quarta-feira, 10 de julho de 2013

O plebiscito, por Arnaldo Jabor


Por Arnaldo Jabor
Publicado no Estadão desta terça-feira mas transcrito do site de Augusto Nunes
O plebiscito
Pai, o que é plebiscito? ─ assim perguntava o menino, no conto de Artur Azevedo, em 1890. O mesmo aconteceu comigo.
Estava na sala e de repente meu filho levanta a cabeça e pergunta:
─ Pai, o que é plebiscito?
Eu fechei os olhos imediatamente para fingir que dormia. O menino insiste:
─ Papai? O que é?
Não tenho remédio senão abrir os olhos.
─ Ora essa, rapaz, tens treze anos e não sabes ainda o que é plebiscito?
─ Se soubesse, não perguntava.
─ Plebiscito, meu filho, é quando o governo pergunta ao povo o que ele acha de determinado assunto importante para o país. Voltou à tona depois que houve as manifestações de rua, com mais de um milhão de pessoas protestando contra o caos brasileiro.
─ Que pergunta é importante para o Brasil?
─ São muitas perguntas meu filho… quer exemplos? Muito bem… vamos a isso:
─ Você é contra ou a favor de 15 bilhões para estádios de futebol, dinheiro que dava para fazer 50 hospitais ou 75 quilômetros de metrô em São Paulo? Você é a favor da reforma politica? Você sabe o que é voto distrital comum ou misto? É contra ou a favor? Aliás, você sabe o que é isso, filho?
─ Se você explicar…
─ Também não sei, filho… mas, vamos lá… Você é contra ou a favor de haver 28 mil cargos de confiança no governo, se a Inglaterra tem apenas 800 e os Estados Unidos, 2 mil? O Brasil tem mais de 5.700 municípios, com prefeitos, vice prefeitos, 513 deputados federais, 39 ministérios. Não dava para cortar tudo pela metade? E o PAC? Que fez o PAC até hoje? Com a corrupção deslavada, o PAC acabou fazendo pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, tudo proclamado como plano de aceleração do crescimento.
Os melhores economistas do mundo dizem que temos de abandonar a politica econômica de estimular demanda e atentar para o crescimento da oferta, pela redução de gastos do Estado, que se apropria de 36% da renda nacional mas investe menos de 3% e consome grande parte dos recursos para sua própria operação. Você entendeu o que falei? Um dia, entenderá.
Você é contra ou a favor de investigar por que a Petrobrás comprou uma refinaria no Texas por US$ 1 bilhão, se ela vale apenas US$ 100 milhões? Você é contra ou a favor da ferrovia Norte-Sul que está sendo construída há 27 anos, com mil roubalheiras e ainda quer mais 100 milhões para cobrir o que a Valec desviou quando o Juquinha, afilhado do eterno Sarney, era o chefão?
─ Quem é Sarney?
─ É o comandante do atraso.
─ Ah, legal…
─ Você é contra ou a favor da CPI que fez o Cachoeira sumir do mapa para não criar problemas para o Executivo e suas empreiteiras? Você lembra das operações da Policia Federal, com lindos nomes? Cavalo de Troia, Caixa de Pandora (do Arruda), Anaconda, das mil ambulâncias dos sanguessugas? E tantas outras. Quantos estão presos hoje? Você é contra ou a favor de reforma do Código de Processo Penal? Aliás, por que o PT quer tanto o plebiscito? Ele lucra com isso? Sim ou não?
O Lula sumiu de cena mas já declarou que as manifestações são ” coisa da direita “. E o PT? É peronista de direita ou de esquerda? Com a volta da inflação, você é contra ou a favor da correção monetária para o Bolsa Família? Você não acha que é fundamental a privatização (ohhh, desculpe, “concessão”) de ferrovias, aeroportos e rodovias?
Por que uma das maiores secas de nossa história não é analisada pelo governo? Para não criticar os donos da indústria da seca, por motivos eleitorais? Alias, o que aconteceu com o Rio São Francisco, que disseram que iam canalizar? Parou? Sim ou não?
Sem dúvida, Sergio Cabral foi quem mais se queimou nisso tudo. Mas, pergunto, que será do estado do Rio de Janeiro com o Lindnberg Farias, ex-prefeito de Nova Iguaçu, com o sigilo quebrado pelo STF, governando o estado até 2018? Será que o Pão de Açúcar fica em pé?
Você acha legal ou não a importação de médicos cubanos para o país?
Você é contra ou a favor do “trem-bala” que custará (na avaliação inicial) cerca de 30 bilhões de reais, que davam para renovar toda a malha ferroviária comum? Aliás, nessa velocidade, qual a altura que ele vai voar, quando os traficantes do Rio puserem pedras nos trilhos?
Você acha que os “mensaleiros” ficaram contentes com o fim da PEC 37 que o Congresso, apavorado, rejeitou?
Você acha normal que o Brasil cobre R$ 36 de impostos sobre cada R$ 100 produzidos? Você não acha o Palocci muito melhor que o Mantega? Por que não chamam o Palocci? Quem é? É o melhor cara do PT, que impediu a destruição do Plano Real durante os quatro anos do primeiro mandato do Lula.
Você entende, meu filho, o governo do Brasil tenta com sua ideia de mudança constitucional transformar problemas administrativos em problemas institucionais. Você não acha que querem disfarçar sua incompetência administrativa? Afinal, quem governou o país nos últimos dez anos? Agora, parece que descobriram que o país precisa de reformas, que o PT não fez nem deixou fazer por 10 anos. Agora, gritam todos: reforma! Por isso, pergunto: será que os intelectuais não veem que a democracia conquistada há 20 anos está sendo roída pelos ratos da velha política? Você acha que a Dilma está com ódio do Lula, por ter finalmente descoberto o tamanho da herança maldita que deixou para ela? Mas Lula não liga. “Ela que se vire…” ─ ele pensa, em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 2014. Você acha, meu filho, que o Lula vai ser candidato de novo? E será eleito como “pai do povo” , para salvar o país que ele destruiu?
E que você acha de todas essas perguntas, filho? Qual a sua opinião?
─ Pai, o povo já respondeu a todas essas perguntas. Então, para que perguntar de novo?
─ É técnica de marketing, meu filho. Ideia do Lula, para dar a impressão de que o governo não sabia de nada. Como ele nunca soube.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

