Impeachment de Dilma é a maior derrota de Lula

Por Josias de Souza.
Charges de SPONHOLZ


Impeachment de Dilma é a maior derrota de Lula
Ninguém declarou ainda, talvez por pena, mas o principal derrotado com o avanço do impeachment é Lula. Se o Senado ratificar a decisão da Câmara, mandando a presidente para casa mais cedo, Dilma fará as malas, avisará aos netos que está voltando para Porto Alegre e emitirá um aviso aos repórteres: “Vocês não terão mais Dilma Rousseff para chutar.” Lula não pode se dar ao luxo de sair de cena. Terá de se reinventar sem descer do palco. E com a Lava Jato a lhe roçar os calcanhares de vidro.



Depois de passar à história como primeiro presidente a fazer a sucessora duas vezes, Lula reescreve o verbete da enciclopédia como o único mandatário que é desfeito pela própria criatura. Dilma ajudou bastante, mas é Lula o principal responsável pelo desastre. Primeiro porque o petrolão, espécie de mensalão hipertrofiado, foi urdido na gestão dele. Segundo porque o fiasco econômico que estilhaça a presidência de Dilma é decorrência natural do mito da supergerente, um conto do vigário de Lula em que a maioria dos brasileiros caiu.



A reivenção de Lula será um triste espetáculo. Já estava habituado a derrotas. Perdeu três eleições presidenciais. E sempre levantou, sacudiu o pó e seguiu adiante. Mas dessa vez é diferente. Lula caiu do alto de sua empáfia. Por enquanto, comporta-se como o sujeito que, tendo despencado de um edifício de dez andares, ao passar pelo quarto piso, exclama: “Até aqui tudo bem.”



Quando notar que o chão se aproxima com a velocidade de um raio, Lula iniciará a fase da negação. Repetirá em público o que diz em privado desde o início do segundo reinado de madame: 1) “Dilma não ouve o que eu digo”; 2) “Quando ouve não faz.” As frases são injustas e inúteis. São injustas porque Dilma nunca escondeu a devoção que dedica ao criador. São inúteis porque, depois que Dilma terceirizou sua gestão ao criador, qualquer criança de cinco anos sabe que Lula enxerga no espelho a imagem de um culpado.



Ele chegou a esta condição por seus próprios deméritos. Por dois mandatos, abasteceu sua base congressual de propinas. O mensalão secou antes que a cúpula do PT fosse para a cadeia. Mas havia um insuspeitado petrolão. Deflagrada sob Dilma, a Lava Jato emparedou os corruptos. E mandou para cadeia os corruptores. A jazida mixou. Deu-se, então, o previsível: a interrupção do fornecimento regular de propinas converteu aliados em traidores.



Há na Câmara 102 deputados filiados a partidos de oposição. O impedimento de madame foi aprovado por uma massa de impressionantes 367 votos. Nessa conta há 265 silvérios. Quer dizer: os governos financiaram o que agora chamam de “golpe''. Dilma foi picada pelas serpentes “golpistas” que os esquemas da era Lula engordaram. A mais venenosa chama-se Eduardo Cunha.

terça-feira, 29 de março de 2016

Governo sem cacife para negociar impeachment

Por Josias de Souza


Sem mensalão nem petrolão, a aliança congressual do governo sofre apagão
Dilma escancara sua fragilidade cada vez que repete “jamais renunciarei”. Na verdade, a presidente se encontra numa situação desesperadora. A única coisa que não a abandona é o medo de ser abandonada. No momento, Dilma vive o pior tipo de solidão, que é a companhia dos áulicos.

Se perguntarem a qualquer congressista ou ministro quais são os três temas prioritários da agenda brasiliense, o sujeito dirá: impeachment, impeachment e impeachment. Chegou-se a essa conjuntura monotemática por uma razão singela: o risco de Dilma ser impedida de exercer o cargo cresceu enormemente.

O pedido de impeachment deve chegar ao plenário da Câmara antes do final de abril. Ali, madame precisaria de 172 votos para livrar-se da encrenca. E seus operadores políticos já admitem reservadamente que esse apoio mínimo pode faltar à presidente da República.



