domingo, 16 de dezembro de 2007

Meia Volta, Volver!

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa. Transcrito do blog do noblat


Confesso que andava cantando para nossa oposição, assim como para nós, eleitores descontentes com o rumo das coisas nestepaiz, a música do Ultraje a Rigor, “Inútil”. Lembram da letra? Não? Pois copio aqui o refrão:


Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!


Mas eis que, de repente, graças ao presidente Lula, e quero crer, à força da opinião pública, nossos senadores tucanos e demos tomaram uma injeção de semancol, e perceberam que não dava para continuar bancando a vaquinha de presépio do Governo Federal. Afinal, ainda somos uma democracia estruturada na independência entre os Três Poderes, não é mesmo?


O Executivo estava necessitado desse corretivo. Sei que os apaixonados não vão aceitar, mas vejamos:
A CPMF, era fato mais do que sabido, expirava em 31 de dezembro de 2007. O Planalto, mal iniciou este novo mandato, começou a tomar providências para prorrogá-la? Alertou seus principais assessores e lhes recomendou que chamassem a oposição para iniciar as negociações, já que até as benditas colunas do Alvorada sabiam que negociações seriam necessárias? Não.

Perdida essa oportunidade, chegaram a chamar os líderes da oposição para uma conversa franca? Ouviram o que lhes pediam? Procuraram avaliar a palavra dos congressistas que representam o povo tanto quanto o presidente da República? Foram chamados, é verdade, mas para ouvir que nada podia ser feito, era aprovar ou ir para o Inferno.
As ameaças do presidente eram tão apavorantes que davam até um frio na espinha, mesmo para quem, como eu, estava – e estou – convencida do acerto de acabar com essa taxa. A CPMF só interessava ao Governo Federal para custeio de programas muito indefinidos, e de pouca valia para nós, brasileiros.
São exatos 5 anos de governo Lula. Cinco anos de CPMF livre, leve e solta nos bolsinhos do Governo. Da taxa cujo destino era ser provisória e atender à Saúde Pública. Que nunca esteve num nível tão baixo. Não consigo compreender isso. Não consigo. Onde foi parar a CPMF recolhida até hoje?
As palavras do presidente Lula andam inteiramente desconectadas da realidade. Ele vive numa outra esfera. Tudo lhe sorri. O dinheiro entra fácil e generoso nas burras do Governo e ele pode bancar o paizinho, distribuir bolsas, lançar pedras fundamentais, prometer coisas e loisas, ajudar vizinhos esquisitos e ingratos, e até socorrer as escolas de samba aqui do Rio. Com a fortuna que arrecada, e com a pouca importância que dá ao Congresso, fica tudo muito fácil.
Agora, graças à sua malograda atuação, e à inteligência e persistência de alguns brasileiros, tenho a esperança de que Lula, passados os primeiros dias, quando será natural que extravase sua decepção, vá começar a prestar atenção no outro poder da República, o Legislativo.
Também é imperativo que nossos representantes, e aqui me refiro a todos, oposição e situação, se dêem conta de que curvar a espinha dorsal em demasia, não é de bom alvitre. Foi uma oportunidade de ouro para lembrarmos ao país que esta não é uma monarquia absoluta. É uma República e está baseada no equilíbrio entre os Três Poderes.
O Senado Federal, quando chamado à ordem, deu o bom exemplo. Foi um momento magnífico. Espero que a Câmara dos Deputados siga o modelo, e comece a trabalhar tendo sempre em mente que o Legislativo é tão importante quanto o Executivo.
O medo, que chegou a incomodar os corações mais sensíveis, era para inglês ver. O secretário de Política Econômica, Bernard Appy, foi claro ontem. Entre outras coisas, disse que o fim da CPMF não deve trazer maiores preocupações. E acrescentou:
“Se alguém tinha a intenção de atrapalhar esse cenário positivo está enganado, pois não vamos permitir que isso aconteça. Tomaremos todas as medidas necessárias para que o cenário positivo continue tendo curso no país”. (Fonte: Jornal do Brasil).
Essas é que são as palavras certas. Um peteleco na oposição, vá lá, mas em seguida a promessa de que, finalmente, o tão sonhado cenário positivo, em curso há cinco anos, dê o ar de sua graça.

Dou meia volta, volver, com muito prazer, e parabenizo, com afeto, os senadores que nos deram esse exemplo de cidadania.