quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Bate boca no STF

Fonte Migalhas

O plenário do STF iniciou ontem o julgamento que discute a possibilidade do cumprimento de pena em regime mais benéfico ao sentenciado quando não houver vagas em estabelecimento penitenciário adequado. 

Durante o julgamento os ministros Gilmar Mendes e Lewandowski por pouco não foram às vias de fato. Tudo começou porque, em seu voto, o ministro Gilmar determinava ao CNJ uma série de medidas para fiscalizar o monitoramento de presos. O ministro Lewandowski, presidente da Corte e também do CNJ, discordou desta parte do voto, nitidamente incomodado com a imiscuição em seu mandato no Conselho. Segundo ele, o Supremo não poderia impor obrigações ao CNJ. Além disso, o ministro informou que todas aquelas medidas já estavam em andamento no Conselho e que o Programa Começar de Novo, criado quando Mendes presidiu o CNJ, estaria "superado em função de outros programas que estão em andamento". Foi o que bastou para o caldo entornar :


Abaixo a transcrição do bate boca:

- Gilmar Mendes : "A questão é do trabalho do preso, tenha o nome que tiver, senão vamos ficar naquela disputa do Bolsa Família com o Bolsa Escola, com os estelionatos eleitorais que se fazem."

- Lewandowski : "O CNJ não faz nenhum estelionato."

- Gilmar Mendes : "Eu chamei de programa Começar de Novo o programa que faça as vezes dele. Vamos tratar as pessoas com a devida seriedade."

- Lewandowski : "Vossa Excelência está dizendo que eu não o estou tratando com a devida seriedade ?"

- Gilmar Mendes : "Vossa Excelência não está tratando com a devida seriedade."

- Lewandowski : "Não, não absolutamente, peço que Vossa Excelência retire isso."

- Gilmar Mendes : "Porque eu não sou de São Bernardo, e não faço fraude eleitoral."

- Ricardo Lewandowski : "Eu não sou de Mato Grosso, Vossa Excelência me desculpe. Vossa Excelência está fazendo ilações incompatíveis com a seriedade do STF."

- Gilmar Mendes : "Vossa Excelência está insinuando..."

- Lewandowski : "Não estou insinuando nada... eu não faço insinuações. Eu digo diretamente, ministro, o que eu tenho a dizer. Não insinuo nada."

- Gilmar Mendes : "Vossa Excelência está insinuando que o nome [do programa] é politicamente incorreto."

- Lewandowski : "Vossa Excelência está introduzindo um componente político na sua fala. E isso é evidente."

- Gilmar Mendes : "Pouco importa !"

- Lewandowski : "Fez alusão a programas do Poder Executivo e querendo de certa maneira confundir essa política do Poder Executivo com as nossas políticas."

Os ânimos foram amainados quando o ministro Fux interrompeu a discussão e cariocamente entrou no deixa disso. Evitando-se um mal maior, a sessão foi suspensa e o julgamento deve ser retomado hoje.

Link 

NOTA DO EDITOR: Lembrei-me ao ler essa discussão do personagem de Al Pacino ao final do filme "O Advogado do Diabo" quando ele afirma: Ah! A Vaidade! Meu pecado predileto..."



Ladrões, inclusive de galinhas

Por Ruy Castro

Crônicas


Ladrões, inclusive de galinhas
Os sociólogos, como sabemos, vieram ao mundo para nos explicar por que as coisas são como são. Por isso, outro dia recorri a um deles para me dizer por que, num país tão farto em ladrões, um dos mais simpáticos e poéticos desaparecera: o ladrão de galinhas.

A culpa foi da especulação imobiliária, ele me disse. Com a substituição das casas pelos edifícios e o fim dos quintais, acabaram-se os galinheiros domésticos. E, sem eles, não pode haver ladrões de galinhas.

Daí minha surpresa ao ler sobre o furto de 25 codornas poedeiras no quintal de uma casa em Selvíria, no Mato Grosso do Sul. Um jovem chamado Jocimar, acusado do crime, foi a julgamento e tomou um ano de prisão. Nas várias idas e vindas do caso pelo Tribunal de Justiça, Ministério Público e STJ (Superior Tribunal de Justiça), Josimar foi absolvido, condenado e absolvido de novo.

