Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa que atua juntamente com Sergio Moro. Tem 34 anos e é especialista em apurar crimes financeiros. Procurador da República desde 2002, é formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e fez mestrado na escola de Direito de Harvard Law School.
Ingressou no MPF com 22 anos se tornou o segundo procurador mais jovem a ser admitido no órgão. No mesmo ano foi aprovado em segundo lugar em concurso para juiz substituto no Paraná, e em primeiro lugar em concurso para promotor de Justiça.
"Contra Lava Jato,
investigados pediram 205 habeas corpus,
mas ganharam apenas dois"
No currículo, mais de 200 horas de cursos sobre lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, técnicas de denúncia, dentre outros. No Twitter, https://twitter.com/deltanmd
O procurador do Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas da União, Júlio Marcelo de Oliveira, é um dos bravos combatentes da República Federativa do Brasil.
Entre outras coisas, graças a ele e aos que trabalham no seu gabinete, o TCU reconheceu a ilegalidade das pedaladas fiscais, o que pode encurtar o caminho para o impeachment de Dilma Rousseff.
Júlio Marcelo de Oliveira agora está no Twitter. O seu endereço é @JMarcelo1000
O Antagonista vai segui-lo e apoiá-lo na rede social e convida os seus leitores a fazê-lo também.
Lily Litvak, apesar de não ter o marketing histórico da Amélia Earhart, é considerada o mais famoso piloto feminino de todos os tempos. Ela pilotou com destreza durante a II Guerra Mundial e abateu doze aviões alemães em batalhas aéreas com apenas 22 anos. Lily ficou conhecida como a “Rosa Branca de Stalingrado” e foi condecorada pela coragem que demonstrou defendendo seu país.
Lidya Vladimirovna litvak nasceu em Moscou, Rússia, em 18 de agosto de 1921. Aos quinze anos fez seu primeiro vôo solo. Quando começou a Segunda Guerra Mundial, decidiu entrar na batalha. Com rosas brancas pintadas nas laterais de seu avião de combate Yak-1, foi o pesadelo dos pilotos alemães. Lily foi, literalmente, caçada nos céus pelos nazistas que estavam decididos a ter sua vingança sobre esta mulher judia russa que havia derrotado os seus camaradas tantas vezes antes.
Na verdade Lily litvak representou uma geração de mulheres destemidas. Como ela, muitas outras mulheres foram integradas com os homens em unidades da aviação. Por exemplo, em 1944, milhares de meninas entraram na guerra como pilotos. Contrariaram as suspeitas e piadas masculinas com coragem e habilidade e obtiveram uma média inigualável. Ganharam ordens e medalhas e detiveram 29 títulos de Heroinas da União Soviética.
No fim, numa das mais insanas batalhas, a loirinha de tenra idade foi vista entre oito aeronaves alemãs, perseguindo e sendo perseguida. Após derrubar alguns caças inimigos, foi abatida. A Rússia chorou sua morte. Apesar de buscas intensas o corpo dela foi perdido por várias décadas. Finalmente, em 1979, ela foi encontrada, enterrada abaixo da asa de sua aeronave.
Monumento na Ucrânia onde teria sido a batalha final.
Durante o seu funeral oficial de Estado em maio de 1990, o Presidente Mikhail Gorbachev condecorou-a com a honraria Heroina da União Soviética e a Estrela de Ouro. Embora tenha lutado e morrido sozinha, a saga de Lilya Litvak é a mais linda história da aviação mundial.
Na verdade Lily foi uma das poucas que puderam pilotar caças de alta-performance no front russo. A maioria dos “bons” caças foi retirada da defesa da linha de frente russa para defender a Capital – Moscou – e outros alvos estratégicos mais ao interior do território russo (fábricas, sede de governo, o governo em si…)
A principal linha de defesa aérea russa era de antiquados biplanos, lentos e extremamente frágeis, fabricados ainda em conceitos antiquados, e eram sempre pilotados por mulheres.
Foram deixadas para trás nas bases da linha de frente pois eram consideradas pilotos de 2ª linha, quase descartáveis e tinham a missão de retardar o avanço alemão, os russos não queriam perder seus melhores pilotos no primeiro momento de batalha.
