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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Relembrando Ênio Morriconi

Uma orquestra eclética e exótica interpretando o conhecido tema de Ennio Morricone para o filme "western-spaghetti" do diretor italiano Sérgio Leone, "Três homens em conflito" (Buono, Il bruto, Il cativo) com Clint Eastwood e Lee Van Cleef, de 1967


quinta-feira, 10 de março de 2016

A Marilyn Monroe negra

Por Manuel S. da Fonseca
Crônica


Cheiras muito à Quinta Avenida
Oito da manhã ou oito da noite, com Dorothy Dandridge todas as horas eram sensuais.

Ainda nem meio-dia seria quando ela entrou no escritório de Otto Preminger. Actriz negra, ou mestiça, ou café au lait, como escrevia, nos anos 50, a imprensa negra americana, queria ser a Carmen da Carmen Jones que a 20th Century Fox mandara Preminger filmar. Vinha sofisticadíssima, ou seja, disfarçada. Camuflara-se num tailleur da Saks, um chapéu de rainha de Inglaterra. Atrás da sua secretária art deco, Preminger, bruto como as casas, olhou para ela e, se combinarmos o que eu penso que ele disse com o que os livros dizem que ele disse, saiu-lhe esta frase: “Ó filha, cheiras muito a Quinta Avenida. Se vens para Carmen, vieste ao engano.”



Ao engano já Dorothy levava mais de trinta anos. Trazia no corpo mil gotas de sangue em ebulição e não se ficou. Era uma cantora de sucesso em Nova Iorque, mas o que queria era Hollywood. E Hollywood, preconceituosa, para não dizer racista, escondia-a atrás de um avental de criada, de um pé descalço escravo. Em Carmen Jones, concebido como um “filme de raça”, ou seja, destinado à população negra, Dorothy via-se protagonista, ao lado do já famoso Harry Belafonte.




Saiu do escritório de Preminger e foi directa ao guarda-roupa da Fox. Atirou ao lixo a doçura dos trapinhos Quinta Avenida e vestiu uma rude blusa preta que não se atrevia a cobrir-lhe mais de metade do nobre peito e uma saia vermelha de racha lateral, que deixava faiscar um metro de perna. E, com uma daquelas formas de andar que desequilibram o mundo, trouxe de novo o longilíneo S maiúsculo que era o seu corpo até Preminger.

Escusava de dizer, mas digo: houve um sobressalto atrás da secretária art deco de Preminger. Carmen fechara a porta depois de entrar. No filme, ela viria a cantar este verso: “Um homem trata-me como se eu fosse lama e é esse o homem a quem dou tudo o que tenho.” Deu tudo a Preminger, que, casado, muito e clandestinamente a amou.

Esse filme bastou para que Hollywood a nomeasse para o Oscar e a chamasse a “Marilyn Monroe negra”. Comparação fatal: o incompleto amor de Preminger e a sexualizadíssima imagem acolchoaram um destino trágico. Sem glória, Dorothy morreu, doze anos depois, com uma overdose de antidepressivos.


  • Este artigo foi originalmente publicado no semanário português O Expresso.
  • Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O cinema é a arte de fazer perguntas aos olhos.

Por Manuel S. Fonseca.
Crônicas
A longa penugem no pescoço
Agora, que já nem é preciso pedir licença a Tom Cruise, comecemos o ano com a límpida e clara nudez de Nicole Kidman. Com ou sem licença de Cruise, despiu-a Stanley Kubrick em Eyes Wide Shut.

Estava o ecrã todo a negro para melhor passarem os nomes dos artistas e, mal se lia o nome do obsessivo Kubrick, a omnipotência dele punha-nos os olhos numa sala iluminadíssima. Víamos uma mulher de costas. Fosse ou não porque os violinos da valsa nº 2, da Suite para Orquestra de Shostakovich, lhe afagassem a loura penugem do pescoço, ela deixava cair o vestido preto. E noto que, atrapalhado, nem falei do diluviano decote que, vestindo, já despia o lado lunar e calipígio de Kidman.