Repetindo: para sepultar o pedido de impeachment, Dilma teria de contar com irrisórios 33,5% dos votos dos 513 deputados com assento no plenário da Câmara. E ela receia que até esse apoio ínfimo pode lhe ser negado. Ninguém disse ainda, talvez por pena, mas a base congressual de Dilma sofre um grave apagão.

Herdada de Lula, a coligação partidária que supostamente dá suporte a Dilma é uma aliança baseada em interesse$ inconfessáveis. E quando um matrimônio é selado na base do interesse vira patrimônio. Sem mensalão nem petrolão, a lealdade dos governistas ficou, digamos, meio cansada.

O PMDB, em cujos quadros se abrigam alguns dos mais notórios investigados da Lava Jato, deve desembarcar nesta terça-feira (29). O PP, a legenda que mais se lambuzou na petrorroubalheira, ameaça fazer o mesmo. O PR, um cartório controlado pelo mensaleiro Valdemar Costa Neto viria a seguir…



Na democracia brasileira, um projeto político que saiu pelo ladrão, os partidos perderam a função. Antes, representavam grupos ou corporações. Hoje, representam apenas os próprios interesses. Sempre houve na política essa confusão entre público e privado. A diferença é que na era petista houve uma radicalização.

Se o mensalão e o petrolão serviram para alguma coisa foi para ecentuar a percepção de que há um quarto poder pairando sobre o Executivo, o Legislativo e o Judiciácio: o poder do dinheiro. A Lava Jato secou a fonte. E Dilma, que dispunha de maioria folgada na Câmara, tornou-se uma presidente minoritária.

Considerando-se que os partidos viraram paraísos fiscais, nos quais o governo investe todo o dinheiro que a corrupção é capaz de prover, Dilma conta com a perspectiva de extrair 100% de dividendos apenas do seu PT e do PCdoB. Juntas, essas “firmas” somam 71 votos na Câmara. Faltam 101 para brecar o impeachment.



Há dois dias, numa conversa com jornalistas estrangeiros, Dilma afirmou: “A oposição me pede que eu renuncie. Por quê? Por que sou uma mulher fraca? Não, não sou uma mulher fraca.” Se não consegue reunir 101 gatunos pingados sem o anabolizante da corrupção, para que diabos serve a força de Dilma?

Aos que imaginam que a eventual aprovação do impeachment significará o fim de todos os problemas, um aviso: vai à cadeira de presidente o vice Michel Temer, do mafioso PMDB. Quer dizer: a política continuará condicionada aos desdobramentos das investigações policiais.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Adeus 2015!

Por Josias de Souza.


Ano de 2015 abusa da paciência dos brasileiros
Excluindo as outras 52.352 coisas deploráveis ocorridas em 2015, denuncio os seguintes crimes cometidos contra a paciência dos brasileiros durante o ano velho:

