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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Para não dizer que não falei das flores

Por Benjamin Steinbruch.

Para não dizer que não falei das flores
O Banco Central, liderado pelo seu presidente, Alexandre Tombini, tomou uma decisão acertada ao se recusar a aumentar, no fim de janeiro, a taxa básica de juros, que já é bastante elevada no país, 14,25% ao ano.

Não havia nenhuma lógica em aumentar a taxa naquele momento. Nem por razões internas nem por causa do cenário global. O mundo todo trabalha com juro zero e até negativo, como é o caso do Japão, e persiste uma tendência claramente deflacionista na economia, com o petróleo e as commodities industriais em níveis de preços assustadoramente baixos.


Arte de PAIXÃO


Internamente, a inflação ainda preocupa, mas nem os mais fanáticos monetaristas acreditam que ela seja provocada por excesso de demanda que justifique uma alta dos juros. A economia brasileira está em recessão profunda -o PIB deve ter caído 3,7% no ano passado-, o desemprego aumenta para níveis muito preocupantes, passando de 10% em grandes centros urbanos, a indústria amargou perda de produção de 8,3% no ano passado e até a atividade no setor de serviços está em queda.




Apesar desse cenário que torna inadmissível a alta dos juros, Tombini foi massacrado por analistas do mercado financeiro, que tiveram frustrada sua expectativa de uma elevação de 0,25 ponto percentual na Selic.

Segundo as críticas, Tombini teria quebrado uma tradição do Banco Central ao divulgar uma nota na véspera da decisão alertando para o fato de que "todas as informações econômicas relevantes até a reunião do Copom seriam consideradas na decisão do colegiado".


Arte de PELICANO


Para os críticos, Tombini teria cometido um grave erro ao contrariar o mercado, porque colocou em jogo sua credibilidade. Isso não faz sentido. Ele colocaria em jogo sua credibilidade e independência se, num momento como este, cedesse à pressão do mercado e elevasse a taxa de juros, a despeito das informações sobre a continuidade da recessão brasileira e das previsões de agravamento da crise mundial no segundo semestre.




Mais do que isso, o Banco Central do Brasil seria motivo de chacota mundial. No início do ano, não custa lembrar, o economista-chefe para a América Latina da Standard & Poor's, Joaquín A. Cottani, sugeriu em artigo que o BC cortasse a taxa Selic pela metade, para 7,5%, medida que, segundo ele, poderia reduzir o deficit fiscal de 9,5% para 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) durante o curso de dois anos.


Arte de OLIVEIRA


Tombini ficou incomodado com a reação contrária de analistas do mercado e com a falta de apoio de setores que tradicionalmente defendem a queda dos juros. As críticas foram cruéis ao levantar suspeitas de que ele cedera a pressões da presidente Dilma Rousseff, com quem havia se reunido dias antes. "Ninguém me mandou flores", brincou o presidente do BC.

O fato é que os dados da semana passada sobre a economia mundial indicaram que Alexandre Tombini e os diretores do Banco Central acertaram em cheio na decisão de não aumentar os juros em janeiro. Deveriam agora começar a baixá-los.




Tomo emprestado, nesta Terça-Feira Gorda, versos nada carnavalescos de Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". E, pra não dizer que não falei das flores, Tombini e a diretoria do Banco Central deveriam receber um caminhão de rosas vermelhas, com um bilhete: "Que não seja por falta de flores!".

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Carta aberta do BC

Por Alexandre Schwartsman.

Folha de SP

Pusilânime

Há alguns anos, 2008 ou 2009, não me lembro bem, estive na Argentina com um amigo para visitar autoridades e economistas locais. Na ocasião, no jantar com um destes economistas, meu amigo perguntou sua opinião sobre o então presidente do BCRA, Martin Redrado. Ele suspirou, olhou para nós e, caprichando no insuperável sotaque portenho, confidenciou: “Martiiiin… ¡Martin es un pusilánime!”.

