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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Aconteceu no Maranhão

Estorinhas políticas



Puxa quem pode
Tempos eleitorais. Tempos de fidelidade e infidelidade. Guararé era cabo eleitoral do governador Sebastião Archer, do Maranhão. Convenção do PSD, alguém acusou Guararé de puxa-saco. Guararé argumentou :


- Cada um puxa quem pode. Eu puxo o senhor, governador Archer. O senhor já puxa o senador Vitorino Freire. E o senador puxa o general Dutra. É a lei da fidelidade partidária.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Mudança no Maranhão

Da Folha SP.

Decreto do governador do MA retira o nome de Sarney de 7 escolas estaduais
Sete escolas estaduais do Maranhão batizadas em homenagem ao ex-presidente José Sarney tiveram os nomes alterados por um decreto assinado pelo governador Flávio Dino (PC do B).

No total, o nome de 37 escolas que homenageavam pessoas vivas foram trocados por nomes de professores, políticos, religiosos e poetas que já morreram, como os ex-deputados João Evangelista e Júlio Monteles.



A filha de Sarney, a ex-governadora Roseana Sarney, e mulher dele, Marly Sarney, também perderam as homenagens. O nome de Roseana batizava três escolas, e o de Marly, uma.

O decreto foi publicado no "Diário Oficial do Estado" no último dia 14 de janeiro.

Outro nome próximo ao clã Sarney, o do senador Edison Lobão, que é ex-governador do Estado e ex-ministro de Minas e Energia, foi retirado de quatro locais.

Arte de IVAN CABRAL


Há um ano, quando assumiu o governo do Maranhão, Dino assinou um decreto que proibia que bens públicos do Estado recebessem o nome de pessoas vivas ou responsabilizadas por violações aos direitos humanos durante o regime militar.

No caso das pessoas vivas, a medida não era retroativa, de modo que Sarney continuava a dar nome a pelo menos 160 escolas do Maranhão, além de bibliotecas e obras viárias em todo o Estado.


Arte de SIMANCA


Com o novo decreto, os nomes do ex-vice-governador do Maranhão e atual senador João Alberto de Souza, do ex-governador João Castelo, da ex-secretária de Educação Leda Tajra, do ex-vice-presidente Marco Maciel e do ex-deputado federal Magno Bacelar também foram apagados da fachada de centros de ensino. O poeta maranhense e membro da Academia Brasileira de Letras Ferreira Gullar também deixou de ser homenageado.



A medida promovida pelo governador está prevista na lei federal 6.454, de 1977, que proíbe a atribuição de nomes de pessoas vivas a bens públicos em todo o território nacional. No "Diário Oficial", Flávio Dino justifica a decisão com base no artigo 64 da Constituição Estadual, que garante ao governador do Estado a competência de sancionar e fazer publicar as leis e expedir decretos para sua execução.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Aconteceu no Maranhão

Estorinha Política


Lino Machado, médico e deputado em 1947, criticava na Tribuna da Assembleia o prefeito:
- A cidade está abandonada, está às escuras. Fiat Lux !

Jefferson Nunes, todo poderoso chefão político do Interior do Maranhão, partiu para a ironia :
- É um absurdo que V.Exa. vá estudar no RJ e volte para cá com esse latim de caixa de fósforo.



Lino, tempos depois, quis se vingar da ironia do coronel. Alguém foi assassinado no interior do MA. Jefferson Nunes disse que era um caso esporádico. Lino Machado deu o troco ao Fiat Lux :
- V. Exa. não sabe o que é esporádico.
- Eu sei, sim. V.Exa é médico. Tem 100 clientes. Morrem 99. Salva-se um. É um caso esporádico.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Casa de ferreiro, espeto de pau

Li no Ucho

Ex-ministro de Minas e Energia, senador Lobão é vítima de apagão em Imperatriz
O senador Édison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, foi vítima de um apagão elétrico na madrugada desta terça-feira (13).

 O avião da TAM em que viajava não conseguiu pousar por duas vezes na cidade de Imperatriz, pois o aeroporto e toda a região estavam às escuras.


