Mostrando postagens com marcador Antonio Ribeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antonio Ribeiro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Paris, capital do mundo livre

Por Antonio Ribeiro, em seu De Paris.


Paris, capital do mundo livre
A simbologia foi forte. Começou em uma praça chamada República e terminou em outra, a da Nação. Entre os dois pontos, mais de 1,5 milhão de pessoas caminharam por uma linha reta, o bulevar de 2,85 quilômemetros de distancia cujo nome honra a memória de Voltaire — reformista francês celebre pela defesa das liberdades individuais, direitos civis, destemido e habil com a sátira para fustigar a hipocrisia do clero e da nobreza durante o Iluminismo.


Nem quando foi libertada da ocupação nazista, menos ainda depois da conquista francesa da Copa de 1998, tantos — e diferentes — foram às ruas motivados pelo mesmo sentimento. Os que conheciam Charlie Hebdo, jornalzinho tinhoso de 45 mil exemplares por semana, os que nunca leram uma linha ou riram de suas caricaturas, os que nunca ouviram falar seu nome, se identificaram com ele. Bradavam uma palavra singela de significado imenso: “Liberdade”. Já escorreu muito sangue da espada e tinta da pena para entrega-la assim, na bandeja.

Até alguns corretos da política da hora que, não faz muito tempo, empunharam cartazes em que se lia “Sorry”, desculpando-se pela publicação das caricaturas de Maomé, hoje informavam de vários modos: “Je suis Charlie”. Poderiam ter dito desta vez, “Pensei melhor, logo sou Charlie.”

Arte de Clayton


O inédito não parou por aí. O cortejo foi encabeçado, logo atrás dos parentes e amigos das 17 vítimas do atentado terrorista, por mais de 50 chefes de estado. Estavam lá de braços dados François Hollande, Angela Merkel, David Cameron, Mariano Rajoy, Matteo Renzi. E também, contribuindo com a preciosidade do momento, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, o representante russo e o enviado ucraniano.

Muitos acharam que era uma temeridade reunir tantos quando ainda se sente odor de pólvora expelido pelas Kalachinikov dos terroristas. Finalmente, não houve nem um mísero incidente ou uma banalidade do cotidiano que irrita o parisiense, cujo estresse é tido como traço de identidade. (Talvez, vá lá, o tombo da primeira ministra da Dinamarca na escadaria do Palácio do Eliseu) O dispositivo policial parecia bem modesto para a envergadura do evento. Ou melhor, foi diluído na gigantesca massa humana. Ordeira e pacífica. O medo foi vencido com serenidade.

Arte de Cau Gomez


Mais cedo, François Hollande declarou que neste domingo invernal e ensolarado, Paris era o centro do mundo. Pode-se argumentar que o “presidente modesto” tenha exagerado na dose do tinto que regou o almoço para seus ilustres convidados. Mas é inegável que, pelo menos no senso figurado, Paris foi nestas 24 horas, a capital do mundo livre. Isso porque, mais uma vez, na prática, respondeu de forma exemplar à ameça terrorista. Ela também inédita e teimosa.

Assista vídeo exclusivo do Blog de Paris feito na manifestação: República atacada pelos corvos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A Europa e o futuro... do Brasil !

BRASIL NO EXTERIOR

Por Antonio Ribeiro
Em seu De Paris

De Dilma, os europeus querem saber mais sobre o futuro
A imprensa européia tratou a reeleição de Dilma Rousseff quase como um rito democrático protocolar. Mesmo a revista britânica The Economist que na semana anterior tinha aconselhado o voto em Aécio Neves lembrou que nas últimas três décadas, apenas três presidentes na América Latina não conseguiram se reeleger.

Arte de Newton Silva


A percepção pode causar espanto em quem acompanhou de perto a eleição mais acirrada da história republicana. A vitória de Dilma teve uma margem de apenas de 3% dos votos. Ela tampouco reflete a violência do debate no qual foi usada uma das armas mais pesadas do arsenal da infâmia. Lula, principal porta-voz do PT, para desqualificar o adversário que acabou colhendo mais de 51 milhões de votos, o acusou de pertencer a partido semelhante aos “nazistas”.

