quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O nocaute do ano

Na última semana, a cena de um nocaute digno de cinema - ou de videogame - viralizou e foi vista por milhões de pessoas internet afora. As imagens de uma luta de muay thai mostraram um baixinho derrotando um rival bem mais alto com um chute giratório avassalador. O autor do golpe foi Jonathan Tuhu, que, desde que o vídeo passou a ser compartilhado, não para de receber mensagens o parabenizando nas redes sociais. Uma nova realidade para o simples lutador nascido na Papua Nova Guiné, que forjou seus movimentos no meio de uma floresta, chutando bananeiras.


Ao explicar o nocaute, Tuhu aparenta estar falando de uma situação comum e não faz escarcéu. "É algo natural para mim", garante. "Esse chute pode ser chamado de spiral kick ou spinning head kick [algo como chute em espiral ou chute na cabeça giratório] e o treinei muitas vezes. Ninguém me ensinou a fazer, é algo natural soltar esse tipo de chute."



Na hora da luta, realizada em Newcastle (Austrália) o papua - é assim que se chama quem nasce em Papua Nova Guiné - afirma que se aproveitou do desgaste do seu rival e, mesmo com a grande diferença de altura entre eles, conseguiu executar o golpe com perfeição.

"Eu vi meu oponente ficar sem ar e ele deixou sua guarda baixar. Naquele momento, eu joguei o chute rodado em sua cabeça e deu certo", narra ele.
O detalhe é que não havia academias ou centros de treinamento de fato. As condições eram improvisadas. E, para ter certa privacidade, já que não gostava de ser observado, ele se enfurnava em um local inabitado, silencioso, privado. "Eu costumava ir para um lugar numa floresta, um lugar 'secreto', onde não há ninguém, e desenvolvia minhas artes marciais lá. Comecei a socar e chutar bananeiras para evoluir, e também assistia a muitos filmes do Bruce Lee e do Jean-Claude Van Damme. Aprendi muito com eles", conta o papua.


Jonathan se mudou para uma cidade em 2004 e passou a ampliar seu repertório, treinando kickboxing e caratê. Adotado por uma família, teve um porto seguro para poder treinar e lutar, e iniciou sua jornada profissional, viajando e disputando torneios pelo mundo. Foi só o nocaute aplicado neste mês, que enfim os olhos se voltaram a ele.


"Cara, ninguém me deu suporte do começo até agora. Eu batalhei e derramei grandes lágrimas depois de dez anos nas artes marciais e só agora posso ver o que é comer e dormir para treinar. É uma honra", comemora o lutador, que promete voos mais altos. 

"Eu amo MMA. Ainda vou lutar MMA e chegar ao UFC!".

Fontes Texto e imagens do Esporte UOL e Vídeo, do Whatsapp

Rússia - retorno à ditadura?

Direto do Flagelo Russo

Rússia pensa isolar seus cidadãos da internet capitalista

O Conselho de Segurança da Rússia está temendo algum movimento de contestação em grande escala, do gênero do que se deu em Hong Kong. As manifestações contra Putin e a guerra na Ucrânia soaram o alarme. E o governo russo, que atribui 90% de popularidade a seu chefe supremo, estaria preparando um plano de emergência.



Segundo a BBC, o plano considera aproximar-se o momento em que a população sentirá falta de muitas benesses importadas, que não mais o serão devido às sanções da União Europeia e dos Estados Unidos à invasão russa da Ucrânia. 

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não quis reconhecer os temores do Kremlin em relação à população russa, e apelou ao velho truque dos ditadores: inventar uma ameaça externa.

Ele justificou mais medidas de repressão à cidadania afirmando que recentes ações dos Estados Unidos e da Europa “foram marcadas pela imprevisibilidade, e precisamos estar prontos para qualquer coisa”.


Por sua vez, o ministro das Comunicações, Nikolai Nikiforov, confirmou que o país está fazendo planos e levantou uma ponta do véu. 

Porém, o que de fato acontece é que o Kremlin já está cortando o acesso dos cidadãos russos à Internet, a fim de abafar a dissidência.




E cogita agora um plano mais radical: especialistas entrevistados pelo site de notícias russo Vedomosti afirmaram que o órgão federal Rossvyaz poderia assumir o controle dos domínios da Internet, como aqueles terminando em .ru ou .rf.