Heringer

 Na primeira tentativa, o avião seguiu direto de Brasília para São Luís, a capital do Maranhão. Lobão então embarcou de retorno, pois o avião faria uma escala na segunda maior cidade do estado.

E mais uma vez o pouso foi proibido, porque o aeroporto continuava sem operar por falta de energia elétrica. Sem alternativa, Lobão foi obrigado a retornar à capital federal.

Em Imperatriz, o ex-ministro participaria da inauguração do novo estádio Frei Epifânio D’Abadia, cuja solenidade foi presidida pela governadora Roseana Sarney (PMDB). A obra foi iniciada pelo governador cassado Jackson Lago (PDT).

A ex-ministra Dilma não disse que apagões eram coisa do governo passado, ops, retrasado pois não havia planejamento? Pois aqui em Salvador, no bairro onde resido - Amaralina - têm faltado energia diariamente e mais de uma vez ao dia.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Acredite se quiser...

da coluna de Carlos Brickman


1José Sarney, presidente do Senado, senador pelo PMDB do Amapá, senhor do Maranhão, está sem dinheiro. Foi o que ele disse: que não tem como manter a Fundação José Sarney, porque com a avalanche de denúncias de que foi alvo cessaram as contribuições de empresas privadas.


charge de Clayton

A Fundação, instalada em São Luís num antigo convento que lhe foi cedido de graça por um Governo amigo, e que armazena documentos, fotos e papéis diversos que nada lhe custaram, está sendo fechada. Como se recuperará a cultura brasileira desse duro golpe?




2 José Múcio Monteiro, que está entrando no Tribunal de Contas da União, garante que, se houve Mensalão, seu partido, o PTB, estava fora. Múcio é um homem agradável, simpático, em Brasília todos gostam dele.



charge de Duke

Talvez por isso ninguém tenha lembrado que quem denunciou o Mensalão foi o presidente nacional do seu PTB, Roberto Jefferson; e que, na denúncia, Jefferson disse que recebeu R$ 4 milhões do PT, muito menos do que a quantia combinada, o que o irritou profundamente. Jefferson, a propósito, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos pelo crime de denunciar o crime.

3 – Está tudo pronto para que o Senado aprove a entrada da Venezuela de Hugo Chávez no Mercosul. O parecer de Tasso Jereissati contra a adesão deve ser rejeitado.



charge de Nani

 Nosso Senado não se perturba com insultos como os que lhe foram dirigidos pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, que o acusou de vender-se aos Estados Unidos. Como se sabe, só leva em conta os interesses nacionais.

Frase do dia!

"A gente vive de esmola”.


Disse o senador José Sarney, ao anunciar o fechamento da Fundação que leva seu nome por falta de recursos:

Li na coluna do Carlos Brickman

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Artigo > Leandro Fortes


charge de Simanca

Direto do Brasília, eu vi
de Leandro Fortes
Sarney, um homem incomum.
anos, nem me lembro mais quantos, os principais colunistas e repórteres de política do Brasil, sobretudo os de Brasília, reputam ao senador José Sarney uma aura divinal de grande articulador político, uma espécie de gênio da raça dotado do dom da ponderação, da mediação e do diálogo.
Na selva de preservação de fontes que é o Congresso Nacional, estabeleceu-se entre os repórteres ali lotados que gente como Sarney – ou como Antonio Carlos Magalhães, em tempos não tão idos – não precisa ser olhada pelas raízes, mas apenas pelas folhagens. Esse expediente é, no fim das contas, a razão desse descolamento absurdo do jornalismo brasiliense da realidade política brasileira e, ato contínuo, da desenvoltura criminosa com que deputados e senadores passeiam por certos setores da mídia.
Olhassem Sarney como ele é, um coronel arcaico, chefe de um clã político que há quatro décadas domina a ferro e fogo o Maranhão, estado mais miserável da nação, os jornalistas brasileiros poderiam inaugurar um novo tipo de cobertura política no Brasil. Começariam por ignorar as mentiras do senador (maranhense, mas eleito pelo Amapá), o que reduziria a exposição de Sarney em mais de 90% no noticiário nacional.
No Maranhão, a família Sarney montou um feudo de cores patéticas por onde desfilam parentes e aliados assentados em cargos públicos, cada qual com uma cópia da chave do tesouro estadual, ao qual recorrem com constância e avidez. O aparato de segurança é utilizado para perseguir a população pobre e, não raras vezes, para trucidar opositores.
charge de Simanca
A influência política de Sarney foi forte o bastante para garantir a derrubada do governador Jackson Lago, no início do ano, para que a filha, Roseana, fosse reentronizada no cargo que, por direito, imaginam os Sarney, cabem a eles, os donatários do lugar.
José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se anunciava nos anos 1960.
Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia mais se locupletar.