Cai-lhe um vestido preto aos pés e Nicole Kidman não tem nada por baixo. Está ali, altíssima e nívea, as costas perfeitas, a delicada curva da cintura, a aveludada perna direita que se levanta para sair da mancha de seda negra que é agora o vestido no chão, depois a ágil perna esquerda.

E, entre a cintura e as pernas que tudo sustentam, está essa região sumptuária, criada, como tudo o que é redondo e a dobrar, só para estético enlevo da humanidade e insofismável prova da existência de Deus. É uma mulher nua, em cima de um par de sapatos de finos saltos, as pernas a suave distância uma da outra, para que entre elas passe a santa luz. Bailarina de Degas sem tutu, toda a sua palpável plenitude coroada pela alegria de um arco de violino de Shostakovich…



Filme que começa assim não é gago nem cego. Jean-Luc Godard, realizador circense, começou com igual rabo, que por acaso era diferente, o seu Le Mépris. Muito menos branca, num quarto de sombras e uma réstia de luz deliquescente, está deitada e nua Brigitte Bardot. É irresistível olhar-lhe para as tão displicentes nádegas, porque ela mesmo diz ao actor com quem contracena, mas também a toda a plateia: “E as minhas nádegas, achas que são bonitas?

A pergunta de B.B. é irrespondível por ser feita directamente aos olhos. Responde-se-lhe de “olhos desmesuradamente fechados” como o título de Kubrick nos ensinou. E termino: o cinema é a arte de fazer perguntas aos olhos, perguntas que vão à origem, à escassa essência. Não admira que a inverbalizável mulher nua seja, tantas vezes, o seu começo e o seu fim, seu génesis e seu apocalipse.

  • Este artigo foi originalmente publicado no semanário português O Expresso.
  • Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia.

domingo, 19 de julho de 2015

Atores que combateram na 2ª Guerra

Curiosidades em Guerra

XXVII - Combatentes Famosos

Um fato curioso e pouco mencionado foi a participação de celebridades na Segunda Guerra Mundial. A maioria somente se tornaria famosa após o conflito porém outros já haviam estrelado no cinema  quando seguiram para os combates. Como é o caso de Clark Gable, de “E o Vento Levou…”.


Clark Gable – ator – Foi artilheiro de avião B-17. Graduado como segundo-tenente pela Escola de Oficiais em Miami. Adolf Hitler era fã de Clark Gable e, ao saber que fora enviado para a Europa, ofereceu uma grande recompensa a quem conseguisse capturar o ator e levá-lo vivo ao Führer.

Ao longo de sua carreira de 30 anos, Gable fez 67 filmes, isso excluídas as figurações em alguns filmes da época do cinema mudo.

Faleceu em 16 de novembro de 1960, aos 59 anos, após um infarto fulminante.


James Doohan – Ator – o Scotty de Star Trek – integrou a Artilharia Real do Canadá, e estava no desembarque na Praia de Juno no Dia D. Foi alvo de 7 tiros de metralhadora alemã sendo ferido em seis, já que uma parou em sua charuteira de metal. Três balas picotaram o dedo médio de sua mão direita. O dedo foi amputado, e ocasionalmente é perceptível nas suas atuações em Star Trek, tanto na serie quanto nos filmes. Faleceu em 2005, aos 85 anos.


Charles Durning – Ator –, aos 21 anos integrou o corpo dos Army Rangers – tropa de elite da infantaria leve – na Praia de Omaha em 6 de junho de 1944. Ferido, ele foi o único soldado de seu agrupamento que sobreviveu ao desembarque inicial. Foi ferido na Bélgica, esfaqueado com uma baioneta por um adolescente alemão. Voltou a linha de batalha e foi capturado em dezembro de 1944, e sobreviveu ao massacre de Malmedy, na Bélgica, onde 90 soldados americanos foram fuzilados. Voltou ao local do crime para ajudar a identificar os corpos.

Recebeu três Medalhas Purple Hearts e Estrela de Prata. Após levar um tiro no peito que o tirou da guerra, ele passou quatro anos em tratamento em diversos hospitais.