Arte de Sponholz


Tampouco levou-se muito em conta que a mentira encontrou condições climáticas e campo fértil para brotar viçosa e conquistar corações e mentes, sobretudo, dos mais inocentes. Os europeus conhecem de cor o discurso do medo e, por mais das vezes, dedicam solene indiferença. O estadista prussiano Otto von Bismarck sustentava no século XIX que as guerras, as eleições e as caçadas eram momentos propícios para as lorotas deslavadas.

Os europeus de um modo geral estavam mais interessados nas eleições na Ucrânia para saber se os eleitores do leste iriam escolher deputados mais favoráveis à União Européia ou à Rússia de Putin. No domingo, enquanto o Brasil fervia, as emissoras de radio e TV na França levavam ao ar mais boletins sobre as legislativas na Tunísia onde os islamistas perderam a eleição.

Arte de Amarildo


No Velho Continente, a curiosidade maior não é bem como Dilma manteve o poder, mas de que maneira irá governar com situação até então inédita. Ou seja, o país nitidamente divido em dois. Se adicionados os 32,3 milhões de eleitores que não quiseram votar em Dilma ou Aécio, é praticamente impossível se ter algum sucesso fazendo de conta que se obteve unanimidade na preferência nacional.

Arte de Miguel


O vespertino francês Le Monde pergunta quem será o ministro da economia capaz de tirar o país da estagnação cuja previsão de crescimento para 2014 é perto de zero e a inflação acumulada em 12 meses, bate em 6,75%? O principal diário da Alemanha, o Allgemeine Zeitung, afirma que a reeleição de Dilma não põe fim nas investigações de corrupção na Petrobrás e que, finalmente, depois de 12 anos, a oposição parece ter acordado além de ter doravante um cacife de votos formidável.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cutucando o "frango" de vara curta

De Antonio Ribeiro, de Paris

Nos Estados Unidos, os policiais são injuriados como pigs, porcos. Na França, eles são perjurados, como poulets, frangos. Mas aqui, eles estão bravos. A razão vem de uma astuciosa publicidade que conta verdade notória na terra onde a culinária é tratada com a importância das questões de estado. Diz ela: “Frango de Loué, criado em liberdade”.

E por abaixo, vai a fotografia de um altivo jovem policial. “Outros frangos” é a legenda da imagem de um camburão repleto de policiais — uns gordinhos, outros magrinhos e todos com expressões não muito inteligentes.





Em nada adiantou o criador de frangos caipiras da região de Loué argumentar que seu objetivo não era insultar, mas colocar em evidência a qualidade dos seus produtos, servindo-se de gíria conhecida até nos pátios das escolas primárias.

Nicolas Comte, presidente do principal sindicado de policiais do país onde ovos de galinhas criadas ao ar livre são conhecidos como produto de ave feliz, escreveu para o dono da granja. “Os agentes de manutenção da ordem pública foram denegridos da forma mais vulgar, não estão contentes.”

A publicidade, estampada em outdoors e até em cartazes em pontos de ônibus, como na foto que ilustra este post, é um tremendo sucesso. O francês olha para a imagem e, invariavelmente, sorri.

Se não houver policial por perto, chega a desenvolver comportamento não muito habitual: puxa conversa com desconhecidos. Isso para sondar alguma cumplicidade na graça. Em contrapartida, a direção da polícia está preocupada porque alguns gendarmes evitam os lugares onde a publicidade é mostrada com mais evidência.

web

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O tubarão também tem seu dia de sardinha

Conto do vigário em Londres

Por Antonio Ribeiro, de Paris

No mercado financeiro europeu, o investidor holandês Marcel Boekhoorn é respeitado como um “tubarão”.

O termo significa alguém com formidável tino para bons negócios. A maior proeza de onde deriva o adjetivo atribuído a Boekhoom foi a compra da operadora de telefonia Telford por 300 milhões de euros. Nove meses depois, ele a vendeu por 1,2 bilhão de euros.

Quando o inglês Antony Lee propôs a venda do lendário e luxuoso hotel Ritz de Londres por apenas 300 milhões de euros — 420 milhões de euros inferior ao seu preço de mercado — o tubarão holandês viu na compra, a oportunidade de perpetuar sua fama e aumentar o patrimônio realizando negócio com perspectivas melhores que o seu maior desempenho.


