Começaram as vendas do espetáculo “O Melhor Dia de Nossas Vidas”, concerto que celebra a vida, a família e o nascimento de Jesus, com repertório que engloba canções tradicionais e modernas de Natal. Sob a direção e regência do Maestro Cícero Alves e participações especiais do Maestro Carlos Veiga Filho e a pianista Kadija Teles, o concerto acontece no próximo dia 11 de dezembro (sexta), às 21h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves.
Os arranjos, feitos por compositores de renome internacional, são modernos e arrojados.
As 120 vozes do concerto são compostas de cantores jovens (crianças e adolescentes) e adultos com experiência na área do Canto Coral.
Já o repertório é composto de canções como ‘Baba Yetu’, ‘Il Faudra Leur Dire’, ‘Best Day of My Life’, ‘O Pastor’, ‘Céu de Santo Amaro’, ‘Somebody to Love’, ‘Jingle Bells’, ‘Noite Feliz’, ‘Viva La Vida’ e muitas outras.
Os ingressos estão sendo vendidos em conformidade com a Lei Federal 12.933/2013 e custam R$ 80/R$40 (filas A a P), R$ 70/R$ 35 (Q a Z7) e R$ 60/R$ 30 (Z8 a Z11).
Garanta logo os seus nas bilheterias do TCA, nos postos dos SAC´s Barra ou Bela Vista ou na internet através do site da compreingressos
STJ derruba tese de advogados e estraga Natal de figurões da Lava Jato
Nos últimos dias, os advogados mais importantes do país lotam o plenário das sessões da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na expectativa de que o recém-empossado ministro Ribeiro Dantas, que assumiu a relatoria dos processos da Operação Lava Jato, convencesse os demais ministros de que existem argumentos capazes de interromper os quase cinco meses de cadeia de figurões como o presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e de permitir que os executivos das maiores empreiteiras do país passem o Natal em casa. Na última semana, ouviram do próprio Dantas, ministro apadrinhado pelo presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), o diagnóstico de que as prisões no maior escândalo de corrupção do país representavam um "julgamento de exceção". Desde então, conforme revelou VEJA, cada ministro que julgaria os casos da Lava Jato passou a estar sob a maior pressão de suas carreiras, com ameaças de dossiês e promessas de boicotes em indicações.
O voto de Ribeiro Dantas, permeado por um rosário de críticas às decisões do juiz Sergio Moro, deu esperanças - ou a quase certeza - de que o STJ iria sucumbir e liberar em massa empreiteiros da Lava Jato presos desde junho. O entendimento do relator, contrário às evidências colhidas pela Força-tarefa da Lava Jato, era o de que personagens do escândalo do petrolão, como o próprio Odebrecht, poderiam ser colocados em liberdade por não haver risco de cometerem crimes e nem de continuarem a atuar no bilionário esquema de fraudes em licitações na Petrobras. Mas o esperado "saidão de Natal" dos empresários não se consolidou. E em boa medida por causa dos votos do ministro Félix Fischer.
Na sessão desta quinta, depois de Ribeiro Dantas ter votado pela liberdade do executivo Rogério Araújo, ligado à construtora Odebrecht, Fischer pediu vista e adiou a conclusão do processo que poderia levar à liberdade do empresário. A concessão do habeas corpus a Araújo era interpretada como a senha para que, na sequência, Marcelo Odebrecht também pudesse ir para casa. Os dois foram presos no mesmo dia, 19 de junho, por razões semelhantes: suspeitas de envolvimento no desembolso de propina a ex-dirigentes da Petrobras e fraude em contratos na estatal. O caso específico do presidente do Grupo Odebrecht não foi pautado hoje porque havia pedidos de vista feitos há mais tempo, como o relativo ao publicitário Ricardo Hoffmann, ligado ao deputado cassado e ex-petista André Vargas.
O destino de Marcelo Odebrecht pelas mãos do STJ deve ser analisado na próxima terça-feira, 15, mas agora com parcas chances de êxito. No caso de Rogério Araújo, apenas o relator Ribeiro Dantas votou por conceder a liberdade. Ainda que Dantas tenha afirmado com todas as letras que "inexiste elemento concreto a indicar a presença de risco de reprodução delitiva", a tendência é que os ministros da 5ª Turma atestem que Odebrecht deve continuar atrás das grades por ainda oferecer risco às investigações sobre o propinoduto que sangrou os cofres da Petrobras e pelo fato de o executivo, em liberdade, poder usar empresas da holding para camuflar indícios e provas do esquema de formação de cartel, fraude em licitações e corrupção de agentes públicos.
