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domingo, 26 de julho de 2015

É em SP mas podia ser aqui, ou ...

Por Luiz Francisco Carvalho Filho, na FOLHA

Grafites de Pedro Sangeon, nas ruas de Brasília

Ladrões de calçada
Juridicamente, o título é impróprio. Ladrão é designação de quem se apropria, com ou sem violência ou ameaça, de coisa móvel e alheia. Calçadas são imóveis, não podem ser objeto dos crimes de roubo e furto. Como também chamamos de ladrão quem desonra bons costumes políticos e administrativos, a imprecisão é tolerável.

A prefeitura surrupia pedaços de calçada para ampliar faixa de asfalto e garantir mais conforto para automóveis, ônibus e, agora, bicicletas. Caiu o muro do cemitério da Consolação em dezembro? Paciência, ergue-se um tapume e a calçada desaparece.

A cidade está repleta de empreendimentos imobiliários que não reservam espaço para o passeio público.

para ver outros grafites sobre GURULINO,
  clique aqui

Empresas concessionárias ou contratadas pela prefeitura deixam buracos e desníveis, serviço porco, além da desconcertante corrupção estética (na avenida São Luís, por exemplo) dos mapas estilizados de São Paulo que enfeitariam o calçamento de pedras portuguesas.

Prefeitos gostam da cidade feia. Não exigem enterramento de fios. Estimulam a multiplicação de postes.

Caminhar é um rali de dificuldades. O pedestre tem de se desvencilhar de valas e degraus, material derrapante, cocô de cachorro, mau cheiro, vendedores ambulantes, gente acampada, mesas e garçons de bares e restaurantes e dos próprios transeuntes que se acotovelam para a travessia de semáforos. De noite, é atingido por holofotes de alerta porque caminhar é muito suspeito.



Quem tem dificuldade física se arrisca pelas ruas e ciclovias: nas calçadas, cadeiras de roda e equipamentos de transporte de deficientes não rodam.

O desleixo oficial conspira contra a lógica urbana, a economia e a saúde pública. Caminhar faz bem. Calçadas amplas, generosas, despoluídas e seguras estimulariam as pessoas a caminhadas diárias e, certamente, reduziriam o tráfego de automóveis nos bairros.

A responsabilidade pela manutenção das calçadas é dos proprietários dos imóveis, mas os prefeitos não fazem a sua parte (alguém já ouviu falar em obra na cidade de São Paulo para a ampliação de calçadas?) e não exercem o poder de fiscalização. Em matéria de calçada, lei é para inglês ver.



As estatísticas assombram: 19,4% dos mortos em acidente no Brasil são pedestres. Levantamento do Hospital das Clínicas indicava, em 2005, o atendimento de 300 vítimas mensais de quedas nas calçadas, que geram despesas com resgate, tratamento médico e indenizações pagas pela prefeitura omissa.

Haddad aponta para a direção correta quando sacrifica o trânsito de automóveis, mas seu programa de ciclovias, que alegra fornecedores de tinta, é feito nas coxas e introduz mais situações de risco para os pedestres paulistanos, sobretudo idosos.

Dinheiro público serve para financiar propaganda política disfarçada, não para campanhas educativas. Em Brasília, pelo menos no Plano Piloto, pedestres têm, sim, preferência. Por que não em São Paulo?



Poderíamos falar mais de governantes que se fantasiam de ciclistas para "humanizar" suas imagens, mas que nunca serão vistos caminhando, ou de urbanistas de meia tigela, que cultuam a mobilidade e deixam a questão das calçadas para depois, mas o espaço da coluna acabou. Danem-se os pedestres.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Ronda, uma história

A história por trás da letra



Ronda

por Paulo Vanzolini


Esclarecido pelo blog Por trás da letra


De noite eu rondo a cidade
A lhe procurar sem encontrar
No meio de olhares espio nas mesas dos bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desenganada da vida
No sonho eu vou descansar
Nele você está
Ai se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, essa busca é inútil
Eu não desistia
Porém com perfeita paciência
Sigo a procurar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E nesse dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar da avenida São João.