Arte de BENETT

A reviravolta que despertou no eleitorado o desejo de submeter Dilma a um exame de DNA logo depois da reeleição; o contrassenso de chamar a clientela de contribuinte antes de tentar arrancar-lhe na marra uma nova CPMF; a inflação de 10,8%, acompanhada de recessão e desemprego, sobretudo porque todos sabem que o caos econômico era evitável; a saudade do tempo em que dar uma pedalada era apenas acionar os pedais de uma bicicleta; a Dilma apresentando-se sempre como vítima de alguém; o Eduardo Cunha no papel de abre-alas da oposição; a sofreguidão com que Dilma vai atrás do Renan Calheiros, corteja o Renan Calheiros, entrega a viabilidade do seu governo à conveniência do Renan Calheiros; a Dilma tratando o Eduardo Cunha como cachorro louco sem explicar por que mantinha um afilhado dele na vice-presidência da Caixa e tentava ser seu amigo antes da deflagração do impeachment; o PT chamando de “golpe” um processo de impeachment previsto na Constituição e disciplinado pelo STF; a evolução do presidencialismo de coalizão para a sua forma mais pura, que é a vigarice; o neo-aliado Fernando Collor xingando Rodrigo Janot de “filho da puta” na tribuna do Senado por ter revelado que ele continua sendo Fernando Collor; a Lava Jato comprovando diariamente que a democracia brasileira é um projeto político que saiu pelo ladrão; a evidência de que, não contentes em existir, os corruptos passaram a existir em grande número; a desilusão que se abateu sobre o asfalto depois que os manifestantes se deram conta de que o poder de fazer barulho na rua pode ser poder nenhum; a desfaçatez com que o petismo se vangloria de ter aparelhado a Polícia Federal e prestigiado o Ministério Público, abstendo-se de mencionar que providenciou também a matéria-prima para os escândalos que o cercam; o TSE transformado pelo PT em lavanderia de pixulecos; o Lula repetindo que ‘não sabia’; a Dilma declarando que não confia em delator que faz delação com base numa lei sancionada por Dilma; a comprovação de que a elite empresarial brasileira pilhava a Petrobras ao mesmo tempo em que enchia as colunas sociais, publicava artigos e aconselhava ministros; a rapidez com que o PT suspendeu a filiação do líder preso Delcídio Amaral em contraste com o tratamento de “guerreiro do povo brasileiro” dispensado a personagens como o tesoureiro encarcerado João Vaccari Neto; o talento insuspeitado do Eduardo Cunha como vendedor de carne enlatada para a África; a transformação do Conselho de Ética da Câmara numa sucursal da Casa da Mãe Joana; a desenvoltura com que quatro dezenas de parlamentares enrolados no escândalo da Petrobras trafegam pelos corredores do Congresso como se nada tivesse sido descoberto sobre eles; o silêncio perturbador da banda muda do Congresso Nacional; a Dilma apelidando de reforma ministerial mais uma troca de cúmplices; a perspectiva de indulto da pena imposta no julgamento do mensalão a José Dirceu, que aguarda na cadeia por uma nova condenação no petrolão; a nota oficial em que o PSDB se disse “surpreso” com a condenação de Eduardo Azeredo no processo sobre o mensalão tucano de Minas Gerais; o filho do Lula embolsando R$ 2,5 milhões por “consultoria” copiada da internet; os 62 milhões de metros cúbicos de lama despejados pela Samarco no meio ambiente; a conversão do Aedes aegypti em hospedeiro do vírus zika; o desejo que Dilma desperta nas pessoas de viver no Brasil que ela descreve em seus discursos, seja ele onde for.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dilma Rousseff amplia seu leque de mentiras

Por Josias de Souza.


Pedaladas de Dilma privilegiaram bolsa-empresário, não programa Minha Casa
Numa tentativa de desqualificar o processo de impeachment deflagrado na Câmara, Dilma Rousseff passou a difundir uma versão marqueteira das chamadas pedaladas fiscais. Ela diz estar sendo julgada porque direcionou verbas aos brasileiros mais pobres, fornecendo-lhes um teto por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. A alegação não orna com os fatos. As constituem apenas parte das acusações que constam do pedido de impeachment. E elas beneficiaram mais os grandes empresários pendurados na carteira de empréstimos do BNDES do que a clientela pobre que busca financiamento para casas populares nos guichês da Caixa Econômica Federal.

Arte de GILX


No relatório em que rejeitou a prestação de contas do governo Dilma de 2014, o TCU orçou as pedaladas do ano passado em R$ 40,2 bilhões. São atrasos de repasses do governo a bancos públicos por pagamentos de programas e subsídios que deveriam ser bancados pelo Tesouro Nacional. A lei proíbe empréstimos de bancos públicos ao governo.

O atraso nos repasses foi maior no BNDES, no âmbito do PSI, Programa de Sustentação do Investimento, uma linha de crédito subsidiado mais conhecida como “bolsa empresário”. Nesse item, as pedaladas somaram R$ 12,1 bilhões —ou 30% do total.