Um último argumento, já aventado pelo juiz Sergio Moro, pode reforçar por fim o entendimento de ministros do STJ favoráveis à manutenção da prisão do executivo: o de que o herdeiro do Grupo Odebrecht tem influência política e recursos suficientes para inibir novos flancos de investigação e potenciais delações premiadas.
A se repetir a larga maioria firmada hoje para manter presos o presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo, o executivo Elton Negrão e o publicitário Ricardo Hoffmann, o Superior Tribunal de Justiça confirmará o que o próprio ministro Félix Fischer disse na tarde desta quinta-feira sobre o propinoduto da Operação Lava Jato: "Não são crimes comuns, são casos gravíssimos que deixam sociedade inteira perplexa. E crimes como esses da Lava Jato exigem firme atuação do Judiciário".
Sempre fico tenso com aquela vinheta de fim de ano da Globo, “Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa”.
Sei que aquilo é feito para me animar, para lançar meu espírito rumo ao firmamento e fazer-me sonhar docemente com as alvíssaras do novo dia de um novo tempo.
Mas não consigo.
Olho para as cenas de todos aqueles artistas tão felizes e penso justamente no que não vejo. O Bonner está lá, bem faceiro, que ele é um tipo faceiro. O Jô Soares também, embora seu sorriso ande meio torto. A Carolina Dieckmann, dourada e lânguida, é o próprio verão carioca.
Mas e os que não apareceram?
Imagino aquele ator de, digamos, Malhação. Ele vibrou, quando foi convocado por e-mail para a gravação. Contou para a mãe, para a namorada, para os amigos:
_ Vou aparecer na vinheta de fim de ano da Globo!
Todos aplaudiram, excitados. Urru! E ele passou os dias decorando a letra e a coreografia. Batia com as mãos no peito, estalava os dedos e cantava, contente, acreditando na letra da canção:
_ Todos nossos sonhos serão verdade! O futuro já começou!
No dia aprazado, lá se foi ele, vestido de branco da cabeça aos pés. Antes de sair, a mãe mandou que tirasse a camisa e passou-a a ferro com critério. Não ia deixar o filho aparecer para o Brasil inteiro vestindo aquela camisa que parecia que ele tinha guardado dentro da garrafa.
Foi um longo dia de gravações, da manhã à noite, horas e horas intercaladas por sanduíches vulgares e sucos mornos. Quando ele voltou para casa, a família o cercou, dardejando-o com perguntas:
_ Como foi? Como foi?
_ Muito legal. Conheci o Faustão!
Na noite em que a vinheta seria lançada, ele se reuniram em frente à TV. Estavam todos, entre sorridentes e ansiosos: a família orgulhosa, os amigos dando-lhe tapinhas nas costas, a namorada fazendo olhares de promessas, veio até aquele primo-irmão que morava em Bento Gonçalves.
No intervalo do Jornal Nacional, a musiquinha explodiu:
“Hoje é o novo dia...”
Mas cadê o nosso herói?
_ Cadê você? _ Perguntavam. _ Cadê? Cadê?
Maldição! Bem que disseram que ele tinha de ir naquele bolo para abraçar a Regina Duarte. Aqueles é que eram espertos. Cadê? Cadê? De repente, ele apontou para a tela:
_ Ali! Ali!
_ Onde?
_ Ali!
_ Com o Galvão Bueno?
_ Não! Do lado do Francisco Cuoco!
_ Aquele é você?
Era. Mas o Jornal Nacional já recomeçou...
Então, o ator de Malhação deve ter rilhado os dentes e, pensando em todas as vezes em que deram close no Tony Ramos balançando os braços cebeludos, jurou:
_ Ainda vou dar o troco, Tony! Ainda vou!
Lembre-se disso, quando você vir a vinheta da Globo. E entenda como se sente o Michel Temer.
A caderneta de poupança sangrou 1,3 bilhão de reais em novembro, o pior resultado em 20 anos. No acumulado do ano, a aplicação mais popular do país perdeu 58 bilhões de reais, por causa do desemprego, da inflação e da queda na renda.
