Mostrando postagens com marcador Nepotismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nepotismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nepotismo na Casa Civil e correlatos


Por Elio Gaspari, para O Globo;
Transcrito do blog do Noblat


A parentela de Erenice

Erenice Guerra chorou quando Lula levou-a para conhecer o Palácio da Alvorada. Seu pai fora um dos candangos que deixaram o sertão nordestino na segunda metade dos anos 50 para construir Brasília.



Pedreiro, ajudara a montar aquela caixa de vidro e mármore. Em 1958, os peões da empreiteira da obra do palácio quebraram barracões do acampamento onde viviam porque encontraram vermes na carne que lhes era servida. As revoltas dos candangos não fazem parte da crônica épica da construção de Brasília.



A filha do candango do Alvorada diplomou-se em Direito, criou quatro filhos na cidade-satélite de Guará, tornou-se servidora pública, militou nas ações sociais da igreja católica e ajudou a organizar o PT. Passou pela Secretaria de Segurança do Distrito Federal e pela Eletronorte. Como consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia, conheceu Dilma Rousseff.

Uma história comovente, variante dos "2 Filhos de Francisco", eco do estucador Pedro Nieddu, o avô de Fernanda Montenegro que trabalhou na construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

A história de Erenice, de um Brasil capaz de tudo, no qual uma jovem mãe que percorria as ruas de Guará numa bicicleta se tornou chefe da Casa Civil da Presidência, desembocou na rotina das vorazes parentelas de Brasília.



Erenice voltou ao palácio no último domingo, para explicar a Nosso Guia as circunstâncias em que o neto do pedreiro do Alvorada virou despachante de pleitos milionários na sua área de influência.



Aos 19 anos, seu filho Israel entrou no mundo dos negócios como sócio de uma empresa montada pela mãe e registrada em nome de uma professora casada com um auxiliar de bombeiro hidráulico. Seu nome: Asa Imperial.

O propósito: "atividades de investigação particular", "segurança e vigilância privada". (O PT conquistara o governo de Brasília havia dois anos, em 1995, e Erenice chefiava o gabinete do secretário de Segurança da cidade.)

Em 2006, Israel tornou-se gerente técnico da maternal Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Dois anos depois pousou no gabinete do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO).



Saulo, irmão de Israel, é dono da Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, contratada por uma linha aérea para azeitar a venda de serviços aos Correios. Tem como sócia Sonia Castro, mãe de Vinicius Castro (ex-Anac), sobrinho do ex-diretor de operações dos Correios. Até segunda-feira ele foi assessor da secretaria-executiva da Casa Civil.

Antonio Eudacy Alves Carvalho, irmão de Erenice, esteve na Controladoria Geral da União e na Infraero, mãe de tantos bons companheiros.

Maria Euriza de Carvalho, outra irmã da doutora, trabalhou no Ministério do Planejamento e é consultora da Empresa de Pesquisa Energética, de onde contratou, sem licitação, o serviço da banca de advocacia onde trabalhava Eudacy.

José Euricélio, outro irmão de Erenice, foi funcionário do Ministério das Cidades.

Ao longo de 15 anos, a partir da instalação de um governo petista no Distrito Federal, quatro filhos e dois netos do pedreiro do Alvorada passaram por pelo menos 14 cargos nas áreas de transportes, saúde, planejamento, segurança, energia e burocracia legislativa.

Pelo visto, pode ter sido pouco.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Nepotismo na França

Direto  de Paris

Oui, a França tem um Lulinha
Entrevistado pelo programa matinal da emissora de radio francesa Europe 1, o ouvinte parisiense vocifera: “Non, non… et non! A França não é uma República bananeira nem é a terra de Omar Bongo!” Bem, está longe, mas tem seu Lulinha.




Ou uma versão embalada em ternos conspicuamente bem cortados, capaz de produzir argumentos articulados e desafiadores. Vereador por Neuilly-sur-Seine, suburbio chique de Paris, ele tem 23 anos e cursa o segundo ano de Direito. Seu maior atributo político, no entanto, figura na Certidão de Nascimento. Trata-se de Jean Sarkozy, o filho caçula do presidente da França.

Acusado de beneficiar-se de nepotismo, o jovem ganhou o apelido de “Príncipe Jean” no país cujo Antigo Regime monárquico terminou com o rei guilhotinado sob júbilo popular em praça pública.


Jean Sarkozy está prestes a assumir a presidência do EPAD, a estatal responsável pela política urbanista do La Defense, distrito financeiro nos arredores de Paris. O espaço de 1,5 quilômetro quadrado que mais cresce na Europa e tem um projeto de renovação orçado em 1,5 bilhão euros de investimentos públicos, abriga mais de 1.500 empresas — 14 entre as 20 mais lucrativas da França — e que empregam 150.000 funcionários.

A medida do mérito dispensa o número de anos e não se pode criticar alguém em função da sua paternidade. O caso de Jean chama atenção pelo ineditismo. Jamais na história da V República francesa um jovem universitário e inexperiente foi dar expediente em posto tão elevado de organismo estatal.

Este tipo de cargo, na grande maioria das vezes, é disputado palmo a palmo entre experientes ex-alunos da Escola de Administração Pública francesa.

A questão é sensível na França. Não há ponto no planeta onde as reações são tão virulentas quando há suspeita de que o mérito passa pela consanguinidade dinástica .



charge de Rico

”Na Declaração dos Direitos do Homem de 1789, está escrito que os cargos são atribuídos segundo a capacidade e o mérito”, lembra o parlamentar de oposição ao governo Sarkozy, Arnaud Montebourg.

“Qual é o mérito de Jean Sarkozy além de ser filho de papai?”, pergunta. Jean responde: “O que quer eu faça ou diga, sou criticado.”