Não pude deixar de me lembrar disto ao ler a Carta Aberta do presidente do nosso BC ao ministro da Fazenda, explicando as razões pelo estouro espetacular da meta de inflação (10,7% contra 4,5%, muito além dos dois pontos percentuais de tolerância). Aqueles com paciência para encarar 5 páginas e 38 parágrafos do que, em meu tempo de escola, era conhecido como “encher linguiça” podem até ficar com pena da atual diretoria do BC, que se coloca como impotente e surpresa face ao choque inflacionário, mas, se for o caso, terão sido devidamente enrolados.

Arte de CAZO


A narrativa do BC é a mesma desde 2014: a inflação refletiria dois processos de mudança de preços relativos, isto é, o ajuste dos preços administrados (como energia ou combustíveis) vis-à-vis preços livres, assim como a elevação dos preços de bens afetados pelo dólar (normalmente exportados e importados) em comparação àqueles cujo preço depende essencialmente das condições domésticas (tipicamente, mas não apenas, serviços).

Em face destes choques, caberia ao BC apenas evitar sua propagação aos demais preços, por exemplo, reduzindo a demanda para que empresas não repassassem integralmente o aumento das tarifas de energia sobre o preço dos seus produtos, ou o custo das matérias-primas importadas.

Arte de AMARILDO


Ao atribuir a culpa pela inflação de 2015 aos preços administrados, porém, o BC deixa de lado algumas informações importantes. Em primeiro lugar deveria reconhecer que tanto em 2013 como em 2014 a inflação só se manteve dentro dos limites de tolerância graças à prática (irresponsável) de contenção artificial dos preços públicos. Sua negligência inicial no trato com a inflação se encontra, portanto, na raiz da política de controle de preços entre 2012 e 2014 e, por consequência, da necessidade do ajuste em 2015.

Já no que se refere ao efeito do dólar, vale praticamente o mesmo ponto. O BC, por meio de suas intervenções, represou o ajuste da moeda e é, ao menos em parte, responsável pelo forte desvalorização do real no ano passado.

Arte de LUSCAR


…Trata-se, enfim, de um documento pusilânime, em que o BC foge da responsabilidade pelo problema que criou. Que use de mais coragem na Carta do ano que vem.

É verdade, reconheço, que o dólar saltou de patamar após o infeliz anúncio do orçamento para 2016 e dos sinais cada vez mais claros da incapacidade do governo no que se refere ao controle de seus gastos.

No entanto, enquanto agora o BC culpa o desempenho fiscal, em todas suas manifestações oficiais anteriores afirmara que “no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público tende a se deslocar para a zona de neutralidade e não [se] descarta a hipótese de migração para a zona de contenção”, ou seja, sem maiores críticas à política fiscal, muito ao contrário. Hipocrisia pode ser a homenagem que o vício presta à virtude, mas um pouco mais de sutileza não faria falta.

Arte de SPONHOLZ


Trata-se, enfim, de um documento pusilânime, em que o BC foge da responsabilidade pelo problema que criou. Que use de mais coragem na Carta do ano que vem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Governo estuda aumentar meta de inflação

Por Fernando Rodrigues.

Equipe econômica vai debater se deve elevar meta de inflação anual
A reunião de Dilma Rousseff na semana que vem com seus principais ministros para traçar os rumos da economia terá um tema espinhoso sobre a mesa: o centro da meta de inflação deve permanecer em 4,5% ao ano ou ser elevado?

É consenso no Palácio do Planalto que a taxa de juros (Selic) deve, no máximo, ficar no atual patamar, de 14,25% ao ano. Esse recado será dado ao Banco Central de forma clara. Mas não há garantia de que o BC atenda a esse apelo.

Arte de MYRRIA


Ocorre que o Banco Central está inclinado a subir o juro em 19 e 20 de janeiro, quando o Comitê de Política Monetária se reúne pela primeira vez em 2016. A inflação na casa de 10,70% em 2015, bem acima da meta, disparou o gatilho para o BC pensar numa Selic mais alta.

É exatamente para tentar evitar a alta de juros que assessores próximos a Dilma Rousseff acreditam que seria o momento de um choque de realidade: aumenta-se de uma vez o centro da meta de inflação –fala-se no Planalto em 5,5% ao.

