Mostrando postagens com marcador Terrorismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Terrorismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Cães anti-terror

Por Marcelo Bernardes
Folha SP 27MAR

Polícia de NY faz formatura de “Michael Jordans dos cães”
Na quarta-feira (23), coincidentemente um dia após os ataques terroristas em Bruxelas, na Bélgica, a Polícia de Nova York organizou num colégio do bairro do Queens, subúrbio da cidade, a “formatura” dos novos integrantes de seu programa anti-terror. Paulie, Randy e Ford, todos com dois anos de idade, foram alguns dos oito cães labradores empossados no esquadrão “Vapor Wake” (no rastro do vapor). A revista The New Yorker chama essa turminha de “os Michael Jordans dos cães”.


Desenvolvido em parceria entre a organização AMK9, que oferece serviços de treinamento de cachorros à polícia, com a universidade veterinária de Auburn, no estado do Alabama, há quase uma década, o vapor wake é um método que ensina cães a farejarem – em tempo real – o cheiro deixado por partículas de explosivos até dez minutos depois da passagem de um suspeito pelo local investigado.

A pessoa que carrega bombas grudadas ao corpo ou em malas ou mochilas pode ser “escaneada” por esses cachorros até no meio de multidões, sem causar qualquer confusão promovida por perseguições em locais abertos.Policiais de NY com um labrador treinado pelo método Vapor Wake. 

(Foto: Divulgação)

Cães superam homens e máquinas especializadas. O nariz de um cachorro tem 220 milhões de sensores para detectar um cheiro específico, contra 5 milhões nos de seres humanos. Cães chegam a dar dez fungadas por segundo, levando rapidamente o cheiro ao epitélio olfatório. Os receptores no interior da cavidade nasal dos cães são até 100 vezes mais densos que os dos seres humanos e podem diferenciar uma vasta quantidade de moléculas.

Treiná-los não é fácil ou barato. Bill Branton, o chefe da Polícia de Nova York, explicou durante a formatura canina que o investimento desses oito labradores custou cerca de meio milhão de dólares, bancados pelo governo federal. O treinamento de cada cachorro dura até 15 meses e custa US$ 49 mil por cabeça peluda. Todo ano, cada um dos cães é novamente submetido a um rápido treinamento para aprender novas táticas.

Contando com os oito formandos dessa semana, o esquadrão Vapor Wake tem apenas 130 cães treinados sob este método nos Estados Unidos e distribuídos por entre vários estados. Desde janeiro, a AMK9 lida com um pedido extra de mais 36 cães treinados pelo método.

Em Nova York, a Polícia conta com o auxílio de uma força canina de 100, muitos desses cães treinados por métodos mais tradicionais de detectar explosivos, ou seja, o pacote sob suspeita tem que estar parado para o cheiro ser detectado por eles. Até onde se sabe, não existe competição entre o grupo de elite canina com os farejadores mais básicos da cidade.

Link

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O Japão e o terror islâmico


A fórmula secreta que destruiu o terrorismo islâmico no Japão
Numa altura em que o terrorismo muçulmano assola o mundo, como há muito não se via, talvez útil dar uma olhadela num país que não sofre o mesmo destino, e analisar exatamente porque

Em 2011, mais de 5.700 atos terroristas foram cometidos por muçulmanos sunitas (56 % dos ataques) e cerca de 70 % das 12.533 mortes. 24 % das mortes devem-se aos muçulmanos xiitas.

Então, em 2011, os muçulmanos foram responsáveis ​​por 94 % das mortes globais em ataques terroristas. Desde 2011, com o ISIS em cena, o número de ataques terroristas muçulmanos cresceu acentuadamente. 



Em 2013, segundo o Departamento de Estado dos EUA, um total de 9.707 ataques terroristas islâmicos ocorreram em todo o mundo, resultando em mais de 17.800 mortos e mais de 32.500 feridos. Além disso, mais de 2.990 pessoas foram sequestradas ou tomadas como reféns. 

Essas 17.800 mortes deveram-se apenas a três grupos terroristas muçulmanos, os Taliban, ISIS e o Boko Haram. E existem no mundo mais de 50 grupos terroristas muçulmanos ativos.

