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sexta-feira, 11 de março de 2016

As mosquitas e os mosquitos

Por Maria Helena Rubinato de Souza
Blog do Noblat, 18FEV

As mosquitas e os mosquitos
Não sei como dona Dilma faz para diferenciar as mosquitas dos mosquitos. Mal sei, nos dias de hoje, como diferenciar as moças dos moços. Andam todos muito iguais, na moda e nos hábitos. No entanto, ainda assim, acabo por diferenciá-los.

Ao contrário desses aedes desgraçados, os quais, sinceramente, admiro quem sabe distinguir, pois deve ser uma pesquisa complicada…

Arte de SPONHOLZ


Mas dona Dilma nos ensinou que são as mosquitas que picam, transmitem a dengue e outras doenças e causam os danos cerebrais nos bebês. Acredito. Os mosquitos não seriam assim tão pérfidos.

Sou mulher, hetero e já tive duas paixões. Aliás, uma ainda tenho, a outra, infelizmente, a morte se apressou em levar para a eternidade.

Dito isso, venho declarar que acho os homens sempre, e em tudo, muito melhores que as mulheres. E mais bonitos: comparem o David de Michelangelo com a Vênus de Milo e tenho certeza que me darão razão. Com outro detalhe: envelhecem melhor. Vejam Yves Montand ou Frank Sinatra: mocinhos feios, de uma magreza esquisita, foram encorpando com a idade e ao chegar aos 40, 50 anos e ficarem grisalhos, Deus do Céu, que tentação! Ficaram deslumbrantes e com um charme…

Arte de SANTO


Elas podem ser boas mães, boas avós, boas empresárias, ótimas médicas, excelentes escritoras e jornalistas, grandes artistas, mas na comparação com os homens, em minha muito pobre opinião, os homens estão sempre alguns pontos acima.

Só numa coisa são vitoriosas: na mesquinhez… Cruz credo, saiam correndo de perto: aí elas são peritas, experts, brilhantes.

Leram a entrevista da jornalista Miriam Dutra à Folha? É o melhor exemplo que conheço de maldade a seco.

Arte de NICOLIELO

Outra Miriam, a Cordeiro, foi má com o Lula e com a filha que tivera no relacionamento com o sindicalista. Despiu, em público, um problema que era só deles, sem se preocupar em ferir a menina. Mas tinha um motivo que, se não serve como desculpa, é uma explicação: moça pobre, de vida modesta, foi tentada pelo dinheiro. Cada qual com seu cada qual…

Mas esse ressurgimento de Miriam Dutra hoje, assim, sem mais aquela, francamente, é a própria crueldade em ação. E o pior: é cruel contra seu filho. Fernando Henrique Cardoso não é candidato a nada, esse assunto não vai alterar sua vida política, só vai magoá-lo porque vai magoar o rapaz a quem ele trata com afeto paternal desde sempre.

Arte de DUKE


Fico pensando com meus botões: Miriam Dutra não se manifestou quando os dois exames de DNA comprovaram que seu filho não era de FHC. Ficou bem caladinha. Agora, no entanto, às gargalhadas, diz que FHC é o pai, duvida dos exames e diz que a mulher sempre sabe quem é o pai de sua criança.

É verdade. Mas quando é uma mosquita que voa de lá para cá, francamente, será que ela pode garantir quem a fecundou?

William Congreve (1670/1729), poeta e teatrólogo inglês, em sua peça The Mourning Bride, escreveu um verso que é uma pérola de sabedoria e verdade. Era assim em seu tempo e ainda é assim até hoje: Heaven has no rage like love to hatred turned, nor hell a fury like a woman scorned (*). 

(*) Numa tradução livre - " O céu não tem nenhuma raiva como o amor ao ódio, nem o inferno  uma fúria como uma mulher desprezada "

Link

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O Brasil, do passado ao presente

Por Maria Helena Rubinato de Souza.


Das Ordenações Filipinas às Ordenações Lulistas
Meu dia começa com o café da manhã e a leitura do Blog do Noblat e dos jornais. É um vício cultivado com enorme prazer. Começo pela capa, depois passo para os artigos e, em seguida, leio o Blog e os jornais, inteirinhos. Gosto especialmente dos artigos assinados e tenho como hábito ler quem assina um texto antes de lê-lo.