charge de néo correia
Talvez essa peculiaridade, a de adesista profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de 1985, após a morte de Tancredo Neves.
Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial, erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros.
Ao olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias gerações marcadas pela verminose crônica e pela subnutrição idem.

fotomontagem de Heringer

Aí, saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e, desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto para, apesar de ser o desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.
Tem razão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar, embora pela lógica do absurdo, que José Sarney não pode ser julgado como um homem comum. É verdade. O homem comum, esse que acorda cedo para trabalhar, que parte da perspectiva diária da labuta incerta pelo alimento e pelo sucesso, esse homem, que perde horas no transporte coletivo e nas muitas filas da vida para, no fim do mês, decidir-se pelo descanso ou pelas contas, esse homem comum é, basicamente, honesto e solidário.
Sarney é o homem incomum. No futuro, Lula não será julgado pela História somente por essa declaração infeliz e injusta, mas por ter se submetido tão confortavelmente às chantagens políticas de José Sarney, a ponto de achá-lo intocável e especial.
charge de Mariano

Em nome da governabilidade, esse conceito em forma de gosma fisiológica e imoral da qual se alimenta a escória da política brasileira, Lula, como seus antecessores, achou a justificativa prática para se aliar a gente como os Sarney, os Magalhães e os Jucá.
Pelo apoio de José Sarney, o presidente entregou à própria sorte as mais de seis milhões de almas do Maranhão, às quais, desde que assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, só foi visitar esse ano, quando das enchentes de outono, mesmo assim, depois que Jackson Lago foi apeado do poder.
Teria feito melhor e engrandecido a própria biografia se tivesse descido em São Luís para visitar o juiz Jorge Moreno. Ex-titular da comarca de Santa Quitéria, no sertão maranhense, Moreno ficou conhecido mundialmente por ter conseguido erradicar daquele município e de regiões próximas o sub-registro civil crônico, uma das máculas das seguidas administrações da família Sarney no estado.

charge de Néo Correia

Ao conceder certidão de nascimento e carteira de identidade para 100% daquela população, o juiz contaminou de cidadania uma massa de gente tratada, até então, como gado sarneyzista.

Por conta disso, Jorge Moreno foi homenageado pelas Nações Unidas e, no Brasil, viu o nome de Santa Quitéria virar nome de categoria do Prêmio Direitos Humanos, concedido anualmente pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República a, justamente, aqueles que lutam contra o sub-registro civil no País.

Em seguida, Jorge Moreno denunciou o uso eleitoral das verbas federais do Programa Luz Para Todos pelos aliados de Sarney, sob o comando, então, do ministro das Minas e Energia Silas Rondeau – este um empregado da família colocado como ministro-títere dentro do governo Lula, mas de lá defenestrado sob a acusação, da Polícia Federal, de comandar uma quadrilha especializada em fraudar licitações públicas.

Foi o bastante para o magistrado nunca mais poder respirar no Maranhão. Em 2006, o Tribunal de Justiça do Maranhão, infestado de aliados e parentes dos Sarney, afastou Moreno das funções de juiz de Santa Quitéria, sob a acusação de que ele, ao denunciar as falcatruas do clã, estava desenvolvendo uma ação político-partidária.

Em abril passado, ele foi aposentado, compulsoriamente, aos 42 anos de idade. Uma dos algozes do juiz, a corregedora (?) do TRE maranhense, é a desembargadora Nelma Sarney, casada com Ronaldo Sarney, irmão de José Sarney.

Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado. Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado.

Ao terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto de goma. Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão.