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terça-feira, 7 de abril de 2015

O mar não está prá peixe

Por Elio Gaspari.



Arte de Nicolielo




Um velho marinheiro ensina: 

“Se você está em alto-mar 
e sente cheiro de bosta de vaca, 
corra para um porto. 

No mar não tem vaca,
 isso é prenúncio de tempestade.”


O comissariado petista que estuda a estratégia para a próxima eleição municipal está sentindo cheiro de bosta de vaca.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Recado para Rui Falcão, presidente do PT

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, propõe o corte da publicidade oficial nos veículos que, a seu ver, apoiaram a manifestação contra Dilma. Quer uma nova política de anúncios para a “grande mídia”.


“Gente inteligente, mesmo quando se cala, 
diz mais que o tolo quando fala”.

[provérbio judaico]

sexta-feira, 6 de março de 2015

Provérbio Ingles


"Se teu mal tem remédio, porque te afliges? 
Se não tem, porque te afliges?" 

(provérbio inglês)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O dia em que uma cinta-liga substituiu a Bandeira do Brasil !

Em 1825, após extensas negociações diplomáticas, D. Pedro I obteve o reconhecimento de nossa independência pela Inglaterra e Portugal. 

Desde janeiro de 1822  havia sido criado o Corpo de Estrangeiros como uma divisão do Exército Brasileiro constituído inicialmente de imigrantes suiços de Nova Friburgo e de estrangeiros de passagem ou morando no Rio de Janeiro. E com a normal desconfiança inspiradas nas nossas forças militares formadas por portugueses e, após a nossa independência, o Imperador decidiu reforçar essa Brigada.




Contratou-se mercenários alemães que foram recrutados pelo major Georg Anton von Schäffer na Europa, em sua maioria desempregados com o fim das guerras napoleônicas.

Eles foram instalados no quartel do Campo de Santana e na velha fortaleza da Praia Vermelha.

O fato daria uma importância extraordinária ao desfile cívico daquele ano, no Campo de Santana, a ser aberto pela tropa dos temidos mercenários alemães, designados como Batalhão dos Caçadores.

Além de truculentos, esses soldados era insubordinados e bagunceiros, dando mais prejuízo que segurança ao País. O mais esculhambado deles era justamente o comandante do quartel da Praia Vermelha, Major Edward Von Ewald.

Amigo pessoal de D. Pedro I, era seu cúmplice nas esbórnias noturnas que promoviam nas tavernas da cidade. Bebedor e falastrão, Von Ewald se apaixonara por uma famosa e rica prostituta - Gertrudes - que morava numa luxuosa chácara na Praia de Botafogo.




De início, Gertrudes delicadamente o repeliu e então Ewald resolveu demonstrar seu poder e autoridade: passou a organizar desfiles das tropas alemães diante da casa dela. Seduzida por tal devoção, a prostituta cedeu aos desejos do Major - certos autores identificam aí a origem da expressão "topou a parada", que passou a ser usada primeiramente em tom de galhofa e depois se integrou ao nosso vocabulário popular. Mas para se tornar amante regular de Ewald, a rameira exigiu uma outra prova de amor...

No dia do desfile da Independência - 12 de outubro (*) - , todas as autoridades e milhares de pessoas assistiam à tropa dos alemães entrar garbosa no Campo de Santana, trajando seu uniforme de gala, quando ocorreu a estupefação geral. 

No lugar do pavilhão nacional, a bandeira do Brasil ostentada pelo batalhão, pendia um apetrecho nada cívico: as cintas-ligas de Gertrudes, ali colocadas por Von Ewald como prova de amor a sua exigente meretriz.



Após o desfile, D. Pedro I mandou prender o Major Von Ewald, rebaixou-o de posto e o sentenciou a uma surra de vara (costume da época). O alemão chegou a fugir, mas logo foi recapturado. Poucos dias depois, o imperador o perdoou e tudo voltou a ser como antes, inclusive as bacanais e porres da dupla. E não podemos esquecer que o imperador mantinha com dinheiro público duas amantes: a Marquesa de Santos e sua irmã, a Baronesa de Sorocaba. Não seria ele quem iria querer moralizar coisíssima nenhuma.


(*) Naquela época o desfile cívico de comemoração da Independência não era realizado em 7 de setembro, mas em 12 de outubro - data da Aclamação do Imperador.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O santinho do pau oco

É de senso comum que a expressão "Santinho do pau oco" significa aquele ou aquela  que é hipócrita, falso e nada confiável e surgiu em nosso país há cerca de três séculos, no início do século XVIII.

Arte de Newton Silva



Mas você sabe a sua origem? e o legado que foi incorporado na formação de nosso país, no que tem de mais negativo? 

Corrupção, propina, superfaturamento, caixa 2...


Pode até parecer mas esse POST não foi inspirado no ex-presiMente Lulla, no PT, na Dilma, no Petrolão, etc...

Mas vamos lá. 



No fim do século 17 a produção açucareira no Brasil enfrentou uma séria crise devido à prosperidade dos engenhos açucareiros nas colônias holandesas, francesas e inglesas da América Central. Como Portugal dependia, e muito, dos impostos que eram cobrados da colônia a Coroa passou a estimular seus funcionários e demais habitantes,  a desbravar as terras ainda desconhecidas em busca de ouro e pedras preciosas.


Com as primeiras descobertas nos sertões paulistas e na região onde hoje situa-se o Paraná  iniciou-se então a primeira “corrida do ouro” da história moderna. A quantidade de gente aportando no Brasil, e deixando Portugal, era tamanha que em 1720 a população local saltou de 300 mil para 2 milhões de habitantes.