Foi então que me dei conta de que esse caso aconteceu em 2001, mas só agora, nesta quarta-feira, chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal), que o finalizou. Os ministros Carmen Lúcia e Dias Toffoli condenaram Josimar, mas Gilmar Mendes, Teori Zavascki e Celso de Mello aplicaram o princípio da insignificância e votaram pela absolvição. Josimar é hoje não apenas um homem livre, mas o último ladrão de galinhas vivo do país. Merecia um estudo.

Arte de PARESH


Nesta mesma quarta, talvez na mesma sessão, o STF tomou a decisão histórica de mandar prender o senador petista Delcídio do Amaral, por acaso também do Mato Grosso do Sul, por tentar subornar o ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró, para ele não abrir o bico, e ajudá-lo a fugir para a Espanha.

Nos velhos filmes ingleses e americanos, o sujeito dava um golpe lá fora e vinha se esconder no Brasil. Agora é diferente: o sujeito dá um golpe no Brasil e vai se esconder lá fora. Preciso achar um sociólogo que me explique isso. 


O vídeo que fez Joice Hasselmann ser demitida da VEJA


Um monociclo dobrável

Empresa chinesa cria monociclo dobrável



Pensar em alternativas de transporte para o futuro é um dos principais exercícios da indústria ultimamente. Os chineses da Ninebot, uma empresa especializada em veículos inteligentes, apresentaram um projeto um tanto quanto exótico. Trata-se do One e+, um monociclo elétrico, dobrável e portátil. 

O modelo é uma das atrações da Expo Milan, feira de design que acontece este mês em Milão, na Itália, e, apesar do jeito de “engenhoca maluca'', já está à venda do site da empresa por U$ 950, o equivalente a cerca de R$ 3.000 na cotação atual.




A ideia tem uma pegada totalmente urbana. Graças a uma estrutura modular, o piloto pode montar e desmontar o veículo durante as viagens. O monociclo é alimentado por uma bateria ultra fina. O tempo para uma carga completa depende do tipo de carregador, podendo variar entre 30 e 120 minutos. Pesando apenas 14,2 kg, o veículo é feito para rodar em qualquer tipo de terreno, segundo a fabricante. A velocidade máxima é de 22 km/h, tornando o modelo ideal para locomoção em pequenas distâncias.

Fonte  Búfalos

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Eita mundo pequeno...

Por Elio Gaspari

Coincidências
Lula é amigo de José Carlos Bumlai, pai de Fernando, marido de Neca, filha de Pedro Chaves dos Santos, o suplente que deverá assumir a cadeira de senador de Delcídio do Amaral, que discutiu o resgate de Nestor Cerveró com André Esteves, que comprou a fazenda Cristo Rei, de José Carlos Bumlai, que tomou R$ 12 milhões no banco de Salim Schahin, cuja empreiteira associou-se à Sete Brasil, presidida por João Carlos Ferraz, que era amigo de Lula.


Arte de SPONHOLZ


No século passado o banqueiro Walther Moreira Salles comprou uma fazenda em Mato Grosso. Tinha como sócios os irmãos David e Nelson Rockefeller. Iam às matas da Bodoquena para caçar onças. David completou 100 anos e é um ícone da finança mundial. Nelson foi vice-presidente dos Estados Unidos.

Neste século o banqueiro André Esteves também comprou a fazenda Cristo Rei, no pantanal de Mato Grosso. Ela foi vendida pelo pecuarista José Carlos Bumlai. Lula gostava de pescar na Cristo Rei. Esteves e Bumlai estão encarcerados.

Não se fazem mais banqueiros como antigamente.

Aconteceu no Brasil do Império ...

Estorinhas Políticas


"Quarta-feira, 2 de dezembro de 1868

Oh! excelso monarca, eu vos saúdo!
Bem como vos saúda o mundo inteiro,
O mundo que conhece as vossas glórias...
Brasileiros, erguei-vos, e de um brado
O monarca saudai, saudai com hinos!
Do dia de dezembro o dois faustoso,
O dia que nos trouxe mil venturas!
Rebomba ao nascer d´alva a artilharia
E parece dizer em som festivo
Império do Brasil, cantai, cantai!
Festival harmonia reine em todos;
As glórias do monarca, as sãs virtudes
Zelemos, decantando-as sem cessar.
A excelsa imperatriz, a mãe dos pobres,
Não olvidemos também de festejar
Neste dia imortal que é para ela
O diz venturoso em que nascera
Sempre grande e imortal Pedro II.

