segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Do dicionário do demônio.

O Josias de Souza colocou em seu blog um dicionário de várias expressões que caracterizam a política brasileira nesses tempos malucos. Esse tipo de dicionário, divertido e revelador, é um gênero antigo, embora esporádico, no jornalismo.
O jornalista americano Ambrose Bierce (1842-1914?) é o autor do mais famoso desses dicionários, o "Dicionário do Demônio", escrito entre 1881 e 1906. Nele, constam definições como estas:
ADMIRAÇÃO, n. Nosso polido reconhecimento da semelhança de alguém com nós mesmos.



AUSENTE, adj. Indivíduo peculiarmente exposto aos dentes da detração; vilificado; inevitavelmente errado; substituído na consideração e afeição de outro.



BACO, n. Divindade conveniente inventada pelos antigos como desculpa para encher a cara.



BANDEIRA, n. Trapo colorido carregado à frente de tropas e postado sobre fortes e navios. Parece ter a mesma serventia de certas placas que se vê em terrenos baldios de Londres - 'Podem atirar o lixo aqui'.



BATALHA, n. Método de desatar com os dentes um nó político que não dá pra desfazer com a língua.



CÉREBRO, n. Aparato com o qual pensamos o que pensamos. Distingue o homem que se contenta em ser alguma coisa do homem que deseja fazer alguma coisa. (...) Em nossa civilização, e sob nossa forma republicana de governo, o cérebro é tão altamente honrado que é recompensado com a isenção dos cuidados do mandato.



CONSERVADOR, n. Um estadista enamorado dos males existentes. Distingue-se do liberal, que pretende substituir esses males por outros.



CONSOLAÇÃO, n. O conhecimento de que um homem melhor é mais infeliz do que você próprio.



CRISTÃO, n. Alguém que acredita que o Novo Testamento é um livro divinamente inspirado que é admiravelmente adequado às necessidades espirituais de seu vizinho. Segue os ensinamentos de Cristo até o ponto em que eles se tornam inconsistentes com uma vida de pecado.



DIFAMAR, n. Mentir sobre alguém. Falar a verdade sobre alguém.



EDUCAÇÃO, n. Aquilo que revela ao sábio e esconde do tolo sua falta de compreensão.



ESCRITURAS, n. Os livros sagrados de nossa santa religião, que se distinguem dos falsos e profanos escritos em que se baseiam todas as outras fés.



, n. Crença sem evidências no que é dito por alguém que fala sem conhecimento de coisas sem fundamento.



GUILHOTINA, n. Máquina que faz um francês dar de ombros com boas razões.



HERESIA, n. Sua irreverência em relação à minha divindade favorita.



HISTÓRIA, n. Relato geralmente falso de eventos geralmente desimportantes, provocados por mandantes geralmente mal-intencionados e soldados geralmente burros.



IMPUNIDADE, n. Riqueza.



VOTO, n. Instrumento e símbolo de um homem livre para se fazer de bobo e destruir seu país.
via e voce com isso