Alec Guinness – Ator – Serviu na Marinha Real Britânica durante toda a Segunda Guerra Mundial. Ele comandou embarcações que participaram da invasão da Sicília. Como ator participou de 54 filmes e recebeu diversos prêmios do cinema. Narrou o mais famoso documentário sobre a Segunda Guerra, “The World at War”. Faleceu em 2000, aos 86 anos.



Lee Marvin – ator – Alistou-se na Marinha dos Estados Unidos em 1943 e lutou no Pacífico sul, sendo ferido na Batalha de Saipan. Foi condecorado com a Purple Heart, por ser ferido em combate.

Ganhou Oscar de Melhor ator em 1965 pelo trabalho em “Dívida de Sangue”. Faleceu em 1987, aos 63 anos.


Donald Pleasance – Ator – foi piloto da RAF, – Força aérea Britânica – abatido e mantido como prisioneiro de guerra pelos alemães na Segunda Guerra Mundial.

No cinema incorporou diversos personagens, mas destacou-se no personagem de O Falsificador no filme FUGINDO DO INFERNO sobre a fuga de um  campo de prisioneiros na 2ª guerra. Faleceu em 1995, pouco antes de completar 76 anos.




George C. Scott – Ator – Entrou para a marinha em 1945 onde obteve o posto de Sargento, participando de missões na Europa. Ganhou Oscar por seu papel de general Patton, no filme Patton, Rebelde ou Herói. Faleceu em 1999, aos 72 anos.



Charles Bronson – Ator – Foi artilheiro de Cauda em avióes e instrutor de tiro na Força Aérea Americana durante a Segunda Guerra. Ele completou 25 missões e foi premiado com a Purple Heart. Contracenou com Donald Pleasence em Fugindo do Inferno, ele personificou o Homem do Túnel. Faleceu em 2003, aos 82 anos.


Ernest Borgnine – ator – Foi artilheiro da Marinha entre 1935 a 1945, servindo ao Exercito americano no Pacífico Sul durante a segunda Guerra Mundial.

Em 1955, Ernest Borgnine conquistaria fama e reconhecimento mundiais ao ganhar o Oscar de melhor ator por seu trabalho como o tímido e sensível açougueiro Marty Piletti no filme Marty, também vencedor do Oscar de melhor filme e da Palma de Ouro doFestival de Cannes e que se tornou o filme de maior sucesso de crítica daquele ano. A popularidade e o sucesso conseguidos aumentariam nas décadas seguintes, em filmes como Os Vikings, O Voo da Fênix, Os Doze Condenados, o lendário western Meu Ódio Será Sua Herança, O Imperador do Pólo Norte, o primeiro ‘filme-catástrofe’ O Destino do Poseidon e Fuga de Nova York, entre outros. Faleceu em 8 de Julho de 2012, aos 95 anos



James Stewart – Ator – foi piloto da Força Aérea americana, lutando na Segunda Guerra mundial como Coronel. Foi condecorado com a Distinguished Flying Cross, por duas vezes, a Air Medal com três folhas de carvalho e os Clusters Croix de Guerre.

Em 1959, foi promovido a Brigadeiro-General. James Stewart já atuava no cinema quando entrou na Força Aérea. Faleceu em 1997, aos 89 anos.



Mickey Rooney – ator – serviu ao Exército dos Estados Unidos, na Europa. Rooney foi treinado para ser um franco atirador, mas foi designado para dar reforço moral ao longo das linhas de frente.

Rooney era considerado pelo Guinness, O Livro dos Recordes o ator com a carreira mais longeva do cinema. Com trajetória de mais de 90 anos, ele foi estrela juvenil em Hollywood e fez cerca de 320 filmes, entre eles ‘Bonequinha de Luxo’ e ‘O Corcel Negro’

Faleceu em em 06 de Abril de 2014, aos 93 anos.



Henry Fonda – ator – Serviu a Marinha dos Estados Unidos como contramestre de terceira classe no Pacífico Sul. Depois foi promovido a Sub-Tenente. Antes do embarque ele já havia atuado em mais de 20 filmes.

