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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Análise pós impeachment de Gaudêncio Torquato

Por Gaudêncio Torquato.

O nome de deus em vão
Nunca se ouviu falar tanto de Deus como na votação do impeachment, dia 17, domingo. Dedico esse voto, primeiro, a Deus, que me deu a vida ; depois, à minha mãe, à minha mulher, aos meus filhos etc. Portanto, Deus continua sendo a porta do Paraíso para nossos políticos. Vejamos Deus na vida de alguns protagonistas... O ditador Francisco Franco usava a Providência Divina para se afirmar : "Deus colocou em nossas mãos a vida de nossa Pátria para que a governemos". Não satisfeito, mandou cunhar nas moedas : "Caudilho da Espanha pela graça de Deus". Idi Amin Dada, o cabo que se tornou marechal de Uganda, ditador sanguinário, dizia ao povo que falava com Deus nos sonhos. Um dia, um jornalista faz a inquietante pergunta : "o senhor tem com frequência esses sonhos ? Conversa muito com Deus ?" Lacônico, o cara de pau respondeu : "Só quando necessário".



Arte de DUKE

Vitimização
Está clara a estratégia da presidente Dilma e de seu entorno : tornar-se vítima. A liturgia da vitimização pode ser assim descrita : escolha de um refrão para abrir o discurso - conspiradores tramam um golpe ; aparecimento em entrevistas coletivas exibindo a estética das vítimas - olhos vermelhos, feições contraídas ; expressão pausada e ritmada, entremeada de pausas, que procuram enfatizar os refrões ; postura humilde na audição e respostas às perguntas. Foi o que se viu em Dilma em suas entrevistas coletivas.

Arte de SPONHOLZ


Golpe
A ideia de que estaria sendo tramado um golpe invade espaços midiáticos, multiplicados pela teia lulopetista. O vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seriam os conspiradores. A estratégia, nesse caso, é tentar colar a imagem de Cunha à imagem de Michel. Como sofre uma bateria de denúncias, o presidente da Câmara, como tentam o PT e o governo, contaminaria a imagem do presidente da República. Ou seja, o mal de um geraria sombra sobre o outro. Essa é a intenção dos comunicadores petistas.


Golpe e contragolpe
Ora, o que Dilma esquece é que o povo não é bobo. Não compra gato por lebre. Ela acha que é simples dizer que fulano é o demônio em pessoa e que esta identidade demoníaca pode ser simplesmente transferida a um grupo pelo simples fato deste grupo ser contrário ao governo. Por isso, Dilma começa a sofrer o contragolpe : os 367 deputados que votaram são conspiradores ? Os cinco milhões de pessoas que saíram às ruas desde 2013 são conspiradores ? O STF, que definiu o rito do impeachment, é golpista ? Os oito ministros do STF entre os 11 que formam o Colegiado são traidores golpistas ? Dilma, lacrimosa, pode até gerar comoção em algumas pessoas. Mas ela é uma pessoa dura, autoritária, nervosa, arrogante. O véu começa a cair.

Arte de SID



O rito no Senado
O Senado abriu o rito do impeachment, que deverá ser acolhido pela maioria dos senadores. Hoje, cerca de 45 já definiram suas posições. A Comissão de 21 senadores fará um relatório inicial a ser votado pelo plenário. Aceito o impeachment, a presidente deverá ser afastada. A Câmara Alta terá 180 dias para apurar, julgar e decidir sobre seu afastamento. Vejamos as hipóteses.


180 dias ?
Se o vice-presidente vier a assumir a presidência na segunda semana de maio, conforme calendário estabelecido, deverá fazê-lo com uma equipe já escolhida. Ou seja, se houver acolhimento por metade mais um dos senadores, a presidente será afastada por 180 dias. A depender da maneira como o presidente provisório der respostas às expectativas sociais, o processo de impeachment poderá ser logo decidido ou se estender até o prazo previsto pelo rito. Se as respostas forem satisfatórias, o Senado será instado a apressar o fluxo do impeachment. A recíproca é verdadeira. O fato é que o país não aguentará todo o prazo - 180 dias- de um governo provisório.

Arte de ZOP



Um eventual governo Temer
Se chegar a ocupar a cadeira presidencial, o vice Michel Temer terá pela frente o maior desafio de sua vida : governar o país numa quadra das mais difíceis de sua história, marcada por uma economia em recessão, uma fila de 10 milhões de desempregados, 10% de inflação, perspectiva de queda entre 3,5% a 4% do PIB este ano. Para fechar os buracos do rombo na economia, o eventual presidente deverá escolher um nome de alto gabarito para coordenar a área mais crítica do governo. Como assoviar e chupar cana ao mesmo tempo ? Como fazer o ajuste e, ao mesmo tempo, arrumar o bolso dos consumidores, de forma que possam conservar certo poder de compra ?

Arte de SAMUCA



Desafios
Os desafios serão monumentais. A estrutura ministerial deverá ser enxugada, sob o critério da racionalidade. Enxugamento, fusão e junção de cinco a sete Pastas. Nomeação de grandes perfis para comandar os Ministérios mais importantes : economia, saúde, educação, Justiça, infraestrutura. Como atender às demandas partidárias, sabendo que os partidos querem se fazer representar na Esplanada dos Ministérios ? Como manter uma sólida base de apoios no Congresso, condição que faz absolutamente necessária para preparar o país e avançar nas reformas fundamentais ? Reformas : Política, Previdência, Fiscal-Tributária, Trabalhista e do Pacto Federativo.

Nomes e ensaios
Qual será o prazo que a sociedade dará a um novo presidente nessa quadra de economia em descalabro ? Menos do que os 100 dias tradicionais que se costuma dar aos novos governantes. Por conseguinte, 60 dias (dois meses) fechariam a agenda das expectativas. Mais que isso, o clima social estaria muito tenso. Se, em menos tempo, as expectativas começarem a ser atendidas, melhor para o ânimo governamental. Nesse ínterim, a sociedade tomaria conhecimento da disposição de um novo governo e passaria a responder com o reconhecimento e a simpatia.

O Estado adequado
Nem Estado gordo, nem Estado magro. Um Estado adequado. Essa é a concepção que passa pela cabeça do vice-presidente Michel Temer. Um Estado capaz de dar respostas aos anseios sociais, em condições de atender às demandas prioritárias nas áreas da saúde, educação, emprego, segurança. Não se trata de dizer que o país verá um amplo programa de privatização. Não se pode fazer terrorismo com esse conceito. A privatização deve ocorrer em áreas que fogem às competências constitucionais do Estado brasileiro. Os investidores querem ganhar confiança para voltar a reinvestir. Credibilidade, eis a palavra mágica que precisa ser resgatada.


Arte de SON SALVADOR


Senadores sob pressão das ruas
A imensa maioria da população brasileira quer ver a presidente Dilma afastada do comando da Nação. Parece dizer : o ciclo do PT chegou ao fim. Queremos inaugurar uma nova era. O Senado deverá agir sob esse clamor das ruas. Ademais, a vitória do impeachment na Câmara foi muito expressiva. Acima das expectativas. Ou seja, essa avalanche de votos favoráveis funcionará como alavanca de impulso no Senado. A Câmara representa o povo brasileiro, enquanto o Senado representa os interesses dos Estados. A vontade do povo entra na Casa que representa a identidade dos 27 entes estaduais.

E se Dilma ficar ?
Dilma terá condições de voltar a governar, caso o Senado arquive o processo do impeachment ? Difícil imaginar a situação. Economia descalibrada, massas nas ruas, falta de apoio no Congresso, Lula girando como um autômato na Esplanada dos Ministérios... enfim, a paisagem de Dilma voltando a comandar o Estado é aterradora.


Arte de NEWTON SILVA


Pobre português
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-Rio) reclamou muito do "baixo nível" do Congresso no dia seguinte ao da votação do impeachment, principalmente pelos erros grosseiros nos discursos dos parlamentares - alusão direta aos deputados que votaram "sim". É provável que a deputada não tenha ouvido direito, mas as principais agressões ao vernáculo e à inteligência vieram justamente dos seus pares da situação - ou da turma do "não".


O sonho de Lula
É claro que Luiz Inácio acalenta o sonho de voltar a ser candidato em 2018. Como se sabe, a melodia que sai do aparelho fonador de Lula não tem a suavidade de um bolero ou mesmo de samba-canção. A melodia é frenética. Lula gosta mesmo é de ser oposição. Por isso, quanto antes Dilma se afastar, melhor para seu desígnio de se candidatar. Precisa voltar com as caravanas pelo Brasil afora. Ora, essa condição exige que seja oposicionista contra "esse governo golpista" que está aí. As massas aplaudirão seu discurso ? Possivelmente, as massas instrumentalizadas, que recebem cachê para comparecer aos comícios. Lula já não é o mesmo de 10, 15 anos atrás. 

 
Arte de SPONHOLZ



P.S. Ademais, Luiz Inácio terá de dar algumas respostas à República de Curitiba.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O Brasil na análise de Gaudêncio Torquato

Por Gaudêncio Torquato.
Porandubas políticas - 25FEV


Acarajando
A operação Acarajé é mais uma bomba nos costados do PT. Vai ser difícil explicar dinheiro pago a João Santana no exterior. Três contas, uma em Londres, outra em Nova Iorque e a terceira na Suíça. Santana teria recebido nas duas campanhas - Lula e Dilma - mais de R$ 170 milhões. Mas ele fez campanhas presidenciais no exterior, em Angola, República Dominicana e Argentina, entre outras praças. Sérgio Moro, ao que parece, tem ainda muitos trunfos até a reta final. P.S. Esse tal de Zwi Skornicki, operador, deve ser uma ponte para grandes descobertas.

Arte de CLAYTON


O bombardeio
Luiz Inácio continua sendo bombardeado. Não vai escapar de novos depoimentos. Agora, a PF diz que há indícios que requerem investigação no entorno de Lula. Pesquisa Ibope mostra que aumentou rejeição contra ele. 61% não votariam de jeito nenhum no ex-presidente. Mas ele ainda é protagonista forte : 19% dizem que votarão de qualquer maneira nele.

E aí, FHC ?
Fernando Henrique ainda está devendo explicação clara sobre os pagamentos feitos por uma empresa a Mirian Dutra, mãe de seu filho. Ele diz que mandou 100 mil dólares para a empresa pagar mensalmente três mil dólares à ex-namorada. Mandar dinheiro para uma empresa ? Por que o dinheiro não foi dado diretamente a ela ? Ele poderia dizer : estou pagando 35 mensalidades. Algo assim.


Arte de PELICANO

Brasif
Mas o PT quer abafar também esse caso da empresa que teria recebido o dinheiro de FHC. Afinal, ela foi vendida em 2006 por R$ 500 milhões ao grupo suíço Dufry. Sob o governo Lula. Pergunta-se : quem teria avalizado/endossado esta operação ? A Brasif era de propriedade de Jonas Barcelos, o dono do sítio de Atibaia. Que imbróglio !

A boa comunicação
Atenção, candidatos : a boa comunicação, ao contrário do que muitos imaginam, não é a superplástica dos programas de televisão, aqueles quadros movidos à computação gráfica, repletos de elementos de ficção. A boa comunicação é aquela que chega de maneira fácil e objetiva na mente do eleitor. É a comunicação que induz e motiva o eleitor a tomar uma decisão. As campanhas eleitorais têm abusado de efeitos gráficos na TV. Geram efeito devastador sobre o perfil de alguns políticos : a chamada fadiga de imagem. O uso exagerado da cosmética televisiva gera desconfiômetro. Blá blá blá.



Arte de JUNIÃO

Decisão STF
A decisão do Supremo de autorizar o encarceramento de condenados na 2ª instância, relativizando o princípio da presunção de inocência, passa a impressão de que a Corte está vivendo um afrouxamento constitucional. Está assumindo o lugar de uma Assembleia Constituinte, invadindo a esfera legislativa e politizando a Justiça. Nunca vi uma Corte agindo sob o clamor das ruas. Dedo para cima ou dedo para baixo ? Esse era o gesto que a galera fazia no Coliseu Romano quando um gladiador caia pela espada do adversário. O imperador deixava o gladiador viver ou morrer, olhando para o polegar levantado ou baixado da turba. Cuidado, magistrados !

Efeitos colaterais
Os efeitos colaterais da quebra da presunção de inocência serão, entre outros :
  • a. multiplicação das delações premiadas ; 
  • b. superlotação de presídios com políticos e empresários ;
  • c. abertura de janelas para outras quebras de cláusulas da Constituição Federal.
Arte de ALPINO



TSE ganha fôlego
A operação Acarajé vai suprir o TSE com muitos documentos. Sérgio Moro não pode fazer a investigação eleitoral. Vai mandar farta documentação para o TSE. Que irá apurar se propina da Petrobras entrou nas doações oficiais da campanha do PT.

E os tucanos ?
Pergunta que não quer calar : se PT, PMDB e PSDB receberam doações das mesmas empreiteiras, por que a grana de um partido é diferente da outra ? Por que a grana de um é suja e de outro, limpa ? Os tucanos receberam 40 milhões, sete a menos que o PT. Precisam também explicar.



Delcídio
Deve assumir o mandato com moderação. Não se espere do senador um discurso inflamado. Ele sabe muitas coisas, mas deve saber que palavras duras contra colegas, mesmo os que o condenam, podem ser decisivas para sua cassação. Vai mostrar que foi vítima de um complô. Mas o Senado, a partir do Conselho de Ética, terá de decidir sobre a perda do mandato. O PT vai excluí-lo dos quadros.

Zika
A tal Zika congênita se espalha pelos cantos do país, a partir do Nordeste. Vejo muita autoridade nos lugares, mas não vejo ataque ao mosquito. A vacina vai demorar. Enquanto isso, a da dengue está sendo testada. Resultados em um ano. Imaginem, agora, os efeitos da zika numa geração.

