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domingo, 20 de março de 2016

Por que nos EUA não tem batucada?

Memória Musical

Por que nos EUA não tem batucada?
Não é curioso que os Estados Unidos não usem tambores em sua música como todos os outros países que tiveram mão-de-obra escrava vinda da África? Por que a música dos negros norte-americanos é tão diferente da música brasileira, de Cuba, do Caribe? Onde foram parar os tambores? Cadê a batucada?



Pense em todos os grandes ídolos da música afro-americana: Charlie “Bird” Parker tocava sax. Louis Armstrong tocava trompete. Nina Simone tocava piano, assim como Stevie Wonder e Ray Charles. Miles Davis tocava trompete. E Wynton Marsalis, idem. Robert Johnson tocava guitarra. Chuck Berry, idem. Leadbelly tocava um violão de 12 cordas.

Os negros chegaram aos EUA vindos, em sua maioria, de regiões que hoje se conhecem como Senegal, Gâmbia, Nigéria, Camarões, Namíbia, Congo, Angola e Costa do Marfim. Os negros brasileiros vieram de Moçambique, do Benin, da Nigéria, e também de Angola, Congo e da Costa do Marfim. Com todas as diferenças existentes entre estas nações africanas, todas elas faziam uso de tambores com fins musicais e de comunicação. Por que então nós temos o samba e os gringos não? Por que não tem atabaque, agogô e cuíca na música afro-americana e sim saxofone, clarinete, trompete, instrumentos “de brancos” que os negros, aliás, aprenderam a tocar com maestria? 



Simplesmente porque os tambores foram proibidos na terra do tio Sam durante mais de 100 anos.

No dia 9 de setembro de 1739, um domingo, em uma localidade próxima a Charleston, na Carolina do Sul, um grupo de escravos iniciou uma marcha gritando por liberdade, liderados por um angolano chamado Jemmy (ou Cato). Ninguém sabe o que detonou a rebelião, conhecida como a “Insurreição de Stono” (por causa do rio Stono) e que é considerada a primeira revolta de escravos nos EUA. Conta-se que eles entraram numa loja de armas e munição, se armaram e mataram os dois brancos empregados do lugar. Também mataram um senhor de escravos e seus filhos e queimaram sua casa. Cerca de 25 brancos foram assassinados no total. Os rebeldes acabaram mortos em um tiroteio com os brancos ou foram recapturados e executados nos meses seguintes.



A reação dos senhores foi severa. O governo da Carolina do Sul baixou o “Ato Negro” (Negro Act) em 1740, trazendo uma série de proibições: os escravos foram proibidos de plantar seus próprios alimentos, de aprender a ler e escrever, de se reunir em grupos, de usar boas roupas, de matar qualquer pessoa “mais branca” que eles e especialmente de incitar a rebelião. Como os brancos suspeitavam que os tambores eram utilizados como uma forma de comunicação pelos negros, foram sumariamente vetados. “Fica proibido bater tambores, soprar cornetas ou qualquer instrumento que cause barulho”, diz o texto.

A proibição se espalhou pelo país e só foi abolida após a guerra civil, mais de um século depois, em 1866. Antes disso, o único lugar onde os negros podiam se reunir com certa liberdade eram as igrejas; daí o surgimento dos spirituals, a música gospel, com letras inspiradas pela Bíblia, que eles cantavam muitas vezes à capela (sem instrumentos) ou marcando o ritmo com palmas. As mãos batendo no corpo e os pés batendo no chão foram os substitutos que os escravos encontraram para os tambores, resultando em formas de dança e música conhecidas como “pattin’ juba”, “hambone” e “tap dance” (sapateado), ainda hoje utilizados por artistas negros (e também brancos) dos EUA.




“Os tambores ‘falantes’ africanos interagiam com os dançarinos utilizando diferentes ritmos, assim como comunicando mensagens através dos tons e batidas. Os tocadores de tambor podiam fazer seus instrumentos ‘falarem’ sons específicos, de forma que a percussão constituía um texto sonoro. A musicalidade de várias palavras africanas era tão precisa que elas podiam ser escritas como notas musicais. Os escravos levaram estes ritmos e o uso destas técnicas para a América”, diz o coreógrafo norte-americano Mark Knowles, autor do livro Tap Roots: the Early History of Tap Dance.



