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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Um teleférico no Rio

Por Elio Gaspari, para a FOLHA SP
Charges de SINOVALDO
Uma aula da fantasia oligárquica
Num ridículo episódio de caipirice cosmopolita, ao passear no teleférico do morro do Alemão, Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional, disse que estava se sentido “numa estação de esqui” dos Alpes. A doutora achou que viajara ao futuro, mas estivera a bordo das maquinações do passado e das empulhações do presente. Em breve o teleférico será operado pela empresa de Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União, o veterinário e ex-deputado Aroldo Cedraz.



A obra custou R$ 253 milhões e foi inaugurada duas vezes (em 2010 e 2011) sem que o serviço estivesse em plena operação. Funcionando, ele reduz para 19 minutos uma caminhada que pode durar até duas horas. Quando madame Lagarde esteve nos Alpes cariocas, o governo do Rio já começara a atrasar os repasses para a manutenção do serviço e a concessionária se desinteressara pela renovação do contrato, dispensando alguns funcionários. O colapso financeiro do Rio já havia começado.

No mundo da fantasia, dera tudo certo no andar de cima. As empreiteiras Odebrecht, OAS e Delta orgulhavam-se da obra. A Delta foi apanhada nas traficâncias do bicheiro Carlinhos Cachoeira e foi declarada inidônea pela Controladoria-Geral da União. A OAS, apanhada na Lava Jato, está em recuperação judicial. A empresa Supervia, filhote da Odebrecht, ficou com a exploração do serviço.



À época, Lula, Dilma, Sérgio Cabral e Pezão saciaram-se na publicidade. Sobrou um teleférico para ser operado. Essa, a parte que exige trabalho e não rende propaganda, tomou outro curso, o dos serviços públicos para o andar de baixo. Às vezes o teleférico funcionava num horário proibitivo para quem precisava pegar no batente de manhã cedo.

A Supervia desistiu da operação e devolveu a maravilha à Viúva. O repórter Ítalo Nogueira revelou que o governo do Rio concluiu a licitação para escolher a nova operadora do teleférico do Alemão. Venceu-a uma empresa do advogado Tiago Cedraz, criada em abril passado. Sem licitação, a prefeitura do Rio já entregara a Cedraz a operação de outro teleférico, menor, no morro da Providência.


Ricardo Pessoa, um dos empreiteiros presos pela Lava Jato, contou ao Ministério Público que deu R$ 1 milhão a Tiago para ajudar na liberação de um contrato de R$ 2 bilhões para obras da usina nuclear de Angra 3. Pessoa pagava também R$ 50 mil mensais ao escritório do advogado para cuidar de seus pleitos. Ele confirma ter trabalhado para a UTC, mas nega ter tocado em propinas.

Tiago Cedraz tem 33 anos e diplomou-se em 2006. Entre 2009 e 2013, formou um patrimônio imobiliário avaliado em R$ 13 milhões, mais um jatinho Cessna de dez lugares. Teve um conversível vermelho, mas seu pai fez com que o devolvesse.



Vive em Brasília e seu escritório acompanha 35 mil processos. Em 182 atuou no Tribunal de Contas. Em julho, a Polícia Federal visitou-o, cumprindo um mandado de busca e apreensão. Cedraz informa que criou a empresa Providência Teleféricos “quando surgiu a oportunidade de participar das concorrências”.

Quando madame Lagarde for esquiar nos Alpes, poderá perguntar se há por lá algum teleférico que tenha passado por tantas peripécias, com personagens tão pitorescos.

domingo, 20 de setembro de 2015

As vantagens do transporte público sobre o individual


Que as cidades estão entupidas de carros todos sabemos, mas você consegue imaginar como seria o mesmo espaço ocupado apenas com as pessoas que lá transitam sem os automóveis?

Foi o que fez os que participam da iniciativa internacional Soluções Sustentáveis  fotografando o espaço onde viajam 200 pessoas em carros, posteriormente fotografando em separado as mesmas 200 pessoas em um ônibus, num metrô de superfície, em bicicletas e a pé.




Na primeira imagem vemos 200 pessoas em 177 carros em uma rua de Seatle, EUA. E na segunda, as mesmas pessoas sentadas na rua nos dá uma ideia da quantidade de espaço que o tráfego diário de carros ocupa em relação aos poucos usuários. 

Mas o golpe final vem quando vemos essas mesmas pessoas ocupando três ônibus, em bicicletas ou num metrô de superfície.



É definitivamente uma boa maneira de aumentar nossa consciência da utilidade do transporte público.

Temos apenas que melhorá-lo.

Fonte Fogonazos

domingo, 26 de julho de 2015

É em SP mas podia ser aqui, ou ...

Por Luiz Francisco Carvalho Filho, na FOLHA

Grafites de Pedro Sangeon, nas ruas de Brasília

Ladrões de calçada
Juridicamente, o título é impróprio. Ladrão é designação de quem se apropria, com ou sem violência ou ameaça, de coisa móvel e alheia. Calçadas são imóveis, não podem ser objeto dos crimes de roubo e furto. Como também chamamos de ladrão quem desonra bons costumes políticos e administrativos, a imprecisão é tolerável.

