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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Rememorando Carlos Lacerda

Blog de Fernando Rodrigues

O líder da oposição no Congresso, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), considera a situação política atual da presidente Dilma Rousseff pior do que a enfrentada em 1992 pelo então presidente Fernando Collor de Mello, que acabou depois sofrendo um processo de impeachment.

"Esse é um momento muito mais grave do que a época do governo Collor (...) Você acha que é fácil remontar um país? Quando todos os ministérios estão contaminados, fundos de pensão, bancos oficiais, BNDES. Essa é uma tarefa extremamente árdua, difícil", declarou Caiado, que está concluindo 5 mandatos de deputado federal e se prepara para assumir uma vaga no Senado, a partir do ano que vem, pelo Democratas de Goiás.


Para ouvir a entrevista clique aqui


Em entrevista ao programa "Poder e Política", do UOL, Caiado, que é médico e tem 65 anos, recomenda à oposição usar o tom usado por Carlos Lacerda (1914-1977), jornalista e político do Rio de Janeiro que ficou famoso por sua retórica dura contra vários governos. Filiado à UDN (União Democrática Nacional), foi um dos responsáveis pela consolidação do termo "udenismo", sinônimo de defesa da moralidade, muitas vezes também associado no passado a tentativas de golpe de Estado.



"O tom que [a oposição] deve ter é aquele que Carlos Lacerda nos ensinou. Você não deve apelidar as palavras. Você não tem que falar que corrupção é 'desvio de dinheiro'. É corrupção, é roubo, uma estrutura que se beneficia exatamente de todo um caixa dois da Petrobras, escândalo de Pasadena, distribuição de dinheiro de todas as obras da Petrobras, do PAC. Isso é organização criminosa. Não é partido político", declara Caiado.

Indagado sobre se a "organização criminosa" seria o Partido dos Trabalhadores, o futuro senador por Goiás diz que "não generalizaria", pois todos os partidos têm muitas seções. Mas afirma que Aécio Neves (PSDB), candidato derrotado na eleição presidencial deste ano, "não está pesando em nada na palavra" ao ter dito recentemente que Dilma Rousseff foi eleita por uma "organização criminosa" em outubro. "Ele se expressou corretamente. Isso é uma organização criminosa".

Os cerca de 70 políticos que deverão ser formalmente citados por algum envolvimento nos escândalos da Petrobras terão como consequência paralisar os trabalhos no Poder Legislativo em 2015. "Isso realmente inviabiliza completamente o funcionamento do Congresso Nacional, tendo que ficar tempo integral dedicado a essa matéria".

Inflexível e às vezes minoritário dentro da oposição, Caiado defende que partidos anti-Planalto tenham candidatos para disputar as presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. "Mesmo sem chance [de vencer]. Você não pode perder o discurso. Você não pode perder a coerência. A popularidade ela é relativa, mas a coerência é vital", raciocina.

Pela mesma razão, faz uma recomendação à senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que é também presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) e está prestes a ser nomeada ministra da Agricultura por Dilma Rousseff:

"Kátia, permaneça senadora e presidente da CNA. Não assuma isso, porque você sabe que hoje o Ministério da Agricultura é muito mais uma partilha de uma estrutura que não tem nada a ver com o setor rural, e, ao mesmo tempo, a base política e sustentação não lhe dará apoio para as mudanças que são necessárias".

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Uso e abuso da máquina pública

Por Ronaldo Caiado.
Publicado na Folha em 04AGO2014

Uso e abuso da máquina pública
O instituto da reeleição no Brasil ainda é recente na vida política do nosso país, mas já nos leva a refletir sobre sua conveniência ou não para a nossa recém-consolidada democracia.

Neste ano, depois de quatro eleições presidenciais e aos governos estaduais sob a égide da reeleição, ainda vemos um rol de abusos de alguns governadores e da presidente da República ao atropelarem a frágil legislação eleitoral e administrativa para combatê-los.

Gilson


Nesta semana, sete ministros de Estado, usando carros oficiais e no horário de expediente, acompanharam a candidata-presidente na sabatina da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Constrangimento? Nenhum.

Usaram e abusaram sem vergonha da máquina pública, na função de ministros, para dar o seu apoio à petista que tenta se reeleger para continuar ocupando o mais graduado cargo da República. Péssimo exemplo!

Nani


Infelizmente, não é o primeiro caso nem será o último.

O uso de carros oficiais é rotineiro e não tem a relevância econômica de alguns outros episódios que assistimos, como por exemplo o caso da federalização da companhia de energia de Goiás, a Celg, que poderá ser efetivada no final do mandato presidencial e estadual de duas autoridades públicas que buscam a reeleição.

No apagar dos seus mandatos, a presidente Dilma Rousseff e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), tentam acertar a compra e a venda da Celg por R$ 400 milhões, apesar de um estudo da Universidade Federal de Goiás, de 2011, que estimava o valor da empresa na ordem de R$ 6,5 bilhões.

Claudio


Além do disparate de preços e avaliações, o abuso se caracteriza aqui pela audácia em se alienar um patrimônio do povo goiano faltando cinco meses para terminar o mandato do governante. Em 2010, ano eleitoral, Marconi Perillo divulgou uma carta como vice-presidente do Senado criticando exatamente o governo anterior por negociar a Celg.

Por que os dois representantes da União e do Estado não se entenderam ao longo de três anos e meio? Por que realizar esse negócio às vésperas das eleições? Para reforçar o caixa de um governo estadual que, por ineficiência administrativa, vem pedindo empréstimos a outros poderes locais, aliás negados?

Bruno


É um completo uso e abuso da máquina pública, como se a Celg fosse um bem patrimonial deles e não do povo goiano. Pedirei explicações ao Ministério de Minas e Energia sobre a condução dos entendimentos, o seu desfecho neste momento eleitoral e vou recorrer à Justiça se essa federalização realmente ocorrer, sempre em defesa do Estado de Goiás.

Esses casos exemplificam o motivo de eu defender o fim da reeleição no Executivo, que evitaria o uso da máquina pública e o governante teria como única opção manter o foco em seu mandato.