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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Sobre humor e cangurus

Por Fernando Gabeira


Sobre humor e cangurus
Não precisamos de cangurus, mas sim de encanadores. A frase da chefe da delegação australiana na Olimpíada do Rio é mais do que uma tirada pragmática. Ela nos leva a pensar no humor. Quando prometeu os cangurus, diante das reclamações sobre problemas hidráulicos, Eduardo Paes estava fazendo humor. E, ao contrário do que ele costuma dizer, não é um humor carioca, apenas humor. Na verdade, não sei se existe um humor tipicamente carioca. Um dos maiores humoristas de todos os tempos, o carioca Millôr Fernandes era universal na maioria dos seus textos e pode ser incluído em qualquer boa seleção planetária.

Arte de JORGE BRAGA



Talvez exista um humor judeu, classificado, organizado em antologias, com traços marcantes, como a auto ironia de Woody Allen. Mas ainda assim é um esforço classificatório. No livro “O ato da criação”, Arthur Koestler descreve a dinâmica do humor e, de um modo geral, o atribui a um tipo de associação que expressa o encontro súbito de dois quadros do pensamento, uma centelha criativa que faz rir. Paes associou rapidamente um fato do mundo material, o entupimento das pias, para outro do mundo afetivo, os cangurus tão presentes no cenário australiano. A resposta australiana recolocou o quadro real da demanda.

Arte de OLIVEIRA



Se examinarmos o quadro clássico da dinâmica do humor, ele apenas introduziu uma centelha criativa, com o propósito de fazer rir. No entanto, carioca ou judeu, o humor está sujeito a uma condição universal: tem ou não tem graça? É difícil aceitar a tese de um humor carioca, sempre que o prefeito do Rio diz uma frase infeliz. Existe um estado de espírito mais descontraído talvez. Mas ele também está sujeito ao julgamento do outro.

Arte de CAZO

Se as frases de Paes expressam um típico humor carioca, era de se esperar que os cariocas fossem discretamente evitados por outros povos: lá vêm aqueles caras, com aquelas piadas sem graça. E não é isso o que acontece nas relações entre eles e o mundo. É compreensível que pessoas modestas atribuam seus talentos à sociedade em que trabalham, que socializem a celebração de suas conquistas. Mas torna-se um pouco difícil atribuir frases das quais ele próprio se arrepende a um traço da sua própria cultura. Como os cariocas, por serem cariocas, estivessem condenados culturalmente a dizer coisas sem graça, nas circunstâncias mais sérias. A resposta da australiana, Kitty Chiller — “precisamos de encanadores” — jogou Paes na realidade e foram feitos avanços nas reparações. Ministros de Brasília andaram dizendo que isso acontece mesmo com prédios novos. É a inversão do senso comum. Seria como dizer: meu carro é novo, por isso não sai da oficina.

Arte de NEO CORREIA


O diálogo Paes-Chiller me jogou também numa outra dimensão da realidade. Se uma obra que custou R$ 2,9 bilhões, inaugurada com exposição internacional, foi entregue assim, o que acontece com as outras ao longo do Brasil, escondidas das câmeras, anônimas? Cobrindo uma enchente num bairro popular de São Gonçalo, a moradora me convidou para entrar em sua casa e ver o resultado de uma recente obra de saneamento. Simplesmente os canos devolviam esgoto para dentro de casa. Naquele momento, senti muito que ela fosse obrigada a viver naquelas circunstâncias desagradáveis. Era apenas uma velha senhora de São Gonçalo. O que vemos hoje atrela aquele destino individual à própria imagem do Brasil.

Arte de LUSCAR


As reportagens mais críticas e dolorosas referem-se sempre aos graves problemas de saneamento. Uma atleta americana postou para seus seguidores: vou remar na merda por vocês. Num sentido mais amplo, a chefe da delegação australiana falou por todo o Brasil: precisamos de encanadores. Impossível esconder de uma superexposição internacional o fato de que ainda não resolvemos no XXI o problema que alguns países resolveram no século XIX, como o saneamento básico. Não é preciso ir aos bairros mais pobres para constatar essa realidade. As lagoas são um termômetro. Todas, e especialmente a Baía de Guanabara, são poluídas e decadentes. A opção de realizar a Vila Olímpica na Barra consagra um tipo de crescimento que segue o ritmo do próprio comércio imobiliário. Ao fugir das grandes concentrações, a expansão impõe ao governo custos muito altos para instalar a infraestrutura. A frase da australiana Kitty Chiller não é todo estranha à Barra de Tijuca de hoje.

Arte de ANGELI

Mas, certamente, ao apontar o crescimento para a região, ela pode se tornar profética: precisamos de encanadores. De uma certa forma, a Lava-Jato nos ajudou nisso. Grandes empreiteiras como a Odebrecht não terão condições de repetir seus métodos. E não poderão substituir o planejamento pela lista das obras que querem construir. O colapso dessas grandes empresas talvez abra caminho para se enfrentar com mais eficácia a tarefa do saneamento.