Arte de SPONHOLZ
Houvesse ferrovias no Brasil, é o que se poderia chamar de desastre ferroviário.
Houvesse povo no Brasil, ele estaria nas ruas todos os dias, fazendo greve e se manifestando contra o governo.
Por Gaudêncio Torquato, em seu Porandubas Políticas
A carta de Michel I
A carta do vice-presidente Michel Temer estava engasgada em sua garganta há muito tempo. Até que ele decidiu soltar o verbo. Como se sabe, Michel é cordato, educado, atencioso, um diplomata. Aceita ponderações e chega a balançar positivamente com a cabeça em aceno de aprovação às ideias do interlocutor. No instante seguinte, porém, se não concordar, ele desarma os argumentos do outro. Sempre de maneira educada. Essa habilidade sempre esteve presente na sua interlocução com Dilma. Que deve ter considerado : pela maneira Michel Temer de ser, ele jamais dirá algo mais duro contra mim. Errou.
Arte de MARCO AURELIO
A carta de Michel II
Não foram poucas as vezes em que Michel se sentiu desprestigiado. Um exemplo marcante. Na posse do segundo mandato, ela teve um encontro de duas horas com o vice-presidente norte-americano Joe Biden. Michel é amigo dele. Teve oportunidade de iniciar uma amizade por ocasião das missões e viagens ao exterior, oportunidade em que se encontrou algumas vezes com Biden. A aproximação dos dois se estreitou em função da identidade de ambos : constitucionalistas, professores de Direito Constitucional. Pois bem, na posse de Dilma, ela não chamou Michel, amigo de Biden, para a conversa com o vice-presidente. Ela sabia, sim, que ambos eram amigos. Por que não chamou ? Ora, por prever que teria desconforto em assistir a uma conversa mais elevada. Ou simplesmente porque queria dar um recado a Michel : aqui, nessa praça, quem manda sou eu.
Arte de NANI
A carta de Michel III
Ele tomou a decisão de escrever a carta quando leu a declaração de Dilma falando da extrema confiança em Michel. Ora, nada mais falso. A fala de Dilma tinha um quê de deboche, uma teia de ironia, um leve tom de zombaria. Que foi percebido por amigos do vice-presidente. Era uma maneira de constrangê-lo. Algo como : se eu o elogiar, ele não terá alternativa que não a de me elogiar. Uma espécie de dique, barreira de contenção. Não imaginava que o nó da garganta de Michel estava alto. Errou mais uma vez.
Arte de LUTE
A carta de Michel IV
Como pode ser interpretada a carta ? Mais que um desabafo. Pode ser entendida como um passo na construção de um afastamento entre o PMDB e o governo Dilma ? De certo modo, sim. Depois dela, será muito difícil uma relação estreita entre a presidente e o vice. Continuarão a se falar, claro. Mas de maneira mais formal e litúrgica. Michel Temer, como ressaltou na missiva, sabe quais são suas funções e deveres. Vai se restringir a eles. Não fará pressão pelo impeachment ou defesa rigorosa da presidente. Deverá se pautar pelo espírito da lei e da ordem. É um constitucionalista. Que Dilma jogou fora por pura inabilidade política.
Arte de MIGUEL
A carta de Michel V
Urge lembrar que o PMDB fez uma proposta para o país contida no documento Uma Ponte para o Futuro. Essa proposta, adensada, arrematada sob o comando de Moreira Franco e sugestões coletadas pelo senador Romero Jucá, será votada em março de 2016, quando o PMDB fará seu Congresso. Pois bem, nessa ocasião o partido deverá decidir sobre as estratégias para o pleito nas prefeituras, em outubro, e sobre candidatura própria em 2018. Pode-se prever, assim, uma ruptura com o governo Dilma. A carta de Michel assinala esse rumo.
Arte de THIAGO LUCAS
A carta de Michel VI
É evidente que a carta também sinaliza ao PMDB a intenção dos petistas, não somente de Dilma, em aprofundar a cisão no partido. Dilma cooptou o líder Picciani com ministérios para a bancada na Câmara. O deputado, jovem e ambicioso, nunca imaginou chegar tão rápido ao pilar da fama. A tinta da caneta presidencial é um afrodisíaco. Agora, Dilma promete colocar no lugar do ministro Eliseu Padilha um nome indicado por Picciani. Que pensa no deputado mineiro Leonardo Quintão. A bancada mineira, depois da bancada carioca, é a maior. Picciani quer, desde já, garantir sua posição como candidato a substituir Eduardo Cunha na presidência da Câmara.