Honraram a farda! Mesmo com aviões deficientes, emboscaram e derrubaram muitos aviões de transporte, bombardeiros, e até mesmo alguns caças desprevenidos, o indice de baixa era minimo e em algumas bases quase que nenhuma baixa mortal e inflingiram verdadeiro terror entre as tropas terrestres!
Quando derrubadas eram dadas como mortas pois todos sabiam que as aeronaves que pilotavam não podiam enfrentar caças mas aconteceu muitas vezes aparecerem dias depois em suas bases surpreendendo a todos. A explicação? é que quando atacadas e atingidas por fogo inimigo tratavam de ir logo para o solo e tentar aterrisar – geralmente dava certo.
Uma deles conseguiu mesmo aterrisar e entrar dentro de um bosque sã e salva com seu avião fugindo de um caça.
* O Começo: Pelé não nasceu, Pelé foi composto. Deus fez Pelé e jogou a forma fora (sabe-se que do lixo Satanás recuperou a forma e usou posteriormente para criação do Maradona).
(Pelé luta pelado contra Darth Vader
dentro de uma mina de carvão na África à noite.)
(Pelé em um momento duvidoso, epa, descontraído)
(Pelé fazendo pontinhos com sua assinatura)
* O nome: Quando a mãe do rei estava prenhe tentou registrar seu filho antes de nascer, o nome escolhido era Edson (em homenagem ao Edson Cordeiro ao qual ela era fã), mas o carinha do cartório não permitiu. Após o rebento ter dado as caras, lá foi ela de novo ao cartório:
- Seu Clarisbadeu (esse era o nome do renegado), ói eu de volta;
- Vamu lá, o nome é Edson, né não?
- Não, Edson "Era Antes" do Nascimento? o nome vai ser Pelé.
Porém, nos idos de 1845 quando Pelé começou a jogar, o escrevente da então CBD, além achou que Pelé somente, sem sobrenome era anotação da cútis (a "pele") do jogador e copiou erroneamente a frase proferida por sua mãe como o nome dele. Felizmente o destino se encarregou de fazer justiça e colocar na posteridade o nome correto do jogador e por tudo isso, Pelé se refere "ao Edson" como se fosse outra pessoa.
(Pelé mentindo sobre o tamanho)
(Pelé sendo mais realista)
Frases sobre Pelé:
- É desse jeito, gente fina, entende?! Pelé sobre ele mesmo
- Eu vi a coisa preta! Xuxa sobre Pelé
- Merda!!! Vamos perder essa copa!!! Qualquer time que Pelé apontou como favorito
- O Pelé calado é um poeta... Romário sobre Pelé
- Jamais deixei de ver um jogo dele. Stevie Wonder sobre Pelé
- O nome dele é Pelé desde que nasceu, "Edson" era antes do nascimento. Mãe do Pelé sobre Pelé
- Fale com seu médico. Eu falaria! Pelé sobre usuários de Viagra
(Pelé quebrando mais um recorde)
- Eu cutuco, eu fecho o microfone dele e ele abre de novo porra! Galvão Bueno sobre Pelé
(veja o vídeo abaixo - ambos os dois na Copa do mundo de 1994)
* O desciclopedia foi uma mão na roda neste Especial.
Liz Calder é co-fundadora da gigante Bloomsbury Publishing, elogiada pelo impecável faro literário. Salman Rushdie, Anita Brookner’s, ambos vencedores do Booker Prize e J.K. Rowling, criadora do bruxinho Harry Potter, por exemplo, são algumas das suas descobertas. Entre os brasileiros é mais conhecida pela realização da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP).
Na verdade, Liz Calder tem uma intima ligação com o Brasil desde os anos 60, quando ela morou no país e trabalhou como modelo e jornalista. É graças ao seu empenho que os ingleses podem ler Machado de Assis e Rubem Fonseca, entre outros escritores brasileiros. Ela divulgou nossa literatura como nenhum outro editor estrangeiro. Transcrevo um trecho de uma matéria de Liz para o The Guardian, ainda em 2000, onde ela faz uma defesa apaixonada da nossa literatura.