Um monarquista".

Nascido na madrugada de 2 de dezembro de 1825, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, o nosso D. Pedro II, faria hoje, se vivo fosse, 191 anos.

Há 147 anos, o sisudo "Jornal do Commercio", conservador e monarquista, caiu num sensacional logro em 2 de dezembro. Na data em que toda a Corte, engalanada, festejava o 43º aniversário do Imperador, a folha carioca publicou a versalhada acima, aparentemente enaltecedora. Não percebeu que se tratava de um acróstico, no qual se lia: "O bobo do rei faz anos". Ou melhor, "annos", como mandava a ortografia da época.

Pingentes que levam você a viajar nas estrelas

Fonte Happyness

Artista cria pingentes de vidro que parecem guardar planetas e pedaços de galáxias
Lá em cima, onde nossos olhos nem alcançam, existe um céu tão tão lindo, que realmente deve permanecer sagrado. Trazendo um pouquinho de seus elementos para perto dos seres humanos, o artista Tomizu Satoshi cria pingentes de vidro que simulam planetas e galáxias em seu interior, como se a gente pudesse guardá-los ali dentro. 


Diretamente do Japão, as cenas cósmicas de cores vibrantes são feitas com opalas, flocos de ouro, vidro colorido, bolhas de ar e outros elementos capazes de formar estes pequenos organismos que permeiam o espaço. O trabalho minucioso rendeu ao artista alguns destaques, como o recente prêmio Atelier Nova Design Award ou a presença no Handmade in Japan Festival.

Feitas a mão, as peças artesanais são leves e resistentes, não havendo a necessidade de quaisquer manutenção. Olha só:





















Os itens podem ser adquiridos online através do site oficial da marca de Satosh

Dilma impõe prejuízos à diplomacia do Brasil

BRASIL NO EXTERIOR

Por Alexandre Vidal Porto
FOLHA SP


Dilma impõe prejuízos à diplomacia do Brasil
Diplomacia serve para resolver problemas com os outros países, não o contrário. No caso da presidente Dilma Rousseff, cujas habilidades político-diplomáticas são poucas, a diplomacia deveria seguir um dos lemas da arquitetura modernista: "less is more", ou " quanto menos, melhor".

O mais recente prejuízo que a presidente impôs à política externa brasileira foi cancelar na última hora uma viagem ao Japão e ao Vietnã. Sua assessoria alegou "razões de Estado".

Arte de SOLDA


Se você pensou, como eu, que as "razões de Estado" são o maior escândalo de corrupção e o maior desastre ecológico de nossa história, nós erramos. As razões seriam mais comezinhas: o governo não pode mais empenhar despesas no Orçamento de 2015. Faz sentido?

Note-se que é a segunda vez seguida —a primeira foi em 2013— que a presidente cancela uma viagem ao Japão dias antes da data marcada.

Arte de CLAYTON


No Vietnã, a visita serviria, entre outras coisas, para superar outro incidente diplomático causado pela presidente em 2012, quando o secretário-geral do Partido Comunista vietnamita foi informado, a caminho do Brasil, de que não seria recebido por Dilma, como esperado.

No mês passado, a presidente já havia deixado o príncipe Akishino, do Japão, esperando 20 minutos por uma visita para a qual ele havia cruzado o planeta. Quem conhece o Japão sabe que a única coisa mais grosseira que desmarcar um compromisso em cima da hora é deixar um visitante esperando. Dilma Rousseff fez os dois, em sequência.

Arte de ELVIS


O Japão é a terceira economia do mundo, polo de ciência e tecnologia e exportador líquido de capitais. Mas, sobretudo, o Japão é um país amigo, com quem mantemos fortes laços humanos e históricos há 120 anos, muito antes de Dilma Rousseff aparecer neste mundo. A presidente parece não gostar de cultivar amigos, mas o Brasil gosta —e precisa.