Arte de ZOP
A carta de Michel VII
Nem bem Michel Temer chegava a Brasília, a carta já estava vazada. Pelo Palácio. Qual a verdadeira intenção ? Mostrar um vice-presidente lamentoso ? Achincalhar ? Não se sabe qual a intenção do sábio do Planalto com esse vazamento. Uma das razões : tentar indispor Michel com uma das alas do próprio PMDB. Desacreditá-lo. Sabe-se que os ministros do núcleo duro estavam com a carta na mão por volta de 17, 18h. Dilma pediu para vazar ? Não se sabe. Mas o ato é de extrema deseducação política. Como se vaza uma carta pessoal, portanto sigilosa, de um vice-presidente para a presidente ? Desconsideração com o vice. Mais uma prova da conduta do governo do PT.
Arte de JARBAS
A carta de Michel VIII
A carta foi bem recebida pela mídia. Até porque Dilma está no fundo do poço da imagem. Formadores de opinião viram na carta a verdade que já conheciam: a da presidente autossuficiente, arrogante e desconfiada. Esperam com expectativa sua conversa com Michel. O que dirá ? Que foi surpreendida ? Que esperava lealdade dele ? Que acha que estava tudo indo às mil maravilhas, depois das humilhações cometidas com as demissões de Moreira Franco, Edinho Araújo e contra Padilha ? Essa conversa será interessante.
Arte de AMARILDO
A carta de Michel IX
E, agora, como será o dia a dia entre presidente e vice ? Uma interlocução fria, distante, litúrgica. A ponte não foi de todo fissurada, mas as fendas aparentes mostram necessidade de muito cimento para tampar os buracos.
Arte de NICOLIELO
Michel como articulador
Michel Temer só foi convidado para fazer a articulação política do governo Dilma por insistência de Lula junto à presidente. Por ela mesma, ficaria o Mercadante. E por que saiu ? Porque os compromissos assumidos por ele e Padilha, que o ajudava na articulação, não eram cumpridos. Ficavam na gaveta. Quiseram dar um basta na desmoralização. E saíram.
Se interessar ao governo, à oposição não interessará
A essa altura, está mais para “barata morta” a ideia de suspensão do tradicional recesso do Congresso que se estende de final de dezembro a início de fevereiro.
A ideia foi da oposição. Logo adotada pelo governo. Quanto mais rapidamente acabar o processo de impeachment, melhor para ele. Desde que ganhe, é claro.
A oposição recuou. Primeiro porque depende de multidões nas ruas para reunir no Congresso o necessário número de votos sem o qual não haverá impeachment – e isso exige tempo.
Segundo porque tudo que possa interessar ao governo não interessa a ela.
Arte de CLAUDIO
De resto, só haveria recesso se os presidentes da Câmara e do Senado estivessem de acordo. Não estão.
A suspensão do recesso apressaria o julgamento de Eduardo pelo Conselho de Ética da Câmara. Ele corre o risco de perder ali o mandato por quebra de decoro.
Eduardo quer empurrar seu julgamento com a barriga.
Brasília, Congresso Nacional, 11 de abril de 1964. Castelo Branco não teve o voto de Tancredo Neves, seu amigo pessoal de longa data, companheiro na Escola Superior de Guerra, em 1956. Tancredo bateu o pé. Comunicou ao PSD que votaria em branco, apesar dos méritos e credenciais do general Castelo Branco. Questão de princípio : era contra o golpe. Não queria nem um minuto de regime militar, não abria mão da democracia.
Conta-se que, esgotados todos os argumentos dos pessedistas para convencê-lo, o amigo e ex-chefe JK, então senador por GO, fez um apelo :
"Mas, Tancredo, o Castelo é um sorbonniano, estudou na França. É militar diferente, um intelectual como você. Já leu centenas de livros!".
Tancredo : "É verdade, Juscelino. Só que ele leu os livros errados".
Dois meses depois o governo cassou o mandato e os direitos políticos de JK, que partiu para o exílio e o sofrimento sem fim.