Lee nunca foi proprietário do Ritz, mas conseguiu persuadir os especialistas do Apvodedo, a equipe de financistas na folha salarial de Boekhoom, de que tinha relações privilegiadas com os gêmeos Barclay, os bilionários donos do Hotel Ritz.

Os lordes Frederick e David Barclay teriam lhe oferecido a jóia da rede hoteleira britânica por módicos 240 milhões de euros. Por sua vez, Lee propunha revende-la para obter de lucro 60 milhões de euros. Contudo, impôs duas condições: os compradores deveriam avançar 1 milhão de euros para assegurar a exclusividade da revenda e a negociação seria feita sob sigilo total, segundo a regra das operações dos Barclay. O acordo foi fechado, a grana transferida, mas a luxuosa hospedaria do bairro londrino de Piccadilly jamais trocou de comando.

Lee é um caminhoneiro desempregado, de 49 anos, morador de Yorkshire. O sargento Garry Ridler, da North Yorkshire Police, levou dois anos para fisgar o falsário. Foi ajudado pela força incontrolável de quem considera o valor de um mihão menos excitante do que a capacidade de bater uma carteira. Lee tentou golpes menores. Pego com a mão na botija,o caminhoneiro foi condenado a 5 anos de prisão na Southwark Crown Court.

Entretanto, juntou-se ao clã ao qual pertence o checo Victor Lustig que vendeu a Torre Eiffel por 250.000 francos em 1925 e George C. Parker que encontrou repetidas vezes, compradores da Ponte do Brooklyn e da Estátua da Liberdade, em Nova York.

É como o povo diz: "Sabedoria" demais atrapalha...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Euro: a preferência do crime organizado!

Por Antonio Ribeiro, em seu de Paris

Euro vence o dólar com boa mão do crime organizado
Quando tinha 5 anos de idade, o euro, a moeda européia, tornou-se o meio de pagamento cash favorito do planeta. Ela continua na liderança com suas notas em circulação totalizando 791 bilhões de euros.



O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, estima que existem 933 bilhões de dólares em circulação no mundo. Como a taxa de câmbio entre as duas moedas está em torno de 1,35 (1 euro = 2,345 reais), a confiança ao euro é amplamente superior. No entanto, a glória européia que representa 36,1% do total em dinheiro cash circulando, tem seu lado sombrio. O euro é também a moeda preferida do crime organizado.

Neste particular, o grande vilão é a nota de 500 euros. Em termos de valor reais e não de face, ela só perde para a nota de 1.000 francos suíços. Os americanos temerosos com a falsificação - e o velho dólar é mais fácil de ser reproduzido - não emitem mais a nota de 500 dolares com o retrato do presidente William McKinley que tornou-se objeto de colecionador.


O valor facial mais alto da verdinha americana em circulação é 100 dólares. Uma pasta do tipo 007 pode conter entre 10.000 e 12.000 notas de 500 euros, o que significa entre 5 e 6 milhões de euros, nenhuma moeda no mundo vale tanto com peso equivalente.

Em 2009, só na Bélgica, 27.415 notas de euros falsas foram retiradas de circulação, um aumento de 30% em relação ao ano anterior - na Europa, foram descobertas 860.000 falsificações. A

s notas de valor elevado representam uma dor de cabeça suplementar para Interpol. Adicione-se que nos últimos três anos as emissões de euros aumentaram duas vezes mais rapidamente que as do dólar. As notas de grande valor facilitam a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro.

Uma lei francesa proíbe, por exemplo, que se faça pagamentos superiores a 3.000 euros em dinheiro líquido. Os bancos exigem um aviso prévio de dois dias para retirada cash, sobretudo, quando o cliente pede a quantia em bilhetes de alto valor facial.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Direto "de Paris"!

Por Antonio Ribeiro, de Paris

É o cara ... de pau
Depois de afirmar publicamente em três ocasiões diferentes a sua preferência pelo avião de combate francês Rafale na licitação do projeto FX-2, Lula pinoqueou o seguinte:

O único que ficou em silêncio até agora fui eu.
E fiquei em silêncio porque tenho o poder de decidir e,
 quem tem o poder de decidir tem mais responsabilidade:
não fala o que quer, fala o que pode.”