As ELEIÇÕES vêm aí!

Caros Pilordianos,

Nessa quinzena de belas manifestações por um Brasil melhor temos que ter sempre em mente o que de realmente importante acontecerá em 2014, as ELEIÇÕES.

Imagem retirada do facebook
 de Arlindo Von Flach


Se hoje reinvidicamos:

  • Educação de melhor nível;
  • melhora na qualidade da Saúde Pública;
  • mais segurança; 
  • a não aprovação da PEC 37;
  • ZERO de corrupção;
  • ZERO de impunidade;
  • Justiça que honre essa expressão;
  • NÃO aos cargos públicos;
  • SIM ao servidor público CONCURSADO em TODOS os níveis;
  • VOTO DISTRITAL;
  • redução na maioridade penal, etc..


Isto tudo quer dizer que pleiteamos uma MELHOR GESTÃO DE GOVERNO mas para isso precisamos de um REFORMA POLÍTICA que contemple nossos anseios mas nós, eleitores, precisamos eleger um CONGRESSO DIGNO para tal missão.

A partir de agora, o Pilórdia disponibiliza um novo link na seção LINKS DE APOIO, ao lado: Ranking POLÍTICOS.

O objetivo é de fornecer um instrumento para ajudá-lo nessa escolha. Use à vontade.


                                                        Veja o Vídeo 






terça-feira, 18 de junho de 2013

A crise em tempo de revolta,

Por Samuel Celestino, em seu BAHIA NOTICIAS

A crise em tempo de revolta
A quem interessa realizar manifestações, enfrentar as bombas,  balas de borracha da Polícia Militar e outras formas de repressão ao custo de 20 centavos? E nas demais capitais por motivos semelhantes, sempre envolvendo a mobilidade urbana? Em Salvador, que deve ter uma semana convulsa, a exemplo das outras capitais, especialmente São Paulo, a palavra de ordem escolhida foi em defesa do “passe livre”. Não é isso o que acontece. O que de fato existe no País é o início de uma revolta cujos motivos são mais amplos.
 