Não consigo compreender a explosão de alegria no plenário da Câmara ao saber que Eduardo Cunha acolhera o pedido de impeachment contra a presidente da República. Ela, incompetente e arrogante, ele um parlamentar acusado de corrupção, vinham travando uma batalha há meses, cada um preocupado com seu destino, nenhum dos dois preocupado com o Brasil. Não vejo motivos para alegria.
Da minha parte, fiquei triste. É o início do verão do nosso desconsolo. A corda do cabo de guerra – com barganha dos dois lados – esticou de tal modo que esfiapou e anteontem acabou por arrebentar. Agora teremos mais paralisia ainda, pois a economia que já está em seu nível mais perigoso, terá que aguardar toda a longa tramitação do processo de impeachment. Que não é pequeno.
Arte de SID
O duelo entre dona Dilma e Cunha foi uma vergonha. Seja lá qual for o desfecho, o fato é que os inúmeros passos dos combatentes são uma mancha da qual não nos livraremos, nem tão cedo.
Dona Dilma, no mais curto discurso que fez à Nação desde que recebeu a faixa pela primeira vez, procurou se fazer de vítima impoluta de um algoz, cujo nome ela não cita, que é puro pecado. Eduardo Cunha se apresenta como um Sir Galahad com a armadura enferrujada. Declarou não ter nenhuma felicidade no ato que praticava: o pedido de impeachment da presidente!
Arte de PAIXÃO
Ela, a presidente, só sabe dizer que é honesta. Como se isso fosse uma qualidade extraordinária. Dona Dilma com certeza pensa que desonesto é só quem bate carteiras ou assalta bancos. Era bom que alguém lhe dissesse que enganar eleitores, como ela fez para vencer na última campanha, é desonesto.
Do lado dele, confesso, é muito estranho, mas cada vez que Eduardo Cunha se aproxima de um microfone quando está dentro do Congresso, eu me lembro do filme ‘O Iluminado’, de Stanley Kubrick, e fico com a mesma sensação de medo. Não sei se é seu olhar fixo, se é seu sorriso frio, se é o ambiente daquela Casa que devia ser do povo, mas que é tudo, menos isso. Sei lá, o que sei é que fico com medo.
Arte de SOLDA
Lula, Dilma e o PT se gabam das conquistas sociais nesses últimos doze anos. A maior delas: a possibilidade de cada família brasileira abrir um crediário para poder comprar os eletrônicos e o carro que lhes dá a ilusão de ter ascendido à classe média. Possibilidade que agora se esvai.
O ex-presidente bate no peito para dizer que nunca ninguém criou tantas universidades quanto ele. Só esqueceram de lhe dizer que universidade não é só o prédio: é muito mais do que isso e esse muito mais, não foi lembrado...
Arte de SPONHOLZ
Alias, por falar na figura do ex-presidente em exercício, era melhor ele ter continuado calado do que dizer o que disse ontem aqui no Rio: que o pedido do impeachment é uma insanidade. De quem? De quem cutucou o homem-bomba com um longo alfinete ao não acreditar do que ele era capaz, ou dele, do cutucado?
Estamos numa fase negra: inflação desembestando, parcas conquistas sociais se desfazendo, o desemprego a níveis impressionantes, a fome começando a bater nas portas e, além disso, tudo, o maior inimigo à solta, o aedes aegypti.
Arte de OLIVEIRA
Essa, que deveria ser a maior preocupação dos brasileiros preocupados com o futuro, com certeza vai ficar congelada à espera do resultado do processo de impeachment.
Ou você, leitor, acha que algum dos grão-duques da Nação vai parar para pensar na devastação feita por esse infeliz mosquito que se vale das precárias condições de saneamento em que muitos brasileiros vivem? Ou que só vão pensar em esmagar ou em incensar o crescimento do processo que começou ontem?
Arte de NEWTON SILVA
Como comemorar, seja lá o que for, Natal, Réveillon, Carnaval, Impeachment, Olimpíadas, sabendo que até agora já são mais de 1200 os bebês abatidos pelo zika vírus?
O dito bíblico, proferido por Jesus Cristo – até algum tempo atrás, fonte de inspiração dos prelados da CNBB -, “dize-me com quem andas e te direi quem és”, liquida o discurso de auto-absolvição feito por Dilma Roussef, na sequência imediata do anúncio de encaminhamento do processo de impeachment.
O fato é que, honesta ou não – e há controvérsias, já que honestidade não se resume a não surripiar dinheiro -, a presidente cercou-se de gente investigada pela polícia ou já sentenciada pela justiça, a começar pelo seu líder no Senado, Delcídio do Amaral.