Mas há um país em que não é assim. É um dos países mais desenvolvidos da Terra, onde a sua natureza democrática é reconhecida em todo o mundo, um verdadeiro aliado dos EUA e membro da OTAN. No entanto, não houve um único ataque terrorista perpetrado por muçulmanos nesse país. Além disso, não houve um único, mesmo pequeno, motim, perturbação ou protesto, não importa quantas caricaturas do profeta Maomé tenham sido publicadas.

O nome deste afortunado país é Japão.



Oficialmente, a imigração para o Japão não está fechada para os muçulmanos. Mas o número das autorizações de imigração oferecidas aos candidatos de países islâmicos é muito baixo. A obtenção de um visto de trabalho não é fácil para os adeptos do Islã, mesmo que sejam médicos, engenheiros ou gestores enviados por empresas estrangeiras que atuam na região. Como resultado, o Japão é "um país sem muçulmanos".

Não há estimativa confiável sobre a população muçulmana japonesa. Instado a dar uma estimativa sobre o número real de muçulmanos no Japão, o ex-presidente da Associação Islâmica do Japão, Abu Bakr Morimoto, respondeu: "Para dizer francamente, no Japão há apenas mil muçulmanos. Se incluirmos aqueles que se converteram por causa do casamento, mas que não praticam, o número será de alguns milhares."

Um dos líderes da comunidade muçulmana no Japão, Nur ad-Din Mori, foi perguntado: "Qual a percentagem da população total do Japão que são muçulmanos?". Ele respondeu: "A resposta no momento é: Um em cada cem mil".

A população do Japão é de 130 milhões de pessoas, portanto, se esses líderes muçulmanos estão corretos, deve haver cerca de 1.300 muçulmanos. Mas mesmo aqueles muçulmanos que obtiveram autorizações de imigração e viveram muitos anos no país tem chances muito escassas de se tornarem cidadãos japoneses.

O Japão proíbe oficialmente a exortação às pessoas para conversão a religião do Islã (Dawah) e se qualquer muçulmano for flagrado nessa tentativa é visto como o proselitista de uma cultura estrangeira indesejável. Os "promotores do Islã" muito ativos enfrentam a deportação e pena de prisão.


De acordo com o Sr. Komico Yagi, de um departamento da Universidade de Tóquio, "Há uma percepção entre os japoneses que o Islã é uma religião para mentes muito estreitas, e portanto deve-se ficar longe desta religião."

A língua Árabe é ensinada por muito poucas instituições académicas; há apenas um instituto: o Instituto Árabe Islâmico, em Tóquio. Mesmo a Universidade Internacional do Japão em Tóquio não oferece cursos de língua Árabe.

Importar o Alcorão em Árabe é praticamente impossível, e a única versão permitida é a "adaptada", em Japonês.

Até recentemente, havia apenas duas mesquitas no Japão: em Tóquio e Kobe. Agora, o número total de locais de oração muçulmanos no Japão é contado em cerca de 30 mesquitas individuais e cerca de uma centena de salas de apartamentos reservados para orações.

A sociedade japonesa espera que os muçulmanos rezem em casa: se se "prostrarem" nas ruas ou praças estão previstas multas bastante elevadas, e os participantes podem ser deportados. Muitas vezes, as empresas japonesas que buscam trabalhadores estrangeiros fazem notar que não estão interessadas ​​em muçulmanos.


Não há sequer um vestígio de Lei Sharia no Japão, e comida halal é extremamente difícil de encontrar..

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Terror e inépcia

Por Ruy Castro
FOLHA SP


Terror e inépcia
Enquanto, em Paris, o tiroteio terrorista no Bataclan se confundia com o som produzido por uma banda de rock – difícil distinguir uma coisa da outra –, no Brasil os 62 bilhões de metros cúbicos de rejeitos químicos sob responsabilidade de uma mineradora prosseguiam na sua trajetória de destruição por 500 quilômetros de Minas Gerais e Espírito Santo. Pela situação até agora, os efeitos da tragédia francesa se farão sentir por muitos anos. Os da brasileira, talvez para sempre.

