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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Dilma goumertizada

Por Carlos Brickmann.

Dilma goumertizada
Uma das primeiras medidas de Michel Temer, ao tomar posse na Presidência, foi extinguir o Ministério do Desenvolvimento Agrário, fortaleza dos petistas ligados a movimentos como MST e a militantes como João Pedro Stedile. Mas Temer está voltando atrás: deve recriar o MDA em setembro, igual ao que era – sem sequer uma placa de Sob Nova Direção.

Temer assumiu propondo cortes de despesa. Mas aprovou quase 200 bilhões em aumentos salariais. A proibição de aumento de salários nos Estados beneficiados pela renegociação de dívidas com a União, que o ministro Meirelles dizia ser inegociável, já foi negociada. Aquele déficit insuportável no Orçamento de Dilma, de R$ 170,5 bilhões, que Temer tinha a missão de cortar, já atingiu agora, em agosto, pouco menos de R$ 170 bilhões. Até dezembro, a que quantia chegará?

Arte de JBOSCO

A situação melhorou de Dilma pra cá. A Petrobras, livre da ordenha, deu lucro no trimestre – nada sensacional, mas melhor que o prejuízo dos três trimestres anteriores. Mas o que melhorou teve como causa a saída de Dilma, não a entrada de Temer. O presidente em exercício hesita na hora de agir com firmeza; aceita a situação político-econômica como se fosse boa.

Temer é mais aceitável que Dilma. É afável, não trata subordinados a palavrões, conhece mesóclises, fala um Português impecável. Mas falta-lhe decisão.

Arte de JARBAS

E o povo não foi para as ruas por querer uma Dilma bem-educada.

Ação, ação
O presidente Temer recebeu na quinta-feira alguns pesos-pesados do empresariado: Carlos Alberto Sicupira (AmBev), Edson de Godoy Bueno (Amil), Josué Gomes da Silva (Coteminas), Carlos Jereissati (Jereissati), Jorge Gerdau (Gerdau), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Pedro Moreira Salles (Itaú-Unibanco), Pedro Passos (Natura); antes, tinha recebido Paulo Skaf e Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidentes das federações das indústrias de São Paulo e Rio.

Todos disseram algo parecido: que a indústria está perdendo as esperanças. Lembraram que, no mundo, há US$ 15 trilhões guardados que pagam juros em vez de recebê-los, e uma parte poderia vir para o Brasil se houvesse boas perspectivas. Temer prometeu estudar o assunto. Mas promessa de Temer é como “La garantía soy yo”.

Arte de AROEIRA

Dois desvios
Há quem atribua os recuos de Temer à má negociação. Nem Temer nem Meirelles saberiam negociar como se deve, e Eliseu Padilha deveria receber a missão. Outros acham que Meirelles e Temer sonham em candidatar-se à Presidência em 2018. E qual o cacique político que, sem negociar, daria apoio a um possível adversário futuro? Ambos teriam de dar garantias de que não seriam candidatos – por exemplo, deixando seus partidos.

Arte de FRANK



Um país como este
Em outros tempos era uma piada: a do rapaz, preso por assassínio do pai e da mãe, pedindo autorização ao juiz para sair e ir ao Baile de Órfãos. Já não é mais piada: Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos por assassínio dos pais, saiu da cadeia no dia 11 para comemorar o Dia dos Pais. Suzane pediu para sair apesar de sua frustração anterior, quando deixou a prisão para o Dia das Mães e não teve com quem comemorar.

Em tempo: o benefício pode parecer estranho, mas é totalmente legal.

Arte de SPONHOLZ



Michel olímpico
Do presidente Michel Temer, comentando a morte de um policial da Força Nacional, no Rio: “Foi um lamentável acidente (…) o ritmo das Olimpíadas não fica paralisado por isso (…)”

O presidente que nos desculpe, mas a morte de um ser humano nada tem a ver com o prosseguimento das Olimpíadas. Este colunista é do tempo em que deliberadamente matar alguém a tiros se chamava “assassínio”, não “acidente”. O ritmo a seguir era localizar, prender e julgar o atirador.

Arte de ALECRIM

Vai que é mole
Escolher 12 de setembro como data para a Câmara julgar Eduardo Cunha é golpe baixo. Segunda-feira é um dos dias em que o Congresso normalmente não funciona. Sempre há alguns deputados por lá – mas quem estiver irá à posse da ministra Carmen Lúcia na presidência do Supremo Tribunal Federal. E, para cassar Cunha, são precisos 257 votos. 

Um plenário vazio beneficia Sua Excelência. Se houver pedido de adiamento da sessão, dia 13 não adianta: é dia de plenário vazio. Aí começa o recesso por causa das eleições. E o julgamento de Cunha fica para novembro.

Arte de MARIO


O nome do cargo
O presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, perguntou à sua sucessora, ministra Carmen Lúcia, se preferiria ser chamada de “presidente” ou “presidenta”. Carmen Lúcia: “Eu fui estudante e sou uma amante da Língua Portuguesa. Acho que o cargo é de presidente, né?”
Ainda bem: já pensaram aguentar uma nova presidenta?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Onde está a honestidade?