Arte de AROEIRA
Lula, então, enquadra-se até a medula na sentença divina. Não apenas seus amigos mais próximos estão neste momento vendo o sol nascer quadrado em Curitiba, como tem ao menos um de seus filhos, Luís Cláudio, correndo o risco de lhes fazer companhia. Ele próprio já foi chamado a dar explicações à polícia.
Aos que acham que não há nada que incrimine a presidente, basta lembrar que suas campanhas – a de 2010 e a de 2014- foram, segundo delação premiada de alguns poderosos empreiteiros, financiadas com dinheiro roubado da Petrobras.
Arte de NICOLIELO
A lei, confirmando-se tal delinquência – e os sinais são eloquentes, o que explica a permanência na prisão daqueles empresários -, condena o candidato, soubesse ele ou não do que ocorria. Há numerosos precedentes na justiça eleitoral de governadores e prefeitos que perderam o mandato porque suas respectivas campanhas exibiram irregularidades.
A lei é implacável: o candidato é o responsável por sua campanha. O TSE, neste momento, investiga essas denúncias, que, confirmadas, podem oferecer saída ainda mais radical e sumária para a crise política, banindo de uma só vez presidente e vice.
Arte de FRED
Mas os delitos que envolvem a presidente não se esgotam aí. O pedido de impeachment, que se atém às pedaladas fiscais e atos administrativos, é até generoso, ao passar ao largo do escândalo da Petrobrás, do qual ela não pode ser excluída. Era, afinal, desde o início das denúncias, peça-chave da história.
Era, em 2003, quando tudo começou, ministra de Minas e Energia, a cujo comando está submetida a Petrobrás. E, como se não bastasse, presidia o Conselho de Administração, sem cujo aval nenhuma operação de grande porte, como a aquisição de uma refinaria arruinada, a de Pasadena, no Texas, jamais poderia ter sido adquirida.
Arte de CAU GOMEZ
E o foi, por um preço várias vezes superior ao que vale – e sem qualquer utilidade para o país. Sabe-se, porém, que, embora inútil para o país, gerou recursos para os envolvidos, na casa dos milhões de dólares, alimentando a campanha de Lula, em 2006.
Neste momento, o Ministério Público colhe a delação premiada de Nestor Cerveró, que então dirigia a área internacional da Petrobrás, responsável pela aquisição daquele ferro-velho.
Pelo que já vazou, Cerveró nega declarações anteriores de Dilma, de que não tinha informações suficientes e teria decidido mal-informada (o que, diga-se, não a absolve, do ponto de vista penal ou administrativo).
Arte de LAILSON
Disse mesmo que, por essa razão – não ter sido suficientemente informada -, teria depois tirado Cerveró do cargo, omitindo o fato de que, na sequência, ela mesma o recolocou em diretoria de igual quilate: a financeira, da BR Distribuidora.
Dilma não cometeu os delitos de Eduardo Cunha. Mas esteve no centro de delitos bem maiores, que a levaram à presidência da República, enquanto Cunha chegou apenas à da Câmara. Cunha mentiu para os integrantes da CPI da Petrobrás; Dilma mentiu para todo o país, reiteradamente, na campanha do ano passado.
Arte de SIMANCA
Cunha está prestes a ser cassado pelo delito moral de mentir. Os demais delitos – a origem suspeita dos recursos nas contas da Suíça – não são o objeto do julgamento de seus pares. Eles serão posteriormente julgados pelo STF e poderão levá-lo à cadeia. Mas o delito que lhe pode suprimir o mandato é o da mentira. E Dilma também mentiu.
Há, entre muitas outras, uma gravação no Youtube em que ela, candidata, declara ao repórter do SBT que não cogitava de maneira alguma em recriar a CPMF – e ela é enfática na afirmação -, argumentando que “não seria correto”.
E por que agora não só é correto, como “indispensável”? Pelo viés da mentira, não ficaria pedra sobre pedra. Lula, quanto a isto, é, não apenas seu criador, mas seu mestre, virtuose na matéria.
A deflagração do processo de impeachment ensejou, da parte do PT e aliados, uma tentativa de reação ideológica, absolutamente descabida. Não está em pauta, de modo algum – e essa é apenas mais uma mentira -, um confronto de ideários, mas uma reação veemente da sociedade a um projeto criminoso de poder. A Era PT varreu os cofres da República.