A prefeitura surrupia pedaços de calçada para ampliar faixa de asfalto e garantir mais conforto para automóveis, ônibus e, agora, bicicletas. Caiu o muro do cemitério da Consolação em dezembro? Paciência, ergue-se um tapume e a calçada desaparece.

A cidade está repleta de empreendimentos imobiliários que não reservam espaço para o passeio público.

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Empresas concessionárias ou contratadas pela prefeitura deixam buracos e desníveis, serviço porco, além da desconcertante corrupção estética (na avenida São Luís, por exemplo) dos mapas estilizados de São Paulo que enfeitariam o calçamento de pedras portuguesas.

Prefeitos gostam da cidade feia. Não exigem enterramento de fios. Estimulam a multiplicação de postes.

Caminhar é um rali de dificuldades. O pedestre tem de se desvencilhar de valas e degraus, material derrapante, cocô de cachorro, mau cheiro, vendedores ambulantes, gente acampada, mesas e garçons de bares e restaurantes e dos próprios transeuntes que se acotovelam para a travessia de semáforos. De noite, é atingido por holofotes de alerta porque caminhar é muito suspeito.



Quem tem dificuldade física se arrisca pelas ruas e ciclovias: nas calçadas, cadeiras de roda e equipamentos de transporte de deficientes não rodam.

O desleixo oficial conspira contra a lógica urbana, a economia e a saúde pública. Caminhar faz bem. Calçadas amplas, generosas, despoluídas e seguras estimulariam as pessoas a caminhadas diárias e, certamente, reduziriam o tráfego de automóveis nos bairros.

A responsabilidade pela manutenção das calçadas é dos proprietários dos imóveis, mas os prefeitos não fazem a sua parte (alguém já ouviu falar em obra na cidade de São Paulo para a ampliação de calçadas?) e não exercem o poder de fiscalização. Em matéria de calçada, lei é para inglês ver.



As estatísticas assombram: 19,4% dos mortos em acidente no Brasil são pedestres. Levantamento do Hospital das Clínicas indicava, em 2005, o atendimento de 300 vítimas mensais de quedas nas calçadas, que geram despesas com resgate, tratamento médico e indenizações pagas pela prefeitura omissa.

Haddad aponta para a direção correta quando sacrifica o trânsito de automóveis, mas seu programa de ciclovias, que alegra fornecedores de tinta, é feito nas coxas e introduz mais situações de risco para os pedestres paulistanos, sobretudo idosos.

Dinheiro público serve para financiar propaganda política disfarçada, não para campanhas educativas. Em Brasília, pelo menos no Plano Piloto, pedestres têm, sim, preferência. Por que não em São Paulo?



Poderíamos falar mais de governantes que se fantasiam de ciclistas para "humanizar" suas imagens, mas que nunca serão vistos caminhando, ou de urbanistas de meia tigela, que cultuam a mobilidade e deixam a questão das calçadas para depois, mas o espaço da coluna acabou. Danem-se os pedestres.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Está chegando a hora da VAIA!

Num evento em meados de maio em São Paulo com patrocínio (R$ 50.000) da prefeitura petista, Lulla deu a seguinte declaração demonstrando mais uma vez seu descaso e desrespeito ao cidadão brasileiro:



A babaquice de Lula
( texto de Gaudêncio Torquato)
Do alto de sua onipotência, Lula bradou : "Eu cansei de ir no Morumbi ver jogo do Corinthians contra o São Paulo. Cansei de ver o Santos no Pacaembu com 60 mil pessoas e nunca tivemos problema de ir a pé. Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa. A gente está preocupado que tem que ter metrô, tem que ir até dentro do estádio ? Que babaquice é essa ? Nós temos é que dar garantias para essa gente assistir aos jogos, comer a nossa comida. É disso que temos de ter orgulho". Pois é, pegou mal. Lula tem um confortável carro à disposição ; viaja nos melhores aviões de carreira e em jatinhos executivos ; trata da saúde no Sírio Libanês, um dos melhores hospitais do país ; e, nos estádios, certamente ganha a tribuna de honra, longe da galera das arquibancadas. Luiz Inácio pode dizer o que quiser. Na pele do líder populista e carismático, é ouvido e aplaudido. Desta vez, porém, excedeu-se. Foi longe. Querer ir de metrô às arenas é algo prático e cômodo. O povo não é bobo. Por isso, a fala de Lula foi uma "babaquice".



e ainda afirmou:

“Eu já tomei a decisão de não ver nenhum jogo (no estádio). Vou ver em casa, né? Porque já que não pode entrar bebida (nos estádios), em casa vou tomar uma cervejinha e ninguém pode reclamar.”

MENTIRA!

Ele está com medo de levar uma puta vaia!


UUUUUUUUUUUUUUUUUUHH!