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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Do Fuleco ao Pixuleco

por Ruy Castro.


Do Fuleco ao Pixuleco
Em tese, a ideia era boa: um boneco que o Brasil reconhecesse como significativo, ajudasse a divulgar uma causa nobre e simbolizasse comercialmente um evento importante. O boneco era o Fuleco; a causa era defender o tatu-bola da extinção, e a expectativa era a de que, por causa da Copa de 2014, de que ele era símbolo, o Fuleco fosse para o colo ou para debaixo do braço de milhões de brasileiros.

Fabricaram-se Fulecos de todos os tamanhos, desde os gigantes, para pairar sobre os estádios, até Fulecos em escala humana, para servir de guardiães à porta das instituições, e Fulecos portáteis, de 30 cm, para serem transportados por crianças e adultos. Mas, para surpresa da Fifa, os brasileiros souberam separar o seu amor pelo futebol dos símbolos com que se tentava revestir a Copa de uma oficialidade espúria – daí acompanharam loucamente os jogos, mas enxotaram Dilma a vaia dos estádios e nem quiseram saber do Fuleco.



Mesmo antes de a Copa começar, o Fuleco já era um fiasco. Nem ofertas de leve-três-pague-dois e descontos de 70% impediram os encalhes-monstro no varejo. Até o Mug, um boneco com que Chico Buarque e Wilson Simonal andavam para cima e para baixo em 1967, vendeu mais.

Já o Pixuleco é diferente. O nome surgiu da forma carinhosa com o que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari chamava as propinas que recebia dos empreiteiros com contratos com a Petrobras. Por achar que o ex-presidente Lula se beneficiava dessa prática, chamou-se de Pixuleco o Lula gigante inflável que está percorrendo as capitais para gáudio de multidões.



Se passarem a fabricar o Pixuleco portátil e vendê-lo no mercado, tudo indica que terá o sucesso que o Fuleco não conheceu. Afinal, milhões de brasileiros sabem o que ele significa, que divulga uma causa nobre e é símbolo de um importante evento.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

E o Grêmio não foi o campeão

Por David Coimbra.
Publicado em 06MAI2015
Crônicas

Quero que o Grêmio seja o campeão
Sim. Quero que o Grêmio seja campeão. Sei que, neste momento, os colorados estão me chamando de gremista filho duma #$#o@#%¨&l*(f)(&k%!, mas não, não quero que o Grêmio seja campeão por causa do Grêmio. Se o Grêmio de fato for campeão, será mais um entre dezenas de títulos gaúchos que conquistou, e entre outros tantos que conquistará. Campeonatos há todos os anos.

Não, não.

Quero que o Grêmio seja campeão por causa de Luiz Felipe Scolari.

Nunca fui à casa de Luiz Felipe, ele nunca foi à minha. Não tenho o número do celular dele. Não saímos para jantar juntos. Nossa relação é meramente profissional. Até já fiquei irritado com Luiz Felipe e suponho que ele já tenha ficado irritado comigo também.

Mas quero que Luiz Felipe seja campeão.

Uma vez, entrevistando-o nos anos 1990, perguntei a Luiz Felipe sobre seus tempos de jogador, quando era um enérgico quarto-zagueiro do Caxias, parelha com Cedenir, protetor de Bagatini. Hoje, a lenda diz que não passava de um tosco, um violento, sem réstia de habilidade. Mas o vi jogar, e não o achava tão ruim assim. Ao contrário: para mim, tratava-se de um dos melhores zagueiros do Estado. Disse isso para Luiz Felipe, e ele contou que, no começo, espanava a bola e batia mesmo, mas que, depois, quando tomou confiança e os adversários o respeitavam, passou a jogar mais, a sair de cabeça erguida feito um Figueroa, a ousar passes de insinuação feito um Gamarra.

Luiz Felipe se sofisticou como jogador. Essa evolução profissional, não por coincidência, ele a repetiu no campo pessoal. No começo, Luiz Felipe reagia a cada desavença como se estivesse espanando a bola. Batia mesmo. Com o tempo, sentindo-se mais confiante e percebendo o respeito que os outros por ele nutriam, Luiz Felipe relaxou. Amigo dos seus amigos ele sempre foi. Não foram poucas as oportunidades em que Luiz Felipe demonstrou possuir o supremo predicado da lealdade. Com o tempo, ele se aproximou das pessoas e permitiu que elas se aproximassem dele.

Com a personalidade suavizada, Luiz Felipe tornou-se uma pessoa melhor. E foi então que sofreu o maior revés da sua vida profissional.