Por isso, quando vi a “Carta aberta em repúdio ao regime de supressão episódica de direitos e garantias verificado na Operação Lava Jato”, tive o trabalho de ler aquele montão de assinaturas. Reconheci no máximo uns oito nomes, de tanto que são repetidos nos jornais em matérias sobre o Mensalão ou sobre o Petrolão.




E me enfronhei na leitura. Fiquei surpresa, diria mesmo que estupefacta.

Sempre achei que em algum momento estouraria um movimento contra o juiz Sergio Moro, a Lava Jato, o Ministério Público e a Polícia Federal. Só não sabia de que lado viria o tranco.

Afinal, eles estão mostrando aos brasileiros como foi que o Brasil se comportou nos últimos 14 anos e pela primeira vez na vida o Brasil está vendo graúdos receberem o que a Justiça determinou que lhes cabe.




Mas o ataque vir justo do grupo que muito lucrou com os processos? Dos advogados contratados a peso de ouro para defender os acusados?

Suspeito que habituados a ver minguar a força do poder do dinheiro, os signatários da Carta estavam em estado de choque ao assinar o texto que um deles redigiu.

Dizer, como disseram e assinaram, que os juízes se intimidaram pelo noticiário e que assim julgaram os casos de seus clientes?.Ou seja, que a Imprensa é quem julga?




Será que não lhes passou pela cabeça que os Donos do Poder perderam a força que tinham quando a sociedade, envergonhada com sua própria fraqueza ao permitir durante tanto tempo que o Brasil fosse o Reino da Impunidade, resolveu que ia respeitar seu Sistema Judiciário e ignorar o choro ridículo de seus detratores?

O que eles estão é preocupados pois que de agora em diante creio que poucos serão os acusados, indiciados e que tais que se submeterão a pagar as quantias fantásticas que lhes são pedidas, já que a delação premiada, se comprovada, fará por eles o que seus patronos não fizeram.




“A delação premiada é um instrumento criado por nós. O portal da transparência fomos nós que criamos. A Lei do Acesso à Informação fomos nós que criamos. A Controladoria Geral da República fomos nós que criamos e demos autonomia. O Ministério Público nunca teve tanta autonomia. A Polícia Federal nunca teve tanto pessoal contratado para investigar”, lembra Lula.

Estará Lula enganado? Talvez; ele não mente. Engana-se.

Acontece que a História do Brasil colonial garante que isso não é fato. Já nas Ordenações Filipinas, de 1565, o texto que se referia à “Delação Premiada” tem a seguinte redação: “Como se perdoará aos malfeitores que derem outros à prisão”.

Aos poucos fomos perdendo as imposições das Ordenações Filipinas e a elegância da linguagem.

Não seria bom ler “Vamos Perdoar ao Lula, a Viva Alma mais Honesta do Planeta, Posto Que, Ao Falar O Que Sabe e o Que Fez, Deu Terceiros à Prisão?”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Dias tristes

Por Maria Helena Rubinato


Dias tristes
Não consigo compreender a explosão de alegria no plenário da Câmara ao saber que Eduardo Cunha acolhera o pedido de impeachment contra a presidente da República. Ela, incompetente e arrogante, ele um parlamentar acusado de corrupção, vinham travando uma batalha há meses, cada um preocupado com seu destino, nenhum dos dois preocupado com o Brasil. Não vejo motivos para alegria.

Da minha parte, fiquei triste. É o início do verão do nosso desconsolo. A corda do cabo de guerra – com barganha dos dois lados – esticou de tal modo que esfiapou e anteontem acabou por arrebentar. Agora teremos mais paralisia ainda, pois a economia que já está em seu nível mais perigoso, terá que aguardar toda a longa tramitação do processo de impeachment. Que não é pequeno.

Arte de SID


O duelo entre dona Dilma e Cunha foi uma vergonha. Seja lá qual for o desfecho, o fato é que os inúmeros passos dos combatentes são uma mancha da qual não nos livraremos, nem tão cedo.

Dona Dilma, no mais curto discurso que fez à Nação desde que recebeu a faixa pela primeira vez, procurou se fazer de vítima impoluta de um algoz, cujo nome ela não cita, que é puro pecado. Eduardo Cunha se apresenta como um Sir Galahad com a armadura enferrujada. Declarou não ter nenhuma felicidade no ato que praticava: o pedido de impeachment da presidente!