Arte de MIGUEL


Impeachment
Se o impeachment havia refluído, ganhou fôlego com a operação Acarajé. Digamos que o sentimento social aumentou um pouco as expectativas. Mas o leit-motiv para o afastamento de Dilma ainda não surgiu. Se for por meio das pedaladas fiscais, ficará até o fim do mandato. Se for demonstrado desvio de propina para campanha, TSE poderá cassar chapa. E autorizar novas eleições. Este consultor político não acredita nessa hipótese. Ela irá até o final do mandato.

A arte de governar
Saint Just, um dos jacobinos da Revolução Francesa, executado após a queda de Robespierre, expressou uma desilusão ao dizer que "todas as artes produziram maravilhas, exceto a arte de governar, que só produziu monstros". A mesma amargura pegou o coração do segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, que nos legou a seguinte leitura : "todas as ciências progrediram, menos a de governar, que não avançou : hoje é praticada apenas um pouco melhor do que há quatro mil anos".

Arte de SINOVALDO


Eleição para comissões
Afinal, vai ser possível haver chapa avulsa para eleição de Comissões ? Ou apenas chapas arrumadas pelas lideranças ? O embargo de declaração de Eduardo Cunha ao presidente ainda não foi respondido. O executivo pede nulidade da questão, que é matéria vencida, segundo argumenta. Cunha teria feito o embargo antes de sair o acórdão.

Pautas fortes
Senado e Câmara organizam pautas fortes : CPMF, DRU, Reforma da Previdência, Ajuste Fiscal, Partilha na Exploração do Pré-Sal, etc. Este último projeto, de autoria do senador José Serra, quebra o monopólio da Petrobras. Deve passar. CPMF hoje não passa. Daqui a um tempinho, pode passar. DRU, sim. Reforma da Previdência, mesmo sob a guerra do PT e CUT, passa.

Arte de GENILDO


A vez da mulher
Cresce o papel da mulher na política. Neste ano, terá um desempenho especial no pleito. Lembro Margareth, ex-mulher do ex-primeiro ministro do Canadá, Pierre Trudeau, pai do atual primeiro ministro, Justin Pierre James Trudeau : "quero ser algo mais que uma rosa na lapela do meu marido".

Sigilo
O STF passa mesmo a impressão de que está agindo de acordo com o viés político. Vai autorizar a quebra do sigilo bancário dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial. Basta a Receita Federal pedir. Big Brother nos cerca. Acabou o sigilo no país. Adeus, intimidade.

Arte de JBOSCO


Oposicionismo
O oposicionismo deve levar a melhor na campanha deste ano. Não me refiro aos partidos de oposição. Falo dos oposicionistas nos planos Federal, estadual e municipal. Os candidatos de oposição, contra o status quo nos ambientes e espaços, deverão fazer a maioria de prefeitos. A campanha terá como foco o "contra". A conferir.

Os brasileiros
Deus carimbou alguns povos com tintas muito acentuadas. Diz-se que aos gregos concedeu o amor à ciência ; aos povos asiáticos, o espírito combativo ; aos egípcios e fenícios (sendo estes últimos os atuais libaneses), imprimiu a marca do amor ao dinheiro. Aos brasileiros, Deus deu a capacidade de improvisar mais que outras gentes. O brasileiro sabe dançar na corda bamba. Não é de sim, sim, não, não. Prefere o talvez. O senhor tem religião ? "Sou católico, mas não praticante" ! Trabalha quantas horas por semana ? "Mais ou menos 40 horas".

Arte de IVAN CABRAL


Suicídio

Por que : angústia ? Depressão ? Vida sem sentido ? Cresce o número de suicídio na área das jovens mulheres em São Paulo. A taxa cresceu 25% de 2010 até hoje.

Eleições
As eleições de outubro próximo deverão ser mais seletivas que as de 2012, na crença de que o eleitorado comparecerá às urnas com um sentimento de que poucos políticos estão a merecer o seu voto. A constatação mais comum que se flagra na interlocução cotidiana é a de que "todos os políticos são farinha do mesmo saco". Ante a expansão da descrença social, é oportuno resgatar os traços que ornam o perfil político do gosto do eleitor.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A válvula do carnaval


Por Gaudêncio Torquato.
Charges de SPONHOLZ
A válvula do carnaval
O carnaval é a válvula da panela de pressão social. A folia deste ano ganha uma interpretação adicional por ocorrer num momento de grandes dificuldades. A falta de grana sugere uma movimentação maior nas ruas. Os foliões deverão fazer o carnaval das circunstâncias : mais natural, menos dispendioso, descontraído. Multidões buscarão em seus blocos compensar angústias e esquecer, por alguns dias, o déjà-vue da política. A cada dia, aumenta o fosso entre sociedade e os políticos. Alguns atores, a propósito, inspiram marchas do carnaval. Risíveis.