Zé dassilva
 
         
Englobam os desencontros do governo; os desacertos; a inflação; os políticos de maneira geral; o judiciário que não pune; os processos que se arrastam; os corruptos dotados de asas para plainar livres como as aves de rapina, tal como acontece com os mensaleiros, com Rosemary e companhia. Enfim, uma imensa relação de fatos que envolvem a corrupção de maneira geral; a violência instalada nas cidades Brasil afora, que aprisiona os cidadãos e banaliza a morte. Um País que deveria estar em processo de crescimento empaca em PIBs insignificantes e ouve diariamente explicações de autoridades que não as cumprem, porque elas não têm certeza do que dizem. O governo Dilma está tonto.
 
Sponholz
 
       
Há uma visível crise de autoridade no Brasil. Temos uma democracia torta, sem representatividade porque, em verdade, os partidos que aí estão, a começar pelo PT seguindo-se PMDB, PSDB, PDT, DEM, os miúdos ou nanicos, que não representam nada, absolutamente nada. O sistema não se movimenta em razão de uma burocracia entranhada em cada repartição ou órgão público do País, que atravancam o funcionamento do inepto serviço público. Não sem razão os políticos perderam o respeito, transformaram-se em agrupamentos organizados no Congresso em defesa dos seus interesses pessoais, assim como nas casas legislativas de maneira geral.
 
Quinho
 
       
Esta revolta que está nas ruas é tudo isso e mais alguma coisa. É a ausência de hospitais em número suficiente para atender a população; de escolas com nível de ensino abaixo do que se pode esperar. De resto uma sucessão de erros e equívocos. Nada do que estou a dizer é novidade. Repito o que se tem conhecimento por ser do meu dever fazê-lo, para que não haja esquecimento do conjunto de um País com governantes incompetentes, ministros indicados pelos partidos em troca de apoios no Congresso. Ao todo, são 39 ministérios para um País de mentira, número que inexiste em países civilizados, ou próximo a isso.
       
Quando, acima, citei que o governo está tonto é porque, após um período de crescimento quando o mundo enfrentava uma forte crise surgida nos Estados Unidos, em 2008, o Brasil apostou na “marolinha”. Depois de ensaiar um crescimento que animou os brasileiros e ganhou força no exterior, entendendo, erradamente, que, afinal, o gigante havia despertado, aconteceu a ressaca. O dólar, que chegava farto (e até prejudicava, tal a quantidade, o valor do real) em fuga da crise americana; refluiu, voltou à casa paterna, quando os EUA deram a volta por cima e voltaram a crescer. Por que permanecer num País, muitas vezes incompreensível para os investidores externos, se a maior potência econômica do planeta reencontrou os seus caminhos? O dólar vai puxar o real? Vai continuar derramando para países em crescimento quando a economia americana oferece sustentação?
 
   

Sponholz
 
         
Aqui, aos primeiros sinais da crise, o governo da República mudava orientações a cada momento: insuflava o consumo (que teria que ser por curto período) de sorte a não permitir a letargia da indústria e dos serviços. Como a poupança interna é parca, tal política começou a dar sinais de que teria que mudar. Isso deveria ter sido feito no ano passado, controlando ainda a inflação. Para que houvesse mais consumo, o governo realiza uma política de desoneração, quando o certo seria uma reforma econômica e tributária.
       
Agora está difícil. Nenhum governo tenta mudanças de impacto quando se vislumbra a aproximação de eleições. As eleições são a pauta do momento. Lá atrás, quando o Brasil dava os sinais do despertar, quiseram mostrar ao mundo o novo país, com Copa do Mundo e Olimpíadas em 2016. Passaram a construir estádios a preços exorbitantes e com preços de bilhetes somente accessíveis à classe A ou a média alta. Os trabalhadores ficaram de fora, vendo telões. Construíram um estádio no Planalto Central, em Brasília, onde não há clube de futebol. Blater, o senhor da FIFA, manda neste período nas principais capitais, tanto quanto Dilma, daí os dois terem sido vaiados. Quando assim começa, não se sabe como termina. É para não esquecer.
 