Visitas presidenciais exigem meses de planejamento e trabalho e mobilizam centenas de profissionais. Impõem, também, custos altíssimos com aluguel de carros, hotéis e organização.

Arte de SID


As autoridades japonesas terão de explicar ao seu contribuinte por que desperdiçaram recursos com uma visita que nunca aconteceu. O governo de Dilma Rousseff não terá de dar satisfação a ninguém. Por isso, talvez, seja tão fácil cancelar.

Pouca gente fora do ambiente diplomático sabe, mas, em maio de 2013, os postos do Itamaraty no exterior receberam uma circular secreta que instruía os embaixadores a tornarem sigilosos, por pelo menos cinco anos, todos os expedientes e documentos relacionados com visitas da presidente realizadas a partir de 1º de janeiro de 2011.

Arte de SON SALVADOR


É um escárnio ao contribuinte que essa circular tenha existido e, mais ainda, que continue em vigor. As razões de segurança alegadas para sua existência não se sustentam. Ocultar os custos das viagens presidenciais nada tem a ver com a proteção da presidente —ainda mais falando-se de viagens já realizadas.

A menos que estejamos falando de outro tipo de proteção...

A presidente Dilma Rousseff pode cancelar todas as viagens internacionais que quiser, mas o povo do Brasil tem, pelo menos, o direito de saber quanto isso lhe está custando.


LINK

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Uma águia que parece ser petista

A ÁGUIA DO PT!


Tem olho grande,
é agressiva,
sedenta,
desdenha os demais e
não mede as consequências...


... por isso se arrebenta toda!



E a Black Friday continua ...

Por Lauro Jardim.

Não foi só a compra da Alpargatas que uniu nos últimos tempos a Camargo Corrêa e a família Batista, dona da JBS.

Os Batista compraram recentemente das herdeiras de Sebastião Camargo a fazenda Arrossensal, um latifúndio de setenta mil hectares, vinte mil cabeças de gado e plantação de soja no norte do Mato Grosso.

Arte de LUSCAR

Uma curiosidade sobre André Esteves, preso na quarta-feira passada: o banqueiro produz vinhos na Itália e em Portugal. Uma de suas vinícolas, a Argiano, fica na Toscana. Foi comprada em 2013. A outra localiza-se no Douro e foi comprada no ano passado. Tem o nome de Quinta da Romanera.

Duas semanas atrás, sem alarde, Ricardo Teixeira pousou em Brasília para uma reunião no próprio hangar do aeroporto JK. Encontrou-se com Delcídio Amaral para entender como andava a tramitação do processo de repatriação de divisas no Senado.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Playboy, Anos 60

Teddy Smith

Solda

Não há democracia sem advogado, mas ....

Por Ancelmo Góis

Não há democracia sem advogado. Mas na Lava-Jato, acho, teve uma minoria exorbitando, e não só este Edson Ribeiro, já punido pela OAB, preso tramando um crime. É um mistério a advogada Beatriz Catta Preta, que negociou as primeiras delações, sair de cena e ir morar nos EUA. Além disso, tem advogado da Lava-Jato tomando lugar de lobista.

Arte de OLIVEIRA



Cunha tinha razão
Em fevereiro, dias antes da divulgação da “Lista de Janot”, com os nomes dos parlamentares citados na Lava-Jato, Delcídio Amaral tomou uma medida profilática.

Visitou ministros contando por que o seu nome seria citado na lista e por que isso era uma injustiça. Dias depois, surpresa, a lista foi divulgada sem o nome do senador.

Ao não ver o nome de Delcídio, um dos ministros, que havia sido procurado antes pelo senador, perguntou a ele o que ocorrera:

— Ah, viram que era um absurdo jogar meu nome na lama.

Na época em que saiu a “Lista de Janot”, o deputado Eduardo Cunha, que do assunto entende, divulgou na internet um texto atacando o procurador-geral da República:

— Janot escolheu a quem investigar.

E citou, para justificar sua tese, a ausência na lista de Delcídio Amaral.