Arte de PAIXÃO


Ela, a presidente, só sabe dizer que é honesta. Como se isso fosse uma qualidade extraordinária. Dona Dilma com certeza pensa que desonesto é só quem bate carteiras ou assalta bancos. Era bom que alguém lhe dissesse que enganar eleitores, como ela fez para vencer na última campanha, é desonesto.

Do lado dele, confesso, é muito estranho, mas cada vez que Eduardo Cunha se aproxima de um microfone quando está dentro do Congresso, eu me lembro do filme ‘O Iluminado’, de Stanley Kubrick, e fico com a mesma sensação de medo. Não sei se é seu olhar fixo, se é seu sorriso frio, se é o ambiente daquela Casa que devia ser do povo, mas que é tudo, menos isso. Sei lá, o que sei é que fico com medo.

Arte de SOLDA


Lula, Dilma e o PT se gabam das conquistas sociais nesses últimos doze anos. A maior delas: a possibilidade de cada família brasileira abrir um crediário para poder comprar os eletrônicos e o carro que lhes dá a ilusão de ter ascendido à classe média. Possibilidade que agora se esvai.

O ex-presidente bate no peito para dizer que nunca ninguém criou tantas universidades quanto ele. Só esqueceram de lhe dizer que universidade não é só o prédio: é muito mais do que isso e esse muito mais, não foi lembrado...

Arte de SPONHOLZ


Alias, por falar na figura do ex-presidente em exercício, era melhor ele ter continuado calado do que dizer o que disse ontem aqui no Rio: que o pedido do impeachment é uma insanidade. De quem? De quem cutucou o homem-bomba com um longo alfinete ao não acreditar do que ele era capaz, ou dele, do cutucado?

Estamos numa fase negra: inflação desembestando, parcas conquistas sociais se desfazendo, o desemprego a níveis impressionantes, a fome começando a bater nas portas e, além disso, tudo, o maior inimigo à solta, o aedes aegypti.

Arte de OLIVEIRA


Essa, que deveria ser a maior preocupação dos brasileiros preocupados com o futuro, com certeza vai ficar congelada à espera do resultado do processo de impeachment.

Ou você, leitor, acha que algum dos grão-duques da Nação vai parar para pensar na devastação feita por esse infeliz mosquito que se vale das precárias condições de saneamento em que muitos brasileiros vivem? Ou que só vão pensar em esmagar ou em incensar o crescimento do processo que começou ontem?

Arte de NEWTON SILVA


Como comemorar, seja lá o que for, Natal, Réveillon, Carnaval, Impeachment, Olimpíadas, sabendo que até agora já são mais de 1200 os bebês abatidos pelo zika vírus?

Dias tristes, isso sim.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Rio de Janeiro, terra sem lei

Por Maria Helena RR de Souza, do 50 anos de textos

Guerras sem trégua
No dia em que foram oficialmente inaugurados os Anéis Olímpicos aqui no Rio, morreu um médico assaltado a facadas nas margens da Lagoa Rodrigues de Freitas.

Arte de ALECRIM


Revoltado com o crime na Lagoa, nosso secretário de Segurança Pública, José Maria Beltrame, declarou que “é inadmissível o que aconteceu ontem, na Lagoa, lugar querido pelos cariocas, frequentado pela população do Rio e pelos turistas. Cenas como essas não podem se repetir. A Lagoa é um cartão-postal” (sic).

A Lagoa, é verdade, tem sido grande vítima dessas cenas de horror: em outubro de 2014 um estudante teve o pulmão perfurado ao tentar fugir de um assalto. Em abril deste ano um menino de 14 anos foi ferido a faca por quatro jovens que queriam levar sua bicicleta. No mesmo dia, um homem também foi esfaqueado quando corria nas margens da Lagoa.

Arte de SUELLEN BECKER


Outros pontos turísticos do Rio também são verdadeiras armadilhas para o turista desavisado ou para o carioca que insiste em andar de bicicleta, namorar, ir ao cinema, tirar dinheiro no banco, visitar museus ou simplesmente ir e vir pelas ruas de sua cidade.

Em São Conrado, uma mulher de 31 anos é ferida a faca por bandidos armados ao atravessar a passagem subterrânea que leva de um lado a outro da Estrada da Gávea.