Paulo Emílio Vanzolini (falecido em 2013) dizia que apesar do sucesso, considerava a canção “piegas”, uma “bobagem que fez aos 21 anos", quando estava no Exército e fazia ronda no baixo meretrício:

“A coisa mais engraçada é que o povo acha que Ronda é um hino a São Paulo, mas na verdade ela é sobre uma mulher da vida (risos). Naquela época, servindo o Exército, eu patrulhava o baixo meretrício. Uma noite, na saída, eu estava tomando um chope ali pela avenida São João, quando vi uma mulher abrindo a porta do bar e olhando para dentro. Imaginei que ela estava procurando o namorado. Ele pensava que era para fazer as pazes, mas o que ela queria era passar fogo nele (risos).

Claro que o dinheiro referente aos direitos autorais de Ronda não vem das grandes gravadoras, nem, tampouco, das rádios comerciais, mas dos pedidos feitos em guardanapos molhados de lágrimas nos botecos, em que o título da canção é, muitas vezes, confundido com o da moto japonesa: “Toca Honda”, pedem os boêmios de cotovelos doloridos.

O compositor se diverte com o feito: “Claro que eu recebo o dinheiro que entra de bom coração. (...) Japonesa fica com dor de corno e vai ao karaokê cantar Ronda”.

Ronda foi feita em 1945, mas foi gravada, somente, em 1953. Segundo Vanzolini, Inezita Barroso, muito amiga de sua mulher, foi para o Rio de Janeiro gravar A Moda da Pinga. A gravação seria num sábado à tarde e o casal foi junto para fazer companhia. Chegando lá, perguntaram a Inezita que música seria gravada no lado B do disco. O verso de A Moda da Pinga deve ter-lhe subido à cabeça: “A marvada pinga é que me atrapaia...”. Tremenda dor de cabeça. Àquela altura do campeonato, em pleno sábado, Inezita podia ser conhecedora de um vasto repertório mas onde conseguiria a autorização do autor? Foi por isso que gravou Ronda. E, de acordo com o autor, ainda errou a letra na gravação.

Para ela (que faleceu em março deste ano) a história não foi bem assim:



“Eu fui pro Rio gravar A Moda da Pinga. Gostaram muito, e 'do outro lado o quê?' O Paulo Vanzolini estava comigo no Rio, tinha ido fazer um trabalho de zoologia, nós éramos muito amigos e ele foi pro estúdio comigo. Aí ele olhou assim meio pedindo e eu falei: 
- 'Tá bom, do outro lado vai Ronda, do Paulo Vanzolini'

Aí me perguntaram:-  'O que é isso?' 
Falei: 
- 'É um samba paulista'. Pra que eu falei isso. '
- Samba paulista, São Paulo não tem samba'. 

Aí o Canhoto, que era o dono do regional que acompanhava, disse: 
- 'Canta aí pra eu ouvir'. Aí eu cantei Ronda e foi aquele sucesso."


quinta-feira, 16 de abril de 2015

PT rumo ao ostracismo


Nesta terça, 14 de abril, militantes petistas iniciaram um movimento na avenida paulista culpando Geraldo Alckmin pela crise de abastecimento de água em São Paulo.

Vejam a reação popular e totalmente espontânea...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Hipocrisia na Prefeitura de SP

Por Carlos Bickmann.

As honras da casa
Dois eventos policiais no mesmo dia, segunda-feira, na mesma tarde, na mesma cidade, São Paulo. O rapper Mano Brown, dos Racionais MC, foi preso por desacato, que teria ocorrido ao ser apanhado dirigindo com carteira de motorista vencida; e uma funcionária do Metrô foi estuprada por dois homens.

Arte de ADÃO ITURRUSGARAI


Quem mereceu a solidariedade do prefeito petista Fernando Haddad e de seu secretário de Direitos Humanos, o também petista Eduardo Suplicy? Mano Brown, claro. 

Por ordem de Haddad, Suplicy foi à delegacia solidarizar-se com o artista, antes, aliás, de qualquer apuração de sua conduta. E a moça que, enquanto estava no trabalho, foi vítima de estupro, crime hediondo? Nem Haddad, nem Suplicy, nem secretário nenhum sequer lhe telefonou para fingir solidariedade.

terça-feira, 24 de março de 2015

"Eu não sabia" joga PT e PSDB no mesmo saco

Por Josias de Souza, em seu blog.

