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segunda-feira, 25 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
domingo, 10 de abril de 2016
domingo, 27 de março de 2016
sábado, 5 de março de 2016
A sexta feira que o Brasil do Bem lavou a alma
Pensamento do dia:
"Lula agora não pode mais se gabar que é analfabeto,
pois acabou de passar na Federal."
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Ignorantes do Leblon
Por Gregório Duvivier.
Com comentários de Fernando Holiday
Ignorantes do Leblon
Nunca aprendi a rezar o Pai Nosso. Comemorávamos Natal só porque é aniversário da minha mãe. Celebrávamos a Páscoa, mas confesso com bastante vergonha que não faço ideia do que significa. Sim, sei que tem a ver com Jesus. Mas não sei qual era a relação dele com o coelho, e nem por que raios esse coelho põe ovos, e por que diabos são de chocolate.
O mais perto que tinha de religião lá em casa era a música: meus pais só veneravam deuses que soubessem tocar. Ninguém rezava antes de comer, mas minha mãe botava a gente pra dormir religiosamente cantando Noel e acordava cantando Cartola. Meu pai passava o dia no sax tocando Pixinguinha e a noite no piano tocando Nazareth. Música não era um pano de fundo, era o caminho, a verdade, a vida. Tom era o Pai, Chico, o Filho, Caetano, o Espírito Santo.
versão sem Lei Rouanet
versão sem Lei Rouanet
Podia falar os palavrões que eu quisesse, mas ai de mim se ousasse tocar violão com acordes simplificados. "A pessoa que fez esse arranjo devia ir presa", dizia minha mãe. Preferiam me ver pichando muros a me ver batucando atravessado. Quando descobriram que eu fumava maconha, meus pais me disseram que não tinha nada de errado, desde que eu só fumasse em casa. Quando eu comprei um CD do LS Jack, disseram que não tinha nada de errado, desde que eu nunca ouvisse aquilo em casa.
Às vezes organizavam um sarau que parecia missa. "Silêncio, que se vai cantar o fado", dizia a Luciana Rabello, e daí tocavam choro como quem reza. Todos se calavam como numa igreja. A criança que abrisse o bico tomava logo um tabefe. Aquilo era sagrado. Pra mim, ainda é.
O Trono do Estudar
O Trono do Estudar
Herdei deles a devoção (sem herdar, no entanto, o talento para a música). Às vezes queria me importar menos com isso. Quando vejo as agressões ao Chico –e não estou falando do bate-boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores–, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá. Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria. Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem.
sábado, 12 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Houvesse povo no Brasil
Por O Antagonista
Houvesse povo no Brasil
A caderneta de poupança sangrou 1,3 bilhão de reais em novembro, o pior resultado em 20 anos. No acumulado do ano, a aplicação mais popular do país perdeu 58 bilhões de reais, por causa do desemprego, da inflação e da queda na renda.
Arte de SPONHOLZ
Houvesse ferrovias no Brasil, é o que se poderia chamar de desastre ferroviário.
Houvesse povo no Brasil, ele estaria nas ruas todos os dias, fazendo greve e se manifestando contra o governo.
Link
DIA 13, VEM PRÁ RUA!!
Comentário de um leitor de O Antagonista:
O Brasil não tem povo, não. Tem habitantes.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Pixuleco chegará em Salvador em breve!
Segundo o jornal Tribuna da Bahia,
O boneco inflável representando o ex-presidente Lula vestido de presidiário, batizado de Pixuleco, vai passar por Salvador ainda este mês. O boneco, que tem percorrido várias capitais e divide opiniões já foi alvo até de “atentado”.
A operação para trazer o bonecão, conhecido também como Lulão, está sendo executada sob sigilo, mas sua chegada está prevista para as próximas semanas. E o local do desfile também já foi decidido: no Farol da Barra, local que já recebeu manifestações contra o governo petista esse ano.
A preferência, segundo os anfitriões, é para um domingo, quando o local fica mais cheio. O sigilo é justificado pelos atentados que Pixuleco já sofreu. Em São Paulo, uma militante petista partiu para cima do boneco, furando-lhe a perna e fazendo com que fosse esvaziado. Aqui, dizem os anfitriões, não haverá tal desfeita. As informações são da coluna Raio Laser, da Tribuna da Bahia.