Por seus serviços prestados no Pacífico, ele ganhou a Bronze Star, o quarto maior prêmio de bravura em conflito com o inimigo.

É o patriarca de uma família de atores, entre os quais seus filhos Jane Fonda e Peter Fonda, e sua neta Bridget Fonda. Estrelou o filme BATALHA DE MIDWAY. Faleceu em 12 de Agosto de 1982, aos 77 anos vítima de uma doença crônica no coração.




Rod Steiger – ator – ingressou na Marinha com 16 anos, mentindo a idade, para sair de sua casa e serviu a bordo do USS Hornet. Como torpedeiro, lutou no Pacífico em campanhas de Iwo Jima e Okinawa, no Japão. Participou de mais de 100 filmes em sua carreira de ator. Faleceu em 2002, aos 77 anos.


Charlton Heston – Ator – Em 1944, largou os estudos e se alistou na Força Aérea Americana, serviu como operador de rádio de bombardeiros B-25 nas Ilhas Aleutas. Atingindo a patente de sargento e nesta mesma ilha e período, se casou com uma colega de faculdade.

Nos anos 50 e 60, ele filmou sucessos como 55 Dias em Pequim, El Cid, Agonia e Êxtase e Ben Hur, entre outros, recebendo o Oscar de melhor ator pelo último, um dos onze recebidos pelo filme, que se manteve solitariamente como o mais premiado pela Academia em todos os tempos até ser igualado em 1997 por Titanic e em 2003 por O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Faleceu em 5 de Abril de 2008, aos 85 anos.



Richard Todd – Durante a Segunda Guerra Mundial, Todd foi oficial do exército britânico e um dos primeiros oficiais a aterrissar na Normandia, no Dia-D. Seu batalhão se encontrou com o Major Howard, comandante do agrupamento de planadores que tomaram a Ponte Pegasus.

Participou de vários filmes após a guerra, entre eles “O mais longo dos dias”, de 1962. Faleceu dia 03 de Dezembro de 2009, aos 90 anos.


Paul Newman – Serviu na Marinha dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial no teatro do Pacífico. Desejava ser piloto, mas por ser daltônico, recebeu uma formação complementar como um operador de rádio e artilheiro. Voou como um artilheiro de torre num bombardeiro. Como um operador de rádio-artilheiro, ele serviu a bordo do USS Bunker Hill durante a batalha de Okinawa, 1945.

Foram mais de 60 filmes e dez indicações ao Oscar. No ano de 1994, recebeu também um Oscar honorário por seu trabalho de filantropia. Porém, ser apenas ator não lhe bastava. Paul foi um diretor talentoso, oferecendo belos papéis à atriz Joanne Woodward, sua esposa desde 1958, em filmes sobre pequenas vidas, seres solitários e tristes – o contrário do que ambos encarnavam como mitos do cinema. Piloto de corridas, fundador de uma empresa de alimentos orgânicos e de uma rede de acompanhamentos para crianças que sofrem de doenças graves

Paul Newman, um dos atores mais respeitados de Hollywood, faleceu em 26 de setembro de 2008, aos 83 anos, após uma longa batalha contra o câncer.



Audie Murphy – alistou-se na infantaria americana aos 18 anos e participou ativamente de 9 campanhas na África, Sicília, Itália, França e Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Demonstrou tanta bravura, que acabou se tornando o soldado mais condecorado da guerra, recebendo mais de vinte medalhas.  Faleceu em 1971, aos 47 anos.

Relação de Medalhas recebidas por Audie Murphy na Segunda Guerra:
  • Medalha de Honra
  • The Distinguished Service Cross
  • 2 Estrelas de Prata
  • Legião ao Mérito
  • 2 Estrelas de Bronze com “V”
  • 2 Coração Púrpura
  • The U.S. Army Outstanding Civilian Service Medal
  • Boa conduta
  • 2 Distinguished Unit Emblems
  • Campanha Americana
  • The European-African-Middle Eastern Campaign Medal with One Silver Star
  • 4 Estrelas de bronze por bons serviços prestados (Representando 9 campanhas) 
  • 1 Flecha de bronze(representando desembarque na Sicília e do sul da França)
  • Medalha de Vitória da Segunda Guerra Mundial
  • The French Fourragere in Colors of the Croix de Guerre
  • The French Legion of Honor, Grade of Chevalier
  • Croix de Guerre com Estrela de Prata, da França
  • Croix de Guerre com Palma, da França
  • Libertação da França
  • Croix de Guerre 1940 com palma, da Bélgica
Após a Segunda Guerra atuou em 33 filmes de faroeste e 11 filmes de gêneros diversos