A goleada para a Alemanha, embora fosse imprevisível, foi compreensível. Nas quartas de final, escrevi um texto sobre como estava vendo os jogadores da Seleção. “Com o Brasil sobre os ombros”, foi o título. Temia a derrota para a Colômbia, tal era o clima passional do país, um clima entre a beligerância e o ufanismo, transmitido para os jogadores a cada minuto do dia por seus parentes, seus amigos, pela TV, pelo celular. O Brasil, que nunca foi fácil, está cada vez mais difícil, e aqueles jovens sentiram o peso de ter um Brasil inteiro com os olhos sôfregos postos neles. Isso ficou claro durante toda a Copa. Um único revés é decisivo para quem é instável. E foi. Em seis minutos, a Seleção se desmanchou. Nem um homem com a sabedoria futebolística de Luiz Felipe tinha como evitar a tragédia.

Luiz Felipe poderia ter acabado ali. Poderia ter desistido. Não seria de todo ruim, ele já conquistou tudo que um técnico teria para conquistar. Mas ele seguiu em frente. E, ao avançar, voltou às origens, ao time do seu coração, que o revelou para o mundo. “Preciso de carinho”, disse ao chegar, demonstrando que no peito de um zagueiro duro batia um coração macio.

Luiz Felipe no Grêmio são dois velhos recomeços. O futebol é feito de histórias, e essa é uma linda história, que tem provocado risos e lágrimas. Espero que tenha um desfecho coerente. Um desfecho feliz. Pela história de Luiz Felipe, quero que o Grêmio seja campeão.

NOTA - Não foi. Foi o Internacional.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Um ano, antes e hoje

Por Gustavo Poli do blog Coluna 2

Gol de quem?
Há um ano trocamos a música principal de nossa trilha sonora.. 



Seu Madruga e os 7X1

Saiu “Imagina na Copa”. 
Entrou “Gol da Alemanha”. 


Deputado é preso? Gol da Alemanha.
Empreiteiro pagou propina? Gol da Alemanha.
A luz aumentou? Gol da Alemanha.
Paraguai classificado? Gol da Alemanha.
Maioridade penal? Gol da Alemanha.
Políticos algemados? Gol da Alemanha.
Policiais baleados na cidade pacificada? Gol da Alemanha.


Há um ano, a Seleção Brasileira sofreu a pior derrota de seus 100 anos de história. Tomou de sete. Numa Copa do Mundo. Em casa. Foi o maior e mais inacreditável chucrute futebolístico que este planeta já viu. Não vimos o soco vindo. Ele nos pegou no meio das fuças e nos lançou girando na lona. 



Na lona estamos desde então - sentindo a camisa amarela esgarçada. Tomamos humildade na veia. Passamos a questionar nossa única e ancestral certeza - a de que éramos bons de bola. Qualquer derrota futebolística normal já mexeria com nosso imaginário. Essas mega-giga-ultra mandioca em forma de saudação então...

De repente, não somos os melhores do mundo. E o “gol da Alemanha" virou nosso suspiro resignado. Revisitamos o narciso às avessas de Nelson Rodrigues. Temos cuspido e escarrado em nossa imagem desde então - e são escarros guturais, densos, daqueles puxados da traqueia profunda.



Adoramos procurar defeito em nossos heróis. Nos esforçamos para desnudá-los e humanizá-los. Pelé? Não pode falar. Zico? Perdeu pênalti. Ronaldo? Chapa-branca. Dunga? Um bronco. Preferimos os anti-heróis malandros - aqueles que caçam otários e transpiram rebeldia. Romário, que nunca quis treinar. Edmundo, que sempre foi louco. Sócrates, que fumava. Gostamos dos rebeldes que botam dedos em feridas - porque desconfiamos de qualquer perfeição. Somos caçadores da hipocrisia alheia.

A cintura-dura dos alemães nos botou na roda. Nós que sempre preferimos o drible ao passe, a beleza individual ao jogo coletivo, nos tornamos prisioneiros da arrogância. O complexo de superioridade latiu alto. Nos achamos mais espertos, mais habilidosos, com mais ginga, mais malandros. Será que somos?