Por Carlos Brickman.

Onde está a honestidade?
Só política, só bandidagem, só ladroeira. Parece que todas as páginas dos jornais foram destinadas ao noticiário do crime - ora é crime a mão armada, ora é crime por propina dada, ora é crime de verba desviada, ora é crime cometido por amigos do peito, ao lado dele, e ele não sabia de nada. Nada como um assunto mais leve - música, por exemplo. Um bom disco de Noel - ele compôs (em parceria com Francisco Alves), ele mesmo canta. Noel Rosa, lembremos, era o Chico Buarque da época - uma quase unanimidade.

O samba é um clássico: "Onde está a honestidade?" Que bela letra! "Você tem palacete reluzente/ Tem joias e criados à vontade/ Sem ter nenhuma herança nem parente/ Só anda de automóvel na cidade/ E o povo já pergunta com maldade/ Onde está a honestidade?/ Onde está a honestidade?"

Mais: "O seu dinheiro nasce de repente/ E embora não se saiba se é verdade/ Você acha nas ruas diariamente/ Anéis, dinheiro e até felicidade/ E o povo já pergunta com maldade/ Onde está a honestidade?/ Onde está a honestidade?"


Não, nada que se refira à disputa para ver quem é a viva alma mais honesta do país. É um samba antigo, gravado em 1934. Nada a ver, como se nota (nota? Evitemos o duplo sentido: "como se percebe", que tal?), com pixulecos, mochilas e malinhas com alta capacidade de carga, até R$ 500 mil cada uma (na época, a moeda nem era o real: era ainda o mil-réis). Tudo bem, sempre alguém vai achar que o velho samba, tão eterno, se refere a fatos atuais. 

Até pode parecer, né?

Link

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Revivendo o baile da Ilha fiscal

Coluna de Carlos Brickman

Ação, reação, xeque-mate
O Governo demorou para encontrar o caminho da reação, mas o trabalho que realiza contra a Operação Lava Jato é hoje visível: corte de verbas da Polícia Federal, intensa mobilização de jornalistas aliados, especialmente nas redes virtuais, mas não exclusivamente nela, contra delegados, promotores e o juiz Sérgio Moro (só no dia 7, esta coluna recebeu, de apenas um dos profissionais engajados, quatro ataques pesados ao juiz e à PF - num deles, fala-se em "quadrilha Moro"), tentativas de vitimizar os inocentes pixulequeiros presos em Curitiba.

Arte de SAMUCA


Diante do risco de abafamento das investigações, há quem diga que documentação sobre o escândalo acabou em mãos dos equivalentes americanos à PF e ao Ministério Público. As investigações dos EUA tocam em dois temas: primeiro, o envolvimento de cidadãos, sistema financeiro e empresas dos EUA no Petrolão (lá é crime); segundo, o processo que investidores em títulos da Petrobras na Bolsa de Nova York movem contra a empresa, pedindo reposição das perdas que tiveram com a redução dos lucros causada pela pixulecagem e a consequente diminuição do valor dos papeis em seu poder. É coisa grande, de algumas dezenas de bilhões de dólares. Até um acordo giraria em torno de cifras monumentais.






É o xeque-mate na tentativa de abafar as investigações: lá não há como bloqueá-las. Como provou o caso Marin, se houve uso de empresas americanas nas manobras, eles investigam e divulgam tudo. E, como no caso das Mãos Limpas, na Itália, o farol que orienta Moro, se a justiça for feita sua missão está cumprida.









A festa continua
A monarquia brasileira balançava, e a Corte promoveu um grande baile na Ilha Fiscal, no Rio, em homenagem à tripulação do navio chileno Almirante Cochrane. Custou 10% do orçamento anual do Rio de Janeiro. Seis dias depois, o imperador foi deposto. 

A história se repete: o Rio está sem dinheiro para atender a seus doentes, faltam remédios básicos nos hospitais, mas o Palácio Laranjeiras, que não é nem onde mora o governador nem onde trabalha, está sendo reformado para que Sua Excelência possa praticar natação. Orçamento: R$ 2,3 milhões.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Reflexões de Carlos Brickman

Por Carlos Brickman.

  • Ex-presidente do PSDB é condenado pelo Mensalão mineiro, outro ex-presidente do PSDB, já falecido, é citado por propina em delações premiadas. No Brasil, pelo jeito, não há situação e oposição: há titulares e reservas.

  • Delações premiadas mostram que será difícil escolher candidato à sucessão de Dilma. Tiririca, veja só, era um otimista!
Arte de DÁLCIO

  • Dilma diz que é absurdo que alguém se aposente com 55 anos. Mas, estando ela com 68, não seria uma boa ideia?

  • O líder petista Sibá Machado, aquele que acusa o juiz Moro de querer destruir o país, é a prova de que, ao menos na cabeça, tem gente capaz de estocar vento.