quinta-feira, 28 de maio de 2015

Pegadinha do bem

Um cinema de Los Angeles, surpreendeu ao doar uma garrafa d'água para cada um da plateia. Uma garrafa que ninguém conseguia abrir.

Era uma pegadinha para chamar atenção para uma causa social. 

Depois que as pessoas se sentiram frustradas por não conseguirem beber água, algumas palavras começaram a aparecer na telona.



As imagens mostravam crianças que precisam se esforçar para buscar água longe, todos os dias. Foi um choque. E a plateia viu que existem pessoas em situação muito pior.

1 em cada 9 pessoas ao redor do mundo 
sofre com escassez de água para beber. 

Cerca de 2.000 crianças morrem todos os dias 
de doenças transmitidas por água contaminada.



A campanha inteligente é do The Water Project.

Fonte Só noticia boa

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Quando o banho não limpa

Por Manuel S. Fonseca
Transcrito do 50 anos de Textos

O banho nem sempre é uma limpeza
O assas­sí­nio no banho é uma inven­ção de Hit­ch­cock. No século XVIII, o pin­tor David imor­ta­li­zara o revo­lu­ci­o­ná­rio Marat, mostrando-o a san­grar na banheira onde sos­se­gava a comi­chão de um eczema contra-revolucionário. Marat está no banho, bem morto e esfa­que­ado.

Duzen­tos anos depois, num filme, Psy­cho (Psicose) , a vio­lenta morte no banho vol­tou a ganhar as cores per­ver­sas da obra-prima.


O banho é uma inven­ção de Hit­ch­cock. Psy­cho adap­tava um daque­les livros medi­a­nos que ali­men­tam a doce indús­tria livreira e a doen­tia ima­gi­na­ção do cida­dão tra­ba­lha­dor. Já o livro inspirava-se em fac­tos reais. Ed Gein, um tipo soli­tá­rio, de aspecto razo­a­vel­mente repug­nante, alcoó­lico e falhado na vida, matara, esquar­te­jara e arran­cara a pele – des­co­briu a polí­cia – a duas infe­li­zes mulhe­res que tro­pe­ça­ram nele, tendo ido ao cemi­té­rio bus­car uma dezena de outras, com cujos cadá­ve­res se delei­tava, pedindo eu já des­culpa pelo mau gosto da inter­mi­ná­vel frase.



O mise­rá­vel Ed Gein não matou nenhuma das víti­mas no banho e no livro cortava-se a cabeça à mulher. Tudo solu­ções que desa­gra­da­vam a Hit­ch­cock. Não gos­tava de mui­tas mor­tes nos fil­mes – “
os cadá­ve­res não sabem repre­sen­tar” – e achava que era um des­per­dí­cio e uma san­gria desa­tada cortar-se sim­ples­mente a cabeça à vítima. 
O plá­cido cine­asta inglês tinha inveja do que os rea­li­za­do­res do mudo tinham feito às suas actri­zes e heroí­nas. Nessa altura, jurava ele, sabiam tor­tu­rar uma mulher e faziam aquilo bem feito. Ins­pi­rado em seri­a­dos popu­la­res como The Perils of Pau­line ou nas per­so­na­gens com que Grif­fith e Sjös­tröm sevi­ci­a­ram Lil­lian Gish, na cabeça de Hit­ch­cock nas­ceu a bela e cri­mi­nosa ideia de matar no banho a sua pro­ta­go­nista, aos 47 minu­tos de filme.