E cumpre sempre perguntar - num país só de malandros… quem é o otário? Quando preferimos não responder essa pergunta - continuamos a viver sob a lei de Gérson na selva tupiniquim. Quem não gosta de levar vantagem em tudo? A agenda de Paulo Roberto Costa, o celebre delator da Petrobras, tinha uma citação de Millor Fernandes:

"Acabar com a corrupção é objetivo supremo
 de quem ainda não chegou ao poder"

Se o Maracanazo foi Hiroshima, nosso 7 x 1 foi um cruzamento de Nagasaki com Batalha de Itararé. Uma segunda bomba atômica numa batalha que nunca houve. A Alemanha jogou bonito. O Brasil perdeu feio. E agora? Será que nossa crise moral e econômica e política traz alguma esperança - ou semente de futuro? Será que existem apenas vilões e certezas?

V


Há um ano, na manhã do dia 8 de julho, numa esquina fora do espaço e’do tempo, Pacheco encontrou um vidente irônico. O vidente olhou para Pacheco, verde-e-amarelo do calcanhar às bochechas - e anunciou:

- Depois dessa Copa vocês jamais se lembrarão do Maracanazo.

Pacheco, o eterno otimista, sorriu. O vidente continuou. Avisou que o Brasil era o país do futuro - que mudaria muito entre 2014 e 2015. Empreiteiros e políticos seriam presos. Cartolas iriam para a cadeia. No auge do sorriso de Pacheco, porém, ele atalhou:

- Ah, a luz vai dar uma aumentada e o Dunga vai ser técnico da seleção. E em dizendo isso desapareceu no ar. Pacheco sorriu e pensou que era pegadinha. Não era.


Arte de MARIO ALBERTO

Se no dia 9 de julho de 2014, se esse vidente se aproximasse de você com sua bola de cristal e mostrasse a paisagem do futuro… você quebraria a bola e enxotaria o vidente como charlatão.

De um ano pra cá, um candidato a presidência morreu no auge da campanha. Uma eleição aconteceu em clima hostil. Vislumbramos a prisão de empreiteiros em série. Corruptos assumiram propinas e devolveram dinheiro roubado. Cartolas foram presos. E Dunga é realmente o técnico da seleção.

Arte de AMORIM


Mas algumas mudanças aconteceram neste silêncio. E parecemos ignorá-las. 

Imagine, por exemplo, José Maria Marin na manhã de 8 de julho de 2014. Se ouvisse ouvisse bom dia em alemão certamente acharia que era piada. Em 8 de julho de 2015, ele vai achar que é o café da manhã. O que mudou nesse ano para Marin além do endereço? Em 8 de julho de 2014, Marin era presidente da CBF. Um ano depois, trocou seus apartamentos do circuito Nova York-São Paulo-Rio de Janeiro por uma cela em local insabido na Suíça. Foi ejetado de seu cargo de vice-presidente da CBF e ainda teve seu nome removido da fachada do prédio.

Gol de quem?

Arte de SINFRONIO


Imagine, por outro lado, Paulo Roberto Costa um ano atrás. Em 8 de julho de 2014, o ex-diretor da Petrobras estava em liberdade depois de passar 59 dias na cadeia e não tinha ainda se tornado delator. Havia dado um depoimento, dois dias antes da abertura da Copa, na CPI da Petrobras no Senado. No depoimento, PRC se dizia profundamente injustiçado e rebatia todas as acusações de corrupção que o Ministério Público fazia. E dizia o seguinte:

a) ”Não existe lavagem de dinheiro de Petrobras para Alberto Youssef. Eu não sei de onde inventaram essa história.”

b) Eu não me considero homem-bomba de maneira alguma, porque, como eu mencionei anteriormente, Senadora, eu tive extremo zelo e cuidados com os assuntos da Petrobras”

Em 8 de julho de 2015, Paulo Roberto Costa usa tornozeleira eletrônica e está sob prisão domiciliar. Em setembro de 2014, ele fez um acordo de delação premiada, assumiu que recebeu propinas e puxou fortemente o fio da corrupção na Petrobras. Desde então já deu mais três depoimentos em CPIs e admitiu que todas as acusações que desmentiu categorica e enfaticamente naquele 10 de junho eram verdadeiras. 

Gol de quem?

Arte de THIAGO


Até 8 de julho de 2014, Luiz Felipe Scolari era conhecido como o técnico que trouxe o penta para o Brasil. A partir de então acrescentou a “maior derrota da história” em seu currículo de treinador. Depois da Copa, passou pelo Grêmio sem sucesso algum e foi treinar o Guangzhou Evergrande da China - onde, numa ironia algo vil, ganhou por 7 a 0 (do Chongging Lifan) no último domingo.