The land where everyone’s a poet ou
A terra onde todo mundo é um poeta
“… Machado de Assis (1839-1908), que é tido por muitos como o maior escritor não só do Brasil, mas a par com Henry James, Flaubert e Hardy. Embora seu estilo encantadoramente digressivo, astuto e de implacável exposição da hipocrisia que o tornou querido para Susan Sontag, Salman Rushdie e Louis Bernières, entre muitos outros.
De raça mista, epilético, órfão e míope, nunca Machado deixou o Rio de Janeiro, mas trabalhou como funcionário público, tempo em que produziu uma quantidade enorme de todo o tipo de literatura. Sua produção inclui quatro obras-primas de ficção, Dom Casmurro, Memorial de Aires e, talvez o mais cativante, Memórias Póstumas de Brás Cubas – The Epitaph of a Small Winner . Elizabeth Hardwick declarou que “na firmeza de ritmo, a guinada insinuante, Machado é inigualável”, e que ele compartilha com Borges o “perfume almiscarado maravilhoso da biblioteca”.
O outro gigante literário é Euclides da Cunha, cujo épico Os sertões tem sido comparada a Os Sete Pilares da Sabedoria. Fala da resistência anos de duração do povo do sertão a uma campanha do exército brutal contra o místico religioso Antonio Conselheiro e seus seguidores no interior do estado da Bahia. Ele é cheio de sabedoria da humanidade, drama e espiritualidade, juntamente com descrições deslumbrantes de pessoas e de lugares.
Em um nível diferente, mas reconhecido internacionalmente como escritores notáveis, são Graciliano Ramos, cuja versão cinematográfica pode ser visto no NFT no momento, João Guimarães Rosa, o equivalente brasileiro de James Joyce, e Clarice Lispector, que é muitas vezes comparada com Virginia Woolf e Katherine Mansfield. Dois outros nomes podem ser mencionados no mesmo fôlego: Mario de Andrade, autor de Macunaíma, e Lima Barreto, autor de O Patriota.
Os dois escritores mais conhecidos fora do Brasil são Jorge Amado, o cronista imensamente popular da vida em Salvador, na Bahia (Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e seus dois maridos), e Paulo Coelho, um best-seller mundial.
Outros escritores excelentes disponíveis em Inglês são o romancista Rubem Fonseca e o mestre do conto de Dalton Trevisan, além de Darcy Ribeiro, João Ubaldo Ribeiro, João Gilberto Noll, Chico Buarque, Ana Miranda e Patrícia Melo. Muitos não estão disponíveis, mas devem ser: Raduan Nassar, Moacyr Scliar, Milton Hartoum e Bernardo Carvalho entre eles.
É certamente agora tempo para os editores avançarem e trazerem esses e muitos outros escritores para a atenção do público leitor Inglês, para que possamos compartilhar mais das riquezas deste país extraordinário do que sua música e seu futebol. “ ( Liz Calder is publishing director of Bloomsbury. )
Para fechar o artigo, o The Guardian perguntou ao cineasta americano Woody Allen quais os cinco livros que mais o influenciaram, entre eles estava o The Epitaph of a Small Winner – Memórias Póstumas de Brás Cubas. “Você poderia pensar que ele o escreveu ontem”, contou o cineasta ao jornal inglês. “É muito moderno e divertido. Me tocou da mesma forma que O Apanhador no Campo de Centeio. É sobre um tema que me interessa e que foi tratado com sagacidade, originalidade e sem nenhum sentimentalismo”.
José Datrino, chamado Profeta Gentileza, (Cafelândia, São Paulo, 11 de abril de 1917 — Mirandópolis, São Paulo, 29 de maio de 1996) tornou-se conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba.
Até o final do ano de 1961 viveu como José Datrino, com a família no interior paulista. Mas no dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano” (vídeo abaixo), o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo.
Neste incêndio morreram mais de 300 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido “vozes astrais”, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual.
José Datrino pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos.
Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido”, ou simplesmente “Profeta Gentileza”.
Após deixar o local que foi denominado “Paraíso Gentileza”, o profetaGentileza começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade.
Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia:
– “Sou maluco para te amar e louco para te salvar”.
A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5 km.
Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização. Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a gentileza e a aplicarem gentileza em toda a Terra.
os murais ficavam a altura dos olhos dos passageiros
dos ônibus que passavam sob o viaduto.
Faleceu em maio de 1996, aos 79 anos, na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no “Cemitério Saudades”.
Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. A eliminação das inscrições foi criticado e posteriormente com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, com o objetivo restaurar os murais das pilastras.
( ESTE É O PROFETA
/ GENTILEZA QUE /
GERA GENTILEZA /
COM AMORRR E PAZ /
PARA UM BRASIL E UM /
MUNDO MELHOR MEUS
/ FILHOS NÃO USEM PROBLE-
/ MAS USAMOS A NATUREZA )
Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.
(GUERRA SSO DO GENTILEZA EM 2000 O DIABO DO /
CAPETA QUE VEM DO CAPITAL DOS FILHOS HOMENS PERDE O MANDA /
TO GENTILEZA VAI ACABAR CONTODAS AS GUERRAS DO MUNDO /
COM AMORRR A NATUREZA QUE E O NOSSO DEUS PAI CRIADOR ELE /
NÃO VENDE TERRAS NÃO COBRA PARA NOS DAR ALIMENTACÃO ESTA /
LUZ DO MUNDO NOSSA VIDA E DE TODOS SERES VIVENTES E DE GRA /
CA NÃO COBRA NADA CAPETA SATANA PERDESTE O MANDATO E /
VITORIA DO GENTILEZA PARA UM MUNDO FELIS TODOS VÃO SERE /
NS GENTINS POR JESUS DISSE PROFETA GENTILEZA AMORRR PAZ )
No final do ano 2000 foi publicado pela EdUFF (Editora da Universidade Federal Fluminense) o livro Brasil: Tempo de Gentileza, de autoria do professor Leonardo Guelman.
Em 2001, foi homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio. Além disso, um grande muro no bairro São João recebeu uma linda aplicação de mosaico. E a praça São Pedro, no bairro Albinopólis, foi toda decorada seguindo o exemplo do Profeta Gentileza.
Gentileza foi homenageado na música pelo compositor Gonzaguinha, nos anos 1980; e também pela cantora Marisa Monte, nos anos 1990. As duas canções levam o nome Gentileza.
A canção de Gonzaguinha mostrava uma homenagem ao profeta, como se vê no trecho: “Feito louco / Pelas ruas / Com sua fé / Gentileza / O profeta / E as palavras / Calmamente / Semeando / O amor / À vida / Aos humanos”.
A canção de Marisa Monte, por sua vez, além de incentivar os valores pregados pelo profeta (no trecho “Nós que passamos apressados / Pelas ruas da cidade / Merecemos ler as letras / E as palavras de Gentileza”), retrata os danos ocorridos contra os murais, como diz o trecho: “Apagaram tudo / Pintaram tudo de cinza / Só ficou no muro / Tristeza e tinta fresca.”.
Ele não é de oposição nem de situação. É contra a politicagem e o politicamente correto
A Revista Trip publicou na edição deste mes uma entrevista de tirar o fôlego com o chargista, desenhista, cartunista, quadrinista, tirinhista (arghh), criador da Rê Bordosa, da revista (junto com seu amigo de infância Toninho Mendes - sou eu não) Chiclete com Banana - Angeli.
Angeli, a quem outro fera - o Millôr - em um seu artigo Os Normais do Angeli, disse:
"quando ele nasceu, o pai vendo com orgulho o que tinha pela frente, mas não querendo humilhar ninguem com seu orgulho, chamou-o de Angeli. Angeli é anagrama de genial."
E este blog, ou seja nós, também tiramos uma lasquinha, reveja post feito emmaio de 2008 para a coleção [A]Mostra de Humor homenageando o próprio,clicando aqui
Vamos agora à entrevista, ao final informo o link para, recomendo, ler a reportagem completa.
Arnaldo Angeli Filho, 53 anos, coloca sua prancheta diariamente a serviço da avacalhação ampla, geral e irrestrita. Homem ou mulher, liberal ou conservador, descolado ou careta, não passa nada. Todos ridículos cidadãos da República dos Bananas, um país imaginário, incrivelmente semelhante a uma certa República Federativa do Brasil, formado por incríveis 28 mil charges políticas e tirinhas de comportamento – boa parte reproduzida na Folha de S. Paulo, onde Angeli publica há 37 anos.