Arte de SPONHOLZ


Se isso acontecer será também um legado da Olimpíada, teremos encanadores e os canos que ainda nos faltam;

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Curtas de Lauro Jardim

Curtas de Lauro Jardim.
O Globo


A pira olímpica
O que fazer com a pira olímpica? Essa é uma pergunta ainda sem resposta para a Rio-2016. Tradicionalmente, a pira olímpica é acesa no estádio olímpico e lá permanece até o final dos Jogos.

John Stillwell | AP Photo


Só que no Rio de Janeiro a abertura das Olimpíadas será no Maracanã e não no estádio Olímpico, o Engenhão, onde, aliás, a Federação Internacional de Atletismo prefere que a pira fique.

Há uma ala que defende o Maracanã como pouso da pira; outra prefere o Engenhão. E há uma terceira que imagina a pira num lugar de importância histórica da cidade.

Por essa solução, ela seria acesa no Maracanã e levada ao local.

Por enquanto, problemas técnicos (ou seja, como levar a pira sem apagá-la) impedem essa terceira via, hoje vista com muita simpatia pela cúpula da Rio-2016.




Nos últimos doze meses, 1,2 milhão de brasileiros (de um total de 40 milhões) cortaram seus planos de saúde , de acordo com dados das seguradoras.

Em conversas privadas, Nelson Barbosa vem acenando com a possibilidade de a CPMF que o governo quer ressuscitar ter alíquotas decrescentes, ano após ano, como, aliás, sugeriram os bancos.

O governo de Minas Gerais vê com bons olhos a volta da operação da Samarco ainda este ano. O que o motiva é, sobretudo, a arrecadação de impostos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Os pecados da Rio-2016

Por Marco Aurélio Canônico
FOLHA SP
Charges de ALPINO
Os pecados da Rio-2016
Para uma governante acusada de estelionato eleitoral por conta das falsas promessas feitas na campanha do ano passado, a presidente Dilma Rousseff foi pouco prudente ao abraçar a tática marqueteira da Prefeitura do Rio e anunciar uma lista de "dez mandamentos olímpicos" em visita à cidade na terça (10).

Se estivesse acompanhando a cobertura da imprensa sobre as preparações para a Rio-2016, Dilma saberia que boa parte dos "mandamentos" já está sendo descumprida –a começar pelo primeiro, "deixarás legado para a população em toda a cidade".

Ainda que seja possível acreditar que vá haver alguma melhora em determinadas áreas, é difícil sustentar que elas serão "em toda a cidade" –basta entrar em qualquer favela, mesmo as mais próximas ao circuito olímpico, para se dar conta disso.




O abandono das comunidades, a propósito, contraria diretamente o terceiro mandamento, "priorizarás as áreas mais carentes e a população mais pobre". Com apenas uma frase, "despoluição da baía de Guanabara", vai ao chão a quinta regra listada pela presidente: "Entregarás mais do que te comprometeste". Isso sem mencionar o português ruim.

O sexto comando, "não desperdiçarás dinheiro público", tem ligação direta com o décimo, que fala em não deixar "elefantes brancos".

Se a lição dos estádios da Copa-2014 e do Pan-07 não fosse suficiente para fazer a presidente desconfiar de tal promessa, uma olhada atenta sobre a falta de planejamento para boa parte das arenas olímpicas acenderia a luz vermelha.




De resto, chama a atenção que algo que já é um ilícito previsto na Constituição –é improbidade causar prejuízo ao erário, afinal– precise ser repetido em tom divinal.

Como se vê, a julgar pelos mandamentos apresentados, os três níveis de governo responsáveis pelos Jogos do Rio já são pecadores.


domingo, 25 de outubro de 2015

Curtas de Lauro Jardim


Charges de ANGELI



  • Os "Diários da Presidência", que FHC está lançando, sai praticamente sem censura. Ou seja o que FHC gravou praticamente todas as noites enquanto presidia o Brasil foi para o papel, exceto algumas passagens. E o resto? Se tornará público após a morte do ex-presidente. Um exemplo de alteração: lá pelas tantas, FHC refere-se a um político como "mentecapto. No livro, virou "malandro".


  • Para enxugar os custos, a Rio-2016 resolveu diminuir o número de sedes do futebol nas Olimpíadas. Das seis previstas, quer cortar duas. Uma, está decidida - será o Estádio Mané Garrincha , em Brasília. O problema agora é resolver como devolver os ingressos já vendidos.
  • A antipatia de Lula por José Eduardo Cardozo é antiga e antecede os governos do PT e muito antes das tentativas recentes de Lula tirar Cardozo do cargo. Começou em 1997, quando Cardozo integrou a comissão interna do PT que investigou o caso da Consultoria para Empresas e Municípios (Cepem), com sede em São Bernardo do Campo, o primeiro escândalo de corrupção do PT.