Tudo o que, em tese, possa ter proporcionado (e aí há também controvérsias) ascensão social a setores da população já foi perdido. Desemprego, inflação, depressão econômica não apenas devolveram à pobreza os que eventualmente ascenderam à classe média, como ameaça liquidar os que nela já estavam.
Arte de PAIXÃO
O PT não merece o título de partido progressista, que se auto concedeu. Trata-se de força regressista, que impôs graves retrocessos ao país, que levará gerações para recompor-se e reencontrar-se com a autoestima.
Só isso já justifica o impeachment, que, no entanto, ainda terá como pano de fundo os camburões da operação Lava Jato.
Em setembro de 1941 as tropas alemãs cercaram a cidade de Leningrado (agora São Petersburgo) e iniciaram o cerco que durou até janeiro de 1944.
Além do simbolismo de tomar o berço da revolução, Hitler considerava Leningrado vital devido a sua fábrica de tanques e veículos blindados além, claro, de seu porto.
Acesso ao jardim zoológico. Cartão postal. 1920.
Dada a defesa feroz dos soviéticos e a impossibilidade de a ocupar pela força, Hitler decidiu conquistá-la pela fome.
A população foi submetida a luta mais incrível pela sobrevivência, onde a escassez dos alimentos levou os sitiados a acabar com a população de pombos, gatos, cães e até mesmo atos de canibalismo foram cometidos.
Os poucos suprimentos que conseguiam chegar à cidade o faziam pelo congelado Lago Ladoga mas eram insuficientes para uma população de 3.000.000 de habitantes. Quando a cidade foi libertada, havia mais de um milhão de mortos.
Mas, mesmo naquele lugar de morte e desolação, havia um lugar para escapar da barbárie, o Zoológico de Leningrado.
Antes de começar o cerco, e do avanço das tropas alemãs, cerca de 80 animais - quase metade do zoológico foram evacuados para outras cidades - panteras negras, tigres, ursos polares, antas e um rinoceronte mas não puderam transferir a todos.
Logicamente, os animais sofreram a escassez de alimentos muito antes da população. Só a dedicação dos próprios trabalhadores do zoo conseguiram salvar a vida de muitos deles.
Eles procuravam alimentos recolhendo ervas, raízes, castanhas, bolotas, etc. Couves e nabos eram plantadas dentro do próprio zoo. Para os carnívoros, eles cobriram as peles de cães e gatos com uma mistura de ervas e miudezas. Jaulas e paredes haviam sido destruídas pelos bombardeios mas os funcionários voluntários curaram-nos com o pouco que tinham, e eles dormiam dentro do complexo e apesar da escassez de comida que havia na cidade, não houve tentativas de se invadir as instalações do jardim zoológico.
Apesar de todos os sacrifícios dos cuidadores, incluindo a sua própria vida, alguns animais morreram de bombardeios ou dos incêndios subsequentes, além de fome e ainda outros tiveram que ser abatidos por escaparem do zoo já que podiam tornar-se uma ameaça para a população.
Mas a maioria sobreviveu ao cerco e à guerra.
Belle e Yevdokia. 1943
Um caso exemplar foi do hipopótamo Belle que devido a inexistência naqueles dias de água corrente e, portanto, com a piscina vazia, era muito difícil manter sua pele molhada o que provocava rachaduras sangrentas e dolorosas em seu corpo. Então, Evdokia Ivanovna, sua tratadora, ia todos os dias ao rio Neva com um barril de 50 litros para recolher a água. Ele esquentava a água e, depois de molhar a pele, esfregava com óleo de cânfora.
Se Belle, antes da guerra se alimentava de 40 kg de ração diária esta passou a ser de 6 kg por dia de uma mistura feita com ervas, legumes e serragem. Graças a Evdokia, Belle conseguiu superar todas as adversidades e morreu de velhice em 1951.
Para a população, o Zoo de Leningrado tornou-se um símbolo de força e paz. Na verdade, dos quase 900 dias do cerco alemão, ele permaneceu fechado somente no inverno de 1941, quando bombardeios foram mais intensos. Trabalhadores do jardim zoológico foram homenageados por seus esforços e dedicação para mantê-lo aberto e darem à cidade uma aparência de vida e certa tranquilidade.