Arte de PIRES

Lá fora, o controle e a paranoia azedarão as relações humanas. A cordialidade dará lugar à desconfiança. Ter olhos e cabelos pretos, com ou sem barba, bastará para produzir um suspeito. Homens de bem levarão geral à luz do dia no meio da rua. A xenofobia, já latente, recrudescerá. Países outrora adoráveis poderão se tornar Estados policiais. Se esses forem os objetivos do terror, já estão sendo alcançados.

Aqui, o descaso, a fiscalização ridícula e as verbas "contingenciadas" geraram a morte de um curso d'água do porte do rio Doce e a quebra de uma cadeia de fauna, flora e recursos hídricos. Milhões de brasileiros serão afetados. Se a lama tóxica chegar ao mar, tomará santuários ecológicos, como Abrolhos, na Bahia; se outras barragens se romperem, como se teme, destruirão as cidades históricas mineiras. É possível pagar por isto?

Arte de DUKE


O presidente francês François Hollande devia estar cochilando ao ignorar as advertências que lhe fizeram sobre possíveis atentados. Mas, assim que eles aconteceram, acordou e assumiu o comando. Já Dilma levou sete dias para despertar da letargia e sobrevoar a região desgraçada. Ninguém a aconselhou a dar uma rápida, mesmo que burocrática, satisfação ao país.

Na Europa, cedo ou tarde, o terror será derrotado. Mas, no Brasil, a inépcia parece invencível.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Terrorista prevenido

Digno de humor negro, 
este fato aconteceu no Paquistão. 

Um taliban suicida foi apanhado pela polícia.



Quando esta o revistou descobriu que tinha 
um escudo de metal em volta do pênis.

Questionado sobre a razão de tal proteção, 
este respondeu:

“Quero conservar o meu penis intacto, após a explosão, 
para não ter problemas sexuais 
quando chegar ao céu e 
tiver direito às minhas 72 virgens!”

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Não vale mais dizer: "eu não sei" !

Por Elio Gaspari, em sua coluna na FOLHA.

A carta do eu-não-sabia saiu do baralho
Com a inevitável lembrança do Holocausto, acabaram as comemorações dos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Numa trapaça do tempo, fica a impressão de que, em 1945, confrontado com a barbárie, o mundo reagiu com repulsa geral.

Noutra, em 2015 acredita-se que hoje coisas daquele tipo são inimagináveis. Infelizmente, as duas suposições são falsas. Milhares de judeus que saíram dos campos de concentração foram recebidos como intrusos quando tentaram voltar às suas casas na Europa Oriental.



Quando Heda Margolius, ex-prisioneira de Auschwitz, regressou a Praga, sua vizinha perguntou-lhe: "Por que você voltou?".

Em Cracóvia houve um pogrom em agosto de 1945. Nos 18 meses posteriores ao fim da guerra, mataram-se mais judeus na Polônia, Hungria e Tchecoslováquia do que nos 10 anos anteriores ao início do conflito.

O mundo só começou a encarar o Holocausto a partir dos anos 60, depois que o primeiro-ministro israelense David Ben Gurion, numa centelha de genialidade, mandou que Adolf Eichmann, capturado em Buenos Aires, fosse levado para um julgamento público em Tel Aviv.



O gerente da Solução Final foi enforcado em 1962.

A segunda trapaça do tempo é a de que aquilo foi coisa de outra época. O ódio e a violência racial e religiosa continuam aí, expostos no cotidiano do século 21. O Estado Islâmico, que se assenhoreou de parte do território do Iraque e da Síria, tem os ingredientes da superioridade nazista, com uma diferença: ele mata muçulmanos xiitas, judeus e cristãos.

Faz isso ostensivamente e coloca filmes na rede. Um deles, "Clanging of the Swords 4" ("O barulho das espadas"), com pouco mais de uma hora de duração. Coisa de profissionais, produzida há um ano. Barra pesadíssima.



