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terça-feira, 26 de abril de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Recado de Carlos Lacerda para Chico Buarque de Holanda
Carlos Lacerda, no livro "Depoimento" (1976)
"Eu nunca fui da esquerda festiva. Essa glória eu tenho, nunca pertenci à esquerda festiva, que inclusive é um fenômeno relativamente novo.
Eu nunca seria capaz de fazer o papel do Chico Buarque de Holanda, cuja música eu aprecio muito e cujo caráter não aprecio nada. Estou falando dele, mas não especialmente dele. Só citando um exemplo.
Digo isso porque é uma esquerda festiva que é contra um regime do qual ele vive, no qual se instala, do qual participa lindamente, maravilhosamente, etc. Eu não conheço nenhum sacrifício que ele tenha feito senão a censura em suas músicas por suas idéias.
Agora, acho que se ele tem essas idéias, então seja coerente, viva essas idéias, viva de acordo com elas. Isso não é nenhum caso particular com o Chico. Estou apenas dando um exemplo. Enfim, tenho horror à esquerda festiva porque acho que é uma forma parasitária de declarar guerra a uma sociedade da qual se beneficia e participa integralmente."
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Ode ao velho Chico (o outro)
Autoria desconhecida
CHICO
Perdoe se minha admiração não é irrestrita.
Você apoia quem rouba, quem roubou
e quem tem roubado, não tem discussão.
De Paris,
você não se importa em ver a Pátria Mãe,
tão distraída,
ser subtraída em tenebrosas transações.
Afasta de ti esse cálice, Chico!
O que será que lhe dá pra defender
quem não tem decência,
nem nunca terá,
quem não tem vergonha,
nem nunca terá,
quem não tem limite?
Cantei cada uma de suas canções
como se fosse a última!
Olhos nos olhos,
dói ver o que você faz ao defender quem corrompe,
engana e mente demais.
Não é por estar na sua presença,
mas você vai mal. Vai mal demais.
Eu te vejo sumir por aí,
arruinando sua biografia,
que se arrasta no chão,
cúmplice de malandro com aparato de malandro oficial,
malandro investigado na Polícia Federal.
É, Chico, você tá diferente,
já não te conheço mais.
Quem te viu, quem te vê!
Trocando em miúdos,
pode guardar as sobras de tudo
que não conseguirem roubar.
Apesar de você e do PT,
amanhã há de ser outro dia.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Ignorantes do Leblon
Por Gregório Duvivier.
Com comentários de Fernando Holiday
Ignorantes do Leblon
Nunca aprendi a rezar o Pai Nosso. Comemorávamos Natal só porque é aniversário da minha mãe. Celebrávamos a Páscoa, mas confesso com bastante vergonha que não faço ideia do que significa. Sim, sei que tem a ver com Jesus. Mas não sei qual era a relação dele com o coelho, e nem por que raios esse coelho põe ovos, e por que diabos são de chocolate.
O mais perto que tinha de religião lá em casa era a música: meus pais só veneravam deuses que soubessem tocar. Ninguém rezava antes de comer, mas minha mãe botava a gente pra dormir religiosamente cantando Noel e acordava cantando Cartola. Meu pai passava o dia no sax tocando Pixinguinha e a noite no piano tocando Nazareth. Música não era um pano de fundo, era o caminho, a verdade, a vida. Tom era o Pai, Chico, o Filho, Caetano, o Espírito Santo.
versão sem Lei Rouanet
versão sem Lei Rouanet
Podia falar os palavrões que eu quisesse, mas ai de mim se ousasse tocar violão com acordes simplificados. "A pessoa que fez esse arranjo devia ir presa", dizia minha mãe. Preferiam me ver pichando muros a me ver batucando atravessado. Quando descobriram que eu fumava maconha, meus pais me disseram que não tinha nada de errado, desde que eu só fumasse em casa. Quando eu comprei um CD do LS Jack, disseram que não tinha nada de errado, desde que eu nunca ouvisse aquilo em casa.
