sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Governo do PT e o Custo Brasil

Por Carlos Alberto Sardenberg
O GLOBO
Charges de THIAGO LUCAS
Custo Lula, custo Dilma
Foi uma obra-prima de política econômica a tal nova matriz. Pelo avesso. Gerou recessão, inflação alta e juros na lua.

Tudo somado e subtraído, a presidente Dilma conseguiu abrir um buraco de R$ 230 bilhões em apenas cinco anos. Seu governo saiu de um superávit de R$ 128 bilhões em 2011 para um déficit efetivo em torno de R$ 100 bilhões neste ano. Gastou todo o saldo e mais quase o dobro. E para quê?

Para driblar a crise internacional e turbinar o crescimento — dizem a presidente e seu ex-ministro Guido Mantega.



Crescimento?

Em 2011, quando se fez o superávit primário de 128 bi, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu razoáveis 3,9%. Nos três anos seguintes, quando supostamente estaria sendo turbinada pelo gasto e crédito públicos, a economia minguou: expansão média de 1,5%, a menor entre os países emergentes mais importantes. E desabou neste ano para uma recessão em torno de 3%, no momento em que se realiza o maior déficit público da história.

Apesar do baixo crescimento, a inflação rodou sempre acima dos 6% ao ano, contra uma meta de 4,5%, e isso com preços importantes, como gasolina e energia elétrica, controlados e mantidos lá em baixo, na marra. Reajustados esses preços, porque estavam quebrando a Petrobras e o setor elétrico, a inflação disparou para os 10% deste ano, um número que reflete melhor a realidade.




Finalmente, a taxa básica de juros, reduzida artificialmente para 7,25% em 2012, também para turbinar o crescimento, serviu apenas para liberar mais inflação. Aí, o Banco Central saiu atrás e puxou os juros para os atuais 14,25% que, embora muito elevados, não conseguem mais conter uma inflação perigosamente indexada.

A gente tem de reconhecer: foi uma obra-prima de política econômica a tal nova matriz. Pelo avesso. Gerou ao mesmo tempo recessão, inflação alta e juros na lua. E o déficit público de R$ 100 bi.




O governo está confessando um rombo de R$ 52 bi. Mas, para isso, conta com uma receita de R$ 11 bi com a venda de concessões de hidrelétricas — um negócio que depende de uma MP ainda a ser votada pelo Congresso, que não está nem um pouco animado. Sem isso, o déficit já passa dos R$ 60 bi — e ainda é preciso somar as pedaladas, os R$ 40 bi que o governo federal deve ao BNDES, Banco do Brasil e à Caixa. Assim, o buraco efetivo passa fácil dos R$ 100 bi.

Claro que a recessão derruba as receitas do governo e ajuda no déficit. Mas houve também muita incompetência.

O governo prometeu vender ativos, de imóveis a pedaços de estatais, e não conseguiu. Disse que faria dinheiro com a privatização de um elenco de rodovias, portos e aeroportos. Não saiu uma sequer até agora. (Sabe como é, tem que preparar a papelada, montar projetos, muita trabalheira...).




O governo contou com dinheiro que depende de aprovação do Congresso (CPMF e repatriação), mas não mostrou a menor capacidade em operar as votações, mesmo tendo distribuído ministérios e cargos em estatais.

É o mesmo tipo de incompetência que derrubou a Petrobras. Quando Lula era presidente da República e Dilma presidente do Conselho de Administração da estatal, a empresa se meteu em projetos megalomaníacos, da exploração de poços do pré-sal, a refinarias, navios, sondas e plataformas de exploração.

O caso das refinarias Abreu e Lima e Comperj já é um exemplo mundial de má gestão, sem contar a corrupção. Menos conhecida é a história das sondas. O governo estimulou a criação de uma empresa, a Sete Brasil, para construir 28 sondas no Brasil. A empresa, com dinheiro da Petrobras, já gastou mais de R$ 28 bilhões e não entregou uma sonda sequer. E pior: sabe-se agora que a Petrobras, dada sua capacidade de produção, não precisava desses equipamentos.



Lula e Dilma empurraram a Petrobras para essa loucura. E para quê?

A produção de óleo da estatal é hoje praticamente a mesma de 2009. Foi de 2,1 milhões de barris/dia para 2,2 milhões. Nisso e nas refinarias, inacabadas e precisando de sócios para concluir a metade das obras, a Petrobras gastou cerca de US$ 260 bi! E gerou uma dívida bruta que chega hoje a US$ 134 bilhões.