Se as redes sociais e os bancos de dados estão em via de sujeição total ao regime, agora seria a vez de todos os provedores em território russo.


A radicalização do controle da rede na Rússia afetaria as relações com a organização norte-americana ICANN, que rege internacionalmente os domínios da Internet. Desta maneira, a Rússia prepara-se para desligar os internautas da rede mundial, pondo a culpa nos EUA.

O ministro Nikiforov afirmou que seu ministério realizou exercícios com o Ministério da Defesa e o FSB (polícia política russa), preparando um cenário no qual a Rússia se desligue da Internet atual e passe a funcionar sob o controle absoluto do sistema de repressão.





Keir Giles, especialista em segurança cibernética de Londres, afirmou que o FSB recebeu novos poderes de vigilância da Internet. Contribuíram para isso as delações do analista americano Edward Snowden sobre o funcionamento do serviço de informações dos EUA.

De acordo com o site de notícias russo Gazeta.ru, o Kremlin visa mudar características das conexões de Internet no país para impedir fugas virtuais.

A ditadura orwelliana está se tornando oficial na “nova URSS”, aliás tão desprovida de tecnologia como a velha URSS. 

Você quer ser meu avalista?

Por Stephen Kanitz, 

Nunca seja um avalista
De vez em quando um amigo que mal me cumprimenta, ou um colega de trabalho que nunca me ajudou, me pede que seja seu avalista. Provavelmente, ele raciocina que perguntar não ofende, só depende da cara-de-pau de cada um.



Por que os bancos insistem em obter um aval de um amigo do cliente?

No fundo, o que os bancos querem é reduzir o risco da operação de crédito, arrolando também os bens pessoais do avalista como garantia. Mas que interesse tem o avalista em colocar seus bens em risco sem nada receber em troca?

O avalista entra gratuitamente nesse contrato como um voluntário, um altruísta, sem receber uma remuneração pelo serviço que presta ao banco. O avalista só entra com obrigações e não tem nenhum benefício, só chateação. O banco ficará obviamente feliz com o empréstimo que você viabilizou.



Uma técnica que eu uso nessas ocasiões, e que aprendi com um verdadeiro amigo, é ficar indignado com os juros exorbitantes cobrados pelo banco e oferecer o mesmo empréstimo, sem cobrar juros. Seu amigo ou parente vai pular de alegria, e você coloca uma única e singela imposição: que o gerente ou o presidente do banco avalize a operação.

Não é um pedido exorbitante, e nenhum gerente de banco poderá recusar, porque é exatamente o mesmo pedido que eles estão fazendo. Seria hipocrisia recusar. Ninguém nunca voltou com meu contrato assinado, não sei por quê. 



Mas existe um efeito socialmente muito negativo nessa prática do aval, para o qual infelizmente sociólogos e antropólogos nunca atentaram. Ao pedir um aval de um parente ou amigo, o sistema financeiro usa para seu próprio conforto creditício os laços familiares e de amizade longamente costurados pela sociedade brasileira.

Que tio pode recusar um aval a um sobrinho? Que irmão pode recusar dar um aval a outro irmão necessitado? É uma saia-justa complicada. Se você negar o pedido, deixará o parente magoado e a família ressentida. Ninguém obviamente avalia corretamente os riscos que você está correndo, só o banco.




Os laços de amizade e confiança que o próprio banco nunca sedimentou com seus clientes são substituídos pelos laços de amizade e confiança que seus familiares e amigos criaram com você. Aliás, se não tem o dinheiro para cobrir o aval, você nunca deveria tê-lo dado.

Caso contrário o banco poderá vender seus bens oferecidos em garantia. Dar um aval ou emprestar o mesmo montante é financeiramente a mesma coisa, porque um aval significa dar o dinheiro ao banco se seu amigo ou parente virar caloteiro.

Já vi mais de vinte famílias ser desestruturadas pelo simples fato de um parente não ter pago um empréstimo e o avalista ter sido processado, prejudicando duplamente a família. Há pessoas hoje pobres e destituídas que cometeram o pequeno erro de dar um único aval. Muitos eram diretores e empregados de empresas, obrigados a dar um aval a um banco que financiava a empresa, senão perderiam o emprego.





