A economia brasileira entrou em regime de crescimento com estabilidade. PIB pra cima, IPC pra baixo. Para 2008, aposta-se em repeteco de 2007: PIB acima de 5% com IPC abaixo de 5%. Sucesso da política econômica? Na estabilidade, talvez. No crescimento, não. A política do governo Lula reprisa a política do governo FHC. Nada contra. Ocorre que no governo FHC essa política foi armada para um Brasil em estado de choque de fora dentro, com o mundo todo em pane, em transe, entre 1997 e 2002. A manutenção dessa política de choque nos juros mais inibidores do mudo, nos impostos mais suicidas do mundo, nas regulações mais trapalhonas do mundo - com direito a apagão logístico, apagão social e até mesmo apagão moral - essa política é purgativa, anoréxica, repressiva. Ela não bate com PIB de 5% nem de 4% ou 3% ao ano. Se assim é, por que a economia deu de crescer acima de 4% e já agora de 5% ao ano? Porque pegou no tranco. Em resposta ao garrote tributário em overdose, estamos informalizando negócios e mercados, ainda que a dano da concorrência civilizada. Em resposta ao arrocho bancário em overdose, estamos desbancarizando o financiamento da produção e do consumo na proporção de dois terços do PIB. E em resposta ao sufoco orçamentário do setor público despoupado, empresas e famílias estão privatizando, por sua propria conta e risco, a saúde pública, a educação pública, o transporte público, a previdência pública, a segurança pública... Ou seja: liberando a energia de megamercados não mais cobertos pelo Estado brasileiro deficitário, deficiente e trapalhão. Vai daí que o PIB 2008, assim por linhas tortas, tende a transitar pela bitola de 5%. Se a política econômica corrigisse seus desvios de rota nos juros, nos impostos e nas regulações - aí, sim, o Brasil cavaria PIB acima de 8% com IPC abaixo de 4%. A anta viraria tigre.
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segunda-feira, 31 de março de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Quase no G-10
por Joelmir Betting em seu blog traduzindo o economês
Sócios estrangeiros da Petrobras nos trabalhos de pesquisa da Bacia de Santos surpreenderam o mercado, aqui dentro e lá fora, em relatório que reestima os recentes achados de óleo no Campo Tupi, entre 12 bilhões e 30 bilhões de barris.
No anúncio oficial, em novembro de 2007, a estimativa da estatal contentou-se com 9 bilhões, no máximo. Ora, se nós rebaixarmos essa reestimativa dos parceiros ingleses e portugueses de 30 bilhões para 25 bilhões de barris, já estaremos duplicando as reservas brasileiras já comprovadas, da ordem de 12,2 bilhões de barris.
Nesse caso, o Brasil subiria do 17º para o 10º lugar no ranking das maiores reservas do mundo. Com 37 bilhões, ficaria à frente dos EUA, por exemplo, hoje com 30 bilhões. Que tal?
Pelo sim, pelo não, o valor de mercado da Petrobras, no seu estoque de ações a preços do dia, pode alcançar os R$ 250 bilhões agora em fevereiro - o que lhe daria, igualmente, o 10º lugar entre todas as petroleiras do planeta.
A maior delas, em valor de mercado, é a Petrochina, cotada em US$ 724 bilhões. Bateu a Exxon-Mobil, de US$ 512 bilhões. Detalhe curioso: com as promessas de Tupi, as reservas do Brasil já seriam mais que o dobro das reservas da China, da ordem de 16 bilhões de barris.
No ranking das reservas, a liderança é uma covardia: a da Arábia Saudita, com 265 bilhões de barris, maioria de óleo leve, óleo nobre - barril custando apenas US$ 4 na boca do poço e valendo nada menos de US$ 90 na Bolsa de Londres.
Um sonho de Midas, o rei
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