Arte de JORGE BRAGA


Vêm a seguir: R$ 10,69 bilhões (26,59%) que o governo segurou do FGTS; e R$ 9,74 bilhões (24,2%) do Banco do Brasil, responsável pelo financiamento da safra agrícola. Só então aparece, em quarto lugar, a Caixa Econômica, agente financeiro do Minha Casa Minha, Minha Vida, que amargou atrasos em repasses que somaram R$ 7,66 bilhões (19,05%).

Deve-se o levantamento dos dados à assessoria técnica da liderança do DEM na Câmara. Escorado nos números, o deputado Mendonça Filho (PE), líder da legenda, ironiza a linha de defesa adotada por Dilma: “As casas respondem pela menor fatia dos programas pedalados. A presidente não deveria se orgulhar disso. Precisa aprender que não é necessário descumprir a lei e a Constituição para construir casas populares. Até porque a população pobre é a que mais sofre com os desequilíbrios econômicos que levam à recessão, à inflação alta e ao desemprego.”

Arte de MYRRIA


O ano de 2015 está terminando e a dívida remanescente das pedaladas de 2014 ainda não foi liquidada. Em documento remetido ao Congresso, o Ministério da Fazenda estimou que a cifra de R$ 40,2 bilhões mencionada no documento do TCU saltará para R$ 57 bilhões no final de dezembro. Dificilmente os bancos públicos verão a cor desse dinheiro em 2015. Desrespeitou-se a Lei de Responsabilidade Fiscal.

De resto, o pedido de impeachment formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior e pela advogada Janaína Paschoal acusa Dilma de continuar pedalando o Orçamento em 2015. Ou seja, a ilegalidade invadiu o segundo mandato. Dilma é acusada de editar neste ano seis decretos que autorizaram gastos de cerca de R$ 2,5 bilhões sem a obrigatória aprovação do Congresso e “sem a comprovação de que haja compatibilidade com a meta fiscal”, como exige a lei.




Há dois dias, ao entregar 2.992 chaves do programa Minha Casa, Minha Vida, em Boa Vista (RR), Dilma disse coisas assim em seu discurso: “O Orçamento do país tem de ser olhado do ponto de vista daquilo que você gasta e para quem você gasta. O 'para quem' é o mais importante. Uma das razões para que eu esteja sendo julgada hoje é porque eles acham que nós não gastamos, não devíamos ter gastado, da forma que gastamos para fazer o Minha Casa, Minha Vida.'' No caso das pedaladas, ao se perguntar “para quem?”, Dilma decidiu ser mais generosa com a turma do BNDES.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O impeachment não está descartado

Por Josias de Souza.


Impeachment tem apoio ...
A articulação suprapartidária pelo afastamento de Dilma Rousseff, que era embrionária até a semana passada, ganhou consistência nos últimos dias. Em conversas ainda mantidas nos subterrâneos, os partidários do impeachment começaram a contar votos. Estima-se que 34 deputados federais do PMDB já se dispõem a votar a favor da abertura de um processo para tentar encurtar o mandato da presidente da República. Isso corresponde a 50,7% das 67 cadeiras que o partido do vice-presidente Michel Temer mantém na Câmara.


Arte de SINOVALDO



Duas novidades potencializaram os movimentos do grupo pró-impeachment: 1) depois de refugar um apelo de Dilma para retornar à articulação política do governo, Temer avalizou, por assim dizer, o entendimento dos governistas insatisfeitos com a oposição; 2) o presidente do PSDB, Aécio Neves, que relutava em apostar no impeachment como saída para a crise, já não se mostra avesso às conversas. Por meio de interlocutores, Aécio e Temer se aproximam. Discute-se a conveniência de um encontro entre os dois.

Embalados, os antagonistas de Dilma cogitaram formalizar nesta semana junto à Mesa diretora da Câmara a criação de uma frente parlamentar pró-impeachment. A constituição de frentes suprapartidárias está prevista no regimento interno da Casa. Mas o grupo achou melhor adiar a providência. Por quê? Os membros da frente teriam de se identificar. E passariam a sofrer o assédio do Planalto para mudar de posição. Avaliou-se que, taticamente, o melhor seria compor um movimento informal pró-impeachment. Algo que deve ser feito na próxima semana.