Os brancos sabiam que as rebeliões de escravos eram organizadas durante encontros que envolviam dança e que a cadência dos tambores podia ser um convite à insurreição, com o uso dos tambores falantes. “Proibidos os tambores, o corpo humano, o mais primitivo de todos os instrumentos, se tornou a principal forma de ritmo e de comunicação entre os escravos. “Usando o corpo como percussão, em uma tentativa de imitar os sofisticados ritmos e cadências dos tambores, com o elaborado uso de batidas dos saltos e do bico do sapato, surgiu o que chamamos de ‘tap dance’. Mesmo hoje em dia, quando dois sapateadores mantêm uma conversação com seus pés, é como se estivessem telegrafando mensagens, como faziam originalmente os tambores africanos”, afirma Knowles.



Alguns estudiosos atribuem ao banimento dos tambores o fato de a música dos EUA em geral não ser tão rica em compassos como a sul-americana ou a caribenha. 

Há uma coisa peculiar que quase toda a música norte-americana tem em comum: uma extensa ênfase em um mesmo ritmo, muito diferente da encontrada em qualquer outro lugar no mundo. É assim: Boom – Bap – Boom – Bap, com um bumbo na primeira e terceira batidas, ou em todas as quatro, uma caixa precisamente na segunda e quarta, e quase nada entre elas. Este ritmo é chamado de ‘duple’ (compasso binário) em teoria musical, e você pode encontrar variações dele em todos os estilos da música americana popular moderna: Blues, Motown, Soul, Funk, Rock, Disco, Hip Hop, House, Pop, e muito mais”, diz o DJ Zhao.



O predomínio generalizado deste monorritmo simplificado, rígido e mecânico, minimizando elementos polirrítmicos na música para o papel de embelezamento, às vezes ao ponto de não-existência, é muito diferente do foco em polirritmos complexos que existe em várias formas da moderna música sul-americana e caribenha: o Son Cubano e a Rumba, a Bossa Nova brasileira, o Gwo Ka e Compas haitiano, o Calipso de Trindade e Tobago… Nenhum deles depende tão extensivamente do duple.”

Em sua autobiografia, To be or Not… to Bop, o trompetista Dizzy Gillespie atribui esta menor complexidade rítmica da música afro-americana em relação à música afro latino-americana à proibição dos tambores. “Os ingleses, ao contrário dos espanhóis, tiraram nossos tambores”, lamenta Gillespie (leia mais aqui). Em meados da década de 1940, muitos congueros (tocadores de conga, espécie de atabaque) migraram para os Estados Unidos e exerceram influência na música local, criando o jazz afro-cubano. Gillespie colocou a conga do cubano Chano Pozo em sua música e a parceria resultou em Manteca (1947), canção pioneira por introduzir percussão cubana no jazz.






Nos rincões do Mississippi, driblou-se a proibição dos tambores com bandas de flautas e tarol (caixa), instrumentos que eram aceitos e inclusive tocados no Exército durante a guerra civil. Em 1942, o folclorista Alan Lomax gravou pela primeira vez gente como Othar Turner e Ed e Lonnie Young, cuja sonoridade esbanja ancestralidade, soa a África e foi comparada à música haitiana. É o mais próximo de uma batucada que encontrei na música negra dos EUA. Não parece meio maracatu?





Enquanto nos Estados protestantes os tambores eram banidos, na católica Louisiana eles foram permitidos até o século 19 e eram utilizados sobretudo nas cerimônias de vodu, religião afro-americana levada para os EUA pelos escravos do Benin, antigo Daomé – de onde vieram também a maioria dos negros da Bahia. Assim como em Salvador, havia muito sincretismo em New Orleans até começar a perseguição ao vodu e por conseguinte aos tambores.




A partir de 1850 o uso de tambores passou a ser restringido até mesmo na Congo Square, uma praça da cidade onde tradicionalmente os negros se reuniam para tocar tambores, dançar e entrar em transe espiritual ao som de música. Nos anos 1970 a praça foi reabilitada e até hoje rola um batuque de primeira por lá.



Apesar desta “percussofobia”, como alguns chamam, a música negra dos EUA é maravilhosa, sem sombra de dúvidas. Mas como seria ela se os tambores não tivessem sido proibidos? Mais parecida com a brasileira? 