Às vezes organizavam um sarau que parecia missa. "Silêncio, que se vai cantar o fado", dizia a Luciana Rabello, e daí tocavam choro como quem reza. Todos se calavam como numa igreja. A criança que abrisse o bico tomava logo um tabefe. Aquilo era sagrado. Pra mim, ainda é.
O Trono do Estudar
O Trono do Estudar
Herdei deles a devoção (sem herdar, no entanto, o talento para a música). Às vezes queria me importar menos com isso. Quando vejo as agressões ao Chico –e não estou falando do bate-boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores–, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá. Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria. Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem.
domingo, 27 de dezembro de 2015
Chega de patrulha
Por Carlos Brickman.
Chega de patrulha
Millôr Fernandes, um gênio brasileiro, é o autor da melhor definição de civilização:
“Todo homem tem o sagrado direito
de torcer pelo Vasco
na arquibancada do Flamengo”.
O episódio em que Chico Buarque foi abordado na rua por um grupo de pessoas que questionava sua posição petista é exatamente o contrário do que se define por civilização: Chico Buarque tem o direito sagrado de ser petista, comunista, de achar que Fidel Castro é o máximo, de gostar de Maduro e Evo Morales, e ninguém tem nada com isso, exceto em discussões políticas. E para haver uma discussão política é preciso que os dois lados concordem em discutir. Gritaria de madrugada no meio da rua, com insultos, definitivamente não é a maneira de iniciar uma discussão política.
O problema é que não podemos condenar a metade da guerra: é preciso condenar a guerra inteira. Não está certo insultar Chico Buarque por suas ideias, nem expulsar Guido Mantega a gritos do hospital onde tinha ido tratar a mulher, nem mandar a presidente da República a locais normalmente destinados, pela torcida, a árbitros de futebol. Mas também não está certo, como já ocorreu (e não motivou grandes protestos), ameaçar o grande chargista Chico Caruso de “esculacho” – ou seja, de juntar em frente à sua casa uma vociferante manada para dirigir-lhe insultos – pelo crime de ter feito uma piada com a qual os petistas não concordaram. Também não está certo o assédio moral – com participação de idiotas internacionais – a Caetano Veloso e Gilberto Gil, por sua decisão de realizar um show em Israel, país com o qual o Brasil mantém relações diplomáticas. Como não está certo usar as redes sociais para difamar políticos de outros partidos que não o PT, com insultos como “cheirador”, “vagabundo”, “canalha” – não desmintam, por favor. Essas coisas estão arquivadas direitinho, até para que se saiba quem presta e quem não presta.
Arte de Heitor
Pior ainda é quando os responsáveis pelos insultos ocupam cargos de importância e utilizam o tempo do trabalho, mais o equipamento posto à sua disposição, basicamente para a militância partidária difamatória, e deixam de cumprir as funções essenciais para as quais são pagos.
Este colunista se sente muito à vontade para pedir que o debate político se civilize. Não concorda com nenhuma ideia de Chico Buarque, mas continua fã da maioria esmagadora de suas composições. Não concorda com José Dirceu, mas todos os contatos que teve com o líder petista foram cordiais, amenos, agradáveis. Jamais deixará de gostar da obra de um intelectual por discordar de suas posições políticas (e jamais passará a gostar da obra de outros por concordar com as posições políticas que assumam). Por que não?O sujeito pode ser politicamente cego, mas não deixa de ser inteligente em outros aspectos da vida; e não deixará de ser amigo por discordâncias partidárias. Se deixar de ser amigo, é porque amigo nunca foi: tratava-se apenas de um canalha.