Nenhum país dará certo se não puder criar um clima de confiança mútua entre seus cidadãos. Nossa inflação e as constantes mudanças das regras e dos planos econômicos dilapidaram, e muito, nossos laços de confiança.

Colocaram-se várias vezes empregados contra patrões, fornecedores versus clientes, inquilinos versus senhorios, alunos versus professores, por causa de planos econômicos mal estruturados, que aumentaram a desconfiança entre nós, por nenhuma culpa das partes.

Para piorar ainda mais, o novo Código Civil exige que a esposa assine também o aval, criando discórdia entre marido e mulher, e nem toda esposa tem como recusar. Mais sensatas que os homens, elas jamais aceitariam dar um aval a um amigo do marido.



O novo Código Civil, em vez de aumentar os laços de confiança da sociedade, aumentou os pontos de atrito entre marido e mulher. O correto seria restringir o uso do aval, e não tornar a esposa co-solidária da operação financeira que em nada a beneficia.

Mulheres, portanto, prestem muita atenção. Lembrem-se de que, caso o amigo do seu marido se torne inadimplente, você perderá seus bens e os de seus filhos.

E você, que pretende ser avalista, lembre-se de que poderá perder seu amigo, seus bens e também sua esposa. Dito isso, alguém poderia me dar um aval?

Vice-campeões mundiais viram nome de rua

Só na Argentina o VICE é valorizado ... Alô torcida do Vitória, sugiro mudar para lá!



Chañar dificilmente chegaria ao noticiário internacional. É um pequeno povoado ao leste de San Miguel de Tucumán, mas, apaixonados por futebol, como muitos argentinos, os pouco mais de 2 mil habitantes decidiram batizar as ruas do bairro com os nomes dos heróis do vice-campeonato mundial da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Considerado por eles o melhor jogador da campanha, Javier Mascherano virou o nome da rua principal.

“Esse bairro tinha ruas sem nomes, então, conversando com os funcionários da prefeitura, pareceu uma boa ideia colocar os dos jogadores de uma equipe que inspirou os jovens”, afirmou Carlos Salazar, funcionário do governo municipal, à Gazeta de Tucumán




A rua Javier Mascherano faz esquina com a mais conhecida, a rua Lionel Messi. “No começo, achávamos engraçado. As pessoas brincavam: ‘quem vai ficar com Messi?’ Outros ficaram contra porque não foram consultados”, acrescenta a moradora Silvia Pérez.

Existe a rua Angel Di María, Sergio Romero e Gonzalo Higuaín, mas nem todo mundo comemora ter o nome de um astro do futebol argentino no seu endereço. “Pelo menos, vivo na rua Mascherano, alguns estão chateados porque precisam viver na rua Higuaín, que perdeu aquele gol”, conta Fernando Arias à mesma publicação. Não se lembra do lance? Os argentinos nunca esquecem:


Uma ausência sentida, principalmente pelo público feminino de Chañar, é Ezequiel Lavezzi. 




Segundo a Gazeta de Tucumán, algumas moradoras consideraram esse esquecimento “muito machista”, e Fernando Arias não faz questão de desmentir. “É verdade, não está. Melhor, porque senão todas teriam brigado para ficar com  essa rua”, disse.

Fonte  Trivela

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Um casamento nas alturas

China Daily

Zheng Feng, um alpinista amador, tira fotos do casamento com sua noiva em um penhasco em Jinhua, Zhejiang, província, China, em 26 de outubro.

By  Buzzfeed

O que o PT roubou em termos de PIB


Direto do Ataque Aberto

O que o PT roubou em termos de PIB
Lula passou oito anos (e Dilma quase quatro) gabando-se das proezas da Petrobras. Nunca antes neste país houve empresa tão exemplarmente eficaz, recitou a dupla desde 2003. A autossuficiência na extração de petróleo garantiu a carteirinha de sócio da OPEP. A descoberta do pré-sal ─ uma dádiva de Deus, segundo o ex-presidente ─ permitiria enfeitar o Brasil Maravilha com deslumbramentos adicionais que matariam de inveja os imperialistas ianques e os comunistas de araque da China. Para a estatal que valia R$ 380 bilhões em 2010, o céu era o limite.