Como a margem de tolerância é de 2 pontos, para mais ou para menos, a taxa poderia variar até 7,5%.

Arte de BENETT


Com essa alteração na meta de inflação, acreditam assessores palacianos, o BC ficaria mais à vontade para não elevar os juros.

Mas há 2 problemas grandes:


  •  a meta de 2016 já está fixada e haveria dificuldade política para alterar a resolução do Conselho Monetário Nacional, pois seria necessário modificar também o decreto presidencial de 1999 que estabeleceu o atual sistema; 
  • o mercado poderia apostar contra o real, achando que o governo está flexibilizando o controle da inflação.

O fato é que esse assunto está em fermentação no Planalto. A decisão será tomada ao longo das próximas semanas. Ninguém pretende falar sobre o assunto em público antes de haver um mínimo consenso interno no governo.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Pedaladas fiscais: o aviso havia sido dado há dois anos

Dois anos e meio antes de as “pedaladas fiscais” justificarem a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e pelo menos um ano antes do início da campanha pela reeleição, técnicos do Tesouro Nacional elaboraram, em julho de 2013, um diagnóstico de 97 páginas sobre a situação fiscal e econômica do país. Mantido sob sigilo até agora, o relatório, ao qual o Valor teve acesso, continha um claro alerta à cúpula do governo: 

“O prazo para um possível ‘downgrade’ é de até 2 anos”

“Ao final de 2015 o TN [Tesouro Nacional] estaria com um passivo de R$ 41 bilhões” 
na conta dos subsídios em atraso;




“Contabilidade ‘criativa’ afeta a credibilidade da política fiscal”.

Novos avisos foram incluídos em uma versão revisada, de setembro de 2013. O caixa do Tesouro estava muito baixo e foi citado no documento como “risco para 2014”. Os técnicos do Tesouro projetavam um “déficit sem perspectiva de redução”, falavam em “esqueletos” que teriam que ser explicitados e recomendavam “interromper imediatamente quaisquer operações que produzam resultado primário sem a contrapartida de contração da demanda agregada ou que gere efeitos negativos sobre o resultado nominal e/ou taxa implícita da dívida líquida”.


Excelente reportagem de Leandra Peres para o VALOR ECONÔMICO

Para ler na íntegra, 
clique AQUI

BC manda socorrer BTG em R$ 6 bilhões

Por  Ossami Sakamori.
Charges de AMARILDO

BC manda socorrer BTG em R$ 6 bilhões.

O Fundo Garantidor de Crédito disponibilizou ao BTG Pactual uma linha de crédito de R$ 6 bilhões para ser sacado em 48 horas. Com a exposição de risco somado ao que já tinha anteriormente com a assunção de 50% do Banco Panamericano, que pertencia ao Senor Abravanel (Silvio Santos), o total de exposição do BTG no Fundo passa a ser de R$ 10 bilhões, o que corresponde a cerca de 21% do total do patrimônio líquido do Fundo.




O Fundo Garantidor de Crédito, para quem não tem afinidade com o mercado financeiro, é uma associação civil que administra um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores, até um limite máximo de R$ 250 mil por correntista, caso qualquer instituição financeira filiada venha sofrer a quebra. O Fundo foi constituído no bojo do Proer, no governo FHC. Hoje, o patrimônio líquido do Fundo supera R$ 47 bilhões. O Fundo é constituído com contribuição das instituições financeiras associadas ao longo da sua constituição. O recurso é privado, porém, o Banco Central é que determina o socorro à instituição financeira em dificuldade. É claro que, no final das contas, o Fundo é constituído com recursos oriundo das tarifas que as instituições financeiras cobram dos clientes. Logo a conta é dos correntistas dos bancos. 

Quando o BTG Pactual comprou e assumiu 50% do Banco Panamericano, na prática, André Esteves não desembolsou nem R$ 0,01 sequer do seu dinheiro. Os recursos da compra dos 50% do Banco foi emprestado pelo Fundo Garantidor de Crédito acatando as ordens do Banco Central. O acordo da compra e venda foi acertado na visita do Silvio Santos ao presidente Lula da Silva no Palácio do Planalto, na véspera. O acordo de venda do Panamericano para o André Esteves foi costurado pelo Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. 