Isso é custo Lula mais custo Dilma, consequência de erros de avaliação, má gestão e projetos mal feitos. No balanço do ano passado, a estatal aplicou uma baixa contábil de R$ 31 bilhões nos orçamentos das refinarias Abreu e Lima e Comperj, por “problemas no planejamento dos projetos”. E anunciou o cancelamento das refinarias do Maranhão e Ceará, que não saíram do chão, mas cujos projetos custaram R$ 2,7 bilhões. Eram inviáveis, disse a empresa.



Só isso de explicação?

É, só isso.

A corrupção é avassaladora, mas capaz de perder para a ineficiência.

Dilma, engasgando a si própria e a si mesma

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Aconteceu no...Piauí

Estorinha política



Dois vereadores da Arena de Parnaíba/PI. Um, da Arena de Petrônio Portela, o outro da Arena de Alberto Silva. Inimigos políticos. Um, dentista, pôs os dentes na boca do outro. Na primeira sessão, os dois brigaram :


- V. Exa. é um desonesto.

- Desonesto é você, filho de uma... Devolva meu dente. Pois fui eu que pus.

- Eu paguei, seu sacana.

- E daí que pagou ? Falar mal de mim, até pode. Com meu dente, não.

Partiu pra cima. E arrancou os dentes. Sem anestesia.

F1 - Louis Hamilton vira lutador de telecatch, no México

Lewis Hamilton anda curtindo a vida adoidado. Agora tricampeão da F1, o piloto que faz as vezes de artista participou de um evento às vésperas do GP do México: uma luta de WWE, o pro-wrestling, ou o popular telecatch - a luta que mistura artes cênicas. 

O britânico subiu ao ringue e ‘enfrentou’ um dos lutadores mais populares do país, o gladiador Místico, com a multidão bradando o nome do piloto.


E olha que o inglês não se saiu mal, não...
VEJAM O VÍDEO ABAIXO


Além de ter participado da brincadeira na Arena México, Lewis também bateu bola com o astro do futebol local, Oribe Peralta.

Neste fim de semana, Hamilton pode alcançar outra marca incrível em sua carreira. Caso conquiste a pole-position no Autódromo Hermanos Rodríguez, Hamilton chegará ao icônico número de 50 vezes largando da posição de honra na F1, ficando só atrás de Michael Schumacher, com 68, e Ayrton Senna, com 65.


Será preciso mexer em vacas sagradas do PT ...

Será preciso mexer em vacas sagradas do PT, diz ex-presidente do BNDES
O deficit primário de 0,9% do PIB (Produto Interno Bruto) previsto pelo governo para este ano é esperado dentro do cenário econômico atual e não prejudica a classificação de risco do Brasil no curto prazo, afirma o ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros.

FOLHA SP  entrevista  Luiz Carlos Mendonça de Barros

Folha - O governo anunciou na terça (27) uma projeção de deficit primário de 0,9% do PIB [Produto Interno Bruto] neste ano. Quais as implicações da nova meta e como fica o ajuste fiscal no longo prazo?

Luiz Carlos Mendonça de Barros - Eu tenho uma visão um pouco diferente em relação à questão fiscal neste ano, por uma razão muito simples: você tem uma queda de 3% do PIB e, portanto, tem uma queda expressiva na arrecadação do governo. É uma situação normal quando se parte para um ajuste como o que está sendo feito na economia brasileira.

Estamos passando por um ajuste recessivo, cujo objetivo central é a redução da demanda privada no país. Ora, quando isso acontece, é normal que haja queda de arrecadação. Num país como o nosso, em que 90% das despesas do governo são fixas no curto prazo, sem mudanças estruturais, o resultado final é um deficit dessa ordem.

Arte de RONALDO


O que torna essa questão mais quente do ponto de vista da discussão é que o governo cometeu um erro sério, grave, no início do ano, que foi se comprometer com um superavit primário impossível de ser atingido numa situação de recessão. E, à medida que essa recessão foi se consolidando – e ainda mostrando que é mais forte do que se previa inicialmente –, você passou de uma situação de superavit primário para deficit primário simplesmente por um erro de avaliação.

Estamos passando por um ciclo de redução de atividade provocado pelo próprio governo, por meio de duas ações: as decisões do Banco Central de subir os juros e de acabar com a farra do boi do crédito dos bancos públicos. Então, o deficit é natural dada a política econômica atual. E essa política, de redução da demanda, está absolutamente correta do ponto de vista da teoria econômica. O Brasil viveu um período de excesso de crédito e de consumo que provocou uma série de desequilíbrios, que agora estão sendo corrigidos.