Em 8 de julho de 2014, Neymar Junior era um espectador contundido. Hoje, um ano depois, é estrela solitária de uma geração questionada - e enfrenta problemas dentro e fora de campo. No Barcelona, ganhou tudo. Na Seleção, ganhou interrogações. Na justiça, enfrenta acusações de sonegação no processo de sua venda para o clube catalão.

Arte de GUTO CASSIANO


Nossos heróis sempre oscilaram entre macunaímas e capitães nascimento. Entre heróis sem caráter ou personagens que atropelavam meios em busca de fins. O Brasil hesita entre invejar o sucesso e venerá-lo acima do bem e do mal. Neymar deve responder na justiça caso tenha errado. Mas não merece a cruz em que já queremos pregá-lo - como se estivesse acima de qualquer pecado. Ele tem 23 anos. É novo. Erra e acerta. Que ele aprenda com os erros e amadureça - como, de resto, esperamos que aconteça com a Terra de Santa Cruz. 

Não faltam gols nem Alemanhas em nossa história. Felipão perdeu deles na semifinal. Mas ganhou na final. O passado se mistura quando antigo. Daqui a alguns anos 2002 e 2014 serão pasta da mesma memória. É hora de trocar de música novamente. Tudo passa - até mesmo a derrota maior.




segunda-feira, 23 de março de 2015

A humilhação dos cartolas

Por Paulo Calçade, do ESTADÃO de 22MAR
Transcrito do blog de Juca Kfouri


A humilhação dos cartolas
Engana-se quem enxerga a Medida Provisória do futebol como intervenção do Governo no comando do esporte brasileiro, como acreditam Fifa, CBF e seus filhotes, as federações. A MP é mais que isso, é a humilhação dos cartolas responsáveis pela falência dos clubes, avalistas da miserável qualidade do jogo que se pratica por aqui.

Arte de SID


Para entender a abrangência da proposta, agora no âmbito do Congresso, ainda fortemente influenciado pelo esgoto da gestão esportiva, é necessário deixar de lado as questões partidárias. 

Esqueça, nesse caso, o ringue da batalha política cotidiana. A bancada da bola abriga gente pró e contra o impeachment da presidente Dilma. No mundo particular do futebol existe, porém, apenas uma agremiação. Não se iluda, a lógica que moldura tais interesses é diferente de tudo o que você conhece.

Arte de MARIO ALBERTO


A principal voz de oposição ao projeto vem do próprio PT, o deputado Vicente Cândido, sócio de Marco Polo Del Nero, eleito presidente da CBF, em escritório de advocacia.

Não custa lembrar que a primeira proposta de socorro aos clubes tentou emplacar o pagamento de apenas 10% das dívidas. O restante seria saldado com a formação de atletas olímpicos. Ninguém reclamou dessa mamata, como protestam em relação ao investimento no futebol feminino, uma das contrapartidas exigidas pela MP. 

Arte de SID


O novo texto é um avanço fenomenal, tenta restringir a ação dos mandachuvas que arruinaram o futebol do País. É natural que essa turma mobilize seus agentes para evitar regras de gestão e de responsabilidade fiscal. 

Dinheiro fácil para financiar loucuras, todos desejam. Trabalhar com as contas controladas e auditadas, ninguém suporta. Por isso gritam contra a limitação dos gastos com folha de pagamento e direitos de imagem dos jogadores a 70% da receita bruta anual. Não é difícil entender porque os clubes estão falidos.

Arte de MYRRIA


Ninguém é obrigado a aderir ao refinanciamento das dívidas, que fique bem claro. No entanto, para desfrutar do pacote de bondades é preciso uma adequação ao que poderia muito bem ser definido como Projeto de Saneamento da Cartolagem Nacional, como aceitar participar somente de campeonatos nos quais os mandatos dos cartolas estejam limitados a uma reeleição. É pouco oito anos de poder?

Arte de DUKE


Joseph Blatter, desde 1998 presidente da Fifa, atendendo a demandas pessoais e de Marins & Afins, teve a cara de pau de relembrar que a entidade não tolera interferências dos governos no futebol. E, como sempre, colocou-se à disposição: se a CBF solicitar, ele manda investigar o caso. 

Arte de NEWTON SILVA


Governos são mesmo péssimos para Blatter. A receita bruta do Mundial de 2014 foi de R$ 15,7 bilhões, a maior da história da competição. Só de isenção de impostos, a Fifa embolsou R$ 1,1 bilhão da bondade brasileira. 

E o cartola ainda faz ameaças? E sobre o calendário obsceno da CBF, alguma menção? E a demissão em massa de jogadores ao final dos estaduais, está preocupado?