Com prisão do principal acionista do grupo BTG Pactual, envolvido em Operação Lava Jato, mais uma vez, o Banco Central utiliza o mecanismo do Fundo Garantidor de Crédito para socorrer o estelionatário André Esteves, injetando R$ 6 bilhões na instituição financeira. Note-se que o total de exposição do BTG Pactual com o Fundo Garantidor passa a ser de R$ 10 bilhões, correspondente a 21% do patrimônio líquido. Isto é muita exposição de risco para uma só instituição financeira, no meu entender.

O André Esteves está metido até o pescoço com as ladroagens na Petrobras desvendadas pela Operação Lava Jato. Além do envolvimento na Operação Lava Jato, o André Esteves foi beneficiado na compra de 50% da Braspetro Oil & Gas, dona de participações nos blocos de exploração de petróleo na costa ocidental da África. O BTG Pactual do André Esteves comprou os 50% da Companhia ao preço vil, cerca de R$ 1,5 bilhões. O episódio chamou atenção deste blog e mereceu a matéria Caso Petrobras/ BTG Pactual .



Este menino André Esteves, tem o mesmo perfil do outro menino o Eike Batista. Os dois são vaidosos e eram considerados os bons no meio empresarial, mas não passam de empresários travestidos de estelionatários. Não precisavam marcar agenda com Lula da Silva ou com a Dilma Rousseff, quando quisessem trocar alguma ideia. As portas do Palácio do estavam sempre abertos para que os meninos proporem estelionatos e ladroagens na Petrobras e no BNDES. 


Ambos tinham o respaldo do Lula da Silva e da Dilma Rousseff, até à véspera da quebra e da prisão. Este blog já tinha alertado antes, conforme matérias já publicadas, há muitos meses.

Link

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O Banco Central e o Bicho-papão

Por Alexandre Schwartsman
Publicado no jornal A  TARDE em 17SET2014

A autonomia do BC e o Homem do saco

É preciso um debate adulto sobre o tema: objetivo do BC é definido pelo Executivo, que é quem escolhe os dirigentes

Mesmo com muita gente boa já escrevendo sobre a autonomia do BC, não posso ficar sem me manifestar. Principalmente porque, mesmo para os padrões nada elevados como os que caracterizam as campanhas eleitorais em geral, a atitude da propaganda situacionista tem sido de uma infantilidade atroz. Só falta afirmar que a autonomia implicará a legalização do "homem do saco": o BC mesmo cuidaria de raptar as crianças para servi-las a banqueiros em banquetes macabros.

Arte de Miguel


A presidente participa ativamente da criancice ao afirmar que "o BC não é o quarto poder", reiterando que tal medida tiraria comida do prato dos brasileiros (e possivelmente traria também o bicho-papão) apenas quatro anos após ter criticado seu então oponente por afirmação semelhante, mas até aí eu jamais a acusei de coerência.

Cabe, em primeiro lugar, eliminar fontes comuns de mal-entendidos, que só servem a quem teme um debate adulto sobre o tema. Autonomia do BC não implica que este se converta num quarto poder, ou mesmo na Santa Sé.




A começar porque todas as propostas colocadas em discussão definem, a zero de jogo, que o objetivo do BC, por exemplo, a meta para a inflação, continuaria a ser prerrogativa do Executivo, como hoje o é, por meio do Conselho Monetário Nacional, cujos membros são todos escolhidos pelo presidente da República, justamente aquele que não se elege sem o apoio da maioria absoluta dos votantes.

Obviamente a presidente pode determinar ao BC que busque uma meta mais elevada de inflação, mas terá também que explicar à população o motivo pelo qual fez esta escolha. Aliás, deveria ter a coragem de explicar hoje sua opção por permitir que o Banco Central persiga --como se depreende de suas próprias afirmações-- uma meta de 6,5%, mas me desvio...

