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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Mais de 500 ratos


Garimpado por Sebastião Cunha

Por Miguezim da Princesa
Mais de 500 ratos

Arte de BRUM


No Congresso Nacional,
Eu fiquei estupefato
Quando pulou para fora
De uma caixa de sapato
Uma família composta
De mais de 500 ratos.


Rato branco, rato preto,
O pai e a mãe do rato,
O rato ruim e o bom,
O revoltoso e o pacato
Para verem o tesoureiro
Depondo na Lavajato.


Tinha rato de batina,
Vi um rato de trabuco,
Um rato todo engomado,
Outro drogado e maluco,
Um rato gordo paulista
E um magro de Pernambuco.


Surgiu um rato baiano
De passado pefelista,
Que era da ala direita
Da agremiação carlista,
Usando um broche vermelho,
Dizendo: ”Samo petista!”


Saltou um rato perneta,
Cunhado de Ferrabraz,
Que já foi ladrão de bodes
Lá pelas Minas Gerais,
Defendendo o monopólio
Pra sempre da Petrobrás.


Cento e vinte de gravatas,
Cinquenta de paletó,
Oitenta cafetinando,
Vinte cheirando loló,
A metade camuflando
A bufunfaria do pó.


Um rato disse: “Eu sou demo!”;
Dois disseram: “Eu sou PT!”
Chegou um rato peitudo,
Líder do MDB,
Que já mandou na Arena
E ainda manda em você.


Havia um rato com emenda
Pronta para apresentar,
Trocou numa lasca de queijo
De coalho do Ceará
E numa lata de doce
Das bandas do Paraná.


Tinha um rato disfarçado,
Com penas a esvoaçar,
Dizendo que era da base
Mais firme parlamentar,
Descobriram: era um tucano
Querendo se aproveitar.


Os ratos se esparramaram
Na paisagem e na mobília.
Depois que comeram o queijo,
Num lauto almoço em família,
Sumiram pelos buracos
Na imensidão de Brasília!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dia de Poesia!


ILÊ-ATITUDE
Miguezim de Princesa

Como pode o suingue de um bloco
Espalhar alegria onde há tristeza
E levar para o mundo em close e foco
Um imenso repertório de beleza?

É a força de todo um continente
Concentrada em canto de magia
O riso largo de toda essa gente
Tem a marca e a força da poesia.

Poesia-luta que não se acovarda,
A liberdade que falta mas não tarda
A cantar a canção de um novo dia.

E viva o Ilê Aiyê da negritude:
A marca singular de atitude,
A resistência ímpar da Bahia.
Recanto das Letras

sábado, 14 de novembro de 2009

Uma burca para Geisy

UMA BURCA PARA GEISY
Miguezim de Princesa

I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"

III

Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

IV

Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V

Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"

VI

A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

VII

Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

VIII

O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

IX

E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

X

Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.
 
Enviado por André Carvalho