Charges de AROEIRA.


"Eu não sabia" joga PT e PSDB no mesmo saco
Uma das visões mais partilhadas no Brasil em relação aos políticos é a de que são todos uns a cara esculpida e escarrada dos outros. Na linguagem do asfalto: farinha do mesmo saco. Em campanha, declaram-se capazes de tudo para melhorar a vida da coletividade. Eleitos, revelam-se incapazes de todo. Ao menor sinal de escândalo, recorrem a um mesmo e invariável axioma: “Eu não sabia!



Trata-se de uma desculpa multiuso. Serve para o Lula posar de inocente no mensalão do PT. Serve para o Azeredo se fingir de morto no mensalão do PSDB mineiro. Serve para Dilma reivindicar o papel de cega no petrolão. E passou a servir para que o Alckmin tente desembarcar do escândalo do cartel dos trens e do metrô de São Paulo.

Há dois dias, ganhou as manchetes a notícia de que a Justiça de São Paulo aceitou uma denúncia do Ministério Público sobre o cartel que operava sob as plumas do tucanato paulista. A encrenca envolve 11 empresas. São acusadas de se juntar num conluio para fraudar licitações e obter contratos da CPTM, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.




A promotoria pede que sejam devolvidos aos cofres públicos R$ 481 milhões —a cifra, ainda sujeita a correção monetária, corresponde ao valor dos contratos e a uma indenização por danos morais. As fraudes citadas no processo ocorreram entre 2000 e 2007. Na maior parte desse período, o governador era Alckmin. Só deixou o cargo em 2006, para ser derrotado por Lula numa peleja presidencial.

Alckmin, você sabe, já declarou que “não sabia” da tramóia. Se houve cartel, costuma dizer o governador tucano, o Estado é “vítima”. E vai buscar o ressarcimento. Levando-se em conta tudo o que já havia sido noticiado em 2008, o lero-lero do governador perde substância.



Naquele ano de 2008, autoridades francesas e suíças invadiram os porões da Alstom, outra empresa do cartel. Recolheram sólidos indícios de pagamentos de propinas pelo mundo, algumas delas no Brasil –parte em São Paulo, parte na esfera federal. Em 2009, Alckmin ocupou o cargo de secretário de Desenvolvimento de São Paulo, no governo do correligionário José Serra. Em 2010, reelegeu-se governador. E nada de varejar os contratos.

Além de ser uma impossibilidade genética, a tese segundo a qual todos os políticos são iguais é uma armadilha perigosa. Na prática, desobriga o eleitor. Se são todos iguais, para que votar? Numa democracia ideal, a chave do sucesso está na capacidade de distinguir as diferenças.



A democracia brasileira talvez comece a ser construída no dia em que a plateia se der conta do seguinte: governantes que nunca sabem de nada são tolos ou cúmplices. Em qualquer hipótese, comprar um carro usado na mão deles ou dar-lhes o voto são coisas muitos arriscadas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A indústria da multa vai muito bem, obrigado...

Por Joel Pinheiro. 
Postado no SPOTNIKS  em 22JAN2015

(*) Com suas particularidades, o Pilórdia acredita que este artigo deve ser extensivo a todas as prefeituras da grandes cidades brasileiras.

A indústria da multa vai muito bem, obrigado...
É costume brasileiro acusar o governo e empresas estatais de serem complacentes, ineficientes na geração de riqueza, de não inovarem, de ficarem sempre esperando o dinheiro cair das mãos do Estado. Pois saibam que esse definitivamente não é o caso da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, a CET. Trata-se de uma empresa cujo acionista majoritário é a Prefeitura (o restante acionistas privados) e que, mesmo assim, não para de inovar.

A CET, como qualquer empresa, precisa de dinheiro. Uma pequena parte dele (14%) entra por meio de serviços vários como venda de zona azul. Os 86% restantes vêm do Fundo Municipal para Desenvolvimento do Trânsito (FMDT), cujo dinheiro, por sua vez, vem das multas coletadas na cidade pela própria CET. Desse fundo, 67,5% volta para ela (como pagamento por serviços de engenharia) e o restante fica com a Prefeitura.