Arte de JORGE BRAGA


Mas vai haver aumento da relação dívida/PIB.
Sim, a dívida do governo vai aumentar. Só que o importante agora é um compromisso com o ano que vem, 2017 e 2018, de reverter essa situação. E é preciso considerar esse aumento de dívida como uma circunstância da mudança de politica econômica. Em 2009, o deficit público nos Estados Unidos chegou a 10% do PIB, todos achavam que era o fim do mundo e não foi. O deficit americano em 2015 vai ser o menor dos últimos dez anos.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem dito que, feito o ajuste, a economia volta a crescer em seguida. O senhor concorda?
Esse é o ciclo normal da economia de mercado. Você teve um ciclo expansionista que passou do limite, e não há outro tratamento senão a redução brusca de consumo e do investimento. E isso já está começando a dar alguns sinais positivos. O mais claro e mais forte deles é o resultado das contas externas.

É evidente que o ajuste tem se dado mais pela queda das importações do que pelo aumento das exportações, mas é assim que é a vida. O primeiro período de um ajuste desse tipo nas contas correntes é a queda nas importações. Agora, com a atual taxa de câmbio, a indústria brasileira voltou a ser competitiva e já há sinais de que as exportações estão começando a se recuperar. O que está ocorrendo, para mim, está no script de uma política econômica correta para os problemas brasileiros hoje.

Arte de PAIXÃO


Estancada a sangria, o governo diz que deve cortar despesas nos próximos anos. É possível fazer isso no Brasil, com tantas despesas em que não se pode mexer?
É possível, mas vai ter que mexer em vacas sagradas do governo do PT e da Dilma. É preciso ter uma posição mais radical com uma série de programas do governo que até agora estão sendo preservados.

Agora, outra questão importante é que, pela primeira vez em muito tempo, a situação fiscal virou assunto de discussão nacional. Essa é a primeira etapa para permitir que se faça um trabalho de longo prazo e estrutural nas despesas do governo.

Arte de CLAYTON


A expectativa de que 2016 seria o ano da recuperação vem sendo, aos poucos, substituída pela ideia de, melhora mesmo, só em 2017. O próximo ano também será ruim?
Ah sim, porque esse ajuste leva tempo. No último trimestre de 2016, a situação vai estar melhor do que na média do ano. Você vai ter uma recuperação da indústria, que representa 10% do PIB, com a recuperação importante das exportações. Se você soma isso com os 5% do PIB do agronegócio, já começa a ter recuperação.

Além disso, a redução de crédito e o aumento de juros estão levando os consumidores a fazer uma revisão grande de seus gastos, e vamos ter um consumidor muito mais equilibrado financeiramente no ano que vem –e, portanto, com condições de recuperar o consumo.

O que estamos vivendo é um ciclo absolutamente tradicional de ajuste, que aconteceu no mundo todo e está ocorrendo em outros países. Por isso, me chama a atenção esse excesso de nervosismo em relação a um comportamento que está nos livros de teoria econômica.

Arte de NICOLIELO


De certa maneira, isso se explica pelo fato de que você tem várias gerações hoje no mercado que nunca viveram uma crise como essa. E o governo cometeu um erro terrível, quando ficou claro que era necessária uma correção do lado da demanda, porque procurou manter aquele período [de crescimento] ainda vivo. E então a queda no vazio foi muito pior. Tanto é verdade que isso está refletido nas pesquisas de apoio à presidente, que têm queda até maior do que a registrada pela atividade econômica.

Mas, se o governo andar adequadamente, como é o sinal nesses últimos meses, e continuar esse trabalho pelo resto do mandato, nós estaremos saindo dessa crise em um ano, um ano e meio.

Como o sr. avalia as chances de um impeachment hoje?
Aparentemente, esse negócio de impeachment foi jogado para a frente. Porque o fiel da balança, que é o PMDB, se convenceu de que assumir o governo agora, no meio dessa crise, vai ser um desgaste muito grande. Então, não há interesse imediato em fazer isso. E não há ainda nenhum sinal claro, gritante, de que se tenha condições de levar à frente um impeachment da presidente.