Pertinho da Praça Quinze, local do desembarque da Família Imperial, onde ficam o Paço Imperial, a Antiga Sé onde nossos Imperadores foram coroados e a maravilhosa Igreja da Ordem Terceira do Carmo, uma turista vietnamita foi esfaqueada no braço esquerdo e nas costas. Ela estava em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e teve sorte: está hospitalizada, mas não morreu.

Arte de ALECRIM


Fora dos cartões-postais, na Avenida Brasil, o cadeirante Eduardo Câmara, agredido a facadas, teve, além do automóvel e de uma bicicleta, a cadeira de rodas roubada. Em quatro meses, o Rio teve 167 feridos a faca. Os dados são da Secretaria de Saúde do município.

A cidade, acuada pelo medo, sofre de norte a sul, de leste a oeste.

Foi lendo esse noticiário tenebroso que soube de um detalhe maquiavélico: portar arma branca não é crime, é apenas uma contravenção! Quem foi o legislador que bolou tal pérola e quais seus pares que a legitimaram? O que será que eles tinham na cabeça? É, pois é. Só pode ser…

Arte de RENATO


Zuenir Ventura cunhou uma expressão que nos define muito bem: a cidade partida. Agora, em guerra. E numa guerra sem trégua.

sexta-feira, 13 de março de 2015

As panelas de dona Dilma

Por Maria Helena Rubinato R de Souza
Publicado no Blog do Noblat nesta sexa feira, 13.


As panelas de dona Dilma
Jonathan Swift, pensador irlandês que viveu de 1667 a 1745, diz que a maioria das pessoas é como alfinetes: suas cabeças não são o mais importante

Mentir é das artes mais difíceis e trabalhosas. Não é para qualquer alfinete, não. Quem quer ser um mestre na arte de enganar, tem que ter, em primeiro lugar, uma memória fabulosa e, em segundo lugar, respeitar o infeliz a quem mente. Acima de tudo, tem que ser diligente, estar sempre atento e não saber o que é preguiça, já que a mentira obriga o mentiroso a estar sempre fiando outras mentiras para sustentar a primeira que engendrou.

O grande erro dos políticos brasileiros é não ler, não estudar, não se aventurar entre os clássicos da literatura e querer, com sua rala cultura, fazer aquilo que Lincoln já advertia ser impossível e é: enganar a todos o tempo todo.

Vejam o PT e sua mentira mais usada: a vida que deu aos pobres. Quem nasceu, por exemplo, no último quartel do século 20 com certeza acredita que antes do PT aqui era o nada. Que os brasileiros nem sorrir sorriam, eram uns infelizes de pai e mãe. Antes do PT, era o breu!

Talvez nem acreditem que antes do PT o MDB, que pariu o PMDB, foi o partido no qual os brasileiros apaixonados pela liberdade e ansiosos pelo fim da ditadura mais confiaram.

Não os culpo. O PMDB, inerte, aquele que entra calado e sai mudo, não inspira que se acredite que já foi o berço de políticos que amavam mais o Brasil do que o Poder. De alguns que até abriram mão do Poder para preservar um país mais decente e com um futuro mais digno.

Leem Juca Kfouri, o jornalista do futebol, e acreditam quando ele garante que o repúdio demonstrado em várias cidades e bairros deste enorme Brasil ao engodo que foi a campanha e a consequente eleição de dona Dilma à Presidência da República foi “contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade”.

Gente diferenciada como dona Dilma, a filha de imigrante que deu certo. Ficam em êxtase diante da foto da presidente em sua modesta cozinha familiar, onde se vê, numa prateleira ao fundo, o xodó das cozinhas de todo o Brasil, o radinho.

Presidente Dilma Rousseff em seu programa  eleitoral na TV
 (Imagem: Reprodução / YouTube)

Vestidinha com um simples blazer, a presidente da República tem nas mãos uma frigideira de onde despeja numa travessa o macarrão na manteiga que preparou para os seus.

Não sei o que a minha nonna diria de um macarrão que saiu da panela para uma frigideira, mas sei o que eu digo das panelas de dona Dilma: um luxo, um sonho dourado, são panelas Le Creuset!

Mas, acreditem, é uma típica cozinha pós-PT. Até no detalhe das orquídeas em vez da tradicional comigo-ninguém-pode.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

“Podia passar mais rápido, por favor?”