Arte de FAUSTO


A CET, portanto, não é daquelas empresas que ficam esperando dinheiro da Prefeitura. Ela dá dinheiro à Prefeitura. E o dinheiro dela não cai do céu; vem do trabalho duro e incansável de encontrar, autuar, multar e cobrar seus clientes, os motoristas e motociclistas da cidade. E não pense que é fácil! Ela tem que se desdobrar em criatividade e, principalmente, muito trabalho duro. A empresa não tem medo de inovar para cumprir cada vez melhor sua real missão: a coleta de multas.

A Prefeitura é parceira nessa história, posto que ela também compõe parte do seu orçamento com projeções (ou seriam projetos?) de multas. A meta de 2014 era R$ 1,2 bilhões; ainda não se sabe quanto é a de 2015, mas o certo é que ela nunca é revista para baixo.

Arte de ORLANDELLI


A pior coisa que pode acontecer para a CET é que os motoristas paulistanos se tornem rígidos conhecedores e seguidores das regras de trânsito. No dia em que isso ocorrer, a fonte seca. Por isso é sempre preciso mudar, inovar, surpreender os clientes com novidades inesperadas e que, se possível, dificultem seu movimento, aumentando a chance de novas infrações.


A criatividade começa na elaboração e na aplicação das regras de trânsito. Um sistema simples e liberal, com limites que se aproximem das velocidades naturais das vias e que permitam o fluxo contínuo de pessoas, não seria muito útil à arrecadação. É preciso aumentar as oportunidades de receita: semáforos (sinaleiras) por todo o lado, proibições de estacionar e parar, limites de velocidade bem abaixo do natural; e, talvez até mais importante, a constante mudanças dessas regras todas. 

Um dia é 70, outro 60, no outro 50 km/h. Se bem orquestrada, a mudança de velocidade de uma via importante pode gerar uma receita extra. Outra manobra sagaz, na mesma linha, foi mudar a tolerância dos radares sem comunicar à população; antes era de 10 km/h, depois passou para 7 km/h, sem aviso. As multas quase dobraram.

Arte de (?)


A sinalização também pode ajudar nesse sentido: quanto mais ambígua a extensão na qual uma placa vale, melhor. Às vezes pode fazer sentido deixar de fiscalizar uma área, acostumar as pessoas a descumprir a lei, e depois chegar de surpresa, colhendo as multas fáceis. É o que fazem com alguma frequência, por exemplo, na escola do meu filho. Na hora da saída, a maioria dos pais precisa parar, por um ou dois minutos, na frente da guia (meio fio) rebaixada de alguma das lojas de roupa da rua; os lojistas, ademais, não se importam, pois realmente não há outra opção. Para a CET, isso não importa; continua sendo infração. Por isso, volta e meia aparece um fiscal para colher a receita que é, por direito, da Companhia.



Um exemplo arrojado de experimentalismo foi visto há poucas semanas na região da Av. Paulista. Uma placa proibia o estacionamento de segunda a sábado apenas em determinados horários. A CET quis estender a proibição a todos os horários; e para marcar a mudança usou uma gambiarra: cobriu os antigos horários com um plástico preto.

Os motoristas, sem saber que aquele pedaço de saco de lixo colado em cima da placa consistia uma real mudança da regra, continuaram a parar nos horários em que antes eram permitidos. Indagado, um agente solícito explicou que, mesmo se a chuva derrubar alguns dos plásticos, continuam valendo as placas com a gambiarra em ordem.














A mudança no extintor de incêndio exigido nos carros, obra do governo federal, veio em boa hora. Todos sairão ganhando: os fabricantes do extintor, as redes de postos de gasolina que o vendem tiveram aumento de demanda, e – claro – a CET, que terá um robusto aumento nas receitas quando a data-limite chegar e nem todos tiverem comprado esse importante objeto da segurança veicular.

Mas nem só de vitórias é a trajetória da CET. Como toda empresa que vive e navega na selva do mercado, há investimentos que fracassam. Grandes ganhos trazem consigo grandes riscos. Foi o que infelizmente aconteceu no ano passado com o uso dos radares móveis.

Arte de (?)


