terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O PMDB não é para amadores.





Escrito por Lúcia Hippolito em seu blog

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A cerimônia de posse do ministro Lobão ontem no Planalto é o retrato acabado da geléia geral em que se transformou a política brasileira. O presidente Lula recebeu Lobão, segundo ele, de braços abertos, declarando que a escolha de Lobão é fruto da sabedoria política.
Paulo Maluf era dos mais animados. Circulou entre vários grupos, abraçou efusivamente e beijou a ministra Dilma Roussef, que estava toda sorridente. Não reclamou não. Quem diria que, um dia, Maluf estaria dentro de um palácio petista, confraternizando com uma ministra petista. Sinal dos tempos.
A mulher do novo ministro não compareceu. Nice Lobão é deputada federal pelo DEM do Maranhão. Agora está na posição incômoda de pertencer a um partido que faz oposição ferrenha ao governo de que o marido é ministro.
Um dos filhos do novo ministro também não compareceu. Edison Lobão Filho está enroladíssimo com a justiça, tendo que explicar uso de laranjas em vários negócios, além de sonegação de impostos.
A família Sarney, patrocinadora da nomeação, também não compareceu. O chefe do clã, senador José Sarney, não quer aparecer muito como padrinho de Lobão. Vai que o novo ministro fracassa. Lula espetará a fatura na conta de Sarney.
A senadora Roseana e o deputado Zequinha Sarney também não compareceram. O problema maior é que o outro irmão, Fernando Sarney, encarregado dos negócios da família, está com problemas na Polícia Federal. Suas ligações telefônicas foram monitoradas durante um ano, e Fernando está tendo que responder por uso de caixa 2 na campanha derrotada de Roseana ao governo do Maranhão. Além disso, tem que explicar telefonemas trocados com Zuleido Veras, principal personagem da Operação Navalha, desencadeada pela Polícia Federal, que investiga fraudes em licitações públicas.
Mas nada disso tem muita importância, porque o PMDB, este sim, desembarcou em peso na posse de Lobão. O líder no Senado, Waldir Raupp, atropelou o novo ministro e já chegou com a listinha de compras do partido nas mãos.
Lobão, que chegou ontem ao PMDB, ficou até assustado com a desenvoltura do partido, mesmo tendo vindo do PFL.
No PMDB, o senador José Sarney quer nomear a presidência da Eletrobrás e a diretoria financeira da estatal. O deputado Jader Barbalho quer nomear a presidência da Eletronorte. Para o ex-governador Paulo Afonso, de Santa Catarina, o PMDB quer uma diretoria da Eletrosul (a presidência da estatal elétrica o partido entregou à senadora Ideli Salvatti).
Em Furnas, cuja presidência já foi entregue ao PMDB em troca da aprovação da prorrogação da CPMF na Câmara, o partido quer agora também as diretorias. A pobre da ministra Dilma está atarantada, tentando de todas as maneiras não ser inteiramente derrotada pela sanha fisiológica do PMDB. Tenta garantir a permanência de alguns de seu grupo, como o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, o diretor de Engenharia da Eletronorte. Coisas assim.
Mas Dilma e o ministro Lobão estão agora lidando com o PMDB. E como eu digo sempre, o PMDB não é para amadores. É para profissionais.