Arte de Sponholz


A ladroagem colossal desmoralizou a tapeação. Hoje avaliada em R$ 181 bilhões, a companhia devastada pela corrupção e pela incompetência foi expulsa da discurseira delirante de Lula e do palavrório ininteligível de Dilma. Mas a fábrica de espantos não interrompeu a produção, avisa a façanha recente: se a Petrobras fosse um país, e calculasse o Produto Interno Bruto com base no produto do roubo, não faria feio no ranking do Fundo Monetário Internacional que rastreia a situação econômica de 187 nações.



Segundo a Polícia Federal, as fortunas engolidas pelo maior esquema de corrupção de todos os tempos somam US$ 10 bilhões de dólares


Como atesta o quadro acima, o resultado do saque sem precedentes supera o PIB de 52 países. Nunca antes neste planeta uma quadrilha apadrinhada pelo governo roubou tanto. O recorde não será batido tão cedo. Já teria sido celebrado por Lula em muitos comícios se a Polícia Federal não estivesse por perto.

O petismo e o CID

Por Percival Puggina
Publicado em 20NOV2014 no Mídia sem máscaras


O petismo e o Código Internacional de Doenças
Em sessão com clima de anúncio relevante, a presidente da Petrobras Graça Forster montou no cavalo encilhado dos escândalos e assumiu seu lugar à mesa dos trabalhos com fisionomia de atendente de UTI de Pronto Socorro, em final de turno, numa segunda de Carnaval. Do cabelo à ponta do nariz, tudo que podia desabar tinha desabado. Afinal, as horas antecedentes não haviam sido moleza. Todos os grandes senhores das empreiteiras nacionais, que eram recebidos com tapete vermelho nos gabinetes da empresa, estavam dormindo no chão do xadrez. Delações premiadas espocavam de toda parte e lembravam extrações da Loteria Federal. Às avessas. Milhões regurgitavam de todos os cantos.

Arte de Angeli


Os sólidos muros da impunidade tombavam pelo simples fato de que ainda há juízes em Curitiba e lá está o celebérrimo magistrado federal Sérgio Moro, a quem a capital paranaense já deve uma estátua no meio da Praça Carlos Gomes.

A presidente da empresa iria anunciar providências. Eram necessárias. Dois dias antes, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chamado às falas, mostrou porque o antipetismo é tão indispensável ao país. Estas investigações, havia dito ele, não podem ser vistas "como o 3º turno da eleição presidencial". Chegará o dia em que esse petismo desabrido vai entrar para o CID-10 (Código Internacional das Doenças).

Arte de Sponholz


Voltando à Graça e aos perigos do petismo delirante. Qual o anúncio feito por aquela senhora de quem já se disse ser tão competente e familiarizada com a empresa que conhece como ninguém? Ela anunciou a criação de uma diretoria para fiscalizar as diretorias. Não é genial? É algo assim como uma presidência para fiscalizar a presidência. Pelo que se sabe, ninguém ainda foi cogitado e, principalmente, claro, não há partidos interessados.

Porta Aberta ao Juízo - XXXVII



Há tanto desencanto entre os homens 
que a gente tem vontade de correr a ser menino.


[Gilberto Quadros]
{extraído do livro Porta Aberta ao Juízo}

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ditadura militar e ditadura militante

Por Paulo Briguet
Publicado no Mídia sem Máscaras em 08NOV2014

Ditadura militar e ditadura militante

Pai,

Pediram-me para escrever um artigo sobre a ditadura militar e eu logo pensei em você. Tecnicamente, sou um filho da ditadura. Nasci em São Paulo, em 10 de julho de 1970, durante o governo Médici, perto do lugar em que Carlos Marighella fora morto meses antes. Mas nunca esquecerei um fato que eu não pude agradecer em vida: entre combater a ditadura – como fizeram seus dois melhores amigos, Arno Preis e João Leonardo – e formar uma família, você ficou com a segunda opção, e por isso eu existo. Arno e João morreram na luta armada; você me deu a vida.

Arte de Latuff


Lembro-me de uma cena: você e a mãe lendo uma carta na mesa da cozinha, no apartamento da Alameda Barão de Limeira, em São Paulo. Falavam baixo, como se não quisessem ser ouvidos. A carta era de João Leonardo, que estava no exílio. Vocês tinham medo. João Leonardo, o Baiano, encontraria a morte em junho de 1975.