Embora não seja nenhuma novidade e mesmo muito frequente, o presidente se contradiz na forma e no conteúdo. Falou, mas disse ter ficado em silêncio. Falou o que quis e falou o que não deveria, contrariando com habitual desfaçatez a regra mais básica de uma licitação.


charge de zope


Lula não descarta levar a questão da compra para ser discutida no Congresso. Bem, se vale o que diz, desta vez, era onde tudo deveria ter começado. O maior gasto militar da história do Brasil merece, tal qual nas democracias dignas do nome, transparência e debate público entre os representantes de quem vai pagar a conta.

sábado, 24 de outubro de 2009

Artigo de Antonio Ribeiro: Tempos das ...

Por Antonio Ribeiro

Tempos das cavernas
A pré-história corresponde ao período que antecede a invenção da escrita. A grosso modo, foi por volta de 4.000 anos antes de Cristo. Alguns historiadores sustentam que o termo pré-história é incorreto. Segundo eles, seria mais preciso referir-se àqueles tempos como anteriores à chegada de documentos escritos. História sempre houve, embora nem sempre escrita.


No Brasil, a “pré-escrita” acabou tarde. Foi em 1500, quando Cabral aportou na Bahia. Na Nova Guiné, o marco aconteceu na virada do século passado, em 1900. Onde hoje é Honduras, viveram os Maias, civilização que, de acordo com os livros - e também na nova bossa, o Google - sabia escrever.


Ao observar certas imagens tomadas esta semana em Tegucigalpa - a que ilustra este post é uma delas - percebe-se o esforço para reproduzir, não os desenhos das grotas jurassídicas, mas as caricaturas com as quais o contemporâneo bem humorado retrata os primórdios, antes mesmo dos pré-colombianos. É favor não confundir com bolivarianos. A situação se presta a confusão. Nova Giné tampouco é Guiné-Bissau.

Há quem diga com bastante propriedade que blogues são uma questão de atitude. Nos tempos dos bytes, subscrevemos sem ressalvas.