  • É mentira dizer que Nelson Barbosa só sabe dizer “sim, senhora”. Também diz “a senhora tem razão” e “a senhora manda”.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Chega de patrulha

Por Carlos Brickman.


Chega de patrulha
Millôr Fernandes, um gênio brasileiro, é o autor da melhor definição de civilização: 

“Todo homem tem o sagrado direito 
de torcer pelo Vas­co 
na arquibancada do Flamengo”.


O episódio em que Chico Buarque foi abordado na rua por um grupo de pessoas que questionava sua posição petista é exatamente o contrário do que se define por civilização: Chico Buarque tem o direito sagrado de ser petista, comunista, de achar que Fidel Castro é o máximo, de gostar de Maduro e Evo Morales, e ninguém tem nada com isso, exceto em discussões políticas. E para haver uma discussão política é preciso que os dois lados concordem em discutir. Gritaria de madrugada no meio da rua, com insultos, definitivamente não é a maneira de iniciar uma discussão política.




O problema é que não podemos condenar a metade da guerra: é preciso condenar a guerra inteira. Não está certo insultar Chico Buarque por suas ideias, nem expulsar Guido Mantega a gritos do hospital onde tinha ido tratar a mulher, nem mandar a presidente da República a locais normalmente destinados, pela torcida, a árbitros de futebol. Mas também não está certo, como já ocorreu (e não motivou grandes protestos), ameaçar o grande chargista Chico Caruso de “esculacho” – ou seja, de juntar em frente à sua casa uma vociferante manada para dirigir-lhe insultos – pelo crime de ter feito uma piada com a qual os petistas não concordaram. Também não está certo o assédio moral – com participação de idiotas internacionais – a Caetano Veloso e Gilberto Gil, por sua decisão de realizar um show em Israel, país com o qual o Brasil mantém relações diplomáticas. Como não está certo usar as redes sociais para difamar políticos de outros partidos que não o PT, com insultos como “cheirador”, “vagabundo”, “canalha” – não desmintam, por favor. Essas coisas estão arquivadas direitinho, até para que se saiba quem presta e quem não presta.

Arte de Heitor


Pior ainda é quando os responsáveis pelos insultos ocupam cargos de importância e utilizam o tempo do trabalho, mais o equipamento posto à sua disposição, basicamente para a militância partidária difamatória, e deixam de cumprir as funções essenciais para as quais são pagos.

Este colunista se sente muito à vontade para pedir que o debate político se civilize. Não concorda com nenhuma ideia de Chico Buarque, mas continua fã da maioria esmagadora de suas composições. Não concorda com José Dirceu, mas todos os contatos que teve com o líder petista foram cordiais, amenos, agradáveis. Jamais deixará de gostar da obra de um intelectual por discordar de suas posições políticas (e jamais passará a gostar da obra de outros por concordar com as posições políticas que assumam). Por que não?O sujeito pode ser politicamente cego, mas não deixa de ser inteligente em outros aspectos da vida; e não deixará de ser amigo por discordâncias partidárias. Se deixar de ser amigo, é porque amigo nunca foi: tratava-se apenas de um canalha.




No grupo de amigos que estava com Chico Buarque, um nome chama a atenção de quem tem boa memória: Cacá Diegues. Cacá, excelente cineasta desde o Centro Popular de Cultura da UNE, nos tempos em que a UNE era uma entidade política e se preocupava com o país), um dos diretores de “Cinco Vezes Favela”, um dos filmes que marcaram o início do Cinema Novo, diretor do notável “Bye, bye, Brasil”, musicado, a propósito, por Roberto Menescal e Chico Buarque, tem o irremovível DNA da esquerda. Mas foi ele que denunciou as patrulhas ideológicas, movidas por fascistas de esquerda contra todos os artistas que não partilhavam de suas ideias. Na época, lembremos, as patrulhas atingiram até mesmo Elis Regina; e liquidaram a carreira, e a vida, de Wilson Simonal, que por mais erros políticos que tenha cometido foi um excelente cantor.

Não é terrível que Cacá, com uma história politicamente mais rica e matizada que a de Chico, seja vítima, tantos anos depois, de uma patrulha ideológica formada por jovens que provavelmente nem sabiam com quem falavam? Não, não é exagero: o pai de um dos rapazes que insultaram Chico disse que teve de lhe contar quem é Chico e qual sua importância para a música popular brasileira.



Chega disso! A política, para ter sentido, exige conversa, muita conversa. A munição da política, ensinava Ulysses Guimarães, é a saliva. Se não houver conversa, não há política: há enfrentamento, há a vitória da força bruta. É um filme cujo final  conhecemos: os bandidos, seja qual for seu partido, vencem; e quem morre somos nós.