Os nazistas não propagavam o que faziam. Pelas suas leis e pelos seus discursos, podia-se supor, mas não se podia ver. O Estado Islâmico usa a selvageria como instrumento de propaganda. Algo como coproduções de Heinrich Himmler, comandante da Solução Final e de Joseph Goebbels, marqueteiro do regime.

Na década de 30 havia quem tivesse uma ponta de compreensão para com os nazistas. Afinal, opunham-se aos comunistas. Hoje esse engano pode ser alimentado, em ponto menor, pela oposição do Estado Islâmico aos Estados Unidos e Israel. 




Se há uma diferença entre 2015 e 1945, ela está do fato de que agora saiu do baralho a carta do eu-não-sabia(*). Só não sabe quem não quer, porque os fatos estão aí, mostrados pelo próprio Estado Islâmico.

(*) Viu Lulla? Viu Dilma?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Charlie Hebdo de volta nesta quarta

Depois de hiato de seis semanas, a revista satírica Charlie Hebdo voltará às bancas da França nessa quarta-feira (25/02) com as caricaturas de alguns dos alvos favoritos da publicação, como o ex-presidente Nicolas Sarkozy, um jihadista, o papa Francisco e a líder da extrema-direita francesa, Marine le Pen.



O número 1179 da revista terá tiragem inicial de 2,5 milhões de exemplares e é o segundo a ser lançado depois dos ataques à sede da redação que deixaram 12 mortos no dia 7 de janeiro de 2015.

A nova capa, ilustrada pelo chargista Luz - um dos sobreviventes do massacre -, mostra um cachorro correndo com a Charlie Hebdo entre os dentes enquanto foge de um grupo raivoso liderado por Sarkozy em forma de poodle e Le Pen encarnada em um pit bull.

Além deles, um jihadista com cara de cachorro, o papa Francisco e um microfone do canal de notícias francês BFMTV, entre outros, tentam capturar o cão com a revista.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A proximidade de Auschwitz

Por Alberto Dines.
Publicado no jornal El País em 31JAN2015


A proximidade de Auschwitz
O trabalho liberta — proclama em alemão o portão de ferro do campo de extermínio nazista de Auschwitz, em território polonês. A sentença é intrinsicamente totalitária: trabalho-escravo não liberta. O que nos torna efetivamente livres é a liberdade, este conjunto de presunções, sensações e certezas de que temos o direito de escolher em todas as esferas e dimensões - espacial, temporal, física, jurídica, psicológica e espiritual.


Lajos Erdelyi, de 87 anos, posa com um desenho feito por um amigo do campo de extermínio em Budapeste, 13 de janeiro de 2015. Erdelyi foi enviado a Auschwitz-Birkenau em maio de 1944 e mais tarde foi levado para outro campo. Quando foi libertado pesava menos de 30 quilos, tentou chegar em sua casa caminhando mas desmaiou, e foi levado a um hospital por um agricultor. LASZLO BALOGH (REUTERS)




tocante cerimônia da última terça-feira para rememorar os setenta anos da desativação da mais famosa fábrica de horrores dos últimos 500, talvez seja a última que contará com a presença de sobreviventes. A efeméride do 80º aniversário (em 2025) dificilmente terá testemunhas e testemunhos vivos.

Não apenas por isso Auschwitz ganhou relevância no noticiário destinado a uma humanidade cada vez mais distraída e desnorteada. Auschwitz reapareceu empurrada pelo sangue derramado nos massacres de Paris.

Também as chacinas de Paris não concernem apenas aos jornalistas-desenhistas do Charlie Hebdo, aos policiais que cuidavam da sua segurança ou aos judeus religiosos que estavam no empório kosherna véspera do descanso sabático. O equívoco de sepultá-los no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, não dá o direito de remeter aquelas brutalidades para o remoto e absurdo Oriente Médio.

Cartoon de Wolinsky


Havia dois judeus na redação do semanário (o desenhista George Wolinsky e a psicanalista Elsa Chayat), enterrados como os companheiros na França laica, democrática, que foi às ruas solidárias com os dezessete compatriotas assassinados e para manifestar-se contra a intolerância religiosa. 