Estou escrevendo um livro. Chama-se “República Socialista do Brasil”. Na história, imagino como seria o nosso país se a esquerda tivesse vencido em 1964. Ironicamente, não seria um país muito diferente do que temos hoje. O Brasil contemporâneo teve seu crime fundador na morte de Celso Daniel. No meu livro, Celso Daniel também é assassinado, em circunstâncias que fazem lembrar os Processos de Moscou. Você nunca mais votou no PT depois da morte do Celso Daniel – e eu entendo por quê.

Arte de Amarildo


Se a esquerda triunfasse em 1964, você sem dúvida ficaria feliz no primeiro momento. Mas não tenho dúvidas de que, com o tempo, sofreria ainda mais do que sofreu no governo militar, porque você sempre foi amigo da verdade e livre de qualquer sentimento de inveja, ao passo que o socialismo é o império da mentira e da inveja obrigatórias.

Quando, na adolescência, eu comecei a ler Trotsky, você torceu o nariz: “Isso é ultrapassado”. Era um aviso. Vejo, escandalizado, que o Brasil de hoje é um reflexo daquele panfleto terrível intitulado “A Moral Deles e a Nossa”, mais algumas loucuras de Gramsci, Che Guevara, Nietzsche e Foucault.

Arte de Sponholz


Dias atrás encontrei um casal de queridos amigos estrangeiros. Eles deixaram o Leste Europeu em 1987, antes da queda do comunismo. Minha amiga disse: “Perto do comunismo, a ditadura militar brasileira foi fichinha”. É isso que as pessoas querem dizer quando falam em ditadura “branda”. Ditadura é sempre ruim, seja de direita ou esquerda. Mas isso não impede que um regime seja comparado com outro. E meu amigo alerta: “O PT está construindo no Brasil o mesmo regime de que nós escapamos no Leste Europeu”.

Querido pai, ensine-me a lutar – não contra a ditadura militar, mas contra a ditadura militante.

Com amor,
do seu filho e xará.

Roberto Bolaños - In Memorian

REGI

SPONHOLZ

OLIVEIRA


AROEIRA


LUTE


ALEX PONCIANO


WALDEZ


CAZO


ELVIS


JOTA A


SINOVALDO

Você pagaria R$ 6 milhões de reais por um chapéu?

Direto De Paris


Pois foi o que fez o presidente do grupo de produção alimentar sul coreano Harim, Karim Hong Kuk. Ele pagou 1,9 milhão de euros por um chapéu de Napoleão Bonaparte!




Aconteceu em Fontainebleau, subúrbio de elevado preço do metro quadrado à 55 quilômetros sudeste de Paris num leilão organizado pela Maison Osenat, e trata-se de um chapéu bicórnio (duas pontas) e é um dos 19 exemplares identificados e autenticados que pertenceram ao imperador francês nascido na Córsega. Estima-se que durante os 15 anos em que governou a França, Bonaparte tenha usado cerca de 120 chapéus. Metade deles foram encomendados a chapelaria parisiense Poupard et Delaunay que fabricava um para o imperador afrontar cada estação do ano.


O desenho do bicórnio de Napoleão tem quase tanta fama quanto a forma elegante da Torre Eiffel. Na verdade, os contornos do chapéu são mais conhecidos na cultura popular do que os traços físicos do imperador que deixou a França com menor área desde que colocou a coroa na própria cachola. Porém, mais gloriosa. Isso tanto pelas batalhas vitoriosas e sobremaneira no campo penal, devido a introdução do código napoleônio, referência maior pelos seus derivados no universo jurídico.



De fato, o hábito não faz o monge. No mais das vezes, ocorre o contrário. Um duque inglês esqueceu de abotoar a parte inferior do seu paletó e pronto, virou moda. Napoleão conferiu fama ao chapéu de dois bicos, uma variação do tricórnio usado no período colonial americano, colocando as extremidades não em paralelo ao nariz e a nuca (“en colonne”), mas com a linha que vai de um ombro a outro (“en bataille”).

Conta a lenda que a escolha teve caráter estratégico. Dito de outro modo: para dar melhor visibilidade e identificar o imperador na confusão dos campos de batalha e entre as plumagens dos seus generais. Em ocasiões engaladas, os carabinieri, policiais italianos, ainda usam o bicorne assim, a maneira de Bonaparte. Desta vez, por exibicionismo ou por alguma outra razão não declarada.