Zika, o medo
A doença é uma emergência mundial. A OMS deu o alerta. A microcefalia dispara um sentimento de medo. O carnaval, dizem especialistas, produz ambientes adequados para propagação do mosquito Aedes aegypti. Logo, favorece a massificação da doença. O Brasil está perdendo a batalha para o bichinho, reconhece a própria presidente Dilma.

Geração de amanhã
Pequena reflexão : que efeitos a microcefalia provocará na geração do amanhã ? Uma geração com distúrbios ?



O Brasil real
O país real será revisitado depois do meio dia da quarta-feira de cinzas. A vida rotineira encontrará seus fios e as pessoas buscarão a melhor maneira de administrar os próximos tempos de escassez. Os negócios tenderão a diminuir de volume e ritmo. As Operações de investigação continuarão - Lava Jato, Zelotes, Merenda Escolar/SP - e os órgãos de controle deverão recolocar seus exércitos nos ambientes de indiciados e suspeitos. A área política funcionará como sanfona : abre e fecha, fecha e abre. O que significa isso ? Expliquemos.



A sanfona política
A representação política age de maneira pragmática, tateando no amplo salão da Opinião Pública. Esta, por sua vez, ajusta seus sentimentos ao clima da crise econômica : quando as carências e necessidades batem no bolso, a indignação sai do coração para a cabeça. E reage. Haverá, portanto, um sentimento negativo muito intenso nos próximos meses. Que calibrará o ânimo da Opinião Pública. Que funcionará como espelho aos políticos. Daí a sanfona : sístole e diástole, pressão e descontração. Pressão implica aperto no coração do governo : desaprovação de matérias de interesse de Dilma ; descontração, maior simpatia às teses da administração, com aprovação de matérias de seu interesse no Parlamento.



CPMF
Imaginem, dentro dessa moldura, o voto (ou o veto ?) à CPMF. Para passar, o ambiente econômico e social precisa ser harmônico. Caso contrário, será difícil sua aprovação. Os parlamentares podem, até, ser mobilizados - como é previsível - para aprovar a contribuição financeira ; mas não agirão como suicidas. Governadores, de pires na mão, querem a CPMF. Como, porém, defender um novo imposto em ano eleitoral ? Terão eles coragem de fazer esta pregação em praça pública ?



No Congresso
Já se viu, ontem, um ligeiro retrato do que pode ocorrer com a CPMF. Em sua fala na abertura da Legislatura, a presidente foi vaiada quando falou do Imposto. Aliás, ela foi ao Congresso por sugestão de Delfim Netto. Que sugeriu enfrentar cara a cara o Parlamento. Prometeu, ainda, fazer a Reforma da Previdência e o ajuste fiscal. Dois temas que não são consenso no próprio PT.



Cunha na guerra
Eduardo Cunha tem provado ser resistente na luta. Quando se imaginava apeado da cadeira de presidente da Câmara, ele volta mostrando disposição de não ceder um passo na estratégia de ataque contra o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, e de enfrentamento contra o STF. Entra com embargos de declaração junto ao Supremo para fazer reverter o rito do impeachment. Dispõe-se a demonstrar que a Câmara pode eleger comissões (pelo voto secreto e sem indicação de partidos) e o Senado não pode bloquear decisão de dois terços dos deputados para evitar julgamento de eventual pedido de impeachment da presidente.

Vai e vem
Como se sabe, esses embargos deverão ser apreciados e, assim, o presidente da Câmara vai ganhando tempo. Na esfera interna, procura estancar o processo contra ele na Comissão de Ética, alegando irregularidades. Por ser um especialista em regimento interno, Cunha acabará adiando seu afastamento do assento presidencial. O STF já sinaliza a dificuldade de afastá-lo do cargo. As próximas semanas serão decisivas.




Governo desmonta turismo
O turismo vive dias de angústia. Depois de renovar um compromisso do passado - isenção de IR para as agências de turismo sobre valores de compras feitas no exterior - o governo acabou taxando o setor em 25%. Calculado sobre o "gross up", a soma chega a 33%. Os termos assumidos pelo ex-ministro Joaquim Levy e pelo Secretário da Receita Jorge Rachid, sob o patrocínio do ministro do Turismo, Henrique Alves, eram sobre o pagamento de 6% de IOF. Qual não foi a surpresa ao se perceber que o prometido não se cumpriu. As agências de turismo, a partir de 1º de janeiro, são obrigadas a arcar com 33%. Essa situação destruirá o setor : cerca de R$ 20 bilhões deixarão de ser recolhidos aos cofres públicos, na esteira de 185 mil vagas diretas e 430 mil vagas indiretas eliminadas. Só de salários a perda será de R$ 4,1 bilhões. E assim se desmonta um setor.



Grau de risco
A Moody's está desembarcando no país para reavaliar os nossos indicadores. Pelo andar da carruagem, Brasil será mais uma vez rebaixado pela agência de reclassificação de risco.

