segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Em Cuba: O dia-a-dia dos repatriados

Por Alberto Dines em 21/1/2008. Transcrito do observatório da imprensa
Fidel Castro e Cuba dominaram os jornalões de domingo (20/1). Como os grandes veículos estavam representados na comitiva do presidente Lula a Havana na semana passada, e como domingo era o dia da renovação da Assembléia Nacional cubana, alguns profissionais, além de cobrir o encontro de presidentes, aproveitaram a viagem – que não é barata – para cobrir o outro fato.
Mas quem deu um show de competência jornalística foi a Folha de S.Paulo com a reportagem de Letícia Sander [ver abaixo] sobre os dois boxeadores repatriados para Cuba durante os Jogos Pan-Americanos no Rio, em julho passado. A repórter localizou os pugilistas, entrevistou-os e produziu um texto sóbrio, pungente, arrasador sobre o terrível castigo imposto aos dois quase-desertores: não fazem nada o dia inteiro. Não podem treinar, não podem lutar, só podem fazer exercícios na rua para não ganhar peso.
O estranho repatriamento dos pugilistas num avião venezuelano e a promessa de que não sofreriam represálias deixou o governo brasileiro muito mal na ocasião. Agora, diante da dolorosa revelação da Folha, o governo Lula fica ainda em pior situação: é cúmplice deste novo gulag imposto a dois jovens atletas impedidos de exercer o direito de escolher onde e como querem viver.
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Pugilistas cubanos estão há seis meses fora dos ringues
Letícia Sander # copyright Folha de S.Paulo, 20/1/2008
É manhã de quarta-feira em Havana, capital de Cuba, e Guillermo Rigondeaux Ortiz está em casa no bairro de Altahavana com a mulher, o filho e a mãe. Um dos melhores boxeadores do mundo não faz nada de especial. Acabara de se despedir de Erislandy Lara Zantaya, também pugilista e companheiro de tardes desocupadas. Os dois acabam de completar seis meses afastados dos ringues, sem trabalho, numa rotina sem sobressaltos, que se resume à espera e indefinição.
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