Arte de  SID


O resultado comercial da Copa do Mundo de 2014 foi tão extraordinário, tão fenomenal, que deixou os cartolas da Fifa boquiabertos. Mas não a ponto de perderem os sentidos e a oportunidade para ampliar seus próprios salários. Como se trata de uma entidade privada, sabemos que eles não precisam explicar o dinheiro faturado com o futebol, mesmo sendo uma medida simpática e transparente.

Arte de CAZO


A edição da Medida Provisória é o apito inicial do Fla-Flu que tomará o Congresso na discussão da MP. É impossível prever o que vai acontecer. Certo é que os interesses ficarão expostos.



E tem clube achando que a saída da crise é recuperar o mata-mata! Isso explica o caos nosso de cada dia.

segunda-feira, 2 de março de 2015

E a máscara caiu

BRASIL NO EXTERIOR

Por Mario Vargas Llosa.
Publicado no EL PAÍS em JUL2014


Colaboração de Sebastião Cunha

Charges de Roque Sponholz


Mário Vargas Llosa consegue enxergar com clareza cristalina o barro do qual o Brasil (do PT) é feito - os três parágrafos com outra tonalidade de cor referem-se à atuação da Seleção na Copa.

A máscara do gigante (ou A miragem de Lula)
A verdade é que não houve nenhum milagre naqueles anos [do governo Lula], e sim uma miragem que só agora começa a se esvair, como ocorreu com o futebol brasileiro. Uma política populista como a que Lula praticou durante seus governos pôde produzir a ilusão de um progresso social e econômico que nada mais era do que um fugaz fogo de artifício. O endividamento que financiava os custosos programas sociais era, com frequência, uma cortina de fumaça para tráficos delituosos que levaram muitos ministros e altos funcionários daqueles anos (e dos atuais) à prisão e ao banco dos réus.


Fiquei muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um futebol de fria eficiência, à maneira europeia.

Nada funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo – o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira, além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo, balé.

Os críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de uma estratégia, quase em autômatos.

Não houve nenhum milagre nos anos de Lula, e sim uma miragem que agora começa a se dissipar.

Contudo, eu acredito que a culpa de Scolari não é somente sua, mas, talvez, uma manifestação no âmbito esportivo de um fenômeno que, já há algum tempo, representa todo o Brasil: viver uma ficção que é brutalmente desmentida por uma realidade profunda.




Tudo nasce com o governo de Luis Inácio ‘Lula’ da Silva (2003-2010), que, segundo o mito universalmente aceito, deu o impulso decisivo para o desenvolvimento econômico do Brasil, despertando assim esse gigante adormecido e posicionando-o na direção das grandes potências. As formidáveis estatísticas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística difundia eram aceitas por toda a parte: de 49 milhões os pobres passaram a ser somente 16 milhões nesse período, e a classe média aumentou de 66 para 113 milhões. 

Não é de se estranhar que, com essas credenciais, Dilma Rousseff, companheira e discípula de Lula, ganhasse as eleições com tanta facilidade. Agora que quer se reeleger e a verdade sobre a condição da economia brasileira parece assumir o lugar do mito, muitos a responsabilizam pelo declínio veloz e pedem uma volta ao lulismo, o governo que semeou, com suas políticas mercantilistas e corruptas, as sementes da catástrofe.




A verdade é que não houve nenhum milagre naqueles anos, e sim uma miragem que só agora começa a se esvair, como ocorreu com o futebol brasileiro. Uma política populista como a que Lula praticou durante seus governos pôde produzir a ilusão de um progresso social e econômico que nada mais era do que um fugaz fogo de artifício. O endividamento que financiava os custosos programas sociais era, com frequência, uma cortina de fumaça para tráficos delituosos que levaram muitos ministros e altos funcionários daqueles anos (e dos atuais) à prisão e ao banco dos réus.



As alianças mercantilistas entre Governo e empresas privadas enriqueceram um bom número de funcionários públicos e empresários, mas criaram um sistema tão endiabradamente burocrático que incentivava a corrupção e foi desestimulando o investimento. Por outro lado, o Estado embarcou muitas vezes em operações faraônicas e irresponsáveis, das quais os gastos empreendidos tendo como propósito a Copa do Mundo de futebol são um formidável exemplo.



O governo brasileiro disse que não havia dinheiro público nos 13 bilhões que investiria na Copa do Mundo. Era mentira. O BNDES (Banco Brasileiro de Desenvolvimento Econômico e Social) financiou quase todas as empresas que receberam os contratos para obras de infraestrutura e, todas elas, subsidiavam o Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder. (Calcula-se que para cada dólar doado tenham obtido entre 15 e 30 em contratos).