Liderança do PMDB
Mesmo que leve a melhor na eleição para líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani sairá com a imagem borrifada. Acabou colando sua imagem ao Palácio do Planalto, o que implicará desconfiança de metade da bancada peemedebista, mais de 30 deputados. Acenou com a possibilidade de mudança na presidência do PMDB, tirando o presidente Michel Temer. Não esperava que Michel costurasse - como está fazendo - um consenso em torno de sua recondução. Hugo Motta, o paraibano que disputa com Picciani, pode vencer a parada. Com o apoio de Eduardo Cunha.



A costura de Temer
Michel Temer esteve em cinco Estados, semana passada, costurando a unidade do Partido (PR, SC, PB, RN e PE). Foi aclamado em todos, recebendo o apoio de lideranças históricas do partido, como o senador Roberto Requião e o deputado Jarbas Vasconcelos. Certa movimentação de senadores - contra a recondução de Temer - refluiu. O senador Romero Jucá (RR) deverá ser o primeiro vice-presidente do partido. O senador Eunício de Oliveira (CE) deverá substituir o senador Renan Calheiros (AL) na próxima legislatura, podendo este voltar a liderar a bancada no Senado.



A imagem de Lula
O ex-presidente Lula não tem conduzido com eficiência o imbróglio do tríplex no edifício Solaris, no Guarujá, e do sítio em Atibaia. Deveria, desde o início, ter dito que comprou um apartamento do qual desistiu quando percebeu a onda que se formou com a aquisição. No entanto, falou em uma cota da Bancoop em nome de dona Marisa. Cota é uma coisa, compra do imóvel é outra. Quanto ao sítio, poderia ter dito que, apesar de estar no nome de dois sócios de um de seus filhos, ele e a família têm o usufruto. Pronto. Ele pode ter apartamento, duplex, tríplex, sítio etc. Não pode, isso sim, é driblar a informação sobre propriedade e recursos.


Chances
Qual a possibilidade de Lula resgatar sua boa imagem e voltar a ser considerado forte candidato em 2018 ? Resposta : vai depender da recuperação da economia. E da imagem da presidente Dilma. Vejamos os cenários. Dilma sairá do governo com imagem em alta, aplaudida, com reconhecimento do povo ao seu bom governo. Chance entre 0 a 10 ? 2 a 3. Dilma sairá com imagem arranhada e PT reaparecerá em cena depois de mudança geral em seus costumes. Chance ? 4 a 5. Dilma sairá com imagem profundamente comprometida, rota, rasgada. Chance ? 8 a 9. Qual é chance da economia se recuperar ? Em 2016, 0 a 2. Em 2017, 4 a 5. Em 2018, 5 a 6. Em 2020, 8 a 9.



A imagem de Dilma
A presidente Dilma parece mais aliviada. Mesmo assim, 60% da população são favoráveis ao impeachment. Essa ideia tem condições de ainda causar rebuliço no Congresso, mas tende a arrefecer. A não ser que novas denúncias apareçam envolvendo diretamente o nome da mandatária. Sem novos atos, a leitura deste consultor é de que ela caminhará até o fim do mandato, mesmo capengando. A política é mutante como nuvem. Dilma sempre esteve sob o escudo imagético de Lula. Ante o tiroteio sofrido pelo ex-presidente nas últimas semanas, deixa de ser interessante buscar refúgio naquele abrigo.




Cabral ?
Por onde anda o Sérgio Cabral ? Deve estar na oitiva : "passarinho na muda não canta".

Lava Jato
A Operação Lava Jato tem uma sobrevida : apurar as últimas delações e analisar as imbricações/conexões. Vai correr por todo o semestre.



STF na frente política
A Suprema Corte deverá se debruçar sobre os mais de 30 processos de políticos que enchem suas gavetas. Vai ganhar ainda mais visibilidade.

Aécio ?
Por onde anda Aécio Neves ? Por que o senador está em refluxo ?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Gaudêncio Torquato escreve sobre o momento brasileiro

Por Gaudêncio Torquato.
Charges de SPONHOLZ
PT contra Moro
O juiz Sérgio Moro começa a levar tiros nas redes sociais, principalmente dos exércitos do PT, inconformados com sua determinação de ir adiante com a Operação Lava Jato e continuar segurando na prisão figurões do partido, como José Dirceu e o ex-tesoureiro Vaccari. Moro tem recebido elogios esparsos nas redes sociais. Mas nenhum partido tem feito sua defesa. Todos estão receosos de sua conduta.



Vazamentos
Há muita queixa de líderes partidários de que o vazamento de informação continua alimentando espaços midiáticos. Ora, faz parte da estratégia de expansão dos balões da opinião pública. Os vazamentos dão conta de detalhes - malinha com rodas para levar dinheiro, uso de jatinhos, quem esteve com quem a que horas - que acabam criando indignação no bojo social. Deverão, pois, continuar.