Qual a participação do Congresso na crise?
Assim como entramos em cúmulo-nimbo [nuvem associada a tempestades e instabilidade atmosférica] da economia, nós entramos num cúmulo-nimbo da política, porque 14 anos de bem-estar correspondem a 14 anos de hegemonia política muito forte do PT. E, de repente, você tem um vácuo no Congresso: essa hegemonia não existe mais, todo o mundo sabe que a possibilidade de recuperação é muito pequena e que uma nova hegemonia deve aparecer pela frente, só que ela ainda não está construída. Esse é outro ponto de muita insegurança e que vai precisar de tempo. Da mesma maneira que será preciso reconstruir o equilíbrio econômico, teremos de reconstruir uma nova hegemonia política, que não é a centrada no PT.

Arte de ALECRIM


O dólar deixou de subir tanto e os investidores têm olhado bastante para o cenário externo. Os ânimos se acalmaram com relação à economia brasileira?
Acho que nós passamos de uma histeria coletiva em relação a tudo para uma situação de quase normalidade. O medo de um colapso diminuiu. A situação ainda é muito insegura, mas há sinais positivos, como os ex-ministros da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira [Sarney] e Guido Mantega [Lula e Dilma] dando apoio ao Joaquim Levy, espaço para ele respirar.

O Brasil corre o risco de ser rebaixado novamente pelas agências de classificação de risco por causa do deficit em 2015?
Não é o caso agora. As agências já definiram o cenário que vão olhar, reduziram a nota e disseram que estão de olho muito mais em 2016 e 2017, vendo qual vai ser a posição do governo na parte fiscal, antes de tomar uma decisão final. Portanto, a estabilidade do ministro Levy no cargo ajuda a reduzir o nervosismo com o grau de investimento.

Arte de IOTTI


Se perder de novo o grau de investimento, quais as consequências para o país?
Atrapalha, sem dúvida. Até porque houve tanta dificuldade para ganhar o grau de investimento, e a perda dele é uma coisa real e tem que ser evitada a qualquer tempo. E só será evitada se o ministro for prestigiado e conseguir pouco a pouco, sem nenhuma mágica, mostrar que, pelo menos, o sinal do Orçamento mudou. E aí é uma questão de tempo e força política –que esse governo não tem, isso vai estar depender do próximo– para buscar as medidas necessárias no longo prazo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Minha primeira meia maratona

Por Nizan Guanaes
O GLOBO

Crônicas


A primeira meia maratona
"No próximo domingo, 18 de outubro (conto com suas orações e torcida), vou fazer a meia maratona de Amsterdã, a minha primeira maratona. Esses 21 km são a medida de uma reinvenção profunda. E Cecília Meireles diz que a vida só é possível reinventada.

Tinha 160 quilos caminhando a galope para 200. Fumava, comia e bebia em demasia, apesar do brutal histórico cardíaco-familiar. Meu pai e quase todos os seus irmãos morreram do coração. Alguns, bem cedo, como meu pai, aos 45 anos. Passei a primeira parte de minha carreira cuidando só da carreira e esquecendo todas as outras dimensões da vida que, inclusive, refletem muito na vida profissional.



A revolução profunda em mim e em meu corpo resultou numa transformação que jamais imaginei. Meu propósito original era sobreviver. Mas fui descobrindo uma vida mais profunda, intensa, saborosa e sofisticada.

O livro "On Managing Yourself", publicado pela Harvard Business School, é para mim o que há de mais moderno. A última palavra em gestão. Harvard, e não um livro de autoajuda, mostra que a melhor medida empresarial é a gestão da própria vida pessoal.

Clayton Christensen, o guru da inovação, abre o livro com um artigo explicando que criou uma métrica para medir a própria felicidade depois de perceber nos encontros de sua turma de Harvard que, a cada ano, os colegas voltavam mais ricos e mais infelizes. E o proposito da vida, segundo Aristóteles, é ser feliz.

A vida de Nizan, 170 quilos, era essa vida abandonada. A vida empresarial é um moedor de carne. Se você não a domina, ela engole você. Ela engole seu corpo, sua família, suas relações. Ela come tudo.

Muitas vezes o sucesso não consegue ser sustentado porque o corpo, a alma e a cabeça são destruídos, antes, por toda essa pressão profissional. Aí, a vida entra em parafuso e, com ela, a vida empresarial. O que esse esplêndido livro de Harvard propõe é que gerenciar a própria vida é a medida empresarial número um.
Certa vez fui convidado por Bill Gates para falar de Brasil em evento global na sede da Microsoft, com presidente-executivo do mundo todo e do calibre de Warren Buffett e Jeff Bezos.