As obras da Copa foram um caso flagrante de delírio e irresponsabilidade.



As obras em si constituíam um caso flagrante de delírio messiânico e fantástica irresponsabilidade. Dos 12 estádios preparados, só oito seriam necessários, segundo alertou a própria FIFA, e o planejamento foi tão tosco que a metade das reformas da infraestrutura urbana e de transportes teve de ser cancelada ou só será concluída depois do campeonato. Não é de se estranhar que o protesto popular diante de semelhante esbanjamento, motivado por razões publicitárias e eleitoreiras, levasse milhares e milhares de brasileiros às ruas e mexesse com todo o Brasil.

As cifras que os órgãos internacionais, como o Banco Mundial, dão na atualidade sobre o futuro imediato do país são bastante alarmantes. Para este ano, calcula-se que a economia crescerá apenas 1,5%, uma queda de meio ponto em relação aos dois últimos anos, nos quais somente roçou os 2%. As perspectivas de investimento privado são muito escassas, pela desconfiança que surgiu ante o que se acreditava ser um modelo original e resultou ser nada mais do que uma perigosa aliança de populismo com mercantilismo, e pela teia burocrática e intervencionista que asfixia a atividade empresarial e propaga as práticas mafiosas.



Apesar de um horizonte tão preocupante, o Estado continua crescendo de maneira imoderada – já gasta 40% do produto bruto – e multiplica os impostos ao mesmo tempo que as “correções” do mercado, o que fez com que se espalhasse a insegurança entre empresários e investidores. Apesar disso, segundo as pesquisas, Dilma Rousseff ganhará as próximas eleições de outubro, e continuará governando inspirada nas realizações e logros de Lula.

Se assim é, não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo.



 E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento. É verdade que o Brasil tinha sido um gigante que começava a despertar nos anos em que governou Fernando Henrique Cardoso, que pôs suas finanças em ordem, deu firmeza à sua moeda e estabeleceu as bases de uma verdadeira democracia e uma genuína economia de mercado. Mas seus sucessores, em lugar de perseverar e aprofundar aquelas reformas, as foram desnaturalizando e fazendo o país retornar às velhas práticas daninhas.



Não só os brasileiros foram vítimas da miragem fabricada por Lula da Silva, também o restante dos latino-americanos. Por que a política externa do Brasil em todos esses anos tem sido de cumplicidade e apoio descarado à política venezuelana do comandante Chávez e de Nicolás Maduro, e de uma vergonhosa “neutralidade” perante Cuba, negando toda forma de apoio nos organismos internacionais aos corajosos dissidentes que em ambos os países lutam por recuperar a democracia e a liberdade. Ao mesmo tempo, os governos populistas de Evo Morales na Bolívia, do comandante Ortega na Nicarágua e de Correa no Equador – as mais imperfeitas formas de governos representativos em toda a América Latina – tiveram no Brasil seu mais ativo protetor.



Por isso, quanto mais cedo cair a máscara desse suposto gigante no qual Lula transformou o Brasil, melhor para os brasileiros. O mito da seleção Canarinho nos fazia sonhar belos sonhos. Mas no futebol, como na política, é ruim viver sonhando, e sempre é preferível – embora seja doloroso – ater-se à verdade.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Estádio Mané Garrincha - 1000 anos para recuperar o investimento

Direto do Implicante

Segundo a coluna do Ancelmo Gois, no Globo, o legado da Copa de 2014 é pior do que imaginávamos. A questão é a dificuldade de administração dos estádios. A Odebrecht, por exemplo, diz estar perdendo dinheiro com o Maracanã. 



Já o Estádio Mané Garrincha (o mais caro de todos) demorará mil anos para ter o valor investido recuperado, de acordo com os cálculos do Tribunal de Contas do Distrito Federal. O estádio recolheu R$1,3 milhão em 2014. Já o investimento foi de R$1,9 bilhão.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vice-campeões mundiais viram nome de rua

Só na Argentina o VICE é valorizado ... Alô torcida do Vitória, sugiro mudar para lá!



Chañar dificilmente chegaria ao noticiário internacional. É um pequeno povoado ao leste de San Miguel de Tucumán, mas, apaixonados por futebol, como muitos argentinos, os pouco mais de 2 mil habitantes decidiram batizar as ruas do bairro com os nomes dos heróis do vice-campeonato mundial da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Considerado por eles o melhor jogador da campanha, Javier Mascherano virou o nome da rua principal.