No jornal, é o único nome que frequenta regularmente tanto o caderno de política quanto o de cultura.
Suas charges, que lhe valeram a reputação de mais contundente chargista político do país, saem quatro vezes por semana no espaço nobre da página 2. Suas tiras, crônicas ilustradas de costumes e maus costumes, ocupam diariamente o topo da seção de quadrinhos. Para Angeli, não tem diferença: “Olho da mesma forma para o comportamento e para a política. Nas charges, penso como crítico de comportamento”. Há tempos é assim.
No apartamento de dois quartos onde mora e trabalha, no bairro paulistano de Higienópolis, Angeli conversou com a Trip entre cafés, cigarros e, como ninguém tem mais 20 anos, pães de queijo.
Pendurado na sala, um pôster reproduz uma tira da série “Angeli em crise”. Lá está o avatar do cartunista, olhando a cidade pela janela. No primeiro quadrinho, ele se gaba: “Carros, edifícios, fumaça... Esta cidade eu conheço muito bem”. No seguinte, a cidade retruca: “Babacão, canalha, bicha, mau-caráter, panaca, tarado!”. E o terceiro conclui: “... e ela a mim, é claro”. Angeli zoa até Angeli.
Revista Trip - Seu trabalho mudou a política de alguma maneira?
A política é um pouco mais poderosa, cara. É difícil a visão de um artista, de um crítico ou de um sociólogo mudar isso aí.
RT - E o humor, em geral, muda a política?
O humor muda as pessoas. A política, tenho dúvidas.
Política não é feita por pessoas?
Você chama aquilo de pessoas?!
Você anula o voto?
Já anulei, mas não é uma regra.
Como vai ser nesta eleição?
A seleção?!
A eleição.
[Ri] Realmente não entendo nada de futebol... Mas você perguntou o quê?
Em quem você vai votar na próxima eleição.
Ah, deixa só dizer uma coisa: sou lesado. Minha memória recente não existe. Tem horas em que fico pensando “do que estava falando?!”. Mas você perguntou da eleição...
Em quem vai votar para presidente?
Não sei ainda... O cenário é bom, não tem Maluf no meio, nenhum Sarney. Se bem que o Sarney sempre está em algum lugar...
O que Sarney e Maluf representam?
Sarney ganhou de bandeja o poder, carrega aquela merda toda da ditadura. O Maluf... sou paulistano, qualquer paulistano que pensa tem aversão a ele. É o primeiro dos mauricinhos, perfumado, com corrente de ouro. O movimento da boca dele... [faz uma careta]. Tenho problemas com a anatomia do Maluf.
Já encontrou com eles?
Quando fui homenageado com a ordem do mérito cultural, lá em Brasília, o [senador Eduardo] Suplicy me levou pra conhecer o Senado. De repente, entra na sala do Sarney. Fiquei incomodado. Aí ele levanta e fala, segurando minha mão: “Você é o melhor”. Pra mim foi uma derrota, saí de lá cabisbaixo. Sempre fui cruel nas charges com Sarney, mexi com a família toda, e não funcionou...
E o Maluf?
Também encontrei uma vez, no aniversário de 80 anos da Folha. Fui pego de surpresa, o máximo que consegui foi falar “já fiz muito charge do senhor”. E ele [imitando a voz do Maluf]: “Vai fazeeeendo, vai fazeeeendo!” [risos]. O perfume dele ficou na minha mão... Ele tem alguma distorção mental.
O que você acha da Dilma?
Uma candidata feita às pressas, tirada do nada. Não quer dizer que seja a pior candidata. Com o mensalão, o PT ficou sem quadros, né? A Dilma é uma incógnita, não dá pra saber o que ela é.
Serra?
Serra é o Serra de sempre, centralizador, egocêntrico. Capitaliza até projeto dos outros: “Eu criei tal coisa...”. Depois vem um cara que fala que não, e o Serra diz “mas fui eu que tirei do papel”. Aquele papo...
E a Marina?
