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quarta-feira, 3 de junho de 2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Itaipu será a bola da vez?

Direto de Carlos Brickmann

Escandalizado? Nada está tão ruim que não possa piorar. O general paraguaio Juan Antonio Pozzo Moreno disse ao jornal ABC Color, de Assunção, que "se a Controladoria Geral do Paraguai e o Tribunal de Contas do Brasil investigarem a Itaipu Binacional, "o escândalo da Petrobras será nada mais que uma simples anedota". 

Pozzo Moreno cita o deputado paranaense Luiz Carlos Hauly, do PSDB, que pediu maior controle sobre a empresa. Desde sua criação, disse Hauly, citado por Pozzo, Itaipu nunca teve supervisão externa, "nem do Paraguai nem do Brasil". A Petrobras tinha e mesmo assim ocorreram problemas. Imaginemos sem supervisão.



Retrato do Brasil

Obedecendo a resolução do CNJ, o Tribunal de Justiça do Rio divulgou sua folha de pagamento. Um juiz, mesmo em início de carreira, pode receber de R$ 40 a R$ 150 mil reais por mês (o teto seria de R$ 24.117,62). Em dezembro de 2011, um desembargador recebeu R$ 511 mil (outro, só R$ 462 mil). Há juízes que recebem R$ 400 mil anuais por "vantagens eventuais".

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Diplomacia em xeque

Por Elio Gaspari, na Folha de SP de 01/07

Dilma deveria pedir uma aula a FHC
A DOUTORA Dilma e o chanceler Antonio Patriota deveriam revisitar a estudantada em que se meteram no Paraguai, comparando os próprios erros com outro episódio, ocorrido em 1996, quando as coisas deram certo, sem espetáculo.

Durante as festividades da Rio+20, Dilma e Patriota souberam que a Câmara dos Deputados aprovara a abertura do processo de impedimento do presidente Fernando Lugo por 76 votos a 1. O doutor foi mandado ao Paraguai numa comitiva do Unasul para recolocar a pasta de dentes no tubo. A Embaixada do Brasil em Assunção já advertira o governo, há semanas, a respeito da gravidade da situação. Fizeram o quê? Nada.

Son Salvador


Havia o que fazer? Em abril de 1996, o presidente Juan Carlos Wasmosy soube que o comandante do Exército, Lino Oviedo, pretendia derrubá-lo. Pediu apoio ao Brasil e o embaixador Márcio Dias disse-lhe que Fernando Henrique Cardoso não concordaria com um golpe. Era pouco. Ele queria ouvir isso pessoalmente.

O diplomata combinou que Wasmosy iria a Brasília (pilotando seu avião), seria recebido no aeroporto pelo chanceler Sebastião do Rego Barros (dirigindo seu próprio carro) e seguiria para o Palácio da Alvorada. Conversou com FHC e retornou durante a madrugada. O presidente brasileiro entrou em contato com seu colega Bill Clinton e ele telefonou para Wasmosy dizendo-lhe que, em caso de ameaça, deveria ir para a embaixada americana.

Pelicano


Dias depois, Oviedo deu um ultimato a Wasmosy, anunciando que atacaria o palácio ao amanhecer. O presidente paraguaio foi para a embaixada americana com o ato de renúncia redigido. Lá estava o embaixador Márcio Dias, que rasgou-o. (Wasmosy guardou o picadinho.) O dia amanheceu, e o golpe evaporou-se.

Tudo isso aconteceu sem holofotes ou estudantadas de um multilateralismo que, no caso da patrulha dos chanceleres do Unasul, serviu apenas para colocar o Brasil a reboque de uma política de ameaças inócuas.


Uma diplomacia profissional, a americana, falou o mínimo possível. Resultado: a doutora Dilma e seus companheiros fizeram a empada, compraram a azeitona, deram o mimo aos americanos e ficaram com o caroço. Como dizia o chanceler Azeredo da Silveira, atravessaram a rua para escorregar na casca de banana que estava na outra calçada.

A diplomacia multilateral faz espetáculos, arma consensos e, geralmente, dá em nada. A bilateral, como a do Brasil no Paraguai em 1996, dá trabalho.