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segunda-feira, 7 de março de 2016

O Japonês da Federal

Por Elio Gaspari.
Folha SP - 21FEV


O Japonês da Federal
Logo depois do juiz Sergio Moro, a maior estrela da Operação Lava Jato é Newton Ishii, o "Japonês da Federal". Com roupas pretas, óculos escuros, coturnos e até mesmo luvas, ele tornou-se personagem de uma divertida marchinha de Carnaval, alegrou a folia com suas máscaras e há dias foi cortejado na Câmara dos Deputados. Sua glória veio da frequência com que apareceu escoltando maganos a caminho do cárcere de Curitiba.



Em 1994, Icushiro Shimada, dono da Escola Base, em São Paulo, foi preso e demonizado juntamente com a mulher, mais uma professora e um motorista sob a acusação de abusar sexualmente de crianças de quatro anos. As denúncias partiam de um delegado que conduzia as investigações. As paredes da escola foram pichadas com insultos e eles comeram o pão que o Tinhoso amassou. Três meses depois, o Ministério Público pediu o arquivamento do inquérito porque nele não havia indício da prática dos crimes. Os acusados processaram o governo de São Paulo e os grandes jornais e emissoras que divulgaram as notícias. Desde 1996, venceram em diversas instâncias.

O "Japonês da Federal" tornou-se um símbolo da eficiência e rigor da instituição. O FBI, seu similar americano, também tem seus ícones. John Proctor (inspiração para Gene Hackman no filme "Mississippi em Chamas") desvendou o assassinato de três jovens defensores dos direitos dos negros. Melvin Purvis participou da caçada a assaltantes como John Dillinger. No FBI, não há agente famoso com carreira tisnada.



A ficha funcional de Ishii não reflete a qualidade profissional dos servidores da instituição. Sua notoriedade diverte, mas embaça. Ela foi tisnada em 2003. Aqui e ali essa circunstância é noticiada, sempre parecendo uma irrelevância. O repórter Marcelo Auler foi buscar os fatos.

Ishii entrou para a Polícia Federal por concurso nos anos 70. Em março de 2003, servindo em Foz do Iguaçu, foi preso pela própria instituição, acusado de facilitar o contrabando. Nesse arrastão entraram 44 pessoas, inclusive 23 agentes da PF e alguns servidores da Receita Federal. Ele passou pelo menos dois meses na cadeia e teve dois pedidos de habeas corpus negados. Solto, aposentou-se. Mesmo assim, foi desligado da Polícia Federal em 2009.

Passaram-se 12 anos e, olhando-se para o caso, surge um retrato da incapacidade do sistema administrativo e judicial brasileiro de condenar culpados ou absolver inocentes. Até hoje Ishii nunca foi condenado, nem absolvido.



Em 2012, o Superior Tribunal de Justiça anulou por defeito processual a sanção disciplinar a que Ishii foi submetido, reintegrando-o aos quadros da PF. Os crimes de que ele era acusado estavam prescritos. Ainda existe um recurso dos servidores presos em 2003 à espera de julgamento no STJ. A defesa de Ishii diz que entre as provas apresentadas contra ele há transcrições adulteradas de telefonemas interceptados. (Alô, alô, Lava Jato.)

Durante dez anos, Ishii esteve afastado da PF. Voltou no início de 2014 por determinação do Tribunal de Contas da União, que o obrigou a trabalhar por mais dois anos e meio para justificar a aposentadoria. Numa trapaça da vida, quando o "Japonês da Federal" aparece escoltando um magano, ambos estão ali cumprindo determinação de um tribunal (se é que se pode chamar o TCU de tribunal). Em maio, Ishii voltará a ser um policial aposentado.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Japonês da Federal


O The Wall Street Journal informa que a máscara do policial Newton Ishii foi uma das campeãs de venda do carnaval tupiniquim. Na foto que ilustra a reportagem ianque, o policial conduz um famoso preso. Adivinha quem é...




A propósito, o sucesso do japonês no carnaval 2016 já estava garantido. Além da máscara, ele foi personagem principal de uma marchinha. 