Como o evento começava às 7h, às 5h, fui à academia do hotel e vi uma cena que me marcou para a vida: a imensa academia e sua piscina estavam lotadas. Todos os CEOs do mundo estavam ali, tomando a primeira e mais importante decisão empresarial do dia — cuidar da vida.

Não há só uma revolução tecnológica em curso. Há uma revolução humana. Na alimentação, no cuidado com o sono, no controle da mente, da alma, das emoções. Só que antes esse assunto ficava nos cadernos de saúde dos jornais. Ele hoje está aqui no caderno de negócios, pois é aqui que a Harvard Business School está colocando essa pauta.

E essa pauta ajuda muito a se relacionar melhor, a liderar melhor, a decidir melhor, a performar melhor, a ter mais resiliência numa crise como essa. Mas só é possível vencer nessa dimensão se você se dedicar a ela com a mesma obstinação dedicada ao seu sucesso empresarial.

O fato é que, com essa nova vida, a minha produtividade aumentou muito, e ganhei mais força para enfrentar a crise. Em tantos dias em que não há motivo para ser feliz, minha corrida diária me faz lembrar que a vida é boa, independentemente do câmbio.

A alegria do homem está dentro do homem. Isso não está só na Bíblia, mas na gestão mais moderna e eficaz que se propõe hoje."

Marin, da Suiça para os States

Por Juca Kfoury


Viagem desclassificada
José Maria Marin está prestes a ser enfiado num avião para fazer a mais angustiante travessia do Atlântico de sua longa vida de mais de 83 anos.

Extraditado pela Justiça suíça para os Estados Unidos, voará de Zurique a Nova York, espera-se, sem algemas, por desnecessárias, apesar de o FBI informar que será com. E na classe econômica, o que é até sorte para quem poderia estar num simples camburão.

Arte de DUKE


Na cidade que nunca dorme, Marin tentará ir para o conforto de seu apartamento na ostentatória Trump Tower, luxuoso edifício de 58 andares, na 5ª Avenida, 725. O apartamento 41-D é dele desde 1989, embora tenha omitido a propriedade em sua declaração de bens quando se candidatou ao senado nas eleições de 2002.

O apartamento está em nome de uma empresa com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas e vale US$ 2,5 milhões

Se conseguir, não sem antes dar uma garantia de US$ 10 milhões, poderá dormir não exatamente em sua cama predileta, a de São Paulo, onde mora também num prédio tão luxuoso que é chamado de Gaiola de Ouro, no Jardim Paulista.

Não dá para sentir pena, porque Marin não se limitou a enriquecer seja como cartola do futebol ou como governador biônico de São Paulo nos tempos da ditadura que serviu com tanto empenho.

Espera-se de quem não teve pudor de endossar denúncias falsas contra o jornalismo da TV Cultura que culminaram com a morte de Vladimir Herzog, exatamente 40 anos atrás, agora dê nome aos bois que foram seus parceiros para ficar milionário.

E que sirva de exemplo para cartolagem.

Marco Villa e as palestras do ex-presiMente Lulla

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O papo furado do PT

Por Rogério Gentile
Folha SP

Charges de SPONHOLZ

O papo furado do PT
O PT reagiu às investigações sobre o filho de Lula com os mesmos argumentos que usa sistematicamente desde o mensalão: é perseguição política, é preconceito da elite contra o retirante que ousou governar o Brasil, é o império do ódio, querem destruir o partido, temem que ele volte etc.


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Mas quem assinou a decisão que autorizou a operação da Polícia Federal? Quem escreveu "tem razão o Ministério Público Federal ao afirmar ser muito suspeito uma empresa de marketing esportivo receber valor tão expressivo de uma empresa especializada em manter contatos com a administração pública"?



A culpada por tal "heresia" é uma juíza que, para azar do PT e o seu discurso da vitimização, tem afinidades ideológicas com a esquerda.

Célia Regina Ody Bernardes assinou em 2012 manifesto em favor da instalação da Comissão da Verdade, criada por Dilma Rousseff. No texto, a juíza defendeu, inclusive, a "determinação judicial de responsabilidades", a despeito da Lei da Anistia.



Em 2014, a juíza também apoiou decreto da presidente Dilma que regulamentou o funcionamento dos conselhos populares na administração pública, chamados de "bolivarianos" pela oposição. Para a magistrada, o decreto aprofundava "as práticas democráticas".