Com a descoberta das minas auríferas iniciou-se a criação das Casas de Fundição onde o ouro era transformado em barras cunhadas com o brasão real e ampliou-se ainda mais o controle - que existia desde o descobrimento - da cobrança de impostos então intitulado de "o Quinto" o que equivalia a 20% do que era produzido.


Com a intensificação da cobrança do QUINTO intensificou-se também o desvio/sonegação visando fugir à sua cobrança. Como, oficialmente, o ouro só podia circular em barras os mineradores passaram a pulverizar e transformá-lo em pó ou mantê-las na forma de pepitas (pequenas pedras) para facilitar o transporte clandestino.

Inicialmente usavam alforjes de couro e vasos de barro mas que eram difíceis de serem transportados em segurança e foi que a partir daí entrou em cena uma nova parceria - os contrabandistas e a Igreja Católica.

Como a fiscalização portuguesa era rigorosa nas minas e nas cidades onde circulavam essas riquezas, os contrabandistas passaram a usar o recurso de rechear esculturas sacras com ouro em pó, diamantes e outras pedras preciosas e transportá-las para locais distantes, burlando a cobrança dos "quintos" exigidos por Portugal - foi criado assim o Santo do pau oco.




E eis aí o principal motivo para que tenhamos essa abundância de Igrejas com detalhes riquíssimos em ouro espalhadas pelas cidades mais antigas principalmente as do estado de Minas Gerais e a capital baiana, então capital do império. 



Isso mesmo, a proliferação de igrejas no Brasil durante o século 18 deveu-se mais ao contrabando de ouro que à religiosidade do povo ou a boa vontade dos Cardeais.

Templos católicos tão magníficos como os de Ouro Preto e Salvador só existem por intervenção piedosa de um generoso padroeiro: o "Santo do Pau Oco". Foi pela graça dele que padres e mineradores consolidaram a mais lucrativa ferramenta de corrupção nacional: o superfaturamento.




Bem,  mas como é que se fraudava o controle português para que ouro e diamantes chegassem à estátua oca? Simples! Bastava a cumplicidade das autoridades católicas. 

Projetava-se uma igreja e davam-se ao fisco informações superestimadas sobre a quantidade de ouro - isenta de impostos - necessária para a ornamentação dos altares e de seu interior. O metal não utilizado era escondido na própria obra do templo, de onde depois era contrabandeado, aos poucos, nos santos do pau oco.

   Igreja e Convento de São Francisco, em Salvador/BA
Faça um tour virtual clicando aqui


Exemplo: registrava-se que seria necessário o uso de 400 barras de ouro para os afrescos e ornamentos na construção de uma igreja e usava-se realmente apenas parte disso. A diferença, provavelmente abatendo-se uma comissão dos padres e bispos,  era posteriormente contrabandeada.

Claro que a Igreja era parte altamente interessada e por duas razões: a própria construção dos templos patrocinada pelos contrabandistas aliada à parte que lhes cabia na participação do ato sonegador do imposto - o já chamado, também, popularmente de "O quinto dos infernos".  

Portanto não é à toa que Salvador desde seus primórdios tem esta profusão de igrejas, com suas construções sendo intensificadas a partir do século XVIII, praticamente cada bairro tendo a sua e muitas vezes, mais de uma, ricamente ornamentadas.

Existe até um folclore que tínhamos aqui uma igreja para cada dia do ano. Na verdade, temos hoje 372.



Havia tanto ouro acumulado nos templos católicos, que nem sempre era fácil tirá-lo sem despertar a atenção dos portugueses. Não dava para levar um santinho (oco, naturalmente) todo dia para viajar. Então, os padres aumentaram o número de procissões, ocasiões em que várias estátuas podiam sair simultaneamente, levando grandes quantidades do metal.

Durante o trajeto, em meio à multidão, os contrabandistas se revezavam em carregar as imagens e disfarçadamente iam retirando o ouro e escondendo-o em embornais e alforjes de couro. Antes que a procissão chegasse ao fim, já tinham esvaziado os santos e distribuído o contrabando sem que os portugueses percebessem.

Procissão do Bom Jesus dos Navegantes, em Salvador/BA


Mas acontecia de ocorrerem acidentes  e as imagens serem derrubadas e o responsável ser preso e executado quando os soldados da Coroa viam o que tinha dentro delas. Para evitar que isso se repetisse, os padres criaram a matraca, que emite um som estridente  e desagradável, abafando o ruído provocado pela queda.

Uma matraca é um instrumento musical e sinalizador que, quando sacudido, produz som. É usada no Brasil, em pequenas cidades por vendedores e também na quaresma para anunciar uma procissão. O instrumento substitui os sinos na Semana Santa. Na Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, chegou a ser usada em grandes quantidades pelos insurgentes visando simular os ruídos dos tiros de metralhadoras. 


Desde então, esse instrumento vem fazendo um barulho infernal em todas as procissões sob a alegação de ser o substituto ideal para os pesados sinos nos cortejos religiosos.

Pode-se dizer qualquer coisa sobre a Igreja no Brasil colonial, mas jamais que ela não tenha sido extremamente hábil e inventiva. Em proveito próprio, naturalmente.

Agora pergunto:  Um país com um passado desse poderá ter algum futuro? o Presente já deixa a desejar... e temos tantos santinhos do pau oco na nossa governança...

Fontes consultadas  wikipedia  /Serqueira.com / pontosolidário /Google