Duke

 
       
Aí está o resultado. O mundo mostra em fotografias e em imagens na televisão, não são as dos jogos  da Copa das Confederações, e sim a violência à frente dos estádios, contra os gastos excessivos, e nas ruas das capitais, tendo São Paulo como exemplo, ao custo de 20 centavos. É isso?
 
Charges obtidas no http://www.chargeonline.com.br/

terça-feira, 11 de junho de 2013

Vixe, a membrana lascou - por André Carvalho


Por André Carvalho (*)
em 10 de junho de 2013
 
 
 
 
VIXE, A MEMBRANA LASCOU.
Com propriedade, apurado senso de humor e respeito às peculiaridades do vocabulário soteropolitano, o jornal Correio* estampou, em sua manchete principal – edição nº 11.178, salvo engano - um irresistívelVixe, lascou! a propósito do desabamento da cobertura da Fonte Nova.
 
Recém-inaugurada com um pontapé da presidente Dilma, sob aplausos da claque política, a Arena Itaipava Fonte Nova, ex-Estádio Otávio Mangabeira, não resistiu às águas de maio e desabou à semelhança do seu maior usuário, o Esporte Clube Bahia.
 
Burocratas do consórcio que administra a vantajosa PPP - Parceria Público Privada – atribuíram o acidente a uma (sic) falha humana específica, sem, contudo, apontar o responsável. Para eles, uma lona dobrada e lá esquecida, juntamente com as chuvas que caíram sobre a cidade, causou o desabamento do que chamam, bestamente, de membrana. Trataram a questão de maneira superficial esquecendo que o acontecido poderia causar uma tragédia
 
Para o Consórcio Fonte Nova Negócios e Participações a membrana cedeu. Mais honesto seria admitir que a cobertura do estádio desabou, desmoronou, caiu, ruiu. Ceder (segundo o Aurélio) implica em anuir, condescender, transferir direitos, assentir em alguma coisa, o que uma membrana, por mais leve, transparente e avançada que seja, é incapaz de fazer.
 
Se o desastre ocorresse em dia de Ba x Vi ou em um dos jogos da Copa das Confederações, o país estaria enlutado como esteve por ocasião do incêndio da boate kiss no Rio Grande do Sul. Estaríamos, nós baianos, computando uma terceira tragédia no local.
 
A primeira delas, em 1971, ocorreu quando da inauguração do anel superior da arquibancada do estádio, ocasião em que mais de dois mil torcedores ficaram feridos em virtude do pânico causado pela explosão de um refletor. Outros morreram sem que o verdadeiro número de óbitos fosse divulgado. Eu estava lá e tenho aterradoras imagens registradas na memória.
 
Recentemente, em 25 de novembro de 2007, o desmoronamento de parte da arquibancada matou sete torcedores. Desta vez, já não estava por lá, até porque a tragédia era anunciada, na medida em que o espaço havia sido interditado e, sem qualquer manutenção, liberado popularescamente pelo governo que assumiu o Estado naquele ano. Até hoje, os verdadeiros culpados por tamanha irresponsabilidade estão aí, lépidos e fagueiros, desfilando suas valiosas imunidades.
 
Cresci ouvindo que é melhor prevenir do que remediar. Mesmo sem qualquer tendência para conselheiro sugiro à torcida tricolor, à torcida rubro-negra e aos possuidores de ingressos para jogos da Copa das Confederações que escutem o saudoso Dorival Caymmi.
 
“Se fizer bom tempo amanhã,
Se fizer bom tempo amanhã, eu vou,
Mas se por exemplo chover,
Mas se por exemplo chover,
Não vou...
Diga a Maricotinha
Que eu mandei dizer que não tô,
Não vou, nem tô”...
 