Vejam agora a chegada de PIXULECO à Curitiba, sede das investiagações da Operação Lava Jato.
Vejam agora a chegada de PIXULECO à Curitiba, sede das investiagações da Operação Lava Jato.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Escute, Janot !
Na semana que vem, no dia 11, os movimentos de rua vão à Procuradoria-Geral da República para exigir a abertura de inquérito contra Dilma Rousseff.
Não perca.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Não era amor, era cilada
Por Gregório Duvivier, para FOLHA SP em 17AGO
Charges de IOTTI
Não era amor, era cilada
Amor, Ordem e Progresso. O binômio positivista na verdade era uma tríade –assim como a Liberdade-Igualdade-Fraternidade dos franceses, só que sem rimar. Nosso trinômio era ainda mais chique, em verso livre. "O amor vem por princípio, a ordem por base/ O progresso é que deve vir por fim/ Desprezastes esta lei de Augusto Comte/ E fostes ser feliz longe de mim", cantava Noel.
O amor estava no princípio, antes do Verbo. Ou talvez o amor fosse um verbo -da quarta conjugação, daqueles verbos terminados em "or": por, depor, transpor, amor.
Imagina que lindo ter amor na bandeira –mas os inventores do país tiraram o elemento fundamental da tríade positivista. Amputaram a fraternidade da nossa tríade, e assim nasceu nossa república: amorfóbica.
Não sou o primeiro a levantar essa bandeira de uma outra bandeira. Jards Macalé fez campanha pela volta do amor na flâmula. Chico Alencar fez um projeto de lei. Suplicy (saudades) tentou emplacar o projeto. Nada. Ao contrário da bíblia, do boi e da bala, o amor não tem bancada. O amor não faz lobby e ficou do lado de fora da festa da democracia. Talvez aí tenham começado os nossos problemas: no recalque da fraternidade.
Lembro que uma vez reclamei para um francês que eles eram pouco afetivos, enquanto nós brasileiros vivíamos numa cultura mais amorosa. E o professor, roxo de raiva, perguntava, aos berros, onde estava, na história do Brasil, o amor pelos negros, pelos gays, pelos índios, pelas crianças de rua.
O carinho que temos pelos nossos semelhantes é proporcional ao ódio que temos pela diferença. Nossa fraternidade é seletiva. Só temos fraternité com quem é cliente personnalité.
Nossa cultura é muito erótica –e muito pouco amorosa. O amor liquído aqui já tá gasoso. Ou como dizia o Poeta: não era amor, era cilada. Cilada. Cilada.
Não quero engrossar o coro dos que acreditam que protesto é coisa de gente mal amada. Acho que pode haver muito amor no protesto.
Mas não encontrei nesse. Houvesse mais amor, não estariam protestando contra o fato do DOI-Codi não ter enforcado a Dilma quando teve oportunidade. Não teria gente dizendo que "tinham que ter matado todos os comunistas em 64".
Houvesse mais amor, estariam pedindo o fim do programa nuclear brasileiro. Houvesse mais amor, estariam pedindo o fim do incentivo à indústria bélica. Houvesse mais amor, estariam protestando contra a polícia que acaba de cometer uma chacina –não estariam tirando selfie com ela.
Toda revolução é uma obra de amor –caso contrário, é golpe.
domingo, 23 de agosto de 2015
As panelas de Antonio Prata
Por Samuel Pessoa para a FOLHA SP
Charges de JOÃO MONTANARO
As panelas de Antonio Prata
No caderno "Cotidiano" desta Folha do domingo passado, o cronista Antonio Prata argumentou que é ótimo batermos panela contra mensalão e petrolão. Mas estranha que não batamos panelas para a compra de votos da emenda constitucional da reeleição, nem contra o "trensalão" do metrô de São Paulo ou ainda o mensalão tucano de Minas Gerais.
Prata assume posição simpática e supostamente neutra. É contra os malfeitos de ambos os lados. Mas a aparente neutralidade de Prata revela desonestidade intelectual.