No grupo de amigos que estava com Chico Buarque, um nome chama a atenção de quem tem boa memória: Cacá Diegues. Cacá, excelente cineasta desde o Centro Popular de Cultura da UNE, nos tempos em que a UNE era uma entidade política e se preocupava com o país), um dos diretores de “Cinco Vezes Favela”, um dos filmes que marcaram o início do Cinema Novo, diretor do notável “Bye, bye, Brasil”, musicado, a propósito, por Roberto Menescal e Chico Buarque, tem o irremovível DNA da esquerda. Mas foi ele que denunciou as patrulhas ideológicas, movidas por fascistas de esquerda contra todos os artistas que não partilhavam de suas ideias. Na época, lembremos, as patrulhas atingiram até mesmo Elis Regina; e liquidaram a carreira, e a vida, de Wilson Simonal, que por mais erros políticos que tenha cometido foi um excelente cantor.
Não é terrível que Cacá, com uma história politicamente mais rica e matizada que a de Chico, seja vítima, tantos anos depois, de uma patrulha ideológica formada por jovens que provavelmente nem sabiam com quem falavam? Não, não é exagero: o pai de um dos rapazes que insultaram Chico disse que teve de lhe contar quem é Chico e qual sua importância para a música popular brasileira.
Chega disso! A política, para ter sentido, exige conversa, muita conversa. A munição da política, ensinava Ulysses Guimarães, é a saliva. Se não houver conversa, não há política: há enfrentamento, há a vitória da força bruta. É um filme cujo final conhecemos: os bandidos, seja qual for seu partido, vencem; e quem morre somos nós.
Chico Buarque não é inatacável, claro. Quem se diz contra ditaduras e jamais disse uma palavra negativa a respeito de Fidel Castro tem tudo para ser atacado. Este colunista, fã do compositor Chico Buarque, que o considera um novo Noel, prefere não se preocupar com as posições políticas do artista. Mas Millôr Fernandes, que inicia esta nota, pode encerrá-la, com sua análise das posições políticas de Chico Buarque:
“Eu desconfio de todo idealista
que lucra com seu ideal”.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
Passaredo, contando a história
A história por trás da letra
Ei, pintassilgo
Oi, pintarroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge, asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde, colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Crêem os crédulos que por trás de toda letra de música existe uma história mirabolante, um grande amor, uma desilusão vivida pelo compositor, sendo incontáveis as lendas que surgem, neste sentido, na história da Música Popular Brasileira.
Tal crendice, muitas vezes, toma proporções perigosas ou, no mínimo, indesejáveis ao compositor, que, por força de uma letra, vê seu nome em colunas sociais ou mesmo páginas policiais, que lhe atribuem intenções que não teve.
Tomam por declarações pessoais letras que são meros frutos da criatividade do poeta, sem qualquer pretensão política, filosófica ou amorosa, como querem crer os crédulos.
Foi assim que Chico Buarque namorou Rita, Carolina, Rosa, Cristina, entre tantas outras. Com "Passaredo" não foi diferente.
Lá estava o poeta, enciclopédia à mão, caçando pássaros para compor a canção que lhe fora encomendada para integrar a trilha sonora do filme "A Noiva da Cidade", de Alex Viany. Depois, o "Passaredo" alçou vôos mais altos e emprestou seu canto à trilha do programa "Sítio do Pica-pau Amarelo", da TV Globo.
Famintos por visibilidade, alguns urubus de plantão logo quiseram vincular Chico Buarque à tão nobre causa ecológica. Profundo conhecedor desta espécie de urubus, quando indagado se havia aderido a algum movimento ecológico, o compositor, irônico, foi categórico:
"eu não entendo nada de bicho. Aliás, eu não gosto de bicho. Pra falar a verdade, eu detesto bicho".
Como se vê, o urubu não foi um dos pássaros homenageados em "Passaredo" .
Fonte: Humberto Werneck em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
SAMBA DA MAMATA - Até tu, Chico?
Direto do blog de Felipe Moura Brasil
Com letra minha e de Filipe Trielli (o grande Augustinho da Adelaide), música dele e produção musical da Chinchila Productions, eis o clipe do nosso “O samba mudou ou mudei eu?”, uma singela homenagem a todos os artistas e sambistas que emprestam a sua credibilidade em suas respectivas áreas para chancelar um governo marcado pela corrupção e pelo vale-tudo eleitoral de mentiras sem fim.
Cantemos juntos!
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