Para tornar o trânsito de São Paulo mais lento, decidiu-se reduzir o limite de velocidade da Av. Paulista de 60 para 50 km/h. A avenida símbolo da cidade, ademais, não tem radares de velocidade. Pensando nessa carência, ao invés de instalar radares fixos, que precisam ser bem visíveis, a CET resolveu investir em radares portáteis, radares-pistola que os agentes carregam de forma mais discreta. Com a redução do limite (pouco sinalizada), a quantidade de carros em excesso de velocidade iria às alturas. Parecia lógico, assim, colocar fiscais na rua para emboscar motoristas e motociclistas.

Infelizmente, o plano não deu certo. As muitas antenas da avenida interferiram no funcionamento dos radares-pistola, e a receita deles caiu brutalmente. O número de multas advindas deles em 2014 foi 96% menor do que em 2013. São os percalços da vida; lições do capitalismo.

Arte de ORLANDELLI


Em todo o caso, o futuro da empresa é promissor. Só em 2014 o número total de multas subiu 4,5%. E ainda há muito o que crescer, como a instalação maciça de novos radares – inclusive escondidos em pontes e viadutos – vem mostrando. 

Isso para não falar em horizontes de ação totalmente novos, que exigirão a cooperação do governo em todas as suas instâncias. Chip em automóveis, chapa para as bicicletas; quem sabe até ressuscitar a velha multa para pedestre. O céu é o limite. 

Arte de AMARILDO


Com muita criatividade, fé e trabalho duro, a CET – e outros tantos braços da indústria da multa pelo país afora – segue sendo mestra na arte de extorquir a população de forma eficiente e total.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O verão brasileiro em 2015

Por Igor Gielow
Publicado na FOLHA em 10JAN2015


O verão da árvore
Como se habitasse algum círculo de inferno dantesco, o paulistano vislumbra, simbolicamente, morrer afogado e com sede. E 2015 trouxe um bônus: a agonia pode ser abreviada pela queda de uma árvore sobre sua cabeça.


by whatsapp
Pois é. A grande novidade do verão na maior metrópole do país é que árvores despencam de forma destruidora, às vezes fatal, a cada uma das chuvas torrenciais que trazem conhecidas enchentes (menos nos tais reservatórios secos).

É uma triste ponte entre a crise hídrica de Alckmin e a gestão Haddad, tão preocupada em formar o "homem novo" na marra – a versão século 21 dele vem com bicicleta e capacete, talvez pensando nos galhos à espreita que a prefeitura deixou de podar. Cereja do bolo, outro elo entre os mandatários, Gabriel Chalita, vai cuidar da educação na cidade.



Arte de ?


Invertendo a equação de que Brasília se faz microcosmo do Brasil, o verão da árvore é uma metáfora do que se passa no mundinho político.

Nele, a "Pátria educadora" vê o MEC ser tosado no primeiro corte do doutor Levy. O ajuste é inevitável, mas cabe questionar a tesourada linear quando cada pasta tem uma composição de gastos própria.




Arte de Aroeira

Tanto faz: o que vem pela frente é mais duro, a começar por investimentos. Como o ministro já disse, a gestão Dilma-1 tem de ser corrigida. Resta rezar para que a crise não nos afogue enquanto morremos de sede.

E há árvores, nesta semana encarnadas no combativo Eduardo Cunha. A disputa do deputado com o Planalto pela presidência da Câmara se parece cada vez mais com aquele filme de James Bond em que os jogadores de pôquer se enfrentam civilizadamente no carteado só para tentarem aniquilar-se mutuamente a cada intervalo. E a aposta só sobe.


Arte de Nani

Se por um lado surge como alvo da poda da Lava Jato, a cada lance Cunha se torna uma frondosa tipuana prestes a estatelar-se sobre o governo. O verão da árvore promete.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Manda a conta pro Lula

Corinthians empurra rombo do Itaquerão para prefeitura, mas Haddad rejeita
O Corinthians e a Odebrecht têm enfrentado rejeição do mercado para comprar os CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento) do Itaquerão, o que abre um rombo de R$ 405 milhões na conta do estádio. Assim, o clube e a construtora pediram à prefeitura de São Paulo que dê garantia de cobrir o valor caso os títulos não sejam vendidos. Só que o prefeito Fernando Haddad rejeitou a requisição e houve um racha entre corintianos e o município.