PF independente
Não adianta querer conter as frentes de trabalho da PF. Que continuarão a cumprir tarefas de investigação e prisão. Urge lembrar que a PF cumpre mandados judiciais. E as autorizações judiciais, por sua vez, atendem recursos do Ministério Público, cuja função básica é defender a sociedade. O momento vivido pelo país exibe ações independentes e harmônicas entre os entes da administração da Justiça e dos controles do Estado.





O compromisso do MP
O Ministério Público, por sua vez, está impregnado da seiva moral, tão necessária ao país nesse ciclo de transição. Os jovens promotores que agem nas frentes de apuração e controle se acham seriamente comprometidos com a meta de "passar o Brasil a limpo", pelo que se irmanam sob o consenso dos caminhos a seguir.

Transição
O país vive um ciclo de transição. Que não se esgotará com o final das ações desenvolvidas pela Operação Lava Jato. O ciclo terminará com as necessárias mudanças na fisionomia política. O que vai significar reformas em profundidade na maneira de fazer a representação política, na forma das campanhas eleitorais, na organização partidária e na própria cultura do voto. É para acreditar que o país atravessa um corredor longo, ao final do qual se divisam horizontes menos conturbados.



Impeachment longe
Fica cada vez mais distante a ideia do impeachment da presidente Dilma. A tese de que o impeachment se ancora na balança da economia tem lá suas razões. E a economia, em 2016, será pior que a economia de 2015. Logo, o pior ainda está por vir. Mas os fatos obedecem ao espírito do tempo. O tempo de dezembro de 2015 é bem diferente desse tempo (ainda suave) de final de janeiro. O impeachment dá sinais de que está deixando para trás o bonde que o arrastava. Mera impressão ?

Contra o PT
O PSDB entrou com um recurso exigindo a extinção do PT. Que coisa mais fora de moda. É algo como ganhar no tapetão. Se quiser acabar com o PT, que dispute a eleição na arena do voto. Só o voto popular pode acabar ou fortalecer um partido. Ainda bem que FHC não concorda com esta bobagem perpetrada por alguns tucanos.



Barbosa voltou animado
Pelo que se lê, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, voltou animado de sua peregrinação pelo Fórum Mundial de Davos. Conversou com empresários, banqueiros, economistas, jornalistas e políticos. Não se cansou de botar conversa fora. Mas não se viu nenhum elogio de porte ao que o ministro falou. O fato de não ter sido execrado já foi uma vitória. Ao chegar, o ramerrão de sempre. Sob o dilema : como arrumar dinheiro para jogar em algumas áreas ? Prometeu estas metas na volta : destravar os nós da logística e baratear produtos nacionais.

Lula e os processos
Lula prometeu processar doravante jornalistas que ferirem sua honra e reputação. Falou de maneira séria. Mas o quê e como escrever sobre um perfil que se acha a alma mais honesta do país ? Este analista acha que Sua Excelência erra quando faz uma peroração de auto-enaltecimento. Minha avó já dizia : elogio em boca própria é vitupério. Lula poderia falar menos. Aliás, coisa que aconselhou a FHC fazer quando este deixou o governo.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Analisando a carta de Michel Temer

Por Gaudêncio Torquato, em seu Porandubas Políticas

A carta de Michel I
A carta do vice-presidente Michel Temer estava engasgada em sua garganta há muito tempo. Até que ele decidiu soltar o verbo. Como se sabe, Michel é cordato, educado, atencioso, um diplomata. Aceita ponderações e chega a balançar positivamente com a cabeça em aceno de aprovação às ideias do interlocutor. No instante seguinte, porém, se não concordar, ele desarma os argumentos do outro. Sempre de maneira educada. Essa habilidade sempre esteve presente na sua interlocução com Dilma. Que deve ter considerado : pela maneira Michel Temer de ser, ele jamais dirá algo mais duro contra mim. Errou.

Arte de MARCO AURELIO


A carta de Michel II
Não foram poucas as vezes em que Michel se sentiu desprestigiado. Um exemplo marcante. Na posse do segundo mandato, ela teve um encontro de duas horas com o vice-presidente norte-americano Joe Biden. Michel é amigo dele. Teve oportunidade de iniciar uma amizade por ocasião das missões e viagens ao exterior, oportunidade em que se encontrou algumas vezes com Biden. A aproximação dos dois se estreitou em função da identidade de ambos : constitucionalistas, professores de Direito Constitucional. Pois bem, na posse de Dilma, ela não chamou Michel, amigo de Biden, para a conversa com o vice-presidente. Ela sabia, sim, que ambos eram amigos. Por que não chamou ? Ora, por prever que teria desconforto em assistir a uma conversa mais elevada. Ou simplesmente porque queria dar um recado a Michel : aqui, nessa praça, quem manda sou eu.