Matava-a Anthony Per­kins. O que, sendo ver­dade, é rema­tada men­tira. Per­kins era, no filme, Nor­man Bates, um homem, mas tem de se ves­tir de mulher, e incar­nar a mãe, para matar, doido (ou doida?) de ciú­mes, a mulher que antes, por um sin­gelo bura­qui­nho na parede, vira despir-se e entrar para o duche.
Três minu­tos de chu­veiro e umas 50 faca­das são a maté­ria desta cena, vá lá, sublime, de Hit­ch­cock. O pai de uma jovem espec­ta­dora escreveu-lhe, acusando-o de que a filha se recu­sava há meses a entrar no duche. “Mande-a à lim­peza a seco”, respondeu-lhe o ana­fado inglês.

Este artigo foi originalmente publicado no semanário português O Expresso. 
Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Os posters de Wiesław Wałkuski,


 A Arte de  Wiesław_Wałkuski



Designer gráfico polones.



  



Premiado criador de posters e cartazes para filmes.




Pintor.





Para ver mais, clique aqui

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Menino sírio é um novo herói na guerra civil?

Lendas da Internet

Garoto de 8 anos se finge de morto apenas para salvar uma menina, 
pegos num tiroteio em pleno conflito sírio!

VERDADE OU MENTIRA?

Vídeo visualizado mais de 4 milhões de vezes.


Esclarecimento E-Farsas

Apesar de muitos Jornais on-line terem divulgado a estória como verdadeira, ela é uma produção do cineasta noruegues Lars Klevberg.

Em entrevista à agência de notícias BBC, Lars explicou que teve a ideia do roteiro do filme depois de assistir a uma cobertura jornalistica do conflito na Síria e que a sua intenção era fazer um vídeo rápido que chamasse a atenção para a situação das crianças na Síria.



Bastidores das gravações! (Foto: Divulgação)


O vídeo foi gravado em maio de 2014, em Malta (e não na Síria) e tanto o menino quanto a menina são atores que vivem em Malta. As vozes que ouvimos ao fundo são de refugiados sírios que vivem lá. Além disso, Lars Klevberg queria mostrar como é fácil enganar o povo em época de guerra com vídeos forjados sobre confrontos armados.




O filme foi financiado pelo Instituto Norueguês de Cinema. Segundo afirmou o cineasta, seu pedido de financiamento foi aceito depois que ele deixou claro que queria fazer o upload do filme para a internet sem torná-lo óbvio se era real ou ficção. Mesmo assim, ele disse ter deixado algumas pistas no vídeo para que os espectadores descobrissem que se tratava de uma encenação.


Assista vídeo dos bastidores da Gravação

Conclusão: o vídeo é falso!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Irmã Dulce - o anjo bom da Bahia

Trailer do filme
"Irmã Dulce"



“Irmã Dulce” conta a emocionante história da mulher que, indicada ao Nobel, chamada em vida de “Anjo Bom da Bahia” e beatificada pela Igreja, nunca se importou com títulos.

 A história de uma mulher cujo único objetivo era confortar os necessitados, cuidar dos doentes, amparar os miseráveis – a qualquer custo, com a ajuda de quem fosse.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cidade de Deus - 10 anos depois / Documentário

Filme de Cavi Borges e Luciano Vidigal mostra paradeiro do elenco do filme de 2002 dirigido por Fernando Meirelles

 

 O documentário Cidade de Deus, Dez Anos Depois, que mostra o que aconteceu com os protagonistas do longa de Fernando Meirelles na última década, vai estrear em sessão de gala no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, no dia 1º de outubro. 

 

 


O filme, que deve ser lançado internacionalmente pela 02 Filmes, é dirigido por Cavi Borges e Luciano Vidigal, que fizeram parte da equipe de assistência de direção de Cidade de Deus.
O paradeiro do elenco por trás de personagens icônicos como Dadinho, Bené e Zé Pequeno são revelados no longa-metragem. A maior parte das gravações forem feitas nas residências dos atores do filme de 2002, passando por comunidades cariocas como Vidigal e o bairro Cidade de Deus.
Assista ao trailer:




Transcrito na íntegra  do.uol

domingo, 27 de fevereiro de 2011

E o Oscar vai para...