Chico Buarque não é inatacável, claro. Quem se diz contra ditaduras e jamais disse uma palavra negativa a respeito de Fidel Castro tem tudo para ser atacado. Este colunista, fã do compositor Chico Buarque, que o considera um novo Noel, prefere não se preocupar com as posições políticas do artista. Mas Millôr Fernandes, que inicia esta nota, pode encerrá-la, com sua análise das posições políticas de Chico Buarque: 

Eu desconfio de todo idealista 
que lucra com seu ideal”.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A água e o sangue, um Brasil sob o petismo

Por Carlos Brickman.

A água...
Sabe por que, tantos anos depois da data prevista para a conclusão das obras, o canal de transposição das águas do São Francisco não ficou pronto? A resposta deve ser dada pela Operação Vidas Secas, que começou na sexta-feira com 24 mandados de busca e apreensão e quatro prisões em nove Estados. As suspeitas a investigar envolvem o consórcio OAS/Galvão/Barbosa/Melo/Coesa; e há ligações entre essa investigação, a Vidas Secas, e a Operação Lava Jato.

Numa das secas do Nordeste, o imperador D. Pedro 2º prometeu vender até a última joia da Coroa para levar água à região. O mundo evoluiu muito desde os tempos do imperador. Hoje as joias da Coroa não dariam nem para o pixuleco.

Arte de SAMUCA



... e sangue

Houve época, em São Paulo, em que era perigoso transitar por certas ruas do centro quando se realizava alguma operação policial: sacos de relógios contrabandeados choviam nas calçadas, tentativa dos contrabandistas de livrar-se das provas. 



As coisas se sofisticaram: quando a Polícia Federal bateu à porta da Hemobrás no Recife, sacos de dinheiro voaram pela janela - e justo pela janela da diretoria. A Hemobrás, veja só, é uma empresa estatal, do Ministério da Saúde, cujo trabalho é reduzir a dependência externa do Brasil no setor de derivados do sangue. E é exatamente lá que há vampiros sugando verbas. 

O diretor da Hemobrás, Rômulo Maciel Filho, foi indicado pelo senador Humberto Costa, do PT.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A queda dos caídos

Por Carlos Brickman.

A queda dos caídos
A discussão sobre o impeachment, de certa forma, não tem sentido. Ninguém vai derrubar um Governo que já está no chão. A presidente mora no palácio, usa o avião presidencial, tem um bom cartão corporativo. Mas governar não governa.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seu adversário mais visível, é um morto político adiado, com muito passado e zero de futuro. Está acossado pelo Ministério Público, preso a explicações em que é difícil acreditar, defendido por aliados de ocasião, prontos a abandoná-lo; e envergonhados por estar a seu lado. Pois este deputado encurralou a presidente. Para enfrentá-lo, Dilma transformou sua Presidência na Geni de Chico Buarque: “pra tudo que é nego torto, do mangue e do cais do porto”, deu empregos na Esplanada. Tenta garantir um terço dos deputados para salvar-se do impeachment – pois é, 171. E, cedendo tudo o que cedeu, nas últimas votações teve só um tiquinho a mais. Não chega a 200 deputados num plenário de 513; perde uma votação atrás da outra; parece sonada.

Arte de NANI


No boxe, há derrotas por pontos, há derrotas por nocaute; e há o nocaute técnico, quando o treinador joga a toalha, considerando que o boxeador está sem condições de continuar a luta. Dilma está sem condições de continuar a luta. É surrada impiedosamente por um adversário que se preocupa com ela apenas parte do tempo, porque a outra parte, muito maior, tem de usar para salvar a própria pele. Salvar, no caso, não é manter o mandato: é livrar-se do japonês da Federal.

Para os dilmistas, é hora de jogar a toalha e preservar a pessoa que defendem.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ninguém sabe, ninguém viu

Por Carlos Brickman

Acredite: mexeram-se!
Nesta sexta, dia 27, três semanas após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, o Governo Federal deu um sinal de vida: a presidente Dilma Rousseff convocou os governadores de Minas, Fernando Pimentel, do PT, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, do PMDB, para uma reunião. 

Objetivo: saber como está a região após o desastre ecológico e econômico. 

Mas, caro leitor, tenha calma: não se precipite. Não é, obviamente, para tomar alguma providência em favor dos atingidos. É para montar a apresentação que a presidente fará em Paris durante a reunião da cúpula da comissão internacional de mudanças climáticas. A população nacional que se vire. O importante é fingir bem para os gringos.

Arte de NEWTON SILVA


Ninguém sabe, ninguém viu
Delcídio Amaral sempre ganhou bem: engenheiro eletricista, trabalhou para a Shell na Europa por dois anos, foi diretor da Eletrosul, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, ministro de Minas e Energia, diretor de Gás e Energia da Petrobras, secretário da Infraestrutura do Governo de Mato Grosso; é senador desde 2002. 

Sempre ganhou bem, mas sempre viveu de salário. Por mais que ganhasse, não seria suficiente para ter a casa que tem em Campo Grande - lá, no aniversário de 15 anos de sua filha, couberam 700 convidados, atendidos por seis chefs de cuisine, com divisões para comidas típicas de diversos países (http://wp.me/pO798-96r). 