sábado, 5 de setembro de 2009

Antonio Ribeiro > fuego muy amigo


Por Antonio Ribeiro


Tcham, tcham, tcham - fuego muy amigo
Se a mola desprendida do carro de Rubens Barichello tirou Felipe Massa das pistas de Formula 1, a batida de Nelsinho Piquet, no Grande Prêmio de Cingapura 2008, afastou o título do piloto da Ferrari.
A primeira ação foi involuntária. A segunda, a empresa londrina Quest, sob encomenda da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), realiza investigação, mais aprofundada do que se supunha inicialmente, para saber se foi trama premeditada.
Seja qual for o resultado da investigação, o futuro de Nelsinho Piquet na Formula 1 é sombrio. Salvo na imprensa umbilicalmente dependente da presença de brasileiros nos circuitos, a percepção generalizada não se sustenta apenas nas declarações de Bernie Ecclestone, ainda que o “Barão do Paddock” conheça melhor os traçados da Fórmula 1 que as linhas das suas mãos.
O vaticínio baseia-se em inapelável evidência. Muito pouco provável achar uma escuderia disposta a dar emprego para um piloto desleal, se não com o automobilismo, mas certamente, com o ex-patrão.
Inconformado e irado com a demissão por não cumprir clausula do seu contrato - obter 20% dos resultados de Fernando Alonso - Nelsinho saiu da Renaul chutando o pau da barraca. Chamou Briatore de “meu carrasco”; acusou o italiano de não entender nada de Fórmula 1; e agora, emerge a suspeita de que teria sido cúmplice de uma manobra que colocou em risco sua vida, a dos colegas, dos comissários de pista e do público. Isto na pista. Fora dela, o dano pode ser mais amplo.
Se ficar provado que houve armação, a Renault e o seu chefe de equipe Flavio Briatore serão banidos da Formula 1.
A empresa francesa terá que se contentar com, no máximo, fabricar motores para outras equipes. Já não é a primeira vez que a dupla Briatore e Renault se mete em encrenca. Em 1994, na época em que a equipe estampava o nome Benetton, a FIA fez vista grossa com a retirada ilegal de um filtro do sistema de abastecimento dos carros para torná-los mais leves - infração admitida pelos culpados.
Há quem evidencie a dificuldade de colher provas para a eventual armação do acidente noturno nas ruas de Cingapura. Seria necessário nítida gravação da ordem “Bata agora, Nelson!” ou a confissão de alguém dentro da equipe Renault, dizem eles.
A Formula 1 é um pouquinho mais complexa do que os desfiles carnavalescos, embora admita-se que recursos para apresenta-la tal qual, possa seduzir os sonolentos. Mas persuadir quem raciocina, pensa, requer um pouco mais de substância.
Os investigadores da Quest vão analisar, por exemplo, a telemetria do carro de Nelsinho. Ela revela tanto ou mais, pela associação com as imagens do acidente, que uma caixa-preta de avião acidentado.
Sabe-se que Alonso largou com combustível suficiente para completar apenas 12 voltas. Sem a entrada do safety car, era praticamente impossível, terminar a corrida como vencedor.
Qual era o contexto?
A equipe Renault e Alonso não tinham ganho nenhuma prova desde o inicio da temporada. O presidente da Renault, Carlos Ghosn, ameaçava interromper a participação da empresa na Fórmula 1, devido ao alto custo sem resultado compensatório.
A vitória da Renault em um GP na Ásia, mercado automobilístico onde a empresa francesa disputa seu futuro, tinha uma simbologia muito além do mundo esportivo. É inegável, a Renault Formula One desembarcou em Cingapura com a pressão do mote pó de arroz: “Vencer ou vencer”.
Depois da corrida, Felipe Massa, líder da prova até a entrada do safety car, foi se dar com Briatore. Ele teria feito saber ao italiano que o acidente do compatriota Nelsinho foi fraude. Este tipo de inteligência não escapa da Quest.
O que doutos em Formula 1 no Brasil não atentaram, ou propositalmente colocaram no terreno do indizível, é que a investigação encomendada pela FIA tem implicações muito mais sérias. A maior competição mundial sob quatro rodas tornou-se um cassino, onde uma enorme quantidade de apostadores investem uma dinheirama. Os resultados manipulados são passíveis de ações na justiça comum que podem desaguar em condenações criminais.

terça-feira, 24 de março de 2009

Paraísos fiscais na mira.

imagem Linkinn
Por Antonio Ribeiro, em seu blog
Paraísos fiscais, os próximos alvos da criseA chanceler Angela Merkel fez seus diplomatas passarem a mensagem de que não apreciava as mãos de Nicolas Sarkozy nas suas costas durante cumprimentos nos encontros de cúpula.
Quem vive nas margens opostas do rio Reno, na Alemanha e na França, sabe bem que seus governantes não tem grandes afinidades. No entanto, contrário à israelenses e palestinos, eles aprenderam a arte da convivência pacífica depois de anos de disputas resolvidas por meio de bala e baioneta — a conversão de países inimigos a aliados na Europa é uma das maiores lições na história moderna.
Desta vez, junto com Barack Obama e animados pela crise econômica e financeira mundial, o casal teuto-francês desembarcará em Londres para reunião do G20, no dia 2 de abril, imbuídos no mesmo combate:


o questionamento efetivo de territórios que permitem pagar menos ou nenhum
imposto, os paraísos fiscais.