Arte de PAIXÃO


Numa soma parcial, a infantaria do impeachment é estimada em cerca de 200 deputados. O número é muito inferior aos 342 necessários para aprovar a abertura de processo contra Dilma. Mas já é o bastante para compor a maioria simples necessária à aprovação de recurso ao plenário contra o eventual engavetamento de um pedido de impeachment pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No cenário traçado pelo grupo que quer ver Dilma pelas costas, esse desengavetamento seria o suficiente para atrair ao Congresso os movimentos que mobilizam o asfalto contra a presidente.

Dilma farejou a tormenta que se arma contra ela no Legislativo. Ao longo da semana, reuniu-se com os três principais caciques do PMDB —os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, além do vice Michel Temer. Não foi o bastante para estancar a deterioração da cena política, agravada pelo derretimento dos indicadores econômicos e pela ameaça do ministro Joaquim Levy (Fazenda) de deixar o governo.

Arte de PELICANO


Na noite desta quinta-feira, após presidir uma operação ‘fica, Levy’, Dilma jantou com Lula no Palácio da Alvorada. Na conversa com a criatura, o criador revelou-se preocupado com o distanciamento de Temer e do PMDB. Recomendou a Dilma que redobrasse os esforços para manter do seu lado o vice e o partido dele. Simultaneamente, num encontro com empresários em São Paulo, Temer fazia comentários aziagos.

Coisas assim: “Hoje, realmente, o índice [de aprovação do governo] é muito baixo. Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo. […] Se continuar assim, eu vou dizer a você, 7%, 8% de popularidade, de fato, fica difícil.''

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Agenda de Renan é conversa fiada’, diz Geddel

Por Josias de Souza.

‘Agenda de Renan é conversa fiada’, diz Geddel
Presidente do PMDB da Bahia e membro da Executiva Nacional do partido, Geddel Vieira Lima decidiu participar da reunião suprapartidária articulada por Aécio Neves para discutir saídas para a crise. Em conversa com o blog, ele chamou de “conversa fiada” a agenda anticrise negociada pelo correligionário Renan Calheiros com Dilma Rousseff.

Geddel afirmou que Michel Temer, seu amigo de trinta anos, “vive um momento em que terá de tomar a decisão de exercer a sua função institucional de vice-presidente da República. Ele tem que entender que não cabe ao vice-presidente ficar discutindo nomeação para delegacia do INSS nos Estados.'' Ex-ministro de Lula e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal sob Dilma, Geddel sustenta que “esse modelo faliu.”

Arte de JBOSCO

Raro conhecedor do que se passa na cozinha do PMDB, Geddel diz estranhar o comportamento dos líderes do partido que ainda estendem a mão para Dilma. “O que o PMDB diz de noite não corresponde ao que certos peemedebistas fazem de dia.” Vão abaixo as declarações de Geddel:

Reunião com Aécio Neves: “Irei à reunião. Certamente mais gente participará. Mas não vou conversar com um candidato à Presidência da República. Quero conversar com líderes dispostos a dialogar, num movimento suprapartidário, sobre a vontade das ruas, que cobram um modelo diferente desse que está aí. Se Aécio for obcecado em ser candidato à Presidência, ele não será candidato. A hora é de encontrar saídas institucionais, não de focalizar interesses pessoais.''

Arte de AMARILDO


O papel de Michel Temer: “O Michel vive um momento em que terá de tomar a decisão de exercer a sua função institucional de vice-presidente da República. Ele tem que entender que não cabe ao vice-presidente ficar discutindo nomeação para delegacia do INSS nos Estados. Esse modelo faliu. Ele é o vice-presidente da República. Essa é a função institucional dele. Precisa se colocar cada vez mais como o doutor Ulysses Guimarães, exercendo o papel de guia. Como dizia o doutor Ulysses, tem de guiar o PMDB rumo ao Sol, que é dia, não em direção à Lua, que é noite. Não dá para ele participar de artimanhas. Insisto: ele é vice-presidente da República. Nomeações para cargos não vão tirar o governo do drama em que se encontra nem vão conquistar a respeitabilidade das ruas. Michel sabe o que eu penso. Falamos com muita frequência. Sem que ele precise dizer, eu sei o que vai na alma do Michel. Sei muito bem o que o angustia.”