Ninguém notou - nem políticos, nem jornalistas?

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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Lulla, o palestrante invisível

Por Carlos Brickman

O palestrante invisível
Pois é: em plena Era da Informação, em que uma pessoa faz questão de postar a imagem do pãozinho que comeu de manhã, não há registro no YouTube nem no Facebook de nenhuma das nove palestras que o ex-presidente Lula proferiu a pedido da Odebrecht, e pelas quais recebeu R$ 3,9 milhões de reais. Lula é um homem feliz: palestrou para as únicas pessoas do mundo que não registraram sua proximidade com um ícone internacional, não fizeram selfies, nada divulgaram.

gastos em cartões corporativos, de JAN2013 a JUL2015


Lula disse que recebeu, nos quatro anos após deixar a Presidência, R$ 27 milhões de entidades e empresas, para fazer palestras nos mais diversos países. Justo: Lula é uma atração internacional e sua palavra é sempre bem recebida. Mas façamos as contas: com o dólar a R$ 2,20, média do período, recebeu o equivalente a US$ 12,2 milhões, ou pouco mais de US$ 3 milhões por ano, ou US$ 8.400 por dia, ou US$ 350 por hora - 24 horas por dia, dormindo ou acordado. A conta é do ótimo portal jurídico Espaço Vital, www.espacovital.com.br. A propósito, as apreciadas e concorridas palestras também não foram encontradas.



Se um dos filhos é o Ronaldinho dos Negócios, o pai é o Pelé das Palestras.


Pague a maquiagem
Nada de cortar despesas, nem de aumentar a eficiência, nem mesmo de aplicar as medidas de economia já anunciadas (os três mil funcionários contratados sem concurso e oficialmente demitidos continuam no lugar de sempre, recebendo como sempre). Quando o Governo vai mal, a solução é outra: torrar o nosso dinheiro em propaganda. Desta vez, serão R$ 56 milhões para dizer que é preciso superar as dificuldades e unir o país em torno dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio).



O slogan é "Somos todos Brasil" - equivalente olímpico ao "É Tóis" da presidente Dilma, pouco antes dos 7x1. Segundo a propaganda, "somos um time de 200 milhões". O Brasil não para de crescer: na época da ditadura, o general-presidente Emílio Médici cantava com a torcida o "90 Milhões em Ação", tema da Seleção na Copa do México. Os R$ 56 milhões devem ser gastos em 15 dias.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Curtas de Carlos Brickman

O país do carnaval


  • Diante das fortes suspeitas de que pode haver fraude no pleito venezuelano, Caracas decidiu aceitar uma comissão internacional de observação. Fez todas as exigências possíveis: rejeitou a OEA, rejeitou observadores independentes ligados a institutos não governamentais, impôs a Unasul, onde tem influência imensa, como instituição observadora. Mas foi pouco: decidiu vetar o representante brasileiro, Nelson Jobim - que foi ministro do Governo Lula e do Supremo Tribunal Federal. 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, decidiu com altivez: se há veto, o Brasil não envia representante. E que faz nosso Governo? Tenta convencer Toffoli a aceitar as imposições venezuelanas. Não é meio muito, em termos de obedecer a tudo o que mandam os bolivarianos?


  • Houve época, acredite, em que os partidos comunistas brasileiros exigiam que seus militantes conhecessem a doutrina e fossem capazes de enfrentar quaisquer adversários em debates (eram dois os partidos: o PCB, Partido Comunista Brasileiro, hoje PPS, que seguia a linha de Moscou, e o PCdoB, Partido Comunista do Brasil, mais ligado à China e, depois, à Albânia). 
Dirigentes comunistas como Salomão Malina e Armênio Guedes lutaram em guerras contra fascistas e nazistas. Hoje a luta é diferente: a Juventude do PCdoB de Natal combateu bravamente os bonecos infláveis de Lula e Dilma, para rasgá-los. 

O Pixuleco e a Bandilma, que retratam o ex-presidente e a atual presidente, ambos em trajes de presidiários, sofreram ferimentos mas estão aptos a participar de novos comícios.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O "eu não sabia" tucano

Por Carlos Brickmann


O "eu não sabia" tucano
Lembra da decisão do Governo tucano paulista de tornar secretos os documentos sobre o Metrô e os trens urbanos – sim, aqueles que aparecem em denúncia sobre formação de cartel? Pois bem: o Governo paulista reclamou desta coluna por divulgar a notícia. 


Arte de DALCIO


Segue a carta, na íntegra, assinada por Cleber Mata:

Lamento que você não tenha nos procurado para esclarecer um assunto tão sério como o reproduzido na sua coluna. Aqui alguns esclarecimentos.