Arte de NANI


A carta de Michel III
Ele tomou a decisão de escrever a carta quando leu a declaração de Dilma falando da extrema confiança em Michel. Ora, nada mais falso. A fala de Dilma tinha um quê de deboche, uma teia de ironia, um leve tom de zombaria. Que foi percebido por amigos do vice-presidente. Era uma maneira de constrangê-lo. Algo como : se eu o elogiar, ele não terá alternativa que não a de me elogiar. Uma espécie de dique, barreira de contenção. Não imaginava que o nó da garganta de Michel estava alto. Errou mais uma vez.

Arte de LUTE


A carta de Michel IV
Como pode ser interpretada a carta ? Mais que um desabafo. Pode ser entendida como um passo na construção de um afastamento entre o PMDB e o governo Dilma ? De certo modo, sim. Depois dela, será muito difícil uma relação estreita entre a presidente e o vice. Continuarão a se falar, claro. Mas de maneira mais formal e litúrgica. Michel Temer, como ressaltou na missiva, sabe quais são suas funções e deveres. Vai se restringir a eles. Não fará pressão pelo impeachment ou defesa rigorosa da presidente. Deverá se pautar pelo espírito da lei e da ordem. É um constitucionalista. Que Dilma jogou fora por pura inabilidade política.

Arte de MIGUEL


A carta de Michel V
Urge lembrar que o PMDB fez uma proposta para o país contida no documento Uma Ponte para o Futuro. Essa proposta, adensada, arrematada sob o comando de Moreira Franco e sugestões coletadas pelo senador Romero Jucá, será votada em março de 2016, quando o PMDB fará seu Congresso. Pois bem, nessa ocasião o partido deverá decidir sobre as estratégias para o pleito nas prefeituras, em outubro, e sobre candidatura própria em 2018. Pode-se prever, assim, uma ruptura com o governo Dilma. A carta de Michel assinala esse rumo.

Arte de THIAGO LUCAS


A carta de Michel VI
É evidente que a carta também sinaliza ao PMDB a intenção dos petistas, não somente de Dilma, em aprofundar a cisão no partido. Dilma cooptou o líder Picciani com ministérios para a bancada na Câmara. O deputado, jovem e ambicioso, nunca imaginou chegar tão rápido ao pilar da fama. A tinta da caneta presidencial é um afrodisíaco. Agora, Dilma promete colocar no lugar do ministro Eliseu Padilha um nome indicado por Picciani. Que pensa no deputado mineiro Leonardo Quintão. A bancada mineira, depois da bancada carioca, é a maior. Picciani quer, desde já, garantir sua posição como candidato a substituir Eduardo Cunha na presidência da Câmara.

Arte de ZOP


A carta de Michel VII
Nem bem Michel Temer chegava a Brasília, a carta já estava vazada. Pelo Palácio. Qual a verdadeira intenção ? Mostrar um vice-presidente lamentoso ? Achincalhar ? Não se sabe qual a intenção do sábio do Planalto com esse vazamento. Uma das razões : tentar indispor Michel com uma das alas do próprio PMDB. Desacreditá-lo. Sabe-se que os ministros do núcleo duro estavam com a carta na mão por volta de 17, 18h. Dilma pediu para vazar ? Não se sabe. Mas o ato é de extrema deseducação política. Como se vaza uma carta pessoal, portanto sigilosa, de um vice-presidente para a presidente ? Desconsideração com o vice. Mais uma prova da conduta do governo do PT.

Arte de JARBAS


A carta de Michel VIII
A carta foi bem recebida pela mídia. Até porque Dilma está no fundo do poço da imagem. Formadores de opinião viram na carta a verdade que já conheciam: a da presidente autossuficiente, arrogante e desconfiada. Esperam com expectativa sua conversa com Michel. O que dirá ? Que foi surpreendida ? Que esperava lealdade dele ? Que acha que estava tudo indo às mil maravilhas, depois das humilhações cometidas com as demissões de Moreira Franco, Edinho Araújo e contra Padilha ? Essa conversa será interessante.

Arte de AMARILDO


A carta de Michel IX
E, agora, como será o dia a dia entre presidente e vice ? Uma interlocução fria, distante, litúrgica. A ponte não foi de todo fissurada, mas as fendas aparentes mostram necessidade de muito cimento para tampar os buracos.

Arte de NICOLIELO


Michel como articulador
Michel Temer só foi convidado para fazer a articulação política do governo Dilma por insistência de Lula junto à presidente. Por ela mesma, ficaria o Mercadante. E por que saiu ? Porque os compromissos assumidos por ele e Padilha, que o ajudava na articulação, não eram cumpridos. Ficavam na gaveta. Quiseram dar um basta na desmoralização. E saíram.