Nunca saberemos.

Fonte principal socialista morena

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Voce conhece o Ritual do Cuspe?

Você aprendeu que cuspir nas pessoas é uma tremenda falta de respeito, mas sabia que  na África, de uma ponta a outra do continente negro,  não é assim?


Exemplo: Entre o povo Masai,  uma forma de saudação é cuspir uns aos outros, além de que, quando uma criança nasce, a forma de "batismo" adotada pela tribo é o bebê ser cuspido, pelos homens da tribo.

Estão achando estranho? 
Então leiam abaixo:

A saliva e o poder do cuspe

A saliva é um dos mais versáteis, importantes e complexos fluídos do corpo humano e animal. Ela supre um largo espectro das necessidades fisiológicas e defensivas do organismo. Suas propriedades são essenciais para a lubrificação das cavidades buco-faringo-laringológicas (mastigação, deglutição, beijo, sexo, fala e começo da digestão).

Além de umedecer todos os tecidos moles e duros da cavidade bucal, a saliva tem funções de destaque no controle das quantidades de água no organismo. Quando a boca fica seca, há manifestação de sede - é o corpo necessitando de água.

Em condições normais o organismo humano produz de 1 a 2 litros de saliva por dia. A saliva reduz a acidez bucal , previne das cáries e de outras lesões e enfermidades bucais.

Muitos grupos sociais primitivos e indígenas, por não terem hábitos perniciosos como o consumo excessivo de açúcar, de álcool , de fumo e de medicamentos, têm uma saliva de melhor qualidade e menor acidez e conseqüentemente menos cáries, menos problemas periodontais e menos problemas gastrointestinais e disfuncionais da deglutição e digestão.



A saliva contém uma enzima chamada lisozima (a mesma encontrada nas lágrimas), dotada de poder bactericida e cicatrizante. Os animais quando feridos, lambem suas feridas e, graças a esta lisozima, o processo de cicatrização é acelerado.

O cuspe é símbolo de criatividade e também de destruição.  A saliva é considerada uma secreção com poderes mágicos ou sobrenaturais que cura ou corrompe, que une ou dissolve, que adula ou insulta (Cf. Dictionnaire des symboles, de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Paris: Robert Laffont / Jupiter, 1982, s.v.).

Na década de 40 andou pelo agreste e zona da mata de Pernambuco um cidadão que se dizia médico e que aplicava injeções de saliva para curar determinadas doenças. A saliva tinha que ser de uma criança.

Entre os Bakitaras (tribo africana), os pais de gêmeos ficam afastados (sem relações sexuais) por dois anos, este período de drenagem, tornam-o possuidores de uma benção particular, às pessoas próximas, eles cospem na mão e esfregam as testas destas pessoas com esta saliva para proporcionar felicidades.





Os Lulua abençoam os recém-nascidos cuspindo saliva na cabeça dele, e entre eles é bem difundido o ritual de cuspir saliva no chão em ordem a abençoar uma sobrinha para prosperar ou recuperar uma doença séria, cospem-se também nas pernas das crianças para ajuda-la a andar (Hermann Hochegger – A importância ritual do pai – Cap I)




Entre os Benga, formulam o rito “Tuwaka” = Cuspir, palavra que também significa abençoarpara pronunciar esta benção expulsa violentamente a respiração à mão ou à cabeça da pessoa a ser santificada de uma maneira tão próxima que a saliva tem que espirrar sobre os mesmos;



Parentes ao se ausentarem por algum tempo em uma cerimônia elaborada, para se despedir, cospem-se nas faces e cabeças um ao outro e também apanham lâminas de grama, cospem nelas e os aderem sobre a cabeça da pessoa amada.

No Gabão para se implorar sobre uma deficiência cospe-se na pessoa depois de ter mastigado os talos de mokosa (planta local), para abençoar uma noiva - os que assistem cospem o suco da mokosa em sua cabeça, para abençoar as suas crianças - a pessoa cospe na cabeça ou na palma das duas mãos destes enquanto dizem “paz e boa saúde ”.





Entre os Lubas de Zaire (atual Congo) juram juridicamente pelo cuspe. O gesto para cuspir acompanha o juramento com a verdade, a sinceridade e a pureza daquele que o diz ou da pessoa que o faz. O gesto para cuspir é então um símbolo da verdade, a franqueza e a sinceridade / pureza.