A juíza também subscreveu declaração pública rechaçando a "exploração política" da morte do cinegrafista Santiago de Andrade (atingido por black blocs em protesto no Rio), defendeu a desmilitarização das polícias e protestou contra projeto que previa a redução da maioridade penal –seu nome, neste último texto, aliás, aparece ao lado do de Rui Falcão, o presidente do PT.



É possível que a juíza esteja equivocada ao desconfiar das transações do filho do ex-presidente Lula, que tudo não passe de um grande engano e que ele seja o homem mais honesto da face da terra.

Só não dá para dizer que o PT é vítima de um complô da direita.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Bom senso virou utopia

Por Tostão.
FOLHA SP


Charges de  MARIO ALBERTO

Bom senso virou utopia
Hoje conheceremos os finalistas da Copa do Brasil. Os três melhores times do Brasileirão estão fora. Palmeiras e Fluminense se equivalem. Os dois times são fracos. O Palmeiras, apesar de ter dois atacantes velozes e habilidosos (Dudu e Gabriel Jesus) e um armador de bom passe (Zé Roberto), é o campeão dos chutões e dos gols de bolas aéreas.

Zé Roberto, durante a carreira, foi bem em todas as posições em que jogou. A melhor foi a de segundo volante. Em 2006, estava na seleção da Copa. Mesmo assim, no Palmeiras, às vezes, fica na reserva ou joga de lateral, enquanto o time costuma atuar com dois volantes sem nenhuma habilidade.



Pela pouca qualidade que mostrava durante os jogos, não entendia o Fluminense entre os quatro primeiros no Brasileirão. O time despencou na tabela, antes de Ronaldinho chegar, e colocaram a culpa no jogador. Com Eduardo Baptista, melhorou, mas, contra Cruzeiro e Atlético-PR, o time foi muito mal.

O Santos está quase na final, pois ganhou fora, por 3 a 1. Se não fosse o fraco início do Brasileirão, o time estaria muito melhor na tabela. Dorival Jr. arrumou a defesa. Como é bom ver o veterano Renato jogar. Raramente, erra um passe. Nunca dá a bola para o companheiro marcado.



O São Paulo, quando tem Pato, Ganso, Michel Bastos e Luis Fabiano (ou Alan Kardec), é um time forte para o nível do Brasileirão, apesar de os zagueiros e volantes serem fracos. Precisamos redescobrir os talentos de Pato e Ganso. Eles foram tratados, no início, como grandes craques, sem terem sido. Ultimamente, passaram a ser considerados jogadores comuns, razoáveis, bons. Ambos nos iludiram e nos desiludiram. Não são uma coisa nem outra. São excelentes.

No Brasileirão, o Corinthians tem 20 ou mais pontos acima da turma que luta por uma vaga na Libertadores. A diferença técnica é enorme. Apesar de várias dessas equipes tentarem jogar um futebol moderno, o nível técnico é baixo.



Nos anos 1960 e 1970, os melhores times e jogadores que atuavam no Brasil eram superiores aos melhores da Europa. Hoje, a realidade é outra. O Brasileirão tem nível técnico de segunda divisão em relação às melhores equipes do mundo, o que não significa que todos os clássicos europeus são ótimos. Manchester City e Manchester United fizeram um jogo ruim, pior do que muitos do Brasileirão.

Alguns comentaristas, por convicção, por querer valorizar nossos campeonatos e pelo entusiasmo com o Brasileirão, perdem o bom senso e as referências.

Escutei alguns disparates, como os de que o Corinthians está no mesmo nível de Barcelona, Real Madrid e Bayern, que Renato Augusto, um dos candidatos a melhor do Brasileirão, deveria estar entre os 23 melhores da Fifa, que Douglas Costa poderá estar no mesmo nível de Neymar no Mundial de 2018, e que Careca, excepcional centroavante, convidado para a integrar a comissão técnica do Brasil nos dois próximos jogos, é superior a Cristiano Ronaldo.

O bom senso está cada dia mais distante. Tornou-se algo inatingível, uma utopia. 


Um olhar sobre a tecnologia que auxilia a Operação Lava-Jato

Sugestão de Maurício TD

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Aconteceu... em Brasilia

Estorinhas políticas


De volta para o futuro
Em 29 de setembro de 1992, quando o pedido de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello foi lido no Plenário da Câmara, deputados da oposição passaram a pressionar o presidente da Casa, Ibsen Pinheiro, a acelerar a análise do processo.