“A Folha de S.Paulo errou ao atribuir ao governador Geraldo Alckmin uma decisão que foi adotada por um membro da gestão passada e que não integra mais a equipe. Geraldo Alckmin não impôs nenhuma restrição. É justamente o contrário: Geraldo Alckmin, após tomar conhecimento de uma resolução pela Folha de S.Paulo, determinou imediatamente que a medida fosse revista. 

São Paulo é o Estado mais transparente do Brasil, segundo ranking da Controladoria Geral da União. O Estado também está entre os mais transparentes, de acordo com a ONG Contas Abertas. Geraldo Alckmin foi o responsável por colocar o salário de todos os servidores na internet. Também por decisão do governador Alckmin, os números com os indicadores criminais são publicados mensalmente no site da Secretaria da Segurança Pública. 

Por favor, antes de propagar informações sem consulta prévia, nos procure. Terei o maior prazer em atendê-lo”.

No dia 8, a propósito, Alckmin determinou a suspensão da medida.


Arte de AROEIRA



Não sabia, mas sabia, sim
A carta é curiosa: 
  • por que buscar “o outro lado” se a informação está publicada no Diário Oficial? 
Mais: 
  • quem é o responsável pelo “membro da gestão passada”? 
Quem o nomeou e é o responsável é o governador. 
  • E quem era o tal governador “da gestão passada”? 

Bingo! O mesmo Geraldo Alckmin da atual gestão. O próprio Alckmin que só mandou suspender o tal segredo depois que a imprensa o divulgou. 
  • A propósito, quem é o “membro da gestão passada e que não integra mais a equipe?”
Seria ótimo ouvir o anônimo! Ou não seria?

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Oposição autofágica

Direto de Carlos Brickmann

Mark Twain, grande escritor americano, disse que os EUA tinham o melhor Congresso que o dinheiro podia comprar. 

Millôr Fernandes, grande escritor brasileiro, disse que o Brasil tinha um Congresso eficiente. 

"Ele mesmo rouba, 
ele mesmo investiga, 
ele mesmo absolve". 


Arte de AROEIRA


O tempo passa, pouco muda. Um banco suíço informa que o deputado Eduardo Cunha tem contas lá - o que ele sempre negou -, mostra que seu passaporte diplomático foi usado para abri-las, e o Congresso finge que não é com ele. 

Tem bons motivos: muita gente, digamos, conhece bem a questão; outros querem que Cunha comande o impeachment, então se calam. 

Mas qual a vantagem de derrubar a corrupção
 usando a corrupção?

Link

Autossuficienta, ela se basta

Por Carlos Brickmann

Autossuficienta, ela se basta
Imprensa e políticos estão mais uma vez discutindo a questão errada: o tempo necessário, depois da rejeição unânime das contas de Dilma pelo Tribunal de Contas da União, para que o Congresso se manifeste e toque o impeachment.

Besteira: Dilma não precisa de ninguém que a derrube. A presidente que distribui cargos à vontade e nem assim consegue o apoio do PMDB, que convoca três ministros para uma entrevista coletiva de emergência num domingo para dizer que não há problema nenhum, que tenta intimidar quem irá julgar suas contas, que cria problemas com os militares num momento em que as Forças Armadas queriam apenas ficar fora da crise, não precisa de oposição: cai sozinha.

Arte de LUSCAR


Bons políticos procuram prever problemas e evitá-los. Dilma gosta de prever problemas para ser abatida por eles. Brigou com Eduardo Cunha, que controla o PMDB na Câmara, desautorizou Michel Temer, a quem tinha pedido que cuidasse da articulação política, e tomou para si as negociações com políticos - justo ela, a habilidosa. Acabou negociando com Leonardo Picciani, cuja maior ligação com o primeiro time, até hoje, era girar a maçaneta para Eduardo Cunha não ter esse trabalho. Quem paga mal paga duas vezes, diz o axioma do Direito. Dilma pagou, entregou tudo, aceitou escolher ministros piores que os que tinha - o que, convenhamos, era difícil - e não recebeu a mercadoria. Continuou apanhando no Congresso. 

Confiem em Dilma: quando tudo está calmo, ela dá uma entrevista, faz um discurso, articula uma manobra. A surpresa é que ainda esteja de pé.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O Brasil atual na visão de Carlos Brickman

Por Carlos Brickman


Zum zum zum
Agosto começou com muitas novidades. E as novidades vão aumentar a partir de agora. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, PMDB, promete instaurar duas CPIs: dos Fundos de Pensão e do BNDES. Se vão dar caldo, é cedo para dizer; mas o aroma que exalam é inconfundível. Do BNDES, quer-se saber quais os financiamentos a empresas escolhidas pelo Governo para crescer internacionalmente, conhecidas como "campeãs nacionais" - todas, a propósito, generosas doadoras de campanha. Dos Fundos de Pensão, bom exemplo é o Postalis, dos Correios. Seu presidente, Antônio Carlos Conquista, está com os bens bloqueados pela Justiça. O presidente do Conselho e o diretor-administrativo também. 