Por Maria Helena RR de Sousa
Publicado no Blog do Noblat em 30JAN2015

“Podia passar mais rápido, por favor?”
Os próximos quatro anos, assim como o teleprompter... 

O discurso de dona Dilma na primeira reunião ministerial de seu segundo governo e o ansiado balanço da Petrobrás, que vieram à luz no mesmo dia, sofrem de mal idêntico: inutilidade.

Do primeiro, Ricardo Noblat fez uma análise perfeita: “Foi um discurso do ‘sem’. “Sem brilho. Sem novidades. Sem propostas de impacto. Sem coerência. Sem convicção. Sem nada”.

Arte de JARBAS


Do balanço sem o aval de uma consultoria independente, disse Fernando Zilvetti, professor da FGV, especialista em direito tributário: “O que a Petrobras apresentou e um papel em branco são a mesma coisa”.

Se pudéssemos dar no Tempo a mesma bronca que dona Dilma deu no encarregado do teleprompter, para vê-la aposentada o mais rápido possível, o Brasil sairia ganhando. Mas como isso nos é impossível, vamos tolerar por mais quatro anos a arrogância, o desrespeito, a bazófia de dona Dilma, conforme demonstradas durante sua primeira reunião ministerial de 2015.

Arte de KACIO


Confesso minha preocupação com o total afastamento da realidade com que age dona Dilma. Afinal, a campanha para a reeleição não foi há tanto tempo assim… e ela parece ter esquecido todos os embates que travou com Aécio Neves e também os vídeos inacreditáveis de sua propaganda: o prato de comida que sumia e outros detalhes infames. (Aliás, por falar em Aécio Neves, por onde anda a oposição?)

Ontem a presidente teve o desplante de dizer que os direitos trabalhistas são intocáveis e que não seria o seu governo, um governo dos trabalhadores, que iria revogá-los… mas… e lá vem o mas… “Vamos adequar o seguro-desemprego, o abono salarial, a pensão por morte e o auxílio-doença às novas condições sócio-econômicas do país”.

Arte de NEWTON SILVA


O que ela não diz é o que levou o Brasil a enfrentar essas “novas condições sócio-econômicas”. Dessa herança abominável ela não fala…

Sobre a Petrobras, a empresa brasileira que sempre encaramos como nosso maior tesouro e que agora se encontra numa situação tão vergonhosa que a imprensa estrangeira diz dela o que quer sem que ouça uma boa resposta, posto que essa não existe, sua situação é tão vexaminosa que a própria Graça Foster disse ser “impraticável quantificar os valores indevidamente reconhecidos”, ou seja, ninguém sabe o exato tamanho do rombo.

Arte de SPONHOLZ


Ainda assim dona Dilma pediu aos seus 39 ministros, mais os quatro assessores do coração citados na abertura do discurso, que “enfrentem o desconhecimento e a desinformação sempre e permanentemente. Reajam aos boatos. Travem a batalha da comunicação. Levem a posição do governo à opinião pública. Sejam claros. Sejam precisos e se façam entender. Nós não podemos deixar dúvidas”.

Não é um espanto? “Nós não podemos deixar dúvidas!”

Sabem de uma coisa? Dona Dilma é, como diria o saudoso Giovanni Improtta (José Wilker), simplesmente “felomenal”!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O preço da liberalidade

Por Maria Helena R.R. de Sousa
Artigo escrito em MAI2013 mas ainda atual 

Cartuns de Adão Iturrusgarai


Eu só queria entender
Dizem que nas décadas de 20 e 30 do século passado a moral das classes altas e a da classe artística era muito elástica, ou melhor, era muito frouxa. As aparências enganavam, a hipocrisia campeava. O uso da droga era muito difundido, o álcool era livre, o adultério era quase obrigatório, os casamentos eram um contrato comercial e patrimonial, mais do que tudo.

Bem, isso é que vemos nos bons filmes europeus feitos no intervalo entre as duas grandes guerras e na excelente literatura da época.



Se isso é verdade ou ficção, não sei.

O que eu sei é que hoje em dia, no mundo ocidental, tudo liberado, sem freios ou amarras, mulheres e homens absolutamente livres, sem necessidade de ser hipócrita, ser ou não virgens uma decisão pessoal sem controle externo, a droga entregue em domicílio, a bebida vendida livremente, ninguém preocupado com quem ou com o que você dorme… os crimes sexuais vêm crescendo de modo assustador.