A Cepem teria sido contratada sem concorrência por prefeitos petistas, com o objetivo de se desviar verbas públicas para os cofres do partido.
Em seu relatório, feito em conjunto com o Hélio Bicudo e Paul Singer, Cardozo recomendou que o advogado Roberto Teixeira, dono da Cepem e padrinho de um dos filhos de Lula, fosse submetido a uma comissão de ética.

Lula nunca perdoou.

A propósito, Roberto Teixeira tem participado de reuniões para combinar como tirar Cardozo do Ministério da Justiça.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

E começa o PAN

Por Mariana Lajolo, para a FOLHA em 10JUL

Quanto vale o PAN
A cerimônia de abertura do Pan de Toronto acontece nesta sexta (10). E, um dia depois, começa a avalanche de medalhas nos pescoços dos atletas brasileiros.

Muitos ouros, histórias de superação, astros consagrados e, após duas semanas, aquela sensação de que somos potência esportiva: "Em 2016, ninguém segura o Brasil!"

Arte de SPONHOLZ


Não é bem assim. Ter um bom desempenho no Pan é mais ou menos como ver seu time ganhar o Estadual. Haverá festa, taça, você vai tirar sarro daquele colega mala que te aporrinhou o campeonato todo e sair na rua no dia seguinte com a camisa que estava guardada no fundo do armário, todo orgulhoso.

Mas, no fim das contas, o título não significa que sua equipe estará entre as favoritas no Brasileiro. Empolgar-se demais com a conquista pode gerar uma grande frustração lá na frente.

É assim com o Pan. No evento continental, o Brasil ganha mais de uma centena de medalhas. Em Guadalajara-2011, foram 141. No ano seguinte, na Olimpíada de Londres, 17 atletas subiram ao pódio. A diferença é muito grande.

Arte de SPONHOLZ


Então o Pan só serve para isso, vender ilusões? Nem sempre. É possível sair dali com muitos motivos para sorrir. Em alguns esportes, uma medalha pode representar a classificação antecipada para a Olimpíada, o que por si só já assegura um resto de ano mais tranquilo -patrocinadores se interessam muito mais por quem já tem o bilhete dos Jogos. Para muitas modalidades que não se destacam em nível mundial, é a chance de aparecer.

Para o COB, o evento pode servir como um termômetro olímpico. O Pan é organizado como uma mini Olimpíada, por isso, pode ser uma espécie de laboratório onde se testam estratégias de treinamento, concentração, preparação psicológica, descanso. Resultados em mãos, é possível corrigir rumos para 2016.

Arte de NEO CORREIA


Os dirigentes também podem avaliar se estão fazendo as contas certas. A meta em Toronto é ser top 3 pelo total de medalhas. Nos últimos dois Pans, por esse critério, o Brasil foi o segundo colocado -contando as medalhas de ouro, porém, ficou atrás de EUA e Cuba.

Mas o Canadá, em casa, promete sair do incômodo quarto lugar. A briga entre Brasil, Canadá e Cuba deve ser uma das mais acirradas de todos os tempos. Os EUA continuam favoritos, mesmo levando times B e C para boa parte das competições.

Arte de THOMATE


Um deslize no Pan pode ligar um sinal de alerta para 2016. No Rio, o Brasil quer entrar pela primeira vez no grupo dos dez países que mais sobem ao pódio olímpico. A meta é ambiciosa: ao menos 27 medalhas.

Conseguiremos? É viável, e o Pan pode ajudar a iluminar o caminho, mostrar defeitos e virtudes. Para isso, é preciso não se deslumbrar com resultados. Pan não é Olimpíada, e o Brasil ainda não é uma potência esportiva. O torneio vale muito. E também pode não valer nada

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Olimpíadas terá 37.000 militares nas ruas

Direto de Felipe Moura Brasil

Olimpíadas terá 37.000 militares nas ruas
Os bandidos tem mais 15 meses e meio para barbarizar à vontade no Rio de Janeiro.

Depois, terão de tirar 15 dias de férias, como na Copa do Mundo de 2014, porque 37.000 militares estarão nas ruas para os Jogos Olímpicos Rio 2016.

anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo petista Jaques Wagner, o ministro que ocupa a pasta da Defesa após seu governo alcançar notável sucesso no aumento da criminalidade na Bahia.

Arte de NEO CORREIA




Segundo ele, o ministério investirá um total de 400 milhões de reais nos Jogos.

“O Brasil precisa entender por que gastamos com defesa”, disse Wagner.

Nós entendemos, claro.

O governo do PT gasta para proteger os turistas, enquanto deixa mais de 60 mil brasileiros morrerem assassinados por ano no país.

PT: Partido dos Turistas.