Há um acordo partidário para que o PT não comande nenhuma dessas CPIs. O DEM deve presidir a dos Fundos de Pensão, tendo um relator do PMDB; a do BNDES deve ter presidente do PSDB, com o PP na relatoria. Há uma terceira CPI no forno: a dos crimes de Internet. Quem a propôs foi o líder petista Sibá Machado, que pensava ser esperto. Mas quem vai tocá-la pretende investigar a máquina de Internet do Governo para atacar adversários e elogiar Dilma e Lula. 

Pouco? Espera-se a delação premiada de Renato Duque, que foi diretor de Serviços da Petrobras, indicado por José Dirceu. E há a nova prisão de Dirceu - aquele a quem Lula chamava de "o capitão do time". Acima de Dirceu, quem?

O título desta nota se refere a um sucesso de Paulo Soledade e Fernando Lobo, Carnaval de 1951: "Oi zum zum zum zum zum zum zum, tá faltando um".

A música da cartomante
Do bom jornalista James Akel, lembrando a canção "do profeta Ivan Lins": Cai o rei de Espadas, Cai o rei de Ouros, Cai o rei de Paus, Cai não fica nada.

O som do silêncio
Quando José Dirceu foi preso pelo Mensalão, sorria para as câmeras e erguia o braço com o punho cerrado, em sinal de desafio. O PT o defendeu com todas as forças, até criando o lema "Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro". Lula ficou quieto, mas alguém já ouviu Lula defender qualquer companheiro ameaçado?

Agora, José Dirceu foi preso com expressão sombria, não fez gestos para a torcida, e a nota do PT foi contidíssima, sem sequer citar seu nome. O único a manter sua posição anterior foi Lula - malocado em cima do muro, qual tucano.

Arte de SPONHOLZ


Ruído na comunicação
Há quem diga que João Santana, marqueteiro do PT, deveria cobrar em dobro pelo programa de TV do partido, nesta quinta. Levar Dilma à TV já era complicado; após o episódio Dirceu, fica mais difícil ainda. Mas não haverá problema: Santana pode criar o que quiser. 

Com o panelaço, ninguém mesmo vai ouvir.

A frase definitiva
Quem melhor retratou o que esta semana está sendo para Dilma e aliados foi o chargista Duke, do jornal O Tempo, de Belo Horizonte. 

Arte de DUKE


Um assessor diz a Dilma: "Ufa, temos uma boa notícia. Treze de agosto vai cair numa quinta-feira!"

O silêncio de ouro
José Dirceu, Capitão do Time, que chamou Dilma de "companheira de armas", está em situação difícil. Mas temos de lembrar que a antipatia que desperta nos adversários é política, não pessoal. Ninguém, por menos que goste dele, deve se alegrar com seus problemas pessoais. Há horas em que é preciso pensar num drama humano, a que todos estamos sujeitos, e lembrar que a prisão, seja ou não merecida, é sempre trágica. Ficar longe da filha pequena é trágico. Não importa se fez ou não por merecer. 

É um ser humano; e tudo que é humano nos atinge.

Ossos do ofício
Um grande primeiro-ministro inglês, Benjamin Disraeli, ensinava: Never explain, never complain. Nunca explique, nunca se desculpe. 

Questão de opinião.

Arte de RAFAEL


A festa dos números
Dizem que já há 131 mil confirmações na Internet para as passeatas Fora Dilma do dia 16. Muito, pouco? Nem muito nem pouco: esse número não quer dizer absolutamente nada. Ter grande número de adesões na Internet é mais ou menos como ficar rico no Banco Imobiliário. O número efetivo de participantes depende do que vai acontecer nas duas próximas semanas: os desdobramentos da Operação Lava Jato, o êxito (ou não) do panelaço no horário do programa político do PT, as primeiras repercussões das novas CPIs, as novas delações premiadas, se chove ou não no dia marcado. 

Até lá, para os dois lados, vale a cautela.

Arte de WALDEZ


Da cor do mar
Da presidente Dilma Rousseff, no churrasco noturno que ofereceu a 80 deputados, com direito a brinde de champagne: "Nós, como governantes que somos, não podemos nos dar ao luxo de não ver a realidade com olhos muito claros". 

Enfim, surge neste país a líder da elite branca de olhos claros.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O importante é evitar-se o crime

Por Carlos Brickman, em seu site


A lenda da idade justa
Albert Einstein, aos 26 anos de idade, formulou a Teoria da Relatividade. Aos 42 anos, recebeu o Prêmio Nobel de Física. Nero, o imperador romano, aos 22 anos de idade, mandou matar a mãe. Aos 27, pôs fogo em Roma.

Dá para ir longe nos exemplos históricos. Menos no Brasil: aqui se perde tempo com as questões erradas. É absurdo que alguém com 17 anos, 11 meses e 29 dias possa assaltar e matar e ser punido com menos severidade do que seria se tivesse mais algumas horas de idade. Mas não adianta reduzir a maioridade penal para 16 anos, ou 14: sempre haverá alguém com poucos dias a menos para proclamar-se "dimenor". Baixar a idade indefinidamente não é a solução. Há pouco tempo, na Inglaterra, crianças de dez anos amarraram um garoto mais novo nos trilhos para saber o que aconteceria quando o trem passasse por cima. Aconteceu.