“Esse bairro tinha ruas sem nomes, então, conversando com os funcionários da prefeitura, pareceu uma boa ideia colocar os dos jogadores de uma equipe que inspirou os jovens”, afirmou Carlos Salazar, funcionário do governo municipal, à Gazeta de Tucumán




A rua Javier Mascherano faz esquina com a mais conhecida, a rua Lionel Messi. “No começo, achávamos engraçado. As pessoas brincavam: ‘quem vai ficar com Messi?’ Outros ficaram contra porque não foram consultados”, acrescenta a moradora Silvia Pérez.

Existe a rua Angel Di María, Sergio Romero e Gonzalo Higuaín, mas nem todo mundo comemora ter o nome de um astro do futebol argentino no seu endereço. “Pelo menos, vivo na rua Mascherano, alguns estão chateados porque precisam viver na rua Higuaín, que perdeu aquele gol”, conta Fernando Arias à mesma publicação. Não se lembra do lance? Os argentinos nunca esquecem:


Uma ausência sentida, principalmente pelo público feminino de Chañar, é Ezequiel Lavezzi. 




Segundo a Gazeta de Tucumán, algumas moradoras consideraram esse esquecimento “muito machista”, e Fernando Arias não faz questão de desmentir. “É verdade, não está. Melhor, porque senão todas teriam brigado para ficar com  essa rua”, disse.

Fonte  Trivela

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Manda a conta pro Lula

Corinthians empurra rombo do Itaquerão para prefeitura, mas Haddad rejeita
O Corinthians e a Odebrecht têm enfrentado rejeição do mercado para comprar os CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento) do Itaquerão, o que abre um rombo de R$ 405 milhões na conta do estádio. Assim, o clube e a construtora pediram à prefeitura de São Paulo que dê garantia de cobrir o valor caso os títulos não sejam vendidos. Só que o prefeito Fernando Haddad rejeitou a requisição e houve um racha entre corintianos e o município.

Foi a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab que se decidiu pela emissão dos CIDs para complementar o custo da arena corintiana, sede da abertura da Copa-2014. Seu preço final foi R$ 1,150 bilhão. E o clube venderia os títulos ao final da construção para devedores de ISS (Imposto Sobre Serviços), provavelmente bancos, que poderiam descontar o valor de seus débitos.

O problema é que empresas e bancos têm recusado a compra dos títulos porque não confiam na sua validade, o que é confirmado até por pessoa envolvida no projeto da arena. Um dos motivos é um questionamento judicial do Ministério Público Estadual em processo que alega ilegalidade dos CIDs por serem transferência de recurso público a entidade privada. “Estes títulos estão sub judice. O processo não tem sentença ainda, mas está andando'', contou o promotor de justiça Marcelo Camargo Milani.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A última chacota da FIFA

Por Soledad Calés
Publicado no  EL PAÍS em 13NOV2014

A última chacota da FIFA
A FIFA superou aquela paródia cômica de seu presidente, Joseph Blatter, imitando Chiquito de la Calzada para zombar de Cristiano Ronaldo. Desta vez, o órgão supremo do futebol optou por criar armações sozinho e mascarar grosseiramente uma investigação sobre corrupção nas concessões das Copas de 2018 e 2022 à Rússia e Catar, respectivamente. Como não gostou do resultado, oculta as provas, admite algum puxão de orelhas... e que a festa continue.

Segundo as conclusões, em oito das nove candidaturas –incluindo a da Espanha-Portugal– houve trapaças, como presentes a mulheres dos plutocratas de Blatter, pactos secretos, subornos e outras propinas. Questõezinhas de pouca importância, insuficientes para anular as votações. Mas, claro, haverá mais cautela no futuro. Para isso, multiplicará o bolo: os consultados passarão de 25 eleitores para 209. Também reconhece que há indícios para prosseguir com as investigações individuais sobre alguns membros de seus comitês, talvez para o caso de serem necessários expurgos públicos, mas nada que comprometa os planos da Rússia e Catar. Deixa pra lá.

Arte de Mario Alberto


Diante das evidências das fraudes, a FIFA não teve outro jeito senão abrir uma investigação que propagandeou como “independente”, da qual encarregou Michael García, um ex-promotor de Nova York. O material levantado por García durante 18 meses preenche 200.000 páginas. Depois de retê-lo por um tempo, a FIFA divulga suas conclusões em apenas 42 folhas: “Motivos legais impedem a publicação na íntegra; é preciso garantir a confidencialidade, o contrário nos deixaria em uma situação complicada”. E García não demorou pra contestar: “A decisão da FIFA contém muito material incorreto e errado dos fatos e conclusões detalhados no relatório”.