Link

Crise é oportunidade

Arte de ADÃO ITURRUSGARAI

O PT contaminado

por Ruth de Aquino
Época

O PT contaminado
Foi o maior rompimento de barragem de lama na Nova República. As palavras turvas que jorraram da boca do líder do governo Dilma no Senado inundaram o Congresso e o país, mas, especialmente, o PT e suas bases, soterrando esperanças e convicções. O partido está mais dividido que nunca. Quantos anos serão necessários para recuperar a bacia das almas desse acidente ou crime? Onde a lama vai parar? Boias de contenção me parecem em vão.

Arte de ELVIS


Os bons petistas, idealistas, não sabem mais em quem acreditar. Eles se contorcem para ficar à margem, para não ser atingidos e contaminados pelos rejeitos tóxicos da bandidagem institucionalizada. O protagonista desse último filme B pertence à “cúpula da turma do Lula”. Lula foi cabo eleitoral de Delcídio do “Amoral”, ops, Amaral. Lula saiu em carro aberto em Mato Grosso do Sul, pediu o voto dos companheiros para o governador, suou a camisa. 

Mais um traidor, ex-presidente? Ou, como o senhor disse, “um idiota” que fez “uma trapalhada”, uma “coisa de imbecil”? Será que, como os já condenados – o ideólogo Zé Dirceu e o tesoureiro João Vaccari Neto –, Delcídio figurará como guerreiro do PT na história revisitada do partido? Ou será sumariamente expulso, como querem os camaradas linha-dura? A expulsão de Delcídio impedirá que a lama tinja de laranja o lago do Palácio do Planalto?

Arte de MYRRIA



Um guerreiro, quase um terrorista suicida, que não hesitou em tentar calar a todo custo, pelo suborno e pelo tráfico de influência, um delator preso. Com o nobre objetivo de livrar sua cara, a cara do partido e a cara da presidente na compra da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos em 2006, Delcídio planejou fugas mirabolantes do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró pelo Paraguai com destino à Espanha. Delcídio se gabou de pressionar juízes do STF. Delcídio prometeu melar a Lava Jato, anular sentenças.

Ah, mas, segundo o PT, Delcídio “agia por conta própria” e não “a mando do partido”, embora fosse o principal articulador de Dilma na mais alta casa de nosso Parlamento. Delcídio não merece compaixão nem solidariedade – ou merece? Nem o PT se decide. 

Arte de SID


Na sessão no Senado, a maioria dos senadores do PT quis a volta do obscurantismo e apoiou o voto secreto para que eleitores não soubessem sua posição sobre a prisão de Delcídio. A única bancada que fechou questão a favor do voto secreto foi a do PT. E, mesmo assim, não conseguiu a fidelidade de todos os seus. 

Também entre os poucos que votaram a favor de soltar Delcídio, o PT foi maioria: nove dos 13. Tudo acompanhado ao vivo pelas redes sociais e pela TV Senado. Era um velório, no qual foi enfim desafiada a expressão dúbia “imunidade parlamentar” – usada no Brasil para garantir impunidade para crimes comuns, e não para proteger o direito constitucional do legislador. 



Ganhou a compostura. Ganharam as instituições. Mas, para os senadores, foi “um dia trágico”. De nervos expostos, de vísceras reviradas. E de clara divisão no PT e no PMDB. O presidente do Senado, Renan Calheiros, o grande aliado de Dilma e representante do vice Michel Temer, perdeu em tudo o que votou. Falou indignado contra “o Poder (Judiciário) que prendeu um senador em exercício de mandato sem culpa formada”. O Supremo respondeu, pela emocionada ministra Cármen Lúcia: “Criminosos não passarão sobre juízes”.

No fim, restou a Renan submeter-se ao plenário e atacar o PT por negar qualquer solidariedade a Delcídio. “A nota do PT sobre esse episódio, além de intempestiva, é oportunista e covarde”, disse Renan. Para onde foi o código de ética entre mafiosos? O senador Delcídio está preso. Por crime inafiançável, flagrante e permanente. Não era um dos “nossos”?

Arte de OLIVEIRA


Para variar, Dilma não sabe o que faz. Uma hora, a presidente se rende à ala de Rui Falcão e apoia a nota. Outra hora, Dilma se rende a assessores que recomendam cautela. Não vamos abandonar nem isolar nosso querido Delcídio. E se ele também se torna delator premiado? Que “solidariedade” ele mostrará ao PT se for jogado às traças? Nenhuma.