Foi a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab que se decidiu pela emissão dos CIDs para complementar o custo da arena corintiana, sede da abertura da Copa-2014. Seu preço final foi R$ 1,150 bilhão. E o clube venderia os títulos ao final da construção para devedores de ISS (Imposto Sobre Serviços), provavelmente bancos, que poderiam descontar o valor de seus débitos.

O problema é que empresas e bancos têm recusado a compra dos títulos porque não confiam na sua validade, o que é confirmado até por pessoa envolvida no projeto da arena. Um dos motivos é um questionamento judicial do Ministério Público Estadual em processo que alega ilegalidade dos CIDs por serem transferência de recurso público a entidade privada. “Estes títulos estão sub judice. O processo não tem sentença ainda, mas está andando'', contou o promotor de justiça Marcelo Camargo Milani.

Leia mais AQUI

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Maluf cobra proteção a Dilma Rousseff contra o MP de Nova York

Por Lara Rizério.

Maluf cobra proteção a Dilma Rousseff contra o MP de NY
Em entrevista à TV Brasil, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) cobrou proteção do governo de Dilma Rousseff contra o Ministério Público de Nova York, que o colocou na lista de procurados da Interpol e o acusa de crimes como roubo e lavagem de dinheiro. Vale ressaltar que, nesta semana, o deputado manifestou apoio à reeleição de Dilma à presidente em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo

Sponholz


O deputado afirmou que está disposto a contestar as afirmações da promotoria, mas que tem o direito de ser ouvido por autoridades nacionais e que o governo brasileiro deveria defender isso.
"Eu gostaria que o governo brasileiro protestasse junto ao Ministério Público de Nova York, para dizer: 'O Sr. Maluf está à disposição para falar, mas ele quer falar no seu país, de acordo com a lei brasileira'. Aqui não é quintal de ninguém", disse o congressista.

"É uma excrescência. O governo brasileiro tinha que proteger todos os brasileiros de uma agressão dessa", afirmou em entrevista ontem aos jornalistas Paulo Moreira Leite, Florestan Fernandes Júnior e Cynara Menezes no programa "Espaço Público". Ele destacou que quer ser ouvido por uma autoridade brasileira e que o processo tem que ser feito no Brasil. 

Claudio
 
No processo que corre no exterior, Maluf e seu filho Flávio são acusados de roubo, fraude e lavagem de dinheiro. Em 2007, o político teve a prisão decretada por desvio de R$ 26 milhões dos cofres públicos quando era prefeito de São Paulo, originado de desvios de obras entre 1993 e 1996. O valor teria sido extraviado e enviado para o exterior através do banco Safra. Porém, Maluf nega que tenha dinheiro no exterior .

Por causa desta ação, o nome de Maluf foi incluído em 2009 na lista de procurados da Interpol, que reúne polícias de 190 países. 

Benett
 
Tentando entrar em acordo
Os advogados do deputado Paulo Maluf (PP-SP) esperavam, no começo de maio, entrar em acordo com a Promotoria de Nova York, de forma a livrar o político da cadeia caso ele viaje para o exterior, através de um acordo no valor de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 2,2 milhões, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo. Desde 2007, há uma ordem de prisão preventiva contra Maluf.
O político entregaria até mesmo um anel de sua esposa, Sylvia Maluf, avaliado em US$ 250 mil (R$ 557 mil). O anel de rubi e diamantes foi enviado para leilão nos EUA, mas foi apreendido por promotores. 
 

Paulo Maluf numa entrevista ao programa Pânico
Conforme aponta o documento ao qual o jornal teve acesso, o político "teria que se declarar culpado de um crime relacionado com uma conta bancária criada em Nova York, no banco que foi canal para o movimento de fundos roubados".

De acordo com promotores de São Paulo, o valor que passou por Nova York foi apenas uma pequena fração do montante desviado por Maluf, que totaliza US$ 340 milhões - R$ 758 milhões - de duas grandes obras que ele realizou como prefeito: o túnel Ayrton Senna e atual avenida Roberto Marinho.