Em entrevista ao “Jornal Nacional”, da Rede Globo, José Genoino, líder do PT na Casa, disse:

As oposições querem encurtar o prazo, para o bem do país, da economia e para evitar esse esgarçamento.

– Todos querem uma solução tão breve quanto possível para a matéria. É o que vou tentar, espero que com o apoio de toda a Casa –afirmou o presidente da Câmara.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Estelionato a prazo

Editorial FOLHA SP


Estelionato a prazo
O quadro de deterioração econômica era previsível. Talvez não com a intensidade que hoje se verifica, mas já se podia calcular, com base nos indicadores do segundo semestre de 2014, que 2015 não passaria sem grandes dificuldades.

Soa esfarrapada, assim, a principal desculpa que políticos de variadas tonalidades ideológicas utilizam para justificar flagrantes de contradição explícita entre o discurso da campanha eleitoral e a rotina da administração pública.

As discrepâncias, dizem, explicam-se pela necessidade de aumentar o caixa num período de forte recessão. Diante da penúria na arrecadação, continua o argumento cínico, torna-se imperativo adotar medidas que, em outro contexto, jamais seriam encampadas.

Arte de MARCO AURELIO


O caso mais conhecido e comentado de estelionato eleitoral, naturalmente, é o da presidente Dilma Rousseff (PT). Mas a prática não se restringe à esfera federal. Pelo menos sete governadores já descumprem as promessas que, como candidatos, faziam um ano atrás.

Tome-se Luiz Fernando Pezão (PMDB), à frente do Rio de Janeiro. Na campanha, garantiu que não promoveria aumento do IPVA (imposto sobre veículos). Neste mês, porém, sancionou a majoração tributária, que valerá a partir de 2016.

No Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB) não esperou. Anunciou cortes logo no segundo dia de mandato, afetando inclusive os prestadores de serviços terceirizados –para obter votos nesse setor, ele chegou a gravar um vídeo no qual dizia que o número desses trabalhadores não diminuiria.

Em Minas Gerais, o postulante Fernando Pimentel (PT) acenou com redução de imposto sobre energia elétrica, mas os estabelecimentos comerciais sentiram a mão do petista como governador: elevação do ICMS de 18% para 25%.

Arte de SPONHOLZ


Surpresa semelhante teve a população de Goiás em maio, quando a Celg D (distribuidora de eletricidade) foi incluída no Programa Nacional de Desestatização. Em 2014, Marconi Perillo (PSDB) havia prometido que a empresa continuaria a ter participação estatal.

Encontram-se outros episódios de estelionato no Rio Grande do Norte (Robinson Faria, do PSD), no Rio Grande do Sul (José Ivo Sartori, do PMDB) e em Pernambuco (Paulo Câmara, do PSB).

Não espantará se surgirem novos exemplos; dificilmente algum candidato terá vencido disputas acirradas dizendo somente verdades. Nas eleições de 2014, no entanto, o descompasso entre a realidade e o mundo fabricado pelos publicitários atingiu níveis alarmantes.

O choque sentido pela população neste ano e a rejeição vivenciada pelos políticos talvez tenham importante efeito pedagógico –que poderá ser medido já nos pleitos municipais de 2016.

Lulla, um homem de visão


A ideologia do ENEM

Por Hélio Schwartsman
FOLHA SP


A ideologia do ENEM
Há algum exagero na acusação de que o governo transformou o Enem numa prova doutrinária, que só aprova candidatos com bons conhecimentos de marxismo-leninismo. Deve-se reconhecer, porém, que o exame, notadamente a parte de ciências humanas, dá generoso espaço a tópicos e autores caros à esquerda.

Fora o tema da redação, que foi a violência contra a mulher, eu contei, usando critérios bem frouxos, 14 perguntas capazes de disparar, ainda que levemente, conexões neuronais esquerdistas nos candidatos. Detalhe importante, a maioria delas não exige que o estudante concorde com a tese para acertar o exercício. São assuntos como globalização, movimentos sociais, feminismo, defesa do meio ambiente. Entre os autores, destacam-se nomes como Simone de Beauvoir, Karl Mannheim, Slavoj Zizek, Agostinho Neto e Paulo Freire. Esse "pot-pourri" representa 31% da prova de ciências humanas – o que não é pouco -, mas mais modestos 7,8%, se considerarmos todas as 180 questões do teste.