Gosto do papo dela. Me incomoda um pouco essa coisa religiosa, mas até agora não vi ela misturar as coisas, como vários políticos fazem. Acho interessante o pensamento dela sobre o meio ambiente.
O pessoal te chama para esses encontros de candidatos com artistas?
Chama. Não vou. Não me interessa conhecer esses caras. Se o cara é meio legal, você acaba gostando dele. Não quero gostar...
Você é do contra?
[Ri] Hum, acho que sou, sim.
Existe humor a favor?
A publicidade faz, eu não consigo. Quando começou o PT, muitos cartunistas começaram a fazer humor a favor. O próprio Henfil [1944-1988] fez. Isso me incomoda. A função do cartunista é alfinetar, levantar discussão.
Para ver a reportagem completa na Revista Trip, clique aqui
* Os "posts" de hoje, 10 de dezembro, são dedicados a André Carvalho, colaborador e incentivador deste blog e, principalmente, um grande amigo que aniversaria nesta data.
o "14"
O colaboradorAndré Carvalhotêm vários artigos publicados no jornal A Tarde/Ba. Neste blog, vá na seção"Categorias" e escolha dentre os24postados até esta data.
"Alberto José Costa Borba, nascido em Salvador ao final de janeiro de 1957, quando a cidade se preparava para a festa de Iemanjá. Bel Borba veio ao mundo para modificar a paisagem da Bahia, que hoje se confunde com ele, com suas obras de intervenção pública, sobretudo os painéis de mosaicos, que se espalham nas encostas, paredes, túneis, postes e nas retinas dos baianos. " "Um vulcão criativo em permanente erupção, um mosaicista luminoso que enobrece a arte e a redimensiona numa escala nunca vista antes no Brasil. Um baiano pra lá de porreta. "
"O Bloco Camaleão foi criado em 1978 por um grupo de jovens universitários de Salvador, que tinha como objetivo tornar o carnaval mais organizado empresarialmente. O nome foi uma sugestão do artista plástico Bel Borba,em homenagem aos camaleões que existiam na Praça da Piedade." Monumento em homenagem a Zumbi dos Palmares,
símbolo da resistência negra contra a escravidão,
foi o último chefe do Quilombo dos Palmares.
O artista escolheu um cilindro de ferro para representar o tronco e a escravidão pela qual os negros passaram. Do cilindro foi recortado uma figura humana que foi reposicionada do lado de fora, significando a liberdade conquistada através de muita luta.
"Peixe-Carambola",
construída na Praça Santo Antonio de Velha Boipeba.
Painel de Mosaicos, Hospital Aliança. Bel Borba:
“Acho muito chato o artista ter que ser a voz do bom senso.
Sou um fanático pelo olhar das pessoas."
Salvador abriu-lhe as portas de forma generosa e ele a ocupou como a uma amante exigente. No Candeal, construiu uma serpente em aço inoxidável com 85 m de comprimento, como também o mosaico que orna a bica do bairro, na rua 18 de agosto.
Lançou em 1997 o Projeto Novo Grafismo de Rua, que lhe permitiu realizar umaiguana em mosaico numa encosta da Avenida Juracy Magalhães, em Salvador. Logo depois, cobriu de mosaicos os pontos de ônibus, as árvores, as pedras, os postes e encostas na Amaralina, na Boca do Rio, no Contorno, na Avenida Garibaldi, no Rio Vermelho e na Escola Cupertino Lacerda.
Chafariz composto de bacia circular em concreto revestido com pedra portuguesa na parte exterior e elemento central cujo destaque é a escultura de uma sereia grávida, representando orixá das águas – Yemanjá.
A escultura é revestida em fibra de vidro pigmentada de branco. Sobre a cabeça da escultura, aureóla metálica onde se localizam as saídas de água.
Bel Borba é um dos mais populares artistas plásticos da capital baiana. Muitas de suas obras estão nas ruas de Salvador, ao alcance de todos. São murais em mosaico, com homenagens aos orixás e imagens de animais. A paisagem da Bahia hoje se confunde com ele, com suas obras de intervenção pública, sobretudo os painéis de mosaicos, que se espalham nas encostas, paredes, túneis e postes.