O chapéu lendário pertencia a coleção da Casa Grimaldi, os soberanos de Mônaco. O príncipe Albert II justificou a venda de parte da herança do bisavô Louis II para pagar reformas do palácio — lembra mais uma fortaleza no topo de um rochedo à beira do Mar Mediterrâneo, em Monte Carlo. O bicórnio de Bonaparte teria sido recuperado originalmente em junho de 1800, durante a famosa Batalha de Marengo contra a monaquia austríaca dos Habsburgos, no Piemonte, noroeste da Itália. Joseph Giraud, veterinário nas cavalariças do imperador, recolheu o chapéu e o levou para casa como troféu de guerra.

O colecionador Karim, admirador de Bonaparte desde a adolescência nos bancos do colégio, achou o preço pago pelo chapéu insignificante. De fato, mais dificil foi usá-lo de tal forma que hoje, o adorno pode se exibir em uma redoma de vidro na Ásia, continente em que o imperador francês, um tenente desconhecido até dominar a Europa com pouco mais de trinta anos de idade, nunca colocou as botas. Conquistou, no máximo, admiração sem preço. Embora o Lula tenha declarado certa altura, como os que afirmavam altivos que a Terra era plana: “Quando Napoleão esteve na China…”

Dias piores virão

Por Mary Zaidan
Publicado no Blog do Noblat em 09NOV2014

Dias piores virão
Reajuste dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica, alta de juros, suspensão de créditos subsidiados. Tudo feito de pronto. Até cortes em salvaguardas trabalhistas, que na campanha a presidente reeleita jurava de pés juntos que não faria e acusava seu adversário de querer fazer, estão por vir.

Arte de Jorge Braga


“A inflação sob controle”, ladainha repetida por ela nos debates eleitorais, foi substituída pela necessidade de fazer o “dever de casa” para impedir a fúria do dragão. Os sempre condenados cortes em benefícios sociais já não são imexíveis. Os gastos públicos recordes, agora, promete a presidente, serão administrados.

Nada disso combina com o país cor-de-rosa que o PT mostrou no horário eleitoral da TV. Mas Dilma Rousseff, que assim como o ex Lula nunca sabe de nada, sabia que tudo era de mentirinha. E boa parte ainda é.

Costumeira, a prática do logro se mantém sem qualquer constrangimento.

Arte de Alpino


Números do Ipea que apontam aumento dos miseráveis em 2013 são tratados pelo primeiro escalão do governo como “não oficiais” ou “margem de erro”. Dados oficiais do governo apontando o risco de racionamento de energia no Sudeste “não valem nada”.

Desfaçatez não falta. O Ibama chegou a dizer que não contou ao país que o desmatamento da Amazônia aumentou 122% em agosto e setembro para impedir a ação de bandidos. Posto assim, o órgão ambiental teria auxiliado continuamente a bandidagem e só deixou de fazê-lo nos meses pré-eleição. É de dar vergonha.

Se no plano econômico o governo Dilma tem tentado agir, ainda que timidamente, acenando com medidas adiadas há tempos, na política a presidente e os seus insistem no ludibrio.

Arte de Sponholz


Quanto à corrupção, a presidente se diz uma combatente implacável. Mas, finda a eleição, a indignação que mostrou dois dias antes com a revelação de que Lula e ela sabiam das negociatas na Petrobras deu lugar à mudez.

Isso sem responder a uma questão para lá de simples: sabia?

Diálogo, palavra que Dilma repete à exaustão, dificilmente ocupará o lugar do divisionismo que o PT prega há tempos. O partido da presidente confessa. Considera urgente construir a “hegemonia na sociedade”. Hegemonia, segundo o Aurélio, é a “preponderância de uma cidade ou de um povo sobre outras cidades e outros povos”. A definição fala por si.

Dilma não é lá muito afeita a conversas. Gosta do mando. E, ainda que se esforce, dificilmente conseguirá mudar, como bem disse a jornalista Eliane Cantanhêde em “Dilma adversária de Dilma”. Na economia e na política.

Dias piores virão.

12 anos de brasil pelo traço de IVAN CABRAL, III