Calou fundo no coração de muitos petistas o que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, disse na véspera do rompimento da barragem de Delcídio. Uma fala cândida e premonitória.


“Quando você tem um sonho de transformar a sociedade em favor da igualdade e você se desvia para se apropriar de recursos ou para beneficiar quem quer que seja, você está cometendo dois crimes: o primeiro é colocar a mão em recurso público, o segundo, você está matando um projeto político (...) Não tenho nada contra quem quer ganhar dinheiro, mas não venha para a política (...Se vier,) garanta que você não vai matar o sonho das outras pessoas.” 

O sonho de Haddad virou pesadelo. O prefeito de São Paulo não está sozinho. Tem uma multidão com ele.

Ninguém sabe, ninguém viu

Por Carlos Brickman

Acredite: mexeram-se!
Nesta sexta, dia 27, três semanas após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, o Governo Federal deu um sinal de vida: a presidente Dilma Rousseff convocou os governadores de Minas, Fernando Pimentel, do PT, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, do PMDB, para uma reunião. 

Objetivo: saber como está a região após o desastre ecológico e econômico. 

Mas, caro leitor, tenha calma: não se precipite. Não é, obviamente, para tomar alguma providência em favor dos atingidos. É para montar a apresentação que a presidente fará em Paris durante a reunião da cúpula da comissão internacional de mudanças climáticas. A população nacional que se vire. O importante é fingir bem para os gringos.

Arte de NEWTON SILVA


Ninguém sabe, ninguém viu
Delcídio Amaral sempre ganhou bem: engenheiro eletricista, trabalhou para a Shell na Europa por dois anos, foi diretor da Eletrosul, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, ministro de Minas e Energia, diretor de Gás e Energia da Petrobras, secretário da Infraestrutura do Governo de Mato Grosso; é senador desde 2002. 

Sempre ganhou bem, mas sempre viveu de salário. Por mais que ganhasse, não seria suficiente para ter a casa que tem em Campo Grande - lá, no aniversário de 15 anos de sua filha, couberam 700 convidados, atendidos por seis chefs de cuisine, com divisões para comidas típicas de diversos países (http://wp.me/pO798-96r). 

Ninguém notou - nem políticos, nem jornalistas?

Link

domingo, 29 de novembro de 2015

Porta Aberta ao Juízo - LXI





Se me fossem dados poderes sobrenaturais, 
ao invés de curar leprosos, 
eliminaria a lepra.

[Gilberto Quadros]
{extraído do livro Porta Aberta ao Juízo}

A deslegitimação de um sistema político

Por Elio Gaspari
FOLHA SP


A deslegitimação de um sistema político
Estava tudo planejado. Nestor Cerveró conseguiria um habeas corpus, atravessaria a fronteira com o Paraguai, tomaria um jatinho Falcon e desceria na Espanha. Deu errado porque Bernardo, o filho do ex-diretor da Petrobras, gravou a trama do senador Delcídio do Amaral e a narrativa de sua conversa com o banqueiro André Esteves. Depois do estouro, estava tudo combinado. 

Em votação secreta, o plenário do Senado mandaria a Justiça soltar Delcídio, ou talvez o transferisse para prisão domiciliar num apartamento funcional de Brasília. Deu errado porque a conta política ficou cara e sobretudo porque o ministro Luiz Fachin ordenou que a votação fosse aberta.



A Operação Lava Jato, com seus desdobramentos, está chegando ao cenário descrito há 11 anos pelo juiz Sergio Moro num artigo sobre a "Operação Mãos Limpas" italiana. Ela deslegitimou um sistema político corrupto.

É isso que está acontecendo no Brasil. Na Itália, depois da "Mãos Limpas", o partido Socialista e o da Democracia Cristã simplesmente desapareceram. Em Pindorama parece difícil que a coisa chegue a esse ponto, mas o Partido dos Trabalhadores associou sua imagem a roubalheiras. Já o PMDB está amarrado ao deputado Eduardo Cunha, com suas tenebrosas transações. O PSDB denuncia os malfeitos dos outros, mas os processos das maracutaias ocorridas sob suas asas estão parados há uma década.