Recusado o árbitro García, a partida continua. Blatter, que está há 16 anos no cargo, se desvencilha e lança a bola para outra reeleição; o Catar acumula denúncias de exploração de trabalhadores; e os russos....? Por García se soube que dedicaram muito tempo destruindo a documentação que ele pedia. O que passou, passou.

Será preciso ver se a FIFA convoca outra edição do Prêmio Fair Play (Jogo Limpo).


Será capaz?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Paulo Ito e o mural que correu o mundo

Essa obra de arte foi criada em junho desse ano em plena Copa do Mundo pelo paulistano Paulo Ito num muro de uma escola em Pompéia/SP.

Transformou-se num viral com dezenas de milhares de curtidas no facebook e continua correndo o mundo com a inevitável comparação entre a realidade brasileira e o desperdício irresponsável de recursos públicos para estádios de futebol.



segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Professor e a Madame

Por Francisco Daudt.
Publicado na Folha em 23JUL2014
Por e-mail.

O Professor e a Madame 

A lista de negações dela é bem maior e mais grave do que a dele, como o consequente desastre

A negação é mecanismo de defesa essencial para que não enlouqueçamos (a morte só deve ser lembrada às vezes). Porém, como qualquer remédio, seu excesso é um veneno capaz de levar-nos ao desastre, ou à morte (quando se negam sintomas de uma doença e as providências não são tomadas).

O Professor acha que a seleção fez um bom trabalho, exceto nos seis minutos de apagão. Pensa que um passado de glórias põe a mão na Copa, junto a palestras motivacionais, dispensados a disciplina e o dever de casa. Some-se arrogância e não reconhecimento de erros, e terminamos nos 7x1 (e nos 3x0, em que não houve apagão).

Jarbas


Madame é semelhante, porém a coisa é mais séria, sua lista de negações é bem maior e mais grave, como o consequente desastre.

A saber: ela, seu Inventor e seu partido negam o passado, o Brasil começou em 2003. Antes havia a herança maldita. Palocci, com seus "métodos rudimentares", quase foi crucificado por elogiar Pedro Malan.

Cesare Batisti não é terrorista e merece asilo político. Pugilistas cubanos não queriam asilo, por isso foram rapidamente reenviados para Cuba.

Newton Silva


Qual o problema de mudar a língua portuguesa? E não é para fins populistas que ela é presidente, gerente e pretendente à reeleição. O mensalão (que não houve) não foi substituído por loteamento de ministérios, em número "nunca antes neste país". Aparelhamento do estado? Substituição de cargos técnicos por políticos cúmplices? Nunca! Redução populista da taxa de energia elétrica empurrando a conta para 2015? Absurdo! Gastos máximos com a máquina e investimentos mínimos? Jamais! Controle da imprensa? Como? Madame tem reiterado a importância da mídia livre. O decreto de criação dos sovietes (perdão, em português é "Conselhos populares") não é golpe na democracia, ao contrário. Pegou em armas, não para implantar a ditadura do proletariado, mas "para defender a democracia".

Não tem inflação represada por preço artificialmente controlado, nem contabilidade criativa. Madame não dá moleza para a inflação. Não há insegurança jurídica e o país continua atraindo investimentos. Não, a balança comercial negativa não é pela importação de combustível caro para ser vendido barato, é pelas "zelite branca que viaja", por isso, imposto neles. E não se privatiza nada, fazem-se "concessões".



Tudo o que o ministro capacho diz tem credibilidade junto ao mercado, ele não insulta a inteligência de ninguém. Fazer um porto em Cuba é muito bom para o Brasil. Os caríssimos estádios de Manaus e Cuiabá não se tornarão elefantes brancos. O caos de transporte urbano durante a Copa não foi evitado pelos feriados que derrubaram o comércio. E qual o problema de Abreu e Lima custar 15 Pasadenas? São ambas bons negócios.

Dividir o país e estimular a luta entre elites brancas e povo pobre? Jamais! Isso seria atiçar ódio racial, e racismo é crime hediondo, ela governa para todos.

Pelo menos o trem-bala TAMBÉM não foi feito. É, entre tantas, sua maior não obra.

Depois disso tudo, o leitor pode tirar suas próprias conclusões sobre como votar.