Auschwitz não concerne apenas aos judeus, nas suas câmaras de gás foram exterminados ciganos, eslavos, católicos, protestantes, comunistas, anarquistas e homossexuais. O objetivo da cúpula nazista era a Solução Final da Questão Judaica como primeiro passo para implantar uma Europa unificada pelo terror totalitário. Nem todos os sobreviventes que compareceram à cerimonia em Auschwitz vieram de Israel, alguns estão nas Américas (Brasil inclusive), África do Sul, Austrália.

Eva Fahidi, de 90 anos, posa com uma foto de sua família, assassinada no campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, em Budapeste, 12 de janeiro de 2015. Fahidi tinha 18 anos em 1944, quando ela e sua família foram levados de Debrecen para Auschwitz-Birkenau. LASZLO BALOGH (REUTERS)

O périplo ganhou inesperada escala e proximidade – Buenos Aires – com a morte do promotor Alberto Nisman, que acusava formalmente a presidente Cristina Kirchner e o seu chanceler, Hector Timerman, de negociarem com o governo iraniano ações que culminariam com a atenuação das penas e castigos dos responsáveis pela explosão do carro-bomba em frente ao prédio da AMIA, Associação Mutual Israelita Argentina, que matou 85 cidadãos argentinos.

A chacina de 1994 perpetrada, segundo sentença da justiça argentina, por agentes do Hizbullah e da Guarda Revolucionária iraniana, visavam a segunda maior comunidade judaica das Américas. A fuga para Israel de Damian Pachter, o jornalista que primeiro anunciou o assassinato de Alberto Nisman e desde então seguido por agentes e ameaçado de morte, não deve nos transferir para outras paragens. Com dupla nacionalidade e apenas a roupa do corpo fez uma escolha pragmática e imediatista.

by Whatsapp


Israel não deve ser o único refúgio para os judeus perseguidos e injustiçados do resto do mundo. A atabalhoada e patética atuação da presidente Cristina Kirchner ora apontando para um suicídio ora para assassinato nos dias seguintes à descoberta do corpo de Nisman criaram profundo mal-estar na comunidade judaica. 

A sábia decisão de enterrar o promotor em lugar de honra do cemitério, perto do monumento em homenagem às 85 vítimas do atentado contra a AMIA e não na ala dos suicidas, evita que uma questão forense de capital importância seja decidida apressadamente no âmbito religioso-funerário.

O que agora começa a transparecer é o dramático e inexplicável atraso das forças políticas portenhas — sobretudo o ambíguo peronismo — em extirpar todos as ramificações e ramais deixados pela ditadura militar.

Anestesiados pela folia que se aproxima e por mazelas que proliferam esquecemos com frequência que Auschwitz ressuscita cada vez que vacila a democracia.

Para mais fotos de Sobreviventes de Auschwitz - 70 anos depois, clique aqui.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Paris, capital do mundo livre

Por Antonio Ribeiro, em seu De Paris.


Paris, capital do mundo livre
A simbologia foi forte. Começou em uma praça chamada República e terminou em outra, a da Nação. Entre os dois pontos, mais de 1,5 milhão de pessoas caminharam por uma linha reta, o bulevar de 2,85 quilômemetros de distancia cujo nome honra a memória de Voltaire — reformista francês celebre pela defesa das liberdades individuais, direitos civis, destemido e habil com a sátira para fustigar a hipocrisia do clero e da nobreza durante o Iluminismo.


Nem quando foi libertada da ocupação nazista, menos ainda depois da conquista francesa da Copa de 1998, tantos — e diferentes — foram às ruas motivados pelo mesmo sentimento. Os que conheciam Charlie Hebdo, jornalzinho tinhoso de 45 mil exemplares por semana, os que nunca leram uma linha ou riram de suas caricaturas, os que nunca ouviram falar seu nome, se identificaram com ele. Bradavam uma palavra singela de significado imenso: “Liberdade”. Já escorreu muito sangue da espada e tinta da pena para entrega-la assim, na bandeja.

Até alguns corretos da política da hora que, não faz muito tempo, empunharam cartazes em que se lia “Sorry”, desculpando-se pela publicação das caricaturas de Maomé, hoje informavam de vários modos: “Je suis Charlie”. Poderiam ter dito desta vez, “Pensei melhor, logo sou Charlie.”