No recado a Maricotinha, Caymmi estabeleceu uma condição meteorológica singular como determinante da sua presença. Quem vive por aqui sabe que nesta época do ano as chuvas são torrenciais e constantes e nada mais sensato do que respeitar os fatos, as evidências e os fenômenos naturais.
 
Aos que não seguirem Caymmi outro conselho: levem capas, guarda chuvas e galochas, pois que as goteiras e os alagamentos são muitos.
 
(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.

Dito por aí...


"O PT é o partido
dos trabalhadores que não trabalham,
dos estudantes que não estudam
e dos intelectuais que não pensam".

(frase atribuída a Roberto Campos)

charge de Son Salvador



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Quando tanto faz ser 01FEV ou 04FEV, dá no mesmo.

Por Carlos Chagas -
em 01FEV.2013 - transcrito do site de Cláudio Humberto

Uma página em branco e um grito mudo
Raras vezes uma Sessão Legislativa começa como a de hoje: desimportante, dispensável e deplorável pela falta de conteúdo. Salvo inusitado, o ano legislativo de 2013 destina-se a passar em branco. Menos pelas contestações da mídia aos candidatos a novos presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros, mais pela falta de interesse da opinião pública pelas atividades parlamentares.

charge de Son Salvador


 Também, trabalho não haverá. Inexistem programas de ação para o ano em curso. Nem projetos de importância nem expectativa de votação de leis capazes de alterar a vida do cidadão comum. Numa palavra, pasmaceira, sob o risco de as mesmas práticas fisiológicas continuarem acontecendo.

Dizia o saudoso dr. Ulysses, com humor cáustico, que “pior do que o atual Congresso, só o próximo”. Vale a previsão também para as Sessões Legislativas de cada ano em sequência, caracterizando uma Legislatura que, tudo indica, só será melhor do que aquela a se iniciar em 2015.

charge de Aroeira

Parte do ônus desse vazio deve-se aos partidos. Deles nada se espera, deles nada sairá, confirmando a observação do Barão de Itararé. O PT preocupa-se em não ser atingido mais do que já foi pelo barro jogado no ventilador por seus mensaleiros. Não há sugestões a fazer ao governo Dilma, sequer roteiros para enfrentar questões políticas, econômicas ou administrativas. Nenhuma proposta para ampliar direitos do trabalhador ou tirar a reforma agrária do marasmo.

O PMDB preocupa-se em ocupar espaços no governo, sem outros cuidados senão agradar a presidente Dilma e demonstrar subserviência às suas diretrizes. Nenhum projeto de amplitude nacional, como seria a reforma política ou a recuperação da economia posta em perigoso retrocesso e invulgar sossego.

charge de Edcarlos

Transformado em terceira bancada na Câmara, o novo PSD do ex-prefeito Kassab interessa-se em levar antigos oposicionistas para debaixo do guarda-chuva do palácio do Planalto, sem programa nem estatuto digno de registro.

As demais legendas de apoio ao governo empenham-se apenas em sobreviver. Nem PSB, nem PTB, nem PR, nem PDT, muito menos o PC do B animam-se a apresentar simples palpites para aprimorar as instituições, a legislação ou as agruras sociais à vista de todos. Formam clubinhos envolvidos nos próprios interesses.

charge de Duke


Quanto às oposições, o gato comeu. Que alternativas propõem o PSDB, o DEM e o que restou do antigo Partido Comunista Brasileiro? Nem ao menos parecem organizados para contestar a situação, desesperançados com antecedência da hipótese de substituí-la nas próximas eleições gerais.

Sendo assim, tanto faz como tanto fez se o Legislativo volta a funcionar hoje. Uma página em branco, e um grito mudo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cachorro baiano

Enviado pelo paulista de nascimento baiano de adoção, Marcos Maialli.


Aqui na Boa Terra até os cachorros curtem a vida!