Arte de NANI


A agenda positiva de Renan Calheiros: “Nao levo essa negociação do Renan como algo que vá resultar em consequências. O PMDB agora tem um ideólogo econômico, que é o meu amigo Romero Jucá. E fica o Renan fazendo esse jogo de agenda positiva, que não vai levar a lugar nenhum. Isso é conversa fiada. A resposta à articulação de Renan foi dada pela população de Alagoas na porta da casa dele no domingo. O recado das ruas é muito claro. Não dá para imaginar que a sociedade vai continuar caindo nessa esparrela de articulação de cúpula conogressual. Dizem que melhorou a situação do governo. A articulação feita durante a semana passada não evitou nem mesmo que o Lula fosse representado na manifestação de domingo com um boneco vestido de presidiário. Não evitou também que as ruas dissessem claramente o que desejam. Noutras manifestações, pedia-se de redução de passagem de ônibus a lançamento de foguete à Lua. Agora fala-se apenas no afastamento da Dilma e na aversão ao PT. Diante disso, que peso tem a articulação de Renan?”

Arte de FLAVIO


Dicotomia do PMDB: “Eu conheço o que os meus colegas do PMDB pensam, sei o que meus colegas do PMDB dizem, e me escandalizo ao ver o que meus colegas do PMDB fazem em relação ao governo. O que o PMDB diz de noite não corresponde ao que certos peemedebistas fazem de dia. Eu participo das conversas. Sei o que se passa. Isso não vai ter aderência na sociedade. Não funciona. Não dá mais para uma banda do PMDB, cujos interesses não coincidem com a vontade das ruas, ficar falando como se fosse o PMDB inteiro. Não dá mais. Isso não representa o partido. Falam pelos plenários do PMDB até que eles se rebelem. Que reúnam a Executiva, que convoquem um congresso extraordinário para fazermos esse debate. Aguardamos o Congresso do partido, no final de setembro.”

Arte de AROEIRA


Acordão: “A sociedade brasileira não entenderá nenhum tipo de acordão. O Tribunal de Contas da União tem de cumprir o seu papel. Não vejo como a Procuradoria da República e o Judiciário possam entrar num acordão que faça com que Curitiba pare de gerar notícias desagradáveis. No meu entendimento, isso pode caminhar para algo que eu já disse e vejo o Fernando Henrique Cardoso dizendo agora: a renúncia. Seria um mínimo de grandeza que se poderia esperar de Dilma, para reconciliar o país. A Dilma perdeu a credibilidade. O país não se reconciliará com ela no cargo. Não dá para o país ser presidido por alguém que não consegue sair às ruas. Isso não existe. Ainda restam três anos e meio de mandato.”


Arte de BENETT


As manifestações: É uma tolice ficar discutindo se uma manifestação foi maior do que a outra. A CUT, para reunir meia dúzia de gatos pingados na frente do Instituto Lula, colocou ônibus à disposição e providenciou o churrasco. E as ruas se encheram espontaneamente. Só não encheram mais porque os políticos, com medo de se envolver, não mobilizaram as pessoas. As pesquisas mostram que, se houver mobilização, outras pessoas virão. Não vieram ainda porque não têm dinheiro para pegar um ônibus. Por enquanto, só foi à rua a classe média, que tem como levar suas famílias. Mas o resto do país está em casa aplaudindo.

Arte de GENILDO


Mea-culpa coletivo: Fala-se muito na necessidade de um mea-culpa da Dilma. Mas nós também precisamos fazer um mea-culpa. Participamos de uma estrutura política semelhante a essa, que não se sustenta mais. E uma parte do PMDB ainda não se convenceu disso. Discute a ocupação de delegacias do INSS nos Estados. Isso não é mais aceito pela sociedade. Nós precisamos nos penitenciar por termos integrado um sistema que a sociedade aceitava, mas não aceita mais. Mudaram os parâmetros. Ou nós aceitamos isso ou não tem acordo possível.