O caso do mensalão foi transitado em julgado. No petrolão, há farto conjunto probatório: dezenas de prisões provisórias, delações, julgamentos de primeira instância com prisões já decretadas, centenas de milhões de reais recuperados, dezenas de bilhões de reais de prejuízo já lançados em balanço na Petrobras. Compará-lo com a compra de votos para emenda da reeleição ou ao mensalão mineiro e ao trensalão paulista é truque retórico inaceitável em um debate aberto e franco sobre esses temas.
O Ministério Público e a Polícia Federal são instituições do Estado brasileiro que gozam de independência funcional, com corpo de servidores públicos recrutados por meio de concursos competitivos.
Será que Antonio Prata acredita que somente candidatos tucanos conseguem ser aprovados nos concursos públicos para o Ministério Público ou a Polícia Federal?
Se Antonio Prata acredita que há conspiração do Ministério Público e da Polícia Federal contra o Partido dos Trabalhadores, a atitude honesta é elaborar os motivos desse tratamento assimétrico e quais são as evidências dessa conspiração.
Lembremos que recentemente a Procuradoria-Geral da União pediu o arquivamento do inquérito que apura o envolvimento do senador pelo PSDB de Minas Gerais Antonio Anastasia pelo suposto recebimento de valores quando era governador daquele Estado. Nada foi encontrado pela Polícia Federal contra o senador.
Vale lembrar também do caso de Eduardo Jorge Caldas Pereira, secretário-geral da Presidência da República de Fernando Henrique Cardoso, que foi ao longo de anos minuciosamente investigado pelo diligente procurador do Ministério Público Luiz Francisco de Sousa, em razão da aquisição de um apartamento na orla marítima da cidade do Rio de Janeiro, teoricamente incompatível com sua renda.
Nada foi encontrado contra Eduardo Jorge. Absolvição em todas as instâncias.
Não sei qual é a narrativa de Antonio Prata para o caso de Eduardo Jorge. Talvez Luiz Francisco seja tucano e não tenha feito seu trabalho corretamente.
Tratar os desiguais como iguais, escondendo a enorme distância que há entre o conjunto probatório dos casos petistas e os supostos escândalos tucanos, é enorme desonestidade intelectual. A coisa transborda quando Antonio Prata se nega a explorar a consequência lógica de suas premissas e esconde do texto as razões e as evidências que sustentam a suposta conspiração.
Adicionalmente, dois motivos justificam maior pressão da opinião pública sobre o PT. Primeiro o fato de o partido estar à frente do Executivo nacional por quase 13 anos. Enormes responsabilidades, principalmente em nosso presidencialismo com presidente forte.
Segundo, por ter feito toda a sua trajetória oposicionista com um discurso violento, intolerante, tendo como uma de suas principais bandeiras a ética na política, a famosa "UDN de macacão" de Brizola.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Seria o momento em pensarmos em Desobediência Civil?
Por Igor Gielow para a FOLHA SP em 16AGO
Atos contra o governo têm boas e más notícias para todos
A nova rodada de protestos de ruas contra Dilma Rousseff trouxe boas e más notícias para todos os envolvidos na complexa dança da crise política e econômica que engolfou o país desde a reeleição da presidente em outubro de 2014. Como em quase tudo na vida, é questão de ponto de vista avaliar os prós e contras deste domingo (16). Ao atores, pois:
GOVERNO
Sob a ótica palaciana, a boa notícia é que os protestos foram grandes, mas não gigantescos a ponto de deixar o Planalto de cabelo mais em pé do que já está. Há protestos espraiados por todo o país, com destaque a algumas cidades do Nordeste que paulatinamente abandona o PT, mas o grosso da manifestação está no esperado eixo São Paulo-Rio-Brasília.
Arte de JOÃO MONTANARO
Há a percepção de que o protesto virou um programa de domingo, seja de ricos ou de pobres, o que seria natural com um governo com avaliação positiva de apenas 8% (segundo o mais recente Datafolha). Um evento dominical e sazonal, que transforma a pressão sobre o Planalto em algo que vem das ruas apenas de forma periódica –nada de "vigílias cívicas" ou a constância dos meses finais de Collor na Presidência em 1992.