Fonte - Infomoney

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A bêbada da BAND perde na justiça

A Band não deve indenizar por danos morais uma mulher que, embriagada e em via pública, concedeu entrevista a repórter da emissora, a qual foi veiculada nos programas "Brasil Urgente" e "Jornal da Band". A 4ª câmara de Direito Privado do TJ/SP, por maioria, negou provimento ao recurso da mulhebum. 

A mulher alega que voltava para sua residência, em estado de total embriaguez, quando foi abordada por um repórter da Band que lhe perguntou sobre o jogador Neymar, apresentando a música "Ai se eu te pego" e, posteriormente, "Eu quero Tchu eu quero Tchá". Segundo ela, a reportagem com sua entrevista foi exibida por diversas vezes, ficando conhecida como a "Bêbada da Band", contudo, em nenhum momento teria autorizado a veiculação da entrevista. Por este motivo, pedia indenização de R$ 50 mil por danos morais.


Ao analisar o caso, o relator, desembargador Natan Zelinschi de Arruda disse que é importante salientar que a entrevista ocorreu na via pública e, "além disso, a recorrente não efetuou nenhuma ressalva no momento dos fatos, consequentemente, existe autorização tácita para a veiculação da matéria."

Para o magistrado, se a mulher vem sendo conhecida como "Bêbada da Band", a emissora "não teve nenhuma participação no estado etílico que a requerente apregoa se encontrar na ocasião".
"Registre-se que a veiculação da entrevista se deu em programa compatível, uma vez que abrange aspectos popularescos, o que, por si só, descaracteriza afronta à dignidade da pessoa humana ou exposição à situação vexatória."

Vi no Migalhas

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
Água vem do ribeirão.

domingo, 22 de abril de 2012

SP também teve sua torre inclinada

Voce sabia que...

O texto (e a imagem) abaixo foi inteiramente transcrito do surpreendente blog Quando a cidade era mais gentil que descobri fuçando o blog do Flávio Gomes atrás de notícias de F1.

Marcão, esse post é para vc.

...  São Paulo já teve a sua Torre de Pisa? 


Não tão conhecida como a original (hoje em dia quase ninguém sabe que ela existiu), nem tão antiga (durou apenas 25 anos, construída em 1874 e demolida em 1900), nem tão bonita (era neoclássica, vetusta e pesada), mas tão inclinada quanto, como dá pra ver na única foto que restou dela, de autor e data desconhecidos.



Ficava no parque da Luz e, com seus 20 metros de altura, foi no seu tempo o prédio mais alto da cidade.

Antecipando em 77 anos o que aconteceria com o buraco do Adhemar, ganhou um apelido carinhoso da população em homenagem ao presidente da Província que a tinha mandado construir. Chamava-se “canudo do João Teodoro”.

Não se sabe ao certo para que João Teodoro inventou de fazê-la. Talvez tenha sido para servir de mirante. Parece que em cima dela chegou a funcionar um observatório meteorológico, mas não há muita certeza.

E também é incerta a razão pela qual o prefeito Antônio Prado mandou derrubá-la. Dizem que foi para que não competisse em imponência com a torre da estação da Luz, recém-construída ali em frente. Mas não deve ter sido isso. Meu palpite é que foi demolida porque ia cair mesmo, torta daquele jeito.

O que se sabe com certeza é que, exatos 100 anos depois da demolição, ela voltou a dar o ar da graça. No ano 2000, durante uma obra no parque, os operários que escavavam o solo esbarraram em umas pedras. Foi-se ver o que era, e eram as fundações da torre retornando “à luz” (desculpem, não resisti ao trocadilho). 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Trem das Onze - uma história

Baú do Pilórdia - Postado em 26/12/2010

por tras da letra

Não posso ficar
Nem mais um minuto com você
Sinto muito amor
Mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã
E além disso mulher
Tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Sou filho único
Tenho minha casa pra olhar

Com todo o respeito a Rita Lee e ao compositor baiano, a mais completa tradução de Sampa chama-se Adoniran Barbosa. Para muitos, "Trem das Onze" é a mais completa tradução de Adoniran. Ledo engano.