Arte de AROEIRA


A Lava Jato criou o primeiro embate do Estado brasileiro com a oligarquia política, financeira e econômica que controla o país. Essa oligarquia onipotente vive à custa de "acordões" e acreditava que gatos gordos não iam para a cadeia. Foram, mas Marcelo Odebrecht não iria. Foi, mas os políticos seriam poupados e a coisa nunca chegaria aos bancos. Numa mesma manhã foram encarcerados o líder do governo no Senado e o dono do oitavo maior banco do país. Desde o início da Lava Jato a oligarquia planeja, combina e quando dá tudo errado ela diz que a vaca vai para o brejo. Talvez isso aconteça porque ela gosta do brejo, onde poderá comer melhor.

Arte de CAU GOMEZ


Eduardo Cunha ainda acredita que terminará seu mandato. Sua agenda de fim do mundo desandou. A doutora Dilma Rousseff continua achando que não se deve confiar em "delator". Lula diz que Delcídio fez uma "grande burrada", mas não explica qual foi a "burrada".

Nunca é demais repetir. O artigo do juiz Moro está na rede. Chama-se "Considerações sobre a Operação Mani Pulite". Lendo-o, vê-se o que está acontecendo e o que poderá acontecer.

Link

Toquinho & MPB-4 - 40 anos de música



1H 10 min 10 seg


Novo sítio no caminho de Lulla

Por Joice Hasselmann

O escondido sítio de luxo de Bumlai agora na mira da PF

A Polícia Federal vai investigar agora um importante e luxuoso endereço que já hospedou petistas de alto coturno, inclusive o amigão Lula. Lá foram oferecidos muitos jantares e costuradas diversas negociatas. 

Arte de IOTTI


Trata-se do sítio de Bumlai, o agropecuarista/lobista, que tinha "passe livre" no gabinete do ex-presidente e que agora está preso por boa obra da Lava Jato. A PF até agora não sabia da existência do imóvel e foi avisada por bons informantes. 

Fica a dica: casa de luxo, estrada de terra, sem placa na porteira, imóvel localizado atrás do aeroporto de Campo Grande. É só chegar lá.

Fotografias raras da Guerra do Paraguai

Curiosidades em Guerra

XLVI - A Guerra do Paraguai
-  fotografias raras -

Oficial brasileiro passando em revista as tropas


145 anos atrás terminava o mais sangrento conflito armado da história da América Latina, a Guerra do Paraguai mobilizou centenas de milhares de brasileiros, paraguaios, argentinos e uruguaios. Este episódio, ainda pouquíssimo detalhado nos livros de História, decorreu numa drástica mudança no cenário econômico da chamada Região Platina. 

Uma sequência de desentendimentos diplomáticos desencadeou na mobilização conjunta de Brasil, Argentina e Uruguai contra as forças paraguaias. Sob o comando do intitulado Ditador Perpétuo, Solano López, a então muitíssimo próspera República do Paraguai lutou até o último suspiro, no que resultou no massacre de quase toda população economicamente ativa do país. 

Dom Pedro II em trajes de campanha

Francisco Solano Lopez,
 ditador paraguaio


A Guerra do Paraguai (1864-1870) teve consequências sérias para os dois lados combatentes, e entre os milhares de mortos, o mais radical resultado foi a conversão do Paraguai de uma pioneira república autossuficiente em uma nação dependente de seus vizinhos. Entre outros efeitos, também podemos destacar o fortalecimento do exército brasileiro e do pensamento abolicionista, dois pontos que influenciaram no processo que iria desencadear na Proclamação da República do Brasil em 1889. 

General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior
 durante a Guerra do Paraguai 
Artilharia uruguaia na Batalha do Boqueirão, 
e ao fundo tropas da tríplice aliança indo para o combate,1866.


A bandeira do Brasil Imperial tremula na cidade paraguaia de Humaitá, 
ao fundo podemos ver mastros de navios de guerra
ancorados no Rio Paraguai,1868.
Oficiais brasileiros posando para fotografias (1865; 1868).


Oficiais brasileiros nos momentos finais da Guerra do Paraguai,
 entre eles está o Conde d´Eu (com a mão na cintura), 
1870.

Prisioneiros paraguaios


As fotos acima são do acervo da Biblioteca Nacional do Brasil.