Por André Carvalho (*)
em 23 de fevereiro de 2011
btreina@yahoo.com.br



O OSCAR VAI PARA...
O que eles fizeram foi uma maldade! Desde pequenininho ouço dizer que os americanos do norte não são confiáveis. Brizola, João Goulart, Francisco Julião, Lamarca, Marighella, Fidel Castro e Chico Buarque sempre alertaram, cada qual a seu tempo, porém, de maneira semelhante, sobre a forma de agir desse povo que habita território considerável no hemisfério norte ocidental.

Demorou quase cinquenta anos para que seu amigo aqui percebesse, num episódio incontestável, a verdade acima. Lembram-se do Barack Obama, de frente para o mundo, cognominando nosso ex-presidente de o “Cara”? O máximo, não foi? Pois bem: todos nós, além dos cubanos, iranianos, bolivianos e sudaneses, acreditamos na sinceridade daquele homem e de suas belas palavras, tanto que passamos, brasileiros de todos os naipes, a pensar e agir sob efeito do “yes, we can” “baraquiano”.

Nessa onda de poder, grandeza e otimismo sugerida pelos “yanques”, uma comissão de nove membros escolhidos pelo Ministério da Cultura indicou, por unanimidade, “Lula o filho do Brasil” como nosso representante na disputa de melhor filme de língua estrangeira na edição de 2011 do “Oscar”. Segundo os entendidos do Planalto Central uma barbada para o melhor homem “tema” do mundo – nada mais que o escolhido do presidente americano.

Nacionalista como poucos, pensei logo na festa da vitória: fogos de artifício no padrão do réveillon de Copacabana, bandeiras vermelhas desfraldadas como jamais se viu, internautas fanáticos postando mensagens de congratulações em mal traçadas linhas, imprensa a postos para registrar o grande momento, bonés do MST, da CUT, do PT e da UNE bordando os ares e um país em alegria inconteste.

No discurso, mais longo do que o permitido – ora bolas! – o agraciado faria, entre risos e desaforos, referência ao basquetebolista aposentado Oscar, como se uma coisa tivesse correlação com a outra. Faria também, para manter a liturgia futebolística dos seus anos de presidência, referência a outro Oscar, aquele zagueiro da seleção brasileira de futebol nas copas do mundo de 1978 e 1982 que, apesar de craque, não alcançou os píncaros da glória como outros felizardos por aí.

Fui mais longe: imaginei que em seu retorno, durante o taxiamento do airbus multi-presidencial, no aeroporto de Brasília, o filho do Brasil, a exemplo de Romário na conquista da copa do mundo em 1994, colocaria irresponsavelmente a cabeça e o tronco fora da escotilha do avião, levantando numa das mãos a bandeira nacional, e noutra, a famosa estatueta dourada. Claro que tudo isso num feriado nacional ou, na pior das hipóteses, ponto facultativo nas esferas federal, estadual e municipal.

Tudo que imaginei e desejei, ocorreria nos dias vinte e sete e vinte e oito de fevereiro próximo, uma semaninha antes do carnaval, durante e logo após a festa de entrega do Oscar, onde, esperava a nação brasileira, o grande líder e pai de todos, em lugar de o diretor da película, recebesse das mãos de uma belíssima mulher, quem sabe Marcela Temer, um prêmio que ainda lhe falta.

Tudo isso ocorreria se...

Tristeza maior, acabo de saber que os americanos do norte, malsãos, invejosos e traiçoeiros, depois de meses de paparicação ao Inácio seguido de outros tantos de silêncio, rejeitaram “Lula o filho do Brasil” levando por água abaixo a esperança de mais uma vitória do “grande líder”. Ao invés do filho indicaram ao prêmio um documentário, rodado no Brasil, cujo tema é o lixo. Será que faz sentido?

Mesmo não sendo cinéfilo ou lulista fiquei abatido com tal desfecho. Um feriado a menos! Maldade com o Lula e seus unânimes, não é mesmo?


(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.

domingo, 16 de janeiro de 2011