Este gesto ritual de cuspir se agrega aos camdomblés, quando borrifamos bebidas em algumas ocasiões e em especial quando mascamos a noz divina e levamos sobre as cabeças num gesto tão divinal que nos faz rever dos conceitos que não devemos cuspir pro alto nem ao menos no prato que comemos.

Existem muitos outros costumes entre os povos africanos que suprimí deste post para que este não se alongasse além da conta.

Lembro ainda que aqui em Salvador quando criança, ao desafiarmos alguém para uma briga cuspíamos no chão e com o pé fazíamos uma linha divisória ou risco ao mesmo tempo que lançávamos o desafio para o outro - "Pise aqui se fôr homem" , se o outro pisasse a briga acontecia.

São apenas costumes. 
'As vezes estranhos é verdade,
 mas apenas costumes.





Fontes consultadas JoeySujo EstudosBanto / ImagensGoogle / wikipedia


Postado originalmente em 08AGO2010 (1.144)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Na África, bichos de estimação são assim:



yeeta

Basenji, o cão que não late!

Basenji, o cão que não late!



A raça Basenji remonta aos tempos dos faraós e Egito antigo. Eram cultuados como cães sagrados, uma vez que acreditavam que os cães acompanhavam os mortos ao Além.



Apenas no final do séc. XIX foi que os ocidentais, no caso os ingleses, os descobríram na região do Congo onde os nativos os utilizavam como cães de caça.

O Basenji é considerado um cão de comportamento felino porque além de não latir, costuma  lamber-se para se manter limpo como também possui uma personalidade bastante independente, desde que seus ancestrais caçavam sozinhos sem depender da decisão ninguem.


A raça não está acostumada a esperar  um comando antes de tomar sua decisão, tais como cães utilizados para a guarda ou  pastoreio.  Pois para o Basenjis  sobreviver na selva, eles tinham apenas sua inteligência para ser mais esperto que qualquer situação que se apresentasse, geralmente de vida ou morte na forma de um animal selvagem de maior porte.




Por não latir 'a maneira das demais raças caninas ele é considerado como o "barkless" da África, ou seja, o cão mudo.

Devido 'a estrutura de suas cordas vocais que são similares às encontradas nos cães primitivos, como os lobos e dingos, os Basenjis emitem um uivo prolongado e muito agudo. Mas ele pode imitar o latido de outro cão.



No entanto, o Basenji não é para todos. Não são conhecidos por ser um cão de família obediente. Eles são muito inteligentes, mas ao modo deles.
 
Fontes consultadas bleedingeyeballs / hicotn /basenji / mdig

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Monarquia na África - Parte VI

Oba Joseph Adekola Ogunoye
Olowo of Owo - Nigeria


Aliyu Mustapha
Lamido of Adamawa - Nigeria

Bouba Abdoulaye
Sultan of Rey-Bouba - Cameroun


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Fonte Yeeta/DanielLaine

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Monarquia na África - Parte V

Salomon Igbinoghodua
Oba Erediauwa of Bénin - Nigeria


El Hadji Mamadou Kabir Usman
Emir of Katsina - Nigeria

Goodwill Zwelethini

King of Zulu - South Africa

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Monarquia na África - Parte IV

Agboli-Agbo Dedjlani
King of Abomey - Benin



El Hadj Seidou Njimoluh Njoya
Sultan of Fumban and Mfon of the Bamun - Cameroun

Isienwenro James Iyoha Inneh

Ekegbian of Bénin - Nigeria

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Fonte yeeta / DanielLaine

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Monarquia na África - Parte III

Igwe Kenneth Nnaji Onyemaeke Orizu III
Obie Of Nnewi - Nigeria


Nyimi Kok Mmabiintosh III
King of Kuba - D. R. Congo

Hapi - IV
King of Bana - Cameroun



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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Monarquia na África - Parte II

Halidou Sali / Hamido of Bibemi - Cameroun


Abubaka Sidiq / Sultan Of Sokoto - Nigeria

Oseadeeyo Addo Dankwa III

King Of Akropong - Akuapem - Ghana



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Fonte yeeta / DanielLaine

domingo, 16 de agosto de 2009