Tolerados durante três séculos, os paraísos fiscais e obstinados segredos fiscais são percebidos depois da crise como freio à necessidade de regulamentação financeira mundial.
Cada qual já pegou seu cristo. No mês passado, os Estados Unidos escolheram a Suíça, onde os bancos guardam a sete chaves 2 trilhões de dólares da riqueza mundial.
As autoridades americanas forçaram o banco UBS a fornecer detalhes das contas de 300 nacionais suspeitos de burlar o fisco — estima-se que o país perde anualmente 100 bilhões de dólares em evasões fiscais — e estão tentando conhecer a movimentação de 52.000 correntistas de bancos suiços.
A França celebrou, depois da forte pressão no governo de Andorra, a decisão do próspero principado dos Pirineus de votar lei que acaba com o segredo bancário. “Chegou o tempo de adaptar nosso sistema bancário às regras dos impostos” diz o príncipe do Luxemburgo, Alois von und Liechtenstein, sob cerrada marcação alemã.
A Bélgica propõe acabar com o segredo bancário, enquanto as ilhas Jersey e Guenersey dizem que irão responder as solicitações da administração fiscal britânica.
Em fevereiro, Singapura e Hong Kong anunciaram projetos de leis para mudar sua pratica fiscal.
Para pressionar Andorra, Sarkozy chegou a ameaçar renunciar seu titulo honorífico de co-príncipe — ao lado do bispo de Urgel — se o governo do principado não obrigasse seus bancos a serem mais transparentes. A renúncia significa que Andorra passa a ser espanhola.
Uma reportagem da revista Alternative économiques revela que 100% das empresas do CAC 40as 40 mais ricas da França — tem filiais nos paraísos fiscais.
Segundo a ONG Transparencia Internacional, os paraísos fiscais abrigam 400 bancos, dois terços dos 2.000 principais hedge fonds e 2 milhões de empresas de fachada.

Enquanto isso, as autoridades em Mônaco permanecem em silêncio.
Conclusão: O movimento dos governos não é bem uma medida moral, mas a busca de liquidez onde ela existe.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Fatos diversos ou ...

Por Antonio Ribeiro, em seu blog

Faits divers* - Em tempo de guerra todo o buraco é trincheira
Jacques Verges é um astuto advogado francês, filho de um pai nascido na Ilha da Reunião e de mãe vietnamita. No ano passado, fizeram um filme sobre sua vida.
Maítre Verges, de 84 anos de idade, prefere ser o único de um lado do que mais um entre tantos outros que defendem causas sensatas. Estratégia e egocentrismo mais antigo do que Matusalém, mas nem sempre percebido pelos menos incautos — em terra de cegos quem tem olho é rei.
Ele defendeu o chefe da Gestapo na cidade de Lyon durante a ocupação nazista na França, Klaus Barbie. Foi advogado do terrorista venezuelano, Carlos, o Chacal. De 1970 à 1978, Jacques Vergès desapareceu. Suspeita-se que ele trabalhou para o Khmers Vermelhos de Pol Pot, no Camboja.
Verges conta que, durante o julgamento de Klaus Barbie, olhava para os 40 advogados de acusação e sentia-se em êxtase: “Cada um deles valia um quarenta avos em relação a mim.”
O advogado foi perguntado se era capaz de defender Hitler? Ele saiu com seguinte ironia: “Defendo até George Bush se ele declarar-se culpado.”
O engenheiro austríaco Josef Fritzl, de 73 anos, que pode ser condenado à prisão perpétua por ter sequestrado e violentado a filha durante 24 anos em um porão da sua casa na cidade de Amstetten, declarou “parcialmente” culpado, no seu julgamento que começou hoje.
Fritzl admite o incesto, estupro e sequestro, mas declara ser inocente das acusações de assassinato e escravidão.
Fritzl que chegou ao tribunal escondendo o rosto atrás de uma pasta azul, declarou na sua avaliação psicológica: “Percebi que tinha uma via para maldade. Para alguém nascido para ser um estuprador, até que eu aguentei por muito tempo.”
O caso escabroso de Fritzl choca a maioria, mas configura mais uma ótima oportunidade de defesa para quem deseja ser o único de um lado do que mais um entre tantos que defendem causas sensatas.

* Faits divers quer dizer, literalmente, fatos diversos, mas no idioma francês é a sessão dos jornais que trata de crimes.

quinta-feira, 19 de março de 2009

“São outros que merecem a excomunhão”

charge via e-mail
Por Antonio Ribeiro, em seu blog
De uma indignação 'a outra
Em artigo no Osservatore Romano, jornal do Vaticano, o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, o cardeal Rino Fisichella, um dos mais próximos conselheiros do papa Bento XVI, escreve sobre o anúncio de excomunhão da equipe médica que praticou o aborto na menina pernambucana de 9 anos e 35 quilos, grávida de gêmeos, depois de ser estuprada pelo padrasto.

São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e a ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos", diz ele.