Arte de Clayton


O inédito não parou por aí. O cortejo foi encabeçado, logo atrás dos parentes e amigos das 17 vítimas do atentado terrorista, por mais de 50 chefes de estado. Estavam lá de braços dados François Hollande, Angela Merkel, David Cameron, Mariano Rajoy, Matteo Renzi. E também, contribuindo com a preciosidade do momento, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, o representante russo e o enviado ucraniano.

Muitos acharam que era uma temeridade reunir tantos quando ainda se sente odor de pólvora expelido pelas Kalachinikov dos terroristas. Finalmente, não houve nem um mísero incidente ou uma banalidade do cotidiano que irrita o parisiense, cujo estresse é tido como traço de identidade. (Talvez, vá lá, o tombo da primeira ministra da Dinamarca na escadaria do Palácio do Eliseu) O dispositivo policial parecia bem modesto para a envergadura do evento. Ou melhor, foi diluído na gigantesca massa humana. Ordeira e pacífica. O medo foi vencido com serenidade.

Arte de Cau Gomez


Mais cedo, François Hollande declarou que neste domingo invernal e ensolarado, Paris era o centro do mundo. Pode-se argumentar que o “presidente modesto” tenha exagerado na dose do tinto que regou o almoço para seus ilustres convidados. Mas é inegável que, pelo menos no senso figurado, Paris foi nestas 24 horas, a capital do mundo livre. Isso porque, mais uma vez, na prática, respondeu de forma exemplar à ameça terrorista. Ela também inédita e teimosa.

Assista vídeo exclusivo do Blog de Paris feito na manifestação: República atacada pelos corvos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Cartoons pelo mundo, homenagem a Charlie Hebdo

Joep Berthrams / Holanda


charliehebdo-cartoons-17



Lucille Clérc / França


Amarildo /   A Gazeta-ES/BR

View image on Twitter
Ruben L. Oppenheimer/Holanda

charliehebdo-cartoons-10
"Ele sacou primeiro"
David Pope / Austrália

Sponholz / Jornal da Manhã - PR/BR


Link permanente da imagem incorporada
Max Haes / Holanda


Link permanente da imagem incorporada

Uderzo / França



Genildo / Charge On Line - BA/BR


Link permanente da imagem incorporada
David Brown / The Independent / Inglaterra

charliehebdo-cartoons-02
Mala Imagem / Chile



Duke / Super Notícia-MG



View image on Twitter
Hervé Pinel / França

Veja a imagem no Twitter
@BFMTV



Gabriel Renner / Zero Hora-RS


Veja a imagem no Twitter
Nono/Jornal Le Telegraph / Inglaterra


Ann Telnaes/EUA/ Washington Post

Samuca / Diário de Pernambuco - PE/BR


Loic Seca / França

Link permanente da imagem incorporada
"Deus é humor"
Dilem / Argélia

Miguel / Jornal do Comércio - PE


Link permanente da imagem incorporada
Plantu / Le Monde / França

View image on Twitter
Robert Mankoff / New Yorker


Lailson / Humor World / BR


Link permanente da imagem incorporada
"Os patos voarão sempre acima que os fuzis"
Boulet / França



Rico/ Vale Paraibano -  SP


Link permanente da imagem incorporada


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Porta Aberta ao Juízo - XLVIII

Charge de Amarildo
Homenagem ao Charlie Hebdo


O que pensam aqueles que pensam 
que os demais não têm alternativa
 senão seguirem o que pensam? 

Será que pensam que suas histórias 
não podem ser repensadas?  

Será que não se dão conta 
de que o que pensam saber, 
nem eles mesmo podem afirmar entender?  

Pois não está visto que o 
que sabem mesmo é bater e render?


[Gilberto Quadros]
{extraído do livro Porta Aberta ao Juízo}

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ataques em Paris: já estão culpando a vítima

Por Leandro Narloch

Hoje, em sua página na VEJA.online

Ataques em Paris: já estão culpando a vítima
O ataque contra os jornalistas franceses do Charlie Hebdo mal acabou e já tem intelectual culpando as próprias vítimas pelo episódio.