Chega-se à triste conclusão que não é o amor ou o desejo que leva um homem a querer ter relações sexuais com uma mulher. O que os move é a violência. O prazer vem da violência. É a única explicação para o número estupidamente elevado de estupros aqui no Rio de Janeiro.

A maldade em estado bruto, como no caso da turista americana ou da moça no ônibus na Avenida Brasil. À luz do dia e em avenidas de trânsito intenso.



As famílias cariocas estão assustadas e impressionadas. Há medo de ver suas filhas saírem de casa, medo que tem que ser enfrentado, pois a vida não pára. Medo pelos filhos e por todos nós. A selvageria impera.

Mas isso parece não comover nossas autoridades. Leio na Veja, numa reportagem muito bem feita, sobre a pensão dada aos familiares dos detidos por crimes, hediondos ou não. A lei preocupa-se com o sustento das famílias dos bandidos. Mas, curiosamente, os familiares das vítimas, esses não recebem pensão do Estado, nem cuidados especiais…

NOTA DO BLOG - Clique no link do Câmara dos Deputados e opine se concorda com mudanças no benefício Auxílio-reclusão.

Até a Igreja esquece os bons para dar apoio aos maus. Vamos ter aqui no Rio, em julho, a Jornada da Juventude e o papa Francisco nos visitará. 



Na sua programação oficial há um breve encontro com alguns jovens detentos no Palácio Arquiepiscopal São Joaquim. Mas não li nada sobre a visita aos pais de crianças martirizadas ou de mulheres estupradas…

É difícil compreender.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Que a ONU não perca a oportunidade!

 Por Maria Helena RR de Sousa

Que a ONU não perca a oportunidade!
Dona Dilma para dialogar com eles!

A presidente da República Federativa do Brasil, presidenta Dilma Rousseff, mulher de fibra, de coragem e que deplora o sentimentalismo exagerado dos que se chocaram com a violência e a crueza do ISIS, abriu a 69ª Assembleia Geral da ONU com um discurso excelente que não foi compreendido pela imprensa tupiniquim.

Dona Dilma recordou a todos os que se achavam no plenário da ONU o que ela e Lula não se cansam de repetir: o Brasil acabou com a miséria, com a fome, com a desigualdade e com a mortalidade infantil e combateu a homofobia, além de seu governo lutar em favor da transparência e do combate à corrupção.



Ela acentuou que três em cada quatro brasileiros integram a classe média e os estratos superiores da sociedade. Como segundo o IBGE somos 201 milhões, façam as contas, senhores, e vejam o tamanho de nossas classes média e superiores! É estupendo!

Enfim ela fez um retrato desta potência, no que fez muito bem. Não era possível deixar que o resto do mundo só visse o Brasil como o país cujos cidadãos gastaram em oito meses US$ 17 milhões em compras e passeios no exterior!



Somos muito mais do que isso e temos uma chefa que não se curva diante de país algum. Por exemplo, querer que o Brasil assinasse a Declaração de Nova York sobre Florestas quando já reduzimos em 79% o desmatamento das florestas nos últimos dez anos! Onde já se viu tamanho desaforo?

Pois ela não assinou coisa nenhuma!

E por que cargas d’água ela se curvaria aos desejos de certos chefes de Estado no combate ao ISIS? O uso da força, nesses casos, seria uma prova de fraqueza intelectual e moral!



Mas dona Dilma, presidenta de um país que enfrentou galhardamente as decapitações no seu estado do Maranhão, sabe que não é pela força bruta que se resolvem esses problemas, mas pelo uso da força das palavras exatas, no tempo certo, i.e., pela diplomacia.

Será que a ONU vai perder a oportunidade de enviar dona Dilma como sua Embaixadora Plenipotenciária para dialogar com o ISIS?



Não creio que com sua vida atribulada desde mocinha ela tenha tido tempo de aprender muitas línguas, mas para isso ela tem a assessoria do brilhante Marco Aurélio Garcia, que seria um embaixador ex aequo et bono.

Da minha parte, além da confiança em sua atuação, tenho, sinceramente, muita pena dos membros do ISIS. Eles não sabem o quanto é cortante um meu querido dito em dilmês!

Que a ONU não perca a chance única que lhe foi dada por Deus e envie, o mais urgente que puder, dona Dilma ao encontro do ISIS.