O problema não é idade: é definir o que se busca. Pretende-se, em primeiro lugar, que uma pessoa perigosa, conforme decisão judicial, seja contida, para não mais gerar riscos. Isso pode ser obtido sem levá-la à prisão: pode ficar naqueles hotéis fantásticos do Dubai, desde que não possa circular livremente nas ruas. Em segundo lugar, pretende-se reeducar o adolescente, para que se torne um bom cidadão. Isso não ocorrerá nas atuais prisões brasileiras. Mas o mau ambiente também torna os adultos mais perigosos. É preciso rever penas e civilizar as prisões, para que deixem de tornar-se universidades do crime. 

O restante da discussão só serve para desviar o assunto e evitar fazer o que deve ser feito.

Um gol, muitos gols, por Carlos Brickman

Por Carlos Brickmann, em sua página.

Um gol, muitos gols. 
A entrada do FBI americano nas investigações sobre corrupção no futebol muda a regra do jogo: deixa de funcionar a Bancada da Bola, perde efeito o relacionamento internacional bem cultivado, favor prestado não tem mais validade. Se os personagens presos são ou não culpados, a Justiça americana decide. 

Arte de ZAPIRO


Mas:

1 - José Maria Marin, segundo as investigações, teria cobrado propinas nos contratos da CBF. Quem pode ter pago propinas? Patrocinadores da Seleção, talvez; ou concorrentes à compra dos direitos de transmissão. Quem patrocina a Seleção, e quem a patrocinou nos últimos anos? Quem ganhou o direito de transmitir os jogos? Quais empresas firmaram contratos de exclusividade com a CBF?

Arte de DACOSTA


2 - Quando o Brasil ganhou a Copa de 1994, nos EUA, a delegação trouxe 11 toneladas de compras. O secretário da Receita, Osíris Lopes Silva, mandou que as bagagens passassem pela Alfândega. O presidente era Itamar Franco, e Osíris caiu. Quando Ronaldo Fenômeno teve aquele problema na Copa da França, em 1998, já se falava na interferência da Nike na CBF. O presidente era Fernando Henrique. Quando o Brasil ganhou o direito de realizar a Copa de 2014, o presidente era Lula. Ninguém investigou; se investigou, não contou para ninguém. A imprensa paulista foi acusada por Ricardo Teixeira de persegui-lo, só porque andou narrando algumas coisas, que as autoridades não levaram em conta. E como havia gente importante do Judiciário viajando a convite da CBF, com tudo pago!



Agora a bomba explodiu. E vai pegar gente hoje acima de qualquer suspeita.

Quem sabe sabe
Os investigadores americanos tiveram também o apoio decisivo das informações do empresário brasileiro J. Hawilla, dono de uma rede de televisão (a TV Tem) que retransmite a Globo no Interior paulista. Hawilla foi preso e fez delação premiada. Comprometeu-se a devolver aos americanos uns US$ 175 milhões. Meio bilhão de reais. Já pagou a primeira prestação, de US$ 25 milhões. 

Arte de DÁLCIO


J. Hawilla foi preso nos EUA no segundo semestre do ano passado. Alguém soube? Fez o acordo de delação premiada e contou muita coisa (e não deve ter sido o único). Só agora ficamos sabendo - após as prisões. 

Estardalhaço serve apenas para afugentar a presa. Na Suíça, prisão não é ponto turístico. Portanto, ninguém divulga onde está localizada (nem se os demais detentos estão nela ou em outras instituições). Sabe-se que Marin é bem tratado, está preso numa cela com banheiro normal, não precisa fazer acrobacias para usar a privada, tem assistência médica e jurídica. Está mais bem alojado do que em qualquer prisão brasileira. E, caro leitor, de onde é mais provável que não tenha chance de escapar?

Arte de MARIO ALBERTO
 

Chuva de óleo
Americano ainda não dá muita importância ao futebol. A ladroeira na FIFA tem contato apenas superficial com os Estados Unidos: instituições financeiras americanas foram usadas na manipulação irregular de dinheiro, algumas firmas de lá pagaram propina no Exterior. Já o caso da Petrobras, também sob investigação naquelas bandas, bate em cheio nos americanos: a refinaria de Pasadena é lá, os papéis da empresa são negociados nas bolsas dos EUA, milhares de pessoas puseram suas economias em fundos que compraram Petrobras (e que, graças aos problemas da estatal, renderam muito menos do que poderiam). A investigação e a Justiça são mais eficientes que as nossas. 



Os prejudicados farão pressão. E as petroleiras americanas - neste setor ninguém é bonzinho: todos jogam pesadíssimo- não perderão essa ótima possibilidade de atrapalhar a concorrente.