quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A coisa vai pegar!

Escrito por Andres Viriato.

Será uma página negra na História da Bahia quando, em futuro não tão longínquo, nossos netos, pesquisando neste blog, encontrarem a catastrófica notícia sobre o Rei Momo do Carnaval 2008. E verão que não somente nossa imprensa, mas também o Ministério Público, se ocupa com grandes causas. Tanto que a 4ª Promotoria de Justiça da Cidadania acaba de convocar a valorosa comissão julgadora do grande evento a dar explicações. Mas não vai ficar por aí, sosseguem.
Nosso iconoclasta prefeito (provando isso agora, não por ser evangélico mas pelo apoio que deu ao enxuto e inusitado rei, quebrando secular tradição), que mesmo sem toalha e sabonete vem dando assépticos banhos na cidade - de luz, de asfalto e, vez por outra, também de lágrimas - que se prepare para ver sua gestão marcada indelevelmente por fato tão relevante, que certamente o fará eternamente entronizado na galeria dos grandes administradores desta encantada Salvador.
Estou escrevendo este texto em pleno desenrolar de recursos e impetrações legais, sem saber, por exemplo, se neste momento a questão está dando entrada no Supremo Tribunal Federal, que, data vênia, talvez se considere inapto a tal julgamento, remetendo o caso para cortes internacionais. E daí? Quem ousará dizer que o rei Clarindo Silva não vale quanto pesa e propor seu destronamento, ele que ainda não fez valer seu cetro para a emissão de éditos e decretos, sem os quais estaríamos constitucionalmente perdidos? Quem arriscará comprometer o brilho da maior festa de rua do mundo?
Nós, baianos, temos perdido grandes conquistas por uns gramas a menos ou a mais. Lembram-se de Marta Rocha, que, em 1958, perdeu o concurso de Miss Universo apenas por duas polegadas a mais nos quadris? Pois é, e o pior é que o Carnaval baiano não pode ficar sujeito a impasses tão dilacerantes. Agora mesmo ouço a notícia de que a presença de turistas de todo canto, em Salvador, durante a festa, pode oferecer risco de contágio da febre amarela. Somente porque morreram cinco infelizes longe daqui querem criar pânico na terra do trio elétrico?
Acho que o assunto deveria chegar a Brasília, pois, nunca na história desse país houve tamanho desrespeito à cultura nacional. Não vejo outra saída que não seja uma CPI multipartidária investigando minuciosamente a questão, mesmo que os senhores deputados tenham que trabalhar finalmente, porque o folião baiano exige respeito e consideração dos poderes constituídos.
Não podemos é permitir que, para o Carnaval de 2009, os concorrentes ao reinado de Momo sejam mortificados com a seguinte dúvida: libero a bandeja ou faço força na Academia? Ah, Stanislaw, que falta nos fazes!!