Como sempre acontece nesses casos, a opinião vem neste formato: “Não estou defendendo o estuprador, mas a mulher não deveria sair por aí com uma saia tão curta. Não estou defendendo o assaltante, mas isso que dá ostentar um Rolex”.

10926406_10152533275827823_3900747446125337858_n

Esse jornal deveria compreender que isso não se faz, é atrair problema”, disse, ao vivo na Globonews, a professora Arlene Clemesha, da USP. “É claro que não estou defendendo os ataques, mas não se deve fazer humor com o outro.” A professora ainda chamou a revista de sensacionalista. O Charlie Hebdo não é sensacionalista – é uma revista satírica parecida com O Pasquim, que a professora deve adorar.

Pouco antes, o professor William Gonçalves, da UERJ, foi mais constrangedor. Culpou os próprios jornalistas pelos ataques, disse que as charges foram um ato de irresponsabilidade e perguntou qual é a graça de se fazer charges com Maomé. “Quem faz uma provocação dessa não poderia esperar coisa muito diferente”, diz ele.

Ora, é claro que o humor sobre religiões tem sua graça. O Porta dos Fundos zomba de religiosos quase toda semana – entre eles, os muçulmanos. O musical The Book of Mormons tem duas horas de pura ridicularização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Maomé foi um entre tantos religiosos que o Charlie Hebdo satiriza.

Mas o importante é que os jornalistas franceses não cometeram nenhum crime. A charge sobre Maomé é inofensiva – não se pode acusar a revista de discriminação. A liberdade de expressão não só é garantida pela lei local – também é um dos grandes valores da cultura francesa.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Qual a relação entre o Governo do PT e os terroristas?

BRASIL NO EXTERIOR

Dep Onyx Lorenzoni (DEM) o líder e membros do Partido Democrata,vão ingressar na Comissão de Segurança Pública da Câmara para convocar o Ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo para explicar o documento de 7 de maio de 2014, que retira a consulta prévia para concessão de vistos para certos países do Oriente Médio.

Dentre eles estão Síria, Paquistão, Afeganistão, Irã, Iraque, Líbia, Jordânia e Palestina, países como sabemos de forte penetração de células terroristas.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Boazinha, com o pescoço dos outros

Por Carlos Brickman
Fonte Pletz

Boazinha, com o pescoço dos outros
Dilma é mulher e sempre se disse defensora dos direitos humanos. Como a advogada Samira Saleh al-Naimi, de Mosul, Iraque.

Dilma propõe diálogo com o Estado Islâmico, que corta a cabeça de pessoas de outras religiões e trata as mulheres como inferiores. Samira foi assassinada agora pelo Estado Islâmico por defender os direitos humanos. Dilma condenou, em Nova York, quem luta contra o Estado Islâmico. E nem tocou no nome de Samira, vítima da barbárie.



Dilma defendeu os bárbaros, criticou quem luta contra eles e proclamou as excelsas virtudes que enxerga em seu Governo, ao viajar a Nova York para abrir a Assembléia Geral da ONU – tarefa que tradicionalmente cabe ao Brasil.

Lá havia 150 chefes de Estado. No entanto, relata o jornal americano Washington Post, a reunião de cúpula da organização beneficente Clinton Global Initiative, organizada pelo ex-presidente americano Bill Clinton, “ofuscou o encontro da ONU”.



Pergunta o jornal, um dos três mais importantes dos Estados Unidos: “A qual evento você preferiria ir: a um que começa com Leonardo Di Caprio, Eva Longoria e uma banda de rock, ou a um que começa com a presidente brasileira Dilma Rousseff?” Ainda bem que a repercussão foi pequena. Menos vergonhosa.

A má repercussão foi mais forte no Brasil. Tirando os bate-bumbos que acham lindo ser Tiradentes com o pescoço dos outros, Dilma foi muito criticada. Mas não há o que estranhar: a julgar por boa parte dos ministros e auxiliares que escolheu, a presidente não deve acreditar que cabeça seja muito importante.