Primeiro porque o compositor morria de medo de andar de trem - temia ficar preso entre as portas quando estas se fechassem. De outra parte, Adoniran se caracterizara por adotar em suas canções a linguagem popular, compondo em português errado. O compositor se defendia: "Não adianta querer falar errado. Tem que saber falar errado".



O certo é que "Trem das Onze", que ganhou o primeiro prêmio no concurso de músicas de carnaval no 4º Centenário da cidade do Rio de Janeiro com o grupo Demônios da Garoa, em 1964, saiu sem erros de português. Exceto um.

Várias das canções de Adoniran homenageavam bairros e ruas da cidade que ele, boêmio inveterado, se gabava por conhecer pessoalmente. De fato, conhecia São Paulo como poucos, mas conta o compositor e biólogo Paulo Vanzolini, outra fiel tradução da Paulicéia, que no Jaçanã ninguém diz "em Jaçanã", como está em "Trem das Onze". Todos falam "no Jaçanã". Foi tirar satisfação e ouviu do amigo: "E eu lá sei onde é essa porcaria."

Parece que, apesar da foto acima, o Jaçanã Adoniran não conhecia tão bem.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

FEBEAPÁ em Sampa

Por Juca Kfouri



O Festival de Besteiras que Assola o País parece que não vai acabar nunca.
Como se sabe, a Câmara Municipal de São Paulo está em vias de aprovar uma lei que proibe jogos de futebol depois das 23h15 na capital paulistana. O projeto é sensível à bronca geral e irrestrita de quem gosta de ir aos estádios porque, de fato, jogos às 21h50 são um porre.

O projeto, no entanto, parece ser mais uma demagogia, ou daquelas coisas em que os políticos impõem dificuldades para vender facilidades depois. Porque qual é a grande diferença entre um jogo acabar às 23h30 e às 23h15?




E se, às 23h15, no fim do tempo regulamentar, for necessário bater pênaltis para decidir um jogo?


Mas o fato é que a insistência antipática da Globo em fazer futebol depois da novela acabou por permitir essas coisas.

E quem está contra?
O presidente do Palmeiras, por exemplo, está.


E com que argumento?

Frágeis, principalmente para quem lê Jean-Paul Sartre. Ele diz que essas coisas não podem ser impostas de cima para baixo.



Cumé?!

Os vereadores não são os representantes do povo? De cima para baixo seria se por decreto, jamais por uma lei.



O cartola diz, ainda, que há um contrato com a TV. E daí? A existência de contratos impede que se façam leis que, por exemplo, os proibam. Ou não existiam contratos de 12 horas de trabalho quando se legislou que a jornada seria de, no máximo, oito horas?


Para quem falava contra os monopólios, o presidente alviverde está pisoteando sem pena em sua biografia.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A falta de ambição...

Por Fabio Kadow, em seu Jogo de Negócios

A falta de ambição internacional dos clubes brasileiros
Enquanto os quatro grandes de São Paulo não despertam para a o processo de internacionalização das suas marcas, como ficou claro recentemente ao desistirem de participar de um torneio amistoso nos EUA durante o período de Copa do Mundo por acreditarem que podem receber mais dinheiro com possíveis jogos no nordeste brasileiro, o Manchester United dá o exemplo e confirmou que no mês de julho, apenas cinco dias após a Copa, fará quatro jogos na América do Norte, sendo um no Canadá e outros três nos EUA.

Apesar da Traffic ter feito toda a negociação para um torneio que reuniria também Boca Jrs e River Plate, que já haviam aceitado, mais um time mexicano e outro norte-americano, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos preferiram dar as costas para aquele mercado, que, como os números comprovam, não para de crescer. Julio Mariz, executivo da Traffic, confirmou em suas declarações que ninguém conhece os times brasileiros por lá e o Boca Jrs é o único com alguma representatividade.



Diversos clubes grandes europeus têm visitado a América do Norte nos últimos anos para a realização de amistosos e compromissos comerciais, sempre ressaltando a importância desses acordos, como fez o Barcelona recentemente. Para Alex Ferguson, o admirado técnico e manager do Manchester United, “será um prazer voltar aos EUA, principalmente em um ano de Copa do Mundo, quando o interesse pelo esporte vai estar ainda mais alto.” Pena que nossos dirigentes apenas o admiram na teoria e pouco na prática.