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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Menino sírio é um novo herói na guerra civil?

Lendas da Internet

Garoto de 8 anos se finge de morto apenas para salvar uma menina, 
pegos num tiroteio em pleno conflito sírio!

VERDADE OU MENTIRA?

Vídeo visualizado mais de 4 milhões de vezes.


Esclarecimento E-Farsas

Apesar de muitos Jornais on-line terem divulgado a estória como verdadeira, ela é uma produção do cineasta noruegues Lars Klevberg.

Em entrevista à agência de notícias BBC, Lars explicou que teve a ideia do roteiro do filme depois de assistir a uma cobertura jornalistica do conflito na Síria e que a sua intenção era fazer um vídeo rápido que chamasse a atenção para a situação das crianças na Síria.



Bastidores das gravações! (Foto: Divulgação)


O vídeo foi gravado em maio de 2014, em Malta (e não na Síria) e tanto o menino quanto a menina são atores que vivem em Malta. As vozes que ouvimos ao fundo são de refugiados sírios que vivem lá. Além disso, Lars Klevberg queria mostrar como é fácil enganar o povo em época de guerra com vídeos forjados sobre confrontos armados.




O filme foi financiado pelo Instituto Norueguês de Cinema. Segundo afirmou o cineasta, seu pedido de financiamento foi aceito depois que ele deixou claro que queria fazer o upload do filme para a internet sem torná-lo óbvio se era real ou ficção. Mesmo assim, ele disse ter deixado algumas pistas no vídeo para que os espectadores descobrissem que se tratava de uma encenação.


Assista vídeo dos bastidores da Gravação

Conclusão: o vídeo é falso!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Obama é uma baratinha tonta?

Por João Pereira Coutinho
Publicado na Folha SP em 10SET
Transcrito do Blog do Murilo


Baratinha tonta

Nunca sigas o teu primeiro instinto porque ele será sempre generoso. O conselho é de Talleyrand, diplomata e premiê francês do século 19. É um bom conselho. Pena que Barack Obama nunca o tenha seguido.


A vaidade do presidente americano, apaixonado pelas suas palavras grandiloquentes e pela sua suposta retidão moral, é incompatível com o realismo cínico, porém salvífico, do político francês. E, no entanto, se Obama tivesse lido Talleyrand, talvez ele não tivesse mergulhado os Estados Unidos no desastre do dossiê sírio. Que promete continuar e gangrenar.

Genildo


Tudo começou há um ano, quando Obama, do alto do seu púlpito, seguiu o seu instinto generoso e afirmou que o governo da Síria não poderia cruzar certas "linhas vermelhas". Que bonito! O carniceiro de Damasco poderia matar o seu povo de todas as formas possíveis e imaginárias. Como, de fato, o tem feito com apreciável sucesso. Mas, cuidado!, ele não poderia usar armamento químico. Isso é feio. Isso fere a sensibilidade do mundo. E Obama, humildemente, existe para representar o mundo.

Como é evidente, o moralismo vácuo do personagem é aberrante. Não apenas porque armamento convencional tem uma capacidade destrutiva que pode ser incomparavelmente superior a qualquer arma química. Mas sobretudo porque, com armas químicas ou sem elas, é a brutalidade de Bashar al-Assad que deveria ter comovido Obama desde o início.

Se o presidente americano considerava intoleráveis as matanças de Assad, só restava a Obama ter agido em conformidade: punindo o regime, promovendo a sua queda e apoiando os rebeldes que, nesses tempos primitivos, ainda lutavam sem a Al-Qaeda a acompanhá-los. 

Mas a triste história das "linhas vermelhas" revela duas cegueiras suplementares. Para começar, estabelecer "linhas vermelhas" em política internacional é sempre uma tentação para que alguém se atreva a cruzá-las. E esse alguém pode ser Assad; ou a oposição a Assad; ou os grupos jihadistas que operam no interior da Síria (e que já representam 20% dos rebeldes) --as hipóteses são múltiplas. As hipóteses são tentadoras.

E, cedo ou tarde, elas acabariam por ser experimentadas: por Assad, para testar a seriedade do ultimato de Washington; pela oposição a Assad, para arrastar Washington para o conflito sírio; ou até por ambos, como parece ser o caso nesta luta entre selvagens. Por fim, e talvez mais importante, ninguém estabelece "linhas vermelhas" se não sabe antecipadamente o que irá fazer se elas forem violadas. Obama, manifestamente, não sabe.

Às segundas, quartas e sextas, o presidente americano quer punir Assad com bombardeamentos aéreos. Às terças e quintas, Obama exige mais: criar as condições para mudar o regime. Aos sábados e domingos, dias de descanso, talvez Obama deseje secretamente não fazer nada e esquecer o assunto de uma vez por todas.

ZOP


Hoje, cada um desses caminhos já se tornou pior que o anterior. Se decidir punir Assad --pelo ar, jamais por terra -- isso deixará o ditador intacto e, aos olhos dos sírios, o verdadeiro resistente contra mais uma agressão imperialista. Se, pelo contrário, Obama optar pela mudança de regime, isso pode significar entregar o poder de Damasco aos exatos jihadistas que os Estados Unidos passaram a primeira metade do século 21 a combater. Por último, não fazer nada, depois da belíssima retórica das "linhas vermelhas", será sempre uma revelação de medo e fraqueza que o terrorismo islamita não esquecerá.

Não admira que, perdido no seu labirinto, Obama já admita tudo: consultar o Congresso; pedir autorização às Nações Unidas; talvez fazer uma peregrinação à Senhora da Aparecida. Os Estados Unidos não têm um presidente; têm uma baratinha tonta que fala demais e depois espera por um milagre.

Morettini


Faça o que fizer no conflito da Síria, Barack Obama já perdeu. E perdeu porque acreditou que as suas palavras sentimentais, que costumam conquistar os corações moles do Ocidente, teriam o mesmo efeito hipnótico entre a pior vizinhança do Oriente Médio.

Se calhar, foi por isso que lhe atribuíram o Prêmio Nobel da Paz. Guerra, definitivamente, nunca foi com ele.