O cardeal Fisichela maior autoridade eclesiástica em bioética diz que o Arcebispo Metropolitano de Recife e Olinda, dom Jose Cardoso Sobrinho (entrevistado da jornalista Juliana Linhares na edição de VEJA esta semana), colocou em risco a credibilidade da Igreja.

Era mais urgente salvaguardar a vida inocente e trazê-la para um nível de humanidade, coisa em que nós, homens de igreja, devemos ser mestres. Assim não foi e infelizmente a credibilidade de nosso ensinamento está em risco, pois parece insensível e sem misericórdia."



Segundo o cardeal, a equipe médica merece respeito por agir de forma profissional em uma situação delicada:

“É uma decisão difícil para os médicos e para a própria lei moral. Não é possível dar parecer negativo sem considerar que a escolha de salvar uma vida, sabendo que se coloca em risco uma outra, nunca é fácil. Ninguém chega a uma decisão dessas facilmente, é injusto e ofensivo somente pensar nisso."

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O buraco é mais embaixo

Por Antonio Ribeiro, da Revista Veja

A questão do "sifu" é mais embaixo
Tostines vende mais porque é fresquinho ou Tostines é fresquinho porque vende mais?
A Secretaria de Imprensa da Presidência contou lorota ontem (segunda) aos jornalistas. Foi dito não ter havido censura na transcrição da expressão chula “sifu”, pronunciada por Lula em discurso da quinta-feira passada, grafada na transcrição da fala como “inaudível”, embora os presentes no evento tenham ouvido a palavra.
Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, as senhoras que transcrevem os discursos do presidente optaram por deitar “inaudível” no papel porque não compreenderam o significado de “sifu”.
Primeira queda. Se as funcionárias do executivo nacional desconhecessem o significado de “sifu”, fica claro que desconhecem também o que “inaudível” quer dizer. Poderiam ter grafado “incompreensível”.
Mas se a lorota oficial fosse levada a sério, as escribas do Palácio do Planalto estariam inaptas para realizar função paga pelos contribuintes brasileiros.
Segunda queda. Quando se desconhece o significado de uma palavra, consulta-se o dicionário. Se o verbete está ausente no “pai dos burros”, procura-se saber o que quer dizer com quem o pronunciou.
Terceira queda. A versão mentirosa da Secretaria de Imprensa da Presidência pressupõe, por dedução lógica, que o presidente se dirige à um país chamado Brasil Menos as Senhoras. Ora, Lula foi eleito por senhoras, senhores e senhoritas brasileiras com mais de 18 anos com título eleitoral válido.
O presidente deve falar a todos devido as regras básicas da democracia, confraria a qual o Brasil pertence. Portanto, ou Lula é mal assessorado ou não deveria ocupar cargo remunerado mensalmente sem atraso, pelo dinheiro dos contribuintes.
Quinta queda. Lula voltou a servir-se do “sifu”, por duas vezes ontem (segunda), em almoço com oficiais-generais das Forças Armadas, no Clube da Aeronáutica, em Brasília.
Conclusão: retorno à casa um. Ou seja, confirmou-se a lorota dos aspones do Planalto aos jornalistas. Por quê? O que motivou o presidente a dizer “sifu” é o “digo o que quero quando quero.”
Sexta queda. No dia 17 de setembro de 2008, Lula disse: "Proibimos a palavra gasto em educação." É cristalino, o presidente considera o conteúdo mais importante do que a forma. A surpresa viria se ele dissesse: “Proibimos esbanjar falta de educação”. Entende-se, Lula seria o primeiro a quebrar a regra.
Sétima queda, a fatal. FHC, enquanto foi presidente, manipulava bem o idioma materno. Tinha a desvantagem, em relação a Lula, de não achegar-se a todos pela qualidade do raciocínio sofisticado. Lula atinge à todos de maneira literal e figurada.
Isto posto, é pena que alguns críticos da grossura do presidente Lula servem-se de linguagem igual ou pior do que a dele.
Tristes moços, diria o gaúcho Lupicínio Rodrigues. Trata-se do sujo falando do mal lavado. Eles jogam a credibilidade no chão.
* A transcrição foi total. Não sei onde foi parar a quarta queda.