Relembre o hit de sucesso - clique AQUI 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Lula-lá...

Do Diário do Poder

Desde a primeira fase da Lava Jato, os investigadores acumulam motivos para promover a visita do “japonês da Federal” ao ex-presidente Lula, deixando de considerá-lo apenas “testemunha” ou “informante”. A primeira citação a Lula no esquema, já em 2014, foi de Ricardo Pessoa (UTC), chefe do cartel de empreiteiras, que disse ter dado R$2,5 milhões roubados da Petrobras à sua campanha de 2006.

Em seus primeiros depoimentos, o doleiro Alberto Youssef, estopim do escândalo do Petrolão disse que Lula “sabia de tudo”.

Arte de PAIXÃO


A revelação mais recente é de Nestor Cerveró: Lula foi bancado com R$50 milhões desviados de contratos da Petrobras em Angola.

Fernando Baiano, o operador do PMDB, contou que foi Lula quem mantinha Cerveró no cargo. E depois o indicou à BR Distribuidora.

Amigão de Lula, José Carlos Bumlai articulou um contrato para o Grupo Schahin na Petrobras, com objetivo de pagar um empréstimo ao PT.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Japones da Federal

Por Bela Megale.
FOLHA SP


Policial mais famoso da Lava Jato vira hit musical e alvo de selfies
Desde que virou tema de uma marchinha de Carnaval, o agente da Polícia Federal Newton Ishii, 60, ou "japonês bonzinho", como passou a ser chamado nas ruas, é tratado como celebridade.




No sábado (5), precisou de ajuda de seguranças para ir embora de um evento de uma rádio de Curitiba. E durante o tempo que ficou no local foi requisitado para tirar mais de uma centena de selfies.

Também passou a ganhar ingresso para shows, foi procurado para ser homenageado pela cidade onde nasceu e teve convite para participar de um programa de TV.






Amigos e colegas começaram a ligar para perguntar quando ele trocará a polícia pela política. Sindicatos sondaram o interesse dele pelos palanques e, até mesmo, a possibilidade de Ishii se lançar candidato em 2016.

A pessoas próximas, Newton Ishii diz que, por enquanto, não pensa na possibilidade e evita mostrar tendências a qualquer partido.



Mas mesmo antes do verso "Ai meu Deus, me dei mal, bateu a minha porta o japonês da federal" ser ouvido por mais de 2,5 milhões de pessoas, há pouco mais de uma semana, Ishii já vinha aprendendo a lidar com a fama.

No início do ano, ele era parado para fazer selfies. No mês passado, o apresentador Sérgio Mallandro publicou no Facebook uma montagem com fotos do agente escoltando presos como o ex-ministro José Dirceu e o empreiteiro Marcelo Odebrecht seguida da frase: 


"se esse japonês tocar a campainha da sua casa às 6:00 da manhã, 
não abra porque você tá fudido. Rá!!".

Apesar de ter ficado conhecido como o executor das prisões, por aparecer escoltando alguns dos principais personagens da Lava Jato levados à cadeia, a última vez que Ishii levou alguém para a carceragem de Curitiba foi em janeiro. O alvo foi o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró que chegava de Londres no aeroporto do Galeão, no Rio.

A avaliação de que o agente estava visado e sua aparição poderia comprometer as operações fez com que ele saísse da linha de frente do cumprimento dos mandatos. Mas Ishii continuou liderando tarefas relevantes.



Chefe do Núcleo de Operações da Superintendência da PF do Paraná, ele responde pela logística e escolta de presos para locais como o IML, o Complexo Médico Penal –onde estão a maioria dos detentos da operação–, as CPIs, para onde os investigados são levados a depor, e as audiências com a equipe à frente da Lava Jato. Por isso, ainda aparece com frequência na mídia.

Também é ele quem controla o entra e sai de itens na carceragem, horários de banho de sol e tornozeleiras eletrônicas. Se uma perde o sinal, é o telefone de Ishii que toca para resolver a questão.