Arte de PELICANO



Admitindo um toque de cinismo, eu diria até que o viés ideológico da prova é útil para os candidatos, já que, em caso de emergência, podem recorrer a cálculos mentais de segunda ordem: na dúvida entre duas alternativas, opte sempre pela que tem a resposta mais "esquerdista", pois é maior a chance de que seja essa a que consta como correta no gabarito.

Seria muito melhor, porém, que o Inep, o instituto que elabora a prova, buscasse ativamente uma certa neutralidade ideológica no conjunto das questões. Por mais pantanoso e traiçoeiro que seja esse terreno –a rigor, a neutralidade é menos do que uma quimera–, vale a pena procurar um equilíbrio no "pedigree" dos autores citados justamente para que o exame não seja acusado de ser uma peça de propaganda. O compromisso do Inep não deve ser com correntes de pensamento, mas sim com a qualidade e a reputação da prova.

A crise no Brasil e a farra dos jatinhos da FAB

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Dilma, em momento reflexivo

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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A mentira tem perna curta

Da FOLHA SP

Pedaladas do governo Dilma bancaram grandes empresas e produtores rurais
Cerca de 35% dos valores envolvidos nas manobras cometidas pelo governo federal que ficaram conhecidas como pedaladas fiscais estão relacionados a financiamentos subsidiados para empresas e produtores rurais de médio e grande porte.

Os dados, enviados à Folha pelo BNDES e pelo Banco do Brasil, contrariam a versão apresentadapelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente Dilma Rousseff segundo a qual as pedaladas –aventadas comomotivo para o impeachment da petista– foram destinadas a pagar programas sociais como o Bolsa Família.

O artifício consistiu em utilizar recursos dos bancos públicos para o pagamento de despesas da alçada do Tesouro Nacional. Com isso, os balanços do governo apresentaram, durante o ano passado, resultados artificialmente melhores, driblando a necessidade de cortar gastos.


Arte de REGI



De acordo com os cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), quereprovou as contas federais de 2014, o expediente retirou indevidamente R$ 40 bilhões da apuração da dívida pública.

Desse total, segundo números fornecidos pelos bancos estatais, algo como R$ 14 bilhões foram referentes a empréstimos a grandes empresas e médios e grandes proprietários rurais.

Essas operações têm juros inferiores às taxas de mercado, e o governo tem de compensar os bancos pelas perdas –o que não vem ocorrendo integralmente. Por isso, o TCU considerou que os bancos financiaram o Tesouro, transação vedada por lei.

Entrevista com Ives Gandra Martins

Fazendo coro àqueles que juridicamente defendem o impeachment da presidente, o jurista Ives Gandra da Silva Martins fala, em entrevista exclusiva ao Migalhas, sobre os erros do governo, as pedaladas fiscais e a investigação da campanha pelo TSE. Para ele, os fatos econômicos terminarão superando a possibilidade de Dilma se manter na presidência da república.


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Curtas de Carlos Brickman

O país do carnaval


  • Diante das fortes suspeitas de que pode haver fraude no pleito venezuelano, Caracas decidiu aceitar uma comissão internacional de observação. Fez todas as exigências possíveis: rejeitou a OEA, rejeitou observadores independentes ligados a institutos não governamentais, impôs a Unasul, onde tem influência imensa, como instituição observadora. Mas foi pouco: decidiu vetar o representante brasileiro, Nelson Jobim - que foi ministro do Governo Lula e do Supremo Tribunal Federal. 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, decidiu com altivez: se há veto, o Brasil não envia representante. E que faz nosso Governo? Tenta convencer Toffoli a aceitar as imposições venezuelanas. Não é meio muito, em termos de obedecer a tudo o que mandam os bolivarianos?


  • Houve época, acredite, em que os partidos comunistas brasileiros exigiam que seus militantes conhecessem a doutrina e fossem capazes de enfrentar quaisquer adversários em debates (eram dois os partidos: o PCB, Partido Comunista Brasileiro, hoje PPS, que seguia a linha de Moscou, e o PCdoB, Partido Comunista do Brasil, mais ligado à China e, depois, à Albânia). 
Dirigentes comunistas como Salomão Malina e Armênio Guedes lutaram em guerras contra fascistas e nazistas. Hoje a luta é diferente: a Juventude do PCdoB de Natal combateu bravamente os bonecos infláveis de Lula e Dilma, para rasgá-los. 

O Pixuleco e a Bandilma, que retratam o ex-presidente e a atual presidente, ambos em trajes de presidiários, sofreram ferimentos mas estão aptos a participar de novos comícios.