A Semana



Aroeira

Marco Jacobsen


JBraga

Son Salvador

Marco Jacobsen

charge on line

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


Por André Carvalho 
em 28 de janeiro de 2013


MARTELARAM O SUPERÁVIT
De quando em quando volta às manchetes a questão do sigilo que cerca o uso dos cartões corporativos por membros do governo federal. Reportagem de conceituado jornal paulista dava conta, dias atrás, que mais de 46% dos gastos efetuados através dos quase treze mil cartões em uso receberam a classificação de sigilosos, pelo caráter estratégico das despesas. Gastaram, sigilosamente, em 2012, vinte e um milhões de reais. Quando questionado sobre a natureza dos gastos o governo apela para a segurança nacional e encerra a conversa.

Para alguns cidadãos, pagadores de exorbitantes impostos, o sigilo nos gastos públicos é inconcebível. Entretanto, não existe dúvida de que o princípio da confidencialidade deve ser mantido de forma a não chocar, ainda mais, a sociedade brasileira, principalmente após sabermos dos entremeios da persuasiva secretária Rosemary Noronha.

O sigilo, qualquer deles, abre profundas brechas às especulações, estas sim, por demais críticas à segurança nacional. Meio mundo imagina coisas e mais coisas que a “cumpanheirada” compra com o milagroso e inesgotável dinheiro de plástico, circunstância que acaba levando aos exageros, o que não é o meu caso, mesmo tendo quase certeza de que compraram um martelo, enorme e pesado, produzido na China. Creio que a ferramenta foi adquirida para finalizar um servicinho.

Reminiscências me levam aos infrutíferos anos em que estudei Ciências Contábeis, quando, nas aulas de contabilidade e análise de balanço, era comum ouvirmos a expressão “a martelo” para definir um demonstrativo inconsistente ou manipulado. No jargão contábil dizia-se um balanço “fechado a martelo”.

Todos sabem, até mesmo a revista inglesa The Economist, que o governo federal usou de artifícios contábeis para fechar as contas públicas de 2012. Os Ingleses, elegantes como sempre, referem-se à manobra pouco convencional como “contabilidade criativa” enquanto o ex-ministro Delfim Neto, consultor informal dos governos petistas, a classifica como uma irritante e imaginosa operação para fingir o cumprimento do superávit primário.

Sou mais direto! Na verdade, curto e grosso: juntando alhos com bugalhos deduzo que o governo de Dona Dilma fechou o balanço de 2012 “a martelo”, tal e qual uma bodega da esquina ou uma empresa fraudulenta. Uma martelada que deveria passar despercebida, assim como os gastos com os tais cartões. Mas, não foi o caso!

Deve haver ministros e burocratas do escalão abaixo com calos nos dedos, tantas foram as marteladas que deram. Outros podem estar com assaduras nas mãos tantas foram as chineladas que levaram. Dizem, não sei se é verdade, que um ex-presidente de companhia estatal chorava a cada chibatada recebida. Não sem razão, apiedam-se os amigos, e não sem razão, escracham seus inimigos.

A situação é trágica e o esquema cômico. Transformamo-nos em um país sui generis onde os números e a ciência econômica pouco valem diante do poder central. Tão ruim quanto o uso do martelo é ter a inflação controlada por telefone. Funciona assim: a Presidente Dilma liga para o Prefeito de São Paulo e manda (o poste maior manda no poste menor) não aumentar a tarifa dos ônibus. Depois liga para a Presidente da Petrobras e manda segurar o aumento no preço dos combustíveis. O Ministro da Fazenda liga para o Governador de São Paulo e pede, com o rabinho entre as pernas, para que não aumente a tarifa do metrô. Um outro figurão do Palácio telefona para o alcaide da cidade do Rio de Janeiro e sugere a manutenção do preço da passagem do transporte coletivo. O governador de Pernambuco, coitado, não aguenta mais ligações em busca de apoios e “refrescos”.

Voltamos, pelo visto, ao controle de preços da época do presidente Sarney e do seu ministro Dílson Funaro. Lembram-se de uma maluquice chamada Plano Cruzado? Pois é...

Liga para um, liga para o outro e eu fico imaginando se ainda vivêssemos à época da Telebrás, a dona da telefonia estatal antes das privatizações de Fhc. Ia faltar linha telefônica e sobrar o risco de repique da inflação, como ocorria lá e então.

Às vésperas do carnaval é bom gritar: segura aí geeeeente...