O lado negativo para o governo é justamente a existência desse movimento e sua perenidade, além de uma maior capilaridade. O descontentamento poderá ser canalizado a eventos pontuais, mas nada garante que uma nova revelação advinda da Operação Lava Jato contra o governo ou algo do gênero não catalise essa energia para algo um ato maior.
Arte de IOTTI
Neste caso, seria o pior dos mundos para o Planalto, porque Dilma, Lula e o PT são o foco exclusivo dos protestos agora e já lidam com uma montanha de problemas; há uma semana, o que se discutia em Brasília era como seria um governo Michel Temer –o vice peemedebista de Dilma.
OPOSIÇÃO
Se os protestos deste domingo são contra o governo, mas não claramente de nenhuma força organizada, é preciso ressalvar que enfim a oposição constituído enfim conseguiu colocar um pezinho no barco. O grupo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que por ter sido o homem que quase derrotou Dilma em outubro deveria teoricamente estar à frente de mobilizações como estas, enfim desceu do muro e colocou sua cara –na figura do próprio ex-presidenciável tucano.
Naturalmente foi algo calculado, já que o próprio senador temia o efeito da exposição. Em eventos passados houve rejeição a políticos em carros de som e palanques. Neste domingo, em seu elemento mineiro, Aécio conseguiu aparecer sem sofrer apupos.
Arte de JARBAS
Por outro lado, essa vitória discreta não escamoteia o fato de que a oposição segue a reboque das ruas e sem saber exatamente como lidar com o estoque de dinamismo antigoverno à disposição. Isso tem muito a ver com a falta de um discurso claro e a contaminação do humor da rua pelo "espírito de junho", que desde as megamanifestações daquele mês de 2013 apontam para um descontentamento generalizado e de caráter apartidário: todos são alvos potenciais.
Não por acaso, a novidade nas ruas foi o apoio ao trabalho do juiz Sergio Moro, condutor da Lava Jato, e não o de algum político de oposição.
AS RUAS
Como dito acima, o protesto parece cristalizar-se no cenário urbano à exemplo das mil e uma "manifs" que os parisienses encaram toda semana. A diferença, além da agenda aqui monotemática (o "Fora Dilma" e derivados), é a desarticulação de todos os grupos envolvidos e, por ora, a falta de uma barriga dentro das estruturas convencionais de poder que abrigue tal semente de protesto. Não está nada dado, apesar do teste de hoje, que a oposição formal tenha capacidade de direcionar esse foco.
Arte de CAU GOMEZ
Por ora, é o caso de acompanhar a ascensão, ou não, da figura do juiz Moro como novo portador da vontade popular. Isso foi tentado com Joaquim Barbosa por atores políticos interessados em tornar o ministro do Supremo que relatava o mensalão com dureza em candidato a algo. Não deu certo, até porque Barbosa é um inconformista e, enfim, porque o momento de crise era muito diferente. Hoje temos um governo à espera de um motivo claro para cair, nada semelhante ao que Lula e Dilma enfrentaram durante o processo do mensalão.
Arte de SAMUCA
Esta banalização do protesto tem elementos novos. Atos sazonais e que dependem de mobilização na internet parecem condenados ao mesmo escaninho da análise dos "curtir" do Facebook: aglutinadores de pessoas que pensam parecido e que falam uns para os outros a mesma "verdade". Galerias de fotos serão preenchidas com gente orgulhosa de ter ido para a rua, mas cujo poder de sedução por ora não parece ultrapassar a sua "timeline".
Nada diferente, portanto e apenas aparentemente, de tantos "eventos" virtuais que reúnem algumas dezenas de hipsters e esquerdistas afins sob alguma causa bonitinha. Só que com uma diferença fundamental: trata-se de um potencial de mobilização que ultrapassa o sindicalismo pago para estar nas ruas no dia 20 em favor do PT. Qualquer estopim parece ter o poder de ampliar seu escopo, sob a causa comum de rejeição ao governo.
domingo, 16 de agosto de 2015
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