É também bom deixar claro que não seriam os banqueiros, os maçons ou os illuminati os responsáveis pela indicação dos dirigentes do BC, mas sim o presidente, passando, aliás, pelo crivo do Senado Federal, como ocorre hoje em dia.

Arte de Dálcio



Por fim, isto também não significa falta de transparência ou responsabilidade, pois, da mesma forma que acontece atualmente, o BC teria que prestar contas periódicas (por exemplo, duas vezes por ano) ao Congresso Nacional, seja ao Senado, seja à Câmara.

A diferença no caso seria que, ao contrário da situação atual, o indicado ao BC teria um mandato fixo, não coincidente com o do presidente. Ao longo deste mandato o dirigente só poderia ser demitido em situações previstas em lei, e não pela simples vontade do governante de plantão.

Este arranjo básico, com algumas variantes, é o que vigora em países de escassa tradição democrática, como os EUA, o Reino Unido (enquanto ainda é Unido), o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, o Japão e outros tantos pobres e instáveis. Já bancos centrais subordinados ao Executivo são privilégio de países do naipe da Rússia, da China, da Argentina, da Venezuela, do Zimbábue e de outros titãs da democracia mundial.




Isso não ocorreu por acaso, mas sim porque naqueles países se percebeu que um banco central livre das pressões políticas de curto prazo costuma obter resultados melhores em termos de inflação mais baixa, sem prejudicar em prazo mais longo o ritmo de crescimento ou a taxa de desemprego.

Já bancos centrais subordinados aos objetivos políticos do governo tipicamente geram inflação mais elevada, que, por vezes, pode inclusive reduzir a taxa de crescimento, normalmente devido às distorções geradas por formas desastradas de tentar evitar a manifestação do fenômeno inflacionário, como controles de preços. Há aqui um paralelo evidente ou seria apenas minha paranoia fora de controle?



De qualquer forma, o tema merece um debate informado e adulto, longe de estereótipos e slogans, praticamente o oposto do que se observa na campanha, em particular no que se refere ao campo situacionista. Se não melhorarem seu comportamento, serei obrigado a chamar o homem do saco...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Lulinha é contrariado pela Justiça

Na ação movida pelo filho de Lula contra a revista Veja, pedindo indenização por danos morais pela matéria publicada a respeito do seu enriquecimento milagroso, e também sobre a frase dita pelo ex-presidente "Meu filho é o Ronaldo dos negócios".




Abaixo, trecho da sentença da Drª Luciana Novakoski Ferreira Alves de Oliveira, MMª Juíza de Direito Auxiliar:

"…O autor (Lulinha) precisa compreender que é de interesse de toda a população brasileira saber como o filho do Presidente da República obteve tamanha ascensão coincidente ao mandato de seu pai. E há de concordar que uma imprensa livre para investigar tais fatos é fator essencial para que vivamos num Estado Democrático de Direito, ideal outrora defendido por tantos que, agora, ao que se vê, parecem se incomodar com ele. Desse modo, examinando-se o conflito dos interesses constitucionais envolvidos na publicação da matéria, verifica-se que a conduta dos réus não foi abusiva e apenas buscou informar seus leitores sobre assunto de relevante interesse público. Logo, inexiste direito à reparação civil. Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, nos termos do art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil. Em razão da sucumbência, arcará o autor com o pagamento das custas e despesas processuais e de honorários advocatícios, que fixo, por equidade, em R$ 10.000,00.” Drª Luciana Novakoski Ferreira Alves de Oliveira, MMª Juíza de Direito Auxiliar



E também foi indeferida a solicitação de queixa-crime contra o economista e colunista da Folha de S.Paulo Alexandre Schwartsman, sob a acusação de difamação pela direção do Banco Central, segundo noticiou a Revista Veja nesta semana.

O intento governamental foi sumariamente rejeitado pelo juízo da 9a vara Federal Criminal de SP. O que motivou a aventura, digo a ação, a qual tem a assinatura do procurador-Geral do BC, Isaac Ferreira, foram entrevistas do economista com duras críticas ao BC. BC, aliás, do qual Schwartsman foi diretor por três anos no governo Lula. (0006407-93.2014.4.03.6181)