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segunda-feira, 26 de maio de 2008
Opinião - por Marco Antonio Villa
Escrito por Marco Antonio Villa. para o Folha de SP
Falácias sobre a luta armada na ditadura
Falácias sobre a luta armada na ditadura
Militantes de grupos de luta armada criaram um discurso eficaz. Quem questiona "vira" adepto da ditadura. Assim, evitam o debate. A LUTA armada, de tempos em tempos, reaparece no noticiário. Nos últimos anos, foi se consolidando uma versão da história de que os guerrilheiros combateram a ditadura em defesa da liberdade. Os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heróicas ações. Em um país sem memória, é muito fácil reescrever a história. É urgente enfrentarmos essa falácia. A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, seqüestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum. O regime militar acabou por outras razões. Argumentam que não havia outro meio de resistir à ditadura, a não ser pela força. Mais um grave equívoco: muitos dos grupos existiam antes de 1964 e outros foram criados logo depois, quando ainda havia espaço democrático (basta ver a ampla atividade cultural de 1964-1968). Ou seja, a opção pela luta armada, o desprezo pela luta política e pela participação no sistema político e a simpatia pelo foquismo guevarista antecedem o AI-5 (dezembro de 1968), quando, de fato, houve o fechamento do regime. O terrorismo desses pequenos grupos deu munição (sem trocadilho) para o terrorismo de Estado e acabou usado pela extrema-direita como pretexto para justificar o injustificável: a barbárie repressiva. Todos os grupos de luta armada defendiam a ditadura do proletariado. As eventuais menções à democracia estavam ligadas à "fase burguesa da revolução". Uma espécie de caminho penoso, uma concessão momentânea rumo à ditadura de partido único. Conceder-lhes o estatuto histórico de principais responsáveis pela derrocada do regime militar é um absurdo. A luta pela democracia foi travada nos bairros pelos movimentos populares, na defesa da anistia, no movimento estudantil e nos sindicatos. Teve na Igreja Católica um importante aliado, assim como entre os intelectuais, que protestaram contra a censura. E o MDB, nada fez? E seus militantes e parlamentares que foram perseguidos? E os cassados? Quem contribuiu mais para a restauração da democracia: o articulador de um ato terrorista ou o deputado federal emedebista Lisâneas Maciel, defensor dos direitos humanos, que acabou sendo cassado pelo regime militar em 1976? A ação do MDB, especialmente dos parlamentares da "ala autêntica", precisa ser relembrada. Não foi nada fácil ser oposição nas eleições na década de 1970. Os militantes dos grupos de luta armada construíram um discurso eficaz. Quem questiona é tachado de adepto da ditadura. Assim, ficam protegidos de qualquer crítica e evitam o que tanto temem: o debate, a divergência, a pluralidade, enfim, a democracia. Mais: transformam a discussão política em questão pessoal, como se a discordância fosse uma espécie de desconsideração dos sofrimentos da prisão. Não há relação entre uma coisa e outra: criticar a luta armada não legitima o terrorismo de Estado. Precisamos romper o círculo de ferro construído, ainda em 1964, pelos inimigos da democracia, tanto à esquerda como à direita. Não podemos ser reféns, historicamente falando, daqueles que transformaram o adversário, em inimigo; o espaço da política, em espaço de guerra. Um bom caminho para o país seria a abertura dos arquivos do regime militar. Dessa forma, tanto a ação contrária ao regime como a dos "defensores da ordem" poderiam ser estudadas, debatidas e analisadas. Parece, porém, que o governo não quer. Optou por uma espécie de "cala-boca" financeiro. Rentável, é verdade. Injusto, também é verdade. Tanto pelo pagamento de indenizações milionárias a privilegiados como pelo abandono de centenas de perseguidos que até hoje não receberam nenhuma compensação. É fundamental não só rever as indenizações já aprovadas como estabelecer critérios rigorosos para os próximos processos. Enfim, precisamos romper os tabus construídos nas últimas quatro décadas: criticar a luta armada não é apoiar a tortura, assim como atacar a selvagem repressão do regime militar não é defender o terrorismo. O pagamento das indenizações não pode servir como cortina de fumaça para encobrir a história do Brasil. Por que o governo teme a abertura dos arquivos? Abrir os arquivos não significa revanchismo ou coisa que o valha. O desinteresse do governo pelo tema é tão grande que nem sequer sabe onde estão os arquivos das Forças Armadas e dos órgãos civis de repressão. Mantê-los fechados só aumenta os boatos e as versões fantasiosas. MARCO ANTONIO VILLA, 51, é professor de história do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e autor, entre outros livros, de "Jango, um perfil".
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domingo, 25 de maio de 2008
sábado, 24 de maio de 2008
Especial Jefferson Peres
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
Clóvis Rossi: A rendição dos BRIC
Escrito por Clóvis Rossi em ArquivodeNotícias
A rendição dos Bric
A rendição dos Bric
SP - Os tais Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) estão todos contentinhos por terem feito sua primeira reunião ministerial e se estabelecido como instituição. Na prática, estão apenas rendendo-se a uma criação da Goldman Sachs, que inventou a sigla para designar o que seu economista-chefe acha que serão as potências mundiais em 2050. Se serão ou não, o tempo dirá. O que já está dito é que não há outra cola entre eles que não sejam territórios e populações gigantescas (fatores preexistentes à sigla Bric). A China é uma ditadura de partido único. A Índia e o Brasil são democracias, a primeira a maior do mundo pela população. A Rússia fica no meio do caminho: não chega a ser uma ditadura acabada, mas seu teor de democracia é bem baixo. O crescimento econômico chinês é colossal há décadas. O da Índia só recentemente começou a se aproximar. Idem para a Rússia. O do Brasil ainda nem faz cócegas nos números chineses, além de só no ano passado ter sido expressivo. China, Índia e Rússia têm armas nucleares, o que lhes faz mais importantes no cenário global. O Brasil não tem e diz que não quer ter - e é bom mesmo que não tenha. China e Rússia são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o que lhes dá poder de veto. Um (desejável) mundo multipolar não pode passar por cima de eventuais vetos chineses e russos. Brasil e Índia não podem vetar nada. Por fim, ainda que venham a ser grandes potências, nada indica que passem a ter interesses comuns a ponto de criar um bloco Bric. Ao contrário, potências tendem a colidir umas com as outras, mesmo que seja apenas em termos econômico-comerciais, já que a discussão ideológica foi vencida pelo capitalismo. Vitória tão ampla que os Bric aceitam agora que o mundo seja moldado por uma instituição financeira.
O que é:
Abstêmio:
Pessoa fraca que se rende à tentação de negar um prazer a si próprio.
[Ambrose Bierce]
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Froidisplika
"Experiência não é o que acontece com você,
mas o que você fez com o que lhe aconteceu." ( Aldous Huxley )
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