São meus votos.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A farsa de uma CPI

Por Maria Helena RR de Sousa


Os bigodes, a rabichola e os netos
Suas Excelências apresentam um show de horrores. 

Não sei, e na verdade prefiro nem saber, pois é um desaforo muito grande, quanto custou, exatamente, o passeio de Paulo Roberto Costa a Brasília. Falam em cerca de R$ 60 mil, um troco para país tão rico.

O governo é covarde na medida em que nos agride sabendo que não podemos reagir – e não me venham com a lembrança que nas eleições reagiremos. Vocês têm certeza disso? Porque eu não tenho, nenhuma.

Arte de Sponholz


Como reagir a esse despautério? Se já sabiam que numa sessão aberta o delator não falaria, por que insistir? Se falasse, ele perderia o acordo de delação premiada. No lugar da figura, você falaria?

Eu me obriguei a assistir a CPI da Petrobrás, embora ciente que o premiado delator não iria falar. Mas queria ver o comportamento de Suas Excelências.

Fiz bem. Foi um espetáculo!

Arte de ?


Logo nos prolegômenos – juro que ouvi a voz do Odorico Paraguaçu ao meu lado!- as Excelências presentes, talvez seduzidas pelos novos e vastos bigodes ostentados por Paulo Roberto Costa, sabedoras que o depoente não poderia, nem que quisesse, o que não era o caso, falar, resolveram que iriam interrogá-lo assim mesmo. Ou quem sabe estavam saudosas de seu vozeirão? Será que as 18 variações do ‘nada a declarar’ saciaram a saudade das Excelências?

Foto: Jorge William/Agência O Globo

Mas vamos aos entrementes: a coragem física do deputado Eduardo Cunha foi louvável. Ele disse, em alto e bom som, não temer as informações do delator, pois quem não deve não teme e o PMDB não teme nem A, B, ou C. “Não tive nenhum constrangimento em ficar perto do delator”!

É ou não é um bravo esse líder do PMDB-RJ? Talvez só em Duelo em OK Corral viu-se tanta coragem!

Arte de Amarildo


Mais destemido ainda, sem respeitar os cuidados bigodes do interrogado, um deputado do Maranhão, Simplício Araújo, pega a palavra não para perguntar, mas para dizer ao depoente: “O senhor está aqui para proteger a sua rabichola. O senhor foi pego com a boca na botija e continua protegendo tudo o que aconteceu de errado na Petrobras com esse seu comportamento. O senhor é uma vergonha para sua família e para a sociedade brasileira”.

Na ingenuidade dos meus 76 anos, fiquei estarrecida ao ouvir a palavra da Excelência. Pensei que só em Pedrinhas, no Maranhão, o nível fosse tão baixo.

Arte de Clayton


Eis que o Vicentinho do PT começa a falar. Lastima o silêncio do interrogado, mas se diz aliviado: “Ainda bem que isso aqui [a TV Senado] o povo não assiste muito”.

E disse mais: “Nosso povo está feliz porque saiu da miséria. Jovens pobres, negros e índios nas universidades. Emprego pleno, o que é muito bom. Mas, como o depoente não falou, vai continuar terra arrasada com o apoio da grande mídia”.

Essa foi boa, não foi? Ô Excelência, ou bem é o paraíso que o senhor descreve, ou bem é terra arrasada com o apoio da Imprensa. Decida-se.

Arte de Sponholz


Mas teve mais. O senador Fleury (DEM-GO) achou que havia redescoberto a pólvora: “Eu acredito que vou fazê-lo falar. (…) Eu quero fazer a seguinte pergunta: o senhor tem neto?

Diante da resposta padrão, o senador honrou seus eleitores com a seguinte sentença:

— O homem que às vezes nega o neto, se tiver, não tem dignidade. Esse homem não deveria estar aqui. O mínimo onde ele deveria estar seria na Papuda, porque quem nega a família não merece viver.

Com essa, chegou a hora dos finalmente.



Já é muito cômico o hábito de nossos parlamentares se tratarem de Vossa Excelência e Nobre Colega o tempo todo, mas tem algo mais ridículo do que ver os deputados tratarem o condenado que está ali para depor sobre os malfeitos na Petrobras de Vossa Excelência?

A bênção, Odorico. Você faz imensa falta!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Há quem não veja o que o PT fez com a Petrobrás.

Por Maria Helena RR de Souza
Publicado em 16SET2014

Já passou, Chico
Não vou discutir o Chico Buarque beijando as mãos de Dilma Rousseff. O que é do gosto regala a vida, não é?

Espantoso é o texto assinado por ele e pelo Luis Fernando. Isso me chocou e muito. A Petrobras foi espoliada, vilipendiada, estuprada pelos governos Lula/Dilma e esses dois homens que Deus aquinhoou com talento e inteligência, de glorioso DNA, declaram sua admiração pelo governo PT! É assustador!

Arte de Sponholz


O título do manifesto – pelo estilo, até dá para desconfiar da autoria – é ‘A PRIMAVERA DOS DIREITOS DE TODOS: GANHAR PARA AVANÇAR’, e ali podemos ler: “Abandonar esse caminho para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre seria um enorme retrocesso. O brasileiro já pagou um preço demasiado para beneficiar os especuladores e os gananciosos. Não se pode admitir voltar atrás e eliminar os programas sociais, tirar do Estado sua responsabilidade básica e fundamental."

Lula, em surto preocupante, com os olhos esbugalhados e a expressão de quem não sabe bem onde está, diz que os economistas de Marina deviam ser proibidos de falar!

Dilma, sempre a mocinha que estudou em colégio de freiras, como ela gosta de se apresentar ultimamente, palanqueia em BH: — “Acho que, (para) ser presidente, a gente tem que aguentar a barra — disse Dilma, que completou: — Não sou contra as pessoas chorarem, não. Chorar é intrínseco ao ser humano, é o que nos distingue. Mas eu acho que o mais característico nosso, graças a Deus, é que o homem é um bicho que ri, ri até de si mesmo”.



Pois é, dona Dilma. Sete são as coisas que nos separam dos outros animais: falar; rir; pensar; ter problemas mentais; apaixonar-se; crer em Deus; e chorar.

Essa última característica merece uma explicação: todos os animais choram, mas somente os humanos vertem lágrimas de emoção. Há quem diga que elefantes e chimpanzés choram, mas é complicado afirmar se são lágrimas fruto de emoção ou não. Já com os crocodilos estão todos os cientistas convictos de que eles não choram e que é do tempo dos gregos a lenda segundo a qual os crocodilos fingiam chorar para atrair suas presas.

São muitos os crocodilos em nossa vida política. Há os que apelam até para suas mães terem nascido, coitadas, analfabetas; há os que se gabam de ter resistido à tortura física. Mas esquecem de dizer por que foram presos e maltratados por um Estado abjeto.

Arte de Sponholz

Do riso: há os que só sabem rir da desgraça alheia e aí riem a bandeiras despregadas.

Do falar e do pensar: há os que têm um pensamento tão atabalhoado, que não sabem completar uma frase, nem desenvolver um pensamento.

Da paixão: essa é a mais incrível das características humanas. Não tem explicação, e quando tem, é porque não era paixão.

Crer em Deus: essa é a mais gloriosa de todas as características, a meu ver, pois ela nos consola de uma dor, nos dá esperança de um futuro melhor, nos ajuda a vencer as tentações e maus pensamentos e nos leva a cumprir as Leis de Deus, aquelas que verdadeiramente nos distinguem dos animais.

Isso li em um livro escolar sobre biologia. Mas acrescento outra coisa que é exclusiva do homem: mentir.



Mentir, com que gana e volúpia os políticos mentem. Nisso eles são muito humanos. Reparem: ninguém indicou Paulo Roberto Costa para a fatídica diretoria de Abastecimento da Petrobras. Não foi o Lula, nem a Dilma, nem o Gabrielli, nem a Foster. Vai ver o homem tomou criptonita e baixou naquela cadeira da ex-maior empresa brasileira de todos os tempos, hoje a sombra do que foi.

Mas acho que sei quem o nomeou.

Dona Dilma, num palanque em Belém, disse quatro vezes ‘Viva o Açaí!’. Como já foi a Pernambuco inúmeras vezes e nunca disse ‘Viva a Cana de Açúcar!’ e no Rio Grande do Sul nunca disse ‘Viva o Butiá!’, concluo que essa laudação ao açaí era um código para bendizer a escuridão que nomeou Paulo Roberto Costa, o bom Paulinho, amigo dos petistas, para a